RANCHO GOLDER, TRIBO DO FOGO- 7 ANOS ANTES
Um homem alto de aproximadamente 40 e poucos anos, está no meio de um campo na fazenda sorrindo e admirando alguém. Ouve-se a voz de uma adolescente.
— Olha, pai! Eu estou conseguindo!
— Parabéns, minha Kira! Eu sabia que em pouco tempo você conseguiria aprender a montar a cavalo.
Kira tinha 12 anos nessa época, seu pai se chamava Grannus, um homem gentil e que sempre se deu bem com todos à sua volta.
Pouco tempo depois de andarem a cavalo, eles estão debaixo de uma árvore admirando a paisagem.
— Eu já te contei a história de como eu escolhi o teu nome, né?
— Sim, foi por causa de uma escudeira viking.
— Exatamente isso. E você sabia que essa escudeira viking também tinha os cabelos da cor do fogo igual você?
— Sério, papai?
— Sim, minha filha. E sabe uma coisa que essa jovem escudeira nunca fazia?
— O quê?
— Desistir. E você, Kira, é tão forte e tão corajosa como ela, mesmo com tão pouca idade. Você é a cara da tribo do fogo, deveria ser o símbolo daqui.
— O senhor acha que um dia eu posso me tornar uma sacerdotisa?
— Mas é claro que sim, por que não?
— A professora na escola disse que todos os sacerdotes da nossa tribo foram homens.
— Bom, isso é verdade. Mas não quer dizer que seja uma regra. Você pode quebrar esse tabu e ser a primeira sacerdotisa da nossa tribo.
— Então quando eu tiver idade pra participar do torneio, eu vou me inscrever e vou ganhar.
— É assim que se diz, meu amor. O próximo torneio será daqui há 7 anos, você estará com 19 anos, está dentro da idade certa para participar.
— Então daqui há 7 anos, papai, eu vou entrar naquele torneio e vou vencer! E o senhor e a mamãe vão se orgulhar muito de mim.
— Você já é o nosso orgulho, minha filha.
Grannus a abraça e beija em sua testa.
2 ANOS DEPOIS…
Kira, aos 14 anos, está lendo um livro para o seu irmão Airon, que tinha 6 anos na época.
— … E eles viveram felizes naquele castelo por toda a eternidade.
— Mana, a gente também vai morar em um castelo?
Kira sorri com a inocência de seu irmão.
— É claro que sim, meu cabeção.
Ela dá cafuné e faz várias cócegas nele, enquanto isso Estela está parada com um bule de chá nas mãos estática olhando para o “nada”.
Kira ao perceber isso, chama a atenção dela.
— Mãe? Tá tudo bem?
Ela vira para ela e pra Airon.
— Eu… Eu não sei… De repente me deu uma sensação muito ruim.
USINA DE CARVÃO
Trabalhadores estão em polvorosa na usina, parece que alguma coisa errada está acontecendo. Um deles chama por Grannus.
— Ei, Grannus! Está acontecendo alguma coisa com a caldeira, venha ver.
Grannus acompanha o rapaz e os trabalhadores estão tentando fazer aquela enorme caldeira funcionar.
— O que está acontecendo?
— Parece que a válvula emperrou, não estamos conseguindo fazer manualmente.
— Deixa-me tentar.
Grannus vai até a válvula da caldeira tentar puxar, mas nada está adiantando. Outros tentam ajudar.
Um dos trabalhadores que estava um pouco mais afastado, percebeu que a caldeira começou a tremer, uma pressão estava começando a desencadear de dentro dela.
— Pessoal?
Eles continuam ali ainda sem perceber o que está acontecendo.
— PESSOAL, CUIDADO!
Antes mesmo deles notarem o que estava acontecendo, a caldeira explode com o superaquecimento e atinge a todos os trabalhadores que estão ali presentes, inclusive Grannus.
Horas mais tarde, Estela abre a porta de sua casa e um mensageiro está ali. Vemos apenas Kira espiando pelo canto da parede, o homem tirando o chapéu e Estela começando a chorar totalmente arrasada. Kira com idade suficiente pra entender o que estava acontecendo, teve que lidar com a terrível pergunta de uma criança inocente ao seu lado.
— O papai já chegou?
3 dias depois, Kira se encontra na tumba de seu pai.
— Eu vou cumprir a minha promessa, pai. Eu vou me tornar a sacerdotisa do fogo, eu juro pela minha vida que vou! E eu nunca vou desistir!
Naquele momento, a promessa de Kira passaria a estar valendo, e como ela mesma disse ao pai, seu momento de prestar o torneio chegou. Ela conheceu pessoas, passou por alguns problemas, mas continuou sendo ela mesma.
Entretanto, ter sua própria identidade parece não ser o suficiente para ganhar esse jogo, e agora a jovem se encontra em um beco sem saída.
Seu coração pulsa e sente que deve continuar, mas as circunstâncias estão contra ela, e sua vida e permanência no torneio, estão por um fio.
O soldado está vindo na direção de Kira, ela levanta a cabeça e lágrimas saem de seus olhos. Ela observa aquele soldado holográfico chegando a galope na direção dela. Magnus do lado de fora da arena gritando, os seus amigos quase descendo da arquibancada em total desespero.
O soldado empunha a sua espada e se posiciona para dar o seu ultimato. Kira olha para ele e aceita o seu fim.
— Me desculpa, pai… Eu não consegui!
OPENING:
EPISÓDIO 5:
“CORAÇÃO EM CINZAS”
ATO I
Magnus está a ponto de invadir a arena em desespero.
— KIRA!!
Quando o soldado holográfico está prestes a atingi-la com sua espada, ele desaparece.
— SIMULAÇÃO PAUSADA.
Niel se aproxima e pede para que os colaboradores verifiquem como Kira está. O tempo parou faltando 20 segundos para concluir, mas o que mais assusta foi que de 3000 pontos, Kira está com apenas 15 pontos de vida.
Mesmo se continuar, ela não tem mais chance de conseguir passar.
Kira ainda está no chão impactada com o ocorrido. Magnus quer entrar na arena, mas os staffs não permitem.
— Eu preciso saber como minha amiga tá, deixe-me vê-la.
Niel conversa com Kira.
— Kira, você está bem? Se machucou muito?
— Eu… Eu não sei.
— Acho melhor finalizarmos de vez o jogo, você não tem mais condições de continuar.
— NÃO!
— O quê?
— Eu quero continuar!
Na plateia, todos impressionados. Ali começa a murmurar alto.
— Ai, garota! Desiste logo.
Villy, da tribo da água, chama a atenção dela.
— Ela é da tua tribo, sua imbecil! Como você quer ser sacerdotisa sendo que não dá suporte nem pras pessoas da tua tribo? Tá fazendo o quê nesse torneio?
Ali fica sem graça e não encontra argumentos para responder.
Niel tenta convencer Kira de parar o jogo.
— Kira, você tem apenas 15 pontos de vida, mesmo se você levar um arranhão mínimo agora, você vai chegar a 0. Quer mesmo arriscar sua saúde física por mais 20 segundos e ainda correr o risco de perder?
— Sim (Levantando-se). Eu prefiro mil vezes perder por ter arriscado do que não arriscar e ficar na dúvida sobre o que teria acontecido se eu tivesse continuado. Eu fiz uma promessa ao meu pai antes dele morrer, que eu nunca iria desistir, e eu pretendo manter essa promessa.
Em casa, Estela e Airon assistem aquilo com emoção.
— Eu não cheguei aqui pra desistir, se eu tiver que ser eliminada, eu serei eliminada pelo meu próprio mérito. Nunca iria me perdoar ao saber que eu só não cheguei na final porque eu decidi não continuar uma prova. Por tanto… Eu quero continuar.
As pessoas na plateia ficam cada vez mais aflitas, os amigos de Kira impactados com o que está acontecendo. Vendo a situação atual, Willa não consegue se conter e se levanta de onde está sentada.
— Gente, ela pode ser nossa adversária no jogo, mas todos aqui estamos querendo ganhar assim como ela. Se todos nós nos unirmos seremos mais fortes, então vamos dar força pra ela!
Collin, concordando, diz:
— Estou de acordo, essa garota não veio aqui pra nadar, nadar e morrer na praia. Vamos mandar toda energia positiva pra ela.
Willa puxa um coro e pouco a pouco os demais seguem ela.
— KIRA, KIRA, KIRA, KIRA, KIRA, KIRA.
Na tribo do fogo, Estela e Airon escutam vozes nas casas, Airon vai até a janela e vê o movimento daquelas pessoas torcendo por sua irmã.
— Olha, mãe! Os vizinhos estão gritando pelo nome da Kira.
E não apenas na tribo do fogo, outras tribos vizinhas se compadeceram pela situação da jovem, e estão mandando todas as vibrações positivas possíveis pra ela. O apresentador do torneio, Edger, narra os acontecimentos.
— HISTÓRICO! Kira acaba de provocar um movimento totalmente inédito na história do torneio, todas as tribos estão se unindo em prol da garota. Que poder é esse?
Kira sente todo aquele amor e aquela energia emanando das pessoas que a cercam. Rapidamente o semblante de esperança voltou a pairar sobre ela.
Ela que até então estava prestes a desistir, já havia aceitado que aquele era o seu destino, agora poderá ganhar uma segunda chance para chegar até a final.
Ela faz um movimento com as mãos pedindo permissão para falar.
— A tribo do fogo, durante o passar das décadas, sempre ficou conhecida por ser uma tribo muito machista e liderada majoritariamente por homens. É a tribo que menos deu oportunidade ou voz para as mulheres. A misoginia por parte de alguns, fizeram com que muitas de nós não fossem levadas a sério, que nós éramos um mero instrumento de corte e costura. E está tudo bem, somos boas em fazer isso, mas raramente você fica sabendo de uma garota que puxou uma carroça pra levar feno, uma garota que ficou de guarda na porta de um castelo, uma garota que tivesse um cargo de chefia nas instituições, uma garota que liderasse no grande exército e acima de tudo, uma garota que fosse sacerdotisa.
As pessoas da tribo assistem o discurso de Kira, atentamente.
— Eu falei com o meu pai que um dia… Eu me tornaria sacerdotisa, e que eu seria a primeira mulher sacerdotisa da tribo do fogo. O meu pai dizia que meus cabelos são da cor do fogo, que se tem uma pessoa que é a cara da nossa tribo, sou eu. Então eu sinto muito se eu tenho apenas 15 pontos de vida dentro de 20 segundos do meu tempo, a minha chama só vai se apagar, quando meu coração se transformar em cinzas.
Fie e as outras garotas emocionadas. Magnus do lado de fora da arena, com semblante de orgulho.
— Eu vim para vencer! Eu vim pela minha mãe e meu irmão que estão em casa e devem estar me assistindo nesse momento. Eu vim pelo meu pai que lutou até o fim para me dar um futuro digno, eu vim pela minha melhor amiga que está ali na arquibancada me assistindo, eu vim pelas pessoas que eu conheci aqui neste torneio, eu vim pela nossa tribo, eu vim… POR VANIDIAN!
Em todas as tribos, um grito de júbilo da população é ecoado, todos estão mais do que nunca esperançosos com a decisão de Kira.
Na arena, Niel dá o ultimato.
— Certo, Kira. Iremos respeitar a sua decisão. Daremos um minutinho pra você se realocar e daremos continuidade.
— Obrigada, Niel.
Kira retorna para o meio da arena. Ainda está com seu arco e flecha, ela se alonga, respira fundo, tenta ignorar as dores dos impactos que sentiu durante o jogo. Ela depende desse momento.
Niel dá a ordem:
— ATENÇÃO, COMPUTADORES! Iremos continuar a contagem da Kira em 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1…
— SIMULAÇÃO EM ANDAMENTO.
Começou a segunda chance de Kira. Como ela vai conseguir se manter ilesa até o tempo acabar? Kira começa a se concentrar e pensando consigo mesma.
— Se eu pelo menos conseguisse, se eu pelo menos pudesse usar a magia, se eu pelo menos pudesse despertar… A magia ancestral.
Enquanto está perdida em seus pensamentos, os soldados começam a aparecer.
— Eu precisava fazer algo diferente, algo que viesse do fundo do meu coração, talvez eu deva… Talvez eu deva ir além das minhas limitações.
Kira tira o seu arco das costas, vai para trás e devolve o arco no suporte.
Magnus olha aquilo incrédulo.
— Mas o que ela tá fazendo?
Kira decide pegar a espada. Ela segura, fecha os olhos, respira fundo.
— Se eu tão somente usar a chama que arde dentro de mim… Talvez eu consiga.
Kira retira a espada do suspensório. Todos na plateia e os que estão assistindo em casa estão tentando entender o que ela está querendo fazer.
Kira está de olhos fechados, concentrando-se apenas em seus próprios extintos.
— Eu sei que eu consigo, eu sei disso.
Dois soldados holográficos a cavalo estão se aproximando.
Todos estão desesperados porque Kira está de costas para eles segurando a sua espada. Ela concentra toda a sua energia nela.
De repente, um pequeno vapor em brasas começa a emanar de suas mãos. Aquela energia vai irradiando para a espada e pouco a pouco a espada começa a tomar outra coloração.
De dentro de seu gabinete, Elin está em pé observando aquela cena.
— IMPOSSÍVEL!
No comitê secreto, o homem misterioso também se atenta bem ao que está vendo e conseguimos ver pela sombra do seu capuz, ele dando um sorriso de canto de boca.
De volta à arena, a plateia assiste aquilo, impressionados.
— Eu não vou desistir… EU NÃO DESISTO NUNCA!
A espada que até então só estava mudando a sua coloração, se transforma em uma tocha flamejante pronta para dilacerar o “inimigo”. Kira vira, dá um salto girando e acerta os dois soldados de uma vez. Mas nos segundos finais, outros 4 apareceram, mas agora terão que encarar uma Kira totalmente diferente de minutos atrás.
Kira salta de uma das pedras, acerta um dos soldados, toda vez que passava com aquela espada, o brilho das chamas ofuscava todo o ambiente.
Ela segue sua jogada sem dar o braço a torcer e acerta o outro. Faltando apenas 10 segundos para o fim, ela volta para o local onde as armas se encontram, pega uma das flechas, acende ela com a chama da espada, corre na direção dos dois soldados faltantes. Então ela arremessa a flecha em um deles e, em seguida, com sua espada, acerta o segundo em cheio.
Kira conclui o golpe “pousando” no chão. O tempo zera, a chama da espada se apaga e ela volta ao normal.
— CANDIDATA KIRA TIERMAN, TRIBO DO FOGO… CLASSIFICADA!
Todos aplaudem e comemoram a vitória de Kira. Na sua casa, Estela e Airon pulam do sofá comemorando muito, o galo volta para a janela e começa a cantar.
As tribos que assistiam, celebram a vitória da jovem do fogo. Kira chora emocionada, todas as circunstâncias estavam contra ela e ela conseguiu.
Os membros da staff retiram ela de lá, Magnus vai imediatamente até ela, a abraça levanto-a no colo. Kira fica um pouco sem graça a princípio, mas não o privou desse gesto.
— Você só me dá orgulho, Kira. Eu sou muito grato por ter conhecido uma mulher tão corajosa como você.
— Obrigada, Magnus!
Fie, Frida, Eloy e Ícaro descem da arquibancada e vão direto abraça-la.
Kira fica emocionada com todo carinho que está recebendo. O mundo inteiro a está assistindo, e certamente depois deste dia, a humanidade se lembrará de Kira Tierman.
Niel dá um recado para todos.
— Faremos uma pausa de 15 minutos para reorganizarmos o cenário e em seguida continuaremos com a prova.
Os amigos de Kira a acompanham até a arquibancada. Fie diz:
— Amiga, eu fiquei com tanto medo. Achei que fosse até perder você daqui do jogo. E você está bem? Tá muito machucada?
— Eu vou ficar bem, não se preocupem, gente. Agora o susto passou, e só respirar, tomar uma água e aguardar os demais participantes. Ainda faltam o Ícaro e a Frida pra participarem, não é?
— Sim, eu tirei o número 20. Estou muito nervoso.
— Eu sou a número 15, e agora depois do que eu vi que vocês, e principalmente a Kira, passaram. Não vou subestimar esse sistema. Preciso estar muito atenta.
COMITÊ SECRETO.
O homem misterioso conversa com Morbius.
— Você viu aquilo que eu vi, Morbius? Aquela garota… Não acredito que está acontecendo o que eu estou pensando.
— Creio que ainda está muito cedo para tirar conclusões precipitadas, senhor. Talvez ela só teve um pouco de sorte.
— Não, meu querido Morbius, emanar tanto poder assim sem nunca ter praticado a arte da magia, não é sorte, é dom. Estamos de fato vivenciando o centenário do conflito dos santos.
— Então o senhor acha que…
— … Não tenho a menor dúvida. Esta garota é descendente direta do primeiro sacerdote do fogo.
Minutos se passaram, e as provas continuaram, a medida que avançavam, elas se tornavam mais difíceis. Os dois candidatos que vieram depois de Kira, foram eliminados. Agora é a vez de Frida encarar o jogo. Ela conseguirá?
— PREPARAR PARA A BATALHA SIMULADA. TEMPO NA TELA: 2 MINUTOS. PONTOS DE VIDA: 3000. COMEÇANDO EM 5, 4, 3, 2, 1… JOGO AUTORIZADO!
Frida resolve usar o arco e flecha, acontece que ela já é uma caçadora nata de sua tribo, e certamente não poderia ter escolhido outra arma melhor.
O primeiro soldado aparece, ela não perde tempo e mira acertando-o. O segundo vem da parte de trás, Frida não dá o braço a torcer e o atinge antes mesmo dele chegar perto.
Na arquibancada, os garotos estão vibrando ao ver o desempenho da amiga.
Dois soldados holográficos surgem a cavalo na direção dela.
— Então vocês é que tiraram a paciência da minha amiga, é?
Kira mira no soldado da esquerda, em seguida mira no da direita. Ela recarrega o arco rapidamente e mais três soldados surgem, dessa vez, dois vindo pela frente e um atrás.
Ícaro assiste com as mãos no queixo de nervosismo.
Frida corre para o lado da arena e acerta o soldado que vinha mais atrás, entretanto outro soldado aparece atrás dela na lateral e a atinge fortemente fazendo com que ela “voe” dois metros de distância.
Kira e os outros ficam aflitos. Frida perde 560 pontos de vida.
Edger comenta o evento.
— Pessoal, quero frisar a todo o público que está nos assistindo que este ano apenas dois garotos da tribo das sombras estão participando. Agora ao vivo vocês estão vendo Frida Albers na arena, e junto aos demais na arquibancada, está Ícaro Messiah. Será que eles vão conseguir chegar na final do torneio?
Na arena, Frida se levanta e percebe que eles não estão para brincadeiras. Os outros dois soldados vêm na sua direção, ela salta de uma das pedras, atira em um deles.
Em seguida, ela toma impulso e corre pela arena, ela observa o tempo, tem urgência em finalizar a prova. Mas não quer correr o mesmo risco que sua amiga correu, precisa manter outro tipo de jogo.
Ela espera que o soldado volte a atingi-la. Então ela desvia e começa a correr em círculos pela arena. O soldado a persegue da mesma maneira que ela está correndo sem cortar caminho.
Finalmente Frida decide dar o seu ultimato. Faltando 20 segundos para o jogo acabar, ela se deita no chão para que o soldado passe direto e, em seguida, ela se levanta e atinge a flecha nele. O soldado se dissipa, ainda faltam 10 segundos.
Outro aparece nas costas de Frida e ela, sem mesmo olhar para ele, mira a flecha para trás e o acerta em cheio. O tempo, enfim, finaliza.
— CANDIDATA FRIDA ALBERS, TRIBO DAS SOMBRAS… CLASSIFICADA!
Os garotos vibram pela classificação de Frida. Enfim uma representante da tribo das sombras, passando pelas fases eliminatórias.
Outros participantes vão fazendo sua rodada antes de chegar a vez de Ícaro. Três deles foram eliminados, apenas um passou. Finalmente chegou a vez de Ícaro. Será que ele vai conseguir passar dessa prova?
Minutos depois, Ícaro faz o pareamento com o sistema e, em seguida, vai escolher uma das armas.
Ele pensa em escolher o arco e flecha como sua amiga fez, mas não sabe se teria a mesma pontaria que ela, pensa em escolher a espada, mas ficou em dúvida sobre o seu desempenho nela. Então finalmente decide pegar o machado, Ícaro pode ter apenas 18 anos, ser baixo e com o corpo um pouco mais robusto, mas ele tem braços fortes e talvez será a melhor arma para ele utilizar.
Apanha o machado, volta para o círculo de pareamento.
— PREPARAR PARA A BATALHA SIMULADA. TEMPO NA TELA: 2 MINUTOS. PONTOS DE VIDA: 3000. COMEÇANDO EM 5, 4, 3, 2, 1… JOGO AUTORIZADO!
Começou a partida de Ícaro. Na transmissão ao vivo, Edger fala com seus espectadores.
— Estamos vivenciando momentos emocionantes na 10ª edição do torneio, senhoras e senhores. Ícaro Messiah é o segundo candidato da tribo das sombras a participar neste ano. Será que ele terá o mesmo bom desempenho de sua colega?
Na arena, Ícaro não consegue disfarçar o seu nervosismo, ele tenta se concentrar ao máximo até que o primeiro soldado aparece.
Ícaro gira o machado na direção dele e o acerta.
Na arquibancada, seus amigos estão aflitos assistindo. Ícaro se recupera para mais uma rodada.
Outro soldado aparece a cavalo, mais uma vez ele tenta usar o mesmo movimento que fizera com o anterior, mas acaba se desiquilibrando e faz com que o soldado em questão acerte a sua perna.
— Aaai!
Frida segura suas duas mãos com força.
Ícaro perde 180 pontos de vida.
Kira tenta dar forças a ele de onde está sentada.
— Vamos, amigo! Você consegue.
Ícaro se levanta, sabe que desistir está fora de cogitação neste momento. Ele precisa mostrar a todos que estão ali presentes, que a tribo das sombras ainda tem solução.
Em sua casa, seus pais estão assistindo bastante aflitos ao ver o filho naquela situação.
Na arena, Ícaro tenta se manter firme na prova. Outro soldado aparece, dessa vez Ícaro consegue desviar e acerta o machado nele.
Mas conforme o tempo vai passando, a prova vai se tornando mais intensa e cruel. Três soldados aparecem: Dois a cavalo e um correndo.
Ícaro consegue derrotar com facilidade o soldado que vinha na sua frente, mas não teve o reflexo necessário para driblar os outros dois a cavalo, e o jovem é terrivelmente atingido.
— Aaaai!
A tribo das sombras fica em choque assistindo. Ícaro perde 530 pontos de vida.
O jovem começa a pensar consigo mesmo sobre tudo o que passou.
— A tribo das sombras no momento é alvo de piadas, boicotes, muitos me julgam pela minha cor, pela minha pouca idade, mas só eu sei o que passei, só eu sei o que meus pais passaram. Eu não posso dar esse gostinho a eles, não posso deixar que consigam me derrubar.
Ícaro está mais determinado do que nunca a vencer, mas vai ter que enfrentar os próximos obstáculos a seguir: 4 soldados a cavalo.
— Essa não.
Os 4 se dirigem até ele, Ícaro vai para trás. Atrai os 4 até a outra extremidade da arena. Ao chegar ali, ele aguarda que os 4 cavalheiros o ataque.
Ao chegarem, Ícaro deita no chão fazendo com que os 4 se choquem contra a parede magnética da arena.
Ícaro fica feliz por sua ideia ter funcionado, mas ele precisa entender que os segundos finais desse jogo são imprevisíveis.
Outro soldado aparece de lado e sem dar tempo necessário de Ícaro reagir, ele acaba sendo atingido e gira duas vezes até cair no chão. Frida se levanta da arquibancada desesperada.
— ÍCARO!
Ícaro perde mais 720 pontos de vida.
Ele está caído ao chão, precisa urgentemente tomar uma atitude antes que seja tarde.
— Eu… Eu não posso desistir… Não posso.
Ícaro vai se levantando, seu machado está no chão. Ele se movimenta para apanhar o machado, mas não dá tempo.
Outro soldado a cavalo está vindo diretamente na sua direção.
Ícaro está sem saída, não vai conseguir se desviar a tempo, não vai conseguir pegar o machado, não vai conseguir fazer nada, e um golpe frontal assim pode te custar seríssimos danos nos seus pontos de vida.
Ele irá aceitar o seu destino? Perder essa prova e ser eliminado?
— Meu Deus, não posso… NÃO POSSO PERDER!
Ícaro estende a mão tapando seus olhos com o medo de se machucar muito com o impacto do soldado holográfico. Ele permanece de olhos fechados, intacto.
Todos na plateia observam aquilo impactados. Ícaro está tentando entender o que está acontecendo, já deveria ter sido atingido naquela altura do campeonato, o que poderia ter dado “errado”?
Quando Ícaro abre os olhos novamente, suas mãos criaram um escudo fumê que bloqueou a atividade do soldado. Ele olha para aquilo incrédulo, até que por fim o soldado se dissipa.
Naquele momento, Ícaro ativou a sua magia das sombras.
Após ficar alguns segundos boquiaberto com o que aconteceu, a contagem chega a zero.
— CANDIDATO ÍCARO MESSIAH, TRIBO DAS SOMBRAS… CLASSIFICADO!
Os amigos de Ícaro vibram da arquibancada. Lucy e sua “gangue”, certamente detestou a vitória do garoto.
Ícaro é ajudado pelos staffs a sair da arena e ele ainda está atordoado pelo o que aconteceu. Ele volta novamente para a arquibancada e é recebido com saudações e abraços de seus amigos.
Após a participação de Ícaro na prova, vieram mais outros participantes, 2 deles passaram, e 1 foi eliminado. No atual momento está participando o 25º e último candidato da segunda prova: Tin Sioli, da tribo do trovão.
Tin possui o mesmo nome do deus etrusco Tinia/Tin, que comandava os trovões e relâmpagos na mitologia etrusca. Tin tem 1,80, um homem extremamente belo, robusto, com barba, cabelos castanhos claros, possui 22 anos, mas seu físico o deixa parecido com um homem mais maduro. Um candidato sagaz e mortal para seus concorrentes.
Tin preferiu esconder as suas habilidades no teste de aptidão de magia, porque queria participar dessa prova, ele queria mostrar que é praticamente o deus do trovão.
O tempo está em 30 segundos, Tin está parado na arena. 4 soldados holográficos a cavalo se encaminham na sua direção. Ele coloca a espada no chão e diz:
— Podem vim, seus idiotas!
Quando eles se aproximam, os olhos de Tin começam a brilhar e ele libera uma descarga elétrica das suas mãos e do seu corpo e rapidamente consegue fazer com que o mecanismo daqueles hologramas fossem destruídos.
Por mais que Niel tenha dito que a magia não funciona com os hologramas, essas crianças estão mostrando totalmente o contrário. “Se me feres, também serás ferido”.
Tin termina de realizar seu feito e sua enegia se dissipa e seus olhos voltam ao normal. O relógio termina a contagem.
— CANDIDATO TIN SIOLI, TRIBO DO TROVÃO… CLASSIFICADO!
Todos aplaudem, Eloy fica completamente impressionado com as habilidades de Tin.
— Vocês viram aquilo, galera? Como pode ele ter tanto poder assim?
Ao encerrar a prova, Niel diz:
— Parabéns, candidatos! Vocês agora são o Top 30 do Torneio!
Somente 30 candidatos continuaram no jogo, quais novos desafios esperam por eles?
ATO II
PALÁCIO REAL DE VANIDIAN, 1 HORA DEPOIS.
O rei Orfeu retorna ao palácio bastante contente com a maneira que conseguiu ajudar a população da tribo das sombras. Entretanto, ele encontra uma Dora com um semblante nada feliz.
— Dora? O que aconteceu, meu amor?
— Preciso te contar uma coisa, Orfeu. É sobre o torneio.
— O que houve com o torneio?
— Outro garoto morreu.
Orfeu em choque.
No salão do prédio do torneio, as crianças estão ali conversando umas com as outras. Kira está sorridente conversando com seus amigos e Willa se aproxima dela.
— Oi, com licença. Kira, não é?
— Oi, sim, sou eu mesma.
— Não fomos apresentadas pessoalmente, eu me chamo Willa Sawyer, sou da tribo do ar (estendendo a mão para cumprimentar).
— Ah muito prazer em conhecê-la, Willa.
— Olha, eu preciso te parabenizar pela sua coragem lá dentro da prova. Aquilo que você fez foi incrível! E não estou falando apenas por ter despertado a sua magia ancestral, mas pelo o que você representou para todas as mulheres de Vanidian. Você deu coragem a elas. Acredite, se eu tivesse em casa te assistindo, iria me sentir a mulher mais motivada do mundo, você é realmente muito necessária, Kira. Espero sinceramente que você se torne sacerdotisa.
— Nossa, eu… Eu não tenho nem palavras. Muito obrigada pelo apoio, Willa, e… A gente vai se falando, também espero que você se torne sacerdotisa do ar.
— Assim espero. Até logo!
— Até!
Tin está sentado próximo a uma das janelas amarrando o cadarço de sua bota. Eloy chega por ali tímido e procurando uma maneira de puxar assunto.
— É… Oi!
Tin levanta a cabeça e olha para Eloy. Ele se levanta para cumprimenta-lo.
— Oi, você deve ser o Eloy, não é? Muito prazer, Tin Sioli.
— Prazer, mas… Como sabe o meu nome?
— Bom, quando vi você usando aquelas habilidades na prova, precisei decorar o seu nome, você é muito ágil, isso é ótimo para pessoas da nossa tribo.
— Mas você é grande e forte, e ainda por cima poderoso, se tinha tanta magia assim, por que não usou no teste?
— Justamente porque eu queria participar da prova, abri mão da minha imunidade mesmo com o risco de poder ser eliminado, porque eu gosto muito de me desafiar.
— Uau! Você é muito corajoso então. Tão corajoso e poderoso como o Telmar, o nosso sacerdote.
— Sim, naquele momento no dirigível eu até pensei em ajudar, mas quando vi o Telmar indo ajudar a sacerdotisa do ar, já sabia que estávamos em boas mãos. Sabe, eu evito usar magia gratuitamente pra não chamar tanto atenção das pessoas. Como os irmãos Andreas que todo mundo aqui sabe que eles são poderosos e conjura magia da luz desde crianças.
— Isso é verdade. Eu… Eu não tenho nada de magia, nem mesmo na prova eu consegui despertar alguma coisa.
— Quanto a isso, não se preocupe. Existem dois ditados que se correlacionam no mesmo tempo que se contradizem. O primeiro é “Quem não é visto, não é lembrado”. E o segundo é “Prego que se destaca, leva martelada”. Eu prefiro ser alguém que manteve a sua essência e identidade até o fim do que tentar me adequar aos padrões de Vanidian, sabe? Então acho que você deveria fazer o mesmo.
— Você tem razão. Muito obrigado, Tin!
— Por nada, garotinho. A gente se vê por aí.
PALÁCIO REAL DE VANIDIAN
Orfeu está sentado tentando processar tudo o que Dora lhe contou.
— Isso não pode estar acontecendo, por que esse garoto fez isso?
— Também não sei dizer, Orfeu.
— Já avisou ao conselho e aos sacerdotes?
— Ainda não, pedi até mesmo para a Niel manter isso em sigilo total até a sua volta.
— Ótimo! Um escândalo é o que eu menos quero provocar aqui.
— E para não dizer que tudo são espinhos, os dois candidatos da tribo das sombras passaram na prova da batalha simulada.
— É sério? Isso é muito bom. Ah! E falando nisso… Vamos ter uma ajuda a mais nos próximos dias até o fim do torneio.
— Sério? De quem?
— Não sei se vai se lembrar dele. Eric Vanderveelt.
— Esse não foi o sacerdote das sombras da oitava edição?
— Ele mesmo.
— Mas eu pensei que os antigos sacerdotes da oitava geração pra baixo nem quisessem mais se envolver nisso.
— Foi o que eu pensei também, mas ele se ofereceu para ajudar até o torneio acabar e nomear o novo sacerdote das sombras. Se caso essas duas crianças forem eliminadas, ele terá que assumir o sacerdócio até o próximo torneio.
— Bom, vamos torcer para que tudo dê certo daqui por diante.
ÁREA EXTERNA DO PRÉDIO DO TORNEIO- 20H00
Magnus decidiu reunir seus amigos para uma roda de conversa do lado de fora e acenderam uma fogueira. Com ele estão: Kira, Fie, Glaus, Daian, Eloy, Ícaro e Frida.
Antes mesmo de formarem o grupo, Willa está na área, e Kira a avista.
— Ei, Willa! Por que não se junta a nós?
— Tem certeza?
— Claro!
Willa se aproxima deles e se assenta na roda.
— Oi, gente. Eu sou a Willa da tribo do ar.
Todos em uníssono:
— Oi, Willa!
Fie cochicha com Magnus.
— Ih, Magnus, pelo visto a gente vai ter mais companhia, olha quem tá vindo ali.
Magnus olha para trás e vê os irmãos Andreas se aproximando. Ele se levanta. Munique pergunta:
— Eu sei que é estranho, mas… A gente pode se juntar a vocês?
— Claro, por favor, vocês são bem vindos! É uma honra.
Vladimir e Munique se assentam na roda.
Magnus pega um alaúde (um instrumento de corda muito parecido com o violão), algumas tribos também possuem a música como parte de seu hobby. Magnus toca algumas notas e depois diz:
— Bom, pessoal. Eu quis trazer vocês nesta pequena reunião improvisada pra a gente conversar um pouco, conhecer uns aos outros. Não sei nem se a Niel vai deixar a gente ficar aqui, mas como ainda tá cedo, vamos aproveitar esse momento. Estamos todos neste torneio vivendo um sonho, e eu tenho certeza que todo mundo aqui veio por um objetivo, e não apenas vir por vir. Então… Queria que cada um de vocês falasse um pouco de vocês, mas antes disso… Preciso passar a palavra pra nossa guerreira do fogo, Kira! A gente já viu quais são suas intenções e seus objetivos aqui no torneio, pois ela falou tudo lá na arena, mas eu queria saber, Kira como você fez aquele lance com a espada?
— Ai, gente. Eu não sei, sabe? Acho que eu fiquei me lembrando de todas as coisas que já aconteceram comigo, a frustração por não ter poderes como muitos outros da tribo do fogo, a promessa que eu fiz ao meu pai, à minha mãe e ao meu irmão… Tudo isso foi formando uma bola de neve aqui dentro, sabe? Então algo dentro de mim fez com que eu largasse aquele arco e flecha e pegasse a espada. Então… Me concentrei naquele momento e aquele poder, aquela chama de dentro de mim começou a incendiar de dentro do meu peito. Esse fogo se projetou nas minhas mãos e, em seguida, irradiou para a espada, não sei como explicar, foi… Foi incrível!
— Olha só, que legal! Acho que todos nós aprendemos alguma coisa nessa última prova. Bom, acho que agora eu quero conhecer mais sobre você: Fie.
— Eu?
— Sim, eu sempre a conheço como a melhor amiga da Kira, mas nunca sei quem é a Fie. Diga pra a gente, Fie: Quem é você?
Fie suspira e se prepara para começar a falar.
— Oi, gente. Meu nome é Fie Dober, tenho 18 anos, e como sabem, sou da tribo do fogo. Bom… Eu procuro não falar muito sobre mim porque às vezes não me sinto confortável em falar. A minha família sempre foi muito humilde tal igual a da Kira, e hoje meus pais são comerciantes na nossa tribo. Meio que eles foram forçados a seguirem esse ramo, pois… Bom… Eu sempre costumo travar quando eu chego nessa parte.
— Se não se sente confortável, não precisa falar, Fie. –Disse Magnus.
— Não, eu quero muito falar, acho que eu preciso.
Kira segura na mão dela.
— Há 7 anos… Meu pai trabalhava na mesma usina de carvão onde o pai da Kira também trabalhava. Ele… Ele foi o cara que viu que aquela caldeira estava com defeito e tentou avisar aos operários. Mas… Era tarde demais! A explosão não matou o meu pai, porém… Trouxe consequências sérias. Ele precisou ter uma das pernas amputadas e agora se locomove em uma cadeira de rodas.
Os demais olham para Fie sem acreditar no quão terrível foi o passado da jovem.
— Desde então, meu pai vive reclamando de tudo e de todos, nada tá bom pra ele, minha mãe se mata de trabalhar e eu tento ajuda-los como posso, mas apenas com a minha boa intenção, eu não vou chegar a lugar nenhum. Há 2 anos eu descobri que na capital, no centro de Vanidian, com toda a sua tecnologia ultra avançada, diferente das tribos… Eles já possuem próteses robóticas para substituir a perna do meu pai, e foi por isso que eu quis entrar no torneio. Se eu ganhar e me tornar sacerdotisa, eu vou ajudar o meu pai a conseguir uma prótese para a sua perna e tentar fazer com que essa tecnologia chegue à tribo do fogo. Eu sei, eu não tenho uma história mirabolante cheia de grandes aventuras, mas… Essa sou eu, não tenho muito a oferecer, mas o pouco que tenho, eu ofereço de coração. E estar aqui com minha amiga acabou me dando forças… E é por isso que eu não irei desistir.
Fie termina de discursar, os demais não sabem se aplaudem ou apenas falam palavras de conforto, não é bem o momento de aplausos, mas eles entenderam as palavras dela. Magnus dá procedimento.
— Eu tenho certeza que você vai chegar muito longe aqui ainda, Fie… Então, quem quer ser o próximo?
— Eu posso falar?- Se oferece Eloy.
— Claro, Eloy. Fique a vontade.
— Oi, gente! Meu nome é Eloy, tenho…
Eloy olha para os lados, vê que tem pessoas ali que não sabem de sua idade e fica receoso em contar. Magnus o orienta.
— Tá tudo bem, Eloy. Acho que todos estão aqui em um único propósito e sem julgamentos, prossiga.
— Bom, eu tenho 17 anos, eu sei, eu sei, muito novo para o torneio, eu passei na seleção por pura sorte, pois eles não queriam deixar eu passar até eu ter 18 anos totais. Mas não queria deixar escapar essa oportunidade, pois no próximo torneio eu não teria mais idade, então… Quando eu lia histórias da nossa tribo, de grandes coisas que ela já fez e faz pelas outras tribos… Eu fiquei muito empolgado com tudo aquilo! Eu queria saber mais, eu queria obter o conhecimento pra poder ajudar mais pessoas. Meu pai e minha mãe tiveram a mim ainda muito novos, eu era uma “criança problema”, posso dizer assim. A minha imperatividade, minha mania de nunca ficar parado em um canto ou de boca fechada nos momentos oportunos já fizeram tanto meu pai quanto a minha mãe perder vários empregos. Não tinha ninguém pra cuidar de mim e qualquer babá que era contratada, acabava desistindo depois de 3 dias porque eu realmente era e sou muito elétrico. Espera, eu sou da tribo do trovão, não é?
Eles riem discretamente.
— Bom… Mas teve um dia que… Teve um dia que eu achei que meu coração iria sair pela boca. Foi quando eu me levantei da minha cama e fui espiar na sala e vi meus pais conversando. Isso foi há 1 ano atrás… Eu fiquei esse tempo reprimindo essa parte pra não aceitar o quanto isso doeu em mim, eu ouvi claramente a minha mãe falando para o meu pai que… “As coisas pra a gente teriam sido muito melhores se nunca tivéssemos tido um filho”.
Os outros olham para Eloy sem acreditar na fatídica frase.
— Eu… Eu… Fiquei sem rumo nenhum e… Eu voltei pro meu quarto e…
Ele suspira e com a voz embargada diz:
— Gente, eu acho que eu vou chorar.
Magnus, Kira e Fie o acalentam.
— Pode chorar, Eloy. Tá tudo bem.
— Eloy, não tem que sentir vergonha, amigo. Nós estamos aqui por você.
— Sim, Eloy. Não precisa se preocupar.
Eloy, chorando, diz:
— É por isso que eu quis vim para o torneio. Porque eu queria ser alguém na vida, eu queria dar orgulho pros meus pais. Eles passaram 17 anos se lamentando e sofrendo por minha causa e essa foi a forma que eu encontrei para que eles finalmente possam me notar como alguém responsável e não como um garoto levado. Eu vim para o torneio… Pra que meus pais conseguissem me amar… Pra que eu deixasse de ser um ninguém.
Ícaro vendo tudo aquilo, diz:
— Não diga isso! Você pode ser qualquer coisa nesse mundo, Eloy. Mas um “ninguém” ou um “nada” é a última coisa que você seria. Você viu que eu estava sozinho e ninguém me dava lugar para sentar na mesa e você se ofereceu para me ajudar. Sem nenhuma malícia ou má intenção, você me ofereceu a sua amizade.
— Muito… Muito obrigado, Ícaro. Eu acho que isso é tudo, gente… Me desculpem pela choradeira, nem eu acreditei que eu chorei.
— Não se preocupe, meu querido.- Disse Magnus.
— Magnus, será que eu posso falar agora?
— Claro, Ícaro. A vontade.
— Bom… Eu me chamo Ícaro, tenho 18 anos e talvez eu seja a última pessoa que um morador de Vanidian gostaria de ver a essa altura do campeonato. Eu não preciso contar as falhas que possuem a minha tribo, porque vocês sabem bem. Eu fiquei enfurecido, mas muito enfurecido que o nosso sacerdote nos abandonou, nos deixou ali para morrer de fome e sede. Meus pais são dois carroceiros que o que fazem para se sustentar, mal dá pra comprar um quilo de arroz. Mas eu quis vir pra cá… Pra poder mudar esse cenário, pra levar a provisão para a tribo das sombras e à minha família, por isso eu quero muito me tornar sacerdote. Porque só assim… Eu posso algum dia recuperar o prestígio que nossa tribo tinha… Obrigado!
— Muito obrigado, Ícaro! E já quero te avisar que você têm sido uma pessoa sensacional desde que pisou os pés aqui. Bom… Frida, quer falar alguma coisa?
— Sim, claro… Olá, gente, eu me chamo Frida Albers, tenho 21 anos, e como sabem, assim como meu parceiro Ícaro, eu sou da tribo das sombras. Bom, eu acho que… Uma pessoa vinda de uma família bem humilde como eu, tem sim seus motivos para estar no torneio e talvez o que pareça ser banal para uns, para mim é importante. Desde sempre sofri discriminação por conta da minha cor como se isso fosse um cartão-postal para carimbar o meu caráter. “Macaca, babuína, crioula” era alguns dos adjetivos que eu escutava. Mas o racismo estrutural começa quando justo a tribo das sombras é a tribo com a maior quantidade de pessoas pretas. Parece que eles mesmos quiseram associar as “Sombras” com “Escuridão”, e praticamente fez com que boa parte da população dessa tribo fossem negros ou pretos, como vocês preferirem falar, eu não me importo que falem “negros” pra nós, com tanto que não seja em uma conotação ofensiva.
Os garotos ficam atentos ao que Frida diz.
— Uma coisa que a Kira pontuou muito bem lá na arena é sobre como as nossas tribos sobrevalorizam algumas coisas e dá descaso em outras, como ela mesma falou que na tribo dela, nunca houve uma sacerdotisa. Infelizmente o mundo em si já é dominado majoritariamente por homens, o patriarcado, por sua vez, na medida que corrige e lidera, também oprime e destrói. E não digo tão diferente do feminismo, pois se vemos como comparativo à tribo da água, as mulheres que mandam, e está tudo bem, mas sempre me incomodou os extremos de ambos os lados. Eu sou uma jovem de 21 anos, preta, que veio para esse torneio com o objetivo de quebrar tabus, de fazer com que as pessoas percebam que há como conviver pessoas brancas e pretas juntas, pessoas de uma tribo com outras, homens com mulheres, pessoas de orientações sexuais diferentes e é nisso que eu acredito. A minha tribo já sofreu demais! E eu quero mudar isso. Então… Acho que é isso.
Magnus, em tom de brincadeira, estende um de seus braços e diz:
— Caramba, Frida. Você me deixou todo arrepiado com esse discurso.
Todos riem. Kira concordando, diz:
— Não é, gente? Ela é maravilhosa!
— Não é pra tanto, gente.
— Bom, alguém mais quer falar?
Willa estende a mão.
— Eu… Gostaria de falar.
— Claro, fique a vontade.
— Boa noite, gente. Meu nome é Willa Sawyer, tenho 21 anos e sou da tribo do ar. Confesso que jamais imaginei que entre um intervalo de uma prova e outra nesse torneio, eu estaria aqui diante de uma fogueira acesa à noite rodeada de pessoas que até então, eu nem sequer conhecia. Eu vim de uma família oriental, como vocês mesmo já devem ter percebido os meus traços, acho que boa parte da população da tribo do ar, possui traços asiáticos, mas nem todos, claro. A Minerva, nossa sacerdotisa, não é oriental, outros que estão aqui no torneio também não são. Eu tenho um irmão, o nome dele é Cassius Sawyer. Ele é mais velho, tem 23 anos, e acredite, ele era a pessoa mais bem preparada para participar deste torneio, mas infelizmente ele já não tinha mais idade para participar e me convenceu de todas as maneiras de vir. Eu não queria, pra ser sincera, meu irmão é um artista marcial incrível, soube dominar a arte de luta oriental com a arte da magia ancestral da nossa tribo. Antes de vir pra cá, ele me disse uma frase, que só agora ela veio fazer mais sentido do que pensei: “Vá e lute com honra. Se não voltar como sacerdotisa, pelo menos não voltará como uma pessoa de má fé”. Aquilo faz todo o sentido, porque… De que vale ganhar o torneio e não ser uma pessoa de boa índole? Bom, não quero me estender muito, só quero dizer que é um prazer estar aqui com vocês e espero sinceramente que venhamos chegar na final.
— Muito obrigado por estar aqui conosco, Willa. Alguém mais?
Munique olha para Vladimir e, em seguida, levanta a mão. Magnus consente com a cabeça dando-lhe permissão pra falar.
— Bom, o que eu vou dizer é rápido, todos vocês já nos conhecem, eu sou a Munique e ele é o meu irmão, Vladimir, somos da tribo da luz e… Nós decidimos estar aqui com vocês esta noite, pois… Eu não quero que vocês pensem que somos os vilões apenas pelo fato de crescer em uma família rica, com privilégios e etc.
— Sim, até porque a gente sempre teve um pensamento muito próprio sobre algumas coisas que acontecem na nossa tribo.
— Eu acredito que isso muito se deve pela nossa família, nossos pais sempre foram muito rígidos com a nossa conduta e faziam questão de estarmos entre as pessoas mais importantes de Vanidian e isso nos fez parecer…
— … Garotos riquinhos, mimados e esnobes.
— Exatamente! E acreditem se quiser, mas temos sim muitas dificuldades de nos relacionarmos com outras pessoas, porque elas parecem que tem medo da gente. Não é, Vlad?
— Sim, sim, acreditam que somos pessoas autoritárias e que vamos julgar vocês por algum motivo qualquer.
— Exato, e não é bem assim. O Vladimir e eu sempre fomos muito na nossa, somos sim pessoas sérias no quesito de que não é sempre que a gente tá brincando, tá sorrindo, mas esse é um jeito nosso. Achei lindo tudo o que a Kira disse, e também a Fie, gostei de ver que o Eloy do trovão, por mais que seja esse garoto sempre pra cima, alto astral, vejam! Ele também tem uma fraqueza, ele tem sentimentos, se eu contar pra outra pessoa que eu vi o Eloy chorando, ninguém vai acreditar, porque a energia e o alto astral dele nos contagia.
— E quero também ressaltar aos nossos colegas da tribo das sombras, Ícaro e Frida, que jamais vamos julgar vocês, seja pela cor da pele ou pela tribo que vocês vieram. Eu sei que pra vocês é difícil acreditar em uma só palavra no que a gente fala, mas… A gente quer mostrar que somos diferentes e que não viemos aqui apenas por uma família de prestígio, mas porque queremos ser bons representantes para a nossa tribo da luz.
— E é isso. Peço que vocês tenham paciência conosco, não somos aquelas companhias de estar conversando o tempo todo, mas se precisarem da gente pra qualquer coisa, não iremos recusar estender a mão… Estamos aqui para somar.
Todos não conseguem disfarçar em nenhum momento que ficaram impressionados com as palavras dos irmãos Andreas. Magnus dá prosseguimento.
— Alguém quer falar mais alguma coisa?
Glaus responde:
— Eu acho que vou deixar pra próxima fogueira, Magnus.
— Tem certeza?
— Sim, tenho. Já está ficando tarde.
— E você, Daian?
— Eu também, acho que é bom a gente processar primeiro e entender a história de cada um e depois a gente fala mais sobre nós, hoje eu só queria escutar.
— Bom, sendo assim…
Ele pega o alaúde.
De dentro do prédio, Niel está observando aquelas crianças pela janela. Magnus dá as notas musicais e todos eles começam a entoar a cantar.
Enquanto cantam ao redor daquela fogueira, com suas vozes suaves e até mesmo angelicais, Niel observa aquela cena sem ser vista. Um dos guardas se aproxima de Niel.
— Senhora, quer que eu…?
— Não, não será necessário, deixa eles. Afinal de contas, não estão fazendo nada de errado. Eles podem continuar.
— Como queira, senhora.
Enquanto cantam, vemos outros alunos em seus respectivos quartos fazendo alguma prece, de joelhos no chão, deitados… Collin, Pablo, Tin e outros escutando a canção e sentindo uma paz em seu interior.
Ao igual que o reitor Maldonado que está em seu escritório e sorri suspirando.
No reino de Vanidian, Orfeu está deitado na cama ao lado de Dora pensativo com tudo o que está acontecendo.
Na tribo das sombras, Eric Vanderveelt se assenta na sua cadeira e abre um livro. No livro, um retrato dele com outra pessoa, possivelmente algum amigo. Eric sorri com nostalgia.
No comitê secreto, o homem misterioso está tomando alguma coisa em uma caneca verde musgo, ele continua a olhar para os televisores buscando alguém ou alguma coisa.
Na fogueira, as crianças cantam e, em seguida, cada um deles vai se retirando e voltando para os seus respectivos quartos.
ATO III
2 HORAS DEPOIS…
Eloy está em seu quarto virando para um lado e para o outro na cama, e por mais que tente dormir, algo o está incomodando muito.
— Aaai, que droga! Eu não consigo dormir.
Um pouco irritado por estar sem sono, Eloy decide se levantar da cama. Ele calça suas sandálias e vai para a porta. Ele sai no corredor, ainda é por volta das 11 da noite, se espreguiça no meio do corredor e percebe que drasticamente, a temperatura começa a cair.
— Que frio é esse?
No quarto de Munique, ela está diante da penteadeira, quando percebe uma friagem sombria no ambiente. Ela sente que algo está errado.
Vladimir está na sentado na poltrona em seu quarto, lendo um livro e de repente um vento gélido entra pela janela fazendo com que as páginas comecem a folhear.
Vladimir se levanta, vai para fora do quarto. No corredor, do outro lado, está Munique.
— Vlad? Você sentiu?
— Sim, minha irmã.
Na ala do trovão, Eloy tenta se movimentar para ir ao banheiro, mas está morrendo de frio. Ele olha para o chão e vê que ele está praticamente congelando, e uma sombra começa a se formar atrás dele.
Eloy vê que aquela sombra está parada, ele olha para trás lentamente. Percebe que não está sozinho.
— Meu… Meu Deus.
É um espectro gigantesco, que está pronto para atacar. O espectro solta algum tipo de grito sobrenatural e Eloy entra em desespero.
— AAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!
Kira e Fie ouvem os gritos.
— Fie?
— Meu Deus, de novo não.
Eloy está correndo desesperado, olha para trás e continua a correr.
— SOCORRO! ESPECTRO! ESPECTRO!
Eloy continua a correr para garantir a sua sobrevivência, mas aquele espectro não está disposto a lhe dar trégua.
Ele chega até a parede do banheiro, para por instantes. Olha pra trás e aquele espectro com seu manto negro provoca uma ferida no braço de Eloy fazendo-o cair de dor.
— Aaaaaai!
Eloy se arrasta e tenta escapar daquela criatura demoníaca. Quando encosta na parede, ele acaba colocando um de seus braços perto de uma tomada. Uma pequena descarga elétrica sai de seus dedos e entra pela tomada causando um curto circuito em todo o prédio.
A escuridão agora domina todo o ambiente. Eloy está sentindo dor e vendo o seu fim mais próximo do que ele imagina.
— Por favor… Não.
Prestes a tirar a vida de Eloy, Vladimir aparece do lado esquerdo do corredor, atrás de Eloy, e conjura uma magia de luz.
— SAIA DAQUI, DEMÔNIO!
O espectro se retorce com a magia de Vladimir.
— Eloy, fica pra trás!
— TOMA CUIDADO!
O espectro provoca uma ventania que arremessa Vladimir contra a parede.
— NÃO!
Do outro lado do corredor, os garotos aparecem desesperados. Kira, Magnus e Fie tentam ajudar de alguma forma.
Mas quando eles estão correndo na direção deles, outro espectro surge do solo e fica flutuando na frente deles. Os três jovens ficam em total desespero.
— Meu Deus, Magnus! O que a gente vai fazer?- Grita Kira.
Quando o espectro se aproxima dos três, Munique chega com sua magia de luz e conjura contra a criatura.
— FIQUE LONGE DA GENTE, CRIATURA IMUNDA!
Do outro lado dos corredores, em sua ala, Ícaro e Frida aparecem ali e testemunham o evento.
Munique está se esforçando ao máximo para segurar a opressão do espectro contra eles, mas a criatura se mostra ainda mais forte e atinge o seu rosto fazendo com que ela caia próxima à parede.
— MUNIQUE!- gritam Kira e Fie.
Elas tentam acudir a amiga, a criatura mira a direção nelas, Magnus se coloca na frente.
— NÃO! VOCÊ NÃO VAI MACHUCAR AS MINHAS AMIGAS!
O espectro envolve o seu manto negro no corpo de Magnus e, em seguida, sai da galeria voando com Magnus e o leva para o alto, no meio do salão da instituição.
— NÃO! ME SOLTA! ME SOLTA, SEU DESGRAÇADO!
— MAGNUS! MAGNUS! – Se desespera Kira.
Os demais candidatos saem de seus quartos, Niel aparece em um dos corredores e vê Magnus no alto sendo ameaçado por aquela criatura.
— NÃO! ISSO NÃO PODE TÁ ACONTECENDO!
Magnus se sente sufocado, não consegue lutar contra o poder surpreendente daquela criatura.
— Por que não me mata logo, seu desgraçado? Hein? POR QUE NÃO ME MATA??
A criatura desenrola o seu manto no corpo de Magnus e automaticamente o jovem começa a cair de uma altura de 50 metros.
— NÃO!! AAAAAAHH!!
Kira e Fie vão para o batente da galeria, todos olham aquela cena, uns tapam os olhos esperando pelo pior.
Magnus cairá e Kira já sente a perda e entra em desespero.
— MAGNUS! NÃOOO!!!!
DIA 10 DE AGOSTO, NÃO PERCAM O GRANDE LANÇAMENTO DO SINGLE: “CORAÇÃO VALENTE”
O QUE ACHARAM DESSE EPISÓDIO? ACHAM QUE MAGNUS VAI CONSEGUIR SOBREVIVER DO ATAQUE DO ESPECTRO?
Comente aqui embaixo e não percam o próximo episódio.







Gostei muito do título desse capítulo e de conhecer um pouco mais dos personagens desse universo. A espada da Kira pegando fofo ficou muito legal consegui imaginar direitinho e gostei dos irmãos da tribo da luz se juntarem ao grupo.
Fico muito feliz que tenha gostado, minha amiga.