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Terror Story – Season 1
“Quem Matou Elena Cooper?”

Uma Série de Eduardo Moretti

*****

Episódio 09 – “Bullying

O Bullying é uma “brincadeira” na qual apenas uma das partes se diverte, enquanto a outra sofre.”

Andrea Ramal

*****

Eu já sofri bullying no colégio, e às vezes ainda sofro. Mas eu cansei de me calar, e hoje eu dou o troco com as palavras.”

Jimmy Parker

*****

Bullying, assim como tudo na vida tem volta, hoje você é a caça, amanhã será o caçador.”

Nathan James

*****

Sofrer para viver. Ninguém consegue compreender quem se automutila, por isso somos freqüentemente julgados. O bullying sempre deixará marcas para quem sofre, precisamos parar de julgar as pessoas e ajudá-las mais. Palavras não são pedras, mas se forem jogadas com força, machucam. E muitas vezes, nós só estamos gritando por socorro.”

Alicia Edwards

*****

Na delegacia de Village Falls, era a vez de Jimmy dar o seu depoimento sobre o caso Elena Cooper.

– Senhor Parker, então você confirma que a vítima Elena Cooper, foi à responsável por te fazer assumir a sua homossexualidade?

– Confirmo sim, detetive. Hoje em dia eu já sei como lidar melhor com isso, mas na época a minha vida virou um inferno e eu cheguei a odiar a Elena por isso. Eu sofri bullying constante no colégio, era perseguido, massacrados, humilhado e algumas vezes até apanhei por causa disso.

– Entendo. E como era a sua amizade com ela na época do crime?

– Não havia amizade. Eu nunca mais falei com ela depois das mensagens, simplesmente a ignorava, mesmo ela implorando pela minha amizade e dizendo que não tinha absolutamente nada a ver com aquilo tudo.

– Você disse mensagens, ela te mandava mensagens pelo celular? – perguntou o detetive curioso.

– Sim, e constantes. Eram praticamente todos os dias.

– E o que ela dizia nas mensagens?

– Que sabia de mim, que eu era gay. E que eu não tinha que ter vergonha disso, muito pelo contrário, que eu tinha que me assumir e que a partir do momento que fizesse isso, eu iria me sentir bem melhor e mais leve também.

– E pessoalmente vocês nunca falaram sobre esse assunto?

– Não detetive. E a única vez que ela veio me perguntar alguma coisa, eu discuti com ela e disse que não queria a sua amizade. Ela quis sabe por que e depois vivia insistindo pra saber o motivo.

– Senhor Parker, nunca lhe ocorreu que a senhorita Cooper pudesse ser inocente nessa história toda?

– Inocente? Não mesmo detetive. Ela era má, só andava com a Peyton, e depois ela prejudicou outras pessoas também, eu não fui o único. Ela fez da minha vida um verdadeiro inferno.

– Sim, eu estou sabendo. Pessoas que assim como você recebiam e-mails e mensagens de textos constantes da Elena e que ela acabou prejudicando. Será que sou consigo enxergar aqui que a Elena é inocente nessa história toda? Pra mim esta claro que não era ela quem mandava essas mensagens, mas vocês a julgaram e a condenaram naquela fatídica noite por isso, mesmo ela insistindo que era inocente. – disse Ross respirando fundo. – Nós rastreamos essas mensagens e elas vieram sim do celular e do notebook da Elena, o que não prova nada, já que algumas eram feitas foram do período de aulas, muitas vezes à noite, já de madrugada e curiosamente, as que eram enviadas nesses horários a perícia ainda não conseguiu rastrear, esta encontrando dificuldades. Na certa um hacker fez um trabalho muito bem feito, mas nós não iremos desistir e vamos continuar procurando por essa pessoa seja ela quem for.

– Eu já estou dispensado então detetive? – perguntou Jimmy apressado.

– Calma. Antes eu ainda tenho uma última pergunta pra te fazer. Senhor Parker, você seria capaz de matar Elena Cooper por causa do que supostamente ela lhe fez? Transformando a sua vida num inferno, como você mesmo disse?

– Mas é claro que não. Por mais que eu a odiasse por isso, eu jamais seria capaz de matar a Elena, ou quem quer que fosse.

– E eu acredito em você. E de repente fazer algo que a prejudicasse, disso você seria capaz?

– Também não detetive. – disse sério. – Eu não estou entendendo, onde o senhor esta querendo chegar?

– Em lugar nenhum. Eu sou estou fazendo o meu trabalho. Que, aliás, com você e por hoje já esta encerrado. Pode ir pro colégio agora Jimmy antes que você se atrase, você esta dispensado.

– Com licença. – disse receoso e saiu logo em seguida.

Ross e Hollie se olharam com um meio sorriso e depois seguiram com os seus afazeres.

*****

No colégio de Village Falls, Brandon e Peyton chegavam juntos e logo no corredor encontraram Amber que vinha de frente com eles, deixando todos num clima estranho.

– E você dormiu bem essa noite, Peyton? Não estranhou o meu colchão? – perguntou Brandon sorrindo.

– Olha eu não ia dizer nada não, mas já que você me perguntou estranhei um pouquinho sim. Ele é bem duro, né?

– Sim, é que eu tenho um problema na coluna e ele é ideal pra isso. No começo eu também estranhei, mas agora já me acostumei. Ele não é tão ruim assim vai…

– Sei… Vai dizer isso pra minha lombar, eu estou toda dolorida. – disse sorrindo de volta pra ele. – Olha Brandon, eu queria te agradecer por tudo. Se não fosse você, talvez eu estivesse morta agora, você me salvou daquele maníaco psicopata. E obrigada por me deixar ficar na sua casa, eu confesso que ainda não estou preparada para voltar pra aquele mausoléu abandonado.

– Que isso Peyton, não precisa me agradecer. Eu faço com muito carinho e depois eu já te disse que você pode ficar lá em casa o tempo que precisar.

– Obrigada. Eu prometo que não será por muito tempo, eu não quero atrapalhar você e os seus pais. – disse olhando para frente e vendo Amber vindo na direção deles.

– Olha a Amber ai…

– Oi pessoal, bom dia. – disse simpática.

– Bom dia Amber. Tudo bem? – perguntou Brandon.

– Tudo ótimo. – disse sorrindo. – E você Peyton, como andam as coisas?

– Bem, quer dizer na medida do possível. Ser vítima por duas vezes de um assassino não é nada agradável, eu tenho sorte de estar viva.

– Graças a Deus! Se precisar de alguma coisa, ou conversar com alguém, pode contar comigo ta? – disse Amber sorrindo.

– Claro, pode deixar. Obrigada. – disse Peyton dando um meio sorriso.

Os três ficaram sem graça e se encarando por um tempo, até que Peyton disse:

– Bom, eu vou andando… A minha primeira aula é com a senhora Blossom, então vocês já imaginam o que me espera. Até mais tarde Brandon. – disse Peyton e depois sorriu para Amber.

– Até mais tarde Peyton.

– Ela tem ficado na sua casa desde a noite da invasão? – perguntou Amber curiosa.

– Tem sim. A experiência a deixou traumatizada. Ela vive em casa só com a empregada e dois seguranças, e naquela noite todos estavam de folga.

– Mas e os pais dela?

– Vivem viajando pelo mundo a negócios, eles quase não ficam em Village Falls. Muitas vezes ela passa os aniversário e datas importantes longe deles. Eles só pensam em dinheiro e poder.

– Nossa coitada dela. Vendo agora por esse lado da até pra entender porque ela é assim e esta sempre na defensiva.

– Pois é… Vamos pra aula do papai agora? – disse Brandon rindo.

– Para com isso, Brandon. Você sabe que eu detesto misturar as coisas, aqui ele é apenas o professor Moore. Seu bobo…

Os dois seguiram rindo e conversando até a sala de aula, enquanto no fim do corredor o professor Moore vinha apressado e esbarrou em Peyton.

– Ai… Você não olha por onde anda não professor? – disse Peyton irritada.

– Você que parece estar no mundo da lua garota, vê se presta mais atenção. – disse sério e depois de encará-la, saiu andando para a sala de aula.

Peyton ainda olhou para trás resmungando e quando viu o professor mancando de uma perna, ela achou estranho e logo se perguntou:

– Não poder ser… Será que o professor Moore é a morte?

*****

Na casa do pastor Griffin, eles estavam achando estranho o atraso de Erin em descer para ir pro colégio.

– Erin… Você já esta atrasada para o colégio filha, desce. – gritou Victoria do pé da escada.

– O que esta acontecendo com essa menina hoje? Ela nunca se atrasa para o colégio. Desse jeito ela vai perder a primeira aula. Eu vou até lá ver o que esta acontecendo. – disse o pastor subindo as escadas apressado.

– Espera David, eu vou com você.

No quarto eles encontraram a cama arrumada e nenhum sinal da filha. O pastor foi até o banheiro e ela também não estava lá.

– Estranho… Será que ela já foi pro colégio mais cedo hoje?

– Sem a gente notar? Eu duvido. Eu acordei pra preparar o café ainda não era seis da manhã. – disse a pastora olhando tudo a sua volta e depois viu um bilhete em cima da escrivaninha de Erin.

– Olha só… Ela deixou um bilhete. – disse pegando o papel e em seguida começou a ler.

Queridos papai e mamãe, eu tentei de tudo, mas vocês não quiseram me ouvir. O chamado para o meu sonho é muito forte dentro de mim, por isso eu decidi aproveitar a oportunidade que a vida me deu, do que me arrepender mais tarde. Fui para Nova York, me desculpem. Amo vocês, beijos Erin.”

Victoria e David se olharam sérios e incrédulos, eles não podiam acreditar que a filha fosse capaz de fazer o que fez.

*****

*Paper Love – Allie X

No colégio, Andrew e Alicia chegavam alegres e rindo muito de mãos dadas, como um casal. E por onde passavam, eles chamavam a atenção de todos que ficavam olhando e comentando.

– É se intenção era não chamar a atenção, acho que nós falhamos. – disse Andrew sorrindo.

– Quem se importa? Eu cansei de me esconder, de hoje em diante todos irão conhecer uma nova Alicia. – disse categórica. – Será que nós já chamamos a atenção suficiente?

– Por quê? – perguntou Andrew confuso.

– Por isso aqui.

Alicia puxou Andrew para si e deu um beijo de tirar o fôlego em sua boca, arrancando assovios e palmas de todos no corredor e deixando Andrew sem graça.

– Ah você ficou vermelhinho, Andrew Boy? Que bonitinho. – disse sorrindo.

– Você é uma garota incrível Alicia.

– Estou caminhando pra isso, graças a sua ajuda. Mas eu ainda chego lá, me aguarde. – disse dando outro beijo nele. – Vamos?

– Com você? Eu vou pra qualquer lugar do mundo.

Os dois então continuaram andando felizes e de mãos dadas.

*****

No Centro Médico de Village Falls, Melinda após tomar o seu café com Beth se despedia da amiga para voltar pra casa.

– Nossa acho que eu vou ficar sem comer gelatina pelo resto da minha vida. – disse Melinda sorrindo. – Em todas as refeições eles servem gelatina por aqui, até mesmo no café da manhã, e o pior de tudo é que o sabor é de limão, quem é que come isso?

– Quase ninguém, apenas pacientes e acompanhantes. – disse Beth rindo e as duas caíram na gargalhada. – Foi uma noite maravilhosa Melinda. Há muito tempo eu não me divertia tanto, muito obrigada.

– Que isso Beth, não precisa me agradecer, foi um prazer. Você sabe que pode contar sempre comigo né? Nós tivemos a nossa própria noite do pijama da terceira idade no hospital, quem pode dizer que viveu isso?

– Eu. – disse emocionada. – Eu posso dizer que vivi isso com a minha melhor amiga, antes de eu morrer.

– O minha querida… Eu vou sentir tanto a sua falta. – disse Melinda a abraçando. – Eu te amo.

– Eu também te amo, Melinda.

As duas ficaram se encarando durante algum tempo, até que Hollie chegou, interrompendo-as.

– Atrapalho alguma coisa meninas? – perguntou sorrindo. – Já vi que a noite foi boa.

– Você não faz ideia do quanto ela foi boa, minha filha. Eu tive muita sorte na vida de encontrar uma amiga como a Melinda.

– Nós tivemos amiga, porque eu também me sinto afortunada com a sua amizade.

– E eu fico muito feliz pelas duas. Bom, eu acabei de conversar com a doutora e ela vai lhe dar alta mamãe, a senhora volta pra casa ainda hoje, no final do dia.

– Que notícia maravilhosa. Eu já não estava agüentando mais ficar presa nessa cama de hospital.

– Depois ela vai passar daqui e falar conversar melhor com a senhora.

– Bom, deixa eu ir andando porque hoje eu tenho que dar uma geral lá em casa. Eu te vejo a noite então na sua casa Beth. Fica com Deus minha querida. Beijos.

– Amém! Vai com ele também, Melinda. Beijos, até mais… Não sei o que seria de mim sem uma amiga como a Melinda viu. Onde está o Tyler, porque ele não veio com você, filha? E a sua noite de folga, me conta como foi, o que você fez…

– O Tyler deve estar no colégio mãe, acho que ele vem te ver mais tarde. Agora sobre a minha noite de folga, com aquela tempestade acredite… Não aconteceu nada de interessante. – disse sem graça. – Agora vamos mudar de assunto que eu quero saber se a senhora tem se comportado bem aqui. Comeu direitinho?

– Pra que? Se eu falar que comi você não vai acreditar mesmo.

– Claro que eu vou, mas só depois de confirmar com a enfermeira.

– Você não tem jeito mesmo menina…

*****

No lago Village, Tyler esta sentado no gramado enquanto jogava pedrinhas na água. Triste e abatido, ele estava longe e pensativo, que nem viu o pastor se aproximando.

– Bom dia meu jovem rapaz, como vão às coisas? Será que eu também posso me sentar aqui?

– Oi pastor, bom dia. – disse assustado. – Eu nem vi o senhor chegando, é claro que o senhor pode se sentar.

– Eu sinto muito pela sua mãe, Tyler. Desde que eu fiquei sabendo da situação dela, eu tenho colocado ela nas minhas orações todos os dias. E é o que eu te convido a fazer também, entregar tudo nas mãos de Deus para que seja feito o melhor. Ele nunca nos desampara filho, e sempre sabe o que faz.

– Obrigado pastor. Eu nunca aprendi muita coisa sobre religião, mas dentro do pouco que eu sei eu procuro manter minha fé e fazer também minhas orações, do meu jeito claro.

– Esta certo. E pode acreditar que Deus te ouve sempre, porque pra ele o que realmente importa é a oração sincera que vem do coração. Você é um bom garoto Tyler, demorou pra eu enxergar isso, mas o senhor me mostrou e me pediu que te ajudasse… Ele tem planos pra você garoto.

– Que tipo de planos senhor Griffin? – perguntou curioso.

– Na hora certa você vai saber, tudo na hora certa meu jovem. – disse sorrindo. – Você ficou sabendo da Erin?

– Sim, e em parte eu estou arrasado assim por cauã da partida dela. Eu fui até a rodoviária e tentei convencê-la a não ir para Nova York, mas ela nem parecia a Erin que eu conheço, estava diferente, decidida, eu fiz de tudo, mas nada adiantou, ela acabou terminando tudo comigo e foi embora pra Nova York. – disse cabisbaixo. – Eu amo a sua filha pastor Griffin, a Erin é muito especial pra mim.

– Eu sei disso. Da pra ver nos seus olhos o amor que você sente por ela. Mas eu te digo uma coisa, é só uma fase e ela vai voltar, eu prometo. O que acha de ir comigo até a igreja para o culto dos homens?

– Culto dos homens? – perguntou curioso.

– Sim, é um culto onde só os homens participam, louvando, agradecendo e pedindo graças ao nosso senhor bom Deus. As mulheres também tem o dia delas e nós o nosso agora. Vamos?

– Eu não sei… Eu nunca fui de freqüentar uma igreja antes, eu mal sei rezar direito.

– Não se preocupe com isso, que você vai aprender tudo. Eu mesmo irei te ensinar Tyler.

– Eu vou. Eu estou sentindo em meu coração um desejo muito forte de ir a esse culto pastor, eu não sei explicar, mas eu quero ir. – disse sorrindo.

– Ótimo. Então vamos, nós não podemos nos atrasar.

*****

Na hora do intervalo, Peyton saiu apressada da sala de aula e começou a procurar por Brandon desesperada. – Ele estava conversando com Amber pelo corredor, e ela foi até eles.

– Brandon que bom que eu te encontrei. – disse ofegante. – Eu preciso que você venha comigo agora. É muito importante.

– Você esta branca, Peyton. O que foi que aconteceu?

– Só vem comigo, por favor! Não faz perguntas.

Brandon olhou para ela e depois para Amber, sem saber o que fazer.

– Vai com ela, parece ser importante. Depois a gente se fala. – disse Amber tranqüila.

– Obrigada. – disse Peyton a ela e depois saiu arrastando Brandon pelo corredor até próximo a sala do professor Moore, onde ela finalmente parou.

– O que nó estamos fazendo parados aqui?

– Espera você vai ver…

Depois de uns segundo, o professor Moore saiu de sua sala e Peyton para disfarçar puxou Brandon para si e deu-lhe u beijo, que mesmo sem entender ele correspondeu sem muita resistência até que Peyton o afastou depois que o professor passou.

– Me desculpa, mas ele estava vindo e eu não queria que eles nos visse aqui parados, por isso eu tive que tomar medidas extremas. – disse sorrindo sem graça.

– Não tem problema. – disse ele a encarando sério, porém de um jeito diferente. – Ta tudo bem. Mas porque nós paramos aqui, em frente à sala do professor Moore?

– Por causa daquilo. – disse apontando o dedo para o professor que ia mais a frente. – Olha só pra ele. O professor esta mancando da perna direita.

– Sim e daí? Me desculpa, mas eu não estou entendendo nada agora, Peyton.

– Eu vou te explicar… Eu esfaqueie o assassino na perna direita, naquela noite da invasão lá em casa. E agora o professor aparece aqui mancando da mesma perna. Não acha isso no mínimo suspeito?

– Pra ser sincero, não. Ele pode estar mancando por mil motivos, Peyton. Isso não quer dizer que ele levou uma facada sua na perna.

– E quem garante, você viu? Eu só sei que é muita coincidência, ele aparecer mancando e justo da mesma perna que eu feri o assassino.

– Ta legal, coincidência isso é sim, mas eu não acredito que seja ele o assassino. E o que você pretende fazer agora, perguntar pra ele?

– Sabe que você me deu um boa ideia, e porque não? – disse indo atrás do professor, mas Brandon a alcançou e a impediu de cometer tal loucura.

– Você esta maluca? – perguntou enquanto a puxava pelo braço. – Nós não temos certeza de nada, você não pode simplesmente chegar nele e perguntar se ele é o assassino que anda perseguindo os jovens de Village Falls? Pensa bem Peyton. O melhor a ser feito por enquanto é ficarmos calados e observar ele. Senão a gente pode colocar tudo a perder.

– Acho que você tem razão, Brandon. Eu por mim, já acabava logo com isso, mas é melhor observarmos ele primeiro, você esta certo.

– Vem, agora vamos para a próxima aula que por sinal é a dele. E lembre-se temos que agir normalmente.

– Pode deixar comigo. – prometeu Peyton.

*****

Na delegacia, Ross e Hollie estavam estranhos e nada a vontade um com o outro.

– Bom dia oficial Malone. – disse Ross sério.

– Bom dia detetive Ross. – disse sem encará-lo.

– E esta tudo bem com a sua mãe? – perguntou preocupado?

– Na medida do possível, esta sim. Agora se me da licença, eu preciso rever alguns arquivos lá embaixo.

– Hollie espera… Não faz assim. Não precisa ser assim. O que aconteceu foi muito bom, e nós não precisamos fugir disso ou fingir que nada aconteceu.

– Na verdade detetive Ross, eu prefiro sim, fingir que nunca aconteceu. A minha vida esta um caos, eu ainda não estou preparada para um relacionamento, e eu prefiro fingir que nada aconteceu entre nós. Foi um erro, um equívoco, nós fomos fracos nos deixando envolver. Nós trabalhamos juntos, formamos uma equipe e eu não quero de maneira nenhuma misturar as coisas entre a gente. Ta bom assim? Vamos passar uma borracha nisso tudo, de hoje em diante só amigos.

– Sim, tudo bem. Vai ser como você quiser, pode ficar tranqüila. – disse sem graça.

– Melhor assim, agora com licença, o trabalho me espera.

Hollie desceu para o segundo andar, enquanto o detetive cabisbaixo parecia não acreditar naquilo que estava acontecendo. Porque ela tinha que ser tão dura assim?

*****

Na sala de aula do professor Moore, ele continuava mancando e andando de um lado para o outro, enquanto explicava a matéria, e Peyton estava cada vez mais intrigada com aquilo tudo, até que ela não conseguiu segurar:

– O professor Moore esta mancando porque mesmo? – perguntou Peyton intimidadora. – Me desculpa a pergunta, mas é que eu não me lembro do senhor te mencionado nada a respeito. E depois pode parecer que não, mas nós alunos nos preocupamos com os professores, sejam eles quem for. E também o seu arrastar de perna já esta incomodando um pouco.

O professor Moore olhou para ela sério e depois sorriu colocando o livro em cima da mesa.

– Senhorita Martinez, eu agradeço a sua preocupação, mas sinceramente eu acho o assuntou um pouco impertinente dentro da sala de aula, que é onde devemos nos concentrar apenas nos estudos.

– Pois eu não acho, mas é claro que o professor tem todo o direito de responder ou não, afinal que não deve não teme, não é mesmo?

– Peyton segura a onda. – sussurrou Brandon pra ela.

– O que esta acontecendo aqui? Eu não estou entendendo a sua marcação com o meu pai. – disse Amber nervosa.

– Fica fora disso, Amber. – disse o professor Moore sério.

– Pai? Engraçado eu pensei que aqui no colégio ele era apenas o seu professor. Será que agora além dessa outras regras tipo favoritismo também serão quebradas?

– Cala essa boca senhorita Martinez! – gritou o professor já sem paciência. – Eu não irei permitir que a senhorita perturbe a minha aula, saia agora daqui.

– É sério isso? Porque eu to morrendo de medo.

– Fora! A senhorita esta suspensa das minhas aulas por uma semana.

– Nossa o senhor falando assim de repente eu até me animei a sair… Não se perde muito mesmo com as suas aulas. Bonjour senhor Moore. – disse sorrindo irônica e depois saiu da sala de aula satisfeita.

– E agora daremos continuidade à aula e sem mais interrupções, caso contrário o engraçadinho ou engraçadinha irá se juntar a senhorita Martinez. Fui claro? – diante do silêncio, o professor continuou com a aula.

*****

Mais tarde no corredor do colégio, Jimmy e Nathan conversavam bem pertinho um do outro.

– Eu adorei a noite passada na sua casa, eu nunca me senti tão feliz em toda minha vida. – disse Nathan fazendo um carinho discreto o braço de Jimmy.

– Eu também adorei e quando quiser repetir é só falar, você sabe que pela minha mãe não tem problema, aliás, ela adorou você.

– Eu também gostei muito dela.

Os dois continuaram sorrindo e se acariciando distraídos que nem perceberam Steve vindo.

– Ai parceiro qual é? O que ta rolando?

Nathan se afastou de Jimmy rapidamente e ficou sem graça.

– Nada. Não tem nada rolando aqui, eu só estava dizendo pra esse Mané ficar bem longe do pátio na hora dos nossos treinos que o olhar de viadinho dele só nos desconcentra. Valeu?

– Isso ai parca, fez muito bem. Agora vamos embora daqui logo que viadagem pega não é não? – disse passando perto de Jimmy e dando um tapa no rosto dele.

Jimmy ficou sem reação. Ele não esperava que Nathan agisse daquele modo grosseiro com ele, não depois de tudo o que eles estavam vivendo.

Nathan acompanhou Steve e depois olhou para trás com cara de triste e arrependido.

– Qual é man, você anda estranho ultimamente, quer me falar alguma coisa? – perguntou Steve.

– Eu estou normal e não tenho nada pra falar mano, é só impressão sua.

*****

Já era a segunda vez que o pastor fazia a ligação para o celular da filha em Nova York e nada de Erin atender. A pastora do lado estava nervosa e desinquieta e tudo o que ela mais queria era que a filha voltasse para casa e ela orava o tempo todo para isso. – De repente, Erin atendeu:

– Alô… Filha! Que bom que você atendeu, nó estamos com saudades de você e também muito preocupados…

– Oi pai. Eu estou bem, não tem motivo para vocês se preocuparem comigo.

– Filha volta pra casa, coloca a cabeça no lugar, todos nós estamos morrendo de saudades de você, eu, sua mãe, seus amigos, até o Tyler.

– Ah é… Pois ele não me parece se importar tanto quando apareceu na rodoviária. O Tyler e eu terminamos pai, acabou.

– Ô minha filha, ele ama você. E esta precisando muito de ti, assim como seus pais também. Fale com a sua mãe…

– Alô filha… Que saudades Erin, você esta bem? Tem se alimentado direitinho?

– Tenho sim mãe, não se preocupe.

– Você não podia ter feito isso com a gente, Erin. Eu e o seu pai vamos pessoalmente ai pra te buscar.

– Não façam isso. Eu vou seguir os meus sonhos agora, vou fazer carreira aqui e gravar meu cd. Se vocês vierem atrás de mim ou me forçarem a ir embora, eu juro que entro com advogado e peço a minha emancipação.

– Filha espera, vamos conversar… Erin. Ela desligou.

– O que foi que ela disse?

– Que se separa da gente. Ela disse com todas as letras que se nós formos atrás dela, ela entra com um advogado e pede a emancipação.

– O quê!? Essa garota esta fora de si, ela enlouqueceu, só pode…

– E agora David, o que nós vamos fazer?

– Orar, orar Victoria. É só o que nós podemos fazer agora, orar e pedir a Deus que dê o discernimento pra nossa filha. E eu tenho algo muito forte dentro do meu coração que diz pra gente se aquietar e orar, pois quando nós menos esperarmos, a Erin estará de volta e arrependida, assim como o filho pródigo.

– Amém! Eu só espero que ela não sofra tanto. – disse indo até o esposo e os dois se abraçaram emocionados.

*****

No colégio, Amber cismada pressionaria Peyton sobre o seu pai.

– Peyton, espera…

– Ai, o que foi agora hein garota de Minessota?

– Porque tudo aquilo na sala de aula, qual o seu problema com o um pai? Desde que eu cheguei a Village Falls que eu percebo sua implicância ele. O que ele te fez?

– Não te interessa. E vê se me deixa em paz, garota.

– Eu não vou te deixar em paz, enquanto você não me dizer o que esta acontecendo. – disse puxando Peyton pelo braço.

– Me solta. Acredite em mim, você não teria estômago pra saber toda à verdade.

– Vai em frente, eu posso te surpreender. Eu não vim passar uma temporada com ele aqui à toa. Eu vim em busca de resposta, eu tenho os meus motivos.

– Não me interessa os seus motivos. Agora me deixa em paz.

Peyton saiu apressada do colégio, enquanto Amber ficou olhando para ela enigmática.

*****

Na saída do colégio, Steve pressionava Nathan.

– Qual é meu amigo, você tem andado estranho e calado ultimamente… Ta acontecendo alguma coisa? Você sabe que pode confiar em mim, vamos lá se abre comigo cara.

– Não esta acontecendo nada Steve, eu já disse. É só impressão sua.

– Sério mesmo? Você jura que a sua mudança de comportamento não tem nada a ver com aquele viadinho ali? – perguntou apontando para Jimmy.

– Com o Jimmy? – perguntou espantado. – Claro que não. O que você esta querendo dizer, hein?

– Que eu sei que vocês dois estão de namorico. Eu v você beijando ele no corredor do colégio na noite do baile da primavera.

– Me deixa em paz, Steve. Eu não sei do que você esta falando. – disse saindo apressado.

– Hei calma ai, ta co pressa por quê? Ta com medo de que eu conte o seu segredinho sujo pra todo mundo? – perguntou sorrindo. – Ai pessoal, chega junto. Vamos fazer uma roda aqui em volta do nosso amigo Nathan, vem você também viadinho. Eu tenho uma história muito interessante pra contar pra todos vocês.

O pessoal que estava saindo do colégio foi se juntando em volta deles, formando um aglomerado de pessoas curiosas, querendo entender o que estava acontecendo. Jimmy, Alicia, Andrew, Amber, Brandon e Peyton também se aproximaram deles.

– Steve vê lá o que você vai fazer cara, depois a gente conversa, nós somos amigos. – pediu Nathan nervoso.

– Ah quer dizer então que agora nós somos amigos? Eu to decepcionado com você cara, porque além de esconder o seu segredinho de mim, você sempre fingiu ser uma pessoa que não era e eu estou revoltado com isso. Estão vendo esse cara aqui acuado e com medo galera? Um dos bad boys do colégio, machão, jogador do time de futebol e pegador geral das líderes de torcida? – gritava Steve fora de si. – Pois é, tem alguns dias que eu descobri que ele não é absolutamente nada do que diz ser. O Nathan é uma farsa! Não existe o bad boy, pegador de garotas e sabem por quê? Porque ele é gay!

Nesse momento todo mundo se espantou e começou a cochichar entre si, questionando se aquilo era mesmo verdade.

– E sabem como eu descobri isso? No dia do baile da primavera, quando eu flagrei ele e o viadinho assumido aqui do Jimmy se beijando nos corredores do colégio. Isso mesmo galera, o colégio Village Falls tem um novo casal, Jimmy e Nathan, um casal gay que eu tenho o prazer de assumir pra vocês agora. Eles não são lindo, olha só… Porque não dão um beijinho pra ente ver.

Jimmy já nem se importava mais, enquanto Nathan morrendo de vergonha não sabia o que dizer nem aonde enfiar a cara.

– Deixa de ser idiota cara, preconceito não esta com nada. Cada um tem o direito de ser como é e todos devem respeitar isso. – disse Amber indignada.

– Cala boa sua piranha que eu não estou falando com você.

– Escuta aqui seu babaca! Não fala assim com ela. – gritou Brandon partindo pra cima dele e dando um soco na cara de Steve. Logo depois Andrew e Amber o seguraram.

– Não liguem pra esse saco de merda. Esse lixo humano não merece a atenção de ninguém aqui. O que importa é o amor e ninguém esta fazendo nada de errado. – disse Peyton revoltado. – Errado é não amar.

Nathan que até então estava calado e morrendo de vergonha partiu com tudo pra cima de Steve e os dois iniciaram uma luta corporal, levando a todos que assistiam a vibrar com aquilo e a torcer pela pancadaria.

Mas não demorou muito para Steve revidar, e deixar Nathan no chão deferindo socos e mais socos na cara dele.

– Alguém faz alguma coisa, ele vai matar o Nathan. – gritou Alicia.

Foi então que Jimmy se aproximou pegando Steve por trás e deu um soco na cara dele. – O diretor logo apareceu para acabar com toda aquela confusão, e Jimmy saiu correndo.

O diretor acabou com a bagunça e mandou todos pra casa dando suspensão apenas para Nathan que alguns afirmaram ter começado a briga.

*****

Na casa de Alicia, seus pais discutiam sobre um tratamento para ela, que chegou do colégio e ouviu tudo.

– Tudo frescura da Alicia, Norah. O que essa menina precisa é crescer e parar de querer chamar a atenção, ela não é mais criança.

– Você não sabe o que esta falando Charlie, automutilação é coisa séria. A Alicia vai precisar de um acompanhamento psicológico.

– Eu lavo as minhas mãos, eu não tenho tempo pra ficar perdendo com as frescuras da Alicia. Faça você o que achar melhor.

Alicia nesse momento apareceu na sala e ficou encarando os pais.

– Oi filha, você estava ai? – perguntou Norah sem graça.

– Não precisam brigar por minha causa. Eu estou bem e vou ficar melhor ainda. Eu tenho o Andrew do meu lado, ele sim tem me dado todo apoio que preciso.

– Sobre isso sim, nós precisamos conversar. Eu não quero você namorando aquele garoto. Estamos entendidos?

– Não. A vida é minha e eu namoro com quem eu quiser. Você nunca se importou comigo, ta pouco se lixando pra mim e nem faz questão de esconder isso. Agora quer controlar com quem eu namoro? Não mesmo papai, essa é uma escolha minha e ponto final. – disse saindo e batendo a porta.

– Alicia volta aqui, Alicia… Essa menina esta me desafiando. Eu mando ela pra um colégio interno rapidinho.

– Só se for por cima do meu cadáver, Charlie. Porque isso eu jamais irei permitir. Você ta me ouvindo? – disse Norah indo para a cozinha.

*****

Na casa dos Cooper, Andrew pressionaria o pai a lhe dar uma reposta para uma pergunta que não saia da sua cabeça.

– Pode entrar. – disse Paul sentado em seu escritório e parando de ler o jornal.

– Com licença, pai.

– Oi filho, tudo bem? O almoço já foi servido?

– Ainda não. – disse sério sem saber como continuar.

– Ah bom, eu pensei que a sua mãe tivesse mandado você me chamar.

Diante do silêncio de Andrew, Paul estranhou e perguntou:

– Algum problema filho? Você esta querendo me dizer alguma coisa?

– Pra falar a verdade, eu estou sim pai. Desde os últimos acontecimentos, enfim, você ter sido preso e acusado sobre aquele assunto com a Elena, que eu nunca te fiz uma pergunta e ela não sai da minha cabeça. – confessou inseguro.

– Desse jeito você me deixa preocupado filho, o que é? Pode perguntar.

– O senhor não abusou mesmo da Elena quando ela era criança? Me diz a verdade, pai. O senhor é inocente?

– Mas que absurdo Andrew! É claro que eu nunca abusei da sua irmã. Todos desconfiarem de mim, me julgarem e condenarem eu entendo e até aceito… Mas você ou a sua mãe, não. Se eu não tiver vocês do meu lado, se vocês não me apoiarem, nem acreditarem em mim, será o meu fim. – disse emocionado. – Eu preciso de vocês filhos. Vem cá, me dá um abraço.

Andrew relutou um pouco, depois foi de encontro ao pai e o abraçou ficando ainda em dúvida se devia ou não confiar no próprio pai.

*****

Melinda estava arrumando a sala quando Jimmy chegou chorando e passou correndo por ela.

– Jimmy o que foi que aconteceu filho? Jimmy…

– Me deixa mãe, eu não quero falar com ninguém. – disse batendo a porta do quarto. – Eu não acredito nisso, o Nathan não podia ter feito isso comigo, não podia. Eu jamais vou perdoar ele por isso, jamais…

– O que será que aconteceu agora, meu Deus… – se perguntou Melinda preocupada com o filho.

*****

Mais tarde, a delegacia de Village Falls recebera uma denúncia de que jovens estavam consumindo drogas e vendendo num casarão abandonado perto do lago, e Hollie com a ajuda de mais um policial foi até lá.

– Vamos cercar a casa, calma, devagar… Me dá cobertura. – disse Hollie, que depois do policial ter aberto a porta com tudo entrou já apontando a arma e deu de cara com três jovens. – Todo mundo de costas com as mãos na cabeça. Mãos na cabeça. – gritou ela.

Um dos jovens conseguiu sair correndo pelos fundos e o policial correu atrás dela. Enquanto gritava para os outros dois deitarem no chão.

– Deitados no chão agora.

Eles deitaram no chão e Hollie foi pra cima algemando um e depois quando terminou de algemar o outro e o virou para si, ela teve uma surpresa que a deixou sem rumo.

– Mas o que… Tyler! O que você esta fazendo aqui meu irmão?

Tyler ainda chapado e assustado com o flagrante, nada respondeu, apenas abaixou a cabeça.

*****

Enquanto isso na delegacia de Village Falls, o detetive Ross estava em sua sala, quando Andrew entrou carregando uma mochila.

– Pois não? Em que posso te ajudar garoto? – perguntou Ross sério, estranhando a situação.

– Eu preciso falar com o detetive… Na verdade, eu queria mesmo é te entregar uma coisa. – disse abrindo sua mochila.

– E o que é? Do que se trata? – perguntou o detetive curioso.

– Se trata disso aqui. – disse tirando de dentro da mochila uma espécie de caderno e entregou para Ross.

– É o diário da Elena. Ele esteve comigo o tempo todo desde que ela morreu… Era eu quem estava mandando as cópias das folhas aqui pra delegacia. Eu espero agora que vocês descubram quem a matou e que finalmente coloquem as mãos nesse assassino… Mesmo que ele seja o meu pai. – disse Andrew com os olhos cheios de raiva.

*****

CONTINUA…

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NAVEGAR

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