Kapittel elleve
XXI – Estherood II
Merliensen
A noite fria e silenciosa foi interrompida por um grito estridente. Pássaros que estavam adormecidos em seus ninhos sobrevoaram completamente assustados em direção ao céu estrelado. Assim que o gritou cessou, barulho de passos apressados se fizeram presente no longo corredor. Algo estava muito errado e o jovem príncipe Estherood II soube disso quando a porta do seu aposento foi aberta com extrema urgência. Levantou o corpo ainda grogue de uma noite de sono profundo após uma grande bebedeira e se deparou com um guarda que ajoelhou-se diante dele.
– O que aconteceu? – perguntou o jovem príncipe.
– Perdoe-me interromper vosso repouso, meu príncipe…porém, temo que seja necessário vossa presença nos aposentos de seu pai, o rei.
Não precisou de mais nenhuma palavra e o jovem Estherood II jogou suas cobertas para o lado levantando-se da cama. Mesmo descalço no chão gelado e ainda de pijama, nada disso parecia importar. Algo tinha acontecido com o seu pai, e mesmo torcendo para que estivesse errado, ele sabia o que acabara de acontecer.
Atravessou a porta do seu quarto tão rápido quanto um vulto. Seus pés lhe traiam fazendo-o tropeçar um no outro algumas vezes. Nem o tapete felpudo azul parecia estar à seu favor e, diversas vezes, embaraçou-se nele enquanto passava pelo grande salão.
Um outro guarda estava parado diante da porta do quarto do rei.
– Deixe-me adentrar no quarto do meu pai.
– Se acalme primeiro, meu príncipe. – disse o guarda tentando manter-se sereno. – a rainha está com ele. Se acalme e você entra.
O jovem respirou fundo, passou as mãos no rosto. As gotículas de suor escorriam pelas face bonita do herdeiro. A camisa de manga comprida do pijama branco começava a colar no seu corpo, mostrando seus músculos definidos devido aos treinamentos diários. Um pouco mais calmo, fitou os olhos do guarda.
– Diga-me, o que raios está acontecendo com o meu pai?
– Seu pai, o rei, está morrendo, Alteza. – disse o guarda em tom seco.
Eles eram treinados para serem assim. Por mais que a notícia fosse um baque, era necessário não haver rodeios nestes momentos.
– Meu pai… – O jovem príncipe engoliu à seco.
Era difícil absorver algo assim. Seu pai havia piorado e era isso que ele temia. Havia mais de um mês que o rei se clamava de uma dor forte abaixo do peito esquerdo e não havia descoberto o que era. O jovem príncipe ainda alimentava esperança de melhoras e jamais imaginava que pudesse ter este desfecho.
Alguma lágrimas já escorriam pela face de Estherood II quando a porta se abriu e o guarda deu lado para uma criada negra de lenço na cabeça.
– Vossa Majestade o chama, Jovem Príncipe Herdeiro. – disse ela.
O título nunca tinha lhe soado tão pesado quanto àquela hora. Suspirou não querendo pensar em nada. Deixou sua mente limpa. Ali dentro era o seu pai, e mesmo sendo o rei, ele não pensava em nada disso. E, com este pensamento, adentrou no aposento do rei.
– Pai? – clamou hesitante por atenção, sem perceber que algumas lágrimas já escorriam pela sua face e pingavam no tapete do quarto.
O rei Estherood quando ouviu a voz do seu filho, abriu os olhos com dificuldade.
– Meu filho. – disse com voz rouca e uma tosse em seguida.
Estherood II apressou os passos até a cama, sentou na beirada e apertou a mão do seu progenitor.
A rainha Freges, de pé ao lado da cama, observava à tudo com olhos vermelhos e cansados.
– Meu rei, não se esforce tanto. – pediu ela.
– Concordo com a rainha, meu pai. – disse o jovem príncipe.
– Eu tenho coisas a dizer, então me deixem falar antes que meu tempo acabe. – disse o rei apoiando na mão do filho para sentar-se na cama.
Estherood II e a rainha Freges ajudaram o rei à se ajeitar com as costas bem apoiadas no encosto felpudo da cama. O rei Estherood olhou dentro dos olhos vermelhos do seu filho.
– Você será um grande rei. Melhor que eu e do que os outros que já se foram.
O rei puxou o ar com força.
– Peço perdão se não fui um pai tão presente. Queria ter brincado mais contigo, ter caçado e lutado mais ao teu lado. – dizia o rei enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
– Não diga isso, meu pai.
O rei se desfez do aperto que o filho fazia em sua mão. Ergueu o braço e com o dorso da mão enxugou as lágrimas.
– Prometa-me que cuidará sabiamente do reino? – pediu Estherood voltando a apertar a mão do filho.
– Papai, por favor.
A rainha Freges não conteve o choro e acariciou os cabelos do marido.
– Prometa, filho. Prometa que vai seguir minha vontade e vai contra atacar os malditos nórdicos?
– Sim, pai. Sim. Prometo que cuidarei do reino e de todos que nele habitam. E nenhum nórdico vai fazer o que bem entender nestas terras. – respondeu com firmeza o jovem príncipe.
O rei Estherood sorriu pela última vez. Deu o seu último suspiro e pereceu.
– Querido, não! – desabou a rainha chorando sobre o corpo sem vida do rei. – Não me deixe! – gritou ela.
Seu clamor piedoso foi ouvido por todos no castelo, assim como o seu grito mais cedo.
Estherood II olhava incrédulo para o rei, seu pai, sem vida naquela cama. O badalar dos sinos lhe alertou para a realidade que ele tanto temeu. Pronto. Havia acontecido o pior. E agora ele era o próximo rei.
XXII – Um Earl sem piedade
Sigmund estava de joelhos diante do ancião oráculo. Este pousava sua mão sobre a cabeça do Earl, que fechou os seus olhos e os baixou. Era costume de todos consultar o oráculo e descobrir o que o futuro lhe reserva. Sigmund queria muito saber quais seriam seus rumos de agora em diante. Sentia algo lhe incomodando mas não sabia explicar o motivo. O oráculo tirou a mão de cima da cabeça de Sigmund e seus olhos se reviraram.
– A espada atravessar irá. A serpente negra subirá dos pés até a cabeça e se aconchegar vai. – disse o ancião.
Sigmund arregalou os olhos encarando aquela figura diante dele.
– O quê? – perguntou o Earl atônito com o que acabara de ouvir.
Os olhos do oráculo voltavam ao normal.
– Claro ainda não estar, Sigmund, serpente negra…cumpra sua sina e Valhalla o espera para os mais belos combates.
O ancião oráculo estendeu o braço com a palma da mão virada para cima. Sigmund cumpriu com o ritual, mas saiu daquela tenda sem compreender os reais significados das palavras proferidas. Montou em seu cavalo e seguiu pelas ruelas. Sentia que o seu povo tinha confiança nele. Muitos iam ao seu encontro agradecer pelos escravos cristãos que ele, gentilmente, dividiu entre a população. Mas ele sabia, que como Earl de respeito, precisava descobrir onde estavam os dois que escaparam e quem estava por trás desta fuga.
Mais tarde Sigmund reuniu um grupo de nórdicos, os mais violentos e mais sagazes, e ordenou que procurassem por todo canto, que revirassem a região atrás dos dois cristãos. Qualquer informação seria de extrema importância. Ele não iria deixar barato.
Aquele pequeno grupo de vikings violentos saiu a na caça dos “fujões”. Entravam nas casas, reviravam os locais, intimidavam as pessoas e interrogavam todos. Passaram o dia assim e nada de respostas.
– Eles não vão achar, meu Earl. – disse Éower, sentado ao lado de Sigmund no grande salão.
– Então faça alguma coisa, Éower. – esbravejou Sigmund. – Mas eu quero estes dois aqui…e quero quem os ajudou. – disse ainda o Earl.
Éower nada respondeu. Levantou, pegou sua espada e saiu porta à fora. Aquele viking de tapa-olho era muito eficaz em suas buscas. Sigmund sabia disso. Sorriu olhando o nórdico sair. Tinha certeza que agora teria a resposta que tanto desejava.
Castelli saiu do casebre e ficou a observar o mar agitado naquele início de noite. Olhou mais adiante e viu Kaira pensativa na beira da praia. As ondas fortes cobriam seus pés descalços. Viu quando ela abriu os braços, ergueu a cabeça e fechou os olhos. “O que ela está fazendo?”, pensou ele. Aquela não era mais a mesma Kaira que ele brincava na infância. Aqueles pagãos tinham mudado seus pensamentos, sua crença.
Dimithria saiu do casebre e parou ao lado de Castelli.
– Vocês eram muito amigos, não é mesmo? – perguntou ela.
– A Kaira que eu conhecia não existe mais…
Castelli se virou para a jovem escudeira loira.
– …sou grato à ela por ter nos ajudado, mas…
Castelli suspirou fundo.
– …algo me diz que ela pode mudar de ideia à qualquer momento.
– Você devia ter mais gratidão. Eu não ajudaria vocês, não queria estar metida nisso. Fiz porque Kaira significa muito pra mim e me pediu. Mas eu sei que isso não terá um desfecho que será bom para todos. – disse a jovem.
Algumas ondas grandes surgiram no mar revolto.
– Que Njord nos proteja. – complementou Dimithria.
Éower surgiu em uma estrada de terra batida. Escondido atrás de uma árvore, viu a jovem Kaira, cabelos de fogo, saindo de alto mar. Ficou observando a escudeira que seguiu pela areia até o casebre. Se aproximou, por entre as árvores altas, para mais perto, e conseguiu avistar lá dentro o monge Bishesmun, o jovem Castelli e a escudeira Dimithria. O plano das jovens estava indo por água abaixo. Haviam sido desmascaradas. Essa informação valeria ouro para o Earl Sigmund. Ele não iria perdoar as jovens escudeiras e poderia ser o fim daqueles dois filhos de Deus.






Terminar de ler este capítulo foi uma surpresa muito boa, eu sempre gostei de entender as nuances de sociedades medievais, ainda que não gostasse muito da narrativa estática e cheia de pompas de muitas delas, só que com sua trama, identifiquei-me super, é tão leve, parece aqueles textos de histórias que lemos em periódica, instiga e prende, ficamos com gostinho de quero mais, sabe? Fiquei com dó de Estherood II ter perdido o pai, perder um pai não é fácil, agora ele irá assumir o seu lugar. Como será para o seu reino ter uma liderança jovem no poder? Teremos mudanças estruturais ? Camponeses e sans-culottes ocupando cargos altos no poder? Adoraria haha. Coitados de Castelli e Dimithria, eles eram os tais cristãos fugitivos? Do reino de Estherood II? E que foram capturados pelo reino de Sigmund? Lembrei do Freud aqui hahaha adoro oráculos. Preciso reler os capítulos anteriores para entender melhor! E por que eles não gostam de Kaira, Castelli pelo menos, o que ela fez. Estou curiosa e ansiosa para os próximos. Vou ver se consigo tirar um tempinho para ler os anteriores.
Periódicos *
Opa, obrigado por ler e comentar. Que bom que através desta história está conseguindo mudar sua visão sobre estas narrativas. Acredito que a escrita aqui flui de maneira agradável e fácil de se compreender. Leia os anteriores e compreenderá toda a história. Ahhhh, aconselho começar pelo conto A Escudeira, disponível aqui na CyberTV também. Ele narra o início de tudo. O que motivou a escrever esta série. Abraços. Obg!
Terminar de ler este capítulo foi uma surpresa muito boa, eu sempre gostei de entender as nuances de sociedades medievais, ainda que não gostasse muito da narrativa estática e cheia de pompas de muitas delas, só que com sua trama, identifiquei-me super, é tão leve, parece aqueles textos de histórias que lemos em periódica, instiga e prende, ficamos com gostinho de quero mais, sabe? Fiquei com dó de Estherood II ter perdido o pai, perder um pai não é fácil, agora ele irá assumir o seu lugar. Como será para o seu reino ter uma liderança jovem no poder? Teremos mudanças estruturais ? Camponeses e sans-culottes ocupando cargos altos no poder? Adoraria haha. Coitados de Castelli e Dimithria, eles eram os tais cristãos fugitivos? Do reino de Estherood II? E que foram capturados pelo reino de Sigmund? Lembrei do Freud aqui hahaha adoro oráculos. Preciso reler os capítulos anteriores para entender melhor! E por que eles não gostam de Kaira, Castelli pelo menos, o que ela fez. Estou curiosa e ansiosa para os próximos. Vou ver se consigo tirar um tempinho para ler os anteriores.
Periódicos *
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