Estrela pornô

 

CENA 1. CS LONGARAY. BANHEIRO DO QT IANE. INT. NOITE.

Esponja passando pelas costas. Liége dando banho em Iane na banheira. Silêncio entre elas. Iane pensativa. Liége passa a esponja com toda delicadeza em sua mãe.

LIÉGE — A água tá boa?

IANE — Tá.

Liége continua. Iane com olhar distante. Liége acha o comportamento  de Iane estranho. Mas resolve não perguntar nada. Eis que…

IANE — Liége!

LIÉGE — Sim?!

IANE — Você se lembra do dia do nosso acidente?

Montar insert.: do primeiro episódio; última cena: o momento da colisão dos veículos e o momento das duas desacordadas no carro passam como um flash na cabeça de Liége. Corta.

LIÉGE — Nossa, porque a senhora foi se lembrar disso? Era nisso que estava pensando?

IANE — Eu detesto essa sua mania de responder uma pergunta com outra.

LIÉGE — Claro que lembro. Um dia terrível como aquele é difícil de esquecer. Por quê?

CENA 2. CASA LONGARAY. COZINHA. INTERIOR. NOITE.

Thailyz fazendo o jantar, mexendo nas panelas. Christian junto, e pouco interessado no que ela diz.

THAILYZ — Agora, colocamos o alecrim, pra dar um gostinho maravilhoso. Você gosta? Tem gente que não curte. Cadê a pimenta…? Ah, tá aqui.

CHRISTIAN — Nossa, eu acho que tomei suco demais. Eu vou ao banheiro. Tô apertado.

THAILYZ — Claro, lindo. Vai lá. Lembra, o banheiro lá de cima. O daqui de baixo ainda tá com defeito. (brincar) Não vai se perder de novo.

CHRISTIAN — Tá bom.

Christian antes de ir dá um beijinho nela.

CENA 3. CASA LONGARAY. QTO IANE/CORREDOR. INT. NOITE.   

No corredor, Christian chega à porta do quarto de Liége. Põe a orelha na porta para poder escutar a conversa. No quarto; Liége ajeita Iane em sua cama. Iane já repousando sua cabeça nos travesseiros.

IANE — Eu não me lembro de nada. Nem como foi. Nem de onde veio. Muito menos da cara de quem fez.

LIÉGE — Esses detalhes eu fiz questão de apagar da minha memória, porque eu não quis sofrer ainda mais. Foi uma maneira que eu encontrei, que me ajudou a superar. E em pensar que foi feito justiça, sabendo que aquele bandido está preso até hoje me conforta ainda mais!

IANE — (irônica) Acho bom que você tá confortável.

LIÉGE — (suspirar) Mãe, onde a senhora tá querendo chegar?

IANE — Eu não quero chegar a lugar algum. E não me recrimine por falar o que eu penso. Porque se não fosse por você, eu não estaria do jeito que estou hoje.

Mostrar Christian escutando atrás da porta.

LIÉGE — Não cansa de jogar isso na minha cara? Às vezes eu acho que a senhora adora me ver sofrer!

IANE — Sofrer? Você sofre? Sofre por isso? Eu queria que você estivesse no meu lugar pra ver o que é sofrer!

Mostrar Christian escutando atrás da porta.

LIÉGER  — Eu não vou discutir com a senhora. Se a senhora quer que eu continue com a culpa de ter te colocado dentro do meu carro, pra acontecer o que aconteceu, e salvar o meu casamento! Fique tranquila, porque sim! Eu me sinto muito culpada!

IANE — (bate palmas) Ah, que bom, que bom… Que bom, não! Que ótimo! Adoro quando você abre o jogo e diz de boca cheia que se não estivesse de putaria com o amante aquela noite, eu não estaria entrevada nessa cama!

LIÉGE — Chega!! Vamos parar por aqui. A gente tá se excedendo! Alguém pode ouvir.

IANE — A verdade te corroei, não é?!

No corredor, Christian com o ouvido na porta, pasmo com o que descobriu. Susto nele.

ALEFF — Christian!? … Que cê tá fazendo aí, mano?

Christian fica tenso ao ser pego por Aleff, curioso.

ABERTURA

Narrador — Estrela pornô.

CENA 4. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. NOITE.

Aleff acompanha Christian descendo a escada.

ALEFF  — Relaxa, cara! Minha mãe e minha avó estão sempre ladrando uma pra outra, mas não se mordem.

CHRISTIAN — Pois isso que eu estava lá encima, fiquei com receio que elas entrassem nas vias de fato.

Thailyz entra procurando Christian.

THAILYZ — Você tá aí! Ah, tá dando moral pra esse alienígena, sai dai. (puxando Christian pra cozinha) Vem. A janta tá quase pronta.

ALEFF — Só quer saber de cozinhar, agora! Escuta, eu não nasci pra ser cobaia, não, ouviu?!

THAILYZ — (off) Passa fome.

Aleff fica na sala sozinho.

ALEFF — Quer saber?! (cantando) Fui! Partiu, aonde? É o Mandela!

Tocar o refrão da música MC Kekel – Partiu.  Aleff sai de casa dançando a música.

CENA 5. MIRIPITUBA. GERAL. INTERIOR. AMANHECER.

Take na cidade, vista bonita. Fim da música da cena anterior.

CENA 6. DELEGACIA. SALA MEIER. INT. DIA.

Roger levando as coordenadas de Meier.

ROGER — Mas escuta, avisamos os Longaray?

MEIER — Melhor não. A gente não pode se meter tanto assim. Também não sabemos se eles sabem quem é aquele marginal. Não vamos se meter. Pelo menos não vamos dar as caras. Mas o homem fica de olho. Dessa vez faça seu trabalho direito. Não deixa ninguém ver essa tua cabeça de caixa d’água. Sai fora, e manda aquele abobado entrar com os mandados que eu selecionei e trazer meu café.

ROGER — Sim, senhor.

CENA 7. BARRACO. INTERIOR. DIA.

Darwin preocupado, Christian pensativo. Lorelaine tensa com a situação.

DARWIN — Estamos perdendo tempo.

CHRISTIAN — Eu sei que o cerco está se fechando, Darwin. Mas a gente tem que fazer tudo com cautela. Não dá pra chegar chegando. Eu não quero ter que escolher entre a vida e a cadeia.

DARWIN — Se continuarmos com toda essa cautela, já-já estaremos dentro de um valão com toda cautela do mundo.

LORELAINE — Não seria o caso de fugir?

DARWIN — Fugir? Fugir pra aonde? Com que dinheiro? Se nós fugir, com todo dinheiro de nós três, a gente chega até a esquina.

CHRISTIAN — Fora que o Iuri encontraria a gente em qualquer canto. Péssima ideia. Porém, o vento está sobrando do nosso lado. Conforme for, HOJE, nós vamos ter o colar em mãos! Com a ajuda disso aqui.

Christian mostra um vidrinho com liquido transparente dentro. Lorelaine e Darwin ficam curiosos.

CENA 8. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INTERIOR. INT. DIA.

Iane com um aspecto de doente. Liége tira o termômetro dela.

LIÉGE — É. Tá com febre. Acho que foi uma virose.

IANE — Foi o banho de ontem. Tinha uma janela aberta. Com certeza. Você quis que eu ficasse doente. Você quer me ver internada em um hospital, bem longe… com (tosse) com certeza.

LIÉGE — Ai, meu Deus… Eu vou te dar um remédio agora, pra baixar essa febre. E vou passar todas as instruções pra Thailyz, eu vou tentar chegar cedo hoje.

CENA 8. CASA LONGARAY. SALA. INT. DIA.

Liége passou as instruções pra Thailyz.

LIÉGE — Você entendeu tudo direitinho?

THAILYZ — Tudinho.

LIÉGE — Qualquer coisa me liga, eu vou ficar com o… (pega o celular) ai, eu não acredito. Eu esqueci de carregar o celular ontem. Na loja eu ponho pra carregar. Tá com a bateira fraca essa merda.

THAILYZ — Sem problema. Qualquer coisa eu ligo pra loja mesmo. Pode ir sem estresse.

LIÉGE — Tá. Beijinho. (beijo) Juízo.

THAILIZ — Sempre.

Liége sai. Thailyz tira seu celular do bolso, disca uns números.

THAILYZ — (cel.) Oi. Pode vir. Ela já saiu. (risinho)

CENA 9. LOJA MASCULINA. VENDAS. INT. DIA.

Liége chega cumprimentando a todos os funcionários. Para Leonard ela faz um sinal discreto para acompanha-la até sua sala.

CENA 10. LOJA MASCULINA. SALA LIÉGE. DIA.

Liége sentada séria. Leonard entra.

LEONARD — Nossa. Tão cedo aí… que foi? Estava com saudade do gostoso aqui…

LIÉGE — Não, na verdade eu quero falar pra você que hoje não vamos poder nos encontrar lá no nosso cantinho.

LEONARD — (não gostou) Não?? Por quê?

LIÉGE — Minha mãe está doente. Tô com problemas na loja pra resolver, tô sem cabeça e …

LEONARD — (irritado) Sempre com mil desculpas. Mas que saco!

LIÉGE — Ei!! Calma. Olha o tom. As pessoas vão /

LEONARD — (corta) Não estou nem aí! Todo mundo aqui dentro sabe ou desconfia da gente.

LIÉGE — Leonard, eu só estou te pedindo um dia!

LEONARD — Um dia, depois dois dias, é assim que começa. Vai me dizer que não foi assim com o William.

LIÉGE — Como é?!

LEONARD — Foi só começar a enjoar do cara, que começou a pedir um tempo, dois tempos e pronto. Até na rua o cara foi parar.

LIÉGE — Você se acalma, por favor. Minha história com Willian foi completamente diferente. Não misture as coisas. Espera eu colocar meu celular pra carregar, e a gente marca algo pra amanhã.

LEONARD — Ah! Quer saber? Eu vou trabalhar.

Leonard sai da sala, contrariado. Liége ainda tenta chama-lo, mas ele não lhe dá ouvidos. Ela suspira e vai atrás dele. CAM acompanha ela sair da sala e volta até sua mesa mostrar o celular desconectado do carregador.

CENA 11. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. DIA.

Thailyz abre a porta para Christian. Animada ela dá um beijo nele.

THAILYZ — Oi, lindo!!

CHRISTIAN — Oi, linda!

THAILYZ — Teu chefe não fica brabo de matar serviço assim?

CHRISTIAN — Ele é super de boa. Sempre me deu essas regalias, tudo porque ele anda me devendo.

THAILYZ — Então, tá bom. A gente pode se curtir a vontade.

Tocar um sino, vindo do quarto de Iane.

IANE — (off) Thailyz..! (tocar sino)

THAILYZ — Ai… Minha avô tá doente. Eu tenho que/

CHRISTIAN — (corta) Doente? Que ela tem?

THAILYZ — Sei lá, amanheceu mal.

CHRISTIAN — Eu posso subir com você, ajudar?

THAILYZ — Melhor não. Hoje ela tá daquele jeito. Espera aqui, lindo.

CHRISTIAN — Tá bom…

Thailyz ao ouvir os gritos de sua avó chamando, dá um beijo em Christian e sobe as escadas correndo. Christian pega um vidrinho com algum liquido dentro, ergue…

CHRISTIAN — (cont.) Como é que eu vou dopar aquela velha?

CENA 12. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INT. DIA.

Thailyz acudindo a avó.

IANE — Eu tô mal… eu tô mal… chama a tua mãe.

THAILYZ — Calma, vó! Depois desse remédio, a senhora vai ficar…/

Iane vomita em Thailiz, sujando sua roupa e braço. Thailyz fica apavorada.

THAILYZ — Ai, meu Deus! Christian!! Socorro! Me ajuda!

Iane sentindo-se tonta, limpa-se; Christian entra correndo no quarto para ajudar.

THAILYZ — Ai, me ajuda aqui… Liga pra minha mãe. Não, eu ligo… segura isso aqui pra mim.

CHRISTIAN — Calma.

Christian limpa as coisas, ajeita Iane.

IANE — (rejeitar) Ai, para… para… sai. Eu tô melhor.

CHRISTIAN — Peraí, calma.

THAILYZ — (se afasta) Eu vou ligar pra mamãe. Que nojo, toda vomitada.

CENA 13. LOJA MASCULINA. SALA LIÉGE. INT. DIA.

Celular de Liége tocando. Não tem ninguém na sala.

CENA 14. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INT. DIA.

Thailyz e Christian limparam tudo, e deixam tudo arrumado.

THAILYZ — Tem certeza que a senhora está melhor, vó? A mãe não atende o celular.

IANE — Tô melhor. Foi esse remédio que me deram. Tua mãe quer me matar de vez. Vai, podem sair daqui. Minha cabeça parece que vai explodir.

CHRISTIAN — Melhoras!

Saindo, Christian dá uma olhada no local onde está o colar.

CENA 15. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. DIA.

Thailyz receosa com Christian.

THAILYZ — Eu só te meto em encrenca, né?! Desse jeito você vai sair correndo.

CHRISTIAN — Do jeito que você faz meu coração bater vai ser muito difícil eu sair correndo.

Ele aproxima-se para um beijo, mas para.

THAILYZ  — Que foi? (se liga) Ah, meu Deus! É verdade, eu tô cheirando a vo… ai, que nojo! Eu vou tomar um banho! Já volto. Eu vou deixar meu celular aqui, a mãe deve me ligar. Atende, diz que agora tá tudo bem.

CHRISTIAN — Peraí! Daí ela vai saber que eu vim.

THAILYZ — Minha avó já te viu. Vai ficar preocupado com isso, agora? Eu volto daqui a pouco…

Thailyz sobe as pressas.

CHRISTIAN — Agora, é só questão de dar um sossega leão na velha.

Tocar o celular de Thailyz. Christian olha, e vê que é Liége que está ligando.

CHRISTIAN — Merda.

CENA 16. LOJA MASCULINA. SALA LIÉGE. INT. DIA.

Liége cismada com o telefonema que recebeu de Thailyz.

LIÉGE — Que saco, porque não atende?

CENA 17. CASA LONGARAY. SALA. INT. DIA.

Christian com o celular tocando em mãos, pensativo. Atende.

CHRISTIAN — (cel.) Alô?!

Alternar com SALA LIÉGE. INT. Liége se espanta ao ouvir a voz de Christian.

LIÉGE — (cel.) Ué! Quem tá falando?

CHRISTIAN — (cel.) Oi, dona Liége! Sou eu o Christian. A Thailyz não pode atender agora, pois é… ela estava cuidando…

LIÉGE — (corta/cel.) Você tá na minha casa? Cadê a Thailyz…?

CHRISTIAN — (cel.) Pois é, eu explico tudo…

LIÉGE— (cel.) Eu vou matar a Thailyz!! Eu vou ligar da loja, minha bateria está fraca! Mas avisa a Thailyz que eu vou acabar com ela! Eu não acredito que ela me aprontou mais essa…

CHRISTIAN — (cel.) Não, não, não.. calma, não é nada disso. Antes de tudo, eu quero que a senhora saiba que foi tudo culpa minha. Ela não… olha, me desculpe! Me desculpa, mesmo! Desculpa!

Mesclar com:

CENA 18. LOJA MASCULINA. SALA LIÉGE. INT. DIA.

O eco da última palavra de Christian ecoa na cabeça de Liége, como se ligasse um interruptor, sua memória vem à tona!

Insert do segundo episódio; cena 1: . Liége procurar novamente por Christian, passando por ela, acompanhado da polícia e paramédicos, ele toca na mão dela.

CHRISTIAN — Desculpa.

Já sem tempo, ele é levado por uma ambulância, que estava perto dela. Liége ainda atordoada, não consegue assimilar as coisas . Fim do insert.

Liége em slow motion.: é tomada por uma paralisia, que deixa cair o celular no chão. Tensão; olhos arregalados.

LIÉGE — (pasmada) Não… não… não é possível.

Tremula, pega o celular do chão, ele continua na linha.

LIÉGE — (cel.) É você! … Eu lembrei.

CENA 19. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. DIA.

Christian ouvindo Liége.

LIÉGE — (cel. /Off) Você… foi você…

CHRISTIAN — (tempo/cel. /suspirar) Foi.

CENA 20. LOJA MASCULINA. SALA LIÉGE. INT. DIA.

Clima de tensão. Liége rapidamente começa procurar a chave do carro. Pega. Leonard entra na sala, dessa vez mais calmo.

LEONARD — Tá bom, eu sei que me exaltei…

LIÉGE — (corta) Sai da minha frente!!

Sai correndo as pressas.

LEONARD — Peraí! Onde cê vai assim? Liége!

CENA 21. CASA LONGARAY. SALA. INT. DIA.

Christian deixa o celular de Thailyz no sofá. Caminha pela sala, pensando, mas com um arzinho de deboche, como se quisesse rir.

CENA 22. ESTACIONAMENTO. CARRO LIÉGE. EXTERIOR. DIA.

Liége aparece correndo até seu carro. Abre, entra correndo. Pega o celular.

LIÉGE — Atende, atende… Atende, merda!!

Sai correndo com o carro, quase que bate em outro carro que passou. Faz mais duas curvas, e para o carro para não atropelar uma pessoa.

PESSOA — Ô maluca!!

LIÉGE — Desculpa! Desculpa! (fecha os olhos, respirar) Não! Para! Pensa. Eu tô muito nervosa. (t) Polícia! Chamar a polícia. (disca uns números) Alô, polícia! Eu sou Liége Longaray, e tem um bandido na minha casa com a minha filha e a minha/ eu tô indo pra lá…

Liége segue com o carro, ainda ao telefone passando os dados para polícia.

CENA 23. SALA DE REUNIÃO. INTERIOR. DIA.

Sala cheia de advogados, ouvindo um palestrante. Dentre eles está Giovanni. O celular dele tocando, é Liége.

GIOVANNI — Mas que saco…

Giovanni se levanta para atender. Vai para um canto, baixinho, atende.

GIOVANNI — Espero que seja importante.

Alternar com RUAS. CARRO LIÉGE. EXT. DIA.

Liége desesperada, chorando, dirigindo e falando no celular com Giovanni.

LIÉGE — (cel.) Vai pra casa agora!! Nossa família tá em perigo! O marginal que…

GIOVANNI — (cel.) O que?! Peraí, eu não tô entendendo nada.

LIÉGE — (cel.) Giovanni, pelo amor de deus, Giovanni! Vai pra casa, agora!! Tá me ouvindo?!

GIOVANNI — (cel.) Alô, Liége.. onde você tá?

HOMEM — Sr. Giovanni!

GIOVANNI — É… continuem sem mim. Eu vou ter que sair. Desculpe.

Giovanni sai da sala.

CENA 24. RUAS. CARRO LIÉGE. EXT. DIA.

Liége desliga a chamada.

LIÉGE — Droga, droga… acabou a bateria…

Ela se assusta com um carro a frente, e gruda os pés no freio… o carro canta pneu, e não bate. Ela fica muito ofegante. Tira os cabelos do rosto, olha para os lados. Nervosa.

CENA 25. BARRACO. INTERIOR. DIA.

Darwin acabou de receber uma ligação de Christian. Lorelaine penteando o cabelo de um dos teus filhos.

DARWIN — Fudeu. Agora fudeu.

LORELAINE — Que que houve?

DARWIN — A mulher lá se lembrou do Christian.

LORELAINE — É mesmo? E o que ela fez?

DARWIN — Não fez. Ainda não fez. Diz que foi numa ligação, ela não tava em casa, não entendi direito. Só sei que ela tá chegando em casa.

LORELEINE — E o que ele vai fazer?

DARWIN — Agora, ele vai usar as armas que tem né?! Ele tá arriscando, é um otário, tá arriscando muito alto. Ah… eu vou ter um troço.

LORELAINE —  Te acalma, não vai morrer.

CENA 26. CASA LONGARAY. CORREDOR. INTERIOR. DIA.

Christian aproxima-se de uma porta e põe a cabeça perto para ouvir, e escuta Thailyz no banho, cantando feliz.

CENA 27. CASA LONGARAY. FRENTE. INT. DIA.

Liége para com seu carro bruscamente na frente de sua casa, desce correndo e entra na casa.

CENA 28. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. DIA.

Liége entrar correndo, ofegante. Christian aparece tranquilo, de pé.

LIÉGE — Você… cadê minha filha? (chama-a) Thailyz!

CHRISTIAN — Calma, não precisa disso. Calma. Ela tá bem. Não tá sabendo de nada.

LIÉGE — (enfrentar) Sai! Sai da minha casa! Agora!

CHRISTIAN — Não se exalta, não se exalta. Não precisa disso.

LIÉGE — É vingança que cê quer? É isso? Você quer se vingar? Eu não tive culpa de nada, cara!

CHRISTIAN  — Não viaja! Não entra em noia!

Liége nervosa, chama pela filha, enquanto fala com ele. Ela vai indo em direção da escada. Quando ela começa a subir, Christian começa a falar com tom bem alto.

LIÉGE — Thailyz!! Fica longe dela! Seu descarado, eu chamei a policia, meu marido. Cai fora! Thailyz!

CHRISTIAN — Que ótimo você ter chamado a patrulha toda pro nosso showzinho, Liége! Todo mundo vai saber quem sou eu, e também todo mundo vai saber quem você é de verdade!

Liége para no meio da escada, de costas, se vira pra ele.

LIÉGE — Como é? Que… que cê tá falando?

CHRISTIAN — Eu falo de prevaricação, de perversidade, de saliências, e principalmente de adultério.

LIÉGE — Você tá maluco…

CHRISTIAN — Olha aqui minha maluquice!

Christian mostra para Liége fotos dela com Leonard.

LIÉGE — (tensa) Você… andou me investigando?

CHRISTIAN — Saidinhas na hora do almoço, hum… quase todos os dias… E a conta do motel indo lá nas alturas! De Santa e mulher zelosa da família a uma simples rameira que não sabe fechar as pernas pra qualquer bonitão!

LIÉGE — (revoltada) Não… seu.. seu… Bandido… bandido desgraçado… Isso aqui eu alego que é montagem, quando todos descobrirem o filho da puta que você é ninguém vai acreditar numa vírgula que você dizer! Descarado…

CHRISTIAN — Ninguém acredita no que eu digo, amada. Por isso, eu lhes apresento a estrela pornô da vez: Liége Longaray!

Christian com o controle, aciona o play na Tv. E começa a passar um vídeo de Liége e Leonard transando, no motel. Liége, claro, se horroriza com a situação.

LIÉGE — Que isso? … Não. Mas como…? Como..? Você… não, não! Tira, tira isso… (vai até a TV, DVD, tenta parar o vídeo, não consegue, nervosa) Não! Desliga isso!! Para, desliga! Seu desgraçado!

Liége avança pra cima dele, para pegar o controle. Ele a pega pelos braços. Os dois começam se engalfinhar, ele só se protegendo.

CHRISTIAN — Ô, ô… não. Sem agressões físicas! Pode parar.

LIÉGE — Me investigando. Entrando na minha casa, vasculhando minha intimidade, eu vou te colocar na cadeia, seu porco nojento!

CHRISTIAN — Já disse pra você parar!

Christian joga Liége no sofá, ela cai no sofá e logo no chão. E começa a chorar. Christian se ajeita. Desliga o vídeo. Liége no chão, chorando.

LIÉGE — Que é isso, cara? Que quê você tá fazendo? O que você quer de mim?

CHRISTIAN — Eu quero a sua ajuda. Mas no momento eu não posso dizer o que é. Por tanto, até lá eu quero que você aja normalmente, eu não quero que ninguém saiba quem eu sou. Eu quero que a gente viva um “faz de conta”. Até eu conseguir o que quero.

LIÉGE — E o que você quer?

CHRISTIAN — O que eu não quero é ter que mostrar esse vídeo em praça pública.

LIÉGE — Não!

CHRISTIAN — Faça o que eu mandar e vai ficar tudo numa boa. No momento, eu quero que você dance conforme a música. O que me diz?

Barulho de sirene.

LIÉGE — Você vai pra cadeia. Sai daqui. Some da minha casa, da minha vida. Larga minha família de mão! Some daqui, se não eu te coloco na cadeia de novo, seu vagabundo!

CHRISTIAN — Nossa… você é dura na queda, hein! Se eu sair dessa casa algemado, hoje, o que é muito difícil porque nem invadindo a casa eu estou, fui convidado. Você também vai sair daqui, a pontapés, num tom nada amigável pelo seu marido. Aí eu quero ver como a sua mãe paralitica vai se virar.

Liége vai para bater em Christian, mas é interrompida com batidas na porta. Campainha.

CHRISTIAN — Você acha que eu não sei que não era pra sua mãe estar com você naquele carro? Acha que eu não sei que ela só estava naquele carro pra acobertar a filha vagabunda que ela tem?

LIÉGE — (pasma) Como você sabe disso?

POLICIAL — (off) Abram! É a polícia.

CHRISTIAN — Pensa, Liége! Pensa direitinho no que vai fazer. Estamos nas suas mãos.

Liége olhando para Christian ofegante, com um olhar sangrento.

CHRISTIAN — A escolha é sua.

Ela vai até a porta. Abre. Dois policiais na porta.

POLICIAL — Bom dia. Sou policial Carlos. Foi relatado uma possível invasão de domicilio nessa residência…

Liége se vira para Christian. Christian balança o controle remoto na mão. Giovanni aparece correndo, entrando.

GIOVANNI — Liége! Liége! Que quê tá acontecendo? Que quê houve? Você me ligou apavorada, não entendi nada… Que quê tá acontecendo aqui? Polícia… vocês..? Que quê houve?

Liége no auge da tensão, não sabe se fala ou não fala. Christian com um sorrisinho sinistro pra ela. Os policiais na espera pra saber o que está acontecendo. Ficamos com a indecisão de Liége.

CORTA

FIM DESTE EPISÓDIO

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