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NAVEGAR

Episódio 01 – Verdade ou Desafio?

 

“Quem confiar os seus segredos a outra pessoa, se tornará escravo dela.”

Elena Cooper

*****

O dia amanhecera chuvoso em Village Falls, Ohio. A cidade com os seus poucos mais de quinze mil habitantes e conhecida pela sua arquitetura tradicionalmente americana, ficava quase sempre ilhada nessa época do ano devido ao grande número de chuvas e temporais constantes. E aos seus moradores locais não restava alternativa a não ser se isolarem mais dentro de suas casas, e se preocuparem apenas em ir de casa para o trabalho, e do trabalho para casa. O mesmo ocorria com os estudantes que se limitavam a sair de casa para irem só até ao Colégio de Village Falls, e depois voltarem para suas residências.

*Devil’s Playground – The Rigs

Da janela do seu quarto, na Rua Street Falls nº 42, Elena Cooper ou a garota da porta vermelha como era carinhosamente chamada por Brandon, o seu namorado, agora olhava triste para a chuva lá fora.  E ela estava tão distraída que nem ouvia sua mãe batendo na porta. Sem resposta, Adison entrou no quarto e sorriu ao ver Elena perdida em seus pensamentos, ouvindo música em seu smartphone com os fones no ouvido. Adison então se aproximou devagar e tocou no ombro da filha que levou o maior susto, virando-se imediatamente para trás. – Elena era uma garota linda, romântica e misteriosa ás vezes.  No colégio por ser popular, ela acabou se tornando uma líder de torcida e namorava com Brandon, o Quarterback do time de futebol americano do colégio. Ela sempre fora uma ótima aluna e vivia pra cima e pra baixo com a sua melhor amiga Peyton, a It Girl de Village Falls.

– Ai que susto mãe! – exclamou Elena branca e respirando fundo.

– Me desculpa filha. – disse Adison carinhosa. – Não era minha intenção te assustar. Eu chamei, bati na porta, você não respondeu e eu fui entrando.

– Tudo bem. – falou Elena forçando um meio sorriso. – É que eu estava longe daqui e não percebi você entrando.

– Eu vim te chamar para tomarmos café, antes de levar você e o seu irmão para o colégio. A mesa esta posta, eu fiz panquecas de chocolate com calda de morango como você gosta. – disse sorrindo.

– Nossa que mulher mais prendada… Uma dona de casa perfeita, mãe dedicada e ainda por cima prefeita da cidade nas horas vagas? Quando eu crescer quero ser igual a você mãe. Eu tenho muito orgulho de ser sua filha. – disse sorridente e encarando a mãe, que retribui o gesto fazendo um carinho em seu rosto. – Eu te amo, mãe.

– Eu também te amo muito filha, e tenho muito orgulho de você também.

As duas se abraçaram bem forte e emocionadas. Fazia tempo que elas não tinham um momento mãe e filha, cheio de abraços, carinhos e confidências. Os horários de Adison como prefeita eram inflexíveis e ela quase não tinha tempo para os filhos. Quando chegava em casa, eles já estavam dormindo ou tinham saído para alguma festa, quando era final de semana. Adison sentiu um nó no peito quando abraçou a filha, e uma vontade de chorar forte e inexplicável, mas ela logo se recompôs e se conteve.

– Será que a senhora sempre vai sentir orgulho de mim e me amar? Independente das besteiras que eu já tenha feito ou possa fazer? – perguntou insegura a mãe.

– Bom eu acho que sim, meu amor. Você sempre foi uma filha carinhosa, obediente, boa aluna no colégio, nunca me deu nenhum tipo de trabalho, já o seu irmão… – comentou rindo. – Mas porque isso agora, Elena? Eu não entendi a sua pergunta? Você esta bem, filha? Eu tenho notado você triste e distante ultimamente, e esse tipo de comportamento nada tem a ver com a Elena que eu conheço, sempre alegre e de bem com a vida. (P) – Você esta com algum tipo de problema no colégio ou com aquele seu namorado ciumento que acha que é o seu dono? Ele te fez alguma coisa, filha? Ele machucou você? – perguntou Adison preocupada.

– Não mãe. Pode ficar tranqüila que não aconteceu nada. Eu estou bem. Só quis saber se você me amaria do mesmo jeito caso eu viesse a fazer alguma besteira um dia, afinal eu sou jovem e todo jovem não esta livre disso, não é mesmo? – disse sorrindo.

– Eu duvido muito disso, Elena. Você sempre foi centrada, segura, responsável, nunca aprontou nada, e tenho certeza de que nunca irá aprontar. Eu conheço a filha que tenho. E depois você esta naquela fase de inseguranças e medo, onde os problemas parecem bem maiores do que são, mas acredite em mim, eles não são. E um dia você ainda vai rir de todos eles. Todo jovem passa por isso, filha. Eu também já passei e sei bem como você se sente. O segredo é… Viva cada dia de uma vez, aproveitando ao máximo possível e com responsabilidade, mas sem levar tudo muito a sério, ok? Agora vamos descer para tomar o nosso café antes que a gente se atrase. – disse Adison se levantando e saindo do quarto, depois parou na porta e olhou séria para Elena que ainda estava parada no mesmo lugar.

– Você não vem filha? Você quer me dizer alguma coisa?

– Não mãe, eu não tenho nada pra te dizer. Pode ir descendo… Eu irei logo em seguida. – falou séria.

– Tudo bem, mas não demora, hein?

Elena voltou a olhar para a chuva lá fora e ainda pensativa, deixou que uma lágrima rolasse pelo seu rosto.

*****

O Pastor Griffin como já era de costume em todas as manhãs, fazia suas orações de joelhos na igreja ao lado de sua casa, quando a esposa o chamou. Ele então terminou sua oração e em seguida fez o sinal da cruz, se levantou e pegando o seu guarda chuva, foi para casa. Quando entrou Victória estava na cozinha terminando de colocar a mesa do café, e sorriu para ele toda feliz. – A casa deles era confortável, espaçosa, aconchegante e apesar de não ser nem uma mansão, era linda e bastante acolhedora.

– Bom dia, meu amor. – disse o pastor se aproximando dela e dando um beijo em sua testa.

– Bom dia, meu esposo. – falou Victória terna. – Caiu da cama? Acordou bem cedo hoje, eu nem vi você se levantar. Tome um pouco de café. – disse servindo-o. – Eu acabei de fazer.

– Obrigado. Pois é… Eu acabei perdendo o sono e achei melhor me levantar e orar. – disse com um semblante cansado e um meio sorriso. – Afinal, é como dizem: Mente vazia, oficina do diabo.

– Eu estou te achando tão distante e pensativo ultimamente… Aconteceu alguma coisa querido? – perguntou preocupada ao se sentar perto dele. 

– Por enquanto nada, mas eu vejo uma tempestade se aproximando de Village Falls. E o pior de tudo, envolvendo as nossas crianças. Nós temos que orar muito por eles, Victória… Serão tempos muito difíceis para todos.

– O meu Deus! Assim você esta me deixando muito preocupada, David. O que foi que você viu? E a nossa menina, a Erin também está no meio disso? – indagou aflita.

O pastor olhou sério para a esposa e depois baixou a cabeça. Logo em seguida eles ouviram Erin cantando no quarto e ele decidiu ir até lá, deixando Victória sem resposta.

*****

Erin havia terminado de se trocar para ir ao colégio, e começou a cantar junto com o som do seu smartphone. Ela amava cantar, era afinada e compunha às vezes algumas canções escondidas do pai, que não aceitava que ela alimentasse o sonho de ser cantora de música pop, que era o que ela mais queria na vida. Para o pastor, ela continuava cantando a frente do coral da igreja, as músicas gospel que ele tanto adorava e acreditava piamente que a filha recebera esse dom de Deus para servi-lo através da religião, e assim seguir cantando os seus hinos de louvores. David então bateu na porta duas vezes, e entrou logo em seguida. Erin ficou séria, e diminuiu o volume da música. – Ela era muito centrada, responsável e na dela. Desde pequena ela havia sido criada rigidamente dentro da igreja e sempre seguiu a risca as imposições e os costumes do pai sobre a religião, e ele a proibia de fazer muitas coisas. O que dava forças para ela era a sua música e o seu sonho de cantar profissionalmente, que a acompanhava desde pequena. 

– Com licença, filha. – disse entrando. – Você tem um minuto?

– Claro papai. Eu ainda tenho um tempo antes de ir para o colégio. – falou sorrindo.

O Pastor Griffin fechou a porta e sentou-se na cama ao lado da filha. 

– Sabe Erin, desde pequena você foi um benção de Deus em nossas vidas. Nasceu prematura, mirradinha, mas era forte, tinha fibra, era uma Griffin com toda certeza. – disse orgulhoso. – Quando você veio para casa, nossa! Que alegria nós sentimos de ter você aqui depois de ter passado duas semanas na incubadora. Nós chegamos a dar uma festa para os irmãos mais íntimos da igreja. – disse sorrindo. – Eu me lembro como se fosse hoje… Com o tempo você foi crescendo e começou a cantar nossos hinos, e nós vimos que você de fato levava jeito pra coisa, que Deus tinha te abençoado com um dom lindo, foi então que nós passamos a te colocar na frente do coral da igreja. E foi o maior sucesso. Todos te aplaudiram e acolheram. A partir daquele momento, eu passei a pagar aulas de canto pra você melhorar cada vez mais, e de lá pra cá é assim até hoje quando você canta aos domingos na Presbyterian Church Redemption. Eu e sua mãe temos muito orgulho de você, filha. E eu só não quero que se deixe levar pelas coisas mundanas, que podem endurecer o seu coração e fechá-lo para o que realmente importa nessa vida, que é fazer o bem e servir ao nosso bom Deus. Ele te deu um dom minha filha, você foi muito abençoada pelo nosso pai do céu. Agora o que eu não gosto e pode atrapalhar você e te desviar do seu foco filha, são esses tipos de músicas mundanas que você vive ouvindo e cantando… Você tem que parar com isso, Erin Marie Griffin, antes que sejas corrompida e se desvie do seu caminho. Do caminho que Deus criou para ti, quando te presenteou com esse lindo dom.

Erin ouviu tudo atentamente e depois respirou fundo.

– Eu amo esse dom, e eu amo cantar papai. Mas eu não acho que esteja fazendo nada de errado ao cantar as músicas que eu gosto. Eu sou jovem, tenho meus gostos, vontades e amo cantar os hinos com o coral da igreja… Mas sinceramente, eu também gosto e quero poder cantar outras músicas no meu smartphone, na rua, no colégio, debaixo do chuveiro. Eu não preciso cantar o tempo todo músicas Gospel papai… A música não molda a pessoa que somos, ou o nosso caráter, e ela existe para nos fazer felizes, e eu amo todo tipo de música.

– Você não percebe agora, mas já esta ficando corrompida por essas músicas mundanas, sim. Veja que até me escutar e ouvir meus conselhos você se recusa. – completou decepcionado.

– Me desculpa papai, eu só fui sincera com o senhor. Agora eu preciso ir para o colégio, aproveitar que a chuva diminuiu. – diz se levantando e dando um beijo na rosto do pai. – Eu tenho que ir, me desculpa. Até mais tarde.

– Até…

O Pastor Griffin ficou pensativo e inconformado. A cabeça da filha já estava com a opinião formada e agora seria difícil tentar fazê-la entender os seus propósitos.

*****

Beth Malone acordava todas as manhãs com o galo cantando, como se dizia. Acostumada desde criança por ter morado na fazenda, ela fazia questão de levantar bem cedo para preparar o café dos filhos. E aquele seria um dia muito especial para Hollie, sua filha mais velha, que desde que o pai morrera, assumira as rédeas da casa junto com Beth, já que Tyler o filho mais novo, ainda não tinha muito juízo. – E foi perdida em seus pensamentos, que Beth terminou de colocar a mesa do café, e antes mesmo que pudesse chamar os filhos, Hollie desceu as escadas apressada e assoviando uma canção.

– Bom dia, flor do dia. – disse Beth sorrindo. – Gostei de ver a empolgação. Dormiu bem, filha? – perguntou enquanto recebia um beijo no rosto de Hollie.

– Depois daquele tranqüilizante que a senhora me deu, eu posso dizer que sim. Eu estava muito ansiosa ontem. – disse sorrindo para a mãe e em seguida sentou-se a mesa.

– Imagina eu então… Posso dizer que estou nervosa até agora. Filha, eu sei que nós já falamos sobre isso, mas você tem certeza de que é isso mesmo que você quer pra sua vida? Eu fico tão preocupada só de imaginar você por ai, solta pelas ruas correndo atrás de bandido. A violência tem aumentado tanto que nem Village Falls pode ser mais considerada uma cidade pacata. Depois eu já sofri anos com o seu pai também trabalhando na polícia, e no fim não adiantou nada. Tudo o que eu mais temi durante trinta anos acabou acontecendo… O meu Peter foi morto por um bandido qualquer. – concluiu Beth com pesar e lágrimas nos olhos, enquanto sua filha se levantou e a abraçou com carinho. 

– Mãe… Não fica assim. O que aconteceu com o papai foi uma fatalidade, e poderia ter acontecido com qualquer um.

– Não se ele não tivesse escolhido ser policial! – exclamou nervosa. – Escolher uma profissão onde se sabe que pode perder a vida, pra mim já é assinar uma sentença de morte. E agora você decide seguir o mesmo caminho que ele… Mas é por causa do que houve com o Matt, não é mesmo? É pelo seu namorado que você decidiu ser tornar uma justiceira, não foi? 

– Não tem nada a ver mãe. Mas também e se for? A vida é minha e as escolhas que eu faço também. O Matt não merecia ter sido vítima daquele serial killer maldito! – disse com raiva, batendo a xícara com tudo na pia que até trincou na mesma hora. – Mas um dia eu ainda pego aquele desgraçado do Dead Skin e acabo com a raça dele. Eu prometo!

– E que Deus te proteja. – disse Beth segurando as lágrimas.

– Bom dia mulheres da minha vida. – disse Tyler entrando na cozinha e pegando uma maçã em cima da mesa. Depois deu um beijo na irmã e na mãe. – Nossa que clima. Quem foi que morreu dessa vez, hein? – perguntou em tom de brincadeira. – Tyler era um garoto rebelde e que gostava de chamar a atenção. Bad boy oficial do colégio, ele escondia o seu lado sensível atrás de suas atitudes ruins, já que ele ainda não havia superado a morte do pai, cinco dez anos atrás. 

– Bate nessa boca garoto. – falou Beth com o olhar sério, o repreendendo. – Graças a Deus, ninguém morreu. Eu só estava aconselhando a sua irmã sobre a carreira dela na polícia.

– De novo mãe? A senhora sabe que não vai adiantar nada. Não sei por que insiste, a Hollie é caso perdido, mas é durona, eu admito. Ela vai se sair bem. – comentou rindo e piscando para a irmã.

– Qualquer dia desses eu vou te mostrar à durona. Você que não crie juízo pra ver o que te acontece de agora pra frente, viu irmãozinho. – disse apertando a bochecha dele.

– Isso é uma ameaça maninha, você vai me prender?

– Se você andar fora da lei, com certeza eu irei.

– Boo… Eu to morrendo de medo. – disse rindo ao passar perto da irmã.

– E é pra ter mesmo. – disse Hollie confiante.

– Hei vocês dois… Não vão começar. Eu quero paz nessa casa. – falou autoritária. – Você não vi tomar seu café, Tyler?

– Não mãe. Eu já estou atrasado para o colégio. Só essa maçã aqui já quebra o meu galho até o horário de almoço. Eu vou indo nessa. Tchau pra quem fica.

– Vai com Deus meu filho e juízo… Cuidado com essa moto. Dirige devagar. – gritou Beth.

– Pode deixar mãe. Juízo é o meu sobrenome, o primeiro é sem. – completou gargalhando e depois saiu batendo a porta.

Hollie e a mãe olharam uma para a outra e começaram a rir.

– Bom eu também já vou indo mãe. E não esquece, o meu plantão hoje vai até a meia noite. – disse pegando sua mochila e deu um beijo carinhoso no rosto da mãe.

– Eu tiro o seu jantar e deixo no microondas pra você aquecer quando chegar. Vai com Deus minha filha, e que ele te proteja.

– Amém! Fica com Deus também mamãe.

Nesse momento Beth sentiu uma forte pontada no estômago e gemeu baixinho, levando a mão até o local da dor.

– Que foi mãe? O que a senhora ta sentindo? – perguntou Hollie preocupada, indo até Beth.

– Não é nada filha, foi só uma pontada no estômago, não se preocupe. Deve ser a minha velha gastrite que resolveu aparecer depois de tanto tempo. Já vai passar… 

– Toma o seu remédio. – disse Hollie pegando o vidro de remédio dentro do armário e depois um copo de água e deu para mãe tomar. – Agora deita um pouco até melhorar. Eu vou estar no celular, qualquer coisa que precisar me liga na mesma hora, okay?

– Pode deixar. Mas não será preciso. Logo melhora, pode ir trabalhar sossegada filha. – disse sorrindo.

– Ta bom. Eu vou indo então, melhoras… Eu te amo mãe. Me deseja sorte?

– Eu também te amo filha. E te desejo toda sorte do mundo, se é isso mesmo que você quer. – falou sorrindo.

Depois que Hollie saiu, Beth deitou-se no sofá e voltou a colocar a mão na barriga no local onde ela sentiu a dor. E preocupada, ela ficou pensativa.

*****

No Colégio Village Falls, Elena caminhava pelo corredor trocando mensagens no seu smartphone e sorrindo a toa. De repente ao virar no fim do corredor à direita, ela deu de cara com o namorado, trombando com ele e levando o maior susto. – Brandon era o atleta do colégio, alto, forte e bonito, ele fazia sucesso com as garotas e adorava se exibir. Mas o seu coração batia mais forte mesmo por Elena, por quem ele era obcecado e morria de ciúmes.

– Ai que susto Brandon! – exclamou levando a mão até o peito.

– Me desculpa amor, eu não quis te assustar. Eu te procurei pelo colégio inteiro, já ia até te ligar. Por onde você esteve?

– Eu acabei de chegar não tem nem cinco minutos. – Disse enquanto guardava o celular na sua bolsa.

– Você também ia me ligar?

– Hãn… O que você disse? – perguntou distraída.

– O seu celular, você estava mexendo nele quando a gente se esbarrou… Você esta distraída hoje hein, Elena… Aconteceu alguma coisa, meu amor?

– Não. Não aconteceu nada Brandon.  E eu não estava te ligando. Eu só estava respondendo uma mensagem da minha mãe. – disse desviando o olhar dele. – O mundo não gira só em torno de você, Brandon Clark. – falou em tom sarcástico.

– Eu sei que não. Mas pelo menos o seu devia girar em torno do seu namorado. – disse sério e puxando ela para si, e depois a beijou.

Mas o beijo logo foi interrompido por Elena que o afastou.

– Se você realmente quisesse isso e me amasse como diz, já teria pensado melhor na minha proposta. – disse o encarando.

– O que? – perguntou rindo. – A de nos casarmos e ter filhos? Você só pode estar louca, Elena! Nós ainda estamos no último ano do colegial, não trabalhamos, vamos viver do que, hein?

– Esquece. Tantos jovens conseguem, nós também conseguiríamos. – disse triste.

– Elena o nosso amor nunca dependeu disso. Nós ainda somos jovens, temos uma vida inteira pela frente pra aproveitar, ir para faculdade, nos formar, arrumar um trabalho legal… Ai depois sim, nós pensamos melhor em casar e ter filhos. Você esta querendo atropelar as coisas, e esse não é o melhor momento pra isso, você sabe. – falou sensato. – Qual é o seu problema? Porque de uns tempos pra cá, essa ideia de querer se casar se tornou fixa na sua cabeça?

– Deixa pra lá… Eu só queria viver mais intensamente o nosso amor e levar a nossa relação para o próximo estágio, só isso. – disse desanimada.

– Mas o porquê disso agora? Você só tem falando nisso nas últimas três semanas. Você não me engana Elena… Esta acontecendo alguma coisa e você não quer me dizer o que é. – disse Brandon exaltado e pegando ela pelo braço. – Isso tem alguma coisa a ver com o Tyler?

– Ai… Me solta Brandon! Você esta me machucando. – disse nervosa e se soltando dele com tudo.

Os dois ficaram se encarando sérios, até que Andrew, o irmão de Elena apareceu. – Andrew era um rapaz que adorava diversão e não levava nada muito a sério. Suas notas iam mal no colégio e ele nem ligava, só pensava em garotas, sair, beber e se divertir.

– E ai pessoal… O que foi? Eu cheguei em má hora? Não me digam que vocês estavam brigando de novo?

– Bobagem Andrew… Estávamos apenas tendo um desentendimento bobo entre namorados. – disse Elena sorrindo forçada.

– Sei… Me diz uma coisa, irmãzinha? É verdade que vai rolar uma festa hoje à noite na casa da Peyton?

– Sim, é verdade. Por quê?

– É que eu não recebi nenhum convite até agora, e achei estranho.

– Bom, eu acho que ela ainda deve te chamar. Qualquer coisa eu também falo com ela depois…

– Não precisa, Elena. De verdade eu acho as festas da Peyton um saco! De qualquer modo eu já tenho compromisso pra essa noite, e eu passo essa festa. – disse todo animado e depois se virou para Brandon. – Eu vou sair com a Natalie do última ano cara! Ela é a maior gata.

– Eu sei quem é. Tirou a sorte grande hein, moleque? – disse Brandon o cumprimentando.

– Bom eu preciso ir, que esse papinho de homens já deu. Eu tenho que encontrar a Peyton. Até mais tarde. – disse Elena saindo.

– Hei espera ai gata… E o meu beijo? – perguntou Brandon indo até ela.

Ela então deu um selinho rápido nele e em seguida foi atrás de Peyton. Brandon sério voltou a falar com Andrew, mas já estava disperso, pensando no comportamento estranho de Elena.

*****

*Devil Side – Foxes

Peyton chegara no colégio vestindo a última coleção do seu estilista preferido. Toda metida e de nariz empinado como era o seu estilo. Ela era mimada, egoísta, manipuladora, preconceituosa, orgulhosa e mandona. Sempre se achando o centro das atenções, atraindo todos os olhares para si. Sejam eles de desejo ou inveja, já que ela também amava ditar moda e as novas tendências como a It Girl oficial do colégio. – Logo que ela viu Tyler e Alicia de longe, ela correu para alcançá-los.

– Hei… Vocês dois ai. O bad boy e a garota frustrada… Me esperem, por favor.

Tyler e Alicia olharam para trás, enquanto Peyton parava quase sem fôlego. – Alicia era uma garota introspectiva e fechada que não dava abertura para ninguém se aproximar dela e tinha uma maneira única de lidar com os seus problemas e as suas dificuldades, um segredo que só ela mesma sabia.

– Muito… Obrigada. – disse recuperando o fôlego.

– Ai na boa, quando é que você vai parar com esses apelidos ridículos? – perguntou Tyler enquanto cruzava os braços.

– Ta na hora de se reinventar, Peyton. Toda essa besteira já era, perdeu a graça há muito tempo. Só você não se tocou. – concluiu Alicia, enquanto puxava as mangas do seu suéter.

– Pois sabe que pra mim ainda não, Alicia? Muito pelo contrário, continua divertidíssimo zuar com a cara de vocês. – disse a encarando e sorrindo. – E depois, sou eu quem diz quando a brincadeira acaba, e vocês já deviam saber disso. Bom, mas agora chega de papo furado e vamos ao que realmente nos interessa? Vocês vão mesmo na minha festa hoje à noite, né?

– Claro que eu vou. – disse Alicia convicta. – Eu não perderia essa festa por nada. Apesar de nunca ter ido a uma festa sua, muito menos ter sido convidada antes, mas essa vai ter um sabor muito especial pra mim.

– Não só pra você querida, mas para todos os convidados. Disso vocês podem ter certeza. – falou Peyton misteriosa.

– O que você pretende fazer hein, Peyton? Você sabe muito bem que eu só aceitei participar desse teatro todo para poder ficar ao lado dela e protegê-la se for preciso. – disse Tyler nervoso.

– Nossa! – exclamou ela sorrindo e depois começou a bater palmas. – O seu amor não mais platônico por ela chega a ser tocante, sabia? Eu confesso que fiquei toda arrepiada, olha só. – disse mostrando o braço para ele. – Nós dois sabemos muito bem que ela não merece tanta compaixão assim e talvez depois de hoje à noite, ela não vá merecer nenhuma mesmo. Mas pode ficar tranqüilo que entre machucados e feridos, todos irão se salvar no fim da festa, inclusive ela. Agora em relação ao seu estado emocional, eu já não posso garantir que ela saia inteira disso tudo. Vai depender se ela é forte o suficiente para encarar as conseqüências dos seus atos.

– Só pega leve, okay? Eu ainda confio muito nela e não irei acreditar em qualquer coisa que disserem a seu respeito. – disse Tyler sério.

– Ai como o amor é cego! – exclamou Alicia impaciente. – Vindo daquela lá tudo é possível. De santa ela não tem nada.

Os três se encararam sérios e logo em seguida o sinal tocou, anunciando o início das aulas e levando cada um para sua sala.

*****

Na entrada do colégio, chegando outra vez atrasado já que o carro de sua mãe dera problema de novo, Jimmy entrava apressado. E ao abrir a sua mochila todo atrapalhado, ele deixou seus livros caírem no chão. – Jimmy era um garoto especial, tímido e reservado, que assumira sua homossexualidade há pouco tempo e agora agüentava as conseqüências disso. O que antes já era difícil, agora só piorara a sua situação no colégio depois que ele resolveu se assumiu.

– Ah não… Que droga! – esbravejou ele.

– Precisando de ajuda ai princesa? – perguntou Tyler rindo junto com seus amigos.

– Não enche o saco, Tyler. Me deixa em paz.

– Ui… O viadinho agora ta virando macho. Perdeu a noção do perigo pra me enfrentar desse jeito? – perguntou Tyler o intimidando.

Jimmy nem deu bola e continuou juntando seus livros do chão. De repente, Tyler arrancou um livro da mão dele e o atirou em cima do telhado do colégio.

– Olha só o que você fez seu imbecil! Eu vou precisar usar esse livro na primeira aula.

– Não vai não. Você ia usá-lo, agora se quiser é só subir até lá em cima e pegá-lo de volta. Ai galera vamos embora galera que a aula já vai começar. Deixa esse otário ai. – disse Tyler rindo da cara dele e depois saiu com seus amigos.

Jimmy tentou conter o choro de tanta raiva que ele estava. Ele já não agüentava mais tanta humilhação que vinha sofrendo no último ano. Depois começou a recolher seus livros do chão, quando Peyton apareceu.

– Aconteceu alguma coisa, Jimmy? – perguntou fingindo interesse.

– Nada que eu já não esteja acostumado. – disse se levantando. – Me diz uma coisa Peyton… A festa de hoje vai rolar mesmo, né? – perguntou ansioso.

– Claro que vai garoto rosa shok. Por acaso você já viu Peyton Martinez voltar atrás em alguma decisão? Eu sou uma mulher de palavra.

– Que bom. Porque eu quero acabar com aquela vadia hoje. – disse determinado.

– Sei… É isso mesmo que eu quero, sangue nos olhos. Agora guarde toda a sua raiva, se recomponha e vá para a sala de aula. Eu te vejo a noite na minha casa. Tchauzinho… Garoto rosa shok. – falou indo para a sua sala.

– Eu não sou garoto rosa shok! Meu nome é Jimmy! – gritou nervoso.

*****

Peyton estava quase chegado na sala de aula quando Elena a chamou. Peyton fechou a cara e depois se virou sorrindo para a amiga.

– Oi Elena. Tudo bem, amiga?

– Onde você estava? Eu te procurei por todo o colégio. – disse aflita.

– Por ai resolvendo os últimos detalhes da nossa festa de hoje à noite. Por quê? Aconteceu alguma coisa amiga? Você parece angustiada.

– Eu conversei com o Brandon de novo sobre aquele assunto. E não adiantou nada, ele acha a ideia de nos casarmos agora uma loucura. – comentou Elena desanimada. – Eu não sei mais o que fazer, Peyton. Daqui a pouco, a…

Peyton olhou para os lados e fez sinal de silêncio para Elena.

– Aqui não. É muito arriscado e alguém pode nos ouvir. Lembra o que combinamos de nunca falarmos sobre desse assunto no colégio ou em nossas casas? Só em locais neutros e sem ninguém por perto.

– Desculpa, você tem razão. É que eu to começando a ficar desesperada já…

– Elena me escuta. – disse Peyton pegando nas mãos dela. – Esquece o Brandon por enquanto. Eu prometi a você que a gente ia encontrar uma saída e nós vamos… Eu te prometo. Agora procure ficar calma, levanta essa cabeça e seque essas lágrimas, porque hoje nós temos uma festa e eu prometo á você que ela será inesquecível! Nós vamos nos divertir muito. Você confia em mim?

– Confio. – disse Elena segura e mais calma.

– Então vem comigo. – disse pegando-a pela mão. – Vamos para sala de aula que nós já estamos atrasadas.

*****

O professor de história, Michael Moore estava bem no meio de uma leitura quando Elena e Peyton entraram atrasadas na sala.

– Com licença, senhor Moore. E desculpa pelo atraso. – disse Elena embaraçada ao passar por ele.

O professor Moore apenas baixou a cabeça e nada disse. Depois foi a vez de Peyton passar, ela não falou nada, mas depois voltou, parando bem na frente do professor.

– Eu peço desculpas mais uma vez pelo nosso atraso, professor. – disse chegando bem perto dele e depois falou baixinho:

– E vê se não fica olhando para as minhas pernas, seu velho tarado. Elas são jovens, firmes, macias e gostosas… Mas não são pro teu bico. Quem sabe um dia né? Vai sonhando, afinal não custa nada mesmo. – disse piscando para ele e sorrindo provocante. Em seguida mordeu os lábios e foi se sentar.

O professor Moore ficou todo desconcertado e sem graça ele arrumou os óculos e depois prossegui com a aula, enquanto Peyton já sentada, o encarava rindo da situação.

*****

No fim da aula Peyton cruzou com Natalie e depois de olhar tudo em volta, ela foi falar com a garota.

– E ai Natalie, tudo certo com o nosso acordo?

– Tudo sim. Eu consegui marcar um encontro com o idiota do Andrew. Com certeza será a pior noite da minha vida, mas tudo bem, porque eu fui muito bem paga pra isso e você… Bom, você vai ficar me devendo uma.

– Pode deixar. Eu não costumo esquecer quem me ajuda. – disse tirando um envelope de dentro da bolsa e entregando para Natalie. – Toma. A segunda parte do dinheiro, como combinamos. Agora vê senão esquece… O Andrew não pode chegar nem perto da minha casa essa noite, você entendeu bem?

– Claro que sim. Eu só não entendi o porquê de tudo isso, Peyton? – perguntou curiosa.

– E quem foi que disse que é pra você entender, hein? Basta fazer o que eu mandei e te paguei muito bem para isso. O resto é problema meu, e eu não quero o Andrew nessa festa de maneira alguma. Fui clara? Agora vai, some daqui que eu não quero que ninguém nos veja juntas. E boca fechada, ou do contrário, eu acabo com a tua raça. – disse Peyton séria, em tom de ameaça, o que fez com que Natalie desaparecesse da sua frente o mais rápido possível. 

Peyton riu da situação e depois seguiu para o estacionamento, pegando o seu carro, ligando o som bem alto e indo direto para casa.

*Devil Side – Foxes

*****

Elena estava saindo do colégio, quando Brandon a alcançou, pegando-a pelo braço.

– Elena espera. Vamos conversar?

– Eu não tenho mais nada pra falar com você Brandon. Agora me larga que eu preciso ir embora. – disse se soltando dele e continuando a andar, enquanto ele continuava atrás dela.

– Eu não vou te deixar em paz enquanto você não ouvir o que eu tenho pra dizer. – falou determinado, se colocando na frente dela.

– Esta bem. Okay. Você venceu Brandon, mas tem dois minutos pra dizer tudo, depois disso eu vou embora e você não vai me segurar. Estamos entendidos?

– Tudo bem. Dois minutos e nada mais.

– Então pode começar a falar porque o seu tempo esta correndo. – disse Elena olhando para o relógio.

– Eu pensei em tudo o que você vem me dizendo nas últimas três semanas e eu decidi que eu vou atender o seu pedido. Eu vou me casar com você. – disse sorrindo e um pouco trêmulo. – Eu só peço a você que me dê um prazo pra eu poder me organizar e arrumar um emprego… Eu ainda não sei como vai ser isso, mas eu vou conseguir e sabe por quê? Porque eu te amo, garota da porta vermelha. E juntos, nós podemos fazer isso dar certo, sim!

*Already Gone – Sleeping At Last

Elena sorriu emocionada de tão feliz que estava. Brandon então pegou uma flor de plástico dentro do vaso no corredor e com o cabinho de plástico mais duro, ele improvisou uma aliança e em seguida se ajoelhou na frente de Elena.

– Se levanta desse chão, Brandon. O que você está fazendo ai? – perguntou Elena um pouco envergonhada. – Ta todo mundo olhando, Brandon. É sério.

– Deixe que olhem e que vejam o quanto nós nos amamos de verdade. – disse ele pegando na mão dela. – Elena Cooper, essa ainda não é a aliança que você merece de fato, mas é a única que eu posso te dar nesse momento para selarmos o nosso compromisso. Eu prometo que em breve eu estarei substituindo essa por outra melhor e a sua altura… Agora vamos lá. – disse suando frio e um pouco sem jeito. – Elena Cooper, você me daria à honra de me fazer o cara mais feliz do mundo, casando-se comigo?

Elena não conseguiu se conter e lágrimas rolaram do seu rosto antes que ela pudesse responder.

– Bobo. – falou sorrindo. – Eu aceito.

Brandon então colocou o anel improvisado no dedo da mão esquerda dela e todos os curiosos em volta começaram bater palmas e fazer a maior farra. – Enquanto Elena e Brandon felizes, se beijaram apaixonadamente.

*****

A noite estava linda em Village Falls. E pela primeira vez em duas semanas, as chuvas deram uma trégua, e já era possível ver as pessoas saindo de casa, passeando pela praça, indo ao cinema, todas alegres por poderem finalmente voltar as suas rotinas.

*Elastic Heart – Sia

Peyton estava linda e provocante em seu novo vestido vermelho colado ao corpo e com um decote abusivo, o que realçava ainda mais o seu busto, a deixando mais sensual, já que ela adorava chamar atenção. E para combinar com o vestido, os sapatos e o batom também eram vermelhos. – A decoração da festa estava impecável, tinha variedade de bebidas e petiscos, além da boa música que jamais poderia faltar. E depois de checar tudo a sua volta e se olhar no espelho, Peyton sorriu satisfeita. Tudo estava perfeito. Logo em seguida a campainha tocou e ela foi atender a porta toda feliz para recepcionar os seus primeiros convidados, que para sua surpresa, eram Elena e Brandon.

– Olá. Sejam bem vindos! É um prazer ter vocês aqui. – disse um pouco frustrada ao ver Brandon tão juntinho da amiga. – Por favor, entrem e fiquem á vontade.

– Obrigada. Nossa Peyton, como você esta linda amiga… Arrasou! – disse Elena medindo a amiga de cima a baixo. – Ela não esta linda mesmo, Brandon? – perguntou ao namorado.

Peyton que estava servindo champanhe para eles, o encarou sorrindo e esperando o maior dos elogios.

– Esta sim. – disse ele olhando rapidamente para Peyton. – Mas não mais que você meu amor, que sempre será a mais linda de todas as mulheres. – comentou Brandon a beijando.

Peyton fechou a cara na mesma hora de ódio ao vê-los se beijando, que até derrubou a garrafa de champanhe, molhando toda mesa.

– Que droga! – exclamou de tanto ódio.

Os dois então pararam de se beijar e olharam para ela.

– Isso acontece amiga. Deixa que eu te ajudo a limpar. – disse Elena toda solicita, indo até a mesa e levantado a garrafa.

– Não! – gritou Peyton segurando forte a mão de Elena e depois de olhar sério para a amiga, sorriu soltando o braço dela. – Nem pensar. Vocês hoje são meus convidados, podem ficar a vontade, que eu mesma limpo essa bagunça. Eu vou até a cozinha pega um pano, com licença. 

Peyton saiu apressada até a cozinha, enquanto Elena e Brandon se sentaram e ficaram namorando. – Da cozinha, Peyton os via e começou a chorar morrendo de ciúmes, já que ela amava Brandon platonicamente há dois anos e já não agüentava mais o ver ao lado de Elena. Nesse momento a campainha tocou novamente, e Peyton procurou se recompor rapidamente.

Brandon foi atender a porta e os convidados que faltavam foram entrando um de cada vez: Alicia, Jimmy, Erin e Tyler. O último não agradou muito a Brandon que o olhou de cara fechada, já que Tyler era apaixonado por Elena assumidamente, e os dois viviam numa rixa eterna por causa disso. – Elena também ficou surpresa ao ver Tyler e Alicia, sua meia irmã por parte de pai que a odiava, e Elena nunca soube o porquê disso. E ainda havia Erin e Jimmy, o que eles estavam fazendo ali? Definitivamente eles não eram o tipo de pessoas que Peyton chamaria para uma festa. No colégio ela simplesmente fingia que eles nem existiam e agora de repente eles estavam ali na festa dela? O que será que a Peyton estava tramando dessa vez? – pensou Elena.

– Boa noite. Sejam todos bem vindos. Eu estou vendo que todos já chegaram. Que bom… Por favor, sirvam-se e fiquem a vontade. Hoje a casa é nossa e a festa também, eu não quero ver ninguém de copo vazio. – disse indo até o som onde estava conectado o seu Iphone e trocou a música, aumentando também o volume logo em seguida.

*Paper Love – Allie X

Todos se encararam num clima estranho, já que a maioria apesar de estudar no mesmo colégio e serem colegas de classe, não conviviam e não faziam parte da mesma turma. Tyler não parava de encarar Elena que disfarçava tentando trazer Brandon para perto de si.

*****

– Onde você estava com a cabeça quando decidiu convidar o Tyler para essa festa, hein Peyton? – perguntou Elena nervosa ao chegar na cozinha.

– Hei calma ai, Elena. Hoje a festa é diferente, e todos os convidados são bem vindos. 

– Desde quando Peyton? Inclusive a minha meia irmã que me odeia né? – perguntou Elena confusa.

– Sim e o que tem demais nisso? Quem sabe assim vocês não acabam se aproximando, hein? – sugeriu Peyton em tom sarcástico.

– E o Tyler? Por acaso isso tem alguma coisa a ver com o nosso segredo, Peyton? – perguntou preocupada.

– Claro que não. Você esta louca? Por sua própria decisão, eu e o Tyler mesmo sendo contra, prometemos levar esse segredo para o túmulo, lembra?

– Eu vou embora daqui agora mesmo. – disse nervosa.

– Elena espera… Você esta muito nervosa. Se acalma um pouco. Se você não quer se enturmar com eles tudo bem, fica na sua com o Brandon, mas não precisa ir embora. Eu ia ficar muito triste se a minha melhor amiga fosse embora da festa que eu preparei com tanto carinho pra ela mesma. – conclui Peyton sorrindo amigável e misteriosa.

– Pra mim? Que história é essa agora, Peyton? Nem é meu aniversário hoje. O que você esta aprontando dessa vez? – perguntou desconfiada.

– Relaxa e confia em mim, ta bom? É uma festa em sua homenagem que eu venho preparando há um mês. Daqui a pouco você vai entender tudo. Eu te garanto. Agora volta lá pra sala e serve uma cerveja pro seu namorado que ele também esta precisando relaxar. – disse piscando pra ela.

*****

Num canto reservado da sala perto da varanda, Tyler estava fumando um baseado quando Erin o flagrou.

– Eu não estou acreditando nisso! É serio isso seu babaca? – perguntou Erin nervosa.

– O que? Eu estar admirando esse belo jardim aqui fora do que estar lá dentro, naquela festa ruim no meio de estranhos? – perguntou sarcástico. – Sim, porque se você não reparou ninguém aqui é da mesma turma, tirando as líderes de torcida e o Quarterback, claro.

– Não banque o engraçadinho pra cima de mim, que você sabe muito bem do que eu estou falando. – disse indo até ele, tirando o cigarro da boca dele e depois jogou para bem longe. – Dessa porcaria aqui. 

– Sua imbecil! Olha o que você fez? Eu paguei por esse baseado e não foi barato sabia?

– Pensasse bem antes de querer acabar com a própria vida e ainda por cima gastando o dinheiro da sua mãe. – disse Erin séria.

– Então agora você se preocupa com a minha vida? Você não imagina o quanto isso me faz feliz, sabia?

– Eu to pouco me lixando pra você. Eu só acho que existem locais pra se praticar esse tipo de vício, você não precisa sair por ai contaminado todos a sua volta com essa porcaria que ainda por cima tem um cheiro horrível.

– Engraçado você estar me julgando. Pelo que eu aprendi as pessoas deveriam ajudar as outras e não julgá-las, pois o julgamento só cabe a Deus e mais ninguém. – disse sorrindo. – Mas espera ai… Do que eu estou falando? Você é a filha do pastor, deve sabe disso melhor do que eu não é mesmo? – falou sério a intimidando.

– Eu não estou te julgando, apenas aconselhando. Mas o conselho assim como o livre arbítrio é nos dado como escolha, e cada um faz o que achar melhor para si e para sua vida. – disse serena enquanto o encarava. – Com licença.

– Hei espera… Será que eu posso saber por que uma garota com uma voz tão linda quanto a sua continua cantando no coral da igreja? Eu te ouvi outro dia do corredor do colégio… Você estava no banheiro e eu me encantei pela sua voz. Você tem talento Erin, não o desperdice fazendo só o que o seu pai quer que você faça. O mundo precisa ouvir sua voz, não permita que ninguém a cale. Não seria justo nem com ela e muito menos com você. – disse Tyler passando por ela. – Pensa nisso ta? E não me julgue, você não sabe nada sobre a minha vida, muito menos do que me fez chegar até aqui. – falou ele em tom sério.

Erin ficou pensando no que Tyler havia dito e ficou surpresa por ter conhecido o outro lado dele, mais humano, inteligente e doce. Ela então se pegou sorrindo sozinha, por tudo o que ele dissera sobre a sua música. E por um momento, ela sentiu orgulho de si mesma.

*****

Brandon chegou na cozinha um pouco agitado e respirando fundo. Ele havia ido pegar mais gelo e encontrou Peyton sentada em cima da bancada, bebendo uma tequila.

– Problemas no paraíso, Brandon? – disse o encarando com um meio sorriso. – Sabe que em todos esses anos eu nunca te vi tão agitado como hoje.

– O meu problema tem um nome e você sabe muito bem qual é, Peyton. Não se faça de ingênua, que esse papel nunca lhe caiu bem. – disse Brandon ríspido.

– Meu Deus! Mas o que foi que eu fiz dessa vez? Eu ofereço uma festa maravilhosa para todos e só o que eu ganho são patadas…

– Convidou o Tyler, mesmo sabendo que eu não o suporto. O cara vive cercando a minha namorada, diz que a ama, nunca freqüentou o nosso círculo de amizade, e mesmo assim esta aqui. Qual o motivo disso tudo, Peyton? Será que eu posso saber?

– Logo mais todos vocês irão saber… E você não perde por esperar Brandon Clark. – disse Peyton sensual enquanto descruzava as pernas bem na frente dele e em seguida, ela desceu da bancada. Depois passando por ele, ela foi deslizando sua mão pelo braço de Brandon. – Vem, vamos voltar lá pra sala.

*****

*Bittersweet Symphony – London Grammar

– Se sentindo deslocada Alicia? – perguntou Jimmy ao se aproximar de Alicia que estava sentada sozinha num canto.

– E por acaso você não Jimmy? – devolveu enquanto arqueou uma das sobrancelhas.

– Claro que sim. Bem vinda ao clube. – disse ele se sentando perto dela. – Eu só espero que todo o show comece logo, porque eu estou louco para entrar em cena e depois dar o fora daqui o mais rápido possível. – falou Jimmy com o olhar distante.

– Eu também não vejo à hora de acabar com tudo isso. Olha a Peyton, eu acho que agora a festa vai começar de verdade. – disse Alicia se levantando.

Peyton entrou na sala séria e foi até o som, baixando o volume.

– Pessoal, eu quero um minuto da atenção de todos, por favor!

Todos foram se aproximando devagar e depois ficaram em silêncio e se encarando, aguardando Peyton falar.

– Hoje é uma noite muito especial. É o dia em que todos nós faremos justiça contra todo e qualquer tipo de perseguição, preconceito, bullying, etc. Nós não podemos permitir que esse tipo de coisa continue nos afetando, e o que é ainda pior… Por alguém que se passa por boazinha, mas que é o diabo em pessoa e que além de tudo, ainda esconde muitos segredos. E eu convido a todos vocês, a conhecerem ela de verdade agora, sem máscaras e batendo de frente com ela mesma, através de um jogo… Verdade ou Desafio? Por favor, Elena. Eu convido você a sentar-se no meio de todos nós.

– Como é que é? Que brincadeira é essa Peyton? – perguntou confusa e surpresa. – Eu não estava sabendo de nada disso. Do que é que você esta me acusando?

– Só eu não minha querida, mas todos aqui presente. Os seus dias de brincar com os sentimentos das pessoas acabaram e agora o seu namorado vai saber de verdade quem é Elena Cooper?

– Eu não estou entendendo nada, Peyton. Que brincadeira de mau gosto é essa? – insistiu Elena séria e com lágrimas nos olhos. 

– Você não vê que ela esta querendo me colocar contra você, meu amor? Eu sempre te alertei sobre ela, que você não deveria confiar na amizade dela. E pelo visto eu estava certo. Vem, vamos embora daqui agora. – disse Brandon puxando Elena pela mão, mas Alicia foi mais rápida e se colocou na frente deles.

– Verdade ou desafio, Elena? Porque você me incentivou a me cortar, mesmo sabendo que eu poderia cometer suicídio a qualquer momento? Você queria ganhar ainda mais a atenção do nosso pai, não é mesmo?

– Do que você esta falando, Alicia? O papai escolheu você e a sua mãe. Ele abandonou eu e minha mãe pra ficar com vocês, eu nunca disputei a atenção do papai contigo. Muito menos a incentivei a se cortar… Você só pode estar ficando louca! Eu nem sequer sabia que você se automutilava.

– É mesmo? Então porque será que o papai continua fazendo de você a filha predileta dele? Basta você estalar os dedos pra ele correr até você, enquanto que pra mim, ele nunca tem tempo. – disse Alicia quase chorando. – E todos aqueles e-mails que você me enviou se mostrando solidária com a minha dor, dizendo que para acabar com ela, eu tinha que vencer meus próprios limites, me induzindo a me cortar o tempo todo e dizendo que só assim eu conseguiria acabar com a minha dor.

– Eu não estou acreditando nisso… Vocês só podem estar de brincadeira comigo. Eu jamais seria capaz de induzir alguém a se cortar, muito menos você que é minha irmã e que apesar da gente não se dar bem, eu gosto muito de você, acredite ou não. Depois eu sei dos riscos que esse tipo de automutilação pode causar a uma pessoa… Seria como colocar minha própria cabeça a prêmo.

– É verdade isso que ela esta falando, Elena? – perguntou Brandon sem saber o que pensar direito.

– Claro que não Brandon! Você não esta vendo que a Peyton armou todo esse circo aqui. Eu só não entendo o porquê disso tudo… O que foi que eu te fiz, hein? Eu pensei que nós fôssemos melhores amigas…

– E éramos… No começo. Mas depois que eu comecei a enxergar como você é de verdade, a pessoa egoísta, cruel e de coração ruim que insiste em se passar por boazinha, eu me senti na obrigação de dar um basta nisso tudo. – disse cínica.

– Se ninguém aqui acredita em mim, Brandon… Olha aqui então, eu posso provar tudo o que disse. – falou Alicia arregaçando as mangas do seu suéter e mostrando seus braços com marcas de cortes de Gillette, deixando todos espantados.

– Meu Deus do céu! Eu não estou acreditando nisso. O que você fez Elena? – perguntou Brandon surpreso.

– Eu não fiz nada meu amor, eu juro… Acredita em mim, por favor! – implorou chorando ao namorado.

– E ela não fez só isso não. – disse Jimmy entrando no meio deles. – Ela também acabou com a minha vida, quando começou a insistir para que eu me assumisse gay, e depois disso a minha vida se tornou um inferno no colégio… Bullying, humilhações constantes, apelidos preconceituosos… Eu não tenho mais sossego desde que você começou a me perseguir para que eu saísse do armário, dizendo que seria melhor pra mim, que eu tiraria um peso das costas e olha só o inferno que eu vivo todos os dias agora. Até em tirar minha própria vida, eu já pensei. Você estava errada quando disse que a minha vida iria melhorar, muito pelo contrário, ela só piorou. Por isso eu te pergunto, Elena… Verdade ou desafio? Porque você insistiu tanto pra que eu me assumisse? Você queria me ver ridicularizado diante de todos? Que mau eu te fiz pra merecer tudo isso?

– Eu não sei do que você esta falando Jimmy, eu juro que eu não sei… Isso tudo é um jogo perverso pra me fazer parecer um monstro. – disse indo até Brandon que chorava. – Meu amor, por favor, diz que acredita em mim. Nada disso do que eles estão dizendo é verdade, eu jamais seria capaz de brincar assim com a vida das pessoas, você me conhece. – suplicava Elena aos prantos.

– Acho que agora finalmente você entende pelo que eu passei. – disse Erin se aproximando dela. – A sensação de não ter ninguém que acredite em você. Só que no meu caso, eu era inocente. Lembra do escândalo no início do ano, quando nós fomos acampar com o colégio e você inventou pra todo mundo que eu tinha dormido com aquele garoto na minha barraca? A fofoca se espalhou de tal forma que no outro dia o colégio inteiro estava sabendo… Até a palavra vadia eles escreveram no meu armário, sem contar nos apelidos que me deram. Santinha impura, filha pródiga, entre tantos outros. Quando o meu pai ficou sabendo de tudo, ele me afastou até do coral da igreja, de tudo o que eu mais gostava e ainda me deixou de castigo por três meses, depois que ele resolveu ir até o colégio cobrar uma atitude do diretor em relação às brincadeiras de mau gosto que eu vinha sofrendo. Você não imagina o tormento que foi para minha família e pra mim, agüentar toda fofoca e disse me disse do pessoal da igreja. Eu fiquei conhecida como a puta da cidade e tudo por sua causa, Elena. Agora me responde… Verdade ou desafio? Porque querer acabar desse jeito com a vida de uma pessoa que nunca te fez nenhum mal? Foi pelo simples prazer de ferrar com a vida de alguém e depois poder rir da desgraça alheia? – perguntou Erin chorando.

– Vocês estão todos loucos! – gritou Elena. – Porque você esta fazendo isso comigo, Peyton? Eu não posso ter me enganado tanto com você assim… 

– Você nunca foi amiga de ninguém, Elena. Eu sempre assisti de camarote você brincando com as pessoas e os sentimentos delas, mas agora acabou… Eu não irei mais ficar calada, e muito menos vou continuar compactuando com você e sendo sua cúmplice. – disse Peyton com os olhos marejados. – O que você fez com eles, e com o Brandon então? O seu próprio namorado… Eu tenho nojo de você.

– Perae… O que você fez comigo, Elena? – perguntou Brandon nervoso.

– Nada. Eu nunca fiz nada contra você meu amor, você tem que acreditar em mim. – disse Elena chorando aos pés dele.

– Ela traiu você, e a sua confiança. – falou Peyton segura de si. – Ela transou com o Tyler.

– O que? Você esta ficando louca, Peyton? Isso é mentira. Nunca aconteceu, por mais que eu amasse e amo a Elena, ela sempre foi fiel ao Brandon. – disse Tyler surpreso com o que Peyton havia acabado de inventar.

– Seu miserável, babaca! – disse Brandon indo até Tyler e dando um soco no rosto dele.

Elena, Peyton e Jimmy entraram no meio deles para separá-los.

– Ta vendo só o que você fez, Peyton com as suas mentiras? Acaba logo com tudo isso e diz que isso é uma brincadeira, por favor! – implorou Elena.

– Infelizmente eu não posso. Porque tudo o que foi dito aqui é verdade. E hoje todos nós conhecemos a verdadeira Elena Cooper. A boa e inocente garota da porta vermelha como o Brandon mesmo a intitulou. A mim você nunca enganou, e agora não engana mais ninguém.

– Brandon, por favor, você tem que acreditar no que eu digo… Eu não te trai com o Tyler, eu nunca fui pra cama com ele… Só o que houve entre nós, foi um beijo roubado que ele me deu e que logo eu o afastei dizendo que te amava…

– Ah então teve um beijo, afinal? E porque você nunca me falou sobre isso, hein? Como quer que eu acredite que parou só nesse beijo?

– Ela esta dizendo a verdade sim, pode acreditar. Foi só o beijo e ainda assim de uma situação que eu forcei, ela não queria. – explicou Tyler.

– Eu acho melhor você calar essa boca antes que eu quebre a sua cara, seu viciado de merda! – gritou Brandon. – Eu vou embora. Eu não tenho mais nada pra fazer aqui… E você Elena, vê se me esquece. O nosso namoro termina aqui.

Começara a chover forte lá fora novamente, e Brandon saiu desnorteado no meio da chuva. Elena se levantou e com tanto ódio que estava sentindo, ela foi até Peyton e a encarou:

– Porque tudo isso, Peyton… Por quê? Eu sempre confiei em você. Nós éramos melhores amigas e agora você ferrou com a minha vida e de graça? Eu odeio você! – gritou Elena enquanto esbofeteou a cara dela.

Peyton segurando o rosto, se virou para ela sorrindo cínica.

– As pessoas não são como bonecas, Elena… Pra você brincar com elas e depois guardá-las numa caixa. E do fundo do meu coração e para o seu próprio bem, eu espero que você tenha aprendido essa lição.

– Um dia… Todos vocês vão descobrir que ela é a vilã dessa história toda. Que foi ela que sempre aprontou para vocês e agora usou o meu nome, ai será tarde demais para arrependimentos e pedidos de desculpas, porque eu não vou perdoar ninguém. – disse Elena olhando para o rosto de cada um deles. – Há quanto tempo você vem planejando tudo isso contra mim, hein? Quer saber, não importa. Porque custe o que custar, eu te prometo, Peyton Martinez… Que toda verdade virá à tona um dia, pode esperar. Ai nós veremos quem é quem de verdade.

Elena também saiu correndo pela chuva, chorando desesperada e Tyler foi atrás dela. – Logo em seguida foi à vez de Erin, Jimmy e Alicia, também irem embora e Peyton ficou sozinha, sentada no sofá, ouvindo sua música preferida, enquanto tomava champanhe e ria vitoriosa e absoluta.

*Devil Side – Foxes

*****

Tyler depois de correr muito conseguiu alcançar Elena, e a segurou pelo braço.

– Elena espera… Você esta toda encharcada, vem comigo que eu te dou uma carona até sua casa.

– Não Tyler. Eu prefiro ir sozinha, tudo o que eu mais quero agora é distância de todos e principalmente de você. Eu amo o Brandon, sempre amei e agora o perdi para sempre. A Peyton não podia ter feito isso comigo, mas vai ter volta, pode apostar que vai. Porque eu vou acabar com a vida dela. – disse determinada.

– Você esta nervosa agora pensa um pouco, Elena… Não vai tomar nenhuma decisão precipitada.

– Porque vocês fizeram isso comigo? Fala a verdade Tyler, você também ajudou ela com tudo isso, não foi?

– Claro que não, Elena. Eu amo você e jamais faria algo que te fizesse sofrer. Foi a Peyton quem fez tudo sozinha e de caso pensado.

– Mas porque ela faria isso? Eu não entendo, eu nunca dei motivos pra ela me odiar tanto assim…

– Por causa do Brandon. Você nunca reparou nesses anos todos desde o início do colegial que a Peyton é louca pelo Brandon. E pra mim, ela só estava esperando a oportunidade certa para tirar você do caminho, pra ela poder ficar com ele.

– Como eu não percebi isso antes? Como eu pude ser tão idiota, meu Deus! – falou Elena inconformada, enquanto levava as mãos até a cabeça. – O pior é que o Brandon não vai me perdoar depois de tudo isso que ela inventou… Eu preciso ir pra casa, amanhã com calma eu falo com ele, e ele vai ter quer me ouvir.

– Elena… Tudo o que eu te falei sobre aquele seu segredo, ainda esta de pé. Se você quiser a gente fica junto, eu assumo você e nós vamos embora de Village Falls para sempre. Eu te amo. – disse Tyler ainda esperançoso e com lágrimas nos olhos.

– Eu agradeço mais uma vez pela sua atitude, Tyler. Mas vamos encarar os fatos… Isso não seria justo pra nenhum de nós, muito menos pra você. Agora eu preciso ir… Boa noite.

– Mas Elena, você vai sozinha e debaixo dessa chuva?

Elena desnorteada correu pelas ruas debaixo de chuva, deixando Tyler preocupado que a olhava, até que ela finalmente virou a esquina e desapareceu.

*****

Elena chegou em casa toda encharcada e chorando muito. Antes de ir para o seu quarto, ela foi até a cozinha, pegou um copo no armário e abriu a geladeira servindo-se da jarra de água. – Só agora ela se dera conta de como estava morrendo de sede, sua boca e garganta estavam secas de tanto ela chorar. Quando fechou a porta geladeira, Elena levou o maior susto deixando o copo cair no chão, que se espatifou em pedacinhos, quando ela se deparou com o seu padrasto parado bem atrás dela.

– Me desculpa querida. Eu não queria te assustar. Você se machucou? – perguntou Paul tocando no braço dela.

– Tira essas suas mãos imundas de cima de mim. – disse olhando-o com ódio. – Eu estou bem, me deixa em paz! – gritou e depois saiu correndo subindo as escadas.

Andrew que estava chegando da rua naquele momento viu a cena e preocupado foi até a cozinha.

– O que foi que aconteceu aqui pai? – Perguntou Andrew estranhando a discussão.

– Nada. A sua irmã que chegou um pouco descontrolada hoje, só isso. Eu vou voltar a dormir. Boa noite Andrew. E cuidado que ela nem recolheu os cacos do copo que ela deixou cair no chão. E é melhor você não ir perturbar ela mais hoje. A Elena esta naqueles dias, sabe como é né filho? – disse frio, enquanto saia da cozinha.

– Boa noite pai. – Disse Andrew olhando para o os cacos de vidro no chão da cozinha e depois ficou pensativo.

*****

*Devil’s Playground – The Rigs

Meia hora havia se passado depois que Elena chegou em casa, e ao sair do banho, o seu celular tocou e ela atendeu, sem prestar atenção no visor:

– Alô… Oi. O que você quer? Mas tem que ser agora? Eu acabei de chegar em casa e ainda esta chovendo muito… Não. Eu não estou nada bem. Se você esta dizendo que tudo vai ficar bem, eu acredito. No mesmo lugar de sempre? Okay. Me dá quinze minutos, eu já vou sair de casa. Tchau.

Elena terminou de se arrumar e em seguida pegou a sua capa amarela de chuva e saiu sem fazer barulho. – Quando ela finalmente chegou ao Lago Village, a chuva havia diminuído e caia uma fina garoa. Elena então olhou para o relógio e viu que já faltavam dez minutos para meia-noite. Estava escuro, frio e ela não parava de olhar tudo a sua volta, insegura e assustada, já que a região era completamente deserta, cercada apenas pelo rio e a floresta ao seu redor. De repente, ela escutou barulho de galhos e folhas sendo pisados e se aproximando dela, e do meio da floresta, uma pessoa surgiu atrás de Elena, vestindo uma calça jeans escura e com uma blusa de frio preta com capuz, que cobria todo o seu rosto. Os passos foram chegando cada vez mais perto, até que ela se virou angustiada e com o coração acelerado de tanto medo que ela sentiu.

– Ai que susto! Quer me matar do coração? O que você esta fazendo aqui? Por acaso você esta me seguindo? Por favor, vai embora, eu estou esperando uma pessoa, e eu não quero que você esteja aqui quando ela chegar. Eu não estou bem hoje. – disse nervosa e se afastando.

A pessoa nada dizia e apenas a encarava. E quando Elena deu as costas, ela se aproveitou para se aproximar ainda mais dela e abrindo o zíper da blusa, ela tirou um taco de basebol de dentro, depois o ergueu no alto e em seguida o golpeou contra a cabeça de Elena, mais precisamente na nuca. E sem esperar, ela caiu no chão na mesma hora, e começou a estrebuchar devido a forte pancada que recebera e em menos de dez segundos, o corpo de Elena se retesou, ficando parado e largado bem próximo ao rio.

 Depois friamente, a pessoa largou o taco no chão e foi até o corpo de Elena e começou a sentir o pulso dela. Em seguida, Elena foi arrastada até a margem do rio, e o assassino começou a arregaçar a mangas do suéter rosa que ela usava por baixo da capa amarela…

*****

Era meia noite e meia quando a caminhonete do velho Carl parara a poucos metros do rio. Era tempo de pesca e o melhor horário para se pegar muitos peixes era durante a madrugada, quando eles gostavam de dormir devido à baixa temperatura da água, o que facilitava e muito eles virarem presas fáceis. – Carl desceu do veículo e pegou o seu material de pesca na parte de trás da caminhonete. Depois ele foi se aproximando da margem do rio, enquanto assoviava uma de suas canções prediletas. Carl colocou seus apetrechos no chão e enquanto preparava a vara, ele olhou para beira do rio e viu uma parte da água bem vermelha e estranhou.

– Que diabos! Mas o que será isso? – Se perguntou curioso ao mesmo tempo em que foi ampliando o seu ângulo de visão mais a frente e ficou branco quando viu o corpo de uma mulher boiando na água.

– Santo Deus! – exclamou enquanto fazia o nome do pai.

Carl ainda nervoso e tremendo com o choque, imediatamente pegou seu celular e começou a ligar, provavelmente para a polícia.

*****

O oficial Dylan Ross estava a caminho do lago e com a sirene ligada o tempo todo, ele corria muito com o carro. Do seu lado a policial Hollie Malone estava cansada, mas mesmo o seu plantão já tendo terminado, ela fez questão de ir até o local, afinal, aquela seria a sua primeira oportunidade de explorar a cena de um crime. E isso logo no seu primeiro dia de trabalho e em uma cidade como Village Falls, que sempre fora considerada pacata, com toda certeza aquele acontecimento era único e ela não poderia perder essa chance por nada.

– Aqueles malditos abutres! – esbravejou Dylan batendo no volante do carro nervoso ao avistar de longe a equipe de perícia de Green Hill, uma cidade vizinha. Eles já estavam no local e explorando tudo. – O idiota do Carl deve ter ligado pra eles primeiro.

– E ele não fez o certo? O que tem de mais nisso? – perguntou Hollie curiosa.

– Tem que essa é a minha cena do crime. Ela ocorreu em Village Falls, na minha jurisdição, e eu tenho a minha própria equipe de peritos, que deixam esses daí no chinelo.

Dylan estacionou o carro e desceu já indo com tudo na direção da cena do crime, onde os peritos examinavam cada detalhe e tiravam fotos de tudo. Hollie foi logo atrás dele.

– Eu posso saber o que vocês estão fazendo aqui na minha cena do crime? – perguntou em tom intimidador ao passar pela fita de isolamento.

– O que lhe parece? – devolveu Romero sarcástica, a chefe de perícia. – O meu pai me ligou primeiro e eu vim correndo, claro. Como nós já falamos outras vezes, crimes ocorridos nessa área também fazem parte de Green Hill, e quem for avisado e chegar primeiro no local tem todo o direito de pegar o caso.

– Sei… Como se o seu pessoal fosse tão competente pra isso. – disse sério ao passar por ela e foi direto para perto do corpo, perguntado ao perito.

– O que temos aqui? – perguntou vestindo as luvas.

Nesse momento Romero se aproximou e tomou a frente do caso.

– Uma jovem ainda não identificada de aproximadamente dezessete anos, com os pulsos cortados, sangrou até a morte. Provavelmente ela cometeu suicídio. Nós examinamos o corpo e não há sinal de luta ou laceração, o que nos levou a crer que ela mesma tirou a própria vida. O crime ocorreu em torno de uma hora mais ou menos. – conclui Romero.

– Bom, por via das dúvidas, a minha equipe que é bem mais preparada irá refazer toda a perícia feita aqui até o momento.

Romero riu o encarando, enquanto Dylan se abaixou e olhou para a moça mais de perto, levando um choque logo em seguida.

– Meu Deus! Não pode ser… Essa é Elena Cooper! A filha da prefeita. – disse ainda pasmo com a descoberta.

– É ela mesma. – falou Hollie surpresa. 

Hollie então se abaixou também e minuciosa como ela era, começou a olhar tudo em volta, principalmente o corpo pálido e gélido de Elena, devido à grande quantidade de sangue que ela perdera e a temperatura da água quase congelante. Enquanto Dylan e a perita Romero discutiam, ela começou a examinar melhor os pulsos da vítima.

– Os cortes dos pulsos são bem profundos e largos, não batem com o corte feito por uma Gillette. O corte parece ter sido feito por algo mais forte e bem afiado. – Disse Hollie entrando no meio da discussão deles. – Sem contar que o pulso direito esta lacerado e tem marcas roxas, como se alguém a tivesse segurando bem forte, o braço dela quase foi quebrado. Ela tentou resistir, talvez tenha até tido uma luta corporal.

– Como é que é? – perguntou o Oficial Dylan se abaixando. – Você tem razão, esses cortes não foram feitos por uma gelei, muito menos por vontade própria. – Constatou o detetive Ross. – Quem foi o imbecil que avaliou a cena do crime? Vocês são mesmo um bando de incompetentes, isso sim! – esbravejou ele.

– Alto lá, oficial Ross… A minha equipe é muito boa, sim. O que acontece é que dois estagiários fizeram a avaliação e quando o senhor chegou eu iria dar o meu parecer. – justificou a oficial Romero.

– Dois estagiários? E ambos erraram uma simples avaliação como essa? Pelo amor de Deus, Romero! Você precisa escolher melhor a equipe com quem trabalha. Essa moça aqui começou hoje na minha equipe e em menos de dois minutos ela matou a charada do crime. – disse ele olhando para Hollie. – Parabéns oficial Malone e se por acaso eu não disse antes… Seja bem vinda a minha equipe. – Falou estendendo a mão para ela que retribuiu apertando a mão dele. Os dois se olharam cúmplices por um momento e sorriram um para o outro rapidamente.

A oficial Romero ficou calada e sem graça, ela recuou.

– Oficial Malone, a senhorita arriscaria me dizer que tipo de objeto cortante foi usado nos pulsos da garota? – perguntou Ross todo orgulhoso.

– Eu diria que o assassino usou uma faca do chefe, ou faca de cozinha como ela é popularmente conhecida por sua lâmina curvada e bem afiada, que varia entre quinze a trinta centímetros. Ela é perfeita para deslizar durante o seu corte, facilitando com precisão o alimento a ser cortado. O que nesse caso, facilitou e muito para o assassino na hora de cortar os pulsos da vítima. – concluiu Hollie.

– Acertou na mosca! Sendo assim o nosso caso agora muda totalmente de figura… Nós passamos de suicídio a homicídio. E algo me diz que nós teremos um longo, complicado e misterioso caso pela frente a ser resolvido, até finalmente podermos colocar as mãos nesse assassino e assim responder a pergunta: “Quem Matou Elena Cooper, e Por quê?”.

*Devil’s Playground – The Rigs

Ross e Malone se olharam misteriosos… O pessoal da perícia continuou explorando o local em busca de evidências, enquanto o corpo de Elena Cooper foi colocado dentro do saco preto e o zíper fechado lentamente, escondendo assim o rosto de Elena aos poucos.

*****                        CONTINUA…

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