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Capítulo 15 (Último)

CENA 1. CASA DE DANIEL. SALA. INT/DIA.

CONTINUAÇÃO DA CENA 11 DO CAPITULO ANTERIOR.

 

RUTH AINDA DE JOELHOS. SÔNIA NÃO GOSTA.

 

SÔNIA: ME PEDIR PERDÃO? QUE HISTORIA É ESSA GAROTA?

 

RUTH:(LEVANTANDO) A PALAVRA É BEM ESSA MESMO. PERDÃO! O QUE EU FIZ É REALMENTE ALGO IMPERDOÁVEL. MAS SEI QUE A SENHORA TEM UM CORAÇÃO MUITO GRANDE E GENEROSO…

 

SONIA: DÁ PRA VOCÊ SER MAIS DIRETA?

 

RUTH: EU MENTI PRA SENHORA, QUANDO DISSE QUE ESTAVA TENDO UM CASO COM O DR. DANIEL.

 

SONIA: O QUÊ?

 

RUTH: EU INVENTEI TODA AQUELA HISTÓRIA POR QUE EU QUERIA EXTORQUIR DINHEIRO DELE, COM CHANTAGENS. A VERDADE É QUE NÓS NUNCA TIVEMOS NADA.

 

SONIA: VOCE TEM NOÇÃO DO QUE FEZ GAROTA?

 

RUTH: EU SEI DISSO. POR ISSO VIM AQUI LHE PEDIR PERDÃO.

 

SONIA: PEDIR PERDÃO? ACHA QUE É FACIL? FAZ O ESTRAGO… DESTRÓI NOSSAS VIDAS… DEPOIS COM A CARA MAIS DESLAVADA DO MUNDO, E PEDE PERDÃO? PENSA QUE AS COISAS RESOLVEM DESTA MANEIRA?

 

RUTH: EU TÔ CIENTE QUE COMETI UM GRAVÍSSIMO ERRO. MAS RECONHECER QUE ERREI É UMA BOA MANEIRA DE DEMONSTRAR MEU ARREPENDIMENTO.

 

SONIA: SE EU DIZER… QUE NÃO ACREDITO NENHUM POUCO NO TEU ARREPENDIMENTO? SE EU TE DISSER QUE SEI QUE TUDO QUE ME DIZ, É MENTIRA? QUEM ME GARANTE QUE VOCÊ NÃO ESTEJA FAZENDO O MESMO QUE FEZ COM DANIEL?

 

RUTH: EU JURO QUE NÃO. SEI QUE É DIFÍCIL DA SENHORA PODER ACREDITAR EM MIM NESSE MOMENTO. MAS MINHA CONSCIÊNCIA FALOU MAIS ALTO. SÓ PEÇO QUE O ACEITE COMO SEU MARIDO NOVAMENTE. ELE É UM HOMEM BOM… UM EXEMPLO DE CIDADÃO.

 

JOANA: (IRONICA) E QUE EXEMPLO!

 

SONIA: ELE SABE QUE VOCE VEIO AQUI?

 

RUTH: NEM SONHA.

 

SONIA: VOCE ARRUINOU MINHA VIDA. ME FAZENDO ACREDITAR NUMA HISTORIA MENTIROSA. DESTRUIU UM CASAMENTO DE 25 ANOS.

 

RUTH: AINDA DAR TEMPO DE CONSERTAR, DONA SONIA.

 

SONIA: EU NÃO ACREDITO EM VOCE.

 

RUTH: EU JÁ PEDI CARTA DE DEMISSÃO. HOJE MESMO SAIO DA EMPRESA.

 

SONIA; É O DE MENOS QUE VOCE PODE FAZER. E A GRAVIDEZ… É UMA FARSA TAMBÉM?

 

RUTH: NÃO. ESTOU GRÁVIDA MESMO. MAS NÃO SE PREOCUPE. NÃO É DO SEU MARIDO.

 

SONIA: AFINAL, O QUE VOCÊ COM TUDO ISSO? É DINHEIRO? QUANTO VOCE QUER PRA DESAPARECER DE VEZ?

 

RUTH: O MEU PROBLEMA NÃO É DINHEIRO. SE FOSSE, HÁ MUITO TEMPO JÁ TERIA RESOLVIDO.

 

SONIA: EU NÃO ACREDITO EM NENHUMA PALAVRA QUE DIZ. FOI ELE QUEM MANDOU VOCE AQUI. QAUNTO ELE TE PAGOU, PRA VOCE VIR AQUI FAZER O PAPEL DE MADALENA ARREPENDIDA? EU CONHEÇO MUITO BEM ESSE TIPINHO… ELE PAGA A AMANTE PRA FALAR PRA MULHER QUE TUDO NÃO PASSOU DE UMMAL ENTENDIDO. ELE VOLTA PRA CASA, DEPOIS OS AMANTES VOLTAM A SE ENCONTRAR… E AINDA POR CIMA RINDO DA MINHA CARA. NÃO É ESSE O PLANO?

 

(RUTH NÃO VER ALTERNATIVA, JA DE SACO CHEIO DE FINGIR…)

 

RUTH: TUDO BEM. EU CONFESSO: O DR. DANIEL ME PEDIU QUE EU VIESSE AQUI E CONTASSE TUDO ISSO PRA SENHORA. A VERDADE, É QUE EU NÃO TÔ NENHUM PINGO ARREPENDIDA. FIZ TUDO AQUILO QUE FALEI E PRONTO É ISSO QUE QUER OUVIR?

 

(SONIA NÃO SE CONTENTA EM METE UMA BOFETADA EM RUTH.)

 

SONIA; VAGABUNDA! VADIA. SAIA JÁ DA MINHA CASA. VOCES SE MERECEM.

 

RUTH: EU NUNCA FUI TÃO HUMILHADA.

 

JOANA:(PEGANDO RUTH PELO BRAÇO) VAMOS GAROTA. NÃO OUVIU?

 

(RUTH SAI. SONIA CHORANDO MUITO.)

 

JOANA: NÃO FICA ASSIM, DONA SÔNIA. ESSE CANALHA VAI TER O QUE MERECE.

 

CORTA PARA…

 

CENA 2. ESCRITORIO DE DANIEL NA EMPRESA. INT/DIA.

 

DANIEL ANSIOSO ANDANDO DE UM LADO PRO OUTRO. ENTRA RUTH.

 

DANIEL: ENTÃO, COMO FOI LÁ?

 

(RUTH DÁ UMA TAPA EM DANIEL)

 

DANIEL: O QUE É ISSO?

 

RUTH: FOI A RESPOSTA DE SUA MULHER.

 

DANIEL: O QUE VOCÊ FALOU PRA ELA?

 

RUTH: O QUE COMBINAMOS. MAS ELA NÃO ACRDITOU EM NADA DO QUE FALEI.

 

DANIEL: SONIA É MUITO ESPERTA. SE ELA DESCONFIOU, FOI PORQUE VOCE DEU BANDEIRA.

 

RUTH: QUE DEI BANDEIRA O QUÊ? FALEI TUDO QUE ME PEDIU.

 

DANIEL: MAS ELA DEU ALGUMA ESPERANÇA? FALOU ALGO DE BOM?

 

RUTH: NADA.

 

DANIEL: INÚTIL! NEM PRA ISSO VOCE SERVE.

 

RUTH: VOCE DEVERIA ERA ME AGRADECER.

 

DANIEL: AGRADECER O QUÊ? INCOMPETENTE!

 

RUTH: PORQUE NÃO FALA DE VEZ SOBRE NÓS?

 

DANIEL: VOCE NÃO VALE NADA MESMO, HEIN?

 

(RUTH ABRE A BOLSA E RETIRE OS EXAMES DE GRAVIDEZ E PASSA PRA DANIEL.)

 

DANIEL: O QUE É ISSO?

 

RUTH: ABRA.

 

(DANIEL ABRE O EXAME… LER.)

 

DANIEL: UM EXAME DE GRAVIDEZ.

 

RUTH: POIS É, QUERIDO! EU TÔ GRÁVIDA.

 

DANIEL: (PEGO DE SURPRESA) O QUÊ? QUE PALHAÇADA É ESSA?

 

RUTH: PALHAÇADA OU NÃO. O FILHO QUE CARREGO, SERÁ HERDEIRO DE TUDO ISSO AQUI.

 

DANIEL: O QUE VOCÊ TÁ PENSANDO? QUE VAI BRINCAR COMIGO?

 

RUTH: NÃO SE PREOCUPE, MEU BEM. EU NÃO VOU MAIS PRECISAR DAS TUAS ESMOLAS. (ACARICIANDO O VENTRE.) MAS ELE VAI.

 

(DANIEL SE DESCONTROLA, PEGA RUTH PELO BRAÇO E EXPULSA DA SUA SALA.)

 

DANIEL: VAI EMBORA DAQUI, SUA VAGABUNDA!

 

(RUTH SAI.)

 

DANIEL: GRÁVIDA! SÓ ME FALTAVA ESSA.

 

 

CORTA PARA…

 

CENA 3. CASA DE DANIEL. SALA. INT/DIA.

 

EM CENA SONIA E ANALU. JÁ CONVERSANDO.

 

ANALU: POIS EU NÃO CONCORDO, MÃE. ELE É QUEM DEVIA SAIR. E NÃO A SENHORA. FOI ELE QUEM TROUXE ESSA CONFUSÃO PRA DENTRO DE CASA.

 

SONIA: EU SEI MINHA FILHA! MAS AS COISAS CHEGARAM DE A UM TAL PONTO QUE NÃO SEI COMO REAGIR. EU NÃO VOU SUPORTAR TER QUE DAR DE CARA COM ELE TODO DIA.

ANALU: POIS ENTÃO, ELE QUE DEVE SAIR. BOM, EU PRECISO SAIR.

SONIA: PRA ONDE VOCE VAI?

ANALU: VOU AO SHOPPING.

SONIA: AO SHOPPING?

ANALU: PORQUE A SENHORA NÃO VEM COMIGO? ASSIM A SENHORA SE DISTRÁI UM POUCO. ESQUECE OS PROBLEMAS. VAMOS?

SONIA: NÃO FILHA. NÃO TÔ COM CABEÇA PRA ISSO. VÁ. SE DIVIRTA!

ANALU: TEM CERTEZA?

SONIA: SIM.

ANALU: ENTÃO TÁ. (SE DESPEDE DE SONIA E SAI.)

 

CORTA PARA…

 

CENA 4. ESCRITORIO DE FAUSTO NO HOTEL. INT/DIA.

 

FAUSTO POR ALI. ENTRA RICARDO.

RICARDO: COM LICENÇA FAUSTO.

FAUSTO: ENTRE. FIQUE A VONTADE.

RICARDO: FAUSTO… EU QUERIA TE PEDIR UM FAVOR.

FAUSTO: SE ESTIVER AO MEU ALCANÇE. DIGA?

RICARDO: QUAL É QUARTO DA JOANA, ONDE ELA FICA AOS FINAIS DE SEMANA?

FAUSTO: É O 22. PORQUE?

RICARDO: SERÁ QUE VOCE ME PERMITIRIA QUE EU FOSSE ATÉ LÁ?

FAUSTO: PRA QUÊ?

RICARDO; EU TAVA PENSANDO EM FAZER UMA SURPRESA PRA ELA.

FAUSTO: EU NÃO COSTUMO FAZER ISSO AQUI. MAS COMO É VOCE… TUDO BEM.

(FAUSTO PEGA A CHAVE DO QUARTO DE JOANA E PASSA PRA RICARDO)

RICARDO: VALEU FAUSTO. OBRIGADO.

(RICARDO SAI. FAUSTO JÁ UM POUCO ARREPENDIDO.)

FAUSTO: SÓ ESPERO QUE A JOANA NÃO ME MATE DESTA VEZ.

 

CORTA PARA…

 

CENA 5. QUARTO DE JOANA. INT/DIA.

 

RICARDO ENTRA. FECHA A PORTA ATRÁS DE SI.

RICARDO: EU PRECISO FAZER TUDO ANTES DELA CHEGAR.

(RICARDO VASCULHA UMA GAVETAS. DERREPENTE ENCONTRA UNS DOCUMNETOS. PEGA, OLHA, LER CAUTELOSAMENTE.)

RICARDO: O QUE É ISSO? COMPROVANTE DE ADOÇÃO? (LENDO) “FOI FEITO NESTE ORFANATO A ADOÇÃO DA CRIANÇA VITÓRIA SABATTINI PELA FAMILIA ALMEIDA DE ALENCAR.” (PEGO DE SURPRESA) ALMEIDA DE ALENCAR? MAS ESSA É MINHA FAMILIA. O QUE ISSO FAZ NAS COISAS DA JOANA?

(RICARDO SENTA NA CAMA, DESCONFIADO. NESSA HORA ENTRA JOANA.)

JOANA: RICARDO?! O QUE FAZ AQUI, MEU AMOR?

RICARDO: (COM OS OLHOS MAREJADOS MOSTRA OS DOCUMENTOS) – ME DIZ QUE ISSO NÃO É VERDADE. (JOANA RECONHECE, SURPRESA.)

JOANA: (SAI PARA O LADO.) EU NÃO SEI O QUE VOCE TÁ FALANDO.

RICARDO: RESPONDA! EU LHE FIZ UMA PERGUNTA.

JOANA: EU IA TE CONTAR, RICARDO. EU SÓ TAVA ESPERANDO A HORA CERTA.

RICARDO: DEPOIS QUE ESTIVESSEMOS CASADOS. AÍ, VOCE DARIA O GOLPE FINAL, NÃO ERA ESSA SUA INTENÇÃO?

JOANA: CLARO QUE NÃO. EU JAMAIS FARIA ISSO RICARDO.

RICARDO: POIS ME RESPONDA! ISSO É O QUE EU TÔ PENSANDO?

JOANA: (NÃO VER SAÍDA, CONFIRMA) É VERDADE! A GIOVANNA É MINHA FILHA!

RICARDO: (GRITA) – NAAÃO! NÃO É VERDADE. VOCÊ ESTÁ MENTINDO.

JOANA: – EU NÃO TENHO POR QUÊ MENTIR. E MELHOR VOCE FICAR SABENDO, ANTES QUE SAIBA POR BOCA DE OUTRAS PESSOAS.

RICARDO: (COM RAIVA) – OUTRAS PESSOAS? ENTAO EU FUI O ÚLTIMO A SABER, É ISSO?

JOANA: – EU POSSO TE EXPLICAR…

RICARDO: – EXPLICAR O QUÊ? QUE SE APROXIMOU DE MIM, QUE ME USOU PRA FICAR PERTO DO MINHA FILHA? GANHAR A AMIZADE DELA… A MINHA CONFIANÇA E NO FIM TER ELA E EU COMO PRÊMIO?

JOANA: – NÃO! NÃO É ISSO RICARDO! FOI O ANTONIO QUE ME FALOU QUE A GIOVANNA ERA A CRIANÇA QUE EU HAVIA ABANDONADO. POR FAVOR, ACREDITE EM MIM.

RICARDO: – EU NÃO ACREDITO NO QUE VOCÊ DIZ. DEPOIS DE TUDO QUE FEZ. SERIA UM ERRO CONFIAR NA SUA PALAVRA. EU NÃO QUERO PERDER TEMPO COM VOCÊ. E TEM MAIS: SE VOCÊ PENSA QUE VAI TER A GIOVANNA DE VOLTA, ESTÁ COMPLETAMENTE ENGANADA. PERCA AS ESPERANÇAS. EU VOU EMBORA COM MINHA FILHA, PRUM LUGAR QUE NINGUÉM POSSA SABER QUE NÓS EXISTIMOS.

JOANA: – EU NUNCA PRETENDIA FAZER ISSO COM VOCÊ, RICARDO. PORQUE SEI DO EXEMPLO DE PAI QUE VOCÊ É.

RICARDO: NÃO VENHA POSAR DE COITADINHA. VOCE ME USOU. DEPOIS QUE SOUBE QUE GIOVANNA ERA SUA FILHA, LOGO ACEITOU SE CASAR COMIGO.

JOANA: NÃO. NÃO FOI ISSO. ACREDITA EM MIM.

RICARDO: CHEGA. NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA DE VOCÊ.

JOANA: – MAS EU TÔ FALANDO A VERDADE.

RICARDO: ( TAXATIVO) – VOCÊ ACHA QUE SUA CONFISSÃO MUDARIA O RUMO DAS COISAS? QUE EU IA TER PENINHA DE VOCÊ? É ISSO QUE VOCÊ TAVA PENSANDO?

JOANA: ( SENTIDA) – EU TÔ MUITO ARREPENDIDA, RICARDO. VOCÊ NÃO SABE O QUANTO EU SOFRI POR ISSO. O QUE EU PENEI. ACREDITE NO MEU ARREPENDIMENTO. E POR ISSO QUE ESTOU LHE CONTANDO TUDO. QUERO ESCLARECER AS COISAS PRA VOCE.

RICARDO: ( MAGOADO) – SEU ARREPENDIMENTO NÃO VAI MUDAR O QUE EU PENSO SOBRE VOCE.

JOANA:( FAZENDO ELE COMPREENDER) – NÃO É SOBRE MIM QUE VOCÊ DEVE PENSAR. E SIM NA FELICIDADE DE SUA FILHA.

RICARDO:( ALTO ) – NÃO COLOQUE MINHA FILHA NESSA HISTÓRIA.

JOANA: ( DOLOROSA ) – O QUE POSSO FAZER PRA MOSTRAR MEU SENTIMENTO DE CULPA? PERDER UMA FILHA NÃO É FÁCIL, MESMO SABENDO QUE ELA FOI CRIADA… POR VOCÊ.

RICARDO: – VOCÊ JÁ FALOU O QUE TINHA PRA DIZER. E EU JÁ OUVI O QUE NÃO ERA PRA TER OUVIDO. (PAUSA DRAMÁTICA, CHOROSO.) – ACABOU! NAO VAI HAVER MAIS CASAMENTO. SERIA UM ERRO TER QUE CONTINUAR VIVENDO COM VOCE. QUEM SABE NAO FARIA A MESMA COISA? NÃO DA PRA CONFIAR MAIS.

JOANA: (SE AJOELHA, AGARRANDO AS PERNAS DE RICARDO, DESESPERADA.)- NÃO. VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO, RICARDO. (JOANA VAI SE LEVANTANDO ATÉ ENCONTRAR O ROSTO DE RICARDO E TENTA BEIJÁ-LO) VOCÊ NAO SENTE NADA POR MIM?

RICARDO: (PEGA FIRME NOS BRAÇOS DE JOANA.) – SABE O QUE EU SINTO POR VOCE?  NOJO! REPUGNANCIA! ALGUEM QUE E CAPAZ DE FAZER O QUE VOCE FEZ, NAO MERECE PIEDADE.  EU NÃO CONSIGO AMAR ALGUÉM QUE MENTE, FINGE, ENGANA. VOCÊ FOI MAIS UM ERRO NA MINHA VIDA. (EMPURRA JOANA, QUE CAI SENTADA NA CAMA. ELA DESABA A CHORAR, FORTE. TEMPO.)

(RICARDO SAI. JOANA FICA CHORANDO.)

JOANA: DROGA!

CORTA PARA…

CENA 6. SHOPPING. INT/DIA.

UMA MOVIMENTAÇÃO FRENÉTICA DE PESSOAS PELO SHOPPING. DESTACAMOS ANALU, VINDO COM UMA SACOLA E COMPRAS NA MÃO. ELA CAMINHA TÉ A PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO, SENTA NUMA MESA. UM RAPAZ VEM ATÉ ELA.

RAPAZ: O QUE VAI QUERER?

ANALU: UM MILK SHAKE, POR FAVOR.

(O RAPAZ SAI. DERREPENTE OUTRO RAPAZ SE APROXIMA)

FELIPE: COM LICENÇA? POSSO ME SENTAR COM VOCÊ? AS MESAS ESTÃO TODAS OCUPADAS.

ANALU: CLARO. SENTA.

(FELIPE ESTÁ COM UM MILK SHAKE E UM PORÇÃO DE BATATA FRITA.)

FELIPE: ACEITA?

ANALU: NÃO. OBRIGADA.

FELIPE: VOCE VEM SEMPRE AQUI?

ANALU: (RI) MAS QUE CANTADA MAIS BARATA.

FELIPE: VOCE ACHA QUE FOI UMA CANTADA? EU PERGUNTEI POR QUE É DIFICIL EU SAIR DE CASA. DESCULPA SE EU A OFENDI.

ANALU: ABSOLUTAMENTE. EU TAMBÉM… NÃO COSTUMO SAIR DE CASA. NÃO SEI O QUE DEU EM MIM, QUE RESOLVI DAR UMA ESPAIRECIDA.

FELIPE: SEI. E VOCE MORA PERTO?

ANALU: NÃO MUITO PERTO. PORQUE?

FELIPE: CURIOSIDADE.

(CHEGA O RAPAZ COM O MILK SHAKE DE ANALU.)

ANALU: OBRIGADA.

(FELIPRE RI PRA ELA.)

CORTA PARA…

CENA 7. RESTAURANTE DO HOTEL. INT/DIA.

GIOVANNA SENTADA NUMA MESA. APARECE EVALDO.

EVALDO: OI? POSSO SENTAR?

GIOVANNA: OI. COMO VAI?

EVALDO: MELHOR AGORA. (SENTA) VOCE QUER UM REFRI?

GIOVANNA: ACEITO.

(EVALDO VAI ATÉ O BALCÃO E PEDE UM REFRI. QUANDO VOLTA PRA MESA. GIOVANNA NÃO ESTÁ MAIS.)

EVALDO: UÉ? CADÊ ELA? COISA MAIS ESQUISITA!

CORTA PARA…

CENA 8. APART DE RUTH. QUARTO. INT/DIA.

RUTH SENTADA NA CAMA, IMPACIENTE. OLHA PRO CELULAR. PEGA E DISCA.

RUTH: ALÔ? SOU EU. E AÍ… TUDO COMBINADO? ENTÃO TÁ. EU JÁ TOU INDO. (DESLIGA O CELULAR.) DESSA VEZ NÃO TEM ESCAPATÓRIA.

(PEGA SUA BOLSA E SAI.)

CORTA PARA…

CENA 9. TAKES DA CIDADE. EXT/DIA. NOITE.

APENAS O SOL SE PONDO. ANOITECE.

CORTA PARA…

CENA 10. PRAÇA DO FERREIRA. EXT/NOITE.

ABRIMOS NOS PÉS DE UMA PESSOA CAMINHANDO PELA PRAÇA. ALGUMAS DEITADAS NO BANCO. CARROS ESTACIONADOS MAIS DISTANTES. DESERTO TOTAL. DERREPENTE VEMOS RUTH SUBINDO A PRAÇA. OLHA PRO LADO E OUTRO. NÃO VER NINGUEM. SENTA NUM BANCO. UMA CAM SUBJETIVA APARECE POR TRÁS, E VAI ATÉ ELA. QUANDO E APROXIMA, ELA SE ASSUSTA.

RUTH: PENSEI QUE NÃO VIESSE MAIS. PORQUE ESCOLHEU ESSE LUGAR ESQUISITO?

(SILENCIO)

RUTH: (SEMPRE OLHANDO PRA CAM) TROUXE O QUE COMBINAMOS? MUITO BEM. (ELA SE LEVANTA, OLHA PRO LADO. UMA ARMA É APONTADA PRA ELA. FICA ATERRORIZADA.) O QUE VAI FAZER? POR FAVOR. NÃO ME MATA.

(UM TIRO É DISPARADO. ACERTA O PEITO DE RUTH. ELA VAI CAINDO AOS POUCOS. A CAM CAMINHA EM DIREÇÃO OPOSTA. DERREPENTE É SURPREENDIDA POR AQUELAS PESSOAS QUE DORMIA NOS BANCOS. SÃO POLICIAIS, COM ARMAS APONTADAS EM SUA DIREÇÃO. AS LUZES DOS CARROS SE ACENDEM, ENCANDEANDO SUA VISÃO. DE DENTRO DE UM SAI O DELEGADO.)

DELEGADO: NÃO ADIANTA ESCAPAR. VOCÊ FOI PEGO COM A BOCA NA BOTIJA. ESTÁ PRESO. PELA MORTE DE ALICE CARDOSO E DO CAMAREIRO HEITOR.

(O DELEGADO PEGA AS ALGEMAS E PRENDE A PESSOA. RUTH APARECE POR TRÁS TIRANDO O COLETE A PROVA DE BALA.)

RUTH: TUA HORA CHEGOU! EU FALEI QUE VOCÊ TAVA BRINCANDO COM FOGO.

(NA REAÇÃO DE TODOS. CORTA PARA…)

CENA 11. DELEGACIA. INT/NOITE.

RUTH SENTADA, MAIS AFASTADA. O DELEGADO CONVERSA COM A PESSOA QUE ESTÁ DE COSTAS PARA A CAM. NÃO IDENTIFICAMOS, POIS ESTÁ DE CAPUZ.

DELEGADO: ENTÃO, QUER DIZER, QUE VOCÊ NÃO TEM NADA A VER COM AS MORTES DE ALICE CARDOSO E DO CAMAREIRO HEITOR?

(NESSA HORA A PESSOA TIRA O CAPUZ E REVELAMOS SUA IDENTIDADE… PAULO.)

PAULO: CLARO QUE NÃO. E SÓ FALO AGORA COM A PRESENÇA DO MEU ADVOGADO.

DELEGADO: E PORQUE VOCÊ MARCOU ENCONTRO COM A SENHORITA RUTH AQUELA HORA, NAQUELE LUGAR?

PAULO: NA VERDADE… O ENCONTRO NÃO SERIA COMIGO.

DELEGADO: EXISTE OUTRA PESSOA ENVOLVIDA?

RUTH: ELE TÁ ACOBERTANDO O VERDADEIRO CULPADO, DELEGADO.

DELEGADO(P/RUTH) ENTÃO, VOCÊ SABIA? OU MELHOR, VOCÊ SABE QUEM É O ASSASSINO?

RUTH: NÃO. EU NÃO SEI.

DELEGADO: COMO NÃO? SE ACABA DE FALAR QUE ELE TÁ ACOBERTANDO O CRIMINOSO?

RUTH: BEM… É QUE EU TÔ GRÁVIDA, DELEGADO. E O DR. DANIEL, MEU EX-PATRÃO É O PAI DESSA CRIANÇA. ELE ME DEU UM BOM DINHEIRO PRA EU SUMIR DE VEZ. EU ACHEI UMA MERRECA! FOI AÍ QUE EU CHANTAGEEI O PAULO… JÁ HAVIA DESCONFIADO DELE… MARCAMOS UM ENCONTRO.

DELEGADO: (P/RUTH) MARCOU ENCONTRO COM QUEM, NA VERDADE?

(NESSA HORA O TELEFONE TOCA. O DELEGADO ATENDE.)

DELEGADO: ALÔ? SIM, É ELE… SEQUESTRO? AONDE? NO JARDIM DO ÉDEN?… A FILHA DO RICARDO ALMEIDA, A GIOVANNA? SEI… SEI… TUDO BEM, TOU INDO PRAÍ. (DESLIGA)

RUTH: O QUE FOI DELEGADO?

DELEGADO: SEQUESTRARAM A FILHA DO ADVOGADO RICARDO ALMEIDA. VOCES FICAM AQUI. (P/POLICIAL) DE OLHO NELES. (SAI.)

CORTA PARA…

CENA 12. HALL DO HOTEL. INT/NOITE.

RICARDO, FAUSTO E EVALDO POR ALI, ANSIOSOS. APARECE O DELEGADO E DOIS POLICIAIS.

DELEGADO: ENTÃO, ALGUMA NOVIDADE?

RICARDO: NÃO. NADA.

DELEGADO: COMO FOI ISSO?

EVALDO: EU NÃO SEI. ESTAVA COM ELA NO RESTAURANTE, ENQUANTO FUI PEGAR UM REFRI… QUANDO VOLTEI, ELA JÁ TINHA SUMIDO. ACHEI MUITO ESTRANHO.

(APARECE UM SEGURANÇA DO HOTEL)

SEGURANÇA: SEU FAUSTO… ACHAMOS A GAROTA. TÁ NO TERRAÇO.

CORTA PARA…

CENA 13. TERRAÇO DO HOTEL. EXT/NOITE.

É UM LOCAL ESPAÇOSO, AMPLO. VEMOS TODA A CIDADE. A CAM PASSEIA PELO LOCAL, ATÉ CHEGAR EM GIOVANNA SENTADA NUMA CADEIRA, AMARRADA, E COM A BOCA TAPADA COM UM PEDAÇO DE PANO. APARECE RICARDO, FAUSTO, EVALDO, JOYCE, SAULO, O DELEGADO E OS POLICIAIS. TODOS SE ASSUSTAM QUANDO VER JOANA ALI, APONTANDO UMA ARMA PARA GIOVANNA.

RICARDO(DESESPERADO) MINHA FILHA!

FAUSTO: JOANA? O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?

RICARDO: NÃO FAÇA NADA COM MINHA FILHA. FAÇA COMIGO! MAS DEIXA ELA VIVER. EU IMPLORO!

JOANA: NÃO É NADA DISSO! VOCES ESTÃO CONFUNDINDO AS COISAS.

SAULO: ERA ESSA A MULHER COM QUEM VOCÊ QUERIA SE CASAR?

RICARDO: NÃO É O MOMENTO, SAULO, POR FAVOR!

DELEGADO: SE ENTREGUE SENHORITA JOANA! A FARSA ACABOU.

JOANA: VOCÊS ESTÃO ME CRUCIFICANDO ANTES DE SABER A VERDADE.

JOYCE: JÁ ESTAMOS VENDO A VERDADE. TODO MUNDO JÁ SABE QUE É VOCÊ QUE ESTÁ POR TRÁS DE TODOS OS CRIMES. SE ENTRGUE!

(NESSA HORA ANTÔNIO APARECE, VER JOANA COM A ARMA PARA GIOVANNA.)

ANTONIO: MINHA FILHA?! SE VOCÊ FIZER ALGUMA COISA COM MINHA FILHA, EU MATO VOCÊ! SUA DESGRAÇADA! SOLTA ELA!

JOYCE: EU ACHO QUE JÁ VI ESTE FILME ANTES, ANTÔNIO. E O FINAL NÃO FOI MUITO AGRADÁVEL. EXERÇA SEU PAPEL DE PAI.

EVALDO: JOANA… POR FAVOR, LARGUE ESTA ARMA. NÃO VÁ COMETER UMA LOUCURA. EU VOU ATÉ AÍ.

DELEGADO: NÃO, RAPAZ. É MUITO ARRISCADO.

JOYCE: NÃO, MEU FILHO! A GENTE NÃO SABE O QUE ELA PODE FAZER.

EVALDO: DEIXA EU TENTAR? VAI DAR CERTO.

DELEGADO: CUIDADO. ESTAMOS AQUI NA RETAGUARDA.

(EVALDO SE APROXIMA DEVAGAR, ATÉ CHEGAR A ELA. OS DOIS SE ABRAÇAM. NUM DESCUIDO DE JOANA, EVALDO CONSEGUE TIRAR A ARMA DA MÃO DELA.ANTÔNIO JÁ SOLTOU GIOVANNA. O DELEGADO PEGA JOANA. GIOVANNA CORRE PRA RICARDO, CHORANDO)

RICARDO: COMO VOCÊ TÁ, MEU AMOR?

GIOVANNA: ESTOU BEM PAPAI. PENSEI QUE NUNCA MAIS FOSSE VER O SENHOR.

(MAS DERREPENTE, SURGE UMA PESSOA, SAINDO POR TRÁS DA CAIXA D’ÁGUA, COM UMA ARMA E DE CAPUZ.)

PESSOA: SÓ QUE ESSA HISTÓRIA, NÃO ACABA AQUI!

(TODOS SE VOLTAM PRA VER. ANTONIO QUE JÁ VINHA VOLTANDO PROS DEMAIS, VOLTA-SE PRA OLHAR, E NUM ROMPANTE, A PESSOA ATIRA NELE. ANTONIO JÁ CAI SEM VIDA. MUITA TENSÃO. JOYCE CORRE DESESPERADA PARA O IRMÃO.)

JOYCE: ANTONIO!

(O DELEGADO E OS DEMAIS POLICIAIS RENDEM O ATIRADOR.)

DELEGADO: É MELHOR LARGAR ESSA ARMA. FIM DE LINHA PRA VOCÊ!

(O ATIRADOR LARGA A ARMA. O DELEGADO ALGEMA-O.)

JOYCE (P/ ATIRADOR) DESGRAÇADO! VOCÊ MATOU MEU IRMÃO!

DELEGADO: AGORA, VAMOS VER QUEM ESTÁ POR TRÁS DESTA MÁSCARA.

(AOS PUCOS O DELEGADO VAI TIRANDO O CAPUZ DO ATIRADOR. MUITO SUPENSE.  ATÉ QUE A CAM FAZ UM ZOOM REVELANDO O ROSTO DO ASSASSINO… SÔNIA. CLOSE NA REAÇÃO DOS DEMAIS.)

SÔNIA: (IRÔNICA) PODEM ME CHAMAR DE SÔNIA! PROS ÍNTIMOS… BONECA SUZY.

(TODOS SURPRESOS COM A REVELAÇÃO.)

DELEGADO: ACABOU A FARSA, BONECA SUZY!

CORTA PARA…

CENA 14. DELEGACIA. INT/NOITE.

ABRE EM SÔNIA, SENTADA DE FRENTE PRO DELEGADO.

DELEGADO: A SENHORA VAI ME CONTAR COM RIQUEZAS DE DETALHES, TODOS SEUS CRIMES.

SÔNIA: COM O MAIOR PRAZER.

DELEGADO: (P/ESCRIVÃO) ANOTE TUDO. NÃO DEIXE FALTAR NADA. (P/SÔNIA) PODE COMEÇAR.

SÔNIA: BEM, O ANO ERA 1988. EU ESTAVA EM CASA… QUANDO OUVI NO RÁDIO, QUE UMA AGENCIA DE MODELOS ESTAVA RECRUTANDO GAROTOS E GAROTAS DE 13 A 23 ANOS, PARA PARTICIPAREM DE UMA CAMPANHA PUBLICITÁRIA NA TV. ENTÃO, EU DE IMEDIATO, FIZ MINHA INSCRIÇÃO. DIAS DEPOIS, FUI CHAMADA PELA A AGÊNCIA… FIZ ALGUNS ENSAIOS, ENFIM… E DE CARA FUI APROVADA. DAÍ EM DIANTE, FOI SÓ ALEGRIA NA MINHA VIDA. MAS HOUVE UM DIA, QUE FOMOS MANDADOS PELA AGÊNCIA PRA CIDADE DE BEBERIBE. ÍAMOS PARTICIPAR DE UM EVENTO.

DELEGADO: VOCÊ E QUEM?

SÔNIA:EU E MAIS TRÊS GAROTOS. A ALICE, O HEITOR E O VIRIATO. ELES TALVEZ, TIVESSE SEUS 14 ANOS, NÃO SEI. EU ERA A MAIS VELHA… FUI PARA ACOMPANHÁ-LOS. COMO ERAM DE MENORES, PRECISAVA DE ALGUEM RESPONSÁVEL. FICAMOS EM UMA POUSADA. MAS DE POUSADA AQUILO NÃO TINHA NADA.

DELEGADO: O QUE ERA, ENTÃO?

SÔNIA: UM BORDEL. A VERDADE É QUE A AGÊNCIA TINHAM NOS RECRUTADO PARA SEREM GAROTOS DE PROGRAMA. EU RESISTI ATÉ ONDE PUDE. E FOMOS OBRIGADOS A NOS PROSTITIUIR, E LEVAR O SUSTENTO PRA TAL “POUSADA”. O BORDEL ERA FREQUENTADO POR MUITA GENTE RICA, FAMOSA. UM DELES ERA DR. BENEDITO SABATTINI. UM HOMEM INFLUENTE, PODEROSO, DONO DE UMA EMPRESA DE VINHOS DA REGIÃO. LOGO DESCOBRI QUE ELE NEGOCIAVA COM A AGÊNCIA, E PAGAVA CARO PARA A TRANSFERÊNCIA DE GAROTOS E GAROTAS DE TODO PAÍS. ELE SE ENCANTOU POR MIM. E CHAMAVA CADA UM DE NÓS PELO APELIDO. EU ERA CONHECIDA COMO SUZY, FAZENDO REFERÊNCIA A TAL BONECA. A ALICE ELE CHAMAVA DE BARBIE, POR SE PARECER MUITO COM A FAMOSA BONECA. O HEITOR ERA O PORCO-ESPINHO, POR TER O CABEOLO MUITO ESPETADINHO. O VIRIATO ERA O PEPITO. (COMEÇA A CHORA) ENTÃO, HOUVE UM DIA, JÁ CANSADO DAS VIOLÊNCIAS QUE SOFRIA, DAS HUMILHAÇÕES… EU TENTEI FUGIR. UM RAPAZ, ME SOCORREU, E ME DEU ABRIGO. LOGO DEPOIS DESCOBRI QUE ESTE RAPAZ ERA SOBRINHO DO VELHO BENEDITO.

DELEGADO: QUE HOJE É SEU MARIDO, NÃO?

SÔNIA: SIM. O DANIEL.

DELEGADO: CONTINUE.

SÔNIA: BOM, EU NÃO TIVE ESCOLHA. EU MATEI O DR. BENEDITO. EU NÃO SUPORTAVA MAIS AQUELE SOFRIMENTO. FOI MELHOR ASSIM.

DELEGADO: E ONDE ENTRA O HEITOR E ALICE NESSA HISTÓRIA?

SÔNIA: ALICE E HEITOR VIU NA HORA QUE COLOQUEI VENENO NA BEBIDA DO VELHO. SENDO QUE QUANDO ISSO ACONTECEU, EU JÁ ESTAVA NOIVA DO DANIEL.

DELEGADO: SE VOCÊ JÁ ESTAVA NOIVA DO DANIEL, PORQUE MATOU O VELHO? DE TODA FORMA SEU SOFRIMENTO JÁ HAVIA ACABADO.

SÔNIA: AINDA NÃO, DELEGADO. EU MANTIVE RELAÇOES COM ELE, MESMO ESTANDO NOIVA DO DANIEL ELE ME OBRIGAVA, ME FORÇAVA. COM A MORTE DELE SERIA MINHA ÚNICA SOLUÇÃO. CONSEGUI UM VENENO QUE FOSSE IMPOSSÍVEL DE IDENTIFICAR… MAS MESMO ASSIM, TEMPOS DEPOIS, O LAUDO DEU A CAUSA MORTE POR ENVENENAMENTO.

DELEGADO: E COMO VOCÊ MATOU ALICE CARDOSO?

SÔNIA: A ALICE LIGOU PRA MIM, DIZENDO ESTÁ DISPOSTA A CONTAR PRA POLICIA TUDO QUE SABIA SOBRE MIM… INCLUSIVE SOBRE A FILHA DA JOANA.

DELEGADO: ENTÃO, FOI UMA QUEIMA DE ARQUIVO?

SÔNIA: MAIS OU MENOS ISSO.

DELEGADO: E O CAMAREIRO HEITOR?

SÔNIA: O HEITOR ERA MUITO BISBILHOTEIRO… VIVIA OUVINDO A CONVERSA ALHEIA POR TRÁS DAS PORTAS. MAS LEVEI VANTAGEM NISSO… ELE ME DISSE QUE TINHA VISTO O ANTONIO HORAS ANTES CONVERSANDO COM ALICE, PARECE QUE ESTAVA DISCUTINDO. FOI AÍ QU EU PEDI A ELE, PRA ACUSAR ANTÔNIO, E QUE COM ISSO, FICASE VISADO. MAS O HEITOR DE BOBO NÃO TINHA NADA… E PASSOU A ME CHANTAGEAR… E POR PURA COINCIDÊNCIA, EU O MATEI, NO DIA QUE ELES DISCUTIRAM. EU SOUBE DISSO, DEPOIS.

DELEGADO: E PORQUE O SEQUESTRO DA FILHA DE RICARDO, A GIOVANNA?

SÔNIA: PORQUE EU QUERIA QUE A JOANA DIVIDISSE EM PARTES IGUAIS A HERANÇA QUE O PAI DELA HAVIA DEIXADO PRA SUA FILHA… PARTILHASSE PRA MINHA FILHA, ANALU.

DELEGADO: E O QUE TEM HAVER?

SÔNIA: (REVELA) É QUE ANALU… NÃO É FILHA DE DANIEL. ELA É FRUTO DE UMA VIOLÊNCIA(SEXUAL) QUE SOFRI DO DR. BENEDITO SABATTINI. E DE TODO MODO É FILHA DELE.

DELEGADO: MINHA NOSSA SENHORA! E SEU MARIDO SABE DISSO?

SÔNIA: NUNCA DESCONFIOU. QUANDO CASEI COM DANIEL, EU JÁ ESTAVA COM 2 MESES DE GRAVIDEZ.

DELEGADO: MUITO BEM. ISSO É TUDO?

SÔNIA: SIM, DELEGADO.

DELEGADO: A SENHORA VAI AGORA PRA UMA PENTENCIÁRIA. VAI AGUARDA A DECISÃO DO JUÍZ, E PROVAVELMENTE IRÁ A JURI POPULAR.

SÔNIA: MAS ANTES EU QUERIA FALAR COM MINHA FILHA. POSSO?

DELEGADO: CLARO.

CORTA PARA…

CENA 15. TAKES DA CIDADE. EXT/DIA.

CENAS SOBREVOADAS SOBRE A CIDADE. RUAS, AVENIDAS, PRAIAS, PRACAS, ETC.

CORTA PARA…

CENA 16. HOTEL JARDIM DO ÉDEN. QUARTO DE RICARDO. INT/DIA.

RICARDO POR ALI, INQUIETO. BATEM NA PORTA. VAI ABRIR. É JOANA.

JOANA: OI? VIM ASSIM QUE LIGOU. O QUE É QUE VOCÊ QUER?

RICARDO: EU CHAMEI VOCÊ AQUI… PORQUE QUERO SER JUSTO. QUANDO LHE FIZ A PROPOSTA DE CASAR COM VOCÊ… LHE GARANTE UMA BELA QUANTIA. LEMBRA?

JOANA: SIM. PORQUE?

RICARDO: (PEGA UMA MALETA. ENTREGA A JOANA.) TOME.

JOANA: O DINHEIRO QUE TE PROMETI.

(JOANA ABRE A MALETA. VER VÁRIAS NOTAS DE CEM REAIS.)

JOANA: NUNCA VI TANTO DINHEIRO NA MINHA VIDA.

RICARDO: ISSO VAI DAR PRA VOCÊ VIVER MUITO BEM POR UM BOM TEMPO.

(JOANA FECHA A MALETA. E ENTREGA A RICARDO)

JOANA: EU NUNCA QUIS O SEU DINHEIRO. NEM MUITO MENOS TER SUA FILHA COMO PRÊMIO, COMO DISSE OUTRA VEZ.

RICARDO: AH,NÃO?

JOANA: NÃO. SERÁ QUE VOCÊ AINDA NÃO PERCEBEU?

RICARDO: O QUÊ?

JOANA: NUNCA QUIS SEU DINHEIRO… (SE APROXIMA DE RICARDO) EU SEMPRE QUIS O… SEU AMOR.

(RICARDO É PEGA DE SURPRESA, E OS DOIS ACABAM SE BEIJANDO.)

JOANA: EU TE AMO. DESDE QUE TE CONHECI NAQUELE DIA, NO BANHEIRO.

RICARDO: VOCÊ NÃO SABE DA ALEGRIA QUE DAR DIZENDO ISSO.

JOANA: O DINHEIRO NUNCA FOI UM PROBLEMA PRA MIM. AGORA O SEU AMOR, É MUITO PRECIOSO.

RICARDO: EU TE AMO. (SE BEIJAM).

(GIOVANNA E EVALDO ENTRAM, E SURPREENDEM ELES AOS BEIJOS.)

GIOVANNA: OPA. DESCULPE GENTE!

RICARDO: NÃO FILHA! FICA. EU TENHO UMA NOTÍCIA PRA VOCÊ.

GIOVANNA: VOCÊS VÃO SE CASAR, É ISSO?

JOANA: É. É ISSO MESMO. COMO SABE?

GIOVANNA: NÃO PRECISA NINGUEM DIZER. EU VEJO NOS OLHOS DE VOCÊS.

(OS QAUTRO SE ABRAÇAM, CARINHOSOS.)

GIOVANNA: (EMOCIONADA) AGORA ALÉM DE PAI… VOU TER UMA MÃE.

(TODOS RIEM, FELIZES, EMOCIONADOS.)

CORTA PARA…

CENA 17. TAKES DA CIDADE. EXT/DIA.

RUAS, AVENIDAS, PRAIAS, PARQUES, COMÉRCIOS ABERTOS, RESTAURANTES LOTADOS, ETC…

INSERIR LEGENDA: 2 MESES DEPOIS…

CORTA PARA…

CENA 18. PENITENCIÁRIA. SALA DO DELEGADO INT/DIA.

ANALU ENTRA EM CENA. O DELEGADO SENTADO.

ANALU: BOA TARDE?

DELEGADO: POIS NÃO?

ANALU: EU VIM VISITAR MINHA MÃE, SÔNIA AMORIM.

DELEGADO: SÔNIA AMORIM? A SENHORA SÔNIA AMORIM FUGIU ESTA MANHÃ DA PENITENCIÁRIA.

ANALU: O QUÊ?

CORTA PARA…

CENA 19. ESTRADA CARROÇAL. EXT/DIA.

ABRIMOS NOS PÉS DE UMA MULHER CORRENDO PELA ESTRADA. A CAM VAI SUBINDO ATÉ IDENTIFICAR SÔNIA, TODA SUJA, SUADA. PÁRA NUM LOCAL ERMO. SURGE UM CARRO AO LONGE E SE APROXIMA. PÁRA. ELA ENTRA NO CARRO.

SÔNIA: TROUXE O QUE PEDI?

(A CAM MOSTRA O MOTORISTA, É VIRIATO. ELE PEGA UMA MALETA NO BANCO DETRÁS, E PASSA PRA ELA.)

SÔNIA: (ABRINDO A MALETA) MARAVILHA! (RETIRA UMAS NOTAS, E ENTREGA A VIRIATO)

VIRIATO: O QUE É ISSO? VOCÊ ACHA QUE VOU ME CONTENTAR SÓ COM ESSA ESMOLA?

SÔNIA: E PODE SE DAR POR SATISFEITO. É ISSO, E PRONTO!

(SÔNIA DESCE DO CARRO E SAI CORRENDO. VIRIATO SE VENDO LESADO, PEGA UMA ARMA NO PORTA-LUVAS.)

VIRIATO: SE ELA PENSA QUE VAI SAIR POR CIMA, VAI CAIR DO CAVALO. (GRITA) SÔNIAAAA!

(SÔNIA VOLTA-SE PRA ELE. VIRIATO ATIRA. SÔNIA COM A MALETA CONTRA O PEITO É ATINGIDA DUAS VEZES. VAI CAINDO AOS POUCOS AO CHÃO. VIRIATO SE APROXIMA.)

VIRIATO: VAI PRO INFERNO, FILHA DUMA ÉGUA! (ABAIXA E PEGA A MALETA. ENTRA NO CARRO E SAI.)

(A CAM FAZ VÁRIOS CLOSES ALTERNADOS DO CADÁVER DE SÔNIA AO CHÃO. MUSICA MARCANDO).

CORTA PARA…

CENA 20. HOTEL JARDIM DO ÉDEN. ESCRITÓRIO DE FAUSTO. INT/DIA.

FAUSTO DE COSTAS PRA PORTA QUE ESTÁ ENTRE-ABERTA. ENTRA RUTH.

RUTH: OI? EU VIM PELO ANÚNCIO NO JORNAL. VOCÊ AINDA TÁ PRECISANDO DE SECRETÁRIA?

FAUSTO: (SEM OLHAR PRA ELA) NÃO. NÃO ESTAMOS MAIS NÃO.

RUTH: QUE PENA! ENTÃO, TÁ! (VAI SAINDO, QUANDO FAUSTO VIRA-SE, E FICA BOQUIABERTO.)

FAUSTO: NÃO. EU TAVA BRINCANDO. É CLARO QUE EU TÔ. ENTRE. FIQUE A VONTADE.

(RUTH SENTA, CRUZA AS PERNAS, FAUSTO FICA SEM JEITO.)

FAUSTO: COMO É SEU NOME?

RUTH: RUTH. MAS PODE ME CHAMAR DE RUTINHA.

FAUSTO: RUTINHA?! GOSTEI. TÁ CONTRATADA.

RUTH: JURA? QUE BOM! O SENHOR NÃO VAI SE ARREPENDER.

FAUSTO: TENHO CERTEZA QUE NÃO.

COTA PARA…

CENA 21. CASA DE DANIEL. SALA. INT/DIA.

DANIEL COM UMA TAÇA DE VINHO NA MÃO, NA OUTRA A GARRAFA COM O NOME: DOCE TENTAÇÃO. SENTA NO SOFÁ. PÕE A GARRAFA SOBRE A MESINHA DE CENTRO. PEGA O TELEFONE. DISCA.

DANIEL: ALÔ? É O NELSON? OLÁ? COMO VAI O NOSSO ILUSTRE MESTRE DAS LETRAS?… EU VOU INDO NÉ?… NA MEDIDA DO POSSÍVEL, VOU LEVANDO A VIDA… EU LIGUEI PRA TE DIZER O NOME DO TÍTULO DA MINHA BIOGRAFIA… É… SEI… O NOME VAI SER: A SOLIDÃO DA PROMISCUIDADE!(RI) É… É UM NOME BEM SUJESTIVO PRA SER DE MINHA BIOGRAFIA. O SENHOR NÃO ACHA?… TUDO BEM… DEPOIS TE PASSO POR E-MAIL MAIS DETALHES, OK? UM ABRAÇO, MESTRE! (DESLIGA) (SE LEVANTA) É… TANTO QUE FIZ NA VIDA… PRA ACABAR TRISTE E SÓ. DESAMPARADO PELOS AMIGOS… PELA FAMILIA…

(A CAM VAI SE AFASTANDO DELE. MUSICA TRISTE MARCANDO)

CORTA PARA…

CENA 22. RESTAURANTE DO HOTEL. INT/DIA.

JOYCE CANTANDO, CLOSE TO YOU. CASAIS DANÇAM À PARTE. GARÇONS SERVINDO MESAS. DESTACAMOS OS CASAIS: JOANA E RICARDO… GIOVANNA E EVALDO… FAUSTO E RUTH E SAULO AMNDANDO BEIJOS PARA JOYCE. TEMPO NA MÚSICA. DEPOIS CORTE DESCONTÍNUO PARA JOANA E RICARDO.

RICARDO: EU TE AMO.

JOANA: EU TAMBÉM TE AMO. (SE BEIJAM)

CORTA PARA…

CENA 23. CORREDORES DO HOTEL. INT/DIA.

UMA CAM SUBJETIVA VAI CAMINHADO PELOS CORREDORES ATÉ PARAR PRÓXIMA A PORTA DO QUARTO DE RICARDO, QUE SE ABRE E VEMOS UM HOMEM SENTADO DE COSTAS, COM UMA MALETA NA MÃO. A CAM SE APROXIMA, E IDENTIFICAMOS: ANTÔNIO. SORRI PRA CAM.

ANTÔNIO: SABIA QUE VOCÊ VINHA. FOI UM BELO GOLPE DE MESTRE.

(ELE SE LEVANTA E SAI DE QUADRO. A CAM VAI SAINDO EM DIREÇÃO A JANELA, ATÉ ENCONTAR O CÉU… E SURGE UMA LEGENDA: HÁ MAIS MISTÉRIOS ENTRE O CÉU E A TERRA DO QUE SUPÕE A VOSSA VÃ FILOSOFIA…

CORTA PARA…

FIM DO ÚLTIMO CAPÍTULO-” ”>-‘.’ ”>

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