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O Circo de Pennywise – Capítulo 10 – A atração principal do Circo Lahetô

O Circo de Pennywise

Capítulo 10

A atração principal do Circo Lahetô

A criatura deitada na cama olhava para o menino e sua mochila. Ele se transformou numa estátua ao ver o avô que morrera há muito tempo. Os dentes pontiagudos da besta bateram um no outro ao tentar se levantar. O menino dá um passo para trás, procurando o buraco por onde entrou.

_ Estou assustando você? _ A voz do monstro era a mesma que lhe contava histórias quando pequeno; que o punha para dormir nas noites de chuva e lhe dava chocolates. Rafa quase acreditou que fosse ele, mas o cheiro não era do seu avô. Não havia lavanda naquele lugar, apenas um odor de podre e mofo.

_ E-e-e-eu não tenho medo de nada _ o garoto tentou demonstrar altivez diante da besta.

_ Que bom, Rafa, assim vamos poder conversar.

_ Eu não quero conversar com você. Quero ir embora.

_ Mas por quê? Faz tanto tempo que não trocamos ideias.

_ Eu não tenho ideias não.

A besta sorriu. Seus dentes pontiagudos eram brancos como marfim.

_ Todo mundo têm ideias, Rafa. Você tem planos para sair daqui. Eu sei que tem. Todos nós temos.

_ E se eu tiver mesmo um plano? Você não deve se meter nisso.

Novamente o riso da besta. Dessa vez ela se sentou na cama.

_ Lembra de quando morri, Rafa?

_ Não _ o garoto tremia como um velho e conhecido amigo. Ele mesmo: o boneco de posto de gasolina.

_ É claro que você se lembra _ a besta lambeu os lábios. _ Não me deixou morrer. Eu implorei para que você não chamasse sua avó, para que me deixasse em paz.

_ Mamãe disse que fiz o certo.

_  MAS NÃO FEZ  _ a besta gritou com o garoto. _ Você é mau, Rafa. Me deixou sofrendo por meses naquele hospital.

_ Eu não estava preparado para perder o senhor … eu … _ as lágrimas começavam a escorrer dos olhos do menino.

_ Besteira! Uma grande mentira, garoto!

_ Eu quis que o senhor ficasse com a gente, que não morresse.

_ Você é um menino mau, Rafa, muito mau.

A besta se levantou da cama. Da face enrugada do velho surgiu um palhaço de cabelos amarelos e nariz vermelho. A boca escancarada mostrava seus dentes de predador.

_ Não, não _  o menino tentava encontrar o buraco por onde entrou. _ Socorro! Socorro! _ ele batia com força na parede

_ Você é um menino mau, Rafa! Você apertou aquele maldito botão!

Os braços e pernas de uma aranha brotaram no corpo da besta. Pedipalpos que se alongavam da traqueia do palhaço avançavam no rumo de Rafa. Ele segurou a mochila de encontro ao peito e fechou os olhos. Que não demorasse; que a besta fosse gentil e o matasse logo. “Eu fui um bom menino, Deus. Fiz o possível para ser. Se o senhor me livrar dessa, juro que aprendo o tal do inglês”. A besta não se importou com a oração de Rafa. Seu sibilo estridente fez com que o menino tapasse os ouvidos.

_ Socorro!

Quando próximo de ser abocanhado pelo palhaço, duas mãos se enfiaram pela parede do túnel agarrando-o pela cintura. Quando os pedipalpos tocaram suas bochechas, as mãos o puxaram para fora. Rafa não se esqueceu da mochila de Isa, segurando-a firme para que não caísse aos pés do monstro. O garoto sentiu frio quando puxado para fora. Sem reconhecer aquilo que o segurava pela cintura, começou a chutar o vento na tentativa de escapar.

_ Calma, Rafa, sou eu _ uma das mãos que o livrara da morte acariciava seus cabelos. _ Calma, garoto, calma.

Rafa reconheceu a voz de Heitor. Quando se virou para encará-lo sobre a luz mortiça da nave, não conseguiu conter as lágrimas

_ Tio _ a palavra saiu como um sussurro da sua boca

O garoto não queria mais soltá-lo. Tinha medo de perdê-lo para o palhaço.

_ Tudo bem, tudo bem _ ele continuava acariciando o cabelo do menino. _ Preciso que você fique calmo, certo? _ o menino assentiu com a cabeça. _ vamos dar o fora daqui.

O sorriso de Tio Heitor fez com que o garoto sorrisse também.

 

***

Isa corria pelo corredor principal da nave. O ser transmutado em seu irmão tropeçava nos calcanhares tentando alcançá-la. Só com muita sorte conseguiria chegar ao final do túnel.

Na medida em que avançava, a  criatura de pernas cumpridas e braços alongado reverberava seu rosnado estridente, parecido com o canto de uma coruja. Isa conseguia ver a sombra da besta sobre ela, lançando seus pedipalpos nas suas costas. Quando os sentiu perto do pescoço, algo cedeu no solo, jogando-a dentro de num buraco. A garota gótica bateu com a cabeça em algo mole e gosmento, parecido com clara de ovo. O cheiro era ferroso, parecido com sangue. Isa levantou a cabeça, sem conseguir enxergar um palmo na frente do nariz. Ela lembrou da lanterna que colocara no bolso antes de ser puxada pela bruma. Acendendo-a rumo ao teto.

_ Meu Deus!

O comichar dos monstros nos casulos fez com que tremesse como uma vara de pescar.

Havia pessoas nos casulos; todas adormecidas e cobertas por uma teia de cor branca. As moscas colocavam seus ovos nos arredores do túnel, esperando que eclodissem em lavas incandescentes.  Isa segurou o vômito para não chamar a atenção das criaturas. Precisava encontrar uma saída antes que sentissem seu cheiro.

Com  a lanterna dançando nas mãos, mirou-a no buraco por onde caíra, para ver se o monstro ainda estava lá. O rosto satânico do irmão apareceu entre os grunhidos estridentes da besta. Isa se arrastou em meio aos casulos, seguindo por uma fresta de luz que brotava de um dos túneis. Ela escutou os pés de Beto tocando o chão. Ele estava dentro do túnel, se guiando pelo cheiro do seu suor.

_ Não me deixe aqui, maninha _ a voz do monstro era estridente como o farfalhar dos corvos. _ Você prometeu que cuidaria de mim.

Isa lembrava muito bem da conversa que tivera com o irmão quando os pais se separaram. Prometera que nunca o abandonaria, que para onde fosse o levaria.

_ Isso foi antes de você se transformar nesse monstro melequento, maninho.

A garota continuou se arrastando para a luz que vinha da parede.

_ Vou contar para mamãe que você me abandonou. Que me deixou sozinho com ele.

A risada infantil de Beto fez com que tapasse os ouvidos. Já ouvira demais por aquela noite; se pelo menos tivesse um isqueiro.

Com sua lanterna, procurou pelo feixe de luz. Estava a poucos metros à sua frente. Isa se enfiou para dentro, deixando que a besta tocasse seus pés. Ela despencou novamente, dessa vez caiu no chão, mordendo os lábios. O gosto de sangue fez com que tivesse a certeza de que ainda estava viva.

_ Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Onde estou?

Isa sentia o trepidar de alguma coisa atrás dela. O medo fez com que derrubasse a lanterna.. As lágrimas vieram finalmente, tão vigorosas quanto um leito de um rio. Lembrara da observação de Rafa, acusando-a de não ter um coração. Ela o sentia no peito agora, tão acelerado quanto o motor de um caminhão

_ Eu tenho um coração, Rafa – a garota enxugou o rosto com as palmas das mãos – E não vou entregá-lo tão facilmente para aquele palhaço filho de uma puta!

Isa se virou para mandar a morte tomar no cu. Mas o que recebeu deixou-a esperançosa.

***

Sei que Isa não gosta de abraços, mas não resisti. Estou tão feliz em vê-la que não consigo segurar o choro. Tinha lágrimas nos olhos dela também e um corte feio na bochecha. Imagino que tenha passado por coisas terríveis, como eu. Mas precisamos dar de ombros para  o circo e sair daqui. Meu Tio precisa de um médico.

_ Cadê o Beto? _ Perguntei vendo-a através da penumbra.

Não precisei de respostas. Algo descia do teto: um ser transmutado com o rosto dele.

_ O-ou … _ Peguei meu tio pela cintura e comecei a arrastá-lo pelo túnel _ Precisamos dar o fora daqui, Isa.

_ Não precisa nem falar.

Ela segurou meu Tio pelo outro lado. Ele gemia a cada passo.

_ Vão vocês  _ disse olhando para a besta _ vou tentar atrasá-lo.

_ Ou saímos todos, ou não sai ninguém _ Isa encarou a besta com os olhos de uma guerreira. Só depois que percebeu a mochila nas minhas mãos.

_ Me passa isso, Rafa – entreguei-a com mãos de Mohamed Ali.

Mesmo parecendo um varapau ao vento, ela puxou algo de dentro dela.

_ Você tá de brincadeira, né, garota?

Meu Tio apontou para o álcool.

_ Não mesmo.

Isa esperou que a Besta se aproximasse. No bolsinho da mochila pegou uma caixa de fósforos.

_ Toma, Rafa _ não me fiz de rogado. Tava cheio de coragem. _ No três você joga.

_ Tá.

A besta se aproximou com um sorriso zombeteiro.

_ Bem-vindos ao Circo de Pennywise _ a mesura que fez esparramou a bruma.

Devolvemos a mesma ironia com um toque de latinidade.

_ UM, DOIS, TRÊS!

Isa arremessou o álcool no mesmo instante que joguei o fósforo. O fogo pegou tão rápido que acreditei que o túnel explodiria com a gente dentro. Não ficamos tempo suficiente para ver a coisa pegar fogo. Só escutamos seu gritos e o farfalhar de seu ossos.

_ As crianças de hoje são agitadas – Tio Heitor começava a delirar.

_ Vamos para o picadeiro. Me lembro de como chegar lá _ e lembrava mesmo. _ Não temos outra opção.

Isa acendeu a lanterna. Parecia que o caminho estava livre das bestas, exceto pela claridade que vinha do túnel.

_ Meu Deus! Me vem um arrepio só de pensar no que tem do outro lado.

_ Coragem, garoto. Chegamos muito longe para desistir.

Quando atravessamos a bocarra do Palhaço, o circo havia mudado. O que encontramos aprumou meu tio e me deixou assustado. Um palhaço transmutado numa aranha descia de uma teia no picadeiro. Seu rosto peculiar e sombrio me fez urinar nas calças. Isa olhou para mim, mas não disse nada. Ela conhece o meu problema, sabe que não sou fã desse tipo de artista. Acho que tenho mesmo essa tal de coulrofobia.

***

_ É o palhaço da bandeira _ Tio Heitor tinha dificuldade em falar. _ Creio que encontramos a atração principal do Circo.

_ Eu não gosto dele _ não conseguia para de tremer.

_ Acho que ninguém vai ficar para ver o show _ Isa abriu sua mochila. _ Segura _ ela me entregou três frascos de álcool. _ Onde estão os fósforos?

_ No meu bolso,  do lado esquerdo.

_ Dessa vez vamos colocar fogo em tudo.

_ Como assim, em tudo?

_ Na nave inteira, Rafa.

Engoli minha saliva densa. Olhei para Tio Heitor e ele assentiu com a cabeça.

_ Ok. _ Meu suspiro foi profundo. _ Vamos nessa!

***

O palhaço mantinha seus olhos de predador na teia que se estendia por todo o teto. Havia casulos espalhados nela, assim como ovos e algumas moscas. Tio Heitor fez com que chegássemos mais perto do picadeiro, para que não pudesse sentir o nosso cheiro. Ele apontou para o outro lado; para um outro túnel que se estendia pelo lado esquerdo.

_ Isso não tava aí quando chegamos _ disse entregando os fósforos para Isa.

_ Creio que seja nossa única chance.

_ Vamos acabar com isso de uma vez por todas _ Isa me puxou pelo braço.

_ Esperem! _ Tio Heitor tentou colocar freios na gente. Demos de ombros para o que queria. Precisávamos dar fora o mais rápido possível.

_ Preciso de um pedaço de pau, para fazer uma tocha.

Vi um perto da lona. Peguei-o com minhas mãos de Mohamed Ali. O palhaço (ou a aranha de marte) soltou um muxoxo. Virei estátua como nas aulas de Educação Física. Mesmo ciente da nossa presença, continuou tecendo sua teia.

Isa amarrou o que sobrara da mochila no pau do picadeiro, depois empapou-o de álcool. A criatura sentiu o cheiro da substância, torcendo sua bocarra de predador.

_ Quando eu colocar fogo na coisa, corre para o túnel.

_ Afirmativo.

Isa tinha a coragem de um exército. O machucado no rosto tava feio, assim como seu emaranhado de cabelos. Não tinha importância. Para mim era a garota mais linda do mundo

_ O que foi? – Me perguntou quando me viu olhando.

_ Nada.

Ela voltou para a tocha. Me concentrei no palhaço, que agora descia da teia.

_ Olha? _ Mostrei para ela.

_ Chegou o dia de estreia  _ ela me fez rir também.

_ Ei! Feioso! Venha me pegar!

Isa balançava a tocha na frente da coisa. As pinças de sua pernas da frente dobraram de tamanho, como que excitadas com o som da nossa fala.

_ Toma os fósforos, Rafa. Acende a tocha pra mim.

Fiz o que me pediu. A besta recuou. Percebi que tinha medo do fogo.

_ No três você joga o álcool nele. Vou chegar perto com a tocha.

Ele foi para o outro lado, afastando a besta com o fogo.

_ UM, DOIS, TRÊS!

Joguei o álcool. Errei por um metro. A besta mostrou seu dentes pontiagudos para mim.

_ Ahhhhhhh! _ Gritei quando vi que se aproximava de Isa.

_ Não faça isso, Rafa! _ Ouvi de longe a voz do Tio Heitor. _ Não faça Isso!

Pulei no palhaça com a força de 1000 exércitos. Ele me jogou para perto do picadeiro, espichando seus  pedipalpos no meu rumo. Me arrastei para o centro do picadeiro, esperando que a besta chegasse mais perto.

_ Agora, Isa!

Joguei o segundo frasco. Dessa vez não errei. Acertei-o no rosto. A tocha veio flutuando logo atrás, como uma bola de futebol jogada da lateral do campo. A coisa se transformou numa bola de fogo, esguichando seus pedipalpos nas teias. Isa correu para mim, me ajudando a ficar de pé. Senti uma dor  de veado no pé da barriga, como se tivesse quebrado as costelas.

_ Vamos pegar seu tio e dar o fora daqui.

Assenti com a cabeça.

Tio Heitor bem que tentou ficar de pé, mas seus ferimentos eram graves demais. Isa foi forte, e nos arrastou através do picadeiro. O circo pegava fogo, e as teias caiam do teto com os casulos. Não quis olhar para trás. Havia pessoas dentro daquilo e eu não queria vê-las em chama. 

De dentro do túnel, ouvimos o grito da besta. Aceleramos o passo, com Tio Heitor quase desmaiando nos nossos braços.

_ Vamos parar um pouco, ele precisa descansar – disse para Isa.

_ Não _ Ele foi enfático em recusar a ajuda _ precisamos dar o fora daqui.

A besta estava perto de alcançar a gente.

_ No meu bolso, Rafa. Procure pelo canivete que tenho dentro do bolso.

Não tive dificuldades para achá-lo. Tava na parte de frente da calça.

Tio Heitor forçou-o de encontro à parede. Um fenda se abriu permitindo que atravessássemos ( aquilo era um prolongamento do picadeiro, uma espécie de turbina envolta por um tipo esquisito de pele). Isa foi a primeira a passar, depois me puxou pelos braços para que nós dois pudéssemos puxar tio Heitor pelos braços. Ele soltou um grito quando sentiu os pedipalpos da coisa no seu calcanhar. Isa puxou o cavite das mãos dele e desferiu golpes certeiros no palhaço. Ele se recolheu com um muxoxo de raiva.  

Nos afastamos do descampado sentindo que o chão trepidava aos nossos pés. A nave regurgitava sua bruma, para se afundar um imenso buraco. Algo estranho subiu dele; uma neblina parecida com algodão doce. Senti os braços de Isa em volta de mim. Ela tava chorando. Olhei para a estrada. Havia luzes e carros da polícia. Fomos caminhando até lá. A primeira pessoa que vi foi Tia Maitê. Ela correu para nos abraçar. O beijo que deu no marido foi cinematográfico, parecido com …E o vento levou. Fiquei rindo. Sou besta assim mesmo. Já o abraço entre Patrícia e Isa foi doloroso. Perderam Beto para o Circo. Enxuguei as lágrimas com fúria. A vida não é lá essas coisas.

***

O avião decolou às 12h25. Dessa vez fui de Primeira Classe. Isa e Patrícia ficaram na janela. Não me importei. Sou de boas com as coisas que tenho, não faço mimi por causa disso. Mamãe e vovó estão do outro lado do corredor; cada uma com uma revista de modas nas mãos. Minha mãe parece bem. Tá superando a ausência do meu pai  – disse que vai arrumar um emprego. Essa é boa. Tio Heitor dorme ao lado de Tia Maitê. Ainda sente dores na perna e no ombro. Coisa pouca perto do que passou. Não contamos sobre o circo para ninguém. Quem acreditaria? A polícia de Le Dio encerrou o caso dizendo que fora um incêndio. Mais de 250 pessoas desaparecidas num fogo bravio. Demos de ombros. É o jeito americano de ser – práticos e indiferentes. A despeito disso, como convencê-los do impossível? Estamos indo embora agora. Chega de monstros e extraterrestres comedores de gente. Mas ainda penso no palhaço e se ele morreu realmente. Isso me faz tremer como o boneco do posto de gasolina. Espero que a coisa nos deixe em paz. Por isso estamos voltando para o Brasil, vamos nos  sentir mais seguros lá. Que se foda o Tio San! Nunca mais volto ao Maine. Só que minha mãe já me avisou que vou ter que aprender o tal do inglês. Tudo bem, tudo bem. É como dizia o meu avô: a vida não é lá essas coisas. É bom se acostumar.

Inspirado nas obras ‘It’ e ‘O Nevoeiro’ de Stephen King.

As cidades de Le Dio e Derry são fictícias, claro.

Goiânia, 25 de agosto de 2018.

Sylvana Camello

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