Kościelniki Górne, Polônia, 1944- NOITE.

Chove forte na região de Kościelniki Górne. Dois soldados estão fugindo. O primeiro se chama Petroski, 33 anos, 1,82, pele parda. O segundo se chama Bartinik, 27 anos, 1,75, pele clara.

Bartinik está ferido na perna após ter sido atingido por um tiro de um soldado alemão. Petroski está tentando arrastá-lo para um local seguro.

— Força, Bartiniki! Vamos conseguir!

— Eles vão alcançar a gente, Petroski. Não temos como escapar.

A 2ª guerra mundial ainda acontecia, e a Alemanha estava sedenta pela vitória. Petroski avista uma propriedade há uns 500 metros dali. Era nada mais e nada menos que o palácio de Koscielniki Górne.

— Veja! Podemos pedir ajuda ali.

— Você é louco? E se houver soldados inimigos lá dentro? Ou pessoas que estão com medo da guerra e vão se defender atirando em nós?

— Precisamos de um abrigo, soldado. Não pode continuar desse jeito. Venha! Apoie-se em mim.

Os dois soldados seguem caminho para o palácio enquanto a tempestade insistia em cair.

Minutos depois, eles chegam até a propriedade. O portão não está trancado e eles entram. Ao seguirem caminho até o interior daquele terreno, eles chegam enfim à portaria principal.

Bartiniki está cansado e fraco. Ele se ajoelha no assoalho da porta enquanto Petroski tenta bater na mesma.

— Oi! Olá! Tem alguém em casa? Eu preciso de ajuda! Meu amigo está ferido, precisamos de curativos. Alguém pode nos ajudar, por favor?

Ninguém responde. Petroski insiste mais uma vez e vê que nada surte efeito.

Ele arrodeia. Vê uma das janelas. Pega uma pedra no chão e joga no vidro da janela quebrando-a. Bartiniki o repreende.

— O que você tá fazendo? A gente não pode invadir uma propriedade assim!

— É por uma boa causa dessa vez. Venha! Levanta!

Petroski carrega Bartiniki nos ombros. Ele limpa os vidros da janela para que Bartiniki consiga passar. Em seguida Petroski entra e ambos seguem para o interior do palácio.

Há uma poltrona velha ali na sala. Petroski carrega Bartiniki até ali.

— Pronto, pronto. Cuidado. Agora você tá a salvo.

Bartiniki se recosta na poltrona e depois olha para o teto admirando o local.

— Mas… Que droga de lugar é esse?

— Eu não faço ideia. O lugar parece estar bem conservado, mas não tem ninguém aqui…

Petroski olha de relance para uma das paredes no canto da sala…

— Exceto por aquela aranha ali no canto.

— Pelo visto, ela deve ser a proprietária dessa casa enorme.

— Bem, eu vou procurar alguma coisa ou alguém. Fica com sua lanterna aí em lugar fácil. Vou levar a minha.

— Vê se não demora.

Petroski sai para procurar alguma coisa pela casa. Ele vê que apesar das condições não tão ruins dos móveis, claramente ninguém mais morou ali. É notório pela poeira estampada em alguns móveis.

O que deixa Petroski intrigado é que a mansão parecia muito “fácil” pra eles. Até então, ambos estavam andando sem rumo e do nada essa propriedade “apareceu”, como em passe de mágica.

Um barulho é ouvido do andar de cima. Petroski fica em guarda e vai para a ponta da escada.

— Tem alguém aí em cima?

Enquanto isso, Bartiniki continua na sala ferido. Ele está próximo à lareira da mansão que obviamente se encontra apagada. Ele avista de longe ali no chão algumas aranhas fazendo “montinho”.

Enquanto olha para a frente, uma pequena brasa começa a riscar na madeira de dentro da lareira e em alguns segundos, o fogo começa a ascender de maneira “orgânica”. Como se de fato alguém tivesse acendido aquela lareira.

Bartiniki olha para aquilo incrédulo.

— Mas… O que tá acontecendo aqui?

Enquanto isso, Petroski continua subindo as escadas com o seu rifle na mão e a lanterna iluminando o andar de cima.

— Oi? Você é o proprietário da casa?

Não há ninguém ali a princípio. Apenas uma leve impressão que o soldado teve em achar que poderia ter visto alguém.

Na sala, Bartiniki tenta se aproximar mais da lareira. Obviamente está frio, a guerra já o castigara o bastante, então ter um refúgio em um lugar quentinho era tudo o que ele queria.

Bartiniki consegue ficar de frente à lareira, fica aquecendo as mãos. Ainda não sabe como aquele fogo “surgiu” ali, mas parece não se importar com nada.

A situação parece cômoda até ele ouvir um cântico que se parecia muito com uma cantiga infantil.

A canção ressoava de maneira doce, mas ao mesmo tempo macabra. Bartiniki tenta se levantar para seguir o som da canção. Ele vai mancando até chegar em um outro lado da casa onde avista de longe um menino de costas.

— Ei! Garoto! Você mora aqui?

 O garoto vira o corredor.

— Espera!

Bartiniki tenta segui-lo, mesmo com dificuldade.

No andar de cima, Petroski ainda está tentando ver o que encontra ali. Ele continua a andar no corredor. Ao dar mais alguns passos, ele pisa em algum objeto no chão.

Ao se deparar com o que era, trata-se de uma boneca que estava ali jogada. Ele a segura e estranha que ela esteja ali.

Ele abandona a boneca no chão. Em seguida, ele continua a andar pelo corredor até chegar próximo a uma janela grande que fica lá no final daquele imenso corredor.

Mas ele percebe algo inusitado.

Há uma mulher de branco na janela de costas para o corredor. Ela não se move, está ali olhando a chuva cair.

Petroski está intrigado. Fica em dúvida se aponta o rifle para ela ou não.

— Senhora? Senhora, posso ajudar?

Ela começa a se virar lentamente em sua direção e diz:

— Ele foi embora mais uma vez.

No andar de baixo, Bartiniki continua procurando o garoto que ele insiste em ter encontrado.

— Ei, rapaz! Somos apenas soldados, não queremos te machucar.

Bartiniki chega até um canto do andar de baixo e vê que é impossível encontrar o menino. Ele desiste e decide voltar em direção à escadaria.

Após chegar ali com um pouco de dificuldade, Bartiniki estranha a ausência de Petroski que até agora não voltou.

— Petroski! Petroski!

Quando Bartiniki menos espera, Petroski cai do andar de cima enforcado em uma corda.

— AAAAAAAAAAAAAHHHH! PETROSKI! PETROSKI!

Ele percebe que o companheiro já está morto. O fogo da lareira se apaga. A chuva lá fora continua.

Bartiniki se esforça para ir em direção à porta.

— DROGA! SOCORRO! POR FAVOR, ALGUÉM NOS AJUDA!

Bartiniki consegue forçar a porta e ela abre. Mas ao sair, uma ninhada de aranhas que estava no teto da varanda, caem em cima dele de uma vez.

— AAAAAAAAAAAHHHH!! SAI! SAI!

Bartiniki tenta se desvencilhar daquelas aranhas, ele tenta descer as escadinhas e tropeça rolando até o chão.

A dor das picadas estão atordoando o soldado, ele se arrasta na grama molhada. Um misto de água e terra entrando na sua boca. Suas forças se esvaindo enquanto a chuva não parava de cair.

Bartiniki vira o seu corpo para cima. Já está completamente roxo por conta do veneno das aranhas. Ele morre com os olhos arregalados. As aranhas saem “organizadamente” pelo seu corpo e voltam pelo assoalho e depois se dispersam sem deixar rastros.

Vemos Petroski ainda ali naquela corda com o pescoço quebrado. Teria ele se suicidado?

Quem era a mulher que estava na janela?

Quem era o garoto que Bartiniki viu?

Essas aranhas eram reais ou sobrenaturais?

O Palácio de Koscielniki Górne é um lar de coisas peculiares.


OPENING:



               EPISÓDIO 2:

“A DONA ARANHA SUBIU PELA PAREDE”


Palácio de Kościelniki Górne, 09h45 da manhã.

A primeira noite em Koscielniki Górne se passou, e ali está Óton no corredor de cima da casa conversando com alguém pelo celular.

— Tá bom, tá bom. Não se preocupe que está tudo sob controle. Ok, vou te manter informado de tudo. Abraço!

Ele desliga o celular. Ewa, incomodada, o repreende.

— “Está tudo sob controle”? Acho que você não ouviu nada do que eu falei, né?

— Ewa, calma. Você anda muito impressionada com tudo. Não tem nada de mais lá em cima, só algumas coisas velhas.

— Tá, mas e a boneca? Tinha uma boneca horrorosa lá em cima.

— Ewa, não tinha boneca nenhuma.

— Quê? Como não? Eu vi aquela coisa horrível lá ontem a noite.

— O espaço naquele sótão é pequeno, eu teria achado.

— Mas… E o baú com a roupa de bailarina e essas coisas?

— Bom, isso realmente tinha lá.

— Isso não faz o menor sentido, eu… Eu…

— Olha… Talvez você tenha razão. Te trazer pra essa casa foi um erro. Eu vou conversar com a galera da cia pra ver se eles te oferecem pelo menos uma simbólica gratificação pra recompensar o seu esforço de ter vindo até aqui e ter passado a primeira noite.

— Não, não, espera… Talvez… Talvez realmente tenha sido coisa da minha cabeça. Talvez eu só estava com medo e… Comecei a imaginar coisas.

— Tem certeza? Se quiser, podemos voltar agora mesmo pra casa.

— Não, eu… Acho que preciso ficar pelo menos mais um dia nessa casa pra tentar arrancar alguma inspiração. Eu sinto que eu posso conseguir.

— Bom… Você que sabe. Por que não aproveita o dia e vai dar uma volta na propriedade? Vai te fazer bem.

Ewa acompanha Óton até os portões. Ele entra no carro acenando para Ewa. Ela se despede dele.

Ao ver que Óton se distanciou mais um pouco, Ewa volta rapidamente para dentro do palácio. Ela vai até o seu quarto, pega algumas roupas, uma tolha e decide ir tomar banho no lago.

Mesmo estando frio, Ewa sempre foi uma mulher muito higiênica, ainda mais depois de ter passado a noite em um sótão completamente sujo.

Ela chega na beira do lago, olha para os lados. Deixa a toalha em cima do gramado. Começa a tirar o casaco. Depois tira a blusa de cima mostrando apenas o sutiã. Em seguida ela tira a sua saia.

Podemos ver de costas, Ewa já completamente nua. Corpo delgado, mas não com curvas exageradas. Ela coloca o primeiro pé na água. Hesita. Em seguida ela decide continuar e vai andando pra dentro do lago até chegar em uma região confortável. Ewa imerge completamente para dentro do lago e depois joga a cabeça pra fora sacudindo o seu cabelo e fazendo com que a água respingue.

Ewa mesmo sentindo frio, está confortável naquele lago. Precisava se espairecer. Uma mulher da capital não podia simplesmente ficar sem um banho.

Após passar alguns minutos ali na água. Ewa decide voltar. Ela vem andando em direção às suas roupas que deixou ali no gramado.

Ela pega a toalha e começa a se secar. Vemos apenas do seu tronco pra cima, ela enxugando o seu pescoço, rosto e consequentemente o cabelo.

Ewa veste suas roupas íntimas, depois suas roupas casuais. Ela dá os primeiros passos para voltar e fica estarrecida com algo a mais ali atrás.

Uma espécie de cemitério. Ela ainda não sabia que ali é o Mausoléu dos Von Carnaps.

Ewa retorna para a mansão. Antes de entrar, ela fica intrigada ao olhar no canto da parede no teto, uma aranha tecelando sua teia ali.

Ela encara aquela aranha por alguns segundos e depois decide entrar.

Ewa entra ainda enxugando bem o cabelo com a toalha e se depara com a casa de bonecas. Sempre quando olha pra aquela casa, ela sente alguma coisa. Como se algo ativasse nela.

Ela se aproxima mais um pouco daquela casa de bonecas relativamente “gigante”. Ao ficar por um bom tempo fitando aquela casa, ela sente a mão de alguém percorrendo pelo seu ombro.

— Ahhhh!

Ewa se assusta. Olha pra trás e não vê ninguém.

Minutos depois, Ewa pega o seu gravador:

“Meu nome é Ewa Wos, e esse é o meu segundo dia no palácio Koscielniki Górne”. Ainda não acredito que passei uma noite neste lugar, fiquei bem assustada pra ser sincera, mas sinto que esse lugar esconde outros segredos que ninguém quer me contar. Segredos que eu preciso descobrir por conta própria. Eu vou atrás deles… Se algo acontecer comigo… Saiba que foi a casa que me matou.”

Ewa abre o seu notebook. Abre a barra de pesquisas. Começa a pesquisar tudo sobre o palácio. Ela vê alguns trechos falando:

“Os últimos proprietários da propriedade foram a família von Carnap.”

“Peter von Carnap – um vereador de Elberfeld (hoje um distrito de Wuppertal) e membro da corte prussiana – comprou Kościelniki Górne em 1866 (ou talvez em 1886) da família von Witzleben.”.

“A propriedade foi doada ao filho de Peter , o tenente da cavalaria Johann Rüdiger Ludwig von Carnap .”

“Johan casou-se com Ilse Von Loedbbecke em 1889.”

“O casal teve quatro filhos (nascidos em Kościelniki Górne) chamados: Rüdiger Peter Kaspar Albert (nascido em 1890), Gert Peter (nascido em 1892), Truth Ida Olga (nascida em 1893) + um quarto descendente de nome desconhecido nascido em 1894.”

“A última da família a residir no palácio teria sido a viúva Ilse von Carnap.”

“Seu filho, Rüdiger, faleceu em 1904 com apenas 14 anos de idade.”

Ela para um pouco de ler e exclama:

— Ai meu Deus!

Ela prossegue.

“ Seu marido Johan faleceu em 1914. Infelizmente, não se sabe exatamente quando Ilse morreu. Presume-se que ela foi enterrada na cripta da família no mausoléu dos Von Carnaps.”

Ela para de ler e argumenta.

— Então é isso. Toda a família de Ilse Von Carnap foi enterrada aqui. Mas… O que aconteceu com ela? E quem é o quarto filho?

Após várias horas de pesquisa, Ewa está mais do que convencida que existe algo muito errado nessa casa. E talvez todo o mistério que envolve a família Von Carnap seja o pontapé inicial de algo muito maior.

Ewa pega vários objetos de uso. Uma lanterna, estilete, uma corda e coloca tudo dentro de sua bolsa. Ela está disposta a tentar descobrir o que há de errado naquela casa, não importa se esteja infringindo alguma regra.

Ela sai da mansão e se dirige rumo ao mausoléu dos Von Carnaps. Ela chega lá com um semblante sério e totalmente decidida.

Ela vê nas esculturas, uma parte com o símbolo do brasão da família. Determinada, Ewa diz:

— Eu não sei o que aconteceu com vocês no passado. Mas eu vou descobrir.

Ewa entra no mausoléu. Naquele momento, ela consegue arrancar coragem de onde não tinha. Mas sabia que estava cometendo um erro. Afinal de contas, estaria “incomodando os mortos”, e todos nós sabemos o que acontece quando um morto é incomodado.

Ewa olha as criptas da família. Ela avista primeiramente a cripta de Johan. Passa a mão na parte onde está escrito o seu nome. Após isso, ela se dirige à tumba de Rudiger, o filho do casal Von Carnap que faleceu com apenas 14 anos de idade.

Outros descendentes Von Carnaps se encontram ali, mas algo intriga Ewa. Ela não encontrou nada em relação ao quarto filho, e na cripta de Ilse estava escrito: Para Ilse, viúva de Von Carnap.

Se Ilse foi enterrada ali, era pra estar o seu nome e sobrenome de casada com a data de seu nascimento e falecimento não? Por que o dela está diferente? Por que não há registro de sua morte?

Ewa decide ir mais além. Ela coloca suas luvas que trouxera na bolsa e decide fazer algo que nem ela mesma está acreditando no que irá fazer.

— Meu Deus, Ewa. Força! Você consegue!

Ewa coloca toda a sua força para tentar empurrar a porta da tumba de Ilse. Ela de primeira fracassa, mas não se rende. Faz força de um lado e depois do outro. Sente que uma hora vai conseguir, mas aquele objeto era demasiado pesado para uma moça jovem e frágil como ela.

Após muito lutar, ela finalmente consegue empurrar a porta da tumba com todas as suas forças fazendo com que caia no chão.

O que Ewa não esperava era que quando ela fosse olhar para o interior da tumba, viria que a mesma se encontrava vazia.

— Não pode ser! Será que… Alguém roubou o corpo da Ilse ou… Ela nunca chegou a ser enterrada aqui?

O mais provável é que fizeram aquela tumba para a própria Ilse ocupar após a sua morte. Mas a pergunta que não quer calar: Se ela era a última sobrevivente dos Von Carnaps, quem iria enterrá-la? Já estamos cientes que seu filho mais velho morreu muito cedo. O que aconteceu depois com Gert e Truth? Eles foram enterrados no mausoléu ou em outro lugar? Eles morreram antes ou depois de Ilse?

E o quarto filho? Sabemos que ele nasceu em 1894. O que aconteceu com ele? Por que o nome dele nunca foi descoberto? O que essa família escondeu durante todo esse tempo a ponto de ocultar a identidade do filho caçula?

Todas essas perguntas que estamos fazendo a nós mesmos, Ewa também se confronta consigo mesma tentando encaixar as peças. É possível que aquele baú com a roupa de bailarina seja da Truth? Ou o 4º filho era uma menina? E por que aquela casa de bonecas está ali intacta? Uma casa ligeiramente moderna para ter sido construída no início do século 20.

A família que Oton mencionou à Ewa teria alguma ligação? Ou tudo não passa de uma mera coincidência? As perguntas insistem em percorrer cada dia mais. Ewa continua ali tentando entender tudo isso. Ela vai um pouco mais atrás perto de uma das esculturas.

Ao apalpar o concreto na parede, ela descobre que há uma pequena porta oculta.

— Ai, meu Deus!

Ela abre. Não crê no que acaba de ver. Ela encontra um túnel na parte de trás do mausoléu. Mas pra onde leva aquele túnel? Seria para dentro da mansão? Ou para algum outro lugar?

Ewa está hesitando, já está em sua segunda noite. Após aquela primeira noite, ela não queria arriscar outra “aventura”. Mas a sede de saber falava mais forte.

Ela pega a sua lanterna e se prepara para encarar aquele túnel escuro sem saber para que rumo vai levá-la.

Ewa começa a andar por aquele túnel. Vai iluminando as paredes e os tetos pra tentar encontrar alguma coisa relativamente suspeita. Ela já fica enojada ao ver que tem ratos ali por perto. O que era de se esperar vindo de um lugar como esses.

Ela está cada vez mais assustada, mas não quis voltar atrás. Quer continuar. Quer saber os mistérios que esconde esse palácio e o que esconde a família Von Carnap.

Ewa insiste mais um pouco. Vê que há uma outra passagem ali na frente que a levaria para algum outro lugar. Ela passa por ali e encontra uma sala com várias esculturas. No meio dela, há uma pedra. Ela se aproxima e encontra o símbolo de um pentagrama desenhado na pedra. Ela olha ao redor e descobre que todo aquele lugar é repleto de símbolos de magia negra.

Velas vermelhas, imagens de cruz invertida. Uma prateleira cheia de cabeças de bonecas. Aquele lugar estava amaldiçoado. Mas pelo visto já tinha tempo que ninguém pisava os pés ali. Pelo menos era o que aparentava, pois tá na cara que fazia muito tempo que aquele lugar não era frequentado.

De imediato, Ewa deduziu de que naquele lugar, era realizado alguma espécie de “culto satânico”. Não tinha nenhuma explicação mais plausível do que essa.

Ewa está de costas olhando para as coisas bizarras dali. E pelo nosso ponto de vista, vemos uma silhueta passando ali atrás acompanhado de um sorriso de criança.

— Ahh! Quem tá aí?

As risadas continuam, porém elas estão se distanciando. Ewa começa a seguir aquelas risadas. Ao chegar mais a fundo daquele túnel secreto. Ewa aponta sua lanterna e vê de longe um garoto de costas.

— Meu… Deus.

O garoto continua de costas. Ewa se aproxima lentamente e diz:

— Rudiger? É você? Rudiger Von Carnap?

E para a sua surpresa e para a nossa, aquele era realmente o espírito do primogênito dos Von Carnaps, Rudiger, que morreu com apenas 14 anos de idade.

Ele se vira lentamente para Ewa. Sua aparência obviamente fantasmagórica é evidente, porém ele não parecia ter intenção de machucar Ewa.

— Eu… Eu sinto muito.

— Sente muito? Sente muito pelo o quê? O que tá acontecendo?

— Eu não queria, eu juro!

— O que você está falando?

— Ela disse que se eu te entregasse, ela iria libertar a minha alma.

— O quê?

— Ela disse que se eu entregar uma alma viva pra ela, ela vai me libertar da maldição de estar vagando por aí.

— Quem te disse isso, Rudiger? Quem te disse isso?

— É… É…

As estruturas do túnel começam a tremer.

— Essa não, ela tá vindo! Ela vai ficar brava comigo!

O espírito de Rudiger se deita no chão e começa a chorar.

— Rudiger! Rudiger! Me diz quem é ela?

— Eu, eu não posso! Eu…

— É a tua mãe, não é? É a Ilse? Ela é que tá por trás de tudo isso?

Ele encara Ewa.

— Fuja daqui, Ewa! Fuja desse lugar!

— Como você sabe o meu nome?

— Ela que fazer com você a mesma coisa que fizeram com seus pais. Ela vai te sacrificar.

— O… O que disse?

Ouve-se uma voz masculina estrondosa:

— RUDIGER!!!

— Papai!

Rudiger vai de encontro os braços de Johan, seu pai.

— O que você fez? Ela está furiosa!

— Não foi minha culpa, papai, eu juro que tentei.

Ewa olha aqueles dois espíritos discutindo.

— Não teremos outra chance, nós…

Ele fita o seu olhar a Ewa.

— Ai meu Deus! É você?

— E… Eu…

— Como pode ainda estar viva?

— O… O quê?

— Pai! Ela não sabe ainda.

— Não, não sabe o quê? O que eu não sei?

Johan olha para Ewa.

— Essa não… Você está exatamente onde ela queria que você viesse, garota. Esse lugar será a sua sepultura.

— O quê? Por que não me digam de uma vez o que tá acontecendo aqui?

— VAMOS EMBORA, FILHO! RÁPIDO!

— ESPEREM! VOLTEM AQUI! ME DIGAM O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Ewa tenta segui-los, mas obviamente por se tratar de espíritos, eles rapidamente se dissiparam. A terra começa a tremer. Ewa tenta escapar. Ao correr mais um pouco, ela pisa numa estrutura de terra no piso que desaba e ela cai em um poço enorme com água e muita sujeira.

— Ahhh! Meu Deus! Meu Deus!

Ewa tenta ver se sua lanterna ainda funciona. Ela bate algumas vezes nela e quando acende, percebe que aquele poço está repleto de esqueletos humanos.

— AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!! SOCORRO!! SOCORRO!

Ewa tenta se desvencilhar daqueles esqueletos. Aquele lugar era um verdadeiro arsenal dos mortos.

Ela vai nadando para a beira daquele lago de cadáveres. Está completamente suja, chorando, em total desespero.

Ela consegue sair de dentro daquele “lago”. Procura alguma saída daquele pesadelo. Está chorando e procura por todos os lados algum canto no qual possa passar.

Uma passagem se abre à direita. Ela se levanta rapidamente e vai em direção à aquela passagem muito ofegante.

Ao chegar na porta daquela passagem. Ela vê que há uma luz forte no fim daquele túnel. Ao dar o primeiro passo adiante, uma mão segura em seu braço.

— Ewa! Não vá!

— Q- Quem é você? Me solta!

— Sou eu, a Ilse. Escuta, você não pode ir para a luz, Ewa.

— NÃO, VOCÊ TÁ TENTANDO ME MATAR! ME DEIXA IR EMBORA!

— Não, Ewa! Precisa confiar em mim, se for pra lá, não vai mais conseguir voltar.

— ME SOLTA! ME SOLTA!

Ewa se desvencilha do fantasma de Ilse. E sai correndo em direção à aquela luz.

— NÃO, EWA! VOCÊ NÃO ENTENDE! ELA QUER QUE VOCÊ ENTRE LÁ! EWAAAA!!!

Ewa não dá ouvidos e continua correndo. Ela finalmente chega até aquela luz. Um clarão domina todo o ambiente, Ewa some e depois não conseguimos ver mais nada.

HORAS DEPOIS…

Ewa está caída no chão. Ela começa a acordar lentamente. Está um pouco confusa. Percebe que está novamente dentro da mansão. Mas a mansão está um pouco iluminada com luzes de tons amarelados. E ela não está na parte de baixo da sala, está em algum lugar lá em cima em um corredor.

Ewa começa a se levantar pouco a pouco. Ainda está dolorida após ter caído naquele poço de corpos humanos. Estranha que a casa esteja talvez um pouco diferente, mas pensa que seja apenas a sua cabeça que ainda está confusa.

Ela ouve alguém cantarolando. O cântico vêm de um dos quartos. Ela caminha seguindo de onde vem a canção. Ela entra em um dos quartos. Quando entra, estranha que aquele quarto está completamente arrumado e cheio de brinquedos, ursos de pelúcia e bonecas de vários tipos.

Ewa está impactada, intrigada, ainda não sabe discernir o sentimento que está tendo naquele momento.

Ela olha para o canto da parede perto da cama. Há uma garota ali. Está de costas com um vestido de princesa agachada e penteando o cabelo enquanto cantarola.

La, la, la, la, la, la…

Ewa se aproxima, assustada. Como aquela garota poderia estar na casa esse tempo todo sem ela ter visto?

— O… Olá! Eu… Posso ajudar?

A moça para de pentear o cabelo instantaneamente. Se analisarmos bem, não era uma garotinha pequena, parecia uma mulher já adulta.

Ewa continua paralisada olhando aquela mulher. Ela começa a se virar lentamente o rosto para Ewa e começa a dar uma gargalhada macabra.

— Hahahahahahahahahahahahahahaha!

— Mas… Quem é você?

A mulher fala com tom infantil e perturbador.

— Seja bem vinda, Ewa… Essa é sua última parada, querida. Hahahahahahahaha.

Para Ewa, o seu destino estava traçado. E agora mais do que nunca ela se encontra…

Em um beco sem saída.

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  • Que episódio foi esse? SENSACIONAL!
    Desde do ato de abertura já nos deixa intrigados, “quem seria a mulher na janela e porque o saudado se mata logo depois de vê-la?
    O decorrer do episódio segue sendo bem estruturado, senti todo o suspense do episódio.
    Mil e uma teorias já se forma na minha cabeça.
    Mais uma vez, meus parabéns ao grande autor: Melqui Rodrigues

  • Um episódio intrigante, chocante e sabe que a Ewa está apenas entrando nisso que podemos chamar de o purgatório de The Dool on The House! Esplêndido! Nota 8. Baita execução nesse belíssimo episódio. Que introdução chocante

  • Que episódio foi esse? SENSACIONAL!
    Desde do ato de abertura já nos deixa intrigados, “quem seria a mulher na janela e porque o saudado se mata logo depois de vê-la?
    O decorrer do episódio segue sendo bem estruturado, senti todo o suspense do episódio.
    Mil e uma teorias já se forma na minha cabeça.
    Mais uma vez, meus parabéns ao grande autor: Melqui Rodrigues

  • Um episódio intrigante, chocante e sabe que a Ewa está apenas entrando nisso que podemos chamar de o purgatório de The Dool on The House! Esplêndido! Nota 8. Baita execução nesse belíssimo episódio. Que introdução chocante

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