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Casa dos Autores – Contos da Prova 3

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PLANETA FELICIDADE

Oswaldo Sthel

Àquela floresta era o habitar mais lindo que se podia ter ideia, nela os animais não só viviam mas transformavam a vida em canto e luz, a vida era colorida: O macaco pulava fazendo malabarismo no vento e nos galhos de forma que os seus cipós ao serem lançados desenhavam letras no vento mas para o pequeno Júnior, um pequeno chimpanzé a vida era sem graça e triste, ele não era feliz, andava entediado pelos cantos, nada lhe acontecia que lhe pudesse trazer alegria e contentamento.

Júnior não sabia o que pensar por que a cada dia que passava apesar de tudo o que lhe acontecia de bom e que com certeza lhe daria um sorriso, era motivo para amarguras e tristezas, segundo ele a tristeza não estava com ele e sim com os outros, acreditava que a própria mãe natureza agia com preconceito quando lhe mandava chuva e ele não podia sair para sequer tomar banho de rio e se lambuzar em mel alheio, coisa que fazia para passar o tempo. Quando não estava assistindo o Show das Invenções vivia sentado, acalentava no coração e uma mala puída que guardava debaixo da cama as fotos de um passado que ele queria esquecer mas o tempo e saudade fazia questão de trazer a tona, fotos de um passado que segundo ele era feliz mas não queria admitir.

Passava o dia assistindo pela TV o Show das Invenções, programa de interatividade em que os mais sábios e seletos participavam, os ganhadores eram contemplados com prêmios em dinheiro, a alegria nos olhos de tantos era de fazer inveja e ódio para Júnior que queria viver um pouco essa alegria, mas para ele seria algo impossível, já que vive sozinho, foi abandonado quando pequeno, sorte que as vezes encontrava banana pelo caminho mas só, as pessoas que ele achava que poderia lhe ajudar, não tinha nem como pedir ajuda, era só olhar e para ele ela já o encarava com aquele olhar reprovador

Júnior as vezes refletia: Como eu queria ser um inventor dotado com dois cérebros e três mentes capaz de revolucionar o mundo e a floresta ai sim eles me dariam valor eu seria rico e famoso e tenho certeza que felicidade não me iria faltar. Calarei a boca dessas pessoas que me reprovam e me acha um ser inferior e desprezível ai como eu tenho ódio de Teddy, Clotilde e todas essas corjas que vivem aqui, quem eles acham que é, acham que é melhor que eu? Mas um dia eu ainda irei provar que quem rir por último rir melhor.

Um belo dia ele acordou com a decisão de que iria ser rico e famoso a todo custo como o Jacaré de Papo Amarelo o último ganhador milionário do Show das Invenções, para isso ele precisava falar com a Coruja Sabiana, a líder e idealizadora do programa, Sabiana vivia no galho da seringueira mais comprida da floresta e tinha a mania de ser a mais inteligente de toda aquela floresta, e era, com um olhar inerente a um só lugar fora questionada pelo Júnior por que vivia olhando para aquela montanha e ela lhe respondeu sem sequer desviar seu olhar do horizonte:

— Quem disse que estou olhando para a montanha você não vê aquele cascalho depois da montanha?

– Não… – retrucou Júnior tentando focar no seu alvo.

– Então com certeza você não viu aquele Tucano apoiado na Seringueira depois daquele cascalho.

Júnior poderia continuar falando mas a coruja nunca iria revelar em que de fao estava olhando pois seus olhos sempre estavam querendo enxergar o que vinha depois, querendo alcançar o inalcançável, e cada vez mais Júnior tinha fé e esperança de que ela mostraria a fórmula para conseguir de fato o que tanto necessitava: A verdadeira Felicidade. Então sabendo a que veio Sabiana lhe confiou a fórmula para que ele próprio conseguisse inventar a felicidade, isso encheu Júnior de ainda mais fé, que com aquele projeto em mãos ele seria feliz, Sabiana garantiu que se ele seguir o manual, ele conseguirá chegar em seu intento.

Júnior então se propôs, porém o manual não lhe explicava direito, para a construção ele teria que encontrar ingredientes difíceis de se encontrar que para ele e muitos seria praticamente impossível, mas ele queria a todo custo, ele sonhava e idealizava uma felicidade perpétua e duradoura.
Seu primeiro ingrediente seria mel, mas não um mel comum, era um mel doce, um mel adocicado com um leve toque de alcaçuz, era doce como a felicidade e uma verdadeira amizade que só seria encontrado com Teddy, seu amigo de infância que não vê a muito tempo, e que morava numa casa de doces e era conhecido como o comilão da floresta, ele sabia que teria que fazer uma viagem. Porém o maior dragão de sua missão era sua consciência e orgulho que faziam questão de derrubá-lo.

Caminhando sobre pontes, fugindo de panteras e abelhas, pulando rios, e fugindo de caçadores, enfrentando tudo e todos finalmente seu olhar alcançou o cume de uma montanha que parecia criada por uma verdadeira confeiteira, seu cume descia como verdadeiro chantilly e ele já poderia experimentar de longe o aroma que emanava dos arredores.
Cruzando o cume como um explorador ele reconheceu aquela pequena cada, simples e humilde e doce se recordando do tempo de moleque quando se banhava na cachoeira de chocolate, subia pela montanha de algodão doce e conversava sobre futilidades, encrencas e artes que não tinha nada de seriedade mas sim algo valioso: A Amizade. Mas ele não estava atrás de recordações de um passado que ele fazia questão de deixar para trás pois acredita que ficou na história e merece ser esquecido, ele está atrás de sua verdadeira missão inventar a felicidade, e ser reconhecido por toda a bicharada da floresta como o verdadeiro criador do sentimento.

Quando adentrou no lar do pequeno urso o encontrou sozinho fazendo o melado, a casa demonstrava a solidão que Teddy passava, os móveis arredados e cheio de pó, fotos de parentes que quando pequeno conhecia mas
hoje j[a tinham partido, Teddy estava sozinho no mundo igual a ele, tanto tempo de discórdia poderia ter servido para reconciliação e um completar o outro. Mas Júnior mesmo assim não queria saber deixou lembranças de lado. Ver aquele desenho jogar aquela bola, há tempo bom, pensava lá Júnior com esperança e fé de construir a felicidade, ele tinha certeza que quando terminar seu projeto todo mundo iria respeitá-lo na floresta pois afinal de contas será o primeiro macaco construiria uma felicidade e ele poderia ser feliz.

Teddy havia crescido financeiramente, mas nem toda a riqueza do urso o deixava feliz ele sentia as vezes saudades do tempo de infância, o escritório lhe tomava muito tempo, e só sabia comer, ele comia tanto por ficar sozinho que as vezes se sentia tão triste que chorava e chorava, do tempo em que brincava com Júnior de pega pega, bola, nossa e pique bandeira, fazia calo nos pés e nas mãos pulando de galho em galho, seus pais ficavam de cabelos em pé, pulando em cachoeira, por um instante pareceu que Junior estava vivendo aquele momento.

A última vez que lembra de sua mãe era quando ela despediu de Júnior com um beijo na testa e lhe deixou dormindo na árvore quando tinha ele seus dez anos, foi abandonado a própria sorte, talvez ele fosse um peso mas Teddy confirmou que ele sempre queria brincar com ele, mas sempre ficou com receio, teve uma vez que o viu sozinho em casa, mas não quis incomodá-lo pois ele estava feliz vendo TV, resolveu continuar sozinho por que achava que Teddy estava muito mais feliz sem ele.

Enfim na despedida Teddy arrumou os exatos dois potes com mel e colocou alcaçuz em fruta para o aroma ficar mais forte, só aquele cheiro emanado pelos potes fazia Júnior quase se desequilibrar de tão bom e gostoso que era. Antes de sair Teddy quis saber, ele precisava, qual a intenção dele querer os potes, Júnior então contou sobre a história de Sabiana e do projeto da felicidade que tem para construir. Teddy estava na maior solidão ele precisava também da felicidade, ele já tentou de todas as formas possível mas ela nunca veio então Júnior se mostrou um amigo que sempre foi, estendeu uma de suas patas e disse “Vem Comigo” vamos juntos descobrir essa felicidade, aquele gesto fez com que Teddy esboçasse um sorriso raro, sorriso esse que anos nunca fez antes.

O que Júnior nem Teddy sabiam é que o segundo teste seria bem mais desafiador do que o primeiro, o primeiro, conseguir o mel foi fácil afinal de contas Teddy já foi seu amigo, sua essência e amizade estavam lá, era só procurar que iria encontrar. Porém precisava falar com Clotilde, uma lagarticha de poucos amigos, resmungona e temperamental, ela tinha a fama de mal educada e tirar conclusões precipitadas, na verdade essa era a versão de Júnior. Ela havia acabado de sair de sua casa de chapéu de pescador, xale marrom e uma bolsa, porém ela não carregava o item mais importante para Júnior, sua bengala mágica, pois esse item é essencial para a construção da sua felicidade. Clotilde andava esquecida e aquele dia havia deixado para trás sua bengala por isso mancava de uma perna r demorava um século para dar meia dúzia de passos.

Aproveitaram que Clotilde havia esquecido a bengala em sua casa, era a ocasião perfeita, ela não estava lá e a bengala estava sozinha, era raro ela ficar sem a bengala, aquela foi a chance que Deus lhe deu, pensava Júnior.

A bengala era esperta ficava se escondendo entre as portas, tinha vida própria, então eles tiveram uma ideia, Júnior dependurou no lustre e o Teddy jogou mel para que algumas formigas que faziam algazarras com a bengala devolvesse o objeto, elas zombavam de Clotilde que era caolha, e mal dava para vê-la durante toda a vida Júnior achou que ela sempre tinha maus pensamentos sobre ele, por que olhava para ele com uma face séria e desprovida de graça, mas agora Júnior sabe que Clotilde era praticamente cega e custava achar sua bengala por conta das formigas que ficavam escondendo. Júnior se sentiu mal, ele agiu com ela da mesma forma que acreditou que os outros tivesse agido com ele, aquele momento seu coração apertado parecia gritar querendo sair da boca para falar com Deus e pedir perdão ao criador, pois se sentia mal, tão mal que se um leão passasse naquele momento ele era capaz de se entregar para ser devorado pelo remorso e culpa.

Mas nada disso o deixou abater pois Clotilde lhe guardava algo bem mais precioso que seu fim, uma carta antiga que sua mãe havia lhe deixado, lhe deixado para que ele pudesse entender e raciocinar agora que já era maduro, ela lhe abandonou mas não por que quis por que lhe fora obrigada a deixar o lar, pois sabia que Clotilde iria alimentá-lo todos os dias, ela que levava a banana para ele desde quando sua mãe lhe deixou, Clotilde havia guardado muito dinheiro e até hoje vive dessa renda, a mãe de Júnior que não podia sustenta-lo foi em busca de trabalho e sustento, ela era grande e forte, saberia sobreviver, e júnior um macaco pequeno e frágil e não conseguiria ver seu filho passar fome.
Naquele momento Júnior caiu por terra, suas rótulas se abarcaram no chão, suas mãos repousaram sobre as finas canelas de Clotilde e um beijo lhe tocou, era um beijo sincero, sincero que lhe trouxe algo bem mais agradável do que fora buscar, arrependimento e sinceridade, certeza de que lá tem uma amiga, uma amiga verdadeira para toda a vida, e assim por um instante ele até se esquecera do que fora buscar em sua casa, mas logo depois veio a mente de Júnior era a bengala mágica, a bengala que lhe fez recordar e reviver uma história única que ele jamais vivera em toda sua vida.

Porém sua jornada ainda não terminou Clotilde estrava triste por que sentia aflição e novamente ficaria sozinha com as formigas que só lhe atrapalhavam em casa, mas Júnior e Teddy precisava partir. O macaco novamente tomou seu projeto dado pela coruja e resolveu que agora mais do que nunca conseguiria fabricar a felicidade, já tinha os potes de mel e a bengala mágica capaz de caminhar lado a lado com seu desejo e ânsia que está em busca e agora, seu desejo mais fatal e praticamente impossível.

Vivia em uma toca escura que jamais ninguém entrou por medo e vivia escondida Florinda, a tarântula devoradora de macacos, todos que passam lá principalmente os macacos fugiam por medo, porém quando a dona das oito patas desceu uma enorme rocha úmida seus olhos como diamantes lhe mostraram o maior tesouro na vida dos três Florinda não era grande, muito mesmo uma tarântula devoradora de macacos, a sombra que fazia aumentava seu tamanho mas na verdade era uma aranha de parede que tinha sentimentos e sofria refeição e apontamento dos outros. Júnior novamente foi tocado com o maior remorso que pode se ter e ele sem medo algum da “aranha devoradora de macacos se aproximou da enorme rocha onde o animal se apoiara com toda dificuldade: 

Por que você tem medo de mim? – Quis saber Júnior ao nota-la se afastar um pouco:

“— Mas é você que tem medo de mim.”

Ninguém conseguiu entender, Florinda se achava feia e todos se afastavam dela, inventando histórias e boatos que todos acreditavam sem verificar se de fato eram verdade, a aranha lhe tocou e viu em seu sorriso e olhos trêmulos a mesma macaca que vira a dois anos e se lembrou de um antigo pedido e súplica. “-Diga a meu filho para me procurar aqui.” Todas as horas que Florinda tentava falar com Júnior lutando contra seu medo e recriminação que talvez sofreria por parte do macaco tentava várias vezes lhe passar o recado pois sabia que mãe e filho jamais poderiam ficar separados, sua mãe havia vencido na vida e fundado o Planeta da Felicidade, um planeta lindo e feliz e convivia com muitas pessoas e havia entregue a Florinda quatro passagens apenas de ida: 

Para Júnior, Teddy, Clotilde e Florinda. Porém agora juntos e unidos com um laço eterno e magnânimo os quatro amigos sabiam que teriam que decifrar o código do cadeado da floresta, apenas seletos conseguiria abri-lo e para isso teriam que ter conhecimento para saberem seu código porém Sabiana, também misteriosa guardiã do ugar disse que Teddy havia encontrado o segredo e no mesmo instante aquele forte cadeado se rompeu e a prisão da floresta e a tristeza abriu o mundo para os quatro amigo, agora juntos e como nunca felizes. Tudo o que viveram foi deixado para trás e partiram rumo ao verdadeiro planeta da felicidade onde o que importa é a família e os amigos: A verdadeira Felicidade que Júnior acaba de recriar, por que ele um dia já a possuiu.

FIM

 

 

MARCAS DE MINHA VIDA

César Péstolazzi

Quando eu tinha apenas oito anos de vida vi minha mãezinha morrer no parto do meu irmãozinho. Meu pai estava completamente arrasado, pois não perdeu apenas a mulher amada, uma metade de se foi embora. Para eu ver papai naquele estado era muito difícil, mais difícil ainda era olha para meus cinco irmãos e saber que mamãe não estava mais ali para cuida deles para cuidar de nós. – Só lamento que o tempo de muitos seja tão curto para entender a história da humanidade, “pois o que transforma a vida são as marcas deixadas pelo tempo” Eu como irmã mais velha sentir na obrigação de ajudar papai a cuidar deles e foi assim que eu fiz, comecei a trabalha de sol a sol na colheita de algodão acordávamos muito cedo antes do sol raia. Sendo assim passou-se seis anos, e papai estava muito doente, e um tio meu ligou para nós dizendo que iria vim buscar. Assim mudamos para a fazenda do velho Serafim onde, trabalhamos bastante ,e conhecer um rapaz.
Era noite de São Bartolomeu a fazenda festejava alegremente com muitos fogos e chegava a sondar os ouvidos a capela que lá situava estava totalmente lotada. Preambulando Igreja a fora de longe eu avistei um príncipe, ou melhor, dizendo um anjo, foi amor à primeira vista, trocamos olhares e logo ele me convidou pra da uma volta, e acabamos que namorar por uma noite. Estava apaixonada sentia que ele gostava de me, eu também gostava muito dele. Passaram-se alguns dias e ele resolveu ir até a minha casa pedir a minha mão em ao meu pai casamento, no começo papai não gostou muito mais logo depois aceitou. Passou-se cinco meses e o estado de saúde de papai agravou e infelizmente ele veio a falecer.
Só que isso não foi a pior coisa que aconteceu na minha vida, um casamento longo de 15 anos lá estava eu grávida de seis meses pela sétima vez a felicidade era imensa eu e minha irmã mais nova que morava comigo fizemos uma viagem até a cidade de Salinas em Minas Gerais para visitar um tio que estava muito doente. Isso no lugar onde nós morávamos meu esposo ficou com os nossos filhos. Ficamos na cidade de Salinas por sete dias na volta de viagem tive um mau pressentimento achei que era normal, pois poderia ser causado pela viajem, logo na chegada até a rodoviária, minha irmã Maria estava a me esperar juntamente com o meu cunhado André. Logo de cara levei um susto, pois não era de costume deles ir me buscar, logo minha irmã encheu os olhos de água e começou a chorar eu já desesperada comecei a grita perguntando o que tinha acontecido com os meus filhos ela dizia que não era meus filhos então eu tornei perguntar:
— Foi Manuel não foi Maria? — Ela virou para mim e diz:
— Oh Joana, Ricardo matou Manuel.
Nesse exato momento o meu mundo desabou, comecei a perguntar com isso poderia acontecer já que os dois eram tão amigos. A todo custo eu queria ver o corpo dele então a minha irmã me pegou pelo braço
— Joana o Manuel está morto! — olhando no fundo dos olhos dela perguntei novamente.
— Quando foi que aconteceu isso?
— Há três dias.
Nesse meio tempo Ricardo fugiu para casa de um tio dele em Limeira [SP]. Passou-se um mês e eu comecei a travar o pé na cachaça para ver se passava aquela dor, e a solidão insuportável que tinha dentro de me, mais isso só piorou a minha situação, até que em uma segunda feira à noite quando estava dormindo e vi o Manuel que já estava morto aparecer para me abraçando e dizer:
— Joana não se preocupe, todo noite eu irei vim visitar você e nossos filhos, pare de chorar a justiça será feita, pois a carta esta chegando.
Eu fiquei com aquilo na cabeça. Passou três dias e por ironia do destino Ricardo tinha uma esposa aqui, ou melhor, dizendo uma amante… Um carteiro chegou com uma carta procurando tal de Adelaide, eu achei estranho e acabei recebendo a carta, claro porque ela era a minha vizinha pegou esta carta e fiquei com ela em casa, mais a curiosidade foi tanto que eu acabei abrindo a e para a minha surpresa a carta era de Ricardo. (Não poderia ser verdade aquilo, mas foi) Na carta ele fazia declarações de amor a ela.
— Adelaide meu amor cheguei aqui na casa do meu tio em Limeira há quinze dias já estou trabalhando na colheita de café pega este dinheiro que está no envelope e venha para cá. Na carta estava o número da casa, nome o bairro e o nome da cidade. No mesmo instante eu peguei a carta e levei a delegacia então o Delegado daqui que na época era João Canabrava deu total autoridade para que a polícia de lá pegasse ele e foi assim que aconteceu, ele foi pego lá e em seguida foi transferido para cá e foi condenado a seis anos de prisão. Creio eu que cedo ou tarde a vida se encarrega de dar o troco. A crença de que um dia a justiça chega para todos pode ser o único caminho quando a esperança está por um fio” e foi assim que aconteceu.

 

 

EM BUSCA DA FELICIDADE

Douglas Aganetti

Sabe aquele dia que você acorda e parece que nada vai bem? Que sua vida parece desabar, tudo aquilo que você faz da errado e seus sonhos ficam cada vez mais distantes de tornarem realidade? Pois então, me encontro exatamente dessa maneira, acordei hoje com aquela vontade de não ter acordado, tudo o que eu mais queria era está em paz comigo mesma, mas me perco entre os mais loucos pensamentos.
Me chamo Maribel Soares e tenho 20 anos. Hoje, eu, necessito de um lugar de paz, um tempo a sós comigo mesma, onde a minha única companhia, seja eu mesma, preciso tirar um tempo para mim para me encontrar, para arrancar da minha mente os pensamentos perturbadores que me atormenta dia após dia. Entrar em harmonia comigo mesmo é o que eu mais queria, deixar de ser uma sonhadora e partir para algo que realmente seja real, que não exista somente nos livros de romance que eu insisto em viver mergulhada.
Então chega! Não adianta nada eu ficar aqui deitada olhando para o teto sem tomar nenhuma atitude. Decidi que não posso desistir e não posso deixar de lutar por tudo o que eu acredito, pulei da cama como se eu soubesse o que fazer para mudar toda essa situação, calcei minhas sandálias, fui até o toalete, olhei pro espelho e vi ali, alguém que tinha perdido as esperanças e que não consegui mais acreditar nas coisas simples da vida, não acreditava mais nas pessoas e o mais difícil já não acreditava que o amor verdadeiro pudesse ser vivido, rapidamente escovei meus dentes e fui até o guarda-roupas, peguei várias peças, mais nenhuma me agradava, até que achei um vestido branco estampado com pequenas margaridas que há muito tempo eu não usava, me arrumei de forma imediata, peguei apenas uma maça para comer no caminho e sai sem direção. Enquanto eu andava sem mesmo saber para onde eu ia, lembrei-me de um lugar que Juliette, minha amiga, havia comentado. A Ju, um dia me disse que sempre vai para esse lugar quando nada já não faz mais sentido na vida dela e que lá ela consegue se reencontrar com sigo mesma, consegue se libertar dos mais difíceis pensamentos e sim consegue tomar aquela difícil decisão de continuar a vivendo cada passo do seu propósito.
Após andar alguns minutos, enfim, cheguei no lugar onde minha amiga renascia. Me deparei com algo inacreditável, como poderia eu nunca ter estado nesse lugar, morando apenas algumas quadras? Agora me vejo aqui, parada a alguns metros de um lago de águas cristalinas, onde é possível escultar o canto dos pássaros, apreciar a beleza das árvores que balançam suas galhas com a leveza do vento, pessoas andam de um lado por outro realizando suas caminhadas matinais. Senti, que sim, ali era o paraíso que eu tanto precisava, o lugar que eu pudesse respirar e não me sentir sufocada pela mistura de sentimentos latiam dentro do meu coração. Me aproximei do lago de forma lenta, queria observar cada detalhe de tudo aquilo que eu enxergava, fui cada vez me aproximando mais, quando cheguei finalmente perto eu podia enxergar o fundo do lago, onde peixes nadavam calmamente, olhei para o céu que possuía poucas nuvens abri meus braços, fechei meus olhos e pude assim como as arvores sentir a leveza
do vento em meu rosto, um vento que não era tão gelado, mais que era suficiente para refrescar minha alma. Fiquei ali, parada de braços abertos, sentindo algo que a muito tempo eu não sentia, um sentimento de que tudo poderia se renovar, que havia possibilidades de sonhar, nesse momento um leve sorriso apareceu em meu rosto, o que eu estava sentindo era algo extremamente bom, uma lagrima então escorreu dos meus olhos, mas eu sabia que não era uma lagrima de tristeza e sim de esperança.
Comecei então a tentar entender tudo o que estava acontecendo dentro de mim, comecei a me perguntar como eu poderia estar tão mal? Tão desacreditada de mim? Tão descontente se algo que eu mais queria na minha vida tinha acabado de acontecer. Meu melhor amigo, Jean Carlo, ou melhor o “cara” por quem eu estou apaixonada, se declarou para mim! Foi algo inacreditável, foi mais do que eu havia sonhado, foi de uma forma que superava minhas expectativas. Mas entendi que o medo e a insegurança ainda reinavam dentro de mim, me impedia de tomar qualquer decisão que eu não poderia aceitar amar alguém se as minhas piores cicatrizes, estavam ali se debatendo, implorando para ficarem quietas dentro do meu peito me impedindo de fazer o que eu tenho vontade, me fazendo desacreditar do que era realmente verdadeiro. Foi ai então, que finalmente entendi o que estava acontecendo, toda essa bagunça era apenas uma enorme insegurança, uma insegurança de alguém que foi imensamente ferida por um amor tóxico que havia sido idealizado com base nos romances que eu lia nos livros e assistia na televisão, um relacionamento baseado em brigas, ciúme, discussões sem fim, eu passei por um relacionamento dos piores e mesmo assim eu não conseguia me afastar e deixar pra traz aquilo que me fazia mal, fui dependente, tive crises de abstinências. Foram tantos pensamentos de uma única vez que senti como se o mundo tivesse calado, ficado mudo, eu não escultava mais nenhum som, parecia ter me desconectada de mim mesma; sentei-me no chão, e desabei, chorei tudo e mais um pouco que eu tinha pra chorar, foi aquele choro sentido, que expressava dor e ao mesmo tempo liberdade, senti que eu precisava ser mais inteligente e aprender que nem todas as pessoas são iguais e que só dependia de mim mesma aceitar viver somente aquilo o que eu merecia viver, que era impossível e injusto eu trair o meu próprio coração e renunciar o que existe de mais importante nessa vida: o amor verdadeiro.
Após algumas horas ali, sentada e pensativa eu já me sentia, pronta para enfrentar o que eu precisava enfrentar, precisava viver aquele amor, sentir aquela sensação de ser amada, foi então que quando eu desviei o meu olhar, vi entre os trocos das arvores, alguém que me parecia familiar, vi um homem que vinha caminhando em minha direção, ele andava de forma rápida, parava e fazia algumas perguntas a outras pessoas, parecia um pouco apressado e preocupado, foi chegando cada vez mais perto, era moreno, de porte físico sarado e estava sem camisa, usava um boné com aba pra trás, tinha traços inconfundíveis, sim era Jean Carlo, o amor da minha vida. Por um instante eu apenas admirava aquele homem lindo, só queria sair correndo e abraçá-lo e falar com ele que sim, quero te amar, quero ficar com você para o resto da minha vida, mas enfim eu travei, meu estomago parecia ter um milhão de borboletas, eu
tremia e não consegui me levantar do chão, eu tremia tanto que fui ficando gelada e cada vez mais gelada, e quando finalmente Jean se aproximou eu simplesmente não aguentei e desmaiei. O que eu estava sentindo foi tão forte que realmente eu não aguentei, acordei nos braços dele, que me gritava chamava e dizia que me amava, por um instante eu pensei que era um sonho, mas não era, era real. Após me recuperar, retomar a consciência, fomos para debaixo de uma árvore e começamos a conversar de tudo o que estava acontecendo, claro, primeiro ele me deu uns puxões de orelha por não, ter respondido suas mensagens durante a madrugada e por sair de casa tão cedo sem falar nada pra ninguém e eu só conseguia admira-lo e olhar para seu rosto e ver todos o movimentos que sua musculatura facial fazia enquanto ele fala de forma tão preocupado comigo, aquela boca carnuda e meio avermelhada, aqueles dentes brancos, aquele hálito tão cheiroso, aquele olhar profundo que olhava dentro dos meus olhos, uma olhar poderoso que me conectava a ele, um olhar que acessava de forma mágica o meu coração, fui me aproximando dele, coloquei minhas mãos em seu rosto, e fazia pequenos movimentos de carinho, ate que então quando me deparei eu havia o beijado; meu Deus foi o beijo mais gostoso da minha vida, um beijo que expressava amor, que me fazia sentir nas nuvens, um beijo que tanto eu desejei agora era realidade, estava tão bom que nem eu e nem ele conseguíamos parar de beijar, até tentávamos, pois afinal precisávamos conversar, mais aquele momento era mais forte do que tudo o que já tinha imaginado.
Eis, que chega a hora de conversamos sobre o que estava acontecendo entre nós, tentar entender quando foi que esse amor começou, como tudo isso aconteceu? Nós nos conhecemos no ensino médio, logo nos primeiros dias de aula, tornamos o trio maravilha. Eu, Jean e Juliette sempre formos inseparáveis, nunca tinha olhado para ele como homem, ou como alguém com quem eu pudesse me apaixonar perdidamente, até sei que Juliette e ele tiveram alguns “lances”, andaram de “bitoquinhas” por ai, mas foi algo que acabou logo. Tudo começou a mudar entre a gente quando Jean se tornou também o melhor amigo do meu irmão e já não saia mais lá de casa, até que um belo dia, durante uma sessão de filme que fizemos na minha casa, surgiu a brincadeira de verdade ou consequência e durante a brincadeira uma das consequências que eu deveria cumprir era dar um beijo em Jean, dali pra cá tudo foi se transformando, mas eu ainda via ele como um amigo e o beijo era apenas pela brincadeira e assim, foi durante muitos e muitos anos. Ju, vivia me dizendo que ele era apaixonado por mim, só que eu menina madura aqui, diga-se de passagem, não dava muita bola para ele que ainda era um moleque imaturo e tímido. A vida foi tomando outras proporções, eu comecei a namorar, com o Diogo que era o garoto popular e desencanado da escola. Sim! Ele é o desgraçado que acabou com minha vida e durante todo o período desse terrível relacionamento, Jean acompanhou e esteve do meu lado, sempre me escultava, ouvia meus desabafos e não me desamparava, sempre foi aquele amigo que estava ali, para tudo, tudo mesmo! Quando meu relacionamento acabou, foi Jean que me estendeu as mãos cuidou de mim e eu nunca olhei para ele com outras intenções a não ser a amizade, ele era o tipo de amigo que era tão parecido comigo, que me entendia mesmo
quando eu não me entendia, conversava comigo sobre assuntos profundos, me aconselhava, compartilhava dos mesmos gostos musicais e pessoais que eu. Porém, um belo dia ele resolveu seguir sua vida e começou a namorar, quando fiquei sabendo da notícia, pensei comigo que seria somente uma fase, o tempo foi passando, as coisas foram ficando cada vez mais serias e acabamos nos afastando, a namorada dele morria de ciúmes de mim. Comecei então a sentir falta dele do carinho dele, de conversar e estar perto dele, achei que era devido ao tempo de amizade, mas não, foi no dia que vi os dois juntos que percebi que estava perdendo o grande amor da minha vida, e eu tinha dá um jeito de recuperá-lo, tentei de tudo mais um pouco para demonstrar para ele que eu o amava. Juliette, intermediava a situação, vivia colocando lenha na fogueira e armando aqueles famosos encontros por caso entre ele eu, mas de acaso não tinha nada. Para minha alegria o namoro logo terminou e voltamos a ser os amigos de sempre, e foi no dia da nossa formatura que ele se declarou, foi algo tão inesperado para minha pessoa que a única reação que eu tive foi correr e coitado não dei nem sem quer uma resposta para ele, fui correndo para casa e me desesperei, mas que tonta eu né? Queria tanto o “cara” e de repente, uma nuvem de dúvidas estacionou sob minha cabeça e travou toda e qualquer possibilidade de eu amar de novo.
Jean, então me disse que não poderíamos deixar esse momento escapar de nossas mãos novamente, que já perdemos tanto tempo não aceitando que esse amor existe e novamente me pediu em namoro ali mesmo debaixo de uma arvore e perto daquele lindo lago. Sinto que agora não posso deixá-lo partir e preciso responder retribuindo-o como todo amor e carinho, sinto que minha vida começa agora a seu lado. Nos levantamos do chão, olhamos novamente dentro dos olhos um do outro, uma expectativa tomou conta daquele lugar, eu não falava mais nada e ele muito mesmo, nos aproximamos e com um beijo respondi sim a seu pedido. Ah! Eu estava nas alturas, estava andando nas nuvens, meu coração batia e pulava de um lado para o outro dentro de mim de tanta felicidade.
A felicidade que buscamos, muita das vezes esta do nosso lado, e certamente fingimos que não a enxergamos, e com uma sede de amar e de se entregar nesse mundo tão acelerado acabamos procurando onde ela nunca esteve. A vida é única e só pode ser leve quando aprendemos a valorizar quem realmente merece, quando o simples se torna tudo, quando o mínimo é o que realmente importa.

 

A ÚNICA VIDA

Leonardo Lima

A Síndrome de Britzen é uma doença que destrói deterioriza as células saudáveis desencadeiam doenças vitais e acelera a velhice precoce. Morando numa casa simples na Serra da Potiguariba, bairro fictício de Gramado – Rio Grande do Sul, Adriano é portador da síndrome e descobre após um profundo checape. Sua descrença à fé devido ao assassinato dos pais no campo de concentração no ano de 1980, faz com que se curve para a ciência e se dedique fielmente ao trabalho.
No hospital e muito debilitado, os médicos o olhavam sem quase nenhuma esperança. Seus amigos lhe deram forças, menos o seu filho, Anderson, a quem despreza por ser homossexual e a sua esposa, Maria Letícia, por ser uma religiosa fervorosa. Ao se reencontra com Mayara, sua ex-namorada do passado, Adriano se alegra e ela pergunta:
– Como você se sente Adriano?
– Muito melhor, ainda mais com sua presença – Responde Adriano com um sorriso no rosto e os olhos brilhando.
Convalescendo no leito do hospital e com traços de envelhecimento, o cientista continua conversando com a ex-amada, relembrando os bons momentos enquanto estiveram namorando. Após a marcante visita, Adriano se sente mal, é socorrido as pressas e o doutor Alex reforça sua dose forte de remédios. Numa lenta melhor na manhã de uma quinta-feira, o cientista vai até o jardim e o médico residente o leva até a capela e rebate:
– Só você mesmo para me trazer a uma capelinha, sabendo que sou ateu.
Olhando profundamente nos olhos de Adriano, o doutor Alex responde solenemente o paciente:
– O seu estado de saúde é crítico, só um milagre para manter-se vivo. Embora não acredite em Deus, esta será a sua saída.
Adriano pede para ficar sozinho e doutor Alex se retira da capelinha do hospital. O cientista se questiona, chora e relembra os bons momentos que passou com a sua família enquanto esteve saudável. As horas passam e continua a se lamentar. Todos os médicos plantonistas chegam e Adriano continua chorando copiosamente e de olhos fechados até ouvir uma voz dizendo:
– Aqui estou.
Ao abrir os olhos, Adriano vê uma luz branca a sua frente e as lagrimas escorrem lentamente e descrente com o que vê.
Sozinha, no quarto de sua casa e ajoelhada próxima à cama, Maria Letícia abre a bíblia e começa a orar pela cura de Adriano que convalesce com a síndrome de Britzen. Seu choro de dor transparece e a preocupação de Anderson com a sua mãe é evidente. Indo ao hospital, a dona de casa fica pensativa com medo de pregar a palavra de Deus ao marido, embora se rebele contra a sua descrença.
Chegando ao hospital demostrando desespero, Maria Letícia se aproxima de Doutor Alex e conversam sobre o estado de saúde de Adriano:
– Como o Adriano tem respondido ao tratamento?
Com um tom nada animador e de preocupação, Doutor Alex é direto e reto com a esposa do cientista:
– Não podemos fazer muita coisa, os remédios não são eficazes o suficiente contra a síndrome de Britzen. São células mutáveis que prejudica a imunidade e desencadeia outras doenças vitais. A fórmula farmacêutica que iriamos introduzir no remédio foi roubado. Agora é esperar para um milagre acontecer.
O médico ampara a dona de casa que entra em total desespero e deixa a recepção em seguida. No quarto, Adriano continua pensativo quanto à pessoa de luz que emergiu em sua frente e acredita não passar de uma simples alucinação. Ao pegar no livro de Ciências que desenvolveu durante sua graduação, o cientista se sentiu mal novamente e desta vez, perdeu as forças das pernas. Com a doença comprometendo sua vitalidade, Adriano tenta se levantar do leito, mas acaba caindo no chão. Ao entrar no quarto, a dona de casa o socorre e ele pergunta:
– O que faz aqui? Já não disse para ficar em casa? – Responde Adriano com revolta.
Maria Letícia pega Adriano pelo braço e consegue colocar no sofá do quarto e responde o marido:
– Embora você discorde da minha fé, é frígido comigo e com o nosso filho, eu ainda te amo. Jurei amor na saúde, na doença, na riqueza e na pobreza em cima do altar da igreja que nos casamos e irei cumprir esse juramento até o fim.
Desnorteado com a reposta da esposa, Adriano fica pensativo e Maria Letícia deixa o quarto do hospital. Caminhando sozinha, os seus pensamentos se voltam com tudo que vem acontecendo e estranha o tom menos agressivo do marido contigo.
Um mês depois – Num lindo amanhecer em Gramado, Caio deixa a mansão preparado para invadir o hospital para tirar a vida de Adriano. O empresário não se conforma com a aproximação da sua esposa com o cientista e pretende tira-lo do seu caminho. Vendo o marido entrando no carro pela janela do quarto da mansão, Mayara começa a ficar nervosa e sente que algo de errado pode acontecer com o ex-namorado.
Com a movimentação na GRAMLAB, Amanda se desespera com a falta de entrega das fórmulas para o remédio que combate o avanço da Síndrome de Britzen. Enquanto a cientista segue mandando vários e-mails pedindo a aprovação da ANVISA, Gustavo prevê um desastre em grande escala no estado do Rio Grande do Sul. Seu olhar quanto ao alerta é assustador e pede para seus colaboradores tomarem muito cuidado. O tempo começa a ficar estranho e Maria Letícia chega ao hospital numa visita à Adriano juntamente com o filho Anderson. No quarto, o cientista conversa severamente com o filho na frente de sua esposa.
– Eu sei que não vou durar muito tempo, estou com a idade avançada por conta da doença. Meus cabelos estão caindo, estou perdendo a vitalidade então peço que me perdoem pela minha forma grosseira de agir com vocês. Nunca respeitei às suas vontades. Prometo que quando estiver vivo e talvez curado, terei todo o tempo do mundo para me dedicar a vocês.
Em seu leito, Adriano é abraçado por Anderson e recebe um beijo apaixonado de Maria Letícia. O amor da família aqueceu o coração do cientista. No lado de fora, especialistas e médicos comentam sobre o forte temporal que pode devastar o estado do Rio Grande do Sul. O governador juntamente com as autoridades máxima aplicou o toque de recolher para todo o povoado. Conforme a tempestade se aproxima, as pessoas das ruas somem de pouco em pouco até não sobrar ninguém. Uma forte ventania destrói casas mais simplórias e provoca um estrago no interior.
Dentro da GRAMLAB, Caio se encontra com Breno e lhe oferece dois milhões de reais para assassinar Adriano a sangue frio e pede:
– Quero que você mate aquele desgraçado! E se for possível, suma com o corpo dele ou dê para os cães comerem.
– Mas a troco de que faria isso senhor? – Breno rebate assustado.
– A vagabunda da minha esposa está se encontrando com aquele peso morto. Suma com esse energúmeno será rentável para você que ficará milionário e para mim que assumirei todo esse laboratório. Acordo fechado?
Sem saída, Breno fecha acordo com o empresário e deixa a sala da presidência. Sozinho, Caio enche seu copo de uísque e comemora com antecedência.
Após o temporal provocar destruições, o Ministro do Meio Ambiente entra em contato com o governador do Rio Grande do Sul e alerta que uma nova tempestade e um terremoto podem comprometer ainda mais o estado. Os senadores e vereadores locais pedem para que os cientistas pesquisem o grau de escala do terremoto.
Os trabalhos seguem a todo vapor e a população fica temerosa com o pior que pode estar por vir. Num balcão abandonado longe da cidade, Breno se reúne com os capangas e avisa:
– Preciso que vocês matem esse rapaz – Breno mostra a foto de Adriano e continua falando:
– Ele está internado no Hospital Universitário da GRAMLAB e o estado dele é muito crítico. Portanto, façam uma algazarra para dispersar os enfermeiros.
Os capangas entram num acordo com Breno e aceitam a proposta. No Hospital Universitário, os corredores ficam lotados de pacientes acidentados com a tempestade que devastou a zona rural. Maria Letícia fica chocada com toda a situação e entra no quatro de Adriano. Ao se aproximar do marido, a dona de casa sente o corpo d’ele frio e o desperta:
– O que faz aqui? Está muito tarde para ficar no hospital – Adriano responde ocioso.
Maria Letícia fecha os olhos e começa a orar pela cura. Descrente, o cientista vê uma energia muito forte vinda da sua esposa e vê a mesma pessoa iluminada no quarto. No lado de fora, os enfermeiros continuam em pânico e o cientistas agilizam a entrega da fórmula do remédio para a Síndrome de Britzen.
Com o temporal se aproximando novamente do estado e acompanhado por um ciclone extratropical, a população entra em alerta e todos os negócios são fechados antes do fim do expediente. Os colégios suspenderam as aulas por determinação no ministério da educação. Os moradores de rua são levados para lugares seguros.
Do outro lado da calçada do hospital, Caio observa a movimentação do hospital e liga para Breno. Ambos conversam baixinhos no celular. O empresário se enfurece com a entrada de Mayara no hospital e pede para os capangas entrarem em ação. Os capangas se aproximam do hospital e fazem todos os enfermeiros de refém. Caio entra armado pelos fundos do hospital e sobe pela escada da saída de emergência até procurar o quarto de Adriano.
Ao se encontrar com Mayara, Caio baleia quatro vezes a esposa e corre pelo corredor. No quarto, Maria Letícia termina a oração e estranha a frieza de Adriano. A dona de casa se dá conta que o marido veio a óbito e se desespera.
Após estranharam a invasão, os policiais trocam tiros com os capangas de Caio. Ao entrar no hospital, Anderson é baleado na cabeça e morre. No segundo andar, Maria Letícia abre a porta e se depara com um bandido que assassina ela brutalmente e baleia o cadáver de Adriano. Em meio ao caos da forte tempestade no estado, os enfermeiros, cientistas e policiais sente tremores de baixa escala.
Saindo do hospital, Caio é surpreendido pela polícia e recebe voz de prisão. Para escapar o empresário troca tiros e é baleado no coração por um dos PMs.
Com o caos no estado do Rio Grande do Sul, com mortes e vários desaparecimentos confirmados, Maria Letícia, Adriano e Anderson se encontram num paraíso semelhante ao jardim do Éden e diz:
– E você não acreditava em Deus… Olha onde estamos. Nosso corpo ficou na terra e o nosso espírito goza da boa vida desse lugar. Não sentiremos dores e nenhuma outra enfermidade. Aquilo que você acreditava na terra era pouco perto do que tínhamos para receber.
Adriano olha feliz para a sua esposa e responde:
– Se soubesse o quanto me arrependo por tudo que fiz em vida. Uma pena que a ciência não pode me salvar, mas senti a presença d’ele no hospital enquanto estava enfermo. O que me alegra é estar perto de você e do meu filho neste outro plano espiritual.
Adriano se abraça com Maria Letícia e Anderson e um espírito de luz se aproxima da família deixando um recado: Na terra temos uma única vida e temos tempo suficiente para aproveitar e se redimir de seus erros.

 

A Casa

Allan Fernandes

Já passava da meia noite quando eu continuava trancada naquela casa ,já havia
telefonado para todos os amigos,familiares e nenhum deles havia conseguido chegar até a
minha casa.
Decidi permanecer trancada no quarto enquanto o rapaz encapuzado tentava de todas as
formas me procurar e falhava em todas tentativas. Fui abrindo a porta devagar e saindo até
chegar próxima a escada,fui percebendo que ele não estava mais lá em baixo,fui
surpreendida com um golpe na minha cabeça .
Ainda tonta com o golpe ,estava voltando a realidade aos poucos e me encontrava presa
a cadeira da biblioteca, amordaçada,com meus braços amarrados e os pés também…foi
naquele momento que percebi que já havia perdido todas as esperanças de escapar
daquele monstro , ficava assustada cada vez que ele pegava o machado ,meu coração
parecia que escaparia pra fora , não havia saída …aqueles eram os meus últimos minutos
de vida

Fim.

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NAVEGAR

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