Segredos De Um Crime – Capítulo 15 (Eu vou te proteger) ÚLTIMO CAPÍTULO

Capitulo 15        (Eu vou te proteger.)

Cena 1/ Niterói/ Manhã.

HOJE

Apartamento de Anderson.

Anderson deitado no chão sobre os cacos de vidro, Júlio em cima dele o enforca. Anderson tenta soltar as mãos de Júlio do seu pescoço. Sem sucesso ele tenta empurrá-lo. Mas de nada adianta.

Júlio: Você vai morrer. Você vai morrer.

Mag no canto do apartamento: Não. Para. Larga ele, Júlio.

Júlio: Fica na sua Mag. Eu to fazendo isso por você. Tudo isso é por você. 

Anderson tenta falar algo, mas sufocado por Júlio ele já não consegue falar.

Júlio: Você nunca mais vai enganar a minha irmã. A irmã de ninguém. Você vai se arrepender de tudo que você fez com ela. 

Mag chorando: Não… Solta ele Júlio. Solta ele.

Júlio: Ele te enganou Mag. Ele te traiu. Ele está tendo o que merece. Você merece mais. Você alguém que te ama. 

https://youtu.be/252xw68s2Co

            TRÊS MESES ANTES…

Cena 2/ Rio de Janeiro/ Noite.

Prefeitura.

Na sala da secretaria, sentada em sua mesa trabalhando, Gabriela mexe no computador, Verônica chega até a mesa. 

Verônica: Eu quero conversar com você.

Gabriela: É muita cara de pau sua vir até o meu trabalho. Sai daqui agora ou eu mando chamar a segurança. 

Verônica: Querida, se eu fosse você ouvia o que eu tenho pra dizer por que é do seu interesse.

Gabriela: Nada do que você tiver pra me dizer é do meu interesse. Põe isso na sua cabeça.

Verônica: Mas mesmo assim eu vou te dizer. Porque depois você vai dizer que eu não fui justa com você. As eleições estão quase chegando e nós duas sabemos que o Eduardo vai se candidatar a governador. Ele é muito influente na cidade e provavelmente ele vai ser eleito. Mas o que me trás aqui é deixar claro pra você que eu vou ser a mulher que vai estar do lado dele.

Gabriela: Você ainda tem essa ilusão? Você acha mesmo que os eleitores vão aceitar um governador e sua amante no poder? Você não conhece mesmo os eleitores da sua cidade. Eles não são vagabundos como você. 

Verônica: Gosto assim. Mostrando quem você é de verdade.

Gabriela: Sai daqui. Me faz esse favor. Não me obrigue a por você pra fora com minhas mãos. E eu vou adorar fazer isso. 

Verônica: Você não faria isso com uma mulher grávida, faria?

Gabriela: Como?

Verônica tira da bolsa o resultado do exame de gravidez e entrega a Gabriela. 

Verônica: Eu estou grávida. Eduardo vai ser pai de novo. Essa é a chave da minha aceitação dos eleitores. Todos gostam de uma história de amor. E o Eduardo tem uma nova. Então acho bom você já ir arrumando os papéis do divórcio. 

Verônica sai da sala, Gabriela pega o enfeite na mesa e joga na parede.

Cena3/ Leblon/ Noite.

Casa dos Norton. 

 Na sala, Gabriela e Eduardo discutem.

Gabriela: Eu odeio você. Minha vida está destruída há anos por sua causa. E agora aquela vagabundazinha foi até o meu trabalho pra me afrontar.  A sorte dela que eu tive paciência porque caso contrário eu já teria dado a surra que ela merece. 

Eduardo: Não fala assim dela. Ela é minha namorada. 

Gabriela: Ela é sua amante. E isso não é segredo pra ninguém. Todo mundo sabe disso. Toda a cidade sabe disso. Eu vejo todos me olhando na rua com aquele olhar de “lá vai à coitada que é traída pelo marido há anos e aceita” “lá vai à trouxa”. Mas eu estou cansada disso, Eduardo. Eu estou exausta dessa situação. 

Eduardo: Nosso casamento não deu certo. Você sabe disso, eu sei disso. Todo mundo sabe disso. Eu já te disse que se você quiser arrumar outro homem pra você se divertir, eu não me importo. Desde que você saiba fazer as coisas escondidos. Eu preciso de você pra eleger.

Gabriela: Você se ouve quando fala? Você acha mesmo que eu vou arrumar outro homem? Eu não sou a vagabunda da Verônica.

Pedro entra em casa.

Pedro: Que gritaria é essa? Dá pra ouvir essa gritaria lá da rua. Qual é o problema de vocês?

Gabriela: O nosso problema se chama Verônica. 

Pedro: Sempre essa história. 

Gabriela: Você sempre defendendo seu pai. 

Pedro: A senhora escolheu essa vida, não foi eu.

Eduardo: Eu cansei já disso tudo. Eu vou pra onde eu fico bem. Onde é calmo. 

Eduardo sai de casa.

Gabriela: Vai mesmo. Vai pra casa daquela vagabunda. 

Gabriela vai até o balcão de bebidas e se serve com uísque. 

Gabriela: Ele não tinha esse direito. Não tinha o direito de fazer isso comigo. Ele me tirou da casa dos meus pais. Ele tinha que cuidar de mim. Na alegria e na tristeza. Foi isso que ele prometeu.

Pedro: Não fica assim mãe. Dá tempo de sair dessa. Você não precisa ficar nessa situação pra sempre. Ainda temos tempo até as eleições começarem. Até lá ele arruma outra primeira dama. 

Gabriela: Até você. Eu me sacrifiquei tanto. Eu doei minha vida pra esse homem. Primeiro como vereador, deputado e agora que ele vai disputar pra governador, e você quer que eu desista?

Pedro: Eu só quero que você resolva sua vida, mãe. 

Os dois se encaram. 

Gabriela: Eu vou resolver minha vida sim. Você tem razão. 

Gabriela sai de casa. Pedro senta no sofá e fica pensativo. 

Pedro: O que ela vai fazer? 

Pedro sai de casa.

Cena 4/ Lapa /Noite.

Casa de Verônica.

Na sala, Verônica e Eduardo conversam.

Eduardo: Você não devia ter ido lá provocar ela. Isso é loucura. Você quer acabar com a minha carreira política? 

Verônica: Claro que não. Mas eu não vou ser sua amante pra sempre. Eu cansei de ser a outra. E a cidade toda sabe que nós temos um caso. Mas a coitadinha é a Gabriela. E isso pode atrapalhar sua carreira política. Eu sou sua melhor opção. Você sabe disso. 

Eduardo: Nós temos que analisar isso com calma.

Verônica: Analisar? Você tem vergonha de mim? Você não quer me assumir é isso? 

Eduardo: Agora você está viajando Verônica. Eu acho melhor deixarmos essa conversa pra depois. Eu já me estressei em casa. Aqui também eu vou me estressar?

Verônica: Desculpa. Eu não quero que você fique estressado. 

Eduardo: Eu vou tomar um banho. Eu acho melhor. Preciso relaxar um pouco. Que dia estressante!

Eduardo sobe a escada e vai para o banheiro da suíte. O celular de Verônica toca, ela o pega e lê uma mensagem. Ela vai até a porta e abre e Bruno entra.

Verônica: Nunca mais me ameace. Está me ouvindo? Ainda mais por mensagem. Você tem que ir embora, o Eduardo está aqui. 

Bruno: Eu não vou embora. Eu quero desistir disso. Eu não quero mais você com ele. 

Verônica: Você não tem que querer nada. Você não entendeu isso ainda. Minha vida, eu decido as coisas nela. E você acha mesmo que eu vou desistir de ficar rica agora. Ele tem muito dinheiro escondido e depois que se tornar governador, ele vai ter mais ainda. Eu não vou deixá-lo parar apenas em ser governador. Depois ele vai ser senador, presidente do congresso ou quem sabe até presidente da república.

Bruno: Mas o filho que você está esperando é meu. E eu não o quero ele nessa bagunça. Eu não vou deixar você envolver meu filho na sua história suja.

Verônica: Minha história suja? Quem começou com esse plano todo foi você. Você quis que eu me tornasse amante dele. Você se lembra? E agora você quer que eu desista? Nunca. Você é um fraco mesmo. Fraco e pobre. A combinação perfeita para ficar longe de mim. Some da minha vida. Porque eu vou crescer muito ainda. E acho melhor não entrar no meu caminho. Agora fora.

Bruno sai da casa e Verônica fecha a porta. Ela caminha até a sala de visita. Júlio entra na casa pela janela. E vai em direção a Verônica. Verônica olha pra trás e o vê e se assusta. Júlio tapa a boca dela com a mão. Júlio a empurra sob a parede e continua tapando sua boca.

No banheiro, Eduardo toma banho. O barulho do chuveiro e a porta fechado o impede de ouvir tudo que acontece na sala.

Na sala, Júlio segura Verônica na parede e tampa sua boca com a mão que estava de luvas.

Júlio: Fica calma. Eu não vim te fazer mal. Eu vim aqui te propor uma sociedade. É do seu interesse. Eu tenho certeza disso. É sobre o Anderson. Eu sei que você não gosta dele, eu também não. Eu tenho uma ideia perfeita para tirá-lo do nosso caminho. Mas eu preciso de uma aliada forte, igual a você. Eu vou te soltar pra gente conversar, mas você vai ter que me prometer que não vai fazer nada. Só vai me ouvir. 

Verônica com medo, apenas confirma com o movimento da cabeça. Quando Júlio começou a tirar a força sobre Verônica ela o empurra e tenta correr e gritar por socorro, no impulso Júlio pega o enfeite de pássaro que estava em cima do balcão do lado dele e acerta a cabeça de Verônica com uma só pancada. Verônica perfura a cabeça com a pancada e cai morta no chão. Com a cabeça perfurada, uma enorme poça de sangue surge em volta da cabeça dela. Júlio perplexo com o que aconteceu solta o enfeite no chão. 

Júlio: O que eu fiz? Meu Deus… Calma, Júlio. Mantenha a calma. Você tem que sair daqui antes que alguém te veja. 

Júlio corre até a janela e para.

Júlio: Você pode usar a seu favor. Calma.

Júlio tira do bolso um colar e coloca em volta do enfeite. Júlio olha em volta da sala conferindo se não têm nenhum dos seus pertences no chão, e sai pela janela.

Do lado de fora da casa, Pedro chega à porta e percebe que ela está só encostada. Ele entra na casa de Verônica.

Pedro: Olá. Tem alguém aí?

Pedro caminha até a sala e vê corpo de Verônica no chão. 

Pedro fazendo vômito: Meu Deus do céu. O que aconteceu aqui? Eu tenho que chamar a polícia.

Pedro se aproxima do corpo e vê o colar em cima do enfeite de pássaro. Ele pega o enfeite e tira o colar de cima do enfeite.

Pedro: Eu conheço esse colar. Não pode ser. 

Pedro coloca o colar no bolso. Gabriela entra na casa e vê Pedro com o enfeite na mão e o corpo de Verônica ensangüentado no chão. Quando Pedro vê Gabriela ele solta o enfeite no chão.

Gabriela: O que você fez?

Pedro: Não fiz nada mãe. Eu vim aqui, porque eu achei que você estaria aqui. E quando eu cheguei, ela estava aqui. Morta. Não fui eu.

Eduardo desce a escada e vê o corpo de Verônica no chão, Pedro e Verônica na sala.

Eduardo: O que vocês fizeram?

Gabriela: Ninguém fez nada.

Eduardo: E como vocês me explicam isso? Vocês abriram a cabeça dela.

Pedro: Nós chegamos aqui e ela já estava assim. Não foi mãe?

Gabriela: Quem garante que não foi você quem matou ela. E estava lá em cima se limpando pra poder falar que foi um assalto?

Eduardo e Gabriela discutem e falam ao mesmo tempo.  

Pedro: Calem a boca. Nós estamos ferrados nessa. Nós 3 vimos o corpo, estamos na casa dela. Só tem uma pessoa que vai poder nos ajudar. É o Anderson. Eu vou ligar pra ele.

Cena 5/Rio de Janeiro/ Noite.

Estacionamento do prédio.

Dentro do carro, Júlio se limpar com um pano as manchas de sangue que espirrou nele quando acertou o golpe. O celular de Júlio toca, ele atende e coloca no viva voz e joga o celular no banco do carro.

Voz de Anderson: Alô, Júlio. Tudo bem?… Eu sei que isso não é hora de estar ligando pra ninguém. Mas eu preciso da sua ajuda.

Júlio: O que você quer?

Voz de Anderson: Você sabe que meu trabalho é um pouco difícil e que nem todas as situações são boas. E às vezes as coisas saem do controle. Mas eu preciso proteger meus clientes. 

Júlio: Você tem 30 segundos antes que eu desligue. 

Voz de Anderson: Você já serviu o exército e foi expulso por causa do seu comportamento e… Não leve isso como ofensa, mas…

Júlio: 10 segundo…

Anderson: Eu preciso sumir com um corpo. Me ajuda. 

Júlio: O que?

Anderson: Eu sei que você me detesta. Eu sei que eu não devia estar ligando pra ninguém pra pedir esse conselho. Mas você é minha única solução. Por favor, vamos deixar nossos problemas de lado por alguns instantes. Você me deve isso, lembra?

Júlio Sussurra: Será que se eu não ajudar pode levantar alguma suspeita? – Júlio em voz alta – Agora estamos quites. Escuta o que você tem que fazer…

                    HOJE

Cena 6/ Niterói / Noite.

Apartamento de Anderson.

No chão, Júlio continua enforcando Anderson. Mag desesperada assiste a cena sem saber o que fazer.

             UM MÊS E MEIO ATRÁS…

Cena 7/ Niterói/ Noite.

Apartamento de Anderson.

Na sala, em frente o computador, Mário analisa as imagens da câmera de segurança. 

Mário: Agora eu vou conseguir descobrir quem matou a Verônica. Eu só preciso arrumar a data certa. Agora sim. 

Mário assiste as imagens.

Noite quieta, a câmera focaliza Eduardo entrando na casa de Verônica.

Mário: Já sabia que o Eduardo estava lá, não é surpresa. A menos que ninguém mais entre.

A câmera focaliza Bruno na porta casa de Verônica. Ela abre a porta e os dois conversam. Em seguida ele entra na casa, instantes depois ele sai com raiva.

Mário: O amante. Eles parecem estar discutindo. Acho que eu descobri quem foi… Ele está indo embora? Bom, acho que o tempo que ele ficou lá dentro dá pra cometer um assassinato. Espera um pouco, o que é isso?

A câmera focaliza alguém entrando na casa pela janela, mas não dá pra ver quem é porque a pessoa está de costas. 

Mário: De costas e pela janela. Tenho certeza que o assassino é você. Mas quem?

A câmera focaliza Júlio saindo da casa pela janela sujo de sangue.

Mário: Agora eu te peguei. Preciso pausar e zoom. Não acredito. Meu Deus. 

Mário pega o celular e tira foto.

Mário: Eu não tenho que tirar foto eu tenho que ligar pro Andy. Meu celular está descarregando. Cadê o carregador? 

Mário liga pra Anderson.

Voz de Anderson: Mário onde você se meteu? 

Mário: Eu estou em casa. Eu vim de táxi. 

Voz de Anderson: Mas por quê? O que aconteceu? 

Mário: Deixa eu falar. Meu celular está descarregando e eu não acho o carregador.

Voz de Anderson: Está bem. Fala. 

Mário: Eu fiquei procurando alguma pista na Verônica e você não vai acreditar.

Voz de Anderson: Eu posso falar ou é pra continuar calado?

Mário caminha pela sala procurando o carregador. Ele caminha pelo quarto enquanto conversa.

Mário: A casa do lado. Também tinham câmeras de segurança. Estavam bem escondidas. Segurança forte essa. Mas eu consegui pegar as imagens e você não vai acreditar no que eu consegui. 

Voz de Anderson: As imagens do dia do assassinato?

Mário: Sim. Eu sei que matou a Verônica… Alô, alô. Droga isso é hora de descarregar. Tem um carregador no quarto do Andy.

Mário vai até o quarto de Anderson, ele abre a gaveta da cômoda. A campainha toca. Mário vai até a porta e abre e vê Júlio.

Mário: O que você está fazendo aqui? Eu sei de tudo. Eu sei da verdade. 

Júlio: Eu sei disso.

Júlio aponta a arma para Mário que dá alguns passos pra trás querendo fugir. Júlio dispara duas vezes no peito de Mário que cai no chão. A vizinha na porta vê a cena e grita. Júlio olha para trás e a vizinha corre até o elevador. Júlio vai atrás dela, mas a porta se fecha antes. Mário estrebuchando no chão consegue jogar o celular pra debaixo do sofá. Júlio entra no apartamento. 

Júlio: Sua vizinha maldita me viu. Vou ter que ir atrás dela. 

Júlio atira na testa de Mário e sai do apartamento.

                HOJE

Cena 8/ Niterói/Manhã.

Apartamento de Anderson.

No chão, Júlio continua enforcando Anderson. Mag desesperada assiste a cena sem saber o que fazer.

                ONTEM

Cena 9 /Rio de Janeiro/Noite.

Casa de Mag e Júlio.

Na sala, Mag sentada no sofá fica pensativa, Júlio chega e se senta do lado dela.

Júlio: O que a senhorita está pensando? 

Mag: Nada demais. Coisa sem importância.

Júlio: Aposto que no Anderson. Você triste pelos cantos da casa. Mais uma vez. Eu não quero ver você mal igual daquela outra vez.

Mag: Vai começar?

Júlio: Não quero começar nada. Eu sou seu irmão. Eu quero o melhor pra você. Eu vi que semana passada vocês se beijaram aqui. Foi injusto o que ele fez. 

Mag: Eu confesso. É por isso mesmo. Eu achei que já tinha superado isso, mas parece que não.

Júlio: Ele sempre te faz mal. Vai tudo ficar bem. Eu vou cuidar de você.

                HOJE

Cena 10/ Niterói/ Manhã.

Apartamento de Anderson

Na sala, Anderson acorda no sofá.

Anderson: Mas uma noite bebendo e não consegue ir pra cama.

Anderson olha pra mesa de centro e vê a garrafa de vinho e uma taça com um resto de vinho. Anderson levanta e pega a garrafa e esbarra na taça que cai sobre o carpete e derrama vinho no chão. Anderson leva a garrafa pra cozinha e volta com um pano para limpar o carpete molhado. Anderson se abaixa pra limpar e vê o celular de Mário debaixo do sofá e o pega. 

Anderson: O celular do Mário.

Anderson pega o carregador na estante e conecta ao celular, coloca o carregador na tomada do lado do sofá. Anderson sentado ao sofá liga o celular.

Anderson: Senha. O que será? A data do aniversário dele.

Anderson digita. E a senha errada. Ele digita a data do seu aniversário.

Anderson: Também. Muito narcisismo meu achar que a senha é relacionada a mim. Mas eu vou tentar o dia que a gente se conheceu. 

O celular destrava. Anderson vê que o papel de parede é uma foto dos dois no bar. Anderson dá um leve sorriso e começa a mexer no celular. Olha os contatos. O whatsapp. Ele abre a galeria de fotos. E olha algumas fotos de Mário. Ele fecha a pasta e abre outra e vê a foto de Júlio saindo da janela da casa de Verônica. 

Anderson: Essa é a casa da Verônica. Eu não to acreditando nisso. Meu Deus do céu. 

O celular de Anderson toca e ele atende.

Anderson: Alô. Mag que bom que é você. Você tem que me ouvir.

Mag: Não. Você que precisa me ouvir. É urgente. 

Os dois falam juntos: Você tem que sair daí.

Mag conversa pelo celular no quarto de Júlio. 

Mag: Andy. Ontem o Júlio saiu e eu não o vi voltar. Eu fiquei preocupada e arrombei a porta do quarto dele. Você não vai acreditar.

Mag olha pra parede e encara um mural cheio de fotos de Anderson e dos amigos e familiares dele. Com planos escritos nas fotos. E um monitor de câmera de segurança com imagens do apartamento de Anderson,cima da mesinha. 

Mag: Ele está obcecado com você, Andy? Está cheio de fotos suas. Com planos e… Ele te vigiava. Ele via e ouvia tudo que você falava por uma câmera. Você tem que sair daí. 

Anderson fica perplexo com a revelação. A campainha toca, Anderson com o celular na orelha abre a porta e vê Júlio com uma arma apontada para ele. Anderson tira o celular da orelha e abaixa o braço.

Anderson: Júlio…

Júlio: Eu fiz tudo que eu tinha que fazer pra tirar você de vez da minha vida e da minha irmã. Mas sempre você dava um jeito de sair se livrar.

Anderson: O que eu te fiz? Eu nunca entendi esse seu ódio por mim.

Júlio: Você destruiu a vida da minha irmã. Ela ficou meses em depressão por causa da sua traição. 

Anderson: Eu pedi perdão.

Júlio: Não muda nada. E agora você vai sumir de vez das nossas vidas. 

Anderson fecha rápido a porta e corre para o quarto. Júlio arromba a porta e vai até o quarto. Júlio entra no quarto e olha em volta e não encontra Anderson. 

Júlio: Não acredito que você teve a estupidez de esconder debaixo da cama.

Júlio se abaixa procurando Anderson. Anderson sai do guarda roupa e joga Júlio no chão. Anderson corre para fora do quarto. Anderson vai em direção a porta para sair do apartamento. Júlio chega à porta do quarto e atira em direção a Anderson, mas acerta a parede. Anderson vai pra sala. Júlio chega à sala e aponta a arma para Anderson. 

Anderson: Por que a Verônica?

Júlio: Erro de percurso. Eu fui lá pra pedir ajuda. Uma aliança. Tudo pra te tirar do caminho. Você era a pessoa que nós dois odiávamos. Mas ela entendeu errado e acabou na fatalidade que aconteceu.

Anderson: Você é doente.

Júlio: Sou sim. E meu remédio é você morto.

Júlio com a arma apontada para Anderson se prepara para atirar. Mag entra ao apartamento.

Mag: Não faça isso. 

Júlio olha para trás e vê Mag. Anderson aproveita a distração de Júlio e dá um soco na arma que cai no canto da sala. Anderson dá um soco no rosto de Júlio. E quando tenta dar o segundo, Júlio se defende com o antebraço e o acerta com o outro braço. Júlio acerta três socos diretos em Anderson. Anderson cai no sofá, Júlio vai pra cima de Anderson e com o pé Anderson joga Júlio na parede. Anderson vai pra cima de Júlio, Júlio pega Anderson pelas coxas o levanta e o joga em cima da mesa de centro de vidro. Anderson cai de costas na mesa e a quebra.

Mag: Parem. Parem os dois agora. Parem. 

Júlio ajoelha em cima de Anderson, pega um dos cacos de vidro quebrados e tenta enfiar em Anderson, que segura o braço dele. 

Anderson: Você é louco. Você é louco.

Mag vai pra cima das costas de Júlio e tenta segura-lo. Júlio solta o vidro e empurra Mag que cai no canto da sala, perto da arma.

Júlio: Sai daqui. 

Júlio enfoca Anderson, que tenta soltar as mãos de Júlio do seu pescoço. Sem sucesso ele tenta empurrar Júlio. Mas de nada adianta.

Júlio: Você vai morrer. Você vai morrer.

Mag: Não. Para.

Júlio: Fica na sua Mag. Eu to fazendo isso por você. Tudo isso é por você. 

Anderson tenta falar algo, mas sufocado por Júlio ele já não consegue falar.

Júlio: Você nunca mais vai enganar a minha irmã. A irmã de ninguém. Você vai se arrepender de tudo que você fez com ela. 

Mag chorando: Não… Solta ele Júlio. Solta ele.

Júlio: Ele te enganou Mag. Ele te traiu. Ele está tendo o que merece. Você merece mais. Você merece alguém que te ama. 

Anderson reúne todas as forças e consegue falar com dificuldade, sussurrando.

Anderson: Ele matou… Foi ele quem matou o Mário. Ele matou o Mário.

Mag ouve as palavras de Anderson e fica em choque. Júlio continua enforcando Anderson sem dó nem piedade. Mag em choque com as palavras de Anderson. Era como se o mundo estivesse em câmera lenta. Mag pega a arma no chão e aponta para Anderson e em seguida ela aponta para Júlio e atira nele. Júlio em cima de Anderson sente o impacto do tiro. Júlio olha para trás sem acreditar no que havia acabou de acontecer e vê Mag com a arma nas mãos. Como se a bala tivesse atravessado o corpo de Júlio, o seu sangue começa a pingar em Anderson. Júlio cai no chão do lado de Anderson. Anderson respira com dificuldade e se levanta devagar. Anderson olha pra Mag e a vê desesperada com o que ela tinha feito. Mag deixa a arma cair no chão, e encosta-se na parede. Mag chora desesperada, se senta no chão. Anderson vai até ela e a abraça.

Anderson: Mag… Mag…

Mag: Eu sei. Eu sou monstro. O que eu fiz? É o meu irmão? O que eu fiz?

Anderson: Você salvou a minha vida. Você salvou a minha. Obrigado. Obrigado.

Mag: Antes de vim pra cá. Eu chamei a polícia. Eles já devem estar chegando. Eu vou ser presa. Eu sou um monstro. 

Anderson: Não se preocupe, não vai acontecer nada com você. Não vai. Eu vou te proteger.

Os policiais chegam ao apartamento e se deparam com Júlio morto baleado no chão, Anderson e Mag abraçados no canto da sala.

Anderson: Foi legítima defesa. Foi legítima defesa. Ele ia matar a gente. Isso tudo foi legítima defesa.                                                                                                                  DIAS DEPOIS.

Cena 11/ Rio de Janeiro/Tarde.

No parque.

Anderson, Eduardo, Gabriela e Pedro conversam. 

Pedro: Então quer dizer que acabou?

Anderson: Sim. A Verônica vai continuar como desaparecida. E cada um vai seguir a sua vida.

Eduardo: Ninguém vai fazer justiça pela memória da Verônica, ela merecia um enterro pelo menos.

Anderson: Você picotou o corpo dela inteiro para colocar dentro de sacos de lixo e enterrar. Você quer mesmo justiça para ela?

Pedro: O Bruno está preso também. Ele tentou matar o Eduardo. Mas por que o Júlio cometeu todos esses crimes?

Anderson: Ele me odiava porque meu relacionamento com a irmã dele terminou com um fim trágico.

Gabriela: Eu acho que alguém, nos deve desculpas.

Anderson: Não força mãe. Vocês me colocaram nessa. Agora que isso acabou. Eu não quero ver a cara de vocês nunca mais.

Anderson sai andando.  Em outro ponto da praça, Anderson encontra com Mag.

Mag: Achei que não viria mais?

Anderson: Desculpe. Minha família. Você sabe como sãos. 

Mag: Eu mal consigo dormir direito. Já se passaram quase uma semana e eu ainda vejo aquela cena. O disparo. Eu sinto na minha mão. 

Anderson: Eu sei que é horrível o que você está passando. Mas você fez a coisa certa. Ele era seu irmão, eu sei. Mas ele era ruim. Ele era doente. Ele matou 3 pessoas por querer se vingar de mim. Você me perdoou. A prova disso foi que você salvou a minha vida. 

Mag: Mas eu quero ter paz. Você precisa resolver esse problema. 

Anderson: Pela primeira vez eu não consigo resolver. Eu não tenho a solução. Mas você vai conseguir sim. Eu acredito em você. E eu vou estar aqui do seu lado. Para o que der e vier. 

Mag: E o que a gente faz agora?

Anderson: A gente vai tentar viver. Tentar viver.

Os dois se abraçam. A imagem vai abrindo e mostrando a grandiosidade da beleza natural do Rio de Janeiro. 

                  Segredos De Um Crime

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