Kapittel tre

V – Rumo ao desconhecido

Katous não concordou com as ideias do Earl Sigmund e sequer se despediu de sua filha Dimithria. Ele partiu rumo ao desconhecido. Rumo ao sul. Enfrentou um mar impiedoso e a fúria das tempestades, mas sobreviveu contando com a ajuda dos deuses, que nunca o abandonaram em toda sua existência.

Em uma certa manhã, quando o sol estava lançando seus primeiros raios de luz sobre as águas daquele mar imenso, Katous, já cansado da viagem e desesperançoso quanto à suas ideias, avistou indícios de terra há alguns metros. Juntou forças através dos deuses e remou rápido para a costa. Uma imensa trilha de areia e uma floresta verde se perdiam à sua frente. Atracou o barco, pegou seus pertences, segurou firme seu machado e pisou naquela areia virgem onde mais parecia que ninguém nunca havia chegado.

“Que lugar é esse?” pensou consigo mesmo enquanto se agachava, juntava a areia com a mão e a deixava cair por entre seus dedos calejados. Adentrou a floresta verde e pôde confirmar sua teoria. Sim, aquele lugar nunca tinha recebido a presença humana.

– Pelos deuses! – exclamou Katous.

As árvores altas e de grossos troncos cercavam Katous por todos os lados. Ele admirava aquele lugar com brilho no olhar. Em sua mente já imaginava seu povo ali. Conseguia imaginar as plantações, as épocas de colheita e, quem sabe, até criar alguns animais. Andou e andou por aquela mata fechada até começar ouvir o barulho de água. Seguiu aquele som e se deparou com uma linda cachoeira esparramando uma água cristalina em um lindo riacho que cortava a floresta. Foi então que Katous viu a sombra de uma figura de pé diante do riacho. Seus olhos brilharam novamente. Ele esboçou um sorriso satisfeito em seus lábios e ajoelhou-se. Diante dos seus olhos estava a figura de Jord, a deusa. A personificação da terra. Lágrimas escorreram dos olhos de Katous. Foi ali que ele percebeu que tomou a atitude certa. Encontrou um lugar sagrado e isso, só se comprovou com a visão que ele estava tendo.

– Jord! Eu sou seu fiel filho! Vou honrar este lugar, pode ter certeza! – exclamou Katous em tom emocionado.

Aquela figura foi desaparecendo aos poucos, mas sua presença podia ser sentida por Katous em toda a floresta. Ele tinha a certeza das suas escolhas e voltou à se ajoelhar, desta vez diante do riacho de águas cristalinas. Com suas mãos em forma de concha, pegou água e molhou seu rosto. Gargalhou alto por vários minutos e, na sua mente, só se imaginava povoando aquele lugar e expandindo a cultura nórdica pelo sul. Na sua ideia retornaria à Gudwangen e contaria da sua descoberta para todos e, quem quisesse o seguir de volta, que seguisse.

VI – Sangue, medos e lembranças

A frota viking já estava há dias em alto mar quando chegou ao seu destino. O Earl Sigmund, frente ao primeiro drakkar, avistou os primeiros indícios de terra firme onde os raios de sol nascente apontavam. Ao longe, sobre um monte, conseguia ver claramente a cruz católica no alto de uma construção. Sorriu satisfeito e ergueu a mão direita pedindo para que a velocidade fosse diminuída. Os olhares sedentos dos guerreiros e guerreiras nas embarcações mostravam o quanto o desembarque seria sangrento.

– Chegaremos em silêncio e os pegaremos de surpresa! – disse Sigmund aos guerreiros do seu barco.

A mensagem do ataque em silêncio chegou às demais embarcações e, em questão de minutos estariam em terra firme.

Do alto de uma torre um monge fazia a vigia. Desde os ataques que dizimaram os vilarejos vizinhos de Baliensen e Nielisen no passado, todos os dias alguém ficava vigiando as principais rotas de entrada da região.

Monge Bishesmun, um homem de 30 e poucos anos, era quem fazia a vigia naquele momento. Ele não acreditava que os nórdicos voltariam àquelas terras. Estava cochilando quando de repente viu a frota viking em alto mar. Os drakkar com suas carrancas na proa intimidaram Bishesmun que, imediatamente, tocou o sino da cidadela.

– Não posso crer no que meus olhos vêem! – disse Bishesmun enquanto tocava o sino e despertava do sono um soldado que dormia em uma rede na mesma torre.

– Eles voltaram! – complementou o monge atordoado.

Pelas ruelas do vilarejo os primeiros moradores já faziam um estardalhaço assustados. Todos sabiam que quando o sino da torre soasse algo de ruim estava para acontecer.

Em um casebre de tábuas largas um senhor de idade e barba branca, Frateillis, dormia sobre um colchão feito de palha. Ele despertou quando um jovem de cabelos pretos curtos e olhos azuis entrou empurrando a porta. O senhor sentou-se na cama apavorado sem entender o que se passava.

– Castelli, o que é isso? – questionou o senhor.

– Vovô, vamos! Temos que nos esconder! Os nórdicos estão chegando! – exclamou o jovem já procurando pela espada que o senhor guardava na parede sobre uma mesa velha de madeira.

Atônito, Frateillis se levantou. Pegou suas muletas amparadas ao lado de onde dormia e seguiu o neto para fora do casebre.

– Como assim Castelli? – perguntava o senhor enquanto procuravam andar escondidos entre os casebres em meio ao povo que já se espalhava pelas ruelas.

– Aqueles demônios voltaram!
– Os nórdicos estão chegando!

O povo gritava pelas ruelas de terra e pedra para acordarem todos os vizinhos e para que a maioria pudesse se proteger no abrigo nos porões da igreja principal. O caos se instalava pelos caminhos estreitos de Nielisen. Os olhares assustados de todos indicavam que a paz acabara de ser violada e tentar sobreviver seria a única alternativa.

Aproximando-se da beira mar os guerreiros e guerreiras reforçavam as pinturas em seus rostos com expressões sedentas. As primeiras embarcações atracaram na praia e os nórdicos pularam ensandecidos com suas espadas, machados, facas e escudos. Corriam em direção à vila e, aos poucos, iam tomando cada estrada, cada ruela e cada casebre daquele lugar. E foi assim, barco por barco, guerreiro por guerreiro.

Quando o drakkar que estavam Thórin, Kaira e Dimithria atracou na praia, os demais guerreiros desceram rapidamente, mas Thórin e Dimithria ficaram a observar a jovem Kaira, que, segurando sua espada e seu escudo, parou olhando aquele lugar. Thórin sabia exatamente o que estava acontecendo. Ela estava lembrando que ali era sua terra. Que ela correu naquelas ruelas que estavam sendo tomadas pelos nórdicos agora. Que ela se banhou diversas vezes naquele mar. O viking reparou algumas lágrimas que escorriam pelo rosto de Kaira, cabelos de fogo, e fez sinal para Dimithria o deixar sozinho com ela. Ele esperou Dimithria se juntar aos demais guerreiros que já adentravam o vilarejo e se aproximou de Kaira.

– Eu sei que você tá lembrando disso tudo. – disse Thórin.

– É estranho pra mim. Eu nasci e cresci aqui. Não é certo. – respondeu Kaira sem esconder o medo e a incerteza em seu olhar.

– Tudo foi escrito pelos deuses. Se está aqui agora, do outro lado, é porque o destino quis assim. É o que Odin reservou pra você.

Thórin ficou de frente para Kaira lhe dando a mão e lhe ajudando a descer. Colocou as mãos em seus ombros e encarou seu olhar amedrontado.

– Escolhas dificeis só foram dadas aos melhores guerreiros. – disse ele.

Apesar do medo nítido em sua expressão e das lembranças vindo à tona a cada momento, Kaira confiava nas palavras de Thórin. Sabia do seu sentimento de pai para com ela e tinha a certeza que se dependesse dele, nenhum mal iria lhe atingir.

– E você agora é uma Escudeira de Gudwangen. Precisa honrar este título. Precisa mostrar que merece ser respeitada como qualquer outra guerreira da nossa vila. – Thórin falava e à cada palavra proferida, Kaira sentia-se mais encorajada.

Os dois seguiram lado a lado rumo à vila. Alguns soldados cristãos tentaram cruzar seus caminhos, mas a maestria dos vikings não era páreo para eles. Quando um soldado magricela mas bom lutador, parou na frente dos dois com uma espada em cada mão, Thórin sorriu para Kaira. A jovem de cabelos vermelhos dançou cruzando os passos e segurando firme sua espada e escudo. Ameaçou acertá-lo de um lado e o soldado se esquivou, mas foi surpreendido pelo machado de Thórin vindo do outro lado e lhe cortando na escápula direita fazendo-o se ajoelhar enquanto gritava de dor. Kaira, sem piedade, se aproximou do cristão e cravou sua espada contra seu peito tirando-a logo em seguida. Foi o golpe fatal para Thórin ter a certeza de que aquela jovem não tinha mais medo em seu coração e que agora, ela servia aos deuses.

O porão da principal igreja da vila servia como abrigo em casos como este. A entrada era pelos fundos do altar, por uma estreita escada que levava ao andar inferior. O lugar estava um caos. Gritos desesperados e empurra empurra de pessoas para se proteger no abrigo. Castelli entrou na igreja com seu avô. O segurou pelos ombros e lhe encarou.

– Se proteja, vovô! – disse ele.

Castelli confiou seu avô para um homem com uma criança segurando na mão.

– Leve meu avô em segurança. – Castelli disse ao homem. – Eu volto em seguida. – ele disse olhando para o vovô, que ainda tentou impedir o neto de voltar para as ruas segurando sua espada.

Castelli saiu pela porta da igreja e já foi obrigado a usar a espada que empunhava. Um viking alto, careca e de barba longa surgiu com seu machado e escudo tentando lhe atingir. Castelli desviou do golpe do machado, agachou-se, levantou e apunhalou o nórdico pelas costas. Ele se contorceu de dor largando as armas. Castelli tomou para si o escudo e deixou-o ali para morrer, seguindo pela ruela lateral da igreja que estava com menor movimento.

– Malditos nórdicos imundos! – exclamou Castelli se escondendo atrás de destroços e vendo a barbárie que os vikings faziam em sua vila.

Ainda escondido, Castelli viu quando um forte e imponente viking lutava com seu machado causando grande perda aos cristãos. Ele era seguido de uma jovem de cabelos vermelhos que demonstrava enorme destreza com a espada. Castelli se escondeu ainda mais ao ver a jovem.

– Kaira? Não pode ser! – surpreendeu-se o jovem escondido atrás dos destroços.

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

  • Um capítulo bom! Os ganchos finais estão cada vez melhores. Kaira é uma personagem instigante, impossível não torcer por ela mas o ponto alto sempre são os diálogos. Acho que você precisa investir mais em roteiro, seus diálogos são realmente bons, amigo. Saia um pouco do literário e invista no roteiro, tem futuro s2

    • Obrigado Samuel. Sabe que sempre tive dificuldade com diálogos, que bom que gostou. Sinal que estou evoluindo! Abraços

  • Um capítulo bom! Os ganchos finais estão cada vez melhores. Kaira é uma personagem instigante, impossível não torcer por ela mas o ponto alto sempre são os diálogos. Acho que você precisa investir mais em roteiro, seus diálogos são realmente bons, amigo. Saia um pouco do literário e invista no roteiro, tem futuro s2

    • Obrigado Samuel. Sabe que sempre tive dificuldade com diálogos, que bom que gostou. Sinal que estou evoluindo! Abraços

  • Excelente. Incrível como as ações de Kayra dizem quem ela realmente é! Ou no que ela acredita. Personagem é ação.

    • Valeuuu, Hugo. Sim, jornada dela está apenas começando! Obrigado por acompanhar e, sim, concordo com você, personagem é ação!

  • Excelente. Incrível como as ações de Kayra dizem quem ela realmente é! Ou no que ela acredita. Personagem é ação.

    • Valeuuu, Hugo. Sim, jornada dela está apenas começando! Obrigado por acompanhar e, sim, concordo com você, personagem é ação!

  • Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

    Leia mais Histórias

    >
    Rolar para o topo