O despertar de Nathan
A luz da manhã inundava o quarto. Depois de um sono pesado, como aqueles em que se perde a noção de tempo, Nathan acordou com uma voz longínqua a lhe sussurrar aos ouvidos: — Esse é o presente prometido. Seja feliz e aproveite cada momento de sua vida. Ela é um bem precioso.
Aquelas palavras o fizeram sentir-se disposto, seguro e feliz. Depois de dar uma gostosa espreguiçada, esbarrou a mão em seus livros prediletos espalhados sobre a cama.
José entrou no quarto e abraçou o filho, dando uma bronquinha carinhosa: — Dormiu outra vez debruçado nos livros de Harry Potter e nas Crônicas de Nárnia, hein? Quantas vezes você já os leu? Pelo menos vista o pijama antes de dormir. Vamos. Mamãe e suas irmãs o esperam para o café. — Nathan subiu de cavalinho nas costas do pai, sentindo uma alegria incomum.
— Bom-dia, filho! Que sorriso lindo! Aposto que teve um sono maravilhoso – disse Lúcia ao ver o menino nas costas do pai, ambos às gargalhadas.
Inês e Kátia, sentadas à mesa lado a lado escondiam algo. Nathan, esperto como ele só, já foi perguntando:
— O que vocês escondem aí?
As duas se entreolharam fazendo de conta que não sabiam de nada.
— Isso mesmo. Eu vi. Tem alguma coisa debaixo da mesa.
Inês rendeu-se.
— Fala aí, Kátia, você que inventou. Acho que ele vai odiar.
— Nathan, sei que você não tem mais idade pra isso, mas eu estava na frente de uma loja de brinquedos quando vi algo que achei bonitinho e acabei comprando pra você — confessou Kátia.
— Oba! Quero ver.
— Vamos meninas, não o deixem mais curioso do que já está — disse José.
— Está bem. Aí vai. Se você não gostar eu troco, tá?
Nathan agarrou o pacote e rasgou o papel de presente. Era um bonequinho em formato de ovinho. Tinha uma cara bem bonitinha, olhuda e um par de asinhas parecidas com as de um anjo. Até acendia luzes coloridas. Nada tão especial assim, mas que despertou no menino uma saudade inexplicável.
Vendo-o parado a olhar o bonequinho, Lúcia disse:
— Ah, meninas, Nathan já está mocinho e não vai querer brincar com algo tão infantil assim.
— Vou sim, mãe. Gostei! — Disse o garoto sem tirar os olhos do brinquedo. Kátia ficou surpresa por ele ter gostado.
— Então, feliz Dia das Crianças, Nathan — disseram em coro, abraçando-o com muito carinho.





