Procura-se uma bombinha

 

CENA 1. CASA LONGARAY. CLIP THAILYZ. INT. DIA.

Para a primeira cena do episódio segue com inspiração de: um remake do clip da música Single Ladies da cantora Beyoncé.

TELA preta. Começa a tocar Beyoncé – Single Ladies. Abre em Thailyz vestida com um colã preto, uma luva de ferro dourada, maquiagem forte, no cabelo – um topete; um fundo branco, acompanhada de duas morenas. Com uma coreografia ensaiada, ela começa seus passos, no ritmo embalado da música. Claro que esse detalhe é a imaginação dela; por tanto, vamos mesclar com a realidade.;

Thailyz dançando em seu quarto, sozinha; com um colã marrom, uma luva de borracha verde, com umas unhas postiças coladas nos dedos, um penteado com um bobe grudado na ponta, maquiagem escura, os olhos bem sombreados, porém os passos da coreografia sãos os mesmos, só que o espaço não, e Thailyz esbarra nos objetos, e derruba abajur, mas nada impede de parar. A música rolando. Os movimentos são iguais os do clip real. Alternando os passos dados na imaginação dela, com os da realidade. O clímax final da música, montar um esquema rápido dela dançando em seu quarto e em sua imaginação. Terminar com ela em um olhar fixo pra tela; e, com um plano geral do quarto bagunçado com as coisas que ela derrubou.

ABERTURA

NARRADOR — Episódio: Procura-se uma bombinha.

CENA 2. CASA LONGARAY. SALA JANTAR. INT. NOITE.

Com os gritos vindos do quarto de Iane. Liége, Giovanni, Thailyz e Aleff levantam-se rapidamente da mesa e saem correndo para o andar de cima.

IANE — (OFF) Socorro!! Socorro…

LIÉGE — Mãe! (para quem está na frente) Vai! Vai!

CENA 3. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INT. NOITE.

Iane desesperada com a presença de Christian em seu quarto, ele está tentando acalma-la.

IANE — O que você quer? É dinheiro? Pode levar o que quiser, moço! Mas não me machuque!

CHRISTIAN — Não! Não é nada disso! Se acalma!

A família entra em peso no quarto. Muito ritmo.

GIOVANNI — Quê que houve? Que quê tá acontecendo?

LIÉGE — Mãe, a senhora? O que aconteceu?

IANE — Um homem! Um estranho, dentro do meu quarto!

THAILYZ — Calma, vó! Se acalma, esse é o Christian! Ela não é um estranho! Ele é meu…/

LIÉGE — (corta) Amigo! Ele é amigo, amigo da família. Nós conhecemos ele há pouco tempo.

IANE — E o que esse imbecil está fazendo dentro do meu quarto?

CHRISTIAN — (rápido) Desculpe, gente, eu posso explicar tudo! Eu me perdi, eu achei que o final do corredor era desse lado. Eu entrei. Levei um susto com ela, acabei ficando nervoso. A senhora me desculpa por isso, pelo amor de Deus!

IANE — Você quase me mata de susto. Claro que eu não o desculpo!

CHRISTIAN — Me perdoe; acredite que eu fiquei muito mais assustado. Eu fiquei nervoso.

GIOVANNI — (brincar) Na presença dela qualquer um fica assustado.

IANE — (a Liége) Tá vendo? Tá vendo como seu marido me trata?

LIÉGE — Giovanni, por favor, dá um desconto.

THAILYZ — A gente também errou em não dizer pra ele o lugar certo. Essa casa tem tanta porta.

IANE — Que lugar? Como vocês deixam um rapaz que mal conhecem perambular pela casa?

LIÉGE — A senhora tem razão, mamãe. Vamos ter mais cuidado. O banheiro lá de baixo está quebrado, o rapaz só queria usar o banheiro aqui de cima.

CHRISTIAN — Eu estou me sentindo muito envergonhado, eu lhe peço desculpas pelo equivoco.

GIOVANNI — Tudo bem, acontece. Nós também devíamos ter avisado sobre a dona aí, né?!

IANE — Acabou o circo. Todos vocês, fora do meu quarto!

LIÉGE — Vamos lá pessoal. (todos saindo) Nós todos vamos deixa-la em paz. Tá bom. Não quer nada?

IANE — Não. Amanhã, vamos ter uma conversa muito séria, Liége.

LIÉGE — Tá certo. Daqui a pouco eu volto para lhe por na cama.

IANE — Sai.

Liége sai, fecha a porta. Iane com a cara marrada.

CENA 4. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. NOITE.

Todos descendo a escada.

ALEFF — Péssima maneira de conhecer dona Iane.

GIOVANNI — Ele deu sorte dela estar num bom dia.

THAILYZ — (p/ Christian) Pois é, eu já tinha te falado que minha avó era rabugenta.

LIÉGE — Não fale assim da sua avó!

CHRISTIAN — (tenta se redimir) Dona Liége, juro que a minha intenção não era de…

LIÉGE — (corta) Tá tudo bem, tá tudo certo. Deixa que agora ela se acalmou. Eu só vou te pedir uma única coisinha.

CHRISTIAN — Claro. Pode pedir, eu acato.

LIÉGE — Vamos combinar que nunca, jamais entrará naquele quarto de novo.

CHRISTIAN — (hesita um pouco) Claro… é claro.

ALEFF — Rapaz de sorte.

GIOVANNI — Quem dera eu… (risos)

LIÉGE — (OFF) Giovanni, palhaço…

CAM focar em Christian frustrado.

ALEFF — (usa bombinha de asma) Ih, acabou. (tira o remédio da capsula, joga pela janela, sem ninguém ver.) cadê o outro? Merda, lá encima.

GIOVANNI — (OFF) Vamos a sobremesa!!

ALEFF — Opa…

Aleff põe a bombinha no bolso e vai em direção da cozinha.

CENA 5. BARRACO. INTERIOR. NOITE.

Darwin espiando pela janela. Lorelaine vem do quarto, ela está toda se querendo.

LORELAINE — Que tá espiando aí?

DARWIN — (nem a olha) Ô, mulher… nada.

LORELAINE — Nada?

DARWIN — É, nada. Nada.

LORELAINE — Hum… E não quer espiar nada melhor?

Lorelaine vestida para dormir, com as coxas de fora, levanta a perna encima da cadeira.

DARWIN — Ô, mulher… assim você me deixa eriçado…

LORELAINE — Vem aqui, vem…

DARWIN — É hoje, papai!!

Darwin se atira nos braços e beiços da nega.

CENA 6. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INT. NOITE.

Liége termina de ajeitar Iane em sua cama.

LIÉGE — Tá bom assim? Tá confortável?

IANE — Tá. Deixa assim. Olha, eu não sou boba , não, tá?! Vocês não me contam nada, sempre me escondendo as coisas.

LIÉGE — De novo, mãe, a mesma história?

IANE — Aquele cara é namoradinho da Thailyz?

LIÉGE — Mãe, ele não é assim, como posso dizer…

IANE — (corta brusca) Responde! Não enrola.

LIÉGE — É. É sim.

IANE — Pra que tanto dificuldade em me falar?

LIÉGE — Eu sei como a senhora é, ia por defeito, ia me encher os ouvidos.

IANE — Não. Em relação a isso, já está mais do que na hora dela perder o cabaço.

LIÉGE — (revira os olhos) Ai, me poupe dos comentários desnecessários. Ela não vai namorar com ele só pra perder a virgindade.

IANE — (ironizar) Você realmente acredita que ele é o homem da vida dela, e que haverá uma linda cerimônia de casamento com pombos brancos voando e cagando em tudo. Na noite de núpcias eles enfim vão se deliciar em uma lua de mel, onde a rechonchuda então se tornará uma mulher!

LIÉGE — Se eu pudesse escolher no lugar dela, eu escolheria… mas esse feito, eu não posso. Então a sorte e o azar serão dela. Boa noite, mamãe.

IANE — Acredite nisso que você falou, Liége. Porque se eu tivesse a oportunidade de ter escolhido por você, hoje você estaria bem melhor. E o azar foi nosso. Boa noite.

Liége sai do quarto controlando sua raiva como sempre. Iane desliga a luz, e repousa-se melhor para dormir.

CENA 7. BARRACO. INTERIOR. NOITE.

Darwin e Lorelaine transando encima da mesa do jantar. Uma transa bem escandalosa com xingamentos e agressões.

DARWIN — gostosa! Minha delicia! (tapa e tapa) Safada!

LORELAINE — (gemendo) Cachorro! Vai! Assim! Ah!

DARWIN — Ah! Delicia! Eu tô quase! Eu tô quase! Ah!

LORELAINE — Ah! Ah! Assim… ai! Não morde!

DARWIN — (tapa nela) Cala boca, vadia! Ah! Toma o que te mandaram!! Ah, eu tô quase! Eu tô quase..! Ah, eu te amo! Ah! Eu te amooo…

As luzes acendem! Sustos dos dois, Darwin no susto perde o foco e não consegue terminar seu ato. Um grito da Loreleine ecoa pelo ambiente. Revelar Iuri sentado no sofá, que estava assistindo o desempenho.

IURI — Não seria melhor fazer isso em uma cama?

O casal completamente assustado, vão catando as roupas no chão.

DARWIN — Que isso, meu irmão! Pirou de vez?! Você é louco?! Como é que você chega assim? Do nada? Das sombras? Quem que você é, o Batman?

IURI — Vocês são muito exóticos. Bem se vê que quando pobre não tem dinheiro se diverte de outras maneiras.

LORELAINE — (gritar irada) Escuta aqui, você sai da minha casa! Passa fora, ô cuzão de merda!

IURI — (P/ Darwin) Pede pra tua vadia safada, abaixar a bolinha.

LORELAINE — Vai se fuder! Ninguém vai me dizer como agir dentro da minha própria casa! Acha o quê? Que eu vou aceitar isso?

DARWIN — Nega, calma…

LORELAINE — Não! O quê? Você conhece esse cara? Como ele chega assim, invadindo nossa intimidade?

IURI — Primeiro que isso aqui não é casa. Segundo que a intimidade de vocês dava pra ouvir lá no pé do morro.

LORELAINE — (com ódio) Olha meu, passa fora da minha casa antes que eu quebre essa tua cara!

IURI — (revelar estar armado) Acho bom você abaixar essa tua crista de galinha, e fechar essa boca podre e não dar um pio.

DARWIN — Ô chefia, calma aí, calma aí… ela não tem nada haver com o lance.

LORELAINE — (enfrenta) Eu sou nega da favela, não tenho medo de arma, não!

Iuri se irrita tira a pistola da cintura engatilha e aponta pra cara de Lorelaine, Darwin fica muito nervoso.

DARWIN — Ô, ô, ô, ô… não, não, não… vamos com calma, aí! Muita calma nessa hora! Po, Iuri, po, cara… Não vale a pena se estressar, cara. Hein?! (p/ Lorelaine) Nega! Vem aqui, se aquieta. Fica aqui no canto. Vem… (p/ Iuri) Ela vai ficar quietinha, agora. Ela vai.

Iuri olha feio pra ela, e vai baixando a pistola.

LORELAINE — (vai retrucar)

DARWIN — (irritadíssimo com ela) Cala essa boca! Cala essa maldita boca, deixa que eu me resolvo com o cara. Senta aí! Senta porra da bunda aí!

Lorelaine contrariada, senta-se num canto.

DARWIN — Pô, cara, vamos resolver essa parada, mano.

IURI — Mano é o caralho, não sou teu tipinho pra você me chamar assim.

DARWIN — Foi mal, foi mal…. dá uma brecha, relaxa. Qual é?! Parceria! Eu tô tentando ser amigável.

IURI — Não quero saber de amizade. Quero saber do meu colar! Cadê meu colar?

Darwin hesitar, nervoso. Lorelaine completamente sem saber o que está acontecendo.

[ATENÇÃO.: As 6 cenas seguintes são contínuas. Mesclar sonoplastia e se houver necessidade as falas.]

CENA 8. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. NOITE.

Giovanni terminando de contar uma piada.

GIOVANNI — Ai, o papagaio disse: cala boca, quando eu estou de terno não falo com puta.

Christian e Giovanni caem na risada. Liége, Thailyz e Aleff já conheciam essa piada, mal dão sorrisos.

LIÉGE — Boca suja.

ALEFF — Eu tenho uma.

CHRISTIAN — Conta aí, conta aí!

THAILYZ — E eu achei que não dava pra piorar.

ALEFF — Cala boca!!

LIÉGE — Não discutem! Conta a piada logo.

ALEFF — No colégio, a professora faz um concurso de mágica com seus alunos. Aí, a Mariazinha pega uma cartola e diz assim: óóó… puf! Tira um coelho de dentro da cartola.

THAILYZ — Um clássico, ela é boa.

ALEFF — Coelho de algodão. Mas tirou! Era de algodão. Tá, daí o Pedrinho pegou uma varinha, essas de mágico, e pah, a varinha se transformou num buque de rosa.

LIÉGE  — Ai, que lindo.

ALEFF — Então a professora pergunta pro Joãozinho, o pestinha da turma: qual que é a sua mágica, Joãozinho? Aí, ele pegou o dedo e parou assim (dedo indicador) veio uma mosca e sentou na ponta do dedo dele. Ele: óóó… (balançando o dedo) ela não voa. (balança) Óóóó… ela não voa. A professora: ai, que bonitinho, eu quero ver se eu consigo também. Botou o dedinho dela lá, e nada da mosca sentar. Ela falou: Joãozinho, que bonitinho, como é que faz pra fazer essa mágica? Ele falou: tem que enfiar o dedo no cú primeiro, fessora!

Todos caem na gargalhada.

THAILYZ — Ai, que nojo! Como cê é relaxado, garoto. O Aleff sempre falando merda.

ALEFF — Todo mundo riu. Até teu namoradinho.

THAILYZ — Riu porque é educado.

CHRISTIAN — Sem briga.

ALEFF — Eu não queria mostrar, mas ele vai rir de uma coisa bem engraçada agora. Eu vou mostrar.

THAILYZ — Que quê é?

ALEFF — Um vídeo!

Aleff mostra um vídeo que ele filmou escondido da Thailyz dançando Beyonce – Single Ladies. Toda aquela performance da primeira cena deste episódio ele tem gravado em seu celular. Thailyz quer mata-lo.

THAILYZ — Desgraçado!! Eu não acredito que você fez isso!! Eu vou te matar!!

Thailyz sai correndo atrás dele.

LIÉGE — Para! Para com isso!

THAILYZ — Me dá aqui esse celular! Eu vou quebrar essa merda! Me dá!

CHRISTIAN — Se acalma! Thailyz, calma!

THAILYZ — Ele não podia ter feito isso comigo, esse filho da mãe!

CHRISTIAN — Calma, era só brincadeira!

ALEFF — (gargalhada) Curtiu? Curtiu o gingado dela? Ela tem talento!

THAILYZ — Eu vou te matar!!

Ela sai correndo atrás dele, eles correndo pela casa.

GIOVANNI — Para, olha a correria! Deixa eu ver o vídeo!

LIÉGE — Vocês querem parar?!

Aleff volta correndo, ofegante, ele para. Thailyz o alcança e pega o celular de suas mãos e lhe dá um tapa na cabeça. E se afasta com o celular pra apagar o vídeo.

THAILYZ — Idiota…

A partir desse momento cena fica mais pesada, fundo musical tenso, tocar: Turtango. Aleff começa sentir falta de ar.

ALEFF — Eu não tô… eu não tô respirando… direito…

Aleff tira do seu bolso a bombinha, não tem nada.

ALEFF — Merda…

Liége percebe o jeito estranho de Aleff.

LIÉGE — Vocês não tem jeito. Aleff? Que quê houve?

ALEFF — Eu preciso… da minha… bombinha. Eu vou lá pegar…

THAILYZ — Aleff?

Aleff sobe alguns degraus da escada e cai, se vira, e começa a ter uma forte crise de asma. Clima esquenta. Todos ficam assustados.

THAILYZ — Aleff!! Que tá acontecendo? É a asma?

Ele não consegue respirar. Eles reparam que a sua bombinha está sem o remédio.

LIÉGE — Cadê o remédio? Onde tá? Não tem nada aqui!

ALEFF — meu quarto… meu quarto…

LIÉGE — (pra Thailyz) Corre lá, pega lá encima, no quarto dele!

Thailyz sobe a escada correndo, Christian não sabe o que fazer…

GIOVANNI — (ao filho) Calma, calma, calma, cara! Respira fundo! (abanando) Tenta respirar fundo…

LIÉGE — Relaxa, relaxa… para, para, olha pra mim… Aqui… se acalma. Olha aqui…

CENA 9. CASA LONGARAY. QUARTO ALEFF. INT. NOITE.

Thailyz entra as pressas no quarto, nervosíssima.

THAILYZ — Meu Deus!! Cadê!? Como é que eu vou achar no meio dessa bagunça?

Thailyz começa a revirar as coisas de Aleff, muito nervosa. CAM saindo dela e vai indo para um bidê onde encontramos o remédio.

CENA 10. CASA LONGARAY. SALA. INT. NOITE.

Aleff tendo uma forte crise de asma, nervoso, batendo no peito. Liége e Giovanni tentando acalma-lo.

LIÉGE — Para, meu filho! Não se bate! O remédio tá chegando! Matem a calma… (gritando) Vamos, Thailyz!!! (retorna ao filho) respira, respira… calma. (ao marido) O nebulizador! Onde tá?

GIOVANNI — Eu não sei, eu não sei!

LIÉGE — Fica aqui com ele!

Liége sai correndo em direção à cozinha.

GIOVANNI — (ao Christian) Me ajuda a botar ele no sofá!

Giovanni o pega no colo, Christian ajuda tirando as coisas da frente.

CENA 11. CASA LONGARAY. COZINHA. INT. NOITE.

Liége entra correndo, abre os armários de cima, derruba potes, não encontra o que procura. Nos armários de baixo, a mesma coisa. Vai tirando tudo da frente, caixas, copos, encontra um nebulizador. Pega a caixa. E sai correndo.

CENA 12. CASA LONGARAY. QUARTO ALEFF. INT. NOITE.

Thailyz irrita por não conseguir encontrar.

THAILYZ — Ahhh merda!! Cadê esse troço?? Deus, me ajuda!! (se vira e encontra-o encima do bidê) Ah! Obrigada!

Thailyz pega-o e sai correndo porta a fora.

CENA 13. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. NOITE.

Thailyz desce a escada correndo gritando: achei, achei! Liége vem da cozinha com uma caixa.

GIOVANNI — Aqui! Coloca na bombinha.

Thailyz nervosa com a situação está trêmula, consegue colocar o remédio na bombinha, e entrega para o pai.

GIOVANNI — Pronto! Pronto! Vamos lá, Aleff! Aqui… solta o ar, solta o ar…

Aleff com muita dificuldade solta o que conseguir soltar de ar.

GIOVANNI — Agora!!

Giovanni pressiona a bombinha, ele inala pela boca o remédio, segura um instante, e logo solta… e volta a respirar! Uma respiração longa e forte!

ALEFF — (respirar forte) Mais uma!

Giovanni novamente repete o procedimento com o filho. Aleff retoma sua respiração. Todos ofegantes.

LIÉGE — Ai, que susto, meu Deus… Aleff, filho…

THAILYZ — Ai, peste, não faz isso de novo…

Thailyz abraça Aleff, carinhosa, ainda abalada.

ALEFF — Eu tô bem. Eu tô bem.

LIÉGE — Vem. Vamos usar esse troço que eu peguei.

Liége vai arrumando os apetrechos. Giovanni aliviado, se vira para Christian, que está meio tenso ainda com o que rolou.

GIOVANNI — É… bem-vindo a família.

Dá dois tapinhas no ombro dele e vai preparar um drink. Thailyz chega em Christian.

THAILYZ — Desculpa pelo tormento.

CHRISTIAN — Que isso? Nem me fale uma coisa dessas.

THAILYZ — De vez em quando ele tem umas crises assim, bem tensas. Bem forte. Agora, ele ficou sem a bombinha na mão, aí piorou a situação.

CHRISTIAN — Sim. E você nem tem que me pedir desculpas, que nada. Achei interessante o modo como vocês se tratam.

THAILYZ — Ah, a gente briga, discute, se desentende. Mas a gente se ama.

CHRISTIAN — (rindo) É admirável.

CENA 14. BARRACO. INTERIOR. NOITE.

Darwin com Iuri a sua frente, a nega Lorelaine se aquietou em um canto. Darwin demostrar estar bem nervoso.

DARWIN — Como assim, camarada? Você deu um prazo… e de uma semana! Não passou uma semana!

IURI — Você não acha que já deu tempo suficiente pra isso? Eu ainda tenho que esperar mais e mais? E onde é que anda o outro marginal?

DARWIN — É justamente isso, é… pô, ele tá na casa. Ele tá lá na casa tentando criar confiança com a família, pra ele poder entrar lá e conseguir pegar o colar.

IURI — Enrolação demais. Tô achando muito esquisito isso. Vocês não estão pensando em me passar a perna não, né?!

DARWIN — JAMAIS! Pô, você sabe que a gente não deve nem se meter a besta contigo, cara. Mas você também tem que entender nosso lado. Qual é? Se joga na lama comigo, Iuri! Você sabe como são essas coisas, pra não dar errado tem que ir na manha da aranha…

IURI — Olha lá, rapaz, eu não sou de brincadeira. Eu estou de olho em você, e naquele outro otário. Também naquela nega metida, ali. E é o seguinte. Você sabe como eu sou, você sabe os contatos que eu tenho. É uma ou duas ligações e vocês estão na vala! Eu vou ter que me mandar por um tempo, tenho um esquema programado. A notícia é boa, o prazo de vocês vai aumentar. Aproveitem isso pra não fazer nenhuma cagada.

DARWIN — Claro que não, a gente va…

IURI — (corta) Cala boca, não interrompe!

DARWIN — (durinho) Calei.

IURI — Eu vou pra Colômbia. Assim que voltar espero já estejam com meu colar em mãos! Passa esse recado pro seu parceiro de guerra.

DARWIN — Claro, eu trovo com ele, eu trovo.

IURI — Não quero desculpas, não quero indagações, não quero lamurias, não quero progressões, eu apenas quero o colar que vocês me roubaram!! Você entendeu??

DARWIN — Tá tão claro como a água!!

LORELAINE — Cagão.

IURI — Ótimo. Nos vemos daqui duas semanas.

DARWIN — Duas semanas? Mas só du/

Iuri lhe dá um olhar sério.

DARWIN — Duas semanas! Ótimo, duas semanas! Eu ainda lhe dou minha palavra, que não vale lá essas coisas, mas que vamos honrar com a burrada que a gente fez em roubar de você. Até mesmo porque eu sei que é bem influente, e tal… Eu gosto do modo como você lida com a situação. E um erro não justifica outro. Eu tô me enrolando aqui, porque o que eu queria saber mesmo é se o senhor não anda contratando?

IURI — O quê?

DARWIN — Sim, capanga, segurança, motorista..?

IURI — Eu não tenho capanga, não tenho segurança, não tenho empregado. Não tenho nada disso, ficou louco? Eu ajo sozinho. Um lobo solitário.

DARWIN — (decepcionado) Ah, como no filme? Chuck Norris?

IURI — Olha, eu não sabia que a sua burrice chegava no grau tão auto assim.

LORELAINE — Não viu nada, meu amor.

DARWIN — E aqueles caras que estavam com você naquele dia, que meteram a porrada na gente?

IURI — Amigos meus, conhecidos. Não trabalham pra mim.

DARWIN — Como descobriu minha casa?

IURI — Isso você nunca vai saber.

DARWIN — Fácil! Botou alguém pra nos vigiar.

IURI — Já disse que trabalho sozinho. É tão difícil de entender?

Iuri vai saindo.

IURI — E ensina essa mocreia a ficar de bico fechado.

LORELAINE — Mocreia é a tua avó.

Iuri sair. Lorelaine vai tirar satisfação com Darwin.

LORELAINE — Que porra foi essa? Você vai me explicar tudo, Darwin? Desembucha!!

DARWIN — Tá, eu falo! Eu falo! Eu vou falar! Mas antes deixa eu pensar um pouco! Sossega o rabo! … se ele não tem capanga, nem empregados, essas porra… quem que tá seguindo a gente?

CENA 15. CASA LONGARAY. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Do outro lado da rua o homem que estava seguindo Christian nas cenas anteriores. Vamos chama-lo de Roger. Roger assiste cautelosamente de dentro de seu carro, Christian saindo da casa dos Longaray. Thailyz o acompanha. Vamos até eles.

CHRISTIAN — Há muito tempo que eu não comia tão bem assim? Você é uma ótima cozinheira.

THAILYZ — Você fala isso só pra me agradar.

CHRISTIAN — Nunca! Quero construir com você um relacionamento sem mentiras. Se tem uma coisa que eu odeio nessa vida, é mentira!

THAILYZ — Que bom, porque eu também! Não suporto isso. E essa é uma das suas qualidades, né?!

CHRISTIAN — E é. Agora, como namorados, você pode me convidar mais vezes aqui pra tua casa. Mesmo a gente ficando de mãos dadas no sofá da sala sob o olhar da sua mãe, será muito agradável, só por estar em sua presença…

THAILYZ — Ai, que lindo… Você é um amor.

Rolar um beijo entre eles, e Roger de olho neles.

CHRISTIAN — Eu tenho que ir, meu amor.

THAILYZ — Eu sei… por isso fico tão triste. Já fico com saudade.

CHRISTIAN — Não fica… É só você não hesitar em me chamar que eu venho. A qualquer hora. (beijo) Tchau, minha linda!

THAILYZ — Tchau, amor!

Christian vai se afastando. Thailyz fica assistindo ele indo embora. Roger liga o motor de seu carro e segue Christian.

CENA 16. RUAS. EXTERIOR. NOITE.

Christian caminhando na calçada. O carro de Richer do outro lado da rua, andando bem devagar, seguindo-o. Christian dá uma olhada disfarçada e descobre a presença dele. Christian pega seu celular e liga para Darwin.

DARWIN — (cel./off) Desgraçado, filho da puta! Onde você tá, otário?!

CHRISTIAN — (cel.) Na rua!

DARWIN — (cel./off) O pau no cú do Iuri, teve aqui em casa, caralho! Fez um bolo aqui, aquele maldito!

CHRISTIAN — (cel.) Tá, quando eu chegar aí você me fala. Eu tô sendo seguindo por um dos caras dele.

DARWIN — (cel./off) É aí que tá meu irmão! O Iuri não mandou ninguém seguir a gente! Esse maluco aí a gente não sabe quem é!

CHRISTIAN — Merda…

Christian desliga o celular, e entra em um beco. Roger encosta o carro. Desce e vai atrás de Christian.

CENA 17. BECO. EXTERIOR. NOITE.

Ambiente escuro, sem movimentação alguma. Roger aparece. Perdeu Christian de vista. Tenta procurar, não o encontra. Ao se virar, Christian o surpreende com um soco, e logo o prensa na parede.

CHRISTIAN — Quieto aí, filho da puta! Para aí! Que quê cê tá me seguindo, seu merda? Quem é você?

Roger hesita em falar, apenas ofegante e com um machucado onde Christian lhe deu um soco.

CHRISTIAN — Fala antes que eu te arrebente, desgraçado!

ROGER — Polícia! Eu sou polícia!

CHRISTIAN — O quê? Como é?

ROGER — Deixa eu pegar… minha carteira.

Roger tira do bolso sua carteira, e mostra que é realmente da polícia, e Christian vai soltando-o… Roger recobra seu fôlego, saca sua arma.

ROGER — Vai. Mão na parede.

CHRISTIAN — O quê?

ROGER — Mão na parede. Você tá preso.

CHRISTIAN — Como assim? Eu não fiz nada?

ROGER — Você agrediu um policial. E isso é crime. Você está preso.

Roger dá um soco em Christian, que já escora na parede. Roger pega-o pelo braço escorando a cara de Christian na parede. E já lhe põe as algemas.

CORTA.

FIM DESTE EPISÓDIO

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

Leia mais Histórias

>
Rolar para o topo