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The Black List – Episódio 1×04 – Conte a verdade

Jade

 

            – O que você está fazendo aqui? – Jade perguntou, incrédula.

Todos do refeitório pareciam ter parado de mastigar suas refeições para encarar Jade e Max, ele estava parado com o buquê erguido na direção dela.

 

VERÃO 2019

O ano passado foi um ano conturbado na vida de Jade Evans. Ela havia conhecido Max Peterson em um grande evento para influencers no Upper East Side. Era verão e naquele dia estava fazendo um frio bem confortável nos arredores do bairro, Jade se vestiu de um longo vestido vermelho coberto por um casacão cheio de pelos brancos. Seu motorista deixou ela e suas amigas, Bridgit e Emily, na recepção do hotel luxuoso onde estava ocorrendo o evento.

– Tenha uma boa noite, srta. Evans. – ele disse.

Jade e as meninas entraram no saguão do hotel e foram guiadas até o rooftop onde realmente todos os influencers estavam comemorando. No caminho, ela encontrou algumas conhecidas e alguns donos de marcas parceiras. Emily e Bridgit estavam felizes demais por estarem acompanhando a amiga naquele evento, seria também uma boa chance delas alavancarem suas carreiras nas redes sociais. Mas apenas Jade tinha esse poder naquela noite.

Ao chegarem no rooftop, elas foram recebidas pelos organizadores do evento, o casal Brad e Hunter, que era uma mulher trans de longos cabelos loiros e olhar avoado. Os dois seguravam suas taças de champanhe.

– Fico feliz pela sua presença, Jade. – Hunter sorriu. – Essa noite eu quis reunir todos os maiores influencers de Nova York para o lançamento da minha marca.

– Essa noite vai ser uma noite para relembrar. – Brad sorriu e beijou a esposa.

– Eu que fico feliz por ser convidada, Hunter. Desejo todo o sucesso do mundo para sua marca. – Jade abraçou Hunter.

– Precisamos conversar depois. – Hunter acariciou o rosto de Jade. – Sobre trabalho, é óbvio.

– Claro! Já estou ansiosa! – Jade abriu um largo sorriso.

Meses depois, Jade estava sendo a garota propaganda da marca de roupas de Hunter e Brad.

Voltando, as meninas foram servidas com taças de champanhe e canapés, e encontraram as outras celebridades (e subcelebridades) da cidade. Enquanto conversava com sua amiga e modelo, Karol Gofth, Jade percebeu um jovem, de cabelos castanhos e muito bem penteados e um bigode bem desenhado, a encarando. Ela o olhou de volta, ele retribuiu o olhar e deu uma risadinha sem graça. Jade ficou interessada.

– Karol, você conhece aquele? – Jade perguntou.

– Aquele? Oh – Karol tinha um sotaque britânico bem carregado. – aquele é Maxwell Peterson. Ele é o queridinho do Brad e da Hunter.

– Por que? – Jade estava bastante interessada.

– Ele também é modelo. É o primeiro garoto propaganda da Hunter.

Jade cruzou os braços e procurou pelas duas amigas, elas tinham sumido fazia muito tempo.

– Vou procurar minhas amigas, Karol. Com licença. – ela disse e caminhou pela festa.

Emily estava sentada no colo de um homem aparentemente mais velho e endinheirado, os dois pareciam estar bem bêbados. Jade riu da situação da amiga e voltou a procurar Bridgit, ela não estaria com alguém pois estava namorando com Harry. Porém lá estava ela, no bar da festa, tendo uma conversa calorosa com o barmen que a olhava com interesse. Jade decidiu não se meter, aquele namoro de Bridgit e Harry não daria certo muito tempo mesmo.

– Oi. – uma voz surgiu ao seu lado. Era o tal Max Peterson.

– Ah. – Jade levou um susto e quase derramou champanhe em sua roupa. – Oi.

– Foi mal. – Max riu. – Posso pegar uma bebida para nós dois?

– Oi? Não. Eu mal te conheço.

– E é pra isso mesmo. – Max sorriu, e Jade estremeceu com aquele maldito sorriso. – Nos conhecermos melhor.

Jade abaixou a cabeça, riu e caminhou até o bar com Max. Enquanto ele ia no bar pedir as bebidas, ela se sentou em um pufe em um canto da festa e olhou para o céu estrelado de Julho.

Ele retorno e entregou uma taça de gin tônica para a jovem.

– Hm. Obrigada.– Jade ergueu uma sobrancelha. – Eu vi você me olhando. O que você quer?

– Gosta de gin? – ele mudou de assunto. – Pensei que iria gostar.

– Gosto. – Jade riu. – Não mude de assunto.

– O que eu quero? – Max se fez de desentendido. – Muitas coisas, Jade Evans. Muitas coisas. E você?

– Não lhe interessa. – ela deu um gole no gin. – Você me chamou para beber, agora me conte a sua história.

– Bom. – Max olhou em seus olhos. Jade suspirou. – Nasci em New Jersey, vim para Nova York bem cedo e comecei a trabalhar bem cedo como modelo. Hoje, sou modelo para algumas marcas e estou aqui por isso também.

– Você é modelo da Hunter. – Jade semicerrou os olhos. – Legal.

– Sim, eu amo esses dois. – Max cruzou as pernas e encarou Jade. – Eles me abriram grandes oportunidades.

– Imagino.

– E você? Por que está aqui?

Jade suspirou novamente, ela estava começando a ficar um pouco bêbada. Um garçom chegou na hora para servi-los com pequenos docinhos de limão. Max ainda observava o rosto de Jade.

– Convite. E trabalho também.

– Uma garota como você não precisa se esforçar muito para garantir trabalho, não é?

– Posso dizer que sim. – Jade se aproximou. – Mas não sou a menininha fútil que muitos pensam.

– Eu sei disso. –  ele aproximou o rosto dela. – Nunca acreditei que fosse uma garota idiota como muitos pintam. Eu reconheço bem uma pessoa inteligente. Que sabe jogar com as cartas que tem.

Jade se afastou de Max e deu mais um gole de seu gin, ele fez o mesmo e deu um leve sorriso. Ela estava gostando do papo dele.

– Para onde vai depois daqui? – ele perguntou.

– Não sei. Estou com minhas amigas. – ela disse.

– Podemos dar um passeio. Onde você quer ir?

Ela ergueu novamente a sobrancelha. Aonde Max queria chegar? Jade não ligava, portanto ela mesma sabia bem onde ela queria chegar.

E chegaram. Jade e Max saíram da festa mais cedo (Emily saiu com o ricaço e Bridgit não contou o que fizera no fim daquela noite), ele a levou para dar um passeio em sua moto pela cidade totalmente iluminada. Jade segurou firme na cintura dele, sentindo seu cheiro. Ela estava realmente gostando daquela sensação que ele trazia.

Os dois terminaram a noite no pequeno estúdio em que Max morava. Os dois subiram no elevador se encarando, extasiados com a adrenalina que fora correr pela cidade naquela moto. Enquanto o elevador antigo subia lentamente, ele se aproximou de Jade e encostou seus lábios nos dele. Ela virou o rosto, rindo. Ele também riu, segurou seu rosto e o trouxe para seu encontro, até os dois se beijarem.

Jade e Max transaram loucamente por todo o apartamento/estúdio de Max. Foi uma noite intensa. Os dois terminaram exaustos em cima da cama e dormiram.

Jade acordou no outro dia com o sol brilhando em seu rosto, ela se levantou com os cabelos bagunçados e o rosto inchado. Não havia ninguém ao seu lado na cama, Max já tinha acordado.

– Max? – ela perguntou.

Ele surgiu, vestindo apenas sua cueca, com uma bandeja de café da manhã. Jade sorriu e abaixou a cabeça, aquilo tudo parecia um sonho.

– Que foi? – ele perguntou.

– Isso tudo parece muito surreal pra mim ainda. – ela disse. – Tudo isso.

Ele deixou a bandeja na ponta da cama e sentou ao lado de Jade, dando-lhe um beijo.

– Deixe ser surreal.

 

A relação de Jade com Max continuou intensa até o momento em que os dois começaram a ser vistos pela mídia como o novo casal da internet. Todos os veículos de fofoca estavam na mira do casal, sendo que nem namorando eles estavam. No dia em que os dois anunciaram o namoro, os seguidores e toda a mídia comemorou. Max estava já se tornando um membro dos Evans, tendo toda a família apoiando o mais novo casal.

Havia toda uma pressão sobre os dois. Paparazzis, rumores e tudo mais.

Até o momento em que Max foi visto com uma modelo em um evento de moda em Paris.

Toda aquela confusão sobre os dois acabou trazendo inúmeros trabalhos, um deles Jade e Max estamparam a mesma campanha, lado a lado. Porém, nesse evento de moda em Paris, Jade não ia poder comparecer por causa de conflito de agenda, então Max acabou indo sozinho.

E lá estava ele, se atracando com uma modelo, e exposto pela mídia. Jade decidiu bloquear Max de todas suas redes sociais e esquecer da existência do rapaz. Toda aquela sensação que ela tivera com ele, foi completamente apagada de sua memória.

 

PRESENTE

– Eu quero te pedir desculpas. – ele se ajoelhou aos pés de Jade. – Por todo mal que eu te fiz.

– Não preciso de suas desculpas. – Jade virou-se novamente, encarando a mesa. Bridgit, Emily e Mason continuavam a olhar para Max.

– Mas eu preciso de você. Não nos falamos desde aquele dia. – Max se encostou na mesa, fazendo com que Jade não pudesse desviar o olhar dele. – Eu me arrependi de tudo, Jade.

Jade gargalhou e fechou o punho, Mason pensou que ela iria socar o rosto de Max. Ele arregalou os olhos e até pensou em parar a amiga, mas ela disse:

– O que nós tivemos foi muito intenso. – ela olhou na cara dele. – Mas passou.

Parecia que todos do refeitório prenderam a respiração, ela estava achando tudo aquilo muito desconfortável, e começou a ver alguns celulares surgindo ao seu redor. Malditos.

– É isso, Jade? Vai destruir o que tivemos?

– Você mesmo destruiu. – ela se levantou. – Vamos, Bridgit, Emily e Mason.

Os amigos levantaram, ela seguiu o caminho até a saída do refeitório. Max os seguiu.

– Não é justo, Jade!

– O que há com você?! – ela gritou, já no corredor. – Você me traiu na primeira oportunidade que teve. Você só se aproveitou da minha fama.

– Como ousa falar isso de mim. – Max jogou o buquê no chão. – Não aproveitei da fama em momento algum.

As pessoas passavam pelo corredor e os encaravam, Jade havia cruzado os braços e olhava friamente para Max.

– Nós vamos voltar. – ele murmurou. – Eu te amo.

– Tchau. – ela virou-se de costas e os três amigos a seguiram, deixando Max sozinho.

 

O treino de cheerleaders foi bastante intenso. Jade parecia uma besta enfurecida enquanto treinava, surpreendendo até Alma, que a elogiou. Após o treino, os quatro saíram do campo de futebol completamente cansados e suados. Estava fazendo um calor terrível.

– Não acha que foi um pouco dura com ele, Jade? – Bridgit perguntou. – Tive um pouco de pena.

– Fique com ele então. – a jovem disse. – Eu e Max não temos mais nada. Foi apenas um caso de 3 meses.

– Bom. – disse Mason. – Ele parece ainda gostar de você.

Jade ficou em silêncio. Ela no fundo ainda gostava de Max, porém ele havia a machucado muito. Quando ela viu a notícia que ele estava com uma modelo em Paris, seu mundo desabara. Além de todo mundo estar comentando, ainda queriam que ela se posicionasse sobre o ocorrido porém ela simplesmente o bloqueou nas redes sociais. Max acabou perdendo alguns trabalhos e Jade continuou firme e forte na mídia. Uma vez, a blogueira Anne Cruz quis que ela desse uma entrevista para seu canal no YouTube sobre a traição de Max, e lá foi Jade. O vídeo bateu quase 5 milhões de visualizações em um dia.

– Nessa situação toda, ele saiu perdendo. – riu Emily. – acho que se voltasse com ele, a mídia poderia massacrar você. Ou talvez…

– Ou talvez não. – disse Mason, sorrindo. – O retorno de Jade e Max ganharia os holofotes de toda a mídia. Eu lembro que quando vocês terminaram foi um grande susto para todo mundo. Todos comentavam.

– Eu não vou voltar para ele. – Jade virou-se para os amigos.

– Pense bem, Jade. – Emily disse. – Você é uma pessoa pública. Precisa trabalhar sua imagem, acho que retornar com Max poderia trazer a mídia de volta para você.

– Não! Eu não vou simplesmente voltar com um cara que me traiu na maior cara de pau só pra ganhar mais mídia! – ela disse.

– Ok. Tem razão. – Mason disse. – Não é justo com você. E não precisamos satisfazer o ego inflado do Max Peterson.

– Obrigada. – Jade revirou os olhos e suspirou.

Jade continuou pensando em Max enquanto voltavam para a escola. A ideia de voltar com ele não era lá tão ruim, ela estaria ainda mais presente na mídia e, pensando bem, satisfazendo sua vontade de dar uns beijos no seu ex-namorado.

 

 

Sam

 

Sam estava odiando aquela palhaçada de Max Peterson. Aquela peça poderia prejudicar bastante o seu jogo em conquistar Jade, ou até mesmo destruir todos os seus planos.

Ele estava caminhando até o vestiário quando viu o rapaz sentado em um dos bancos da área externa da Harper, Sam o observou com certa cautela. Max Peterson parecia estar bastante decepcionado com tudo aquilo, sua expressão gritava uma mistura de ódio e arrependimento. Ou ele era realmente um bom ator. Sam teve que pesquisar durante uma das aulas sobre Max pois ele não tinha entendido nada durante a briga dele com Jade.

– Os dois tiveram um caso. Durou uns 3 meses. – Maria disse. – Ele a traiu durante uma viagem a Paris.

– Entendi. – Sam sorriu.

Maria era uma fonte de conhecimento sobre os famosos de Nova York, principalmente sobre a família Evans.

– Os dois foram modelos da campanha daquela estilista famosa, Hunter.

– Não conheço. – Sam ficou sério, anotando tudo mentalmente. J.J gargalhou.

– Você vai insistir nisso, Sam? – J.J perguntou.

– Você ainda não viu nada.

Sam finalmente chegou no vestiário do time de futebol. O técnico Rogers estava na porta reunido com dois novatos, ele olhou para Sam e murmurou:

– Atrasado 2 minutos.

– Desculpe, treinador Rogers, me perdi no caminho. – Sam mentiu, sorrindo.

– Desta vez sem problemas, West. Esses são outros novatos que irão competir pelas vagas no time. Temos apenas duas vagas, vocês vão começar como reservas mas podem crescer no time de acordo com suas performances. – ele olhou para os três garotos. – Vamos entrar no vestiário, vou apresentar vocês ao time.

O vestiário era até grande comparado ao da antiga escola de Sam. Os garotos do time estavam se arrumando, conversando e rindo entre eles.

– Time! – gritou Rogers. – Esses são os novatos que irão fazer o teste. Quero que emprestem uma muda de roupa para cada um deles.

Sam buscou Austin, Harry e Travis entre o grupo de garotos. Austin estava sentado em um dos bancos de madeira, com o olhar baixo e a expressão carrancuda. Harry surgiu entre os garotos com uma muda de roupa e seus olhos encontram os de Sam, ele ergueu o braço para entregar o uniforme do time.

– Aí. – ele disse. Sam sorriu para o garoto e agradeceu. – Boa sorte.

– Valeu.

Rogers bateu as palmas das mãos e gritou com os garotos para que eles fossem para o gramado. Os novatos foram se trocar enquanto o time fazia seu aquecimento. Depois de se vestirem, Rogers colocou os novatos para aquecerem junto com o resto do time. Sam fora o único que conseguiu manter o mesmo ritmo de todos eles, os outros dois garotos ficaram pelo caminho arfando.

– Querem mesmo ser do time?! – gritou Rogers. – Que moleza!

O time parou de correr pelo campo, Sam enxugou o suor da testa com as costas da mão e parou para olhar ao seu redor enquanto esperava por mais ordens do técnico.

– Mandou bem. – Travis surgiu ao lado de Sam. – Vai ser um bom reserva.

– V-Valeu. – Sam sorriu. – Qual seu nome mesmo? – ele já sabia o nome.

– Travis Hopper. Prazer. – o grandalhão apertou a mão de Sam.

– Sam West.

– Rapazes! Quero que treinem lançamentos. Façam duplas e peguem as bolas ali perto da arquibancada. – Rogers gritou, ele parecia irritado com os dois novatos. – Bando de bunda mole.

Travis correu para pegar uma bola mas decidiu ficar com Austin. Sam encontrou Harry no caminho e disse:

– Valeu pela roupa.

– Por nada. Quer ser minha dupla? – ele perguntou, arfando.

– Pode ser. – Sam concordou.

Os dois treinaram lançamentos por longos 20 minutos. Sam estava se saindo muito bem, correndo e agarrando a bola de futebol em um piscar de olhos. Rogers se aproximou da dupla e murmurou:

– Está dentro, West.

Sam abriu um largo sorriso e ergueu os punhos acima de sua cabeça, fazendo uma dança estranha e os garotos que estavam ao seu redor começaram a rir. Harry foi um deles.

– Vai ser divertido ter ele no time. – riu Harry.

– Pode crer. – disse um jovem negro com os cabelos bem aparados. – Sou Michael.

– Sam. – ele se aproximou de Michael para cumprimentá-lo. – Valeu.

Aquele Sam realmente não conhecia, nunca tinha o visto nas aulas e nem nos corredores. Michael era uma peça nova no jogo.

Rogers colocou o time para treinar uma simulação de partida, dividindo o time em dois. Sam ficou no time de Harry, Travis e Austin, que no final, saiu vencedor. Quando foram liberados, os garotos correram para o vestiário e Sam devolveu a roupa para Harry.

– Ah, valeu. – Harry disse.

– Aí, Sam. – Travis chegou ao lado de Harry, junto com Austin, que observou de longe o rosto de Sam. – Vou reunir a rapaziada lá em casa hoje a noite. Você é um dos nossos agora.

Sam estava achando eles bem amigáveis, soava até estranho por tamanha má fama que aquele time tinha nos corredores da Harper.

– Ah – Sam começou. – Bom…me passa o endereço que estarei lá. – ele riu.

Travis e Sam trocaram seus telefones, o garoto estava muito feliz. O saldo daquele primeiro dia no time de futebol estava sendo bastante positivo, agora só faltava ele criar mais confiança entre eles.

– Nos vemos mais tarde. – Harry se despediu.

– Valeu, West. – Travis disse.

– Até. – Austin murmurou e foi embora junto com os dois amigos. Sam permaneceu no vestiário, sorrindo.

 

Sam se encontrou com J.J e Maria na aula de Biologia, os dois estavam conversando sobre outro assunto quando ele chegou. Sam jogou a mochila na carteira e sentou-se, encarando os dois.

– Preciso de informações, Maria.

Maria jogou os cabelos ondulados para trás do ombro e olhou de cima à baixo para o garoto.

– O que você quer agora?

– Michael. Quem é esse? Ah, passei para o time.

– Parabéns. – J.J disse, suspirando e puxando o celular do bolso. – Será que vamos ter alg-

– Michael é do time de futebol da Harper. – Maria o interrompeu. – Ele namora Bridgit, amiga de Jade. Bridgit já namorou Harry Cooper, mas ele terminou com ela.

– Como você sabe disso tudo? – J.J perguntou.

– Internet. – Maria sorriu. – Nada além disso, Sam. O que houve?

– Nada. Preciso conhecer bem meus companheiros de time. Hoje tenho uma reunião deles na casa do Travis Hopper.

– O filho do diretor. Irmão de Emily Hopper. – Maria batucou os dedos na carteira. – Sam, cuidado. Essas pessoas não gostam de gente como nós.

– Eles foram bem amigáveis, se quer saber. – Sam disse. – Principalmente esse Harry Cooper aí.

– É. Ele é bem legal. – Maria abaixou os olhos, corando.

J.J levantou a sobrancelha e olhou para Sam, ele também tinha percebido o tom que Maria falou de Harry.

– Você tá gostando dele? – riu J.J.

– EU? – Maria levantou, assustada. – Que absurdo!

Os dois caíram na gargalhada.

 

 

Harry

 

 

Harry era uma pessoa bastante complicada. Quando Bridgit assumiu o namoro com Michael, seu colega de time, ele ficou bem…mas nem tanto. Algo dentro dele o incomodava, mesmo sendo ele próprio que tinha terminado com a garota. Michael chegou a conversar com ele, que simplesmente desejou toda a sorte para o casal.

Ele ainda gostava de Bridgit, havia um carinho bem intenso por ela em seu coração, mas ele se forçava a entender que ela não era mais sua namorada.

E havia duas coisas que não saiam mais de sua cabeça desde o primeiro dia de aula, a misteriosa conversa com Maggie e seu encontro, ou melhor dizendo, esbarrão com Mason. Algo mexeu com Harry depois de tudo aquilo. Ele decidiu encontrar a garota nas arquibancadas após a aula de Biologia.

– Você voltou. – ela estava fumando. Ele pegou o maço de cigarros em sua mochila e acendeu um. – Pensei que não iria mais voltar.

– Esse lugar aqui sempre foi meu, primeiramente. – ele disse, sério.

– Hm, não. – ela gargalhou. – Eu cheguei primeiro. E vi tudo o que você fez por aqui durante todo esse tempo.

– Não fiz nada de absurdo. Só fumei, li uns livros e quadrinhos. É meu recanto de paz. Na verdade, era.

– Você é bem estranho, Harry Cooper. – ela baforou a fumaça em sua direção. – Vocês do time de futebol acham que nós, os esquecidos, somos desprezíveis e estranhos. Mas vocês são bem mais complicados.

– Maggie, aonde quer chegar com isso? – ele se aproximou da garota, com raiva.

– Eu quero saber de você. – ela se levantou e andou em círculos. – Seus problemas.

– Não tenho problemas. – ele cruzou os braços. – Você não é psicóloga.

– Não precisa ser psicóloga para compreender sua mente. Esses meses que observei tudo seu aqui na arquibancada, deu pra perceber. – ela fez uma pausa. – Você é gay, Harry Cooper. – ela sorriu e abriu os braços.

Harry arregalou os olhos e engasgou, ele ficou vermelho e começou a suar frio. Sua mente parecia ter travado, ele não conseguia raciocinar e gesticular uma resposta. O que Maggie estava falando?

– C-Como?

– Eu vi os livros que você trouxe pra cá. E você conversa muito consigo mesmo.

– Filha de uma puta, desgraçada! – Harry se levantou.

– Ei! Calma! – Maggie se afastou, rindo. – Não é uma doença, nem um insulto.

– Eu sei. – Harry jogou o cigarro no chão e pisou. – Mas não sou gay.

– Ah, é? – ela disse. – Os livros que você trouxe, as suas conversas…

Harry costumava levar livros de auto ajuda, romances, histórias em quadrinhos que conversavam bastante sobre  sexualidade e causas LGBT. Ele estava bastante perdido sobre os seus sentimentos, tão perdido que mesmo lendo todo esse conteúdo, sua mente estava completamente embaralhada. Ele estava odiando ter aquela conversa com uma desconhecida.

Em seus momentos sozinhos nas arquibancadas, ele deitava e ficava falando coisas aleatórias sobre seus sentimentos apenas para expulsa-los de sua mente.

– Eu sei. – ele disse. – Mas eu amo minha namorada. Na verdade, ex-namorada.

– Tudo bem, Harry. – Maggie tocou seu braço, ele recuou. – Você não sabe muitas coisas sobre sexualidade, né?

Harry franziu a testa e sentou novamente, sua mente ainda era um turbilhão de pensamentos.

– Não.

– Bom, hora de tomar um pouco de espaço dessa mente conturbada para um colocar um pouco de conhecimento. – ela cruzou as pernas e sentou-se na frente de Harry. – Você gosta de mulheres?

– Sim. – Harry afirmou.

– Homens?

– Não sei. Acho que… – ele pensou no sentimento que o esbarrão com Mason trouxe. – não tenho certeza.

– Ok. – ela disse. – Sexualidade é algo muito delicado. Você precisa de tempo para entender o que está acontecendo com o seu corpo e sua mente.

Harry estava de boca aberta, como que aquela garota conseguia ler completamente o seu comportamento.

– Você é louca. Não sou gay.

– Isso é você quem deve descobrir.

– Pode me contar mais sobre isso amanhã? – ele perguntou.

– Claro. – ela se levantou, apagou o cigarro e virou de costas para ir embora. – Até amanhã, Harry Cooper.

– Não fale sobre isso com ninguém.

– É óbvio.

 

 

Sam

 

A casa dos Hopper ficava um pouco distante da cidade, em um pequeno condomínio de mansões monitorado por uma imensa quantidade de seguranças e câmeras. Sam deu a sorte de encontrar Harry e Austin na portaria do condomínio e entrou junto com eles.

Os dois pareciam ser bem acostumados a entrar na casa de Travis, já Sam observava cada canto da imensa mansão. Travis os recebeu na cozinha (tão grande que parecia ter o tamanho da mercearia dos pais de Sam.) e os levou até o jardim, os outros garotos estavam sentados em uma mesa redonda e bebendo suas cervejas.

– Grande Sam West! – disse Michael, Sam apertou a mão dos garotos. – O mais novo reserva!

– Pois é. – Sam sorriu. Austin sentou ao lado dele, Harry na cadeira à sua esquerda. – To muito feliz.

– Acho que não nos conhecemos. – um garoto com cabelos castanhos e olhos azuis se aproximou da mesa. – Sou Ben Parker.

– Prazer, cara. Sou Sam. – Sam levou um susto e apertou a mão de Ben. – Você estava no treino hoje?

Ben parecia ter ficado meio incomodado com a pergunta, ele olhou para os colegas e depois voltou seu olhar para Sam.

– Não. Tive um problema em casa. – ele respondeu. Sam balançou a cabeça, concordando.

– Rogers vai ficar na sua cola, Parker. – Austin falou, sério.

– Pode crer. – Michael esticou os braços para se alongar. – O filho da mãe não vai aceitar nenhuma falta esse ano.

Travis Hopper estava dentro de casa enquanto eles conversavam, ele retornou ao jardim com as cervejas de Sam, Harry e Austin.

– Saúde. – Travis disse. – Um bom ano para nós.

– Saúde. – Sam disse.

Os garotos brindaram com suas cervejas, Austin continuava muito sério e parecia evitar a presença de Sam.

– Ao mais novo reserva do time. – Harry disse, olhando para Sam.

– Valeu. – Sam sorriu.

Os garotos do time de futebol continuaram conversando sobre o time, bebendo suas cervejas e comentando sobre as garotas por um bom tempo. Os pais de Travis e sua irmã, Emily, surgiram e desejaram uma boa noite para todos. O diretor Hopper encarou Sam, que o encarou de volta, sem entender. Quando eles saíram, Michael puxou assunto:

– Doideira isso das mensagens, né?

Um silencio mortal surgiu na mesa, Austin levantou o rosto e suspirou. Sam engoliu em seco e olhou ao seu redor.

– Deve ser algum desocupado. – ele disse. – Não acho que temos que nos preocupar.

– Você chegou agora. – Austin tinha um tom raivoso em sua voz. – Não sabe se temos que nos preocupar ou não.

– Sim, cara. – Parker cruzou os braços. – Ter nossa vida exposta pode custar muito caro.

Sam franziu a testa. Então aqueles caras tinham muitos segredos escondidos, com todo esse medo por causa das mensagens, eles deveriam ter muito a perder se tivessem suas vidas expostas. Ele deu uma golada em sua cerveja e observou a reação deles, todos estavam com os olhos abaixados.

– Bridgit falou que sua irmã está bem preocupada. – Michael disse para Austin. – O que sua família acha disso?

– Já denunciaram e estão atrás do responsável. – Austin colocou sua cerveja na mesa, vazia. – Quem quer que seja, vai ser pego logo.

– Tomara. – Travis estava tenso. – Emily surtou com essa última mensa-

Em uníssono, os celulares de todos eles tocaram. Travis interrompeu sua fala com um palavrão, Austin se levantou e pegou o telefone. Sam pegou o telefone, desconfiado.

– Puta merda, Austin. – Parker disse, com o telefone em mãos.

Sam desbloqueou a tela e viu a foto de uma jovem de cabelos loiros e olhos castanhos seguida pelos dizeres:

 

CONTE A ELES A VERDADE SOBRE KELLY

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