A denúncia anônima não saiu da cabeça de Clara.
“Procure na propriedade rural.”
Monteiro autorizou a diligência discreta.
Sem imprensa.
Sem alarde.
Se encontrassem algo, mudaria tudo.
Se não encontrassem… reforçaria a narrativa contra André.
—
A propriedade era grande demais.
Terra seca.
Vegetação densa.
Silêncio incômodo.
Clara observava cada detalhe.
— Se alguém quisesse descartar algo… seria aqui.
Monteiro respondeu:
— E voltaria depois para conferir.
Eles começaram a mapear movimentações de celular na área nos dias seguintes ao crime.
Um número chamou atenção.
Celular da mãe.
Desligado por duas horas.
—
Enquanto isso, Lucas estava sendo pressionado financeiramente.
A empresa da família bloqueou acesso dele.
Ele perdeu controle.
E quando Lucas perde controle… ele se torna imprudente.
Ele foi até André.
Sem aviso.
— A polícia está mexendo na propriedade.
André ficou imóvel.
— Como você sabe?
— Eu tenho meus contatos.
— Ou você está envolvido demais.
Lucas segurou o queixo dele.
— Se encontrarem alguma coisa lá, ninguém sai ileso.
— Você está com medo?
Lucas respondeu baixo:
— Eu não gosto de perder.
—
Rafael apareceu mais tarde.
— Ele veio aqui?
— Veio.
Rafael respirou fundo.
— Ele está encurralado.
— E você?
Silêncio.
— Eu estou tentando te manter inteiro.
André riu, cansado.
— Eu já quebrei.
Rafael se aproximou devagar.
— Não completamente.
Não houve beijo.
Só proximidade.
E pela primeira vez, Rafael parecia menos manipulador.
Mais humano.
—
Na casa da família, a mãe recebeu a visita da polícia.
— Precisamos de autorização formal para uma varredura na propriedade.
Ela não demonstrou surpresa.
— Fiquem à vontade.
Mas depois que saíram, ela ligou para alguém.
— Eles estão cavando.
Do outro lado, apenas silêncio.












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