En las cercanías de Alcatraz
Capítulo IV – Nem tudo é o que parece

Uma estrada deserta com árvores floridas de ambos os lados. Um C4 vermelho surge lentamente naquela estrada em direção à clínica de reabilitação que há no fundo da mesma.
O carro estaciona em frente à um ipê de folhas roxas. A delegada Carmen Sanchez desce do veículo usando uma saia preta justa e comprida, camisa branca e terno combinando com a saia. Ela fecha a porta do C4, retira os óculos escuros e se escora ao lado do veículo. Do outro lado da rua uma grande casa, em meio à diversos e diferentes arbustos, com sua pintura renovada. Na frente uma grande cerca de ferro e nas laterais muros altos com cerca elétrica na parte superior. “Com certeza redobraram a segurança do local depois da fuga de Rebeca”, pensou Carmen consigo mesma.

Carmen fica ali parada alguns minutos apenas observando o lugar. No pátio ao lado da grande casa, debaixo de muitas árvores, alguns pacientes tomam sol. Alguns em companhia de enfermeiros e outros mais isolados pelos cantos. Cada um com sua particularidade.

Carmen liga o alarme do C4 e atravessa a rua em direção à clínica. Enquanto se aproxima, uma mulher usando uma longa camisola branca, de cabelos compridos, grisalhos e despenteados, com um olhar estranho chega perto da cerca da frente. Ela olha firme para a delegada Carmen, que a encara enquanto toca a campainha.

Recepcionista
– Pronto! Quem gostaria?

Carmen olha para o alto do portão, para uma câmera.

Carmen
– Carmen Sanchez. Liguei pela manhã. Fiquei de vir falar com o diretor Henrique.

Recepcionista
– Sim. Já vou abrir.

Carmen sorri na direção da câmera. A mulher continua a encará-la. Escuta-se o bip do portão sendo liberado. Carmen o empurra e entra. A mulher sorri um sorriso amarelado e sarcástico e se vira voltando para junto dos demais pacientes.

Carmen Sanchez entra pela porta de vidro da clínica. Com passos firmes, cabeça erguida e demonstrando toda sua altivez e segurança, ela aproxima-se da recepção.

Carmen
– Delegada Carmen Sanchez, boa tarde.

A recepcionista levanta a cabeça, tirando os olhos da tela do computador.

Recepcionista
– Boa tarde. O diretor Henrique me avisou que logo está chegando. Que você pode ficar à vontade lhe esperando.

Carmen sorri encarando o quadro na parede atrás da recepção. Uma foto da atual equipe de funcionários da clinica.

Recepcionista
– Se quiser um café fique à vontade.

Ela aponta para uma máquina no início do corredor.

Carmen
– Não, obrigada.

Uma jovem enfermeira está passando pela recepção levando alguns medicamentos.

Enfermeira
– Se fosse você aceitava. A máquina estragou e tá dando café de graça.

Carmen encara a enfermeira com espanto.

Recepcionista
– Ela tá certa. Café de graça desde ontem. Prometeram vir arrumar e, adivinha?

Carmen
– Um capuccino não seria má ideia…

A delegada se aproxima da máquina servindo-se de um café enquanto fica a observar através de uma porta dupla de vidro, alguns pacientes no pátio.

A mesma mulher que lhe observou quando ela chegou, se pára em frente à porta dupla que se abre. Ela encara Carmen e sorri de um modo que deixa a delegada desconcertada. A mulher dá dois passos para dentro e a porta se fecha. Carmen, segurando seu café, acompanha o trajeto daquela mulher que passa por ela sempre lhe encarando e sorrindo aquele sorriso amarelo e amedrontador, e segue pelo longo corredor.

A recepcionista que observara tudo, se intromete.

Recepcionista
– Teresa Dalla Santa. Nossa paciente há quase vinte anos. Não dê muita “bola” pra ela não. Esta não tem concerto.

Carmen lança um olhar de reprovação para a recepcionista. Como podem falar assim de uma pessoa? Ainda mais em um lugar que deveria agir de tal forma a ajudar e proteger estes pacientes. Carmen toma um gole do seu café e volta olhar a mulher seguindo pelo corredor.

A mulher se vira e fica parada em frente à porta de um quarto no final do corredor. Olha para Carmen e sorri ao mesmo tempo em que faz um sinal com a mão chamando-a para lhe acompanhar. Carmen espanta-se com a atitude. Olha para os lados. Olha para a recepcionista concentrada novamente no computador. Toma mais um gole do seu café e larga o copo em frente a máquina. Disfarçadamente, se lança ao corredor rapidamente, pois algo lhe diz que deve atender aquele chamado e ver o que aquela misteriosa mulher tem pra lhe dizer…ou lhe mostrar.

No interior daquele quarto aquela mulher permanece imóvel de frente para a janela de fortes grades de ferro. Lá fora só consegue se ver o topo das árvores altas balançando com o vento. Carmen Sanchez aparece na porta e fica parada olhando aquela mulher.

Carmen
– Com licença…

A mulher sorri sem tirar os olhos da janela.

Carmen
– Você é a Teresa, certo?

A mulher estende o braço direito e passa a mão nas grades de ferro da janela. Aos poucos vai se virando.

Mulher
– Já ouviu falar de mim? Já lhe disseram que não tenho concerto, não é mesmo?

A mulher fica de frente para Carmen.

Mulher
– Sim. Teresa Dalla Santa. A mais antiga moradora deste lugar.

Teresa, devagar, caminha até a cama estendida com lençóis brancos e senta-se. Olha para uma poltrona ao lado da porta e estende a mão indicando-a para Carmen.

Teresa
– À vontade, delegada Carmen Sanchez. Temos muito o que conversar.

Carmen Sanchez, um pouco relutante com o convite, adentra aquele quarto que possui um cheiro insuportável de podre, passa a mão no acento da poltrona tirando a poeira que é visível e se senta. Tudo sob olhares de Teresa e sob seu sorriso sarcástico de canto de boca.

Teresa
– Às vezes pra desvendar os mais intrigantes mistérios precisamos mergulhar nos mais tenebrosos e nojentos lugares, delegada.

Carmen
– Pronto. Aqui estou. O que tem pra me dizer?

Teresa sorri e Carmen pode notar seus dentes amarelados e podres.

Residência de Carmen Sanchez

Joaquim brinca com um carrinho na soleira da janela da frente. Ele levanta a cabeça e vê um carro estacionado do outro lado da rua. Concentra seu olhar no veículo, que tem o vidro do motorista baixado. Arthur sorri e abana para Joaquim, que disfarça tímido, baixa o olhar e continua brincando.

Barraco de Jay

Atirados no sofá velho e abraçados, Jay e Rebeca dão risadas. Ela acaricia os cabelos dele que fica admirando o olhar dela.

Rebeca
– Quero ouvir uma música!

Jay
– Alguma preferência?

Rebeca se desvencilha do abraço e se senta pegando o instrumento que está escorado no braço do sofá. Ela alcança para ele.

Rebeca
– Não tenho…escolhe você. Sabe me fazer sentir bem. Confio em ti.

Jay pega a capa do violino retirando-o a se ajeita. Começa a tocar melodias suaves que aos poucos se infiltram nos ouvidos de Rebeca, que fecha os olhos com um sorriso estampado nos lábios.

Jay
– Está gostando?

Rebeca nem abre os olhos.

Rebeca
– Tua música me acalma. Me faz um bem…

Rebeca abre os olhos encarando Jay. Se aproxima dele, pega o instrumento e o larga sobre o sofá. Acaricia novamente os cabelos daquele homem à sua frente.

Rebeca
– Você me faz tãaao bem…

Ela aproxima seus lábios dos lábios dele e…

Clínica Frederick Angels

Teresa e Carmen frente à frente.

Teresa
– Delegada Carmen Sanchez, tu veio atrás de informações sobre a menina Rebeca, não é mesmo?

Carmen se espanta com as palavras diretas de Teresa e como ela sabia disso.

Carmen
– Você conheceu Rebeca?

Teresa olha para as paredes pintadas de cinza daquele quarto.

Teresa
– Vinte anos…vinte anos aqui enfurnada neste lugar. Já vi muita gente passar por aqui.

Teresa fixa o olhar em um roupeiro de madeira de duas portas em um canto do quarto. Ela aponta com o dedo para a lateral cheia de arranhaduras.

Teresa
– Tá vendo ali, ó! Foi a menina Rebeca que fez em um de seus surtos.

Carmen
– Vocês eram…amigas?

Teresa dá uma alta gargalhada que assusta a delegada. Carmen está inquieta na poltrona. Sente-se incomodada.

Teresa
– Rebeca não era muito de fazer amizade…

Teresa inclina-se um pouco para a frente e faz sinal com o dedo para Carmen fazer o mesmo. Ela cochicha para a delegada.

Teresa
– …exceto com a enfermeira Dulce…pergunta pro diretor Henrique depois. Pede pra falar com a Dulce do quarto 412.

Carmen fica mais espantada com o que acaba de descobrir. Arregala os olhos.

Carmen
– Tu tá me dizendo que tem uma enfermeira internada aqui e que era amiga de Rebeca?

Teresa sorri distintamente.

Residência de Carmen Sanchez

Em frente à casa da delegada, Arthur desce do veículo, fecha a porta, liga o alarme, puxa o boné bem contra o seu rosto, olha para ambos os lados e acelera o passo atravessando a rua em direção à residência. Ele sobe o lance de três degraus, ameaça bater na porta e refuga por alguns instantes. Se vira, desce os degraus decidido a desistir. Sorri, se vira novamente e sobe os degraus. Sem pensar muito, bate três vezes na porta. Pronto, agora estava feito. Precisava levar adiante, não podia mais voltar atrás.

No interior da casa, Joaquim larga seus brinquedos e corre para abrir a porta…

Clínica Frederick Angels

Teresa se levanta e abre o roupeiro retirando algumas peças de roupas velhas de dentro.

Teresa
– Dulce foi a primeira enfermeira contratada aqui. Era uma espécie de braço direito do Dr. Frederick na época em que ele abriu a casa. Eu vim pra cá exatamente uma semana depois de aberta…e sofri nas mãos daquela desgraçada.

Teresa encontra o que procurava. Uma camisa branca, amarelada com o tempo. Ela estende o braço entregando para Carmen.

Carmen
– O que é isso?

Carmen nota manchas de sangue seco naquela camisa. Pega e a examina. Teresa retorna para seu lugar.

Teresa
– A pequena Rebeca usava esta camisa quando fugiu daqui.

Carmen
– E este sangue?

Teresa
– A fuga não foi fácil, delegada. E ela não teria escapado se não fosse a ajuda de Dulce.

Carmen larga a camisa sobre o colo. Parece que aquela estranha mulher tem informações muito relevantes perante o caso que ela está investigando.

Carmen
– Não me esconda nada Teresa. Preciso saber de cada detalhe.

Teresa arregala os olhos parecendo ouvir alguma coisa do lado de fora da clínica.

Teresa
– Acho que não poderá ser hoje, delegada. O motivo da tua vinda está chegando…

Carmen
– Diretor Henrique?

Teresa se levanta e vai até a porta do quarto.

Teresa
– E se não quiser trazer problemas para a mocinha da recepção é melhor você correr pra lá, antes que ele saiba que tu tá andando pela clínica.

Carmen se recompõe. Levanta, larga a camisa na poltrona.

Carmen
– Mas quando podemos falar mais?

Teresa não responde, apenas faz sinal com a mão para que Carmen se retire.

Carmen
– Eu preciso saber de tudo…

Carmen sai pela porta e volta pelo corredor para a recepção.

Teresa
– Não esquece, delegada. Pede pra falar com a Dulce. Ela também tem muito à te dizer.

Residência de Carmen Sanchez

Joaquim abre a porta. O garoto olha para cima encarando Arthur, que retira o boné e dá um sorriso para o menino na sua frente.

Arthur
– Olá garoto!

Arthur dá uma olhada para dentro da casa.

Joaquim
– Oi.

Arthur
– Papai…ou a mamãe tão aí?

Joaquim, agarrado na maçaneta da porta e envergonhado vira a cabeça para dentro.

Joaquim
– Papaiiii!

Tão logo Joaquim chama, Jairo aparece no corredor de calção, camiseta, pés descalços e um pano de prato nos ombros. Jairo aproxima-se da porta.

Jairo
– Pode entrar filho. Vai brincar, vai. Deixa que o papai fala com o tio.

Arthur permanece sorrindo e abana para o garoto, que baixa a cabeça e sai correndo para dentro.

Jairo
– Que mania destas crianças de abrirem a porta…

Jairo encara Arthur, que muda o semblante.

Arthur
– Ahhh, desculpa. Não quero causar nenhum incômodo.

Jairo
– Não, que isso. É que sabe como é que é né? Não dá pra se arriscar hoje em dia.

Arthur estende a mão.

Arthur
– Arthur. Novo na cidade. Chegando agora na verdade. E tô procurando imóvel para alugar nestas redondezas.

Jairo estende a mão cumprimentando o homem à sua frente.

Jairo
– Prazer, Jairo…imóvel por aqui, é?

Arthur sorri e dá de ombros.

Jairo
– Todo mundo quer sair daqui e você chegando…

Jairo dá lado.

Jairo
– …entra, por favor. Deve tá cansado da viagem.

Arthur baixa a cabeça e entra. Era tudo o que ele queria. Já estava mais próximo de Carmen. Se ela não se encontrava naquele momento, ao menos ele iria descobrir a rotina daquele lugar, conhecer seu marido, conhecer seu filho.

Clínica Frederick Angels

A delegada Carmen Sanchez volta até a recepção, disfarça e fica escorada ao lado da máquina de café. Lá fora, o diretor Henrique conversa com um enfermeiro que acompanha um paciente no pátio. A recepcionista tira os olhos da tela do computador.

Recepcionista
– Pronto. Nem demorou tanto. Diretor Henrique está chegando.

Carmen sorri. Será que a recepcionista não notou que ela não estava ali durante algum tempo?

O diretor Henrique atravessa a porta de vidro trajado socialmente e carregando uma pasta preta.

Henrique
– Boa tarde.

Recepcionista
– Boa tarde, seu Henrique.

Carmen Sanchez se aproxima do balcão de atendimento antes mesmo de ser apresentada pela recepcionista. Estende a mão para o diretor.

Carmen
– Boa tarde. Delegada Carmen Sanchez.

Antes de lhe estender a mão, Henrique lança um olhar rápido de cima até embaixo. Sorri um sorriso um tanto desconfiado, e a cumprimenta.

Henrique
– Boa tarde, delegada. Uma honra recebê-la aqui na clínica.

Henrique olha para a sua recepcionista.

Henrique
– Alguma novidade? Algum problema?

Recepcionista
– Nada não, seu Henrique.

Henrique
– Ótimo. Então você pede para que levem um café e duas xícaras e alguns biscoitos até minha sala.

Henrique olha para a delegada.

Henrique
– Me acompanhe, por favor, delegada. E desculpe fazê-la esperar.

Carmen apenas assente com a cabeça que tá tudo bem e acompanha o diretor pela escada lateral em direção ao piso superior.

Na sala do diretor

Henrique abre a porta e deixa a delegada Carmen entrar primeiro. Ele entra e fecha a porta se dirigindo para sua mesa entulhada de documentos.

Henrique
– Sente-se delegada.

Carmen sorri, puxa a cadeira de estofado azul escuro e se acomoda. Henrique faz o mesmo.

Henrique
– Então, delegada Carmen Sanchez, o que devo a honra de sua visita? Já conhecia nossa clínica?

Carmen
– Conheço o lugar, mas de tempos atrás…pelo pouco que vi notei que mudou muita coisa…

Henrique
– Precisamos fazer melhorias com o tempo, delegada. Dar o melhor para nossos pacientes. Fazer com que eles se sintam bem e felizes, embora muitas vezes, seus casos sejam bastante complicados.

Carmen escuta as palavras do diretor na sua frente, mas por dentro está se remoendo. Se é realmente tudo que ele está falando, porque diabos permite que uma funcionária fale daquele jeito dos pacientes, como ela ouviu a recepcionista comentar sobre Teresa.

Henrique
– Não querendo me gabar, mas nossa clínica é referência na região desde que assumi, delegada. E isso não é apenas trabalho meu, preciso dividir com meus funcionários, com o governo, com a população…

Carmen se mostra de uma maneira no seu exterior, mas por dentro está se segurando para não falar algumas verdades. Sabe que não é nada daquilo que o diretor Henrique está falando. No fundo ela imaginava ele totalmente diferente de que está aparentando. Ela respira fundo enquanto ele se vangloria do outro lado da mesa.

Carmen
– Um lugar destes sempre necessita de melhorias. Estes pacientes precisam de todo cuidado possível, toda a atenção e os melhores ao seu redor.

A porta se abre e uma senhora de cabelos pretos amarrados em um coque e usando um avental, entra carregando uma bandeja com uma jarra de café, duas xícaras e um recipiente com alguns biscoitos.

Senhora
– Com licença.

Henrique
– Pode deixar aqui na mesa dona Ana.

Henrique coloca alguns documentos de lado abrindo espaço na mesa.

dona Ana
– Aqui está.

Ela larga a bandeja e serve café nas duas xícaras.

Carmen
– Obrigada.

Henrique
– Obrigado dona Ana.

O diretor e a delegada pegam suas xícaras enquanto dona Ana se retira fechando a porta.

Henrique
– Mas como lhe perguntei, o que te traz aqui, delegada Carmen?

Carmen larga a xícara sobre a mesa.

Carmen
– Rebeca. Menina Rebeca internada aqui há um tempo atrás e que escapou desta clínica.

Henrique muda seu semblante. Toma mais um gole do seu café. Larga a xícara na mesa.

Henrique
– Bom…esta menina nos causou grandes problemas, delegada…e grandes perdas…

Ele se recosta no encosto do estofado azul da cadeira.

Residência de Carmen Sanchez

Jairo entrega um copo de água para Arthur, que está sentado no sofá, e se senta na poltrona grande com as costas bem apoiadas no encosto.

Jairo
– Então…Arthur né? O que te faz querer vir pra cá?

Arthur toma um grande gole de sua água.

Arthur
– Cansei da vida na cidade grande, sabe? Cansei de viagens longas, trabalhos árduos. Quero sossegar um pouco. E acho que acabei de encontrar o lugar certo.

Jairo
– Sou suspeito em falar porque gosto muito daqui desta região. Mas, não é o mesmo que muitos outros pensam. Tem muita gente querendo ir embora daqui. Sabe, crimes, assassinatos…

Arthur faz cara de espanto.

Arthur
– Mas ouvi falar da eficácia das autoridades policiais daqui.

Jairo
– Modéstia à parte, esta eficácia está prestes a voltar, depois de uns anos difíceis.

Jairo inclina o corpo para a frente.

Jairo
– Minha esposa é a delegada.

Arthur fica surpreso, mas na verdade ele já sabe de tudo. Só está jogando para conseguir maiores informações sobre Carmen.

Arthur
– Ahh, é? Então aqui próximo estarei bem protegido?

Jairo faz sinal de positivo com a cabeça e sorri. Arthur toma mais um gole de sua água. Joaquim se aproxima deles e se acomoda ao lado de Jairo.

Arthur
– E este é o filho de vocês?

Jairo
– Joaquim…não nosso filho biológico. O adotamos ele não tinha um ano de idade. Mas é nosso pequeno talismã.

Jairo abraça o menino tímido ao seu lado.

Sala do diretor

Carmen segura uma pasta aberta em mãos sobre a mesa. Henrique à observa. Ela finaliza a leitura, fecha a pasta, se recosta na cadeira e suspira fundo.

Henrique
– Viu com os próprios olhos delegada? Muitos problemas que tive que contornar.

Carmen
– Todos estes funcionários em tão pouco tempo?

Henrique
– Pois é.

Carmen
– Só que não vejo uma preocupação por parte de vocês em saber onde ela está, o que está causando por aí…

Henrique bate de leve com ambas as mãos sobre a mesa. Sorri debochadamente.

Henrique
– Este é o trabalho de vocês, delegada. E eu garanto que se ela voltar pra cá, ela nunca mais vai fugir…e se, depender de mim, nem ver a luz do sol.

Carmen se espanta com a frieza e deboche do diretor. Olha para uma placa na parede com o slogan da clínica “Clínica de Reabilitação Frederick Angels – Buscando novos estilos de vida para entregarmos produtivos e saudáveis à família”.

Carmen
– Acho que este não é o propósito deste lugar.

Henrique
– Você não se mete no meu trabalho e eu não me intrometo nas tuas investigações, delegada.

Carmen
– Não estou me intrometendo e nem quero que você se intrometa. Somente que cada um faça o seu trabalho bem feito.

Henrique se levanta. Com expressão séria, se dirige até a porta e abre-a. Faz sinal convidando a delegada para se retirar.

Henrique
– Uma honra ter lhe recebido, mas…agora acho que já é hora da senhora se retirar e deixar eu fazer o meu trabalho.

Carmen larga o copo na mesa, se levanta e vai para a porta. Antes de se retirar, pára em frente ao diretor e lhe encara nos olhos.

Carmen
– Voltarei para conversar com a enfermeira Dulce. Farei uma visita pra ela. Tenha uma boa tarde, diretor.

Carmen se retira. Henrique fica pasmo querendo entenderer como ela sabia de Dulce.

Mais tarde…

…nas ruas de Alcatraz

Rebeca, usando uma calça de couro preta, camiseta branca e uma jaqueta jeans desbotada por cima, caminha sorridente com sua maquiagem pesada, ao lado de Jay, que usa uma calça jeans rasgada e camiseta preta.

Rebeca
– Ninguém nunca me levou pra jantar.

Jay
– Não vai pensando que é algo muito chique, porque não é. O dinheiro tá curto.

Ele faz uma cara triste.

Jay
– Parece que ninguém dá muita atenção para músicos de rua hoje em dia.

Rebeca
– Porque são uns idiotas! Eu dou atenção e olha só? Hoje sou a pessoa mais feliz do mundo.

O casal chega em uma esquina. Jay puxa Rebeca pela mão e lhe dá um beijo antes de atravessarem a rua. Um carro com adolescentes indo para alguma festa passa em velocidade elevada com uma música alta tocando. O casal observa e sorri juntos.

Jay
– Bons tempos de adolescência.

Rebeca baixa a cabeça. Parece tristonha.

Jay
– O que foi? Não acha que eram bons estes tempos?

Rebeca
– Pra quem teve a chance de viver estes tempos, com certeza.

O casal atravessa a rua. As luzes dos postes iluminam a noite escura da cidade.

Jay
– Você nunca me contou da tua adolescência.

Rebeca
– Porque eu não tive.

Do outro lado da rua, debaixo da luz amarelada de um poste, o casal fica de frente um para o outro. Jay acaricia o rosto de Rebeca.

Jay
– Ok. Sem chorar. Agora você tá aqui comigo. Aproveite o momento.

Um senhor com um longo casacão preto e boina passa pelo casal espantando-se. Ele cruza por eles, vira a cabeça e continua à observá-los até chegar na esquina. Através dos olhos do senhor, Rebeca está sozinha como se falasse e abraçasse alguém. O senhor acelera o passo assustando-se com aquela imagem.

Restaurante La Luna

O recepcionista uniformizado na porta do restaurante confere em uma lista os nomes das pessoas que vão chegando. O restaurante La Luna funciona apenas com sistema de reservas e naquela tarde Jay ligara para o local reservando uma mesa para dois. Lá dentro já se podia ver várias mesas ocupadas e se ouvir uma música ambiente bastante agradável.

Rebeca e Jay surgem de mãos dadas há alguns metros do local, mas na medida em que se aproximam do recepcionista a imagem de Jay vai desaparecendo e Rebeca chega sozinha na entrada do restaurante.

Rebeca
– Boa noite.

Recepcionista
– Boa noite, senhorita. Nome por favor!

Rebeca
– Está em nome de Jay…

Rebeca olha para o lado.

Rebeca
– …não é meu bem?

O recepcionista espanta-se, pois na sua frente encontra-se somente a jovem. Ele olha para a lista sobre um púlpito.

Recepcionista
– Não há nenhum Jay na lista de reservas.

Rebeca encara Jay.

Rebeca
– Mas você fez a reserva, eu vi quando você ligou…

O recepcionista não acredita no que está vendo.

Recepcionista
– Senhorita…não há ninguém mais aqui à não ser eu e você.

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  • Chocado com esse episódio. Como vc pode colocar um fantasma pra acompanhar Rebeca. Melhor, ele veio pra recuperar a Rebeca. Ô louco estou em choque. Não imaginei isso amigo! Muito bom.
    Que treta da Carmen com o Henrique hein. Tem mato nesse Coelho.

    • Imaginei que a sua reação seria esta depois do comentário que fez do capítulo anterior. Sim, a ideia era trazer ele pra “melhorar” ela, mas será que isso acontece? Acompanhe nos capítulos seguintes. Valeu por estar curtindo a história.

  • Chocado com esse episódio. Como vc pode colocar um fantasma pra acompanhar Rebeca. Melhor, ele veio pra recuperar a Rebeca. Ô louco estou em choque. Não imaginei isso amigo! Muito bom.
    Que treta da Carmen com o Henrique hein. Tem mato nesse Coelho.

    • Imaginei que a sua reação seria esta depois do comentário que fez do capítulo anterior. Sim, a ideia era trazer ele pra “melhorar” ela, mas será que isso acontece? Acompanhe nos capítulos seguintes. Valeu por estar curtindo a história.

  • Finalmente consegui ler esse episódio. Chocado e estarrecido que o Jay era tudo obra da mente da Rebeca. Ah não, véi! Eu shippava muito eles, nunca imaginei que isso pudesse acontecer. I´m Sad.

  • Finalmente consegui ler esse episódio. Chocado e estarrecido que o Jay era tudo obra da mente da Rebeca. Ah não, véi! Eu shippava muito eles, nunca imaginei que isso pudesse acontecer. I´m Sad.

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