Confie – Parte 1

Na manhã seguinte, Wei Ying havia levantado com aquele enorme dilema, precisava retornar ao orfanato e ajudar sua irmã YanLi, no entanto, ainda não sabia como iria partir. Ficar mais tempo era prolongar a situação a qual por sua culpa colocara a irmã e o orfanato.

— Eu preciso saber quanto tempo tenho que tomar esses remédios? Quanto tempo para ficar curado? – Wei Ying pegou o smartphone e olhou a agenda, procurou o número do Dr. SiZhui e fez a chamada, aguardou dois toques quando foi atendido. – Olá Dr SiZhui, desculpe ligar, estou atrapalhando?

— Olá Wei Ying, claro que não, estou em uma pausa do plantão da madrugada. – O rapaz era sempre solista com Wei Ying e prontamente disposto a ouvi-lo. – E como você está?

— Estou muito bem, aliás era esse o motivo de minha ligação. – Fez uma breve pausa. – Quanto tempo tenho que tomar esses remédios?

— Bom, sua anemia não é profunda, alimentação adequada e a medicação por 10 dias já melhora nessa parte. – SiZhui conversava com ele, enquanto terminava de prescrever uns receituários. – Sobre a pneumonia, essa ainda precisará de uns 30 dias de tratamento.

— 30 dias?!!! – Wei Ying sentou na cama. – Mas estou bem, até parei de tossir.

— Sim, porque quando estava internado providenciei que iniciasse o tratamento, no entanto, precisa reforçar e continuar.

— Entendi. – Wei Ying esboçou total desanimo na voz.

— Não se preocupe, passa rápido, se tomar os medicamentos corretamente e fizer tudo certo, logo os 30 dias passam.

— Não tenho outra opção.

SiZhui ficou uns segundos em silêncio, inspirou fundo e soltou o ar.

— HanGuang-Jun se importa com você, Wei Ying.

— É… Eu sei, ele acha que sou Wei WuXian…

SiZhui franziu a testa, expressando um tom sério ao responder.

— Por que acha isso Wei Ying?

— Ah, porque ZeWu-Jun me disse que eu pareço com Wei WuXian e que Lan Zhan…

— Entendo, no entanto, evite falar esse nome novamente, principalmente para pessoas em sua volta e desconhecidas.

Wei Ying ficou surpreso com aquele pedido e curioso voltou a perguntar ao jovem médico.

— Por que não posso falar esse nome?

SiZhui não sabia como explicaria os motivos de não ser pronunciado o nome de Wei WuXian, afinal o rapaz desconhecia totalmente sobre o mundo oculto da Cultivação a qual todos eles da família Lan pertenciam. Ele procurou falar de forma a sanar a curiosidade do rapaz e evitar que ele volte a questionar, já que hanGuang-Jun havia pedido que nunca comentassem sobre Cultivação para o rapaz.

— Wei Wuxian não tinha uma boa reputação a qual foi a sua própria ruína, infelizmente. – Fez outra pausa ainda pensando nas palavras certas para dizer ao rapaz. – Ele e HanGuang-Jun não se dava e por esse motivo nem em nossa família havia lugar para ele.

Wei Ying apesar de entender o que o Dr. SiZhui dizia, ainda não estava convencido. Sua mente fervilhava de perguntas, curioso, se preparou para encher o médico delas, quando ouviu na ligação alguém chamar.

— Dr. SiZhui precisamos de sua assistência na sala 4.

— Obrigado, estou indo. – SiZhui voltou ao telefone. – Wei Ying, preciso encerrar a chamada, outra hora nos falamos, continue a se cuidar.

— Tudo bem, obrigado… – Wei Ying ainda estava curioso, mas desanimado com a falta de respostas, olhou a tela do smartphone que havia escurecido ao finalizar a ligação. – Wei WuXian… O que ele fez para ter má reputação? – Pensativo caminhou pelo quarto. – Como ele e Lan Zhan não se davam bem? ZeWu-Jun disse que eles se gostavam, não, que Lan Zhan gostava dele.

Wei Ying tinha perguntas e as palavras do médico só atiçaram ainda mais sua curiosidade. Ele sabia bem que o deixar com respostas vagas só o faria procurar por elas.

— Arrrrr… Posso perguntar depois, tenho que pensar em outra coisa, pensar em ir embora ainda hoje, preciso encontrar minha irmã. – Sentou na beira da cama e pegou a mochila. – Com o dinheiro da venda dessas coisas que Lan Zhan comprou para mim, posso dá a YanLi e então pagamos a dívida e a família Mo para de importunar o orfanato.

Wei Ying passou a manhã pensando em algo para dizer a Lan WangJi e assim partir, tentar fugir era impossível. Chegou a cogitar contar a verdade, mas desistiu, afinal era vergonhoso o motivo ao qual fizera a irmã adquirir aquela dívida.

Era hora do almoço quando Lan WangJi apareceu, ele havia saído cedo, habitualmente levantara as 5 horas da manhã, fato esse que assombrou de início Wei Ying, mas com o passar dos dias se acostumou, tal quanto ao horário que o homem ia se deitar, 9 horas da noite. Wei Ying sorria achando-o regrado demais, porém viver com mais de 4 mil regras deveria ser algo tedioso. Imaginava que o homem era sério e inexpressivo devido a tantas regras.

Enquanto WangJi preparava a refeição, Wei Ying arrumou a mesa, sentou e ficou dali observando-o, realmente era diferente dos homens que esbarrava pelas ruas.

“Lan Zhan é bonito, apesar de ser sempre sério, mas ainda assim é um homem bonito… Ele gostava de Wei WuXian, isso quer dizer que ele… Hum, se eu entendi bem o que ZeWu-Jun disse, Lan Zhan gosta de homem.” Isso explica o fato dele não ser casado, quando eu disse que iria apresentar belas moças ele pareceu não gostar… Se Lan Zhan é homossexual, gostava de Wei WuXian… Então, será que era essa a má reputação?

Wei Ying se perdeu naqueles pensamentos, sorriu baixinho quando notou que finalmente a mesa estava posta, WangJi sentou de frente a ele e observou-o até que pegou seu prato e serviu colocando de frente ao rapaz.

— O que é engraçado?

— Ah?! – Wei Ying olhou para seu prato e pegou os palitos. – Nada, o aroma está ótimo, Lan Zhan é muito gentil em cozinhar para mim.

Enquanto comia ficou olhando-o e analisando cada detalhe do homem que salvou outro dia e que agora o mantinha quase em cárcere privado naquele apartamento.

“A família Lan é tradicional, isso eu percebi, se eles são assim, certamente o que aconteceu entre Lan Zhan e Wei WuXian era algo proibido…”

Wei Ying não percebia, mas seus pensamentos denunciavam em seus gestos e olhares. WangJi observava-o enquanto comia, sabia que algo poderia vir, desconfiando ser mais um novo plano de fuga.

“Lan Zhan devia ter sido proibido de chegar perto de Wei WuXian e… Ahhhh, um amor proibido hahahahaha…”

— Wei Ying.

Wei Ying estava tão distraído naqueles pensamentos imaginativos que não ouviu ser chamado de primeira, foi só na terceira vez que despertou-o e olhou diretamente os olhos de WangJi, esse gesto foi tão involuntário que o rapaz ficou corado e desviou o rosto.

— O que foi, Lan Zhan?

— Curioso.

— Quem? – Virou o rosto para encara-lo ainda sem jeito.

— Hehehehe… Lan Zhan, não se preocupe, estou tomando os remédios…

— Ah é, não ache que estou planejando algo, não é isso… Eu só lembrei de algo engraçado… hehehehe…

Wei Ying continuou a comer e vez ou outra olhava para WangJi.

— Pode falar?

— Falar?!

— O que é engraçado? – A face de WangJi era suave, havia um tom curioso naquelas palavras.

— Ah sim, o que é engraçado… Deixe-me ver… – Wei Ying chegou a bufar, o que iria dizer? Ele estava rindo era justamente do que havia imaginado sobre Lan Zhan e Wei WuXian, mas lembrou que não poderia falar desse nome perto do outro, como o Dr. SiZhui havia pedido.

“E se isso for doloroso para Lan Zhan? Melhor inventar algo rápido, ah já sei…”

— Porcos…

WangJi parou e esperou ainda demonstrando curiosidade na face fria, mas os olhos tinham um brilho sutil de alegria atento ao que o rapaz iria falar.

— No interior, onde cresci, criamos porcos e nasceu um que é bem pequeno e irritado… Chamo-o de Maçãzinha, porque ele adora maçã.

Wei Ying notou que aquela resposta parecia satisfazer a curiosidade do outro, afinal ele voltou a comer depois de ter sido respondido.

— Sente falta?

— Sim… Sinto falta de Maçãzinha… – Riu baixo, afinal não contou mentira, apenas desviou o assunto para não ter que dizer seus reais pensamentos.

— Se preferir, podemos ir nesse fim de semana…

— NÃO!

Wei Ying ficou alarmado e negou tão de imediato que não notou o quanto fora exagerado em interromper WangJi.

O homem olhou-o e sua testa levemente franziu, agora não era curiosidade que seus olhos expressavam, eles demonstravam que queriam uma justificativa para aquele exagero em negar sua presença aonde Wei Ying morava.

— Algo errado?

— Não… hehehehe… Não há nada de errado, é que de repente lembrei que não está mais lá, que Maçãzinha foi vendido… – Wei Ying pensava rápido em uma saída, por mais que desse respostas boas, a partir daquele “não” gritado, notou que WangJi não estava mais tão convencido de suas palavras. – Eu já terminei Lan Zhan, a refeição estava muito boa. – Levantou agradecendo e recolheu os pratos.

WangJi o seguiu com os olhos e mesmo que insistisse em perguntar, sabia que o rapaz lhe daria resposta evasivas. Wei Ying por sua vez, acreditava que estava conseguindo se livrar daquele olhar questionador quando entrou na cozinha colocando os pratos na pia. Sentiu um arrepio percorrer a espinha ao virar-se e deparar com WangJi.

— Vou lavar a louça, afinal, Lan Zhan fez a refeição e o mínimo que posso fazer.

— Wei Ying, pode falar…

— Falar? Não há nada para falar… – Wei Ying se virou e abriu a torneira, pegando os pratos para lavar. – Não tem o que dizer, está tudo bem, sentir falta de algo é normal.

WangJi aproximou dele e parou ao lado, sua voz soou suave e gentil.

— O que estiver acontecendo pode me contar.

Wei Ying enxaguava os copos apressado, estava nervoso e aquela postura gentil do homem só o deixou ainda mais tenso.

— Lan Zhan, por que acha que tem algo acontecendo? Só porque lembrei de um momento do meu passado? – Ele falava sem encarar WangJi.

— Só quero lhe ajudar.

Wei Ying parou de lavar os copos, seu corpo congelou, calado ele se virou para sair, irritado falando sem parar.

— Você ajuda bastante, não precisa se preocupar, não há nada demais, sou um garoto que vive nas ruas eu sei me virar sozinho… – Enquanto saia da cozinha parou de olhar para WangJi, praticamente correndo para longe dele.

— Wei Ying espere… – WangJi apertou o passo para alcança-lo e conseguiu segurar seu braço. – Wei Ying…

Wei Ying girou o corpo e o empurrou, voltando a gritar irritado com a insistência de WangJi, não sabia como lidar com aquela postura, nunca ninguém havia sido tão gentil com ele, isso o fazia se sentir culpado.

— Para, me solta…

— Wei Ying, por favor se acalme… – WangJi estava ansioso e ao mesmo tempo temeroso pelo rapaz, não queria aquela situação e não sabia como lidar. – Wei Ying, eu entendo…

— Entende? Não… Me solta, para com isso, para de falar assim… PARA… EU NÃO SOU WEI WUXIAN…

Aquele nome foi o choque para ambos, tanto Wei Ying quanto WangJi se encararam assustados com toda a situação. WangJi imediatamente soltou o braço do rapaz.

Wei Ying afastou-se alguns passos de costas, levando as mãos sobre os lábios, murmurando algo como ter cometido um erro ao falar aquele nome.

— Quem…? – WangJi estava estático olhando-o, sua expressão era confusa e ao mesmo tempo triste.

— Eu… – Wei Ying abaixou as mãos e virou o rosto, não conseguia encarar mais WangJi. – Eu vou para o quarto.

WangJi nada falou, apenas seguiu com olhar o rapaz sumir pelo corredor e logo em seguida o barulho da porta do quarto se fechando. Ele inspirou baixo e voltou a cozinha, terminou de arrumar tudo e como ainda haviam tarefas da empresa para fazer na parte da tarde, resolveu deixar os ânimos se acalmarem para voltar a conversar com o rapaz.

Wei Ying ficou encostado na porta do seu quarto pelo lado de dentro, atento a toda movimentação de WangJi do lado de fora, até que ouviu a porta fechar, possivelmente o outro voltou ao trabalho, correu para fora e olhou tudo para ver se realmente WangJi havia saído. Estava novamente sozinho no apartamento, passou a mão na testa soltando o ar do peito em busca de alívio, questionando-se por que havia se irritado daquela forma.

Ele sabia que a noite seria um tanto complicada quando WangJi retornasse, eles teriam que se encarar e certamente Wei Ying teria que falar a verdade, não era algo fácil e muito menos queria envolver WangJi naquela situação que ele considerava suja e desonrosa. Caminhando angustiado pelo apartamento esbarrou na mesinha de centro, resmungando ele baixou o olhar e ofegou ao ver o cartão chave sobre ela.

Era seu passaporte para sair daquele prédio, tremulo pegou o cartão e apertou entre os dedos, seus olhos lacrimejaram ao lembrar de WangJi, mas era sua chance de ir embora e resolver aquela pendencia. Se tudo desse certo, poderia voltar e agradecer por tudo que o outro lhe ajudou.

Inspirou fundo e fechou os olhos, segundos depois os abriu, decidido correu para o quarto juntou os itens que tinha de valor e o dinheiro que havia recebido de WangJi pela venda dos amuletos e colocou na mochila juntamente com algumas peças de roupas, vestiu-se e pouco depois estava entrando no elevador.

Wei Ying chegou à portaria do prédio, olhou os recepcionistas que estavam distraídos com algumas pessoas e passou sem que fosse impedido de sair. Com um sorriso nervoso, ele estava na calçada do lado de fora, agora era pegar uma condução e ir encontrar sua irmã. Olhou para o prédio uma última vez entristecido, não era dessa forma que havia pensando em ir embora, sentia o peito doer, pensando em WangJi e como ficaria triste se não o encontrasse quando chegasse do trabalho.

— Não pense Wei Ying… Tem prioridades agora…

Apressadamente seguiu pela calçada para longe do lugar, para longe daquela vida que ele sabia bem que não fazia parte e para longe de Lan Zhan…

Continua…

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