Sob o Domínio do Rei – Episódio 5

A PONTE DOS DESEJOS/DIA

Jean, leva, Carol numa ponte interditada, e uma paisagem seca, revela-se um cenário lindo para os pensamentos fluírem. Encostada no parapeito, diz extasiada:

Carol – Que lugar é esse?

Jean – Eu não sei, mas desde que descobri que existia, venho aqui pra pensar. Fazer pedidos – Risos.

Carol – Que bom, se na vida tivesse uma ponte dos desejos…

Jean – Pois, é…

Carol – Obrigado, viu?

Jean – Obrigado, por que?

Carol – Não sei […] Hoje é o dia mais cinza e seco da minha vida. Simplesmente pelo fato de estar neste lugar, senti que tinha que te agradecer.

Jean, olha para, Carol, sorrindo.

REI DO FUMO/DIA

Armando, fala com Jean, pelo celular. Fano está entrando e ouve:

Armando – Está bem, fique o quanto for preciso, meu filho. Até logo.

Fano – Ela está com ele?

Armando – Sim.

Fano – Onde eles estão?

Armando – Não perguntei. Deixe a sua namorada pensar um pouco, tudo que acabou de acontecer tira qualquer pessoa do prumo.

Fano – Eu não confio nesse, Jean.

Armando, ri e diz:

Armando – Tiene celos. Lo que puede suceder? tu novia te ama, y es un poco ciega, creer en sus palabras dulces.

A PONTE DOS DESEJOS/DIA

Jean, se aproxima de Carol, que sentada na beira do rio, diz:

Carol – O seu telefonema, era pro Dom Armando?

Jean – Era, sim. O telefonema importante de que lhe falei, ainda não tive coragem de fazer.

Carol, estranha.

Carol – Que estranho. É o primeiro empregado do meu pai, que tem medo.

Jean, senta-se ao lado de Carol e diz:

Jean – Há pessoas, que dizem não ter medo de nada, mas todo mundo tem um medo.

Carol – Eu tinha medo do dia que a minha mãe morresse, só que eu pensava que esse dia não ia chegar. E do que você tem medo, Jean?

Jean – Tenho medo, de estar aqui, tenho medo do amanhã, por que de verdade, nunca imaginei que viveria tantas coisas nos últimos meses. Um inferno, de verdade.

Na cabeça de Jean, vem as lembranças de sua trajetória.

ELES PODEM ESTAR EM TODOS OS LUGARES/DIA 

Enquanto conversa com, Jean, Carlos, arruma latas em cima de um tronco de madeira e em seguida entrega uma pistola a Jean, que aprende atirar.

Carlos – Eles podem estar em todos os lugares meu amigo, deves desconfiar até da tua própria sombra.

Carlos – Toma. Segure com as duas mãos.

Jean – Assim?

Carlos – Afasta mais as pernas. Atire!

O primeiro tiro não acerta o primeiro alvo e Carlos diz:

Carlos – Concentra, Jean. Imagina que cada uma dessas latinhas é uma pessoa que quer te matar.

Num galpão, Carlos abre uma caixa que fica entre algumas velharias e joga seu conteúdo sobre um balcão de madeira e explica a Jean o que fazer.

Carlos – Aqui, Jean. Esse dinheiro é pra você usar em caso de fuga. Essa arma é para a sua proteção. E aqui um passaporte caso tenha que sair do país.

Jean – Carlos, eu não entendo muito bem o que está acontecendo, por que alguém ia querer me matar eu mal conheço você, eu mal cheguei na cidade.

Carlos – Você me conheceu. E já é o suficiente. Nesse negócio ninguém pergunta, Jean. Só matam.

CORRE, JEAN, CORRE E NÃO PARE DE CORRER/NOITE

Duas camionetes cercam Carlos e Jean, numa rua com pouca iluminação e sem testemunhas. Fera e seus capangas descem empunhando suas armas. Carlos grita.

Carlos – Corre, Jean.

Jean – Mas e você?

Carlos – Pra mim já era. Corre, Jean, corre e não pare de correr.

Jean sai correndo pelas ruas estreitas de uma periferia. Augusto, saca uma arma e atira antes mesmo de iniciar a perseguição. Jean esconde-se entre duas colunas, saca uma arma e se prepara para a troca de tiros.

A PONTE DOS DESEJOS/DIA

Carol, levanta-se e começa a tirar a roupa, Jean, estranha:

Jean – O que você está fazendo?

Carol – Eu não quero sentir mais medo. Você vem?

Carol, corre para a água, e Jean, se encoraja, tira suas roupas e pula também. Próximos, um do outro, Jean, diz a Carol, que o beija, com intensidade.

Jean – Também não quero mais sentir medo.

CASA DE CAROL/DIA

Carol, entra em casa correndo, e na sala encontra, Fano, que estranha ver seus cabelos, molhados.

Fano – Oi…

Carol – Oi… – Fano, se aproxima.

Fano – Como você está?

Carol – De verdade? Nunca me senti assim, antes.

VAMOS FICAR JUNTOS, DE NOVO/DIA

De seu apartamento, Jean, liga para a mãe que atende da varanda de casa.

Jean – Mãe…

D. Ivone – Meu filho, como é bom te escutar.

Jean – Já está na hora da senhora e a Ritinha, virem comigo

D. Ivone, não se sente bem. A emoção de ouvir o filho a faz procurar assento na rede:

D. Ivone – Você está bem, meu filho?

Jean, engole o choro e diz:

Jean – Estou, eu só preciso do seu colo, agora.

D. Ivone, desliga o celular e diz, a Ritinha.

D. Ivone – Nós, vamos ficar juntos, de novo.

Ritinha , se aproxima, deita no colo de D. Ivone e diz:

Ritinha – Eu queria tanto ouvir isso dele, mas o que vou ter dele D. Ivone? – chorando.

D.Ivone, passa a mão nos cabelos de Ritinha e diz:

D. Ivone – Mesmo que esse amor, que vocês têm um pelo outro, não seja o amor entre um homem e uma mulher, ele sempre vai existir.

Ritinha, olha para Ivone.

Ritinha – Eu não quero esse tipo de amor, eu quero ele como uma mulher quer um homem, D. Ivone. Meu homem, meu Jean, meu

CASA DE CAROL/NOITE

No quarto, Carol coloca um vestido, ajeita o cabelo se olhando no espelho, e na varanda abre as cortinas e vê Jean, a esperando.

REI DO FUMO/NOITE

Fano, entra em sua sala, pega da gaveta seu notebook, e procura por Carol em cada cômodo da casa em que instalou câmeras de vigilância.

No quarto, vê Carol, nua em cima de Jean Ribeiro. Fecha o computador e começa a chorar, desesperado.

Fano – Desgraçado!

CASA DE CAROL/NOITE

No quarto, com Jean, Carol acende um cigarro e diz:

Carol – Dizem que fumar depois do sexo é uma das piores coisas que alguém pode fazer, mas é como um segundo orgasmo.

Jean, vira-se para Carol e ainda, deitado diz:

Jean – Quem é você? Que poder você tem? O que você fez comigo, eu só penso em estar nos lugares que você está?

Carol – Tem medo de mim, Jean Ribeiro?

Jean – Tenho medo de tudo que faz meu coração ficar acelerado.

Carol, ri e diz:

Carol – Eu tenho que aprender tanto de você. Me fascina, Jean, esse seu olhar profundo, seu jeito de andar, como você fala. As vezes te vejo caminhando e tu parece um príncipe, um príncipe, não, é muito pouco, um rei.

Jean, fica desconcertado e Carol, levanta-se para vestir o pijama.

Carol – Mas realmente é uma pena, porque, eu não vou ter tempo de tempo de aprender sobre você agora, eu preciso dormir.

REI DO FUMO/DIA

Subindo as escadas para os escritórios, Fano, segura, Ramiro no meio do caminho e diz:

Fano – Precisamos tirar, Jean Ribeiro do caminho.

MINHAS ESCOLHAS/NOITE

Trilha sonora: Slave To Love

Cinco Anos Atrás

 

Jean, entra no bar da cidade, Ritinha, está sentada a uma mesa bebendo com os amigos, Renata, Érica e Símon.

Simon – (à Ritinha) Chegou seu amigo, estranho.

Ritinha, olha para Jean, que se aproxima do balcão, e volta-se para o copo de cachaça. No balcão, Jean pergunta a garçonete:

Jean – Oi, você sabe onde mora aquele rapaz que esteve aqui ontem à noite? Um baixinho, estilo emo e com aparelho nos dentes.

Garçonete – Não faço ideia, mas ele sempre aparece por aqui, talvez você tenha sorte hoje.

Ritinha se aproxima e diz:

Ritinha – Sempre contando com a sorte, Jean. Desencana, vem beber com a gente.

Jean – Não curto aquele, Simon.

Ritinha – Engraçado, ele também não vai com a sua cara.

Jean – Então ficamos quites.

Jean, sai do bar e vê Gabriel, o menino por quem perguntou a garçonete, sentado na mureta, acendendo um cigarro, e com olhar provocador, diz:

Gabriel – Vem sempre aqui, moço?

No interior do bar, Ritinha, parece sentir emocionalmente as ações de Jean. E com ânsia de vômito corre para o banheiro. Renata, se preocupa e sai atrás da amiga. Érica, que conversa com um rapaz no balcão também mostra preocupação. Simon fica sozinho a mesa, sem esboçar preocupações.

Renata – Ritinha, espera. O que você tem, amiga?

Érica – Espera. Está acontecendo alguma coisa.

Jean, fuma cigarros com Gabriel, que após terminar o seu lhe diz:

Gabriel – Bem, Jean, foi um prazer fumar com você.

Jean, estranha.

Jean – Você… Eu pensei que a gente poderia sair tomar umas cervejas, ficar mais à vontade.

Gabriel, levanta-se:

Gabriel – Eu acho que eu adoraria, gato, mas, hoje estou naqueles dias…

Arrasado, após o fora, Jean, pensa em voltar para o bar encher a cara. No banheiro, amparada por, Érica e Renata, Ritinha, parece melhorar.

Ritinha – Eu já estou melhor! Já estou melhor!

E no final da noite, Jean se reuni com Ritinha e os amigos em volta de uma fogueira, bebendo vinho e rindo de qualquer coisa.

Renata – Viva, Ritinha, a garota que toma um porre de cachaça e em menos de meia hora está inteira, para o vinho.

Érica – Pessoal, o que vocês acham de todo mundo dormir lá em casa hoje?

Ritinha levanta-se e diz:

Ritinha – Acho uma ótima ideia, que tal uma noite só das garotas? Vocês não se importam né meninos?

Símon – Valeu, hein! Acho que já está na hora de ir pra casa, mesmo.

Com olhar de cumplicidade, Símon diz baixinho a Jean.

Simon – Bora lá em casa, estranho?

A HORA CINZA/ NEM NOITE, NEM DIA

Dias Atuais

Em seu apartamento, Jean, desperta de um pesadelo, e na pequena sacada acende um cigarro e contempla o cinza das horas.

Jean: A hora cinza, esse momento que não é nem de noite, nem de dia. A hora em que um dia vou morrer.

OS PRIMEIROS INIMIGOS/DIA

Jean, sai com o carro da garagem de seu apartamento e estacionado próximo dali, Fano junto de Ramiro, arquiteta seu plano:

Ramiro – Já está saindo.

Fano – Prepara-se Jeanzito, por que você mesmo buscou isso.

REI DO FUMO/DIA

Do escritório, Dom Armando, liga para Jean.

Dom Armando – Filho, tive um assunto de urgência para resolver, venha direto pra fábrica.

E após, desligar o telefone:

Armando – Muito bem, Bartô Galeno, agora somos só nós dois. Sabe que eu já esperava por esse dia?

Bartô – Não mais do que eu… Pode acreditar.

Jean, chega na fábrica e ao sair do carro se depara com Bartô, descendo às escadas. E com um sorriso de orelha a orelha, corre para abraçar o amigo que deixa a mochila cair no chão.

Jean – Bartô!

Bartô – Jean! Meu forasteiro favorito, que mundo pequeno não?

Jean – Jamais poderia imaginar que iria te encontrar aqui.

Bartô – É uma longa história.

Jean – Podemos nos encontrar hoje em algum lugar pra falarmos de fábulas?

Bartô – É claro que sim. Coloca a mão sobre o ombro de Jean. – Como é bom te ver de novo…

Bartô, ajunta sua mochila e deixa Jean, sorrindo, desconcertado.

ESCRITÓRIO DE DOM ARMANDO/DIA

Jean, entra na sala de Dom Armando, que olha para o horizonte pela janela.

Jean – Dom Armando…

Dom Armando – Jean, você acredita que todas as pessoas nessa vida têm uma sina?

Jean – Nunca fui de acreditar, Dom Armando, mas quando cheguei aqui, duas pessoas me disseram que eu deveria seguir a minha.

Dom Armando, senta-se na sua cadeira.

Dom Armando – Desde que vi você entrar por aquela porta a primeira vez, algo me disse que… – Emocionado.

Jean – Algo lhe disse o quê?

Dom Armando – Que você é filho que eu sempre quis ter.

Jean – Dom Armando… Agora quem ficou emocionado fui eu. O senhor não imagina tudo que eu vive nos últimos meses. E ouvir isso, agora […]

Dom Armando – Sim! Eu imagino. Basta olhar pra você, carregas uma carga muito grande nas costas, Jean, e uma hora, terá que se abrir com alguém ou isso vai acabar com você.

Emocionado, Jean, limpa as lágrimas dos olhos.

CASA DE CAROL/DIA

Carol, arruma os travesseiros em sua cama, pega a carteira de cigarros e senta-se apoiando as costas à cabeceira, acende um cigarro e olhando para o teto percebe algo estranho num sensor de movimento.

REI DO FUMO/DIA

De sua sala, Fano, vê quando, Carol apaga o cigarro e desconecta a câmera instalada.

Fano – Droga!

CASA DE CAROL/DIA

Jean, vê as câmeras que estavam instaladas, sobre a mesa da sala e diz a Carol, que ainda não consegue acreditar do que o namorado é capaz.

Jean – Esse cara é um doente, se ele é capaz de te vigiar assim, é capaz de qualquer coisa.

Carol – Se cuida, por favor, Jean. – levanta da cadeira e o abraça apertado.

Carol – Se cuida.

Jean – Calma! Calma! Não vai acontecer nada.

SEGUE SEUS PASSOS/NOITE

Jean, sai da casa Carol, Ramiro o segue e liga para Fano.

Ramiro – Acabou de sair da casa da Carol, chefe.

Fano, que também está no volante, diz:

Fano – Segue cada passo desse desgraçado, e me mantenha informado.

RESTAURANTE/NOITE

Jean, chega ao restaurante para encontrar, Bartô que já o espera em uma mesa nos fundos da varanda.

Jean – Boa noite.

Bartô – Bem-vindo!

Jean – Escolheu um ótimo restaurante. – Senta-se.

Bartô – Pois hoje é um dia para comemorarmos. Vinho?

Jean – Por favor.

Enquanto serve-lhe vinho.

Bartô – Não imaginava mesmo que iria te encontrar trabalhando para o rei do fumo, Jean.

Jean – Pois eu tão pouco. E hoje descobri que até as pessoas como ele são capazes de ter compaixão.

Bartô – De verdade?

Sério, direto ao ponto:

Jean – O que fazia hoje com, Armando Cardona?

Bartô – Vim lhe refrescar a memória, não é bom que esqueçamos nossas dívidas com o passado.

Jean – É ele não é? Armando Cardona é a pessoa com quem tem contas a acertar?

Bartô – Isso você saberá no momento certo. Por enquanto vou ficar bem perto, e de olhos bem abertos.

Jean – Pensa em contar comigo pra algo?

Bartô – De jeito nenhum, ou poderia?

Jean – Não!

Bartô, sorri e levanta a taça de vinho.

Bartô – As fábulas, Jean, Meu amigo!

Jean, sorri e brinda.

Jean – Às fábulas, Bartô!

HOTEL, QUARTO DE BARTÔ/NOITE

Bartô, acende a luz do quarto e diz a Jean, que solta as chaves do carro sobre a mesa.

Bartô – Por enquanto estou por aqui, mas, amanhã mesmo vou ver uma casa, uma casa digna de um rei, meu caro, por quê ‘euzinho’ aqui mereço.

Jean, o encara seriamente e se aproxima:

Bartô – O que foi?

Jean – Não sabe o quanto tenho pensado em você.

E vem o silêncio, os olhares se encontram, Jean, parte pra cima como um lobo faminto, e os dois se entregam aos beijos e carícias.      

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