Minha Lei, minhas Regras

Caroline está na recepção do hotel. Ela tem uma aparência forte, cabelos ruivos não muito longos e usa roupas sofisticadas e sem decotes.

— Aqui está sua chave, senhorita. Teu quarto é o 1404.

— Obrigada, meu bem.

Caroline aciona o elevador, ao chegar ela entra e fica parada na frente fazendo pose para os demais que estão ali dentro. Quando chega a seu determinado andar, ela sai e anda pelo corredor com a visão no horizonte e sempre mantendo a cabeça firme e olhando por cima dos ombros para as pessoas que passam por ali.

Ela entra no quarto do hotel, admira o mesmo, em seguida seu transfer chega com suas malas.

— Senhorita, suas malas!

— Ah obrigada, querido! Espere um pouco, vou te dar uma gorjeta.

— Não, não precisa.

— Eu insisto.

Caroline coloca a gorjeta no bolso do terno do transfer, este fica sem jeito e depois se retira deixando a mulher sozinha.

— Bom, acho que tenho grandes coisas pra fazer aqui em Curitiba, vamos vencer mais um caso!

No dia seguinte, André vai visitar Miguel na prisão.

— Você tá com medo, Miguel?

— Estou sim, André, não vou mentir. Toda essa história tá me preocupando muito, e ainda me falaram de uma promotora aí que vai acabar comigo.

— Ah qual é irmão? Você é muito mais forte que isso, acho que você já passou por coisa muito pior do que um julgamento. Eu se estivesse no teu lugar… Não aguentaria nem 1/3 do que você passou.

— André, você toma conta do teu pai doente, pra quê desafio maior que esse?

— Não é a mesma coisa, Miguel, mas… Eu agradeço por me incentivar, mais uma vez né? (risos)

— Você vai depor no julgamento?

— Vou sim, pra dizer a verdade quase todo mundo vai depor.

— Será que eu vou conseguir me sair bem, meu amigo?

— Cara, o Eduardo é fera e ele tá te ajudando muito, tem que acreditar no potencial dele também.

— Verdade, André, o Eduardo acreditou em mim desde o começo. Devo muito isso a ele também.

— Cara, volta logo pra gente. Sentimos muito tua falta.

— Eu sei, irmão! Prometo a você que vou voltar, também sinto muita falta de você, da Luíza, de todo mundo.

— Vamos vencer esse caso e descobrir de uma vez por todas quem fez isso.

— Sim, meu amigo, nós iremos.

Miguel e André se entreolham confiantes.

Mais tarde, no circo MAXIMUS, Fausto conversa ao telefone.

— Sim, claro, mas ainda há muitas coisas para serem resolvidas e… Sim, eu sei, a culpa não é minha, estou a ponto de ir à falência se houver mais uma morte aqui. Não quero que minha vida vá para a ruína… Mais do que ela já está.

Fausto suspira por alguns segundos angustiado, em seguida ele conclui sua conversa.

— Tudo bem, eu preciso me preparar, pois tenho uma audiência amanhã.

Fausto desliga o telefone completamente aflito, sua vida e sua carreira estão a ponto de ir por água abaixo. Nando e Leandro chegam neste momento para conversar com o Seu Fausto.

Nando: Seu Fausto, tá tudo bem? Vimos vê-lo.

Fausto: Dizer que eu estou bem seria muita ironia da minha parte, mas digamos que estou tentando tocar o barco.

Leandro: Sabe o quanto esse circo também é importante pra nós, né? Eu nem sei o que faria se não fosse a oportunidade que o senhor nos deu de vir trabalhar aqui.

Fausto: Eu sei, meus filhos, vocês têm um bom coração. E então… Vão testemunhar amanhã?

Nando: Sim, eu recebi a intimação.

Leandro: Eu também irei.

Fausto: Acho que estaremos todos reunidos ali, não é mesmo?

Nando suspira nostálgico e diz:

— Bom, todos não.

Os três entreolham entre si já dando a entender das pessoas que eles estavam falando que não poderiam estar junto a eles.

Na casa de Susana, André e Luíza estão conversando com ela.

—Ai dona Susana, é amanhã!

— Sim, minha querida, é amanhã.

— Eu fui ver o Miguel hoje mais cedo, eu não consegui sentir segurança no olhar dele. Ele tá muito abalado.

— Mas não é pra menos, André, o que ele passou… Nossa!

—  Precisamos ter fé, meninos! Fé que iremos vencer tudo isso e acabar com esse pesadelo.

Enquanto conversam, o celular de André que está em cima do balcão toca.

— Espera um pouco, deixa eu ver quem é.

André atende:

— Alô?

O seu olhar paralisa, Susana e Luíza ainda estão distraídas conversando, André sequer piscava, sua respiração começa a ficar agitada, algo está errado. Suas mãos começam a tremer enquanto segura o celular, Luíza percebe o estado que o amigo se encontra e questiona:

— André? Tá tudo bem?

André não responde. Luíza insiste.

— Aconteceu alguma coisa?

André solta o celular e cambaleia até quase cair ao chão. Susana e Luíza se preocupam.

— André!

— André, o que houve?

— Eu, eu…

— O que aconteceu? Fala comigo, André!

Susana pega o celular de André e põe no ouvido.

— Alô? Alô, quem tá falando?

— Quem era, dona Susana?

— Estava em número privado.

André está sentado ao chão e em estado de choque. Luíza tenta fazê-lo reagir.

— Escuta, André! Você precisa nos contar quem era e por que você ficou assim? Responda!

Depois de muito trabalho, André rompe o silêncio:

— Ele disse que… Ele disse que seremos os próximos.

— Ele quem?

— O assassino. Ele disse que… “Quando o coelho sair da toca, a raposa vai atacar”.

Susana e Luíza ficam impactadas diante do que presenciaram.

Horas mais tarde, Isabelly está em seu apartamento e seu celular toca.

— Pronto!

Do outro lado da linha, Leandro é quem conversa.

— Oi, Isabelly.

— Droga, Leandro! O que você tá fazendo? Tá louco é?

— Desculpa, mas eu estava sentindo a tua falta.

— Deixa de ser estúpido, amanhã às 15h é o julgamento do Miguel. Eu estou atolada aqui nos processos e além disso, é um risco muito grande você me ligar sendo que será testemunha no tribunal. Para de criancice e vai dormir!

Isabelly desliga o telefone molesta, Leandro faz expressão de decepção.

Casa de Eduardo, 21h00 = 18 horas para o Julgamento.

Eduardo está em sua casa com uma pilha de processos espalhados pelo chão da sala enquanto ele tecla no notebook. Do lado da mesa há uma caneca com café, é um momento de muita preparação, pois ele está prestes a enfrentar o pior julgamento de sua carreira, ele olha nos boletins virtuais as notícias circulando sobre esse julgamento que poderia abalar o Sul do país.

— Puta merda! Esse julgamento ainda vai destruir meu psicológico.

Ele se levanta, toma um gole de café e se dirige à cozinha quando ouve um barulho vindo da porta.

— Oi?

Segundos de silêncio, Eduardo apenas observa a porta com atenção, do lado dele está uma janela de vidro, e um vulto passa rapidamente pelo lado de fora. Eduardo se abaixa rapidamente e vai até à mesinha pegar a sua arma.

— Quem tá aí?

Eduardo segura firme sua arma e se aproxima da janela, mas não consegue ver ninguém.

— Eu espero que seja só o meu cansaço, porque eu não estou afim de…

O celular toca.

Eduardo vai atender, mas continua segurando sua arma, desconfiado. Ele sobe os primeiros degraus da escada enquanto atende a ligação.

— Eduardo Castanho falando.

Susana é quem telefona.

— Dr. Eduardo, me desculpa por incomodar.

— Susana, o que houve?

— É que hoje o André recebeu uma ligação estranha quando veio aqui em casa e o pobrezinho nem estava querendo ir depor amanhã.

— Como assim, Susana? Que ligação?

— Eu não sei, mas ele ficou assustado, suando frio, ele pediu pra eu não falar nada pra ninguém, mas achei que devesse te contar.

— Fez bem… Escuta! Precisamos vigiar bastante nas próximas horas, parece que o assassino não quer que esse julgamento aconteça.

— É, deu pra notar.

— Susana, eu estou resolvendo uma pendência aqui e depois eu te ligo, até logo!

Eduardo desliga o telefone e coloca-o no bolso, ele anda pelo corredor verificando cada canto da casa procurando por algo ou por alguém. Ao virar o corredor ele dá de cara com um reflexo e atira no impulso! Porém… Era apenas a sua imagem sendo refletida no espelho do final do corredor.

— Droga! Eu devo estar ficando maluco.

Não até alguns passos se movimentarem no andar de baixo da casa.

— Quem tá aí?

Eduardo dá meia volta e corre até chegar às escadas, ele mira a sua arma para todos os cantos da sala, a papelada e o notebook pareciam estar intactos. Então ele decide descer as escadas e vagarosamente se aproxima da porta, fica segundos com a mão na maçaneta até que ele abre rapidamente mirando para o lado de fora. Ele vê que não tem ninguém e quando olha para o chão encontra uma carta.

Ele pega a carta, abre-a e uma mensagem assustadora está escrita:

“O espetáculo vai começar”.

Eduardo arregala os olhos e do outro lado da rua, uma figura está escondida atrás de um poste, ela pega um smartphone e envia uma mensagem de texto para alguns contatos. Foi aí que praticamente todos os envolvidos naquele circo recebem a mesma mensagem da carta que Eduardo recebeu.

Susana recebe enquanto cozinha;

André está deitado e vê seu celular bipar;

Luíza mexia em seu tablet e a mesma mensagem aparece para ela;

Henrique está jogando no X-Box da sala e a mesma mensagem interrompe o jogo. Tatiana e Israel chegam no momento da mensagem.

Ambos: O que é isso?

Joana e Augusto estão se preparando para dormir, esta primeira está rezando quando escuta o bip do celular, ao ler a mensagem, ela derruba o terço no chão e sua vela apaga;

Nando e Seu Fausto estão fechando o circo e quando olham para trás, percebem do lado de fora umas bandeirinhas com a mesma mensagem que estava em todos os lugares.

— O que significa isso?

Leandro e Isabelly também receberam a mensagem em seus locais respectivos.

Enfim, todos os envolvidos no circo receberam essa terrível mensagem: “O Espetáculo vai começar!”. Bom, nem todos receberam. Tente descobrir quem foi.

Penitenciária Masculina do Paraná, 11h00 = 4 horas para o Julgamento.

Miguel está sentado na cama de sua cela, quando um dos carcereiros chega com uma roupa nas mãos.

— Miguel, o seu advogado veio te buscar.

— Mas já? O julgamento não estava marcado para as 15h?

— Sim, mas ele trouxe a roupa que você vai usar e será interessante chegar no fórum bem antes. Vamos! Vista-se!

Alguns minutos depois, Miguel está vestido com um terno, o guarda o dirige pelo corredor com as algemas, os presos mandavam, por incrível que pareça, energias positivas para ele.

Do lado de fora, Eduardo já está ali o esperando, os guardas o levam em direção a ele.

— É realmente necessário vocês terem que algemá-lo desse jeito até nesse momento?

O guarda responde:

— Faz parte do protocolo, senhor.

— Bom, que seja. Então Miguel, tudo certo?

— Pra dizer a verdade… Eu estou surtando!

Fórum de Curitiba, 11h30= 3 horas e meia para o Julgamento.

Eduardo conversa com algumas pessoas no corredor, até que Isabelly chega para cumprimentá-lo.

— Demorei muito?

— Com licença, senhores. Bom, pra ser sincero pensei que você só viria pra cá depois do meio-dia.

— Eu viria, mas quis vim logo pra cá antes que acontecesse alguma coisa.

— Como assim, Isabelly?

— Eu recebi uma mensagem de texto ontem no meu celular escrito “O Espetáculo vai começar” e eu acho que era o assassino.

— Quê? No celular?

— Sim, foi muito bizarro!

— Droga! Eu recebi essa mesma mensagem, só que não foi no meu celular, deixaram uma carta na porta da minha casa.

— Na porta da tua casa? Então esse maluco tá brincando com a gente, eu até esqueci de te falar que no outro dia eu…

Neste momento são interrompidos pela presença de Caroline.

— Ora, ora, Eduardo! Então você realmente vai ser o advogado de defesa? Não vejo você desde que era estagiário.

— É muito bom ver você também… Senhorita Carol.

— Ah fofo! Ainda me chama pelo nome abreviado? Parece que algumas coisas não mudaram aqui, não é mesmo? (Olhando para Isabelly) E você deve ser a detetive Isabelly Leal? Prazer, querida, ouvi falar de você.

— Nossa, as fofocas rolam solta, né?

— Que gracinha ela, Eduardo!

— Dra. Barreto, temos um julgamento pra realizar dentro de algumas horas.

— Sim, eu sei querido. Mas e aí, tá pronto pra perder?

— Não. (Encarando-a) E você? Tá pronta pra perder?

— Você sabe que eu nunca perdi um caso.

— Sempre existe uma primeira vez.

— Não vou ficar me rebaixando com um advogado 10 anos mais jovem.

— Simples, não aguenta brincadeira? Não desce pro play!

Caroline se sente incomodada e se retira do local. Isabelly fica boquiaberta.

— Uau! Eduardo, você acabou com ela!

— Essa mulher não quer guerra? Pois é o que ela terá.

Casa de Susana, 13h00 = 2 horas para o Julgamento.

Susana está se preparando para sair. André e Luíza estão com ela.

— Meninos, eu vou só ajeitar algumas coisas e eu chamo um Uber pra nos levar até lá.

O celular de Susana toca.

— Alô? Oi, Alê!

— Susana, amiga, você já foi para o tribunal?

— Ainda não, eu irei daqui a pouco junto com o André e a Luíza, vamos de Uber.

— Não amiga, então esperem um pouco que eu vou passar aí pra buscar vocês. O Pedro teve que ir mais cedo, pois ele é uma das pessoas do júri, me esperem aí na tua casa que em 15 minutinhos eu estou passando aí.

— Tudo bem então, amiga, obrigada!

Luíza questiona.

— O que houve dona Susana?

— A Alexandra vai nos levar até o fórum. Vamos ganhar tempo com isso.

Na casa de Henrique, Israel está no volante aguardando Tatiana e Henrique saírem da casa.

— Já pegaram tudo?

— Eu acho que sim. Vamos acabar logo com a merda desse julgamento!

Fórum de Curitiba, 13h30 = 1 hora e meia para o Julgamento.

Eduardo conversa com Miguel. Este último indaga:

— Como assim, Eduardo? Que droga de mensagens foram essas?

— Eu não sei, mas parece que o assassino não está nada feliz com esse julgamento e fez de tudo para confundir nossas mentes ontem.

— Droga! E aí, o que eu falo?

— Sobre isso? Nada! Por via das dúvidas você não soube nada dessas mensagens, deixa isso comigo.

— Tudo bem, eu…

— … Olha, vai dar tudo certo. Mas toma cuidado com a Dra. Barreto, ela vai fazer de tudo pra arrancar o máximo de informações de você.

— Tudo bem, pode deixar.

Minutos depois, chegam ao fórum Alexandra, Susana, Luíza e André. Estes ao entrarem no prédio dão logo de cara com Augusto e Joana, esta última os encara com ar desafiador.

— Hoje é o momento… E seu filho vai pagar pelo que fez com a minha filha.

— Por favor, Joana, não começa! Olha, você rezou muito ontem a noite? Porque eu acho que você precisa rezar um pouco mais, querida, o demônio ainda não saiu de você.

— Maldita! Como se atreve?

Augusto detém Joana e a leva para longe de Susana.

— Meu bem, não faça isso. Lembre-se que qualquer atitude como essas podem ser usadas nesse tribunal.

— Eu não me importo, aquela maldita vai perder o filho dela assim como perdemos a nossa filha. Olho, por olho, parente por parente.

Enquanto procuram informações, Susana e os outros encontram Eduardo.

— Dr. Eduardo, que bom que te encontrei!

— Susana? Pessoal? Que bom que já estão aqui.

— Eu não sei dizer se isso é tão bom assim. Mas… Precisamos te contar isso antes que comece o julgamento.

— Tudo bem, o que houve?

— Nós recebemos uma mensagem ontem à noite escrito…

André interrompe.

“O espetáculo vai começar”. Todos nós recebemos.

Alexandra fica intrigada.

— Quê? Como assim, Susana? Você não me falou nada disso.

Eduardo percebe o quão sério isso se tornou.

— Puta merda! Vocês também receberam?

— Espera um pouco, você também?

Isabelly chega no meio da conversa.

— E eu também.

Luíza: Isso aqui é uma pegadinha, né gente?

Eduardo: O assassino está brincando com a gente, ele quer nos tirar do foco para que venhamos nos confundir na hora que o júri estiver nos observando.

Isabelly: Eu detesto ser realista, mas ele tá conseguindo. Mal consegui dormir depois do ocorrido.

Susana: O que devemos fazer, Eduardo?

Eduardo: Mantenham a calma, se for necessário de vocês contarem sobre esse incidente de ontem… Seria viável, mas não creio que eles vão acatar.

André: Mas por quê?

Isabelly: Porque isso não estava nos registros e nem incluso no processo, podemos até informar isso no tribunal, mas do jeito que a Caroline é, pode querer protestar como especulação e fazer a cabeça do juiz.

Susana: Poxa, mas que droga!

Eduardo: Se acalme, Susana. Beba uma água e em seguida vocês já poderão ir para a sala onde ocorrerá o julgamento.

Susana: Tudo bem, vamos meninos!

Susana e os demais se retiram deixando Eduardo e Isabelly pensativos.

Sala do Julgamento, 14h50 = Faltam 10 minutos.

Eduardo está impaciente olhando para o relógio na porta da sala. Até que Josy chega por ali.

— Pelo amor de Deus, onde é que você estava?

— Ei, calma aí, bonitão! Achou que eu ia te deixar na mão, gato?

— Quer parar de palhaçada? O julgamento vai começar em 10 minutos e você não tinha chegado ainda.

— Adoro provocar um pouco de mistério, mas relaxa gostosão, eu já estou aqui. Vamos entrar?

Josy entra na frente e procura uma das cadeiras, Eduardo entra em seguida e se senta ao lado de Miguel no banco da defesa. Caroline ironicamente solta uma piada:

— Parece que o nosso advogado vai precisar de mais alguns minutos para se preparar, não é mesmo, Dr. Eduardo?

— Engana-se, senhorita Barreto, tenho tempo de sobra aqui. E você? Está com tempo livre?

Do banco de trás, Josy vibra:

— Lindíssimo! Disse tudo!

Conforme os minutos foram se passando, todos já estão ali sentados na expectativa. Burburinhos por todos os lados são ouvidos, até que por fim são interrompidos por um oficial de justiça que entra para anunciar a cerimônia.

— Atenção senhoras e senhores! Todos de pé para recebermos o Magistrado, Álvaro Caiedo.

Todos ficam de pé, o relógio marca 14h59.

O Juíz entra e se dirige até à poltrona principal, ele aparenta ter 55 anos de idade, cabelos grisalhos e pele um pouco enrugada. Ele pega um processo e começa a ler.

— Processo de número 9.934/2019 pelo Rito Comum. Hoje, 19 de Abril de 2019, às 15h, horário de Brasília no fórum de Curitiba, Paraná. Estamos aqui reunidos neste recinto para realizar a audiência do réu Miguel de Paula. Segundo o Art. 121 do Código Penal, ele é acusado de arquitetar a morte da namorada Victoria Lopes. Que entre o júri!

Um guarda abre uma das portas para que o júri possa se acomodar em seus respectivos assentos, Alexandra avista Pedro de longe. O Juíz segue com a palavra:

— Na defesa temos o advogado Eduardo Castanho representando o réu.

Eduardo ajeita os botões de seu paletó. O juiz prossegue.

— Como representante do Estado, está presente a promotora de Uruguaiana, Caroline Barreto.

Caroline levanta o queixo para demonstrar superioridade.

— Também está presente como assistente de promotoria, o Dr. Anderson Pazello e a Detetive Isabelly Leal na assistência da Defesa.

Ambos os mencionados acenam com a cabeça confiantes.

— Advogados, aproximem-se da minha mesa!

Eduardo e Caroline chegam à mesa do juiz.

— Vocês estão prontos? Já podemos dar abertura?

Ambos respondem um após o outro.

— Sim, meritíssimo!

— Sim, meritíssimo!

— Perfeito!

Ambos retornam para seus respectivos lugares. O Juíz pega o martelo e declama:

— Não tendo nenhum empecilho para que esse julgamento aconteça, eu decreto…

Todos ficam na expectativa, olhares de tensão… Até que o Juíz bate o martelo na mesa e anuncia:

— Está aberta a sessão!

 

 

 

Próximo Capítulo:

Terça, 23 de Abril.

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