“Adeus ou Até Breve?”

 

[CENA 01 – CASA DA CARLA/ SALA/ DIA]
FREDERICO – Então, filha, o que você decidiu?
CARLA – Você e a Paula vivem me dizendo para não esquecer de viver à minha vida. Praticamente, quase todos próximo a mim vivem repetindo isso. Então, estou seguindo o conselho de vocês. Aceito morar com o senhor.
FREDERICO – (fica feliz, mas tem receio de que Carla não esteja sendo sincera completamente) Você tem certeza, filha? E quando aos seus estudos…
CARLA – Não iria conseguir me concentrar na faculdade e cuidar do Pedro ao mesmo tempo.
FREDERICO – Eu e Paula cuidamos para você. Eu mais do que ninguém sei o quão é importante a pessoa conseguir um ensino superior. Isso abre muitas portas para o seu futuro.
CARLA – Não estou desistindo da faculdade. Posso cursar outra a qualquer momento. No entanto, creio que o melhor agora para mim, é acompanhar os passos do meu filho.
FREDERICO – Qualquer forma, você terá meu apoio. Ah, e não se preocupa, tá. Mesmo você e sua irmã indo morar comigo no sítio, quando vocês sentirem saudades desta casa e quiserem voltar, podem voltar quando quiserem. Não pensem que ficarei chateado, nem nada. Afinal, essa casa também é de vocês.
CARLA – Obrigada, pai. (o abraça)

[CENA 02 – CASA DA VERÔNICA/ Q. DA LUANA/ DIA]
LUANA – Se a senhora também ficou surpresa, imagina eu como fiquei quando abri o resultado.
VERÔNICA – Talvez a sorte realmente esteja do nosso lado! Mesmo que a Alice tenha sido trocada na maternidade e esses dois testes confirmaram que o Felipe é o pai dela, devemos apenas comemorar.
LUANA – Eu não consigo comemorar, mamãe. Eu não entendo. Se a Alice não é filha do Felipe, como os testes disseram o contrário?
VERÔNICA – Filha, para de pensar nisso. Para de se preocupar com isso. Foca agora, só em voltar com o Felipe e esquece o passado. Tomei uma decisão! Não vou mais me meter entre vocês. Deixarei vocês dois construírem o futuro sozinhos.
LUANA – Não sei se quero voltar com o Felipe, guardado esse segredo dele.
VERÔNICA – Então conta para ele. Se você quer perder o Felipe, e ficar aí trabalhando em uma lojinha de sapato, ganhando uma merreca, fica à vontade. Agora, você além de perder o amor da sua vida, você está acabando com a felicidade daquela família.
LUANA – Isso é culpa da senhora, que decidiu fazer essa troca.
VERÔNICA – Isso, agora coloca a culpa em mim, se isso vai aliviar as coisas para você.
LUANA – Não tenho coragem de contar para o Felipe.
VERÔNICA – Não conta. Deixa as coisas como estão.
LUANA – Como vou conseguir fingir que à Alice é minha filha. Não consigo olhar para ela, sem pensar que ela não é a minha filha de verdade. E que a minha esteja enterrada por aí.
VERÔNICA – O que você quer? Você quer ir atrás da sua filha? Você quer saber onde enterraram ela? Porque se for isso, posso conseguir para você.
LUANA – De que adiantaria saber onde ela está enterrada, se nunca vou saber como é o rosto dela. Nunca vou saber, como é ter ela nos meus braços. Ela nunca vai saber que eu sou a mãe dela.
VERÔNICA – Ela é linda. Eu segurei a sua filha nos braços. Eu sei como era o rosto dela. E ela era linda, assim como você. Também vi, como você ficou feliz ao pegar a Alice nos braços, mesmo ela não sendo a sua filha…
LUANA – Eu não vou criar essa menina.
VERÔNICA – Não cria. Deixa para o Felipe esse papel. Ele é rico, não será problema nenhum criar.
LUANA – (levanta da cama, caminha até o espelho, limpa o rosto, volta para cama e pega sua bolsa) Estou atrasada, tenho que ir.
VERÔNICA – Promete que você vai pensar no que a gente conversou, filha? (Luana não responde e sai para o trabalho)

[CENA 03 – LANCHONETE/ DIA]
(Luana liga para Sérgio, combinando dos dois se encontrarem na lanchonete próxima ao trabalho dela. Luana já esta na lanchonete, esperando Sérgio chegar)
SÉRGIO – (chega e senta, ficando de frente a ela) Confesso que não esperava você me ligar, depois de ter se acertado com o Felipe.
LUANA – Como você sabe que eu e o Felipe voltamos?
SÉRGIO – Eu sou o amigo que deu um empurrãozinho, para que ele te perdoasse. (ri) De nada!
LUANA – Bem, mas não foi sobre o Felipe que te chamei para conversamos.
SÉRGIO – Sobre o que então?
LUANA – Sobre você!

[CENA 04 – CASA DA CARLA/ Q. DE PEDRO/ DIA]
(Carla termina de trocar Pedro. Paula, está ao lado dela conversando com a irmã)
PAULA – Você realmente tem certeza disso?
CARLA – Tenho. Preciso seguir à minha vida longe dessa cidade! Longe de tudo que me faz lembrar… (não termina)
PAULA – Do Felipe?! Carla, sei que você gosta dele, não entendo por que até agora não decidiu ir atrás dele e falar o que sente?
CARLA – Não podemos mais viver uma história juntos, Paula. O nosso tempo acabou. Nossos destinos podem até ter se cruzado naquela noite, mas tomaram rumos diferente agora.
PAULA – Porque vocês querem! Mas, já que você decidiu assim… quando nós vamos?
CARLA – Depois de você terminar seu curso.
PAULA – Vamos voltar a deixar a casa fechada?
CARLA – Estava pensando em fazer outra coisa.
PAULA – O que?
CARLA – Na verdade, isso vai depender da resposta do Junior.
PAULA – Você está pensando em deixar o Junior morar aqui?
CARLA – Sim. Assim ele não precisa ir embora com à Ana. Se ele quiser pode trazer a mãe dele para morar aqui.
PAULA – Será que ele vai aceitar?
CARLA – Saberemos quando ele chegar.

[CENA 05 – LANCHONETE/ DIA]
SÉRGIO – Como assim sobre mim?
LUANA – É… quero saber como você está? Como anda a faculdade? Se tá namorando…
SÉRGIO – (ri) Juro, que não estou entendendo essa curiosidade toda.
LUANA – Não tem nada demais, só quero saber como você está, só isso!
SÉRGIO – Ok, é… estou bem. Vou bem na faculdade. E estou solteiro. Mais alguma pergunta?
LUANA – Interessado por ninguém?
SÉRGIO – Não. Por que, quer me apresentar a alguém?
LUANA – Não. (pensa em contar que Ana poderia ser filha dele) Só quero que você seja feliz.
SÉRGIO – Vou ser, tá. Agora, não acha que tá na hora de ir para o trabalho?
LUANA – (olha para o relógio) Verdade, tchau! (levanta apressada e saí da lanchonete)
SÉRGIO – (rindo) Tchau!

Anoitecendo…

[CENA 06 – CASA DA LUANA/ SALA – COZINHA/ NOITE]
(Cláudio e Camila estão na sala conversando)
CAMILA – Será que sua mãe vai aprovar essa sua decisão?
CLÁUDIO – Acho que vai. E, se ela aceitar, amanha mesmo mudo para o seu apartamento.
CAMILA – Também não é assim. Iremos ver isso com calma. (Verônica vem descendo as escadas)
VERÔNICA – Espero não ter demorado muito! O que conversavam antes deu chegar?
CAMILA – É…
CLÁUDIO – Que estou morrendo de fome e acho melhor irmos para a mesa.
VERÔNICA – Então vamos. (todos vão para cozinha) Então, querido… você quer falar agora ou quer deixar para depois do jantar?
CLÁUDIO – Estou ansioso demais para esperar, então, vou falar agora. (Verônica presta atenção em Cláudio, com um disfarçado sorriso no rosto, imaginando que ele irá pedir Camila em casamento) Vou me mudar para o apartamento da Camila!
VERÔNICA – Isso significa que é um pedido de casamento? (Cláudio e Camila respondem ao mesmo tempo)
CAMILA – Não!
CLÁUDIO – Sim! Quer dizer, não. Tanto eu como à Camila não pensamos em casar agora.
VERÔNICA – Só querem morar juntos então?
CLÁUDIO – Isso. Não quero deixar Camila sozinha naquele apartamento, nada melhor do que ficar com ela.
VERÔNICA – Tem toda razão, não pode deixar uma moça igual à Camila morando sozinha. É lógico que não tem problema você ir morar com sua namorada, filho. Vai ser bom ficar sozinho nessa casa, já que em breve, a Luana deve voltar à mora com Felipe.
CLÁUDIO – Olha, ouvindo isso até parece que a senhora não via a hora de nós sairmos de casa?!
VERÔNICA – Também não é assim. Quero que vocês sejam felizes. Os filhos são criados para o mundo, então, nada melhor do que deixar vocês irem, serem livres.
CAMILA – Quero que você saiba, que não tive nada com essa ideia. O Cláudio que veio com isso.
VERÔNICA – Eu sei querida. Conheço o meu filho.
CLÁUDIO – Bom, então, acho que vou arrumar minha mala e amanhã mesmo mudo para o seu apartamento.
CAMILA – Não, a gente disse que ia conversar se sua mãe aceitasse. Vamos ver isso com calma.
CLÁUDIO – Está vendo, mamãe… mal juntamos as escovas, ela já tá querendo fugir de mim.

[CENA 07 – CASA DA CARLA/ COZINHA/ NOITE]
(Carla, Junior e Paula estão jantando. Carla aproveita para conversar com Junior, sobre sua proposta)
CARLA – Aproveitado que as crianças estão dormindo. Queria te fazer uma proposta, Junior!
JUNIOR – Que proposta?
CARLA – O nosso pai, comprou um sítio em Minas, e vai se mudar para lá em alguns dias. Ele nós convidou para morarmos com ele e a gente aceitou! Conversando com à Paula hoje pela manhã, decidimos convidar você para ficar morando aqui com à Ana. Quiser, pode ligar para sua mãe, convidá-la para vir para cá.
JUNIOR – Vocês querem que eu more aqui?
CARLA – Sim.
JUNIOR – Não sei gente. Meus planos praticamente é ficar aqui até à Ana parar de amamentar. Depois, volto para minha cidade natal, ficar junto com minha mãe.
CARLA – Só que pensa bem… você praticamente conseguiu recomeçar à sua vida aqui, depois que a Joana morreu. Arrumou um emprego, conseguiu sua filha definitivamente, e agora tem um lar… Pensa como será difícil ter que recomeçar novamente, longe daqui.
PAULA – A Carla tem razão, Junior.
JUNIOR – Não sei se devo aceitar morar de graça, aqui na sua casa.
CARLA – E que tal, te dizer que tenho a forma de pagamento!
JUNIOR – Qual?
CARLA – Cuidar dessa casa como se fosse sua. Porque, é aqui onde estão todas as nossas melhores lembranças. (segura à mão de Paula) E se um dia, voltarmos, gostaríamos de encontrá-la, do mesmo jeito.
JUNIOR – Ainda prefiro que você dê um valor em dinheiro, como fosse aluguel… mas, vendo o carinho que vocês tem por essa casa, seria uma pena deixá-la esse anos todo trancada, juntando poeira.
CARLA – Então você aceita?
JUNIOR – Aceito.  E não se preocupem, que quando vocês quiserem, ela estará aqui, para receber vocês novamente.

[CENA 08 – RUA/ NOITE]
(após o jantar, Cláudio está levando Camila para casa. No caminho, os dois conversam sobre a mudança de Cláudio)
CLÁUDIO – Tá, você quer então que eu espere você se formar para depois mudar?
CAMILA – Isso.
CLÁUDIO – E quanto tempo falta para você se formar?
CAMILA – 3 anos.
CLÁUDIO – (ri) O que? Três anos? Nem pensar. A minha sugestão é melhor do que essa sua. Semana que vem mudo para o seu apartamento.
CAMILA – Tá, mas você vai dormir no quarto da Adriana.
CLÁUDIO – Tá, ok. Melhor do que nada.

[CENA 09 – CASA DO FELIPE/ SALA/ NOITE]
(Frederico e Viviane estão na sala conversando. Felipe havia saído com Luana, e Paulo também havia saído. Viviane está segurando sua neta)
VIVIANE – Só aceitei que você viesse aqui, porque os meninos haviam saído. Então, seja rápido!
FREDERICO – Serei. Essa é à filha do Felipe?
VIVIANE – É!
FREDERICO – Minha neta! Posso vê-la?
VIVIANE – Claro. (Frederico se aproxima de Viviane)
FREDERICO – Ela é linda, Viviane! Minha filha também me deu um neto, e nossa como eles são parecidos!
VIVIANE – Talvez tenha puxado para o avô.
FREDERICO – Como ela se chama?
VIVIANE – Alice. E seu neto?
FREDERICO – Pedro.
VIVIANE – Será que um dia Pedro e Alice se conhecerão? Quem sabe fiquem até amigos…
FREDERICO – Talvez, o legal da vida é isso, né. Não sabemos o que vai acontecer amanhã. Só sei que, eles certamente crescerão ao lado de pessoas que os amam. Que lhes mostrarão os caminhos certo a serem seguidos.
VIVIANE – Isso, é. Felipe ama essa menina.
FREDERICO – Igual minha filha, com o Pedro. Talvez os caminhos dessas crianças se cruzem, Viviane.
VIVIANE – Assim como os nossos se cruzaram novamente!
FREDERICO – E está separando de novo. (se afasta um pouco dela)
VIVIANE – Como assim? Você vai embora?
FREDERICO – Vou. É isso que vim fazer aqui. Vim me despedir. Comprei um sítio em Minas, mudo para lá em poucas semanas.
VIVIANE – Está indo em definitivo?
FREDERICO – Isso não sei, talvez volte para o Rio, talvez não.
VIVIANE – Torço que seja feliz então.
FREDERICO – Seremos, também torço que você seja feliz. (ambos não dizem mais nada, Frederico toma coragem e a abraça) Pensei que um dia viveríamos a nossa história.
VIVIANE – Mas quem disse que ela acabou? (Viviane sorrir, Frederico sorrir. Frederico toma coragem e a beija)
FREDERICO – Talvez não seja um adeus, mas…
VIVIANE – …um até breve! (os dois sorriem. Frederico olha novamente para Alice, e logo em seguida vai embora)

Semanas depois…

[CENA 10 – CASA DA CARLA/ SALA/ DIA]
(Frederico está se despedindo de suas filhas, já que ele viaja hoje para seu sítio, em Minas)
CARLA – (terminando de abraçá-lo) Liga para nós quando chegar.
FREDERICO – Pode deixar, filha. (caminha até Paula e a abraça) Vou ficar esperando vocês lá, hein.
PAULA – Não sei preocupa, pai! Assim que terminar meu curso, iremos preparar nossa mudança.
CARLA – E não esquece que daqui alguns meses é o aniversário do seu neto, hein. É o primeiro aniversário dele, seria muito bom se o avô estivesse presente.
FREDERICO – É claro que vou está filha. Não perderei a comemoração do primeiro ano de vida do grandão aí!
CARLA – Não quer mesmo que o acompanhe até o aeroporto?
FREDERICO – Não, não precisa. Meu táxi está aí fora me esperando. Cadê o Junior?
CARLA – Trabalhando.
FREDERICO – Queria me despedir dele, mas não tem problema. Se cuidem, e não vejo à hora de todos nós morarmos naquele sítio enorme. Ver o grandão aí correndo por aqueles campos…
CARLA – Também não vemos, papai. (Carla e Paula acompanha Frederico até o táxi)
FREDERICO – Tchau, filhas. (abraça as duas, entra no táxi e parte para o aeroporto)
PAULA – (repara que a irmã ficou apreensiva) O que foi Carla? Desistiu de viajar, é isso?

Contínua no Capítulo 75…

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