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Sob o Domínio do Rei – Episódio 4

Sob o Domínio do Rei Temporada 1:  Ep.  4 Aperta, acende e deixa subir pra cabeça 

ESSA VIAGEM É UM BARATO/AO PÔR DO SOL

Bartô fecha um ‘back’, acende, fuma. E logo oferece a Jean.

Bartô – Quer?

Jean – Não sei se deveria.

Bartô – E por que não? Essa Viagem é um barato, meu caro.

Sentado ao lado de Bartô, Jean, pega o “bolado” para experimentar.

Jean – Sabe o que eu pensei? Que se eu não tivesse saído da minha casa, da minha amada cidade, nada disso estaria acontecendo. – Continua fumando.

Bartô – E eu não teria encontrado um amigo.

Jean, passa o “back” a Bartô.

Jean – Quem é você? Qual a sua história?

Bartô – Eu não tenho história, Jean. – fuma. Tô começando a escrever ela agora. O que você vai fazer em Cuiabá?

Jean – Não sei. Carlos, desgraçado deve estar em algum lugar do inferno decidindo minha vida, por mim.

POUSADA/NOITE

Jean, veste uma bermuda e uma camiseta, para dormir, Bartô, sentado numa das camas olha o amigo, desnudo. Jean, guarda a mochila num armário e deita-se na cama a esquerda.

Jean – Passamos essa noite aqui e amanhã pegamos o primeiro ônibus pra Capital e depois só Deus, sabe o que será de nós.

Bartô deita-se. Estica-se na cama e diz, feliz:

Bartô – Pois o desconhecido me agrada. Não se preocupe amigo, vai te agradar também. Olhando para, Jean. É bom sentir medo, mas quando ele vai embora é melhor ainda.

Jean, rindo.

Jean – Você é muito louco, Bartô. Chapado. Boa noite!

Bartô – Boa noite, Jean. – sorrindo, olhando para o teto.

TERMINAL RODOVIÁRIO DE CUIABÁ/ DIA

Jean e Bartô, desembarcam em Cuiabá e caminham pelo terminal.

Jean – Eu preciso fazer um telefonema.

Bartô – Pois acho que nossa viagem então termina aqui.

Jean balança a cabeça afirmativamente e emocionado, diz:

Jean – Foi bom te conhecer, Bartô. – Estendendo-lhe a mão.

Aperto de mão forte.

Bartô – Segue tua sina, que eu sigo a minha e se nos encontrarmos por aí, sentamos pra falar de fábulas.

Jean, vira as costas e segue caminhando. Ao olhar para trás já não o vê. Sentado em um gramado fuma, um cigarro e liga para, Marla Mendonça.

Jean – Cheguei, consegui.

Do seu escritório, Marla o atende.

Marla – Não sabe como me alegro de ouvi-lo, filho. Uma pessoa em nome de Armando Cardona, te buscará, segue tua sina, Jean Ribeiro.

Marla, desliga e trêmula solta o celular sobre a mesa.

Jean, acende mais um cigarro. Sua mente ecoa: “Segue tua sina, Jean Ribeiro”.

QUEM É ARMANDO CARDONA/DIA

Num quarto fechado, uma mulher ajoelha-se (doente terminal de câncer) diante da imagem de Jesus Cristo e reza baixinho… Ao ajeitar-se para deitar na cama, Carol, 26 anos, vestimenta e maquiagem de cores vibrantes, entra:

Carol – Mãe, deixe-me ajudar.

Segura a para que deite-se.

Araceli – Já não aguento mais, meu corpo todo dói.

Carol – Agora deite-se e não pense mais na dor.

Araceli – Há 2 anos que tento não pensar mais na dor, ou mais… Vou morrer, minha filha.

Carol – Não! Não, diga isso. – Chorando.

Araceli – Já não há mais nada a fazer. Já tomou conto de todo meu corpo, vou esperar a morte aqui, deitada nesta cama. Dê-me um cigarro, por favor.

Carol – Mãe, não… está bem!

Carol, pega cigarros na gaveta da cômoda, acende, senta-se na cama e o leva a boca da mãe.

Araceli – Já estou morta em vida, um cigarrinho a mais não fará diferença agora.

Carol – Eu te admiro muito. Sabia?

Araceli – Eu também me admirei muito. Fui uma grande mulher, uma grande mãe e uma boa esposa, me entreguei de corpo e alma ao homem que nunca mereceu. Maldito seja, Armando Cardona, seu pai, o rei.

FÁBRICA REI DO FUMO/DIA

Por um longo corredor, feito de madeira cor de fumo, Armando Cardona é seguido por seu sobrinho, Fano. Armando é um senhor filho de mexicanos, aparentando uns 65 anos de idade, um pouco grisalho que usa bigode e devido sua origem é chamado por todos de Dom Armando.

Dom Armando – Já te disse que não Fano, não insistas. usted es mi sobrino, es de la familia, hombre.

Fano – Há tio, e por que não? Já lhe provei inúmeras vezes minha lealdade.  Dom Armando, para e olhando para Fano, diz:

Dom Armando – No Hijo. Não será meu motorista. Essa persona já está a caminho, muito bem recomendado por uma velha amiga. Usted vai se preparar para ser meu sucessor nos negócios.

Fano – Sempre pensei que a pessoa que iria te substituir seria a Carol.

Armando, coloca a mão no ombro do sobrinho e os dois continuam andando.

Dom Armando – No. Carolina não tem tino para os negócios. Ficará bem amparada. Mas preciso de uma persona com mãos de ferro, que não fraqueje, e tu és meu melhor candido.

Fano, se enche de orgulho ao ouvir o tio.

TRAIÇÃO SE PAGA COM A MORTE/DIA

Em uma camionete, dirigida por, Fano. Armando, desembarca em um lugar alto, aberto de chão batido e se aproxima de Santiago, seu antigo motorista, que está amarrado com os braços para trás de joelhos, sob a mira de Ramiro, capanga de Armando e melhor amigo de Fano.

Dom Armando – Santiaguito, Santiaguito. eligió un hermoso día para morir.

Santiago, chorando, quase sem voz.

Santiago – Dom Armando, não me mate. Pensa nas minhas filhas. Só tenho duas filhas.

Dom Armando – Debería haber pensado en sus hijas antes de traicionarme. Es tarde, Don Armado, no tiene la costumbre de perdonar sus deudas.

Dom armando, vira as costas e Fano saca a arma e dispara na cabeça de Santiago.

Fano – Como diria meu tio: Adiós, cerdo.

FÁBRICA REI DO FUMO/DIA

Jean, sentado no escritório de Armando Cardona é chamado por sua secretária, Marcela, uma mulher de meia idade, seria.

Marcela – Jean Ribeiro.

Jean – Sim.

Marcela – Dom Armando, já está o esperando.

Em seu escritório, Dom Armando, acende um charuto. Jean, bate na porta:

Dom Armando – Entre.

Dom Armando, levanta-se.

Dom Armando – Jean Ribeiro.

Jean, nervoso.

Jean – Dom Armando Cardona.

CASA DE DOM ARMANDO/DIA

Da sacada do quarto, Carol vê Fano, chegando de carro e desce encontrá-lo. No Jardim Fano a toma nos braços e lhe dá um beijo.

Fano – Meu amor. Está sozinha?

Carol – Sem empregados por perto.

Fano – E sua mãe?

Carol – Está chegando ao fim, Fano. E esse ódio pelo meu pai só aumenta a cada dia.

Fano – Pois hoje, meu tio disse que vai me preparar para substituí-lo nos negócios. O fim está chegando para os dois, meu amor, logo seremos só você e eu.

Carol – Eu não pedi para viver essa vida, Fano.

Passando a mão no rosto de Fano.

Carol – Por favor, quando minha mãe não estiver mais aqui não tem porque eu e você ficarmos. Esse dinheiro é maldito, sempre atraindo mortes, pessoas perigosas. Nós ainda estamos limpos. Por favor, vamos?

FÁBRICA REI DO FUMO/DIA

Dom Armando, explica as funções e obrigações de Jean a partir de agora.

Dom Armando – Serás meu motorista exclusivo. Vai me acompanhar em todos os momentos, Jean Ribeiro, e ouvirá muitos segredos sobre meus negócios.

Jean, concorda com Dom Armando, que prossegue.

Dom Armando – Necessita ser atento e fiel, principalmente fiel. A partir deste momento quem decide quando você sai e como sai sou eu. Entendes castelhano?

Jean – Muito pouco, Dom Armando.

Dom Armando – Entonces comienza a estudiar. Não gosto de trabalhar com quem não entende o que digo.

Dom Armando, entrega uma chave e um papel com um endereço a Jean.

Dom Armando – Estas chaves é de um apartamento meu, vais morar lá. E aqui o endereço, o aluguel será descontado do seu salário.

Jean, levanta-se pega as chaves e ouve de Dom Armando:

Dom Armando – Bienvenido, Jean Ribeiro.

Jean – Gracias, Dom Armando Cardona, gracias.

APARTAMENTO DE JEAN/DIA

Jean, chega onde irá morar. Um prédio de apartamentos de Armando Cardona, ocupados somente por seus empregados. Na portaria, a velha Miguela, uma senhora de poucos amigos, porém muito fofoqueira.

Jean – Boa tarde! Dom Armando Cardona, me mandou é o apartamento doze.

Miguela – Sim. Estou avisada.

Jean – E que andar seria?

Miguela – Segundo. Venha o acompanho.

Jean – Obrigado.

Ao entrar no apartamento, bagunçado e sujo, Jean apalpa o colchão da cama sem lençol e senta-se, pensativo.

TERMINAL RODOVIÁRIO DE CUIABÁ/ DIA

Jean e Bartô desembarcam em Cuiabá e caminham pelo terminal.

Bartô – Pois acho que nossa viagem então termina aqui.

Jean, balança a cabeça afirmativamente e emocionado, diz:

Jean – Foi bom te conhecer, Bartô. – Estendendo-lhe a mão.

Aperto de mão forte.

Bartô – Segue sua sina, que eu sigo a minha e se nos encontrarmos por aí, sentamos pra falar de fábulas.

ISSO FOI INCRÍVEL/NOITE

Caminhando pela cidade, Jean, entra em um bar e no balcão pede uma bebida. E ao virar a cabeça para o lado vê um rapaz, mais jovem que ele, camisa preta, calça clara. Um breve olhar e o mesmo sai. Num impulso Jean, levanta-se e o segue… numa parede escura, o beija com fervor.

Terminados de seus impulsos, Jean, fecha a calça e o Rapaz, ainda eufórico, diz:

Rapaz – Isso foi incrível…

Jean, sorri.

Jean – Foi…

Rapaz – Como é seu nome?

Jean – Meu nome é Jean Ribeiro.

Jean, sai e o rapaz permanece extasiado.

FÁBRICA REI DO FUMO/ DIA

Jean, estaciona a caminhonete em frente a fábrica, de longe, Fano, conversa com Ramiro.

Fano – Vamos ficar de olho nesse, Jean Ribeiro. Recomendado por uma velha amiga do meu tio. Não gostei desse sujeito, Ramiro, alguma coisa me diz que ele esconde algo.

Ramiro – Já, Já a gente pega ele Chefe.

Pronto para sair, Dom Armando, entrega uma arma a Jean.

Dom Armando – Sabes atirar? Es por seguridad personal.

Jean, coloca a arma na cintura e entra no carro.

NEGÓCIOS ESCUSOS DO REI/NOITE

Jean, estaciona o carro em frente a uma empresa de transporte, Dom Armando, o alerta:

Dom Armando – Jean, o que acontecer entre essas paredes, morre consigo, escuchó bien?

Jean – Perfeitamente, Dom Armando.

E durante a reunião com, walter pernas e seu filho, Júlio, Jean, descobre o outro lado dos negócios do rei do fumo.

Walter – así, entonces hablaremos en español?

Dom Armando – No! hoy por primera vez conmigo, Jean Ribeiro, que aún no ha dominado español y quiero acompañar a nuestras transacciones.

Walter – Perfeito. Julio, por favor.

Julio – Bem senhores, na próxima semana receberemos uma carga de 15 toneladas de coca colombiana de primeira qualidade, por isso necessitamos de um grupo tático, pilotos ágeis, lanchas rápidas, o carregamento deve ser realizado no menor tempo possível para que não haja riscos.   Da base eu estarei monitorando tudo, usaremos celulares clonados para a comunicação. O barco com a mercadoria se chama, Luz del Sol.

Walter – E neste mesmo momento, um barco chamado Polar cruzará o estreito, levando um carregamento de whisky que nada mais é que uma armadilha. Se tudo correr bem, até o final da próxima semana terá a mercadoria em terras tupiniquins pronta para distribuição, Cardona.

Em seguida, todos em pé brindam aos negócios.

Dom Armando – Então, brindemos aos negócios.

Walter – Aos negócios.

Júlio – Aos negócios.

EU NÃO CONSIGO/DIA

Jean, sai da reunião desesperado e no estacionamento, vomita e descarrega com, Dom Armando, que o ampara.

Dom Armando – ¿Qué es esto, hombre?

Jean – Eu não posso, não consigo, Dom Armando.

Dom Armando, o segura pelos braços e é duro com ele.

Dom Armando – Pois, agora que entrou não pode mais sair. Haja como um homem de negócios. Seja forte. Eu sei que você consegue, por isso estás aqui. – Mais calmo – Anda, se recomponha. Vamos!

JÁ ACABOU/NOITE

Carol, passa batom em, Araceli, morta. Fano entra.

Carol – Eu sei que ela preferiria assim – Se referindo ao batom.

Carol, chora e Fano, a abraça.

Fano – Meu tio, já está sabendo […] Mas acho que ele não vai ao enterro.

Carol – Ele nunca se importou com ela. Mais de dois anos, e foi vê-la um par de vezes.

Carol, ajeita o cabelo de Araceli e diz:

Araceli – Já acabou, viu? Do Jeito que você queria.

NOSSA PRIMEIRA DANÇA/NOITE

TRILHA SONORA: WILD WORLD

Num bar, ainda jovem, Armando, senta-se no balcão e pede a garçonete, uma bebida, quando ela o serve, ele diz:

Armando – Como é seu nome?

Araceli – Araceli.

Armando – Araceli, eu não tenho muito pra te oferecer, mas essa música que a banda está tocando, pode ser nossa primeira dança?

Araceli, sorri, sai de trás do balcão e os dois dançam agarradinhos, como um casal apaixonado.

Ouvindo a mesma música, Armando, se embebeda num bar, lamentando a morte da esposa.

Em, casa, Carol serve wisky, a Fano e também ouvindo, Wild World – Cat Stevens, senta-se e diz:

Carol – Era a música, deles. Não sei porque, mas ela me diz muito.

Fano, segura a mão de Carol e pergunta:

Fano – E agora, o que vai ser agora?

FUNERAL DE ARACELI/DIA

Carol, desce a escada da mansão de Armando, para num dos degraus e diz, a Jean que a espera na sala.

Carol – Então, terei que ir com o motorista do meu pai?

Jean, olha para Carol e diz:

Jean – Eu sinto muito, só obedeço ordens.

Carol se aproxima,

Carol – Como se chama?

Jean – Jean Ribeiro.

Carol – Pois bem, Jean Ribeiro, quero ir sentada no banco de trás e não quero ser incomodada.

Jean – Tudo bem, vamos?

Carol – Ah, e provavelmente não voltarei com você pra casa.

Jean, abre a porta do carro e Carol diz:

Carol – Você tem um cigarro?

Jean, pega cigarros do bolso, e entrega a Carol, que entra no carro fumando. No cemitério, Armando, coloca uma rosa branca na urna de Araceli e diz:

Armando – Ontem à noite, foi a nossa despedida, igual o nosso primeiro encontro. Eu dancei com você no meu pensamento, a nossa música. É uma pena que você já não me queria mais por perto.

Carol e Jean, se aproximam.  Confusa, com o que presencia, Carol, sai correndo do cemitério.

Armando – Carolina, Carolina, minha filha.

Jean, parado e Armando engasgando as palavras lhe diz:

Armando – Vai atrás dela, por favor.

Carol, sai do cemitério chorando e Jean, corre atrás dela.

Carol – Vai embora, me deixa em paz, eu não quero ninguém atrás de mim.

Jean – Eu não posso te deixar sair, assim.

Carol, ajoelha-se no gramado chorando. Jean a ajuda levantar e a segura nos braços.

Jean – Vem, eu te levo aonde você quiser, mas por favor, me deixe te ajudar.

Carol, chora no ombro de Jean, que se sente vivo de novo.

Continua… 

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