Boa noite, Leitores!

Primeiramente gostaria de pedir desculpas pelo atraso nas publicações, estou tendo alguns problemas técnicos e acabei não conseguindo postar capítulos. A partir de Hoje tudo será normalizado, Grato

Nathan Freitas.

 

Fique agora com o segundo capítulo

CENA 1. CASA DE BENEDITO. SALA. INT./DIA.

CONTINUAÇÃO DA CENA 11 DO CAPITULO ANTERIOR.

JULIANO: – FOI O VALDIR, NOSSO MORDOMO QUE LEVOU O GAROTO.

JOANA: – O VALDIR? PRA QUAL ORFANATO?

JULIANO: – PRA ONDE EU NÃO SEI. MAS A ESTER SABE.  NÃO SABE ESTER?

ESTER: – EU? PORQUE EU HAVERIA DE SABER? A FILHA NÃO É MINHA!

JOANA: – VAMOS. FALA ESTER! ONDE TÁ MINHA FILHA? O QUE VOCÊ APRONTOU?

(VALDIR ENTRA EM CENA.).

JOANA: (PARA VALDIR) – COMO VAI, VALDIR?

VALDIR: – MUITO BEM. A SENHORA VEIO PRA FICAR?

JOANA: – NÃO, VALDIR. VIM APENAS BUSCAR RESGUARDAR O DIREITO QUE MINHA FILHA ADQUIRIU.

(TROCA DE OLHARES ENTRE ELES.).

VALDIR: – O DR. QUELÔNIO ME FALOU DA CARTA QUE O DR. BENEDITO DEIXOU. DEUS EXISTE.

ESTER: – VELHO MALDITO!

JOANA: – MEÇA SUAS PALAVRAS QUANDO FOR FALAR DE MEU PAI. ELE FOI UM SANTO DE TER QUE AGUENTAR DUAS SERPENTES DENTRO DE CASA.

JULIANO: – NÃO VENHA SE FIZER DE SANTINHA, NÃO, VIU JOANA? VOCÊ FOI A PRIMEIRA A DAR MAU EXEMPLO PRA FAMÍLIA. SUJOU O NOSSO NOME.

JOANA: – CHEGA DESSA LENGALENGA. SE EU COMETI ERROS NO PASSADO É PROBLEMA MEU. EU ERA MUITO NOVA E INEXPERIENTE NA VIDA. DEIXEI ME LEVAR PELAS FALSAS AMIZADES. MAS EU ME ARREPENDI. PAGUEI POR ISSO. E ESTOU AQUI PRA PROVAR QUE MUDEI.

ESTER: – PAU QUE NASCE TORTO MORRE TORTO, MINHA QUERIDA. EU NÃO ACREDITO EM TAIS MILAGRES.

VALDIR: – POIS EU ACREDITO. SE DR. BENEDITO DEIXOU A HERANÇA PARA A NETA É PORQUE SABIA DO TIPO DE FILHOS QUE ELE HAVIA CRIADO.

ESTER: – CALE SUA BOCA, SEU INGRATO. VOCÊ NÃO PERTENCE A NOSSA FAMÍLIA. PARE DE FICAR DANDO PALPITE AONDE NÃO É CHAMADO.

JULIANO: (PARA JOANA) – NÓS SABEMOS QUE SEU INTERESSE NÃO FOI APENAS VER SUA FILHA. QUAL É O SEU PLANO, HEIN?

JOANA: – VALDIR, POR GENTILEZA, NOS DEIXE A SÓS.

VALDIR: – SIM, SENHORA.

             (VALDIR SAI DE CENA)

JOANA: – PRONTO. AGORA QUE ESTAMOS A SÓS, VAMOS POR OS PINGOS NO “ÍS”. (PAUSA). QUER SABER MESMO O REAL MOTIVO DE MINHA VINDA?

CORTA PARA…

CENA 2. CASA DE DANIEL E SÔNIA. SALA. INT./DIA.

DANIEL VEM VINDO DA COZINHA. TOCAM A CAMPAINHA. VAI ATENDER.

DANIEL: POIS, NÃO?

HOMEM: SENHOR DANIEL TEIXEIRA?

DANIEL: SIM. SOU EU.

(O HOMEM RETIRA DA MALETA QUE TRÁS UNS DOCUMENTOS. E PEDE QUE DANIEL ASSINE.).

HOMEM: ASSINE AQUI, POR FAVOR!

(DANIEL ASSINA. E DEVOLVE AO HOMEM.).

HOMEM: OBRIGADO.

DANIEL: EU POSSO SABER O QUE É?

HOMEM: NÃO TENHO PERMISSÃO PARA FALAR DO QUE SE TRATA. MAS EU BREVE O SENHOR VAI FICAR SABENDO. PASSAR BEM.

(O HOMEM SAI. DANIEL DESCONFIADO.).

CORTA PARA;

CENA 3. CASA DE BENEDITO. SALA. INT./DIA.

CONTINUAÇÃO DA CENA 1.

JULIANO: – É O MÍNIMO QUE VOCÊ PODE FAZER. CONTE-NOS SUA VERSÃO.

JOANA: – NÃO HÁ VERSÃO NENHUMA. (NOUTRO TOM) VOCÊS PODEM ESTAR CERTOS, EM PARTE QUE POSSO TER VINDO ATRÁS DA HERANÇA…

ESTER: – EU SEMPRE TIVE RAZÃO…

JOANA: – MAS EU VIM PRINCIPALMENTE PRA ACABAR COM A FARSA DE VOCÊS. NÃO PASSAM DE DUAS SANGUESSUGAS. FICO IMAGINANDO COMO O MEU PAI SOFREU NAS MÃOS DE VOCÊS. E FOI NESSA AMBIÇÃO QUE NUTRE DENTRO DE SI, QUE MEU PAI MORREU. POR NÃO SUPORTAR TANTA MALDADE NO CORAÇÃO DE VOCÊS. ESSE FOI UM DOS GRANDES MOTIVOS QUE FUI EMBORA DESTA CASA.

ESTER: – AMBIÇÃO? QUEM É VOCÊ PRA FALAR DE AMBIÇÃO? VIVEU UMA VIDA DESREGRADA COMETENDO AS PIORES FORMAS DE SAFADEZA, NOS COLOCOU NAS PIORES CONDIÇÕES, E AINDA DIZ QUE FOMOS NÓS QUE CAUSAMOS TODA ESSA SITUAÇÃO? FAÇA O FAVOR, TÁ?

JULIANO: – VOCÊ E MAIS NINGUÉM É A CULPADA DE TUDO DE RUIM QUE ACONTECEU NA NOSSA FAMÍLIA. PAPAI FOI A GRANDE VÍTIMA DE SUAS ATITUDES.

JOANA: – VOCÊS QUE FIZERAM A CABEÇA DELE CONTRA MIM.

ESTER: – VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO DE TOMAR PARTIDO DE TUDO QUE O NOSSO PAI DEIXOU.

JOANA: – MUITO MAIS VANTAGEM TEM EU SOBRE VOCÊS. PENSA QUE FOI FÁCIL PRA EU RENUNCIAR A VIDA QUE TIVE AQUI, ABANDONAR MEU FILHO, ABANDONAR UM FUTURO BRILHANTE QUE EU SABIA QUE TINHA PRA MIM?

JULIANO: – NÃO SOMOS CULPADOS PELO SEU DESTINO. VOCÊ ESCOLHEU TER ESTA VIDA PORQUE QUIS. QUEM TE OBRIGOU? VOCÊ FEZ TUDO POR VONTADE PRÓPRIA.

ESTER: – É VERDADE. E NÃO VENHA FAZER DRAMA. EU SEI MUITO BEM QUAL É A SUA TÁTICA.

JULIANO: – VOCÊ NÃO É EXEMPLO PRA NINGUÉM, JOANA. E NEM MUITO MENOS TIRAR DE NÓS TODA A FORTUNA QUE PAPAI ACUMULOU DURANTE ANOS DE TRABALHO.

ESTER: – PAPAI SÓ ACEITOU FICAR COM A CRIANÇA, PORQUE NÃO QUERIA VÊ-LO CRESCER COM VERGONHA DA MÃE QUE TINHA. AGORA, DEPOIS DE ANOS, VOCÊ VOLTA PRA CASA COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO. E AINDA POR CIMA QUERER TOMAR O QUE ELE DEIXOU PARA NÓS.

JOANA: – EU NÃO ESTOU TIRAR NADA DE NINGUÉM. SÓ QUERO PROTEGER O QUE A JUSTIÇA CONCEDEU AO MINHA FILHA. NADA MAIS JUSTO.

ESTER: – NÃO SEJA RIDÍCULA. DEPOIS FALA QUE NÓS SOMOS AMBICIOSOS. E NÃO VÊ O QUE ESTÁ FAZENDO É MUITO PIOR!

JULIANO: – NÃO ADIANTA TENTAR ARGUMENTAR. SUA MÁSCARA JÁ CAIU. VOCÊ ESTÁ APENAS SE MOSTRANDO QUEM É. E NADA DO QUE DISSER, VAI FAZER-NOS PENSAR DIFERENTE DE VOCÊ.

NINA: – POUCO IMPORTA O QUE PENSAM DE MIM. O QUE FOI FEITO, NÃO TERÁ COMO VOLTAR ATRÁS.  AGORA, SE ME DEREM LICENÇA, EU PRECISO DESCANSAR UM POUCO. ESTOU CANSADA DA VIAGEM (JOANA SAI DE CENA).

ESTER: – SE ELA PENSA QUE ISTO VAI FICAR ASSIM, PODE IR TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA, POIS ELA VAI PAGAR COM JUROS E CORREÇÕES MONETÁRIAS.

CORTA PARA…

CENA 4. CASA DE DANIEL E SÔNIA. SALA. INT./DIA.

DANIEL VEM VINDO DO QUARTO. O TELEFONE TOCA. ATENDE.

DANIEL: ALÔ? SIM, É ELE. QUEM? AH… É VOCÊ!… QUER FALAR COMIGO?… AONDE? NO JARDIM DO ÉDEN? TUDO BEM. EU VOU. (DESLIGA O TELEFONE.) (PENSATIVO) O QUE ELE TEM DE TÃO IMPORTANTE PRA EU DIZER? SÓ VOU SABER, SE EU FOR LÁ.

CORTA PARA:

CENA 5. HOTEL JARDIM DO ÉDEN. RESTAURANTE. INT./DIA.

UMA MOVIMENTAÇÃO DE PESSOAS. UMA MUSICA AMBIENTE AO FUNDO. ALGUNS CASAIS DANÇAM A PARTE. DESTACAMOS UM HOMEM SENTADO NUMA MESA, DE COSTAS PRA CÂMERA. DANIEL APARECE, E SE APROXIMA DA MESA DO TAL HOMEM. AOS POUCOS A CÂMERA VAI IDENTIFICANDO O HOMEM: VALDIR.

DANIEL: VIM ASSIM QUE VOCÊ ME LIGOU. O QUE VOCÊ QUER?

VALDIR: SENTE-SE! TOMA ALGUMA COISA?

DANIEL: UMA ÁGUA.

VALDIR: (P/GARÇOM) GARÇOM? (VEM UM ATÉ ELES). TRAGA-ME UMA ÁGUA.

GARÇOM: SIM, SENHOR.

DANIEL: QUE MILAGRE VOCÊ, AQUI, NA CIDADE?! O QUE HOUVE?

VALDIR: DR. BENEDITO, SEU TIO FALECEU.

DANIEL: EU ESTOU SABENDO. EU SINTO MUITO.

VALDIR: SENTE MUITO? VOCÊ É INSENSÍVEL, DANIEL. NEM AO MENOS MANDOU FLORES, JUSTIFICANDO SUA AUSÊNCIA.

DANIEL: VOCÊ SABE COMO ERA MINHA RELAÇÃO COM AQUELE VELHO!

VALDIR: NÃO FALA ASSIM!

(CHEGA O GARÇOM COM A ÁGUA.).

VALDIR: OBRIGADO. (GARÇOM SAI.)

DANIEL: EU NUNCA VOU ESQUECER O QUE AQUELE VELHO ME FEZ.

VALDIR: VOCÊ AINDA GUARDA MUITA MÁGOA DELE, NÃO É?

DANIEL: POUCA. MAS PORQUE VOCÊ TÁ ME PERGUNTANDO ISSO?

VALDIR: PORQUE EU TENHO UMA ÓTIMA NOVIDADE PRA VOCÊ.

DANIEL: O QUE É?

VALDIR: O ADVOGADO DA FAMÍLIA ABRIU O TESTAMENTO, E NOMEOU OS FILHOS, E ATÉ AQUELA FILHA BASTARDA.

DANIEL: E O QUE EU TENHO HAVER COM ISSO?

VALDIR: MUITA COISA.

DANIEL: O QUE, POR EXEMPLO?

VALDIR: O VELHO BENEDITO DEIXOU 30% DAS AÇÕES DA PARAÍSO, NO SEU NOME.

DANIEL: (TOMA UM SUSTO) COMO É QUE É? QUE BRINCADEIRA É ESSA?

VALDIR: BRINCADEIRA, NÃO, RAPAZ. É A PURA VERDADE. DR. BENEDITO LHE CONFIOU ESSA METADE DAS AÇÕES.

DANIEL; ISSO NÃO PODE SER VERDADE. VOCÊ TÁ DE GOZAÇÃO COMIGO.

VALDIR: SE EU SOU HOMEM DE BRINCADEIRA, RAPAZ! 30% DA EMPRESA TÁ NO SEU NOME.

DANIEL: (RI, INCRÉDULO) SE ISSO FOR VERDADE MESMO, O VELHO ESTAVA MALUCO. DEPOIS DE ME ENXOTAR DA SUA CASA DAQUELE JEITO.

VALDIR; PRA VOCÊ VER! DR. BENEDITO ERA UMA CASCA GROSSA, MAS TINHA UM GRANDE CORAÇÃO. ELE GOSTAVA MUITO DE VOCÊ, DANIEL. POR VARIAS VEZES, ELE ME FALOU ISSO. VOCÊ ERA A PESSOA MAIS PRÓXIMA QUE LEMBRAVA SEU PAI. ELE NÃO QUERIA COMETER ESSA INJUSTIÇA, E NÃO DEIXAR NADA PRA VOCÊ.

DANIEL; E O QUE VAI ACONTECER?

VALDIR: VOCÊ PODE ESCOLHER VENDER AS AÇÕES OU SER UM DOS ACIONISTAS DA EMPRESA.

DANIEL: EU NÃO SEI O QUE PENSAR. FUI PEGO DE SURPRESA. E EM DINHEIRO, QUANTO VALE ESSAS AÇÕES?

VALDIR: PELO QUE FIQUEI SABENDO É UMA NOTA PRETA. UNS NOVE ZERO.

DANIEL: TUDO ISSO?!

VALDIR: É RAPAZ! VOCÊ AGORA É UM MILIONÁRIO!

DANIEL: ESTOU PASMO! E VOCÊ, COM A MORTE DO MEU TIO, ONDE VAI FICAR?

VALDIR: EU NÃO TENHO DESTINO CERTO, MEU CARO. ESTOU PENSANDO EM VENDER ESTE HOTEL.

DANIEL: VENDER? COMO ASSIM?

VALDIR: DR. BENEDITO DEIXOU ESTE HOTEL PRA MIM.

DANIEL: VOCÊ TÁ FALANDO SÉRIO?

VALDIR: 45% DO HOTEL SÃO MEUS. E 55% SÃO DO JULIANO. ESTOU PENSANDO EM NEGOCIAR COM ELE.

DANIEL: FIQUEI CURIOSO. E OS 70%? FICOU PRA QUEM?

VALDIR: PRA VITÓRIA.

DANIEL: VITORIA? QUEM É VITÓRIA?

VALDIR: A FILHA DA FILHA BASTARDA DELE. O QUE VOCÊ NÃO SABE, É QUE ESSA GAROTA, A ESTER COLOCOU NUM ORFANATO. JÁ VISANDO À HERANÇA DA GAROTA. VOCÊ ACREDITA?

DANIEL: DAQUELA ALI NÃO DUVIDO NADA.

VALDIR: SÓ EU SEI O QUE AQUELA É CAPAZ DE FAZER.

DANIEL: VOCÊ AINDA GOSTA DELA, NÃO É?

VALDIR: NÃO TEMOS COMO CONTROLAR O CORAÇÃO. BOM, MAS NÃO VI FALAR SOBRE ISSO.

DANIEL: TÁ CERTO.

(OS DOIS COMEÇAM A FALAR FORA DE ÁUDIO. MUSICA AMBIENTE.).

 

CORTA PARA…

 

CENA 6. CASA DE DANIEL E SÔNIA. SALA. INT./DIA.

DANIEL ENTRA EM CENA, SENTA NO SOFÁ. PENSATIVO.

DANIEL: (OFF) “QUE LOUCURA, MEU DEUS. SOU HERDEIRO DE UM IMPÉRIO! MAS ESTOU CABREIRO. COM QUE INTENÇÃO MEU TIO BENEDITO DEIXOU ISSO PRA MIM? COMO DIZ O VALDIR: O VELHO ERA CASCA GROSSA, MAS TINHA UM BOM CORAÇÃO.”.

(O TELEFONE TOCA. ATENDE).

DANIEL: ALÔ? SIM, É ELE… SÔNIA? É MINHA NOIVA. O QUE HOUVE?… O QUE? NO HOSPITAL? TUDO BEM… ESTOU INDO PARA AÍ.

 

CORTA PARA…

CENA 7. TAKES DA CIDADE DE PORTO FELIZ. INT./DIA. NOITE.

APENAS UM PÔR DO SOL. ANOITECE.

CORTA PARA…

CENA 8. CASA DE BENEDITO. COZINHA. INT./NOITE.

ESTER SENTADA À MESA. ENTRA VALDIR, E SE ASSUSTA AO VÊ-LA.

VALDIR: ESTER?!

ESTER: ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA ATÉ ESSA HORA DA NOITE?

VALDIR: NÃO TENHO QUE DAR SATISFAÇÃO A VOCÊ.

(ESTER PARTE PRA CIMA DELE.).

ESTER: – ESTÁ FELIZ, NÃO É?

VALDIR: (NATURAL) – SEMPRE FUI FELIZ. APESAR DOS PESARES.

ESTER: – VOCÊ SABE MUITO BEM DO QUE ESTOU ME REFERINDO.

VALDIR: – SE NÃO SABE, SOU UM SIMPLES MORDOMO E NÃO UM ADIVINHO.

ESTER: – DEIXE DE IRONIA E RESPONDA MINHA PERGUNTA.

VALDIR: – PRA COMEÇO DE CONVERSA, EU NÃO TENHO QUE DAR SATISFAÇÕES DA MINHA VIDA PRA VOCÊ.

ESTER: – TÁ ESPERTINHO, NÃO É? O QUE A SUA “NOVA PATROA” ESTÁ APRONTANDO?

VALDIR: – NÃO ENTENDEU QUERIDA? OU QUER QUE EU DESENHE PRA VOCÊ?

             (ESTER PEGA FORTE NO BRAÇO DE VALDIR)

ESTER: – QUANTO É QUE VOCÊ QUER PRA ME CONTAR O QUE ESSA PIRANHA ESTÁ TRAMANDO?

VALDIR: – VOCÊ NÃO MUDA, NÃO É, ESTER? SABE QUE EU TENHO PENA DE VOCÊ? AGORA, LARGA O MEU BRAÇO. 

             (ESTER SOLTA O BRAÇO DELE.).

ESTER: – ESSA MALDITA VAI PAGAR CARO PELO QUE FEZ.

VALDIR: – EU SÓ TE PEÇO UMA COISA, ESTER. NUNCA ENCOSTE UM SÓ DEDO NA JOANA. SENÃO A COISA VAI PIORAR PRO TEU LADO.

ESTER: – TÁ ME AMEAÇANDO?

VALDIR: – ESPERO QUE ESTA AMEAÇA NÃO SE CONCRETIZE. EU NÃO QUERIA ESTAR NA SUA PELE.

ESTER: – VOCÊ NUNCA FALOU ASSIM. O QUE ESTÁ ACONTECENDO? É ELA QUE TÁ TE COLOCANDO CONTRA MIM? JÁ CONSEGUIU TIRAR A CASA, A HERANÇA QUE O PAPAI NOS DEIXOU. E AOS POUCOS TÁ TIRANDO… (FAZ UMA PAUSA DRAMÁTICA).

 (A PARTIR DAQUI ESTER MOSTRA PARA O PÚBLICO CERTA CUMPLICIDADE COM VALDIR).

ESTER: – VOCÊ AINDA GUARDA MUITA MÁGOA DE MIM, NÃO É?

VALDIR: – SERÁ QUE EU DEVIA FICAR RESSENTIDO COM VOCÊ?

ESTER: – EU NÃO TIRO SUA RAZÃO. MAS SERÁ QUE VOCÊ VAI TENTAR AO MENOS CONSEGUIR ENTENDER OS MEUS MOTIVOS?

VALDIR: – NADA JUSTIFICA A MONSTRUOSIDADE QUE VOCÊ FEZ. NADA.

ESTER: – VOCÊ NÃO SABE O QUANTO ME DOEU FAZER AQUILO. ATÉ HOJE EU SOFRO SÓ EM PENSAR.

VALDIR: – SERÁ QUE EU DEVO ACREDITAR NESSE SEU DRAMA?

ESTER: – SÓ VOCÊ E MAIS NINGUÉM SABE POR QUE AGI DAQUELA MANEIRA.

VALDIR: – POR ISSO QUE SE TORNOU ESTA MULHER FRIA E ARROGANTE QUE É HOJE.

ESTER: – EU PODIA NUNCA TE DAR SATISFAÇÃO DA MINHA VIDA, MAS ESTOU AQUI ABRINDO O MEU CORAÇÃO. CONSCIENTE QUE ERREI.

VALDIR: (IRÔNICO) – AH… EU NÃO SABIA QUE VOCÊ TINHA ERRADO.

ESTER: – DEIXE DE IRONIAS, POR FAVOR.

VALDIR: – VOCÊ CALCULA A GRAVIDADE DO ERRO QUE VOCÊ CAUSOU NA MINHA VIDA? TEM NOÇÃO, ESTER?

ESTER: – VOCÊ NUNCA VAI ME PERDOAR, NÃO? (SE APROXIMA DELE, CARINHOSA) NEM AO MENOS SENTE ALGUMA COISA POR MIM?

VALDIR: (SAINDO PARA O LADO) SINTO. EU SINTO PENA DE VOCÊ.

ESTER: – NÃO É POSSÍVEL QUE VOCÊ TENHA ME ESQUECIDO DA NOITE PARA O DIA? NÃO ACREDITO.

VALDIR: – DEIXA DE SER CÍNICA, ESTER. PARA COM ESSE TEATRINHO MEDÍOCRE. SERÁ QUE NÃO ENTENDE QUE O QUE EU QUERO DE VOCÊ É DISTÂNCIA?

ESTER: – EU NÃO MEREÇO SER HUMILHADA DESTA MANEIRA. (CHOROSA).

VALDIR: – VOCÊ ARRANCOU UM PEDAÇO DE MIM, QUANDO RESOLVEU… (REVELA) DAR AQUELA CRIANÇA PRA ADOÇÃO. O MEU FILHO!

ESTER: (SE AJOELHA) ME PERDOE! VOCÊ SABE QUE FIZ O QUE FIZ CONTRA MINHA VONTADE. PAPAI NÃO PODIA SABER QUE O FILHO QUE EU CARREGAVA ERA SEU. VOCÊ SABE COMO ERA MEU PAI.

VALDIR: – PORQUE SERÁ QUE EU NÃO CONSIGO ACREDITAR NUMA SÓ PALAVRA QUE VOCÊ DIZ?

 

   (JULIANO ENTRA EM CENA E ESTRANHA A CONVERSA DE ESTER E VALDIR.).

 

JULIANO: – O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI?

(ESTER POR ALI, TRISTE, ENIGMÁTICA, TENSA.).

ESTER (OLHANDO PRO NADA): – HÁ COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER JULIANO. EU PRECISO TE CONTAR UMA COISA

JULIANO: – QUE COISAS? O QUE TÁ HAVENDO AQUI? O QUE FOI ESTER? EU NUNCA TE VI DESSE JEITO. AGORA POUCO VOCÊ ESTAVA TÃO… (P/ VALDIR.) O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ COM MINHA IRMÃ?

ESTER: – O VALDIR NÃO FEZ NADA COMIGO. NA VERDADE, FUI EU QUEM FEZ.

VALDIR: – SUA IRMÃ TEM MUITO QUE EXPLICAR. VAMOS, ESTER, COMEÇA A CONTAR PRO SEU IRMÃO O QUE DE FATO OCORREU ENTRE NÓS.

JULIANO: (SURPRESO, ESTRANHA) “ENTRE NÓS?” O QUE ELE QUER DIZER COM ISTO, ESTER?

               (ESTER FAZ UM POUCO DE SUSPENSE. OLHA PROS DOIS. CRIA CORAGEM).

ESTER: (FAZ UMA PAUSA. REVELA)- EU… EU E O VALDIR… NÓS TIVEMOS UM FILHO.

(JULIANO FAZ UMA CARA DE ESPANTO, NA SUA REAÇÃO CORTA PARA…).

 

CENA 9. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT./NOITE.

DANIEL E SÔNIA POR ALI, APREENSIVOS. ANDAM DE UM LADO PRO OUTRO. APARECE O MÉDICO.

DANIEL: ENTÃO, DOUTOR? O QUE TEM A MINHA MULHER?

SÔNIA: FALA DOUTOR? ESTOU ANSIOSA. É GRAVE O QUE EU TENHO?

MÉDICO: NÃO SE PREOCUPE. NÃO É NADA GRAVE. VOCÊ ESTÁ APENAS GRÁVIDA.

(DANIEL E SÔNIA TOMAM UM SUSTO.).

SÔNIA: GRÁVIDA?

DANIEL: É VERDADE, DOUTOR? SÔNIA ESTÁ GRÁVIDA MESMO?

MÉDICO: GRAVIDÍSSIMA. PARABÉNS!

(NA REAÇÃO DE ALEGRIA DELES, CORTA PARA…)

 

FIM DO 2º CAPÍTULO.-” ”>-‘.’ ”>

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