A Guerra Albânica

 

O Sol desaparecia atrás da montanha. De onde Nathan estava, era possível ver dois exércitos poderosos: de um lado, os Guerreiros Albânicos liderados por Marte; do outro, cheios de ódio, os Morbs. O clima era tenso. Nathan, assustado, não tinha ideia do que fazer diante de forças tão poderosas. Pensou em várias possibilidades, uma delas, pedir a Marte para não deflagrar a guerra. O menino temia pela segurança de todos. Apesar do medo, Nathan esgueirou-se colina abaixo para tentar espreitar os inimigos. Os dois exércitos preparavam-se para o ataque. O brado de guerra foi dado. O som das armas e os gritos dos morbs eram de gelar a alma.

“Queria que meu avô e Luzi estivessem aqui comigo”, pensou Nathan. “Onde será que estão?”

Nathan via passarem, não muito longe, aquelas bestas infernais, ávidas para destruir qualquer coisa que aparecesse na frente. O garoto manteve-se bem rente à relva e quieto. E enquanto observava o movimento inimigo, sentiu um calor nas costas e em seguida um fungar úmido. De repente, um rosnado fez seu sangue gelar. Apavorado, virou-se lentamente e deu de cara com um Hemolúpus. Com olhos vermelhos e presas prontas para estraçalhar, o monstro eriçou os pelos do pescoço, sinal que daria o bote. Impotente, o menino fechou os olhos e preparou-se para o fim. Preparou-se para ser devorado quando, naquele mesmo instante, escutou um ganido fino e uma pancada surda no chão. Receoso, abriu um dos olhos e com a visão ainda embaçada pôde ver a silhueta de seu avô ao lado do corpo do Hemolúpus.

— VÔ! — Gritou, de tanta alegria.

— Está tudo bem, quieto agora. Eles poderão nos ouvir.

— Onde está Luzi?

— Está aqui comigo, no bolso — respondeu o avô. Luzinete saiu bem devagar, colocando somente os olhinhos para fora. Quando a viu, o rosto de Nathan se iluminou. Luzinete, ainda em recuperação e um pouco debilitada, piscou várias cores de alegria.

— Estive com o Senhor Supremo.

Surpreso e curioso, o Orientador arregalou os olhos, segurou o neto pelos ombros e implorou para que contasse todos os detalhes.

— Ele é um garoto — começou Nathan.

— Sim, filho. Para você ele é um garoto. Mas diga: ele disse o que devemos fazer?

— Pediu para avisar que o confronto será inevitável. E que uma grande transformação irá ocorrer. — Explicou.

O Orientador passou a mão na testa e lançou um olhar para o campo de batalha. Queria que não houvesse guerra.

Do local onde estavam, ouvia-se a conclamação de Marte:

— IRMÃOS GUERREIROS, ESTE É O MOMENTO, A BATALHA QUE NOS LIBERTARÁ DA OPRESSÃO. UMA LUTA PARA FAZER SURGIR A ESPERANÇA. LUTEMOS PARA EVOLUIR.

Todos os guerreiros, sem exceção, ergueram as espadas douradas e deram o grito de guerra. Marte continuou: — SEREMOS UM SÓ. NÃO PENSEM NA GUERRA, MAS NA PAZ QUE SE SEGUIRÁ E NA QUAL DESCANSAREMOS ORGULHOSOS E FELIZES. PREPAREM-SE.

O exército albânico formava um bloco impenetrável, com Marte logo à frente. Do outro lado, estava o indisciplinado exército dos morbs, impulsionado apenas pelo ódio. Empurravam-se uns aos outros, rosnavam, acotovelavam-se vez ou outra.

O movimento dos dois exércitos fez a terra tremer. Nathan encolheu-se apavorado. O Orientador o abraçou: — Coragem, é o que deve acontecer. Não há mudanças sem crise.

À medida que o exército albânico avançava, os guerreiros irradiavam de seus corpos uma estranha luz branca. As espadas tornaram-se incandescentes. Era uma força tão poderosa que pedregulhos e pequenas rochas levitavam por onde os guerreiros passavam. Do outro lado, os Morbs, empurravam-se e corriam, ansiosos pela carnificina. O estrondo do choque entre os dois exércitos liberou uma força incrível. A onda de choque fez as árvores se curvarem como capim ao vento. Os Albânicos, com espadas poderosas, atravessavam a garganta dos Morbs com facilidade. Um único guerreiro albânico fazia quatro inimigos caírem com um só golpe. A vantagem estava do lado do exército branco, mas algo estranho aconteceu. Como que sob o efeito de um forte feitiço, quando Marte se preparava para atingir o líder morb com sua espada, sua mão fraquejou. Com uma expressão maligna e ao mesmo tempo um olhar de vingança, o líder ergueu sua lança e preparou-se revidar. O Orientador, de onde estava, sentiu que o exército albânico foi envolvido pela força maligna.

— Filho, o mal está entre nós. Nosso exército está sob sua influência.

Nathan ergueu a cabeça e viu Marte caído de joelhos, apoiado na espada, de cabeça baixa, totalmente vulnerável. O líder morb, sem demora, investiu contra seu pescoço. Nathan, num impulso rápido, estendeu a mão e gritou:

— NÃO!

Uma luz azul intensa partiu de sua mão e paralisou o inimigo que, sem saber o que o impedia, urrou de ódio. Marte reergueu-se com dificuldade, olhou para Nathan e disse:

— O elo; posso senti-lo. — E o ânimo voltou.

— AVANCEM, GUERREIROS. ESTA É A HORA — bradou, reassumindo a linha de frente de combate.

Nathan olhou para suas mãos e se perguntou:

— O que foi que eu fiz?

— Filho, esta é a força que existe dentro de você. Ela é transformadora — explicou o Orientador. Luzinete mal podia acreditar no que vira.

— Mas não sei como eu fiz isso.

— Fé. Sim, ela desperta em nós uma força que desconhecemos.

— Então, desejo acabar com essa guerra — E, num impulso, correu desprotegido para a zona de conflito. O Orientador tentou detê-lo, mas foi inútil. O menino correu colina abaixo em direção a Marte. Sua ansiedade e desespero o fizeram tropeçar, cair e rolar várias vezes. Um guerreiro albânico o segurou pelo braço e disse:

— Não faça isso, garoto. É perigoso.

— Preciso ir. Por favor, me largue. — E, num movimento rápido, Nathan conseguiu se soltar e seguiu em direção ao centro da batalha. Estava cego pela vontade sem limites de parar a guerra. Enquanto corria, passava perigosamente perto de espadas e lanças dos dois exércitos, flechas zuniam ao passarem quase de raspão pela sua cabeça. Então, um morb o viu. Sem hesitar, correu cheio de fúria para atacar Nathan. Alcançou-o. E aos gritos ergueu selvagemente a clava cintilante. Com mãos poderosas, lançou um golpe contra a cabeça do garoto. Seria fatal se não fosse por Mart surgir, no último instante, bem atrás do morb para golpeá-lo mortalmente. O corpo bateu seco no chão já sem vida.

— Um guerreiro sempre protege seu companheiro — disse o general.

— Obrigado. Mas temos que parar esta batalha. Não importa se essa é a vontade do Senhor Supremo. A guerra tem que parar. — Disse Nathan em tom de súplica, olhando em volta receoso de algum outro ataque surpresa.

— Essa batalha só cessará quando o último morb cair.

Nem bem Marte terminara a frase, o chão tremeu. Nathan assustou-se com o som ensurdecedor. O general não acreditou no que viu. Outro gigante surgiu. Parecido com um grande gorila, com presas como as de um tigre, mãos e pés muito grandes e poderosos, pele escamada, olhar frio. Com ar de demência e impiedade, brandia a clava cintilante. Seu alvo: Nathan. O monstro correu como um louco enraivecido em direção ao menino. Não havia como pará-lo. Nada poderia ser tão forte que pudesse desviá-lo de seu objetivo. Com um gesto de desespero, Nathan estendeu a mão e gritou: — NÃO! — Sua mão brilhou e dela partiu uma bola de luz que atingiu o gigante bem no meio da testa. A força do impacto foi tamanha que aquele imenso corpo desmoronou. Marte, boquiaberto, disse:

— Você é com certeza o escolhido. Disso não tenho dúvida.

Ainda assustado, Nathan tentou esboçar um sorriso de alívio.

— Temos que parar essa guerra agora. Mais uma onda de energia do mal atingirá o nosso exército — disse Nathan.

— Lutaremos até o fim. — Marte levantou a espada dourada e partiu contra os morbs.

Nathan, de joelhos, observava o campo de horrores. Naquele instante, como que horrorizado pelo combate sangrento, sua mente se dissociou. Tudo ficou diferente. Apesar de ver aqueles seres se digladiando com todo poder e fúria, para ele, nada daquilo parecia fazer sentido. “Para que tudo isso? Quem vai dominar quem? Qual o propósito de tudo isso?”. Nathan se levantou e caminhou por entre os guerreiros agora sem ser notado. De repente, uma sensação de paz inundou seu espírito. Olhou para o céu e uma luz suave atravessou as nuvens. Nathan fechou os olhos e escutou uma voz que lhe soou familiar:

— Nathan, presente do céu, agora entende. — Era a Grande Mãe. — Você atingiu a compreensão máxima. Não há dois caminhos. Só o bem vence. A evolução deverá acontecer. — E a voz desapareceu, deixando somente o sentimento carinhoso de suas palavras.

O menino abriu os olhos, estendeu os braços para o alto e disse em pensamento: “Que a guerra pare!”. Imediatamente tudo caiu em profundo silêncio e escuridão. Era como se nada mais existisse. Ao seu lado direito surgiu uma luz calma e clara, que oscilava entre o azul e o dourado. Ela se aproximou e emanou uma voz:

— Olá, presente do céu. Certamente lembra-se de mim.

O garoto logo reconheceu:

— Você, claro que lembro; é o Senhor Supremo. Eu o conheci na forma de um garoto.

— Sim, uma das formas que mais gosto de assumir.

— Por que aqui você não tem forma?

— Quando o entendimento se eleva, como acaba de acontecer com você, a forma deixa de existir. Somente a sensação é importante. — Olhe para você. — Nathan voltou o olhar para si e também viu que não tinha forma.

— Uau! — Exclamou.

— Esta é sua verdadeira essência.

— Que lugar é este? O que houve com o campo de batalha?

— Aqui é um lugar neutro, onde as transformações são possíveis.

— E o que estamos esperando?

— Aguardamos aquele que é considerado o inimigo.

— Mas…, mas… — A dúvida obscurecia o raciocínio de Nathan. O Senhor Supremo, compreendendo o conflito, antecipou-se:

— Nathan, muitas vezes, a crise é um meio de solucionar algo; apesar de eu não gostar de resolver as coisas dessa maneira.

— Se o inimigo me encontrar, certamente irá me destruir. – Disse Nathan.

— Acalme-se. O desespero é para aqueles que têm dúvidas. E a dúvida sepulta a força criativa e a realização.

Houve uma pausa, logo quebrada por uma mudança na atmosfera do ambiente.

— O que pode ser isso? — Perguntou Nathan, sentindo uma agitação.

— É ele — constatou o Senhor Supremo.

— Ele quem?

— Aquele que faltava para a realização da grande mudança.

— O inimigo! — Exclamou o garoto. Nem bem terminara, uma luz roxa, caótica e instável se apresentou:

— Conseguiria achá-lo na mais distante cratera de qualquer planetoide perdido por aí, garoto! Finalmente eliminarei sua essência. Desapareça, seu imprestável.

— Não — interveio o Senhor Supremo. — O assunto é entre nós dois.

— Já resolvi. Serei a força dominante. Meu domínio já se expandiu para além da Grande Barreira. Quase todos os Drúmons caíram.

— Seria um domínio solitário e destrutivo. De que vale uma conquista sem crescimento? — Argumentou o Senhor Supremo.

— Espere aí. Já sei. Estou entendendo tudo agora. Você é fraco e quer se aproveitar de mim — disse o ser maligno de maneira jocosa.

— Não, não se trata disso…

— Sim, claro que sim. Deixe-me ver: você acha que serei derrotado? — Deixe-me esclarecer algo. Ninguém dá valor à essa besteira de paz. Todos já mataram, torturaram e destruíram mesmo que em nome de algo divino, não é mesmo? Diga-me se já não mataram em nome de um ser superior. A força, a opressão, o poder é quem comanda.

— Inexperiência. Ficaram sob a sua influência num momento de fraqueza.

— Não me interrompa. Todos aqueles que tentaram implantar uma nova ideia que beneficiasse os povos foram mortos. Portanto, talvez seja isso que deva acontecer com você agora…

Nathan ousou romper a fala do inimigo:

— Quem gosta de guerra, sofrimento e tristeza? Ninguém.

— Como ousa me interromper? Se fosse outro já teria sido varrido, mas sua força é interessante. Tenho uma proposta a lhe fazer.

— De você não quero nada.

— Ouça-me primeiro, moleque: se você se unir a mim, farei com que seu pai retorne e você terá uma vida normal com ele.

O menino balançou. O Senhor Supremo percebeu a oscilação de Nathan e interveio:

— Não, Nathan. Não se venda. Como poderá ter uma vida normal num universo dominado pela tristeza e desesperança? Não faça isso!

O menino recuperou o equilíbrio. O Senhor Supremo disse:

— Se deseja tanto governar o universo, devo, então, ser absorvido — disse ele ao inimigo. Nathan espantou-se.

— Finalmente venci. Foi fácil. Sabia que não resistiria. Você é fraco, Supremo.

— Não faça isso! Desistir assim? Não. O que aconteceu? Por que mudou de ideia? — Questionou Nathan ao Senhor Supremo.

— É o fim do confronto, Nathan. Entrego-me.

O Senhor Supremo ampliou sua luz até atingir a magnitude máxima. A luz do mal girou como um furacão e dragou o Senhor Supremo.

— NÃO! — Gritou Nathan que foi bruscamente repelido pela força intensa produzida pela força das trevas.

O menino tentou fugir. Sua única certeza era que tudo se acabaria. No mundo dos seres viventes comuns, a energia do mal atingiria a força máxima. Como consequência, as guerras, as matanças de inocentes, os vícios aumentariam mais e mais. No outro universo, Drúmons morreriam, e seres de todas as espécies seriam extintos.

Como último ato de desespero, Nathan clamou para que o Senhor Supremo reagisse. A luz daquele magnífico ser foi se apagando lentamente. Foi então que Nathan aumentou sua força ao máximo, até atingir um brilho ofuscante. Este expandiu-se como uma grande explosão. O inimigo gritou de dor. De repente, o último resquício da luz do Senhor Supremo, que ainda não havia sido absorvida, começou a pulsar mais rápido.

A luz do garoto se sobrepôs à do inimigo e condensou-se ao seu redor. A pulsação aumentou. Houve uma súbita explosão de luz. Ouviu-se o grito de dor do inimigo. Em seguida a luz vermelha enfraqueceu e tornou-se branca. Exatamente no meio da coluna de luz emergiu um ser diferente. Feixes cintilantes irradiavam de seu centro.

— Quem é você? Onde está o Senhor Supremo?

— Acalme-se, Nathan. Sou eu. O mal não existe mais — explicou com brandura.

— Como?

— Graças a você, Nathan, somei sua energia à minha para aprisionar o inimigo. Era isto que tanto buscávamos.

— Como pode ser isso?

— Difícil entender. Mas um dia compreenderá.

— Pensei que tivesse desistido.

— Jamais. Fiz aquilo para ajudar você a despertar a sua força interior. O mal nunca vence.

Nathan contemplou a leveza daquele ser surpreendente. Não tinha forma totalmente humana, mas sua luz transmitia puro conhecimento. Nathan lembrou-se de perguntar sobre o destino dos mundos e dos Guerreiros Albânicos.

— Não se preocupe mais, menino corajoso. Tudo foi devidamente restaurado. Veja.

Nathan foi transportado ao campo de batalha. Lá constatou que os Guerreiros Albânicos e os Morbs caminhavam lado a lado, pacificamente. Juntos iniciaram a construção de um novo mundo, onde todos viveriam em paz. O menino caminhou por entre os gigantes que agora brincavam como crianças.

 

— NATHAN, NATHAN — ouviu seu avô chamar seu nome. — Veja, filho, olhe minhas mãos! — Admirado, Nathan viu que seu avô não corria mais o risco de desaparecer.

 

Logo em seguida, Luzinete surgiu com a asa recuperada. Estava alegre e agitou-se ao ver o menino. Marte também veio para abraçá-lo: — Viva o liberto Nathan. — Os guerreiros formaram um círculo, ergueram os braços e pronunciaram em uníssono o nome: NATHAN, O PRESENTE DO CÉU.

Cada um ali presente direcionou o olhar para o Senhor Supremo que brilhava como o Sol acima da linha do horizonte. E o reverenciaram. A voz branda e carinhosa disse ao menino:

— Você talvez não tenha ideia plena do que ocorreu aqui, Nathan. Mas graças a você, nossos universos agora seguem um novo curso na história, o caminho da verdadeira evolução. As mudanças foram profundas. A Grande Barreira já foi reerguida e os Drúmons passam bem. Está na hora de você retornar ao seu mundo.

— Por favor, deixe-me ficar. Sou feliz aqui — implorou o menino com lágrimas nos olhos.

— Você tem um dever a cumprir em seu mundo. Preste atenção: sei que não tem sido fácil. Talvez mais difícil do que deveria, mas tudo tem um propósito. Foi graças a tal dificuldade e ao seu dom natural que conseguiu transformar momentos difíceis em momentos sublimes. A maneira como enfrentou problemas ásperos transformou-o no que é, um garoto sensato e inteligente. Agora deve voltar, mas, antes, concederei algo.

— O quê?

— Um presente valioso. Ao acordar, você será abençoado com o esquecimento e uma vida de plenitude e tranquilidade.

Nathan correu até o avô e o abraçou. Então disse:

— Sentirei sua falta.

— Vá, meu neto abençoado. − O Orientador teve que conter as lágrimas. Para disfarçar, apontou para o alto onde um par de asinhas agitadas fazia bastante barulho.

— Luzi, também te amo. Nunca esquecerei de você. — Ela brilhou em todas as cores, e seus olhinhos também se encheram de lágrimas.

O Senhor Supremo chamou Nathan e disse com uma voz que ecoou por todo universo:

— Vá, presente do céu, vá e acorde em paz.

Nathan sentiu sono profundo e adormeceu.

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