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Terror Story – Season 1
“Quem Matou Elena Cooper?”

Uma Série de Eduardo Moretti

*****

Episódio 08 – “A Tempestade

Ao contrário do que todos pensam, nem toda Tempestade vem para causar a destruição. Às vezes elas também vem para fazer brotar as sementes.”

Andrew Cooper

*****

Toda tempestade traz com ela, a esperança de que pela manhã, tudo estará limpo novamente. E até mesmo as manchas, mentiras e segredos mais perturbadores terão desaparecido. Como as dúvidas sobre a inocência de um amigo, ou as conseqüências dos erros que cometemos, as cicatrizes de uma traição ou até mesmo a memória de um beijo. Então só o que nos resta fazer é esperar que a tempestade passe, esperando sempre pelo melhor que virá depois do seu fim. Mesmo que no fundo nós ainda saibamos em nossos corações que algumas manchas, mentiras e segredos são tão marcantes que nada, nem mesmo a tempestade será capaz de removê-los.”

Andrew Cooper

*****

Do outro lado da cidade, Hollie estacionou seu carro de frente a uma casa e logo depois saiu correndo na chuva e chegou a te a varanda, batendo insistentemente na porta.

– Já vai… Hollie! Aconteceu alguma coisa? Entra. Você esta toda molhada, vai acabar pegando um resfriado. – disse o detetive Ross preocupado.

– Eu sai do hospital agora, a Melinda vai dormir lá hoje com a minha mãe… Tudo isso tem sido demais pra mim, eu fiquei rodando por horas até parar aqui. Eu me finjo de forte, mas na verdade não sei o que fazer Ross, eu estou com muito medo e não sei o que fazer. – disse começando a chorar desesperada.

*Hometown Glory – Adele

Ross pegou a manta que estava no sofá e a envolveu em Hollie tentando aquecê-la. Depois vendo que ela ainda tremia muito de frio, ele a abraçou bem forte.

– Vai ficar tudo bem, Hollie. Você tem sido forte demais durante muito tempo, e precisar descansar e chorar, precisar desabafar e colocar tudo pra fora, só assim se sentirá melhor. Não é vergonha expor os seus sentimentos, muito pelo contrário, isso mostra que você tem coração e eu tenho muito orgulho de você, minha pequena gigante oficial Malone. – disse sorrindo enquanto ela o encarava. – E eu vou te ajudar.

Hollie o encarava séria e em seguida ela foi tirando a manta de seu corpo devagar, enquanto Ross limpava as lágrimas do rosto dela que caiam… Os dois se encararam por alguns segundos num sentimento forte que até então eles desconheciam e então finalmente, eles deixaram seus corações falarem mais alto e se renderam ao desejo.

Hollie e Ross se beijaram ardentemente, enquanto caminhavam juntos para o quarto e se despiam de suas roupas.

*****

Peyton começou a subir as escadas quando de repente seu celular tocou e ela se assustou deixando o aparelho cair no chão.

– Droga! – disse ela se abaixando para pegar o celular e em seguida, ela olhou no visor e estranhou ao ler: Número desconhecido. – Alô…

– Olá Peyton, como você esta? Desde o baile da primavera que eu não te vejo. – dizia uma voz distorcida do outro lado da linha.

– Vem cá seu idiota que brincadeira é essa? Será que você não percebe que esse jogo de gato e rato já esta ficando ridículo, até quando você vai continuar se escondendo, hein? Seu covarde!

– Peyton, Peyton… Sempre mal educada e respondona, quando eu terminar com contigo, a primeira coisa que eu irei fazer é cortar essa sua língua de menina má e venenosa. Pelo visto ter ficado presa no porta malas do meu carro, não foi o suficiente pra te deixar mais calminha… Foi realmente uma pena você ter escapado antes e não ter explodido junto com o carro, eu tenho certeza de que iria estar fazendo um favor para a humanidade, livrando-os de você pra sempre.

– Escuta aqui seu babaca…

– Escuta aqui você, sua vadia egoísta! Calada e ouça bem o que eu vou te dizer, pois a noite esta só começando pra nós dois.

Peyton ficou escutando a respiração forte dele por um tempo, até que ele disse:

– Me diz qual é a sensação de chegar em casa toda molhada depois ter demorado tanto para encontrar as chaves? Esqueceu que hoje era dia de folga da sua empregada?

– O que você disse? – perguntou assustada e já cismada, ela desceu devagar as escada e foi até a porta conferir se ela estava mesmo trancada. Em seguida, Peyton saiu olhando portas e janelas e trancou tudo, fechando as cortinas desesperada e morrendo de medo. – Você esta aqui, do lado de fora? – perguntou toda trêmula.

– Você se sente mais tranqüila e protegida agora, baby? Acho melhor você correr e se esconder, porque agora sim é que vai começar a verdadeira caça do gato a rata. – disse gargalhando do outro lado.

Peyton ficou branca e o seu coração acelerou. Depois num ímpeto, ela subiu as escadas correndo, deixando o celular cair pelo caminho, enquanto a morte ainda gargalhava do outro lado.

Peyton entrou no quarto correndo e trancando a porta. Ela andava de um lado para o outro nervosa e trêmula. Em sua cabeça passava o filme do dia do baile em que ele a pegara e a colocara amarrada dentro do porta malas do carro.

– Isso não pode estar acontecendo, não comigo… O que esse miserável quer meu Deus! – disse indo devagar até a varanda do seu quarto e olhando todo o jardim lá embaixo. – E justo hoje eu fui dar folga pra Zoila e para os seguranças. Burra! Idiota que eu sou…

Depois de pensar um pouco, Peyton resolveu pegar o telefone e ligar para a polícia. Ela pegou o aparelho em cima do criado mudo perto de sua cama e começou a discar, mas não estava dando linha, ela tentou novamente e nada. O telefone não estava funcionando.

– Que droga! Mais essa agora. – disse jogando o aparelho pra bem longe. – Será que é por causa da chuva ou esse maníaco cortou a linha? E o meu celular, onde eu deixei meu celular? – depois de muito pensar, ela se lembrou. – É claro, eu o deixei cair lá embaixo quando subi desesperada.

O estopido de um relâmpago forte seguido do seu clarão entrou pela janela do quarto e Peyton assustou, se jogando na cama e se cobrindo com o edredom até a cabeça.

*****

No Dinner, Brandon e Amber depois de comerem um hambúrguer acompanhado de batatas fritas e Milk Shake, ficaram conversando esperando a chuva diminuir, já que em alguns pontos da cidade estavam alagados.

– É… Parece que essa tempestade não vai mais passar. Há muito tempo não chovia tanto em Village Falls. – comentou Brandon.

– Pra mim esta sendo uma novidade já que em Minessota nessa época não chove. Eu gosto da chuva, o barulho de água caindo me acalma, principalmente na hora de dormir. Eu só não gosto mesmo é dos raios. – disse Amber sorrindo. – Morro de medo.

– Eu entendo. A minha mãe também tem medo. Mas me diz uma coisa, como anda a sua adaptação com a cidade, o novo colégio e os novos amigos?

– Bem com a cidade eu ainda estou me ambientando, mas eu gosto do clima daqui. O colégio não é ruim, tirando o fato de eu ser filha de um dos professores, essa parte é chata, já que a maioria pensa que eu sou privilegiada. Agora quanto aos novos amigos nossa… Eu ainda não sei o que pensar ou dizer, só sei que vocês vivem fortes emoções, mas todos parecem ser boas pessoas, tirando a Peyton, claro. – disse rindo. – Em Minessota minha vida não era tão agitada assim, e essa história louca de assassinato, e o assassino a solta por ai perseguindo vocês, até parece coisa de série de terror teen.

– Pois é uma loucura mesmo. Ás vezes parece que nós estamos dentro de um pesadelo. E o pior é que não estamos mais seguros aqui e Village Falls sempre foi uma cidade tão pacata.

– É dever ser complicado mesmo pra vocês ter que passar por tudo isso, e logo após uma perda tão difícil. Você amava a Elena né? Mas eu reparo que você não fala muito nela.

– E de que adianta, se ela não vai mais voltar? Eu não gosto de ficar lembrando e falando dela, tudo ainda é muito recente e me faz sofrer demais… Mas daqui de dentro do meu coração, ela não saiu até hoje e acho que talvez nunca mais saia. Eu nunca senti por uma garota o que eu sinto pela Elena, mesmo ela estando morta.

– Mas um dia você vai ter que deixá-la ir pra poder seguir em frente. Ser feliz quem sabe com outra garota…

– É pode ser. Na verdade você tem toda razão, eu só não sei como fazer isso ainda. Eu acho que só vou conseguir virar essa página quando colocarem as mãos no assassino da Elena, ai sim… Eu vou poder seguir em frente.

– Conta comigo pro que você precisar ok? – disse sorrindo.

– Ok. Eu agradeço muito e saiba que você também pode contar comigo sempre. – disse pegando na mão dela.

*****

Nathan estava muito inseguro. Suas mãos tremiam e suavam frio, ele só pensava em ir embora dali, porém seu amor por Jimmy e a alegria dele de estar apresentando o namorado pra mãe, o faziam ficar.

– Nossa você esta muito nervoso, Nathan. Relaxa, minha mãe é tranqüila você vai ver.

– Você diz isso porque já se assumiu né? Eu ainda não.

– Olá meninos. Desculpa a demora, mas é que eu estava me trocando depois de ter terminado de preparar o jantar. – disse Melinda toda simpática. – Como vai Nathan, tudo bem?

Nathan se levantou e a cumprimentou com um aperto de mão e um beijo no rosto.

– Eu vou bem senhora Parker, e a senhora? – perguntou tímido.

– Eu estou bem, e melhor ainda em saber que o meu filho esta muito feliz como há muito tempo eu não via, e você é o responsável por isso. Muito obrigada de verdade e, por favor, sente-se e fique a vontade.

– Obrigado. Eu não sabia o que trazer então eu trouxe bombos para a senhora, espero que goste, – disse entregando-lhe uma caixa com uma fita vermelha em laço decorando a mesma.

– Se eu gosto? Nathan você esta falando com a maior chocólatra de Village Falls, eu amo chocolates. Obrigada querido, e, por favor, esquece o senhora, pode me tratar por você.

– Tudo bem senhora… Digo você.

– Bom agora vamos pra sala de jantar, eu acho que vocês devem estar famintos. Filho sirva uma bebida pro Nathan, espero que você goste de rosbife. Eu preparei tudo com muito carinho. – disse Melinda enquanto se encaminhavam para a sala de jantar.

*****

Enquanto isso na mansão dos Martinez, Peyton abria a porta do quarto bem devagar. Ela começou a descer as escadas descalça para não fazer barulho e logo em seguida veio o clarão de um raio, a fazendo assustar, e depois as luzes da casa se apagaram, deixando um escuro total.

Peyton que detestava o escuro desceu as escadas mais rápido e foi até o interruptor tentando ligar as luzes e nada acendia. Ela então começou a ficar apavorada e sem saber o que fazer sem luz e sem telefone. Ela então viu o seu celular caído e o pegou rapidamente. Em seguida, ela foi até as janelas da ampla sala de star e começou a olhar uma por uma tudo lá fora através da fresta das cortinas, cismada e com receio do escuro e da tempestade, Peyton correu para perto do sofá e se abaixou no chão, ficando escondida atrás do móvel. Quando ela menos esperava seu celular tocou e na tela apareceu: Número desconhecido. – Peyton insegura e com medo atendeu devagar.

– Alô…

Do outro lado, ela só ouvia a respiração forte e ofegante de alguém.

– Alô… Me deixa em paz, por favor! – disse desligando o celular e em seguida, ela já ligou para o 911.

Peyton tremendo conseguiu ligar com dificuldade e não demorou até que ela fosse atendida.

– Emergência 911, em que posso ajudar? – perguntou uma moça num tom de voz firme.

– Ai graças a Deus! Moça me ajuda, por favor… Tem um assassino rondando a minha casa. – disse desesperada.

– Tente se acalmar garota, ou então eu não conseguirei ouvir nada. Fale pausadamente, mantendo a calma pra eu poder te ajudar.

– É seguinte… Eu cheguei em casa no meio da tempestade e assim que eu entrei, eu já recebi uma ligação no meu celular de um homem com uma voz distorcida me ameaçando.

– Sei. E porque a senhorita disse que ele esta ai rondando a casa? Por acaso, você viu alguém do lado de fora?

– Não. Mas ele disse no telefone que eu estava chegando em casa aquela hora e toda molhada, ele deu a entender que estava me vendo o tempo todo.

– Qual é o seu nome?

– Peyton Martinez. – disse olhando para os lados o tempo todo.

– E a senhorita esta sozinha em casa?

– Sim estou. Os meus pais estão viajando e eu dei folga para os meus empregados. O que eu faço? – perguntou desesperada. – Eu também estou sem Luiz e sem telefone fixo, parece que a linha foi cortada.

– Apesar da tempestade, há luz na cidade toda senhorita, eu creio que a sua eletricidade também foi cortada. Me faça um favor, aonde você esta exatamente? As portas e janelas da casa estão todas trancadas?

– Estão sim, eu mesma verifiquei todas as entradas. Eu estou na sala de star escondida atrás do sofá.

– A senhorita então vai procurar um local seguro pra ficar e vai continuar comigo na linha, em quanto eu rastreio o seu endereço pra mandar ajuda, mas já vou avisando que tem alguns pontos da cidade que estão alagados com a forte tempestade e essa ajuda pode demorar um pouco. Vá para uma sala, um local onde você possa trancar a porta e ficar quieta enquanto nos falamos.

Peyton então foi até a biblioteca e trancou a porta na mesma hora.

– Pronto. Eu estou na biblioteca e a porta já esta trancada.

– Ótimo. Agora nada de pânico, vai dar tudo certo. Ok?

– Tudo bem, eu prometo tentar. Qual o seu nome?

– Eu me chamo Joane.

– Joane, por favor… Não me deixa sozinha, não desliga o telefone.

– Eu não vou desligar prometo. Eu já tenho a sua localização e vou passar a ocorrência para o departamento de policia de Village Falls, tudo vai dar certo. Eu prometo.

*****

Nas casa dos Griffin, Erin teria uma conversa séria com seus pais.

– Ai que susto! – exclamou a senhora Griffin se assustando de mais um relâmpago. – Eu odeio tempestades.

– Se acalme meu bem, logo ela passa. – disse David deitando a cabeça da esposa em seu peito.

– Logo ela passa? Essa tempestade já esta durando quase quatro horas! Eu nunca vi uma tempestade que demorasse tanto a passar aqui em Village Falls.

De repente Erin desceu as escadas nervosa e insegura.

– Pai, mãe. – disse séria.

– O que foi minha filha, a tempestade não esta deixando você dormir? – perguntou Victoria.

– Não é isso, é que… Bom, eu fiquei o dia todo ensaiando e eu não estou mais agüentando guardar isso só pra mim, eu preciso falar com vocês dois.

Os pastores se olharam preocupados.

– Vem aqui minha filha, sente-se aqui no meio de seus pais. Você parece ansiosa, angustiada, o que foi que aconteceu? – perguntou o pastor acariciando os cabelos da filha.

– Você sabe que pode falar sobre tudo com seus pais, né querida? Confia na gente e se abre vai, você esta deixando seu pai e eu preocupados.

– Eu gravei uma música pop num estúdio de um colega do Tyler. É uma espécie de demo que esse amigo do Tyler passou depois de gravada pra um conhecido dele que trabalha numa gravadora em Nova York. E eles pra minha surpresa, eles adoraram. – disse feliz.

– Eu não estou acreditando nisso, Erin. Quantas vezes eu te pedi pra deixar essas músicas mundanas de lado?

– Espera David, deixa ela terminar de falar. – ponderou a pastora.

– Hoje mais cedo quando eu cheguei da rua e fui ouvir a secretária eletrônica e havia um recado pra mim desse cara de Nova York, me convidando para ir pra lá conhecer os estúdios e falar de trabalho… Acho que eles querem que eu grave um cd. Não é o máximo? – perguntou toda animada.

– Minha filha eu não sei o motivo do seu entusiasmo, mas eu só te digo um coisa: Não! – exclamou sério o pastor. – Pode ir parando por ai se você esta pensando que vai até Nova York. Quantas vezes eu te disse pra não sonhar com isso, que o seu lugar é aqui em Village Falls cantando no coral da igreja? – gritou por fim.

– Não digo eu, papai. Vocês sempre ditaram as regras, falaram o caminho que eu deveria seguir, como eu devia me portar, nem mesmo sonhar com uma vida diferente, eu pude. – disse com os olhos lacrimejando. – Eu sempre fui podada desde criança. Vocês sabem como eu me sinto? Eu me sinto presa, infeliz e não realizada dentro da vida que vocês idealizaram pra mim. Eu nunca quis ficar cantando só música gospel na igreja, desde criança que eu sonho em cantar pro mundo, de ter o meu talento reconhecido, será que é tão difícil assim pra vocês aceitarem isso?

– Filha tente entender, eu e o seu pai só queremos o melhor pra você. No mundo lá fora as coisas não são tão simples quanto aparentam. E uma garota como você não esta preparada pra essa realidade, o seu mundo é outro Erin. – disse Victoria chorando.

– Acontece que eu nunca vou estar preparada pra mundo nenhum do jeito que vocês fazem, tentando me proteger o tempo todo, ao invés de me prepararem para a vida. Ou vocês tem a ilusão de que eu irei viver o resto da vida grudada nos dois? Eu cresci e quero seguir os meus próprios caminhos e viver a minha vida do jeito que eu achar que devo.

– Eu não tenho mais nada pra falar… Você é nossa filha, menor de idade e nos deve respeito e obediência. Esquece essa história, não tem Nova York. O seu lugar é aqui. – disse David em tom autoritário.

– Você esta muito enganado… Eu me recuso a aceitar isso, logo eu farei dezoito anos e serei dona do meu próprio nariz. Ai nós veremos qual vida eu vou viver. – disse Erin desafiando o pai. Depois passou por ele rápido subindo as escadas para o seu quarto.

– Volta aqui menina, respeito o seu pai. Erin… Erin! Você ouviu isso Victoria? Era só o que me faltava agora, essa menina se rebelar contra a gente.

– Calma meu amor, todos nós estamos nervosos e não vai adiantar falar nada agora, depois com calma e muito diálogo nós resolvemos isso. Não é brigando, nem batendo de frente que nós vamos resolver isso.

– Sei… Até parece que você não conhece a filha teimosa que tem.

– É claro que eu conheço. Aliás, ela puxou ao pai, que é tão teimoso quanto ela. – disse saindo da sala e deixando o marido sozinho.

Do seu quarto, Erin pegou o telefone e fez uma ligação.

– Alô… É da gravadora? Ah sim, é Erin Griffin quem esta falando. Eu recebi seu recado mais cedo e eu liguei pra dizer que eu vou para Nova York. Eu também estou muito feliz, em dois dias estarei ai. – disse sorrindo ao ver o seu reflexo no espelho.

*****

– Bom rapazes, o papo esta muito bom, mas infelizmente agora eu preciso ir para o hospital. A Beth já deve estar me esperando. – disse Melinda feliz.

– Muito obrigado pelo jantar dona Melinda, estava tudo delicioso, inclusive a sobremesa. – disse Nathan sorrindo.

– Não tem que agradecer filho, foi um prazer pra mim por receber o namorado do meu filho aqui na minha casa. E eu quero que você saiba que as portas estão abertas pra quando você quiser voltar. – disse dando um abraço nele.

– Obrigado e pode apostar que eu voltarei.

– Filho eu vou passar a noite no hospital e só volto amanhã, ok? Fica com Deus. E Nathan se você quiser dormir aqui essa noite, fique a vontade. Com esse temporal e os alagamentos, eu sei que vai ficar difícil pra você ir embora. Eu mesma só vou sair porque o hospital são só duas quadras daqui e as ruas estão tranqüilas.

– Obrigado dona Melinda. Caso a tempestade não melhore, eu vou aceitar sim o seu convite.

– Bom, vocês fiquem com Deus e boa noite. Tchau filho, até amanhã. – disse dando um beijo no rosto de Jimmy que estava muito feliz.

– Boa noite mãe, e obrigado por tudo. Você é a melhor mãe do mundo.

– É fácil ser uma boa mãe, quando se tem um ótimo filho. Eu te amo.

– Eu também te amo. – disse emocionado.

– Tchauzinho. – disse Melinda saindo e fechando a porta.

– Nossa Jimmy, você tinha razão a sua mãe é mesmo incrível. Quem me dera a minha fosse assim também. – disse Nathan pensativo.

– Não fica assim meu amor, no começo pode ser mais difícil, mas depois tudo se resolve você vai ver. – disse o abraçando bem forte. – Agora vem comigo, vamos ver um filme de terror lá no meu quarto.

Os dois então subiram as escadas felizes e apaixonados.

*****

Enquanto isso na casa de Peyton, ela continuava presa no escritório e falando com a atendente do 911, quando ouviu um barulho do lado de fora.

– Mas quando é que a polícia vai chegar aqui? Ficar calma? Você não esta me entendendo, esse cara já me perseguiu uma vez, ele quer me matar.

– Eu entendo o seu medo, e acredite tudo o que pude fazer eu fiz, mas as regiões norte e centro oeste da cidade continuam alagados e esta impossível de qualquer veículo passar nesses locais. Que barulho foi esse? Tem alguém te ligando.

– Espera… Eu vou atender outra ligação aqui. – disse Peyton colocando a ligação em modo de espera. – Alô…

– Peyton, Peyton… Facilita a entrada pra mim, sua menina má. Esta frio aqui fora e chovendo muito, desse jeito eu vou acabar me resfriando. – disse rindo. – Se você não abrir, eu vou entrar por bem ou por mal.

– Eu quero mais é que você morra! Vai pro inferno seu desgraçado. – disse desligando e em seguida voltou a falar com a atendente.

– Era ele. O maldito fica me ligando de um número desconhecido, dizendo que quer entrar. – disse apavorada.

– Peyton presta bem atenção. Se ele ligar de novo, você vai enrolar ele na linha por pelo menos um minuto ta ok? Que é pra eu tentar rastrear o número desse bandido, seja ele quem for. Não importa o que você diga, mas mantenha ele na linha.

– Tudo bem, eu vou tentar.

– Agora se esconda de novo e tente se manter segura. Encontre alguma coisa pra se defender, um taco de baseiboll, uma faca, sei lá… Mas esteja preparada para atacá-lo caso ele entre. Nós ainda não sabemos quando essa tempestade vai passar ou quando a polícia vai conseguir chegar ai. Por isso se for preciso, defenda-se.

Peyton então foi depressa até a cozinha e abrindo as gavetas ela pegou uma faca e depois voltou para sala, ficando escondida atrás do sofá.

*****

Na casa de Alicia, sua mãe lhe passava o maior sermão.

– Eu estou esperando Alicia. Você deve uma explicação a mim e ao seu pai do porque você faz isso? Eu passei a maior vergonha hoje e quase tive um infarto quando fiquei sabendo pela mãe da Rochelle o que você anda fazendo. – disse em meio ás lágrimas. – Porque Alicia, por quê?

– Eu não sei ta bom? – gritou ela depois de ficar só ouvindo. – Me deixa em paz!

– Te deixar em paz? Você é minha filha e embora não pareça pelo meu jeito mais frio e sério, eu te amo e me preocupo com você.

– Ah se preocupa? Engraçado porque você e o papai nunca demonstraram isso. Quantas vezes eu precisei de vocês, quantas vezes eu quis ser ouvida, ter um ombro pra chorar, um abraço apertado ou até mesmo receber um carinho, um afeto? O papai sempre preferiu a Elena a mim, e até mesmo você mãe sempre me disse que preferia que ela fosse sua filha e não eu.

– Porque você não reagia, você só ficava quieta no seu canto, não tinha amigos, não era uma garota popular, nem uma líder de torcida… E eu queria mais pra você, minha filha. Eu não entendo porque você se fechou tanto pra vida, pras coisas…

– Porque vocês me fizeram ser assim, com tantas cobranças e comparações com a Elena, e sempre deixando claro que ela era melhor do que eu. Vocês são os culpados por eu me cortar. – gritou Alicia chorando. – Mas eu sou mais ainda por permitir que vocês me atingissem e por ter sido fraca. E eu me odeio por isso. Agora sai do meu quarto!

– Alicia você não vai fazer nenhuma besteira, me promete filha, por favor! Logo o seu pai chega em casa e nós vamos conversar e encontrar uma maneira de te ajudar, escuta filha…

Alicia foi empurrando a mãe para fora do quarto e depois fechou a porta, trancando-a em seguida.

– Alicia me escuta, por favor! Alicia…

Alicia ficou chorando encostada na porta até que foi escorrendo seu corpo e ficou sentada no chão.

*****

– Você esta com fome, quer que eu prepare alguma coisa pra gente comer? – perguntou Ross a Hollie que estava nua e deitada em seu peito, coberta apenas por um lençol.

– Eu poderia dizer que não, mas eu não vou mentir pra você… Eu estou faminta. – disse sorrindo. – Com toda a agitação dos últimos dois dias, eu quase não comi direito, perdi até a fome.

– Eu te entendo de verdade, mas você precisa comer, tem que se alimentar pra parar de pé e ser forte, porque tanto a sua mãe quanto o seu irmão vão precisar de você. E agora você tem a mim também, conta comigo. – disse dando um beijo terno em sua testa.

– Olha Dylan, nós tivemos uma noite maravilhosa, eu amei ter ficado com você, mas não vamos fazer disso algo maior do que realmente é. Eu não estou preparada pra um relacionamento mais sério, ainda mais agora. Eu nem tenho cabeça pra isso. – disse com cuidado, tentando escolher bem as palavras para não magoá-lo.

– Claro, tudo bem. Eu entendo. – disse sem graça. – Talvez eu tenha me expressado mal, eu só quis dizer que você pode contar comigo pro que precisar, que eu vou estar do seu lado.

– E como amiga, eu te agradeço. Muito obrigada. – disse também sem graça e em seguida se levantou e começou a se vestir.

– Bom, eu vou preparar uma massa pra gente que eu sei fazer que é de comer rezando, como diria minha avó. – disse sorrindo.

– Obrigada Ross, mas eu lembrei que tenho que resolver umas coisas e a minha casa também esta uma bagunça, eu tenho que ver como o Tyler esta, enfim… Fica pra outro dia, ta bom? – disse sem encará-lo.

– Hei você não precisa ir embora correndo também, ainda esta chovendo e muito lá fora e depois eu você disse que esta com fome, eu vou preparar algo pra gente comer.

– Esta tudo bem, chegando em casa eu como alguma coisa. E depois a chuva já diminuiu um pouco, da pra eu ir dirigindo.

– Você vai ficar bem? – perguntou preocupado.

– Vou sim, não se preocupe. Eu sei me cuidar. Mais uma vez Ross, obrigada por tudo e boa noite. – disse saindo do quarto e descendo as escadas.

Ross meneou a cabeça inconformado com a situação e depois se jogou na cama desolado.

– Que droga, Hollie! Estava tudo indo tão bem, porque nós tínhamos que estragar tudo…

*****

– Porque você não me deixa em paz? Quem é você afinal, me diz seu covarde. Eu e meus amigos quase morremos no colégio por sua causa, você atropelou a Erin, agora esta querendo me matar também, eu só queria entender qual o motivo disso tudo? E a Elena, foi você quem a matou também?

– Você esta querendo saber demais menina má… O que importa agora e esta em jogo é a sua vida. É por ela que você devia estar lutando e não ficar bancando a curiosa intrometida. Me responde uma coisa… Você esta preparada pra me encarar de frente? Você não imagina o que te espera, sua vadia!

– Eu quero que você morra, seu desgraçado! – disse desligando a ligação e voltou a falar com Joane. – Joane você esta ai?

– Estou sim, Peyton. Você foi perfeita, eu estou rastreando o número dele. Consegui…

– E então quem é esse miserável?

– Não há nenhum registro, Peyton. Provavelmente ele esta usando um celular descartável. Agora Peyton, tente manter a calma, não se assuste e nem esboce algum tipo de reação…

– Do que você esta falando Joane? – perguntou curiosa.

– Peyton escuta… Eu tenho a localização dele, e ele esta dentro da casa.

Peyton respirou fundo e em seguida prendeu a respiração, ficando branca e inerte de tanto medo. Seus braços ficaram moles e ela deixou o celular cair no chão.

– Peyton, Peyton você esta me ouvindo…

Aos poucos Peyton foi voltando a si, e pegou o telefone do chão. Depois ela se virou para voltar pra sala, mas a pessoa que invadiu a casa usando a máscara da morte e roupas pretas, surgiu na sua frente, a fazendo gritar de pavor.

– Olá Peyton. Obrigado por deixar a porta da garagem aberta. Esta sendo um prazer conhecer a sua casa. – disse indo até ela, que correu dando a volta na bancada da cozinha e saiu correndo disparada para subir as escadas.

Peyton subiu as escadas e percebendo que a ligação tinha caído, ela ligou para Brandon na mesma hora. – A morte que foi logo atrás dela acabou tropeçando na escada, mas mesmo assim ainda conseguiu pegar Peyton pelo tornozelo, a fazendo cair e rolar escada abaixo junto com ele.

– Alô… Peyton? Fala mais alto eu não estou te ouvindo…

– Brandon socorro! Me ajuda, por favor… Ele esta aqui. – gritou desesperada.

– Quem esta ai Peyton? Peyton, me responde. – disse angustiado.

A morte tentava a todo custo pegar Peyton pelos pés, enquanto ela tentava se desvencilhar dela o tempo todo, travando uma verdadeira batalha entre a vida e a morte. – Ela começou a procurar pela faca e a viu no degrau da escada. Peyton então se arrastou para pegá-la, mas não conseguia chegar já que a morte a todo momento a segurava. Depois de muito tentar se soltar sem sucesso, Peyton num ato rápido e desesperado impulsionou seu corpo para frente ganhando impulso para logo em seguida acertar um chute bem na cara do assassino que caiu sentindo o impacto da dor. Ela então aproveitou para alcançar a faca e ao mesmo tempo, ele se levantou para impedi-la, porém Peyton foi mais rápida e se virou depressa cravando a faca na perna dele.

O assassino desconhecido ficou caído no chão sentindo a dor e depois levou a mão até a faca a arrancando de uma vez e logo em seguida desmaiou. – Peyton então começou a chorar e pegou o celular para falar com Brandon, mas o aparelho não ligava, sua bateria havia acabado.

*****

Na casa dos Cooper, a prefeita conversa com o filho sobre a demora do Paul, seu marido.

– Você já ligou pro celular do seu pai, Andrew? – perguntou preocupada.

– Umas cem vezes mãe, e da última vez que você me pediu se passaram só dois minutos. Tenta se acalmar, não deve ter acontecido nada. Vai ver o papai ficou preso com a chuva, só isso. – disse Andrew tranqüilo.

– Só isso, e você diz isso com essa tranqüilidade? Pois é justamente por causa do temporal que eu estou preocupada. Você não ouviu no rádio que várias partes da cidade estão alagadas? Que Deus proteja o seu pai, onde ele estiver.

– Mãe… Eu posso te fazer uma pergunta?

– Quem pergunta Andrew? Eu não estou com cabeça pra mais nada agora. Mas já que você começou, vai pode perguntar…

– A senhora confia de verdade no papai? Acredita mesmo na inocência dele e que ele nunca tocou na Elena?

– Mas que pergunta mais boba, filho… É claro que eu acredito, caso contrário eu não teria me empenhado tanto pra tirá-lo da cadeia.

– E a senhora não se lembra de nada suspeito, uma mudança no comportamento da Elena na época que pudesse justificar o abuso?

– Mas o que é isso? Que interrogatório é esse agora? Já não basta tudo o que nós passamos na delegacia, você agora inventa de querer bancar o detetive também? A implicância da Elena com o seu pai, era pelo simples motivo de eu ter seguido em frente e me casado de novo depois que me separei do pai dela, e ela nunca aceitou isso, ponto. Quantas vezes eu vou ter que repetir essa história? Você acha mesmo que eu como mãe seria tão omissa a ponto de fechar os meus olhos pra uma coisa tão grave como essa envolvendo a minha própria filha? Por mais que a gente tivesse as nossas diferenças, eu amava a sua irmã e homem nenhum nunca foi e nunca será mais importante pra mim do que os meus filhos. Vocês sempre estarão primeiro lugar pra mim. – concluiu emocionada.

Andrew ficou calado diante a declaração da mãe, e o silêncio ecoou por toda casa, até que o telefone tocou assustando Adison.

– Meu Deus! Quem será? Telefone tocando a uma hora dessas nunca é coisa boa. – disse Adison aflita. – Andrew atende pra mim, filho.

– Claro, mas não se preocupe mãe, não dever ser nada demais. – disse indo até o telefone. – Alô… É ele mesmo que esta falando, quem é? Oi senhora Edwards, como vai?

– O que será que essa mulher quer?

– Não tudo bem, a senhora fez bem em ter me ligado. Em dez minutos eu chego ai, tchau.

– Que foi Andrew? O que ela queria com você?

– Parece que ela e a Alicia brigaram por causa da condição da Alicia e agora ela se trancou no quarto e a senhora Edwards esta com medo que ela se corte de novo.

– Mas ligar pra você, o que você tem a ver com isso?

– Mãe eu amo a Alicia, e eu prometi a ela e a mim mesmo que eu vou salvá-la, custe o que custar. E não adianta a senhora ou papai ser contra, porque eu não irei desistir dela. Boa noite.

– Andrew espera, volta aqui… Vê bem aonde você esta se metendo filho, essa garota sempre foi muito problemática. Ai meu Deus, daí um pouco de juízo pra esse meu filho.

*****

Depois de uma longa e conturbada noite, a tempestade finalmente passou e com ela todos os corações também puderam se acalmar. – Andrew foi o mais rápido que pode na casa de Alicia e chegando lá com medo do pior, ele arrombou a porta do seu quarto e encontrou Alicia no banheiro com a porta aberta e uma gillete na mão prestes a se cortar novamente.

*Sorry – Halsey

– Andrew! – exclamou surpresa e chorando. – O que você veio fazer aqui?

– A sua mãe ficou preocupada com você e me chamou… Não faz mais isso Alicia, por favor! Eu vou te ajudar a passar por isso, vem comigo. – disse estendendo a mão para ela.

Alicia entregou a gillete para ele que jogou no lixo imediatamente e logo em seguida pegou o lixo e entregou para Norah que estava atrás dele e chorava muito.

– Obrigada. – disse sussurrando e foi saindo do quarto devagar.

Andrew então pegou Alicia no colo e levou ela até a cama, onde a deitou e cobriu ela com uma manta. Depois ele se deitou também ao lado dela e a abraçou bem forte, tentando acalmá-la. – Da porta Norah viu a cena comovida, e depois saiu, deixando os dois a sós.

A coisa mais interessante de uma tempestade, é você perceber sem nunca ter sequer imaginado, que poder ser mais forte que ela.”

Andrew Cooper

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*Only Hope – Mandy Moore

No Centro Médico de Village Falls, Melinda e Beth conversavam relembrando seus velhos e bons tempos e o que não faltava eram risos, abraços e muita emoção. Além do calor humano, respeito e amor entre duas amigas que viveram juntas momentos inesquecíveis e que agora enfrentavam o triste fim de uma despedida.

Muitas vezes, algumas tempestades chegam em nossas vidas, apenas para testar a força de nossas raízes e da nossa fé.”

Melinda Parker

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Eu não medo da morte, mas sim de deixar os meus filhos sozinhos. Venho de tantas tempestades, que já até perdi o medo da chuva.”

Beth Malone

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*Apologize – One Republic & Timbaland

Na casa de Hollie, ela aproveitava o silêncio da casa para ouvir uma música e organizar tudo. Então depois de prender os cabelos, ela arrastou os móveis, e começou a limpar tudo. Varrendo o tapete, tirando o pó, colocando a roupa na máquina pra lavar, enquanto saboreava uma maçã, com os seus pensamentos longe daquilo tudo: Na mãe, no irmão e agora também em Ross. Será que ela agira certo com ele? – pensou demonstrando um pouco de arrependimento, depois voltou a fazer suas tarefas.

Na vida, ás vezes tudo o que você precisa fazer é abaixar a sua cabeça, fazer uma oração e resistir as tempestades que virão.”

Hollie Malone

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Ross terminou de fazer a sua massa e depois sentou-se no sofá, ligando a TV num filme de comédia qualquer que estava passando. – Mas ele se sentia solitário, e não conseguiu achar graça naquele filme como de costume em outras vezes. E logo ele encostou o prato, e desligou a TV ficando pensativo.

Eu penso que viver, muitas vezes não é esperar a tempestade passar, mas sim aprender a dançar na chuva. Se não formos corajosos e fortes o suficiente diante dela, como iremos saber?”

Dylan Ross

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*Naked – James Arthur

Jimmy e Nathan nus na cama, faziam amor pela primeira vez… Era incrível como eles tinham sintonia e como os seus corpos se encaixavam. Os dois estavam muito felizes e só queriam viver aquele amor em toda a sua plenitude, e sem se preocupar com os outros e com as tempestades que ainda viriam.

Valorize sempre as pessoas que ficam com você, te ajudam, te apóiam e estão sempre do seu lado durante as tempestades, porque em dias de sol, a praia fica cheia.”

Jimmy Parker

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*Green Light – Lorde

Depois de passar quase uma hora encostada na porta de entrada, desolada, destruída e sem forças, Peyton se levantou ao escutar o barulho de um carro estacionando. E ao olhar pelo olho mágico, ela viu Brandon apressado vindo na sua direção, ela então abriu a porta depressa e começou a chorar.

Brandon correu até ela ao perceber o seu estado e preocupado a abraçou e começou a beija sua testa e fazer um carinho nela.

– Esta tudo bem, vai ficar tudo bem agora Peyton. A polícia já esta vindo, eu estou aqui com você… Tudo vai ficar bem.

– Eu pensei que ia morrer Brandon, eu estou com muito medo. Eu não quero ficar sozinha nessa casa, me leva daqui, por favor. – disse implorando aos prantos para Brandon.

– Eu não vou te deixar sozinha, você vai ficar comigo na minha casa, eu vou cuidar de você, prometo. – disse olhando nos olhos dela. – Onde ele esta?

– O assassino? Eu feri a perna dele com a faca, ela esta caído lá no chão da sala perto da escada.

– Espere aqui…

Brandon foi andando devagar até a sala de star e quando chegou perto da escada, ele não acreditou no que viu, além de uma poça de sangue.

– Peyton corre aqui…

Peyton foi depressa até a sala e se colocou ao lado de Brandon, chocada.

– Eu não entendo… Ele estava aqui até poucos minutos atrás, estava com a perna sangrando. Pra onde será que ele foi?

Brandon a abraçou tentando consolá-la e juntos eles aguardaram a polícia chegar.

Dizem que depois da tempestade sempre vem a calmaria. Eu só espero que essa tempestade em nossas vidas acabe logo, e que não nos traga maiores danos.”

Brandon Clark

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Dois dias depois…

Na delegacia de Village Falls, a prefeita Adison e Paul seu esposo, teriam uma conversa muito importante com o detetive Ross.

– Como é que é? Deixa eu ver se entendi direito… Vocês querem retirar a acusação contra o Tyler por ter tirado fotos indevidas da Elena? – perguntou surpreso.

– É isso mesmo detetive. O Paul e eu conversamos melhor e chegamos a conclusão de que agora com a doença da senhora Malone, tudo o que aquela família mais precisa é de paz, e nós também. – disse Adison sorrindo para Paul e pegando em sua mão. – Depois o garoto não fez nada de mais e nós o perdoamos.

*****

*She Has No Time – Keane

Na rodoviária de Villa Falls, Tyler vinha correndo e olhando para todos os lados. Ela havia ligado cedo pra ele contando sobre a sua decisão e até mesmo o convidara para ir com ela. – De repente ele a avistou na fila já para entrar no ônibus e gritou seu nome:

– Erin! Erin…

Erin então saiu da fila e pediu ao motorista que a aguardasse um pouco.

– Que telefonema foi aquele? – perguntou ofegante por ter corrido. – O que você pretende fazer meu amor?

– O que eu te disse, correr atrás do meu sonho. E pra isso, eu terei que ir embora de Village Falls. – disse decidida.

– E os seus pais, eles já estão sabendo que você vai embora?

– Ainda não. Eu conversei com eles, expliquei tudo, disse o quanto eu queria seguir essa carreira e a grande oportunidade que eu havia recebido, mas nada adiantou. Pra eles eu tenho que continuar aqui servindo na igreja e cantando só música gospel. E eu quero muito mais pra mim, sempre quis… Eu preciso mostrar o meu talento pro mundo.

– Você esta fazendo tudo errado, Erin. Me escuta, não toma nenhuma decisão precipitada que você possa vir a se arrepender depois. Os seus pais logo vão ficar sabendo e irão atrás de você.

– Quando eles souberem, eu já estarei bem longe daqui. Qual é a sua hein, Tyler? Eu pensei que você me apoiasse, que estivesse do meu lado.

– E estou meu amor, pode acreditar. Mas as coisas não podem ser resolvidas dessa maneira. Pensa melhor, eu falo com os seus pais.

– Não há mais nada o que pensar, já esta decidido. Eu vou pra Nova York gravar meu disco e depois sair em turnê pelo mundo. As oportunidades são raras e muitas vezes só acontecem uma vez na vida, Tyler. Por isso não devemos perdê-la, ou caso contrário termos motivos suficientes pra nos arrepender pro resto da vida.

– Eu vou sentir muito a sua falta, eu preciso de você aqui do meu lado, nesse momento tão difícil que eu estou enfrentando. – disse chorando. – Eu não estou sabendo lidar com doença da minha mãe e do fato de ter que me despedir dela daqui algum tempo. Fica comigo Erin, eu não vou suportar sem você aqui, meu amor.

– Eu sinto muito Tyler, de verdade. Mas eu esperei por isso a minha vida inteira e não irei virar as costas pra isso, agora que tudo aconteceu e eu estou prestes a realizar o meu sonho. – disse com pesar. – Porque você não vem comigo?

– Eu não estou ouvindo isso? – disse rindo. – Não de você, a garota mais inteligente, sensata, honesta e de bom coração que eu já conheci em toda minha vida. Você acha mesmo que eu seria capaz de largar tudo e ir com você pra Nova York, deixando a minha mãe aqui doente e prestes a morrer? Como você pode ser tão egoísta, me pedindo uma coisa dessas, Erin? Nada é mais importante que a minha mãe nesse momento, nada.

– Então porque eu deixaria de fazer algo tão importante, como a realização de um sonho pra ficar aqui com você, me diz? Acho que eu me enganei em relação a você, Tyler. Você não é o garoto certo pra mim.

– Ótimo! – gritou ele. – Porque você também não é garota que sempre sonhei pra estar do meu lado. Estamos quites.

– Estamos sim, agora com licença porque eu tenho que pegar o ônibus pra Nova York. – disse dando as costas pra ele.

– Erin espera, me desculpa… Nós estamos nervosos e falando coisas que não devíamos, tudo o que nós vivemos não pode terminar assim.

– Enfrente a realidade, Tyler. Já acabou e de agora em diante, cada um segue o seu caminho. Eu desejo tudo de bom pra você, e pra sua família. Adeus…

– Não faz isso, Erin. Por favor, eu te imploro. – disse Tyler caindo de joelhos e implorando para que ela não fosse embora.

Erin deu as costas para ele e começou a chorar não deixando que ele percebesse e indo até o ônibus sem olhar para trás. – Depois que ela entrou e se acomodou, não demorou muito para que o motorista dessa a partida, e logo Tyler se levantou e ainda chorando, ele correu atrás do ônibus batendo na lateral dele, embaixo da janela de Erin que colocou os fones no ouvido e começou a ouvir música, seguindo viagem.

Tyler ficou para trás chorando e cheio de raiva, ele chutou a lata de lixo pra bem longe. Pela primeira vez em sua vida, ele estava sofrendo por amor.

*****

CONTINUA…

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