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Episódio 03 – Ameaças Anônimas

 

“As pessoas não mudam. Elas só descobrem maneiras novas de mentir.”

Peyton Martinez

 

*****

Minha relação com Elena Cooper, sempre foi de amizade, cumplicidade, cordialidade e confiança. Até o momento em que o garoto que eu amava, escolheu ela para amar. Quando o Quarterback do time de futebol americano do colégio, Brandon Clark começou a namorar a minha melhor amiga, eu senti uma raiva tão grande que eu tive vontade matar Elena Cooper? Mas só vontade, porque na verdade eu jamais seria capaz de matar um inseto, por pior que ele fosse. Eu não conseguia ver os dois juntos, muito menos aceitar que ele havia escolhido ela e não a mim, pra ser a sua garota. Afinal o que Elena Cooper tinha que eu também não tinha e muito melhor do que ela? Eu era a mais rica, a mais linda, simpática e atenciosa garota de todo o colégio, que garoto em sã consciência não iria querer uma garota como eu? Fala sério, a Elena sempre foi tão sem graça. Ta certo que ás vezes eu era uma vadia com as pessoas, mais até onde eu sabia, não era pecado nenhum querer se dar bem na vida e ser sempre a melhor em tudo. Eu era Peyton Martinez, a líder de torcida e It girl mais linda, rica e popular de todo o colégio. Todas as garotas queriam ser igual a mim, e todos os garotos me queriam e desejavam. Eu só nunca entendi, porque a Elena nunca quis ser como eu, e porque o cara que eu amava e amo, Brandon Clark… Nunca me quis? Mas agora com a Elena morta e definitivamente fora do meu caminho, tudo irá mudar. E a meu favor, prometo!”

Peyton Martinez

*****

– Eu não acredito nisso. Estava tudo indo tão bem, o idiota do Tyler tinha que ter estragado tudo. – dizia Peyton inconformada. – Essas malditas investigações e interrogatórios vão acabar com as nossas vidas e vão tirar a nossa paz.

Peyton começou a chorar descontrolada e a quebrar todo o seu quarto de tão nervosa e inconformada que ela estava.

– Mas deixa aquele imbecil comigo… Ele vai se arrepender por estar atrapalhando os meus planos. Ele não perde por esperar. – disse Peyton com o olhar distante e fulminante diante do espelho. – Palavra de Peyton Martinez.

*****

Na delegacia de Village Falls, a oficial Hollie Malone colocava o detetive Ross a par de tudo o que seu irmão Tyler lhe contara:

– Quer dizer então que esses jovens podem estar escondendo alguma coisa sobre a morte da Elena, ou até quem sabe na pior das hipóteses um deles pode ser o próprio assassino dela. – concluiu pensativo.

– Exatamente. E por mais que seja difícil eu admitir isso, mas eu sei que até o meu próprio irmão, pode ter matado a Elena. – disse triste e pensativa.

– Hollie não fica assim, é o seu trabalho agora. Faz parte. E depois nós não temos certeza de nada ainda, apenas que esses jovens possam estar escondendo alguma informação que venha a nos ajudar nas investigações. Agora você terá que ser fria e forte, porque o Tyler a partir de agora não é seu só o seu irmão, enquanto pra nós ele também for um suspeito. – falou o delegado Ross categórico.

– Eu sei. Você tem razão, e eu prometo que vou saber bem como separar as coisas.

– Ótimo. Agora e quanto às intimações? Já foram todas enviadas? Eu quero começar a investigar esses jovens o mais rápido possível. O quanto antes resolvermos esse caso, melhor.

*****

A prefeita Cooper ainda estava em casa quando Andrew seu filho, contou tudo pra ela que ficou revoltada e cética quanto a tudo o que foi dito sobre sua filha na festa, na noite do crime.

– Mas isso que você esta me dizendo é muito grave! – disse Adison se levantando agitada do sofá. – O que os amigos de vocês fizeram contra a Elena chega a ser uma injustiça. A Elena não era assim… Preconceituosa, desprovida de valores, e ela também não se achava melhor do que ninguém e muito menos desprezava as pessoas por causa disso.

– Eu sei disso mãe. Agora porque eles estavam convencidos disso? Eu infelizmente não estava lá pra saber o que aconteceu direito, a Peyton me deixou de fora justamente por ser irmão da Elena, porque é claro que eu estando presente jamais permitiria que eles a agredissem de tal forma. A surpreendendo da maneira que foi e sem ter dado a ela nenhum tipo de defesa. 

– Isso não pode ficar assim. Eu vou até a delegacia falar com o Detetive Ross, ele vai ter que arrancar a verdade desses jovens custe o que custar. – falou decidida. – Eles podem até não ter matado a minha filha, mas eu não vou sossegar até que tudo seja esclarecido, porque mesmo sem querer eles podem ter empurrado a Elena pra morte e eles vão ter que lidar com isso… Com o peso de suas consciências pro resto da vida. A integridade da minha filha será restabelecida, eu juro pela alma dela.

*****

O Pastor Griffin já estava de saída com sua esposa e a filha para mais um culto na igreja, quando a campainha tocou e ele foi atender a porta. Um rapaz sério e bem vestido olhou para o pastor.

– Pastor Griffin? – perguntou em tom de dúvida.

– Sim, sou eu mesmo. Em que posso ajudá-lo?

– O senhor esta recebendo uma intimação para comparecer até delegacia, basta assinar aqui. – Disse o rapaz entregando o documento ao pastor e indicando onde ele deveria assinar.

– Intimação? Mas do que se trata isso? – perguntou surpreso e preocupado.

– Me desculpa senhor, mas eu não faço ideia do que se trata, eu sou apenas o mensageiro.

Victória e Erin olhavam espantadas uma para a outra, mas no fundo Erin suspeitava do que se tratava.

– Claro, eu entendo. Onde eu tenho que assinar, aqui? Muito bem, obrigado. – disse o pastor fechando a porta e começando a abrir o envelope.

– E então meu amor, do que se trata? – perguntou Victória preocupada.

– Trata-se de uma intimação no nome de Erin Marie Griffin, que por ser menor de idade, deve comparecer junto do responsável e de um advogado.

– Erin! Minha filha, o que foi que você aprontou? – perguntou Victória surpresa.

– Nada demais. Mas eu acho melhor vocês saberem de toda a verdade agora… 

Erin então se sentou no sofá e começou a contar tudo aos pais, que foram ficando cada vez mais surpresos com toda aquela história.

*****

Charlie ficou furioso com a intimação que recebera, enquanto Norah estava perplexa, e os dois foram direto até o quarto de Alicia, esclarecer o que estava acontecendo.

– Alicia! Você pode me dizer o que significa isso? – perguntou nervoso balançando o papel no alto.

Alicia que estava terminando de se vestir, cobriu logo os braços com a manga de sua blusa.

– Que isso gente, vocês não batem mais na porta não? – falou indignada.

– A questão aqui agora é outra garota. Quer me explicar o que significa isso? – perguntou Charlie nervoso mostrando o documento pra ela.

– O que foi que você aprontou dessa vez Alicia? – perguntou Norah, sua mãe.

Alicia pegou o papel e começou a ler. Quando ela viu que se tratava de uma intimação em seu nome, ela disfarçou e resolveu mentir.

– Eu não faço à mínima ideia do que isso significa. Vai ver é por causa da morte da Elena, eles devem estar chamando vários jovens para depor. – explicou meio insegura.

– É pode ser. Eu só espero não ter nenhum tipo de surpresa quando chegar à delegacia no dia e hora marcados. – disse Charlie sério e mais calmo.

*****

Melinda estava preparando um sanduíche para o filho Jimmy levar ao colégio, quando a campainha tocou.

– Ué tão cedo e já temos visita… Quem será? – disse Melinda enquanto se dirigiu até a porta. – Pois não, em que posso ajudá-lo?

– Eu trouxe uma intimação, é só assinar aqui senhora. – disse mostrando o local indicado.

– Intimação… Mas pelo que eu saiba nada aconteceu, eu não me ofereci de testemunha pra nada, que estranho… 

Melinda assinou o papel e depois recebeu a intimação da mão do rapaz, fechando a porta logo em seguida. Depois ela abriu o envelope e começou a ler do que se tratava. – de repente, Jimmy apareceu já vestido para ir ao colégio.

– Bom dia mamãe. – disse sorridente. – Aconteceu alguma coisa, a senhora esta com uma cara…

– Olha só o que acabou de chegar pra você, filho. Uma intimação pra você ir depor na delegacia. Do que se trata filho? Jimmy Parker, você andou aprontando alguma? – indagou com as mãos na cintura.

– Claro que não mãe. Eu hein… Eu nem mesmo sei do que se trata tudo isso. – disse nervoso.

– Bom de qualquer modo eu terei que comparecer na data e hora marcada com você na delegacia de Village Falls, já que você é menor de idade e eu sou a responsável por você.

– Que seja. Agora eu tenho que ir para o colégio, eu já estou atrasado. Tchau mãe.

– Hei, espera… O seu sanduíche filho. – disse indo até a cozinha pegar. – Toma. E não esquece o que a mamãe te diz todos os dias, você é um garoto muito especial por ser quem é. Nunca deixe que nada e nem ninguém te diga o contrário, ouviu? Cabeça erguida filho, a mamãe te ama muito e tem muito orgulho de você.

– Obrigado mãe. Eu também te amo… A senhora é incrível. – disse emocionado e depois saiu.

*****

Beth Malone havia acordado se sentindo melhor naquela manhã. As dores haviam lhe dado uma trégua e ela estava muito feliz pelo dia ter começado bem, até o momento em que recebeu o oficial de justiça que lhe entregou uma intimação no nome de Tyler.

– Tyler! – gritava preocupada. – Desce aqui filho. Rápido, por favor.

– O que foi mãe? Que gritaria é essa logo de manhã? – disse ele descendo as escadas.

– Chegou uma intimação em seu nome, mas é claro que eu terei de te acompanhar já que você ainda é menor. E eu estou aqui só me perguntando o que será que você aprontou dessa vez garoto?

– Te garanto que eu não fiz nada e nem imagino do que se trata dona Beth. – disse Tyler tranqüilo.

– Deve ser por causa da morte da Elena, o Detetive Ross ia mesmo intimar alguns alunos do colégio. – disse Hollie entrando na sala tomando uma xícara de café. – É de praxe e vocês não devem se preocupar.

– Diz isso pra dona Beth Malone aqui, porque eu não estou nem um pouco preocupado irmãzinha. Bom dia pra vocês. – disse dando um beijo no rosto da irmã e da mãe, e depois saiu para o colégio.

– Mas era só o que me faltava agora viu…

– Mãe, eu sou da polícia agora e estou te dizendo: Relaxa. É só um depoimento e nada mais.

– Bom se você diz, é porque deve saber o que esta dizendo não é mesmo? Mas mesmo assim eu me preocupo. Espera até você ser mãe pra ver como é que funciona essas coisas. – disse Beth se levantando do sofá e saindo da sala.

*****

Na casa dos Martinez, Peyton indignada falava sozinha.

– Mas isso é um absurdo! Onde já se viu Peyton Martinez recebendo uma intimação? Ah mas eu vou contatar o meu advogado e mandar processar aquele delegado de merda. – disse rasgando a intimação em pedacinhos.

– A Senhorita Martinez não acha melhor ligar para os seus pais e lhes contar tudo o que esta acontecendo? – sugeriu sua empregada com receio.

– Você ficou maluca, Zoila? É claro que eu não vou incluir os meus pais nisso. Já imaginou se eles tiverem que se abalar de Nova York por causa de um depoimento bobo desses, um assassinato de cidade pequena e totalmente sem importância nenhuma? É bem capaz de eles me mandarem passar uma temporada no Alaska, só pra se verem livres de mim.

Depois de respirar fundo, Peyton resolveu se sentar foi quando a campainha tocou.

– É hoje, meu Deus! Quem será assim tão cedo? Vai atender a porta Zoila, ta esperando que?

– Sim senhorita Martinez. 

Peyton começou a tomar o seu café quando a prefeita entrou apressada na sala.

– Senhora Cooper? – disse surpresa. – Bom dia. Que surpresa… A que devo a honra da sua visita? A senhora esta servida tomar café comigo? Zoila por favor, traga outra xícara.

– Não obrigada. Não precisa se incomodar comigo… Eu sai bem cedo de casa e já tomei o meu café. – disse Adison séria e um pouco agitada. – Depois a minha visita vai ser bem rápida.

– Bom nesse caso, então me acompanhe até a sala de visitas senhora prefeita. – Disse Peyton toda simpática ao se levantar. – Sabe que nesses anos todos em que eu e a Elena fomos amigas, a senhora nunca veio até minha casa. Essa é a primeira vez. Mas sente-se e fique a vontade senhora Cooper.

– Não será necessário Peyton. Como eu disse a visita é bem rápida e eu estou com pressa.

– Entendo. – disse olhando para ela sem saber mais o que dizer. – Senhora Cooper, eu gostaria que você soubesse que eu adorava a Elena e que eu sinto muito pela sua perda.

– Deixa de ser cínica garota. Eu já estou sabendo de tudo. E se você gostasse mesmo da minha filha como diz, não teria feito o que fez com ela naquela festa que aconteceu aqui na sua casa horas antes, na noite do crime. Portanto chega de se fazer de boazinha e vamos colocar as cartas na mesa agora. Porque você armou pra Elena, colocando todos os seus amigos contra ela?

Peyton ficou séria e depois começou a rir descontroladamente enquanto andava pela sala, até que Adison sem paciência foi até ela, e a pegou pelo braço.

– Qual é o seu problema, hein garota? Ta rindo do quê menina? Eu te fiz uma pergunta simples, direta e exijo uma resposta clara e objetiva.

– Ah, a senhora quer uma resposta? Bom se isso vai fazer com que você durma melhor a noite, aqui vai ela… A verdade é que a sua filhinha querida, era uma farsa. – gritou ela. – Isso mesmo, porque o espanto? A senhora acha que conhecia muito bem a Elena dentro de casa, mas não sabe da metade que ela aprontava por ai… De santinha, ela nunca teve nada.

Adison ficou tão nervosa com as palavras de Peyton, que acabou perdendo a cabeça e deu um tapa na cara dela.

– Eu conhecia muito bem a minha filha. Não ouse dizer mentiras sobre ela na minha cara. Como nós podemos nos enganar com você, me Deus! A Elena deve ter sofrido muito com tudo isso… Eu só quero que você e o seus amigos saibam que eu vou até o fim nessa história toda pra provar que a Elena não era esse monstro de ser humano que vocês estão dizendo. Eu devo isso à alma dela. E agora que a polícia esta do meu lado e é pra eles que vocês irão prestar esclarecimentos. Tenha um bom dia. – disse Adison passando por ela e saindo sem nem olhar para trás.

Peyton então segurou o rosto e com o olhar de ódio declarou:

– Você ainda vai me pagar sua ordinária! Pode apostar que vai.

*****

*Paper Love – Allie X

No Colégio Village Falls todos voltavam ás aulas normalmente depois de decretado três dias de luto na cidade pela morte de Elena Cooper. E seu irmão Andrew foi um dos primeiros a chegar pois queria muito tirar uma história a limpo.

– Hei Jimmy. Será que eu posso falar com você um minuto? – perguntou gentil.

– Nossa que educado, senhor Cooper. Onde está toda aquela agressividade e as brincadeiras de mau gosto que você e os seus amigos costumam ter pra me receber quando eu chego ao colégio todos os dias?

– Olha só cara, eu tenho coisas mais importantes com o que me preocupar agora. Se isso vale de alguma coisa, eu te peço desculpas por tudo o que eu já te fiz até hoje. Era reconheço que não foi legal e eu te prometo que nunca mais irei pegar no seu pé por causa da sua opção sexual… Amigos? – disse estendendo a mão para Jimmy.

– Não me leve a mal Andrew, mas eu prefiro não ter muita proximidade com você. Acho que depois de todo o bullying que sofri com você e a sua turma é totalmente compreensível né?

– Sim, claro. Eu entendo e respeito sua decisão cara. Agora eu precisava muito saber uma coisa sobre a Alicia. Será que você pode me ajudar?

– Bom isso depende. Do que se trata? – perguntou curioso.

– É que eu estava conversando com ela ontem e acabei vendo uns cortes no braço dela que me impressionaram bastante. Do que se trata aquilo? É algum tipo de cicatriz?

– Não. Eu não sei se devo te dizer isso, até porque nem eu sabia dessa história… Mas enfim, eu vou te contar tudo. Nós ficamos sabendo no dia da festa na casa da Peyton. A Alicia mesmo revelou o seu segredo diante de todos os presentes. Ela se corta cara, aquelas marcas que você viu no braço dela são feitos por Gillette. A Alicia se automutila.

– Como é que é? – indagou surpreso. – Eu não acredito nisso. Mas porque ela faz isso? Ela precisa de ajuda, isso é muito sério.

– Eu sei, mas ela não se deixa ajudar. E depois ela sempre foge do assunto quando eu pergunto o real motivo dela fazer isso com ela mesma. A Alicia só afirmou no dia da festa que foi a própria Elena quem a incentivou a se cortar.

– O que? A minha irmã? Eu não acredito que a Elena seria capaz de incentivar uma coisa tão séria dessas. Automutilação pode até levar a pessoa a cometer suicídio cara. Meu Deus! Eu jamais podia imaginar isso da Alicia. Mas eu vou dar um jeito de me aproximar dela e ajudá-la, ah vou…

– Você quem sabe. Boa sorte com isso. – disse Jimmy indo para a sala de aula, enquanto Andrew ficou pensativo, parecendo ainda não acreditar naquilo que acabara de ouvir.

*****

No corredor do colégio, Brandon pegava seus livros no armário quando deu de cara com Peyton que o encarava séria. Ele então fechou o armário e se virou para ir pra sala de aula, ignorando ela completamente.

– Brandon espera… Não faz isso comigo, por favor! – disse quase implorando.

– Não faz isso o que hein, Peyton? – perguntou nervoso indo na sua direção.

– Fingir que eu não existo, me ignorar, virar o rosto toda vez que a gente se cruza… Poxa Brandon! Eu gosto muito de você. – disse suspirando. – Quer dizer, nós éramos amigos. Não tem motivos pra isso mudar agora, principalmente diante da difícil perda que todos nós estamos enfrentando.

– Deixa de ser cínica, Peyton! Não tem motivos pra nossa amizade acabar agora? E o que você fez pra Elena naquela noite, hein? Você não acha que só aquele episódio já não é motivo mais do que suficiente pra eu nunca mais querer olhar pra sua cara? E não me venha falar do momento que estamos enfrentando, porque você deixou bem claro que não estava nem ai pra Elena.

– Você esta certo. Não estava mesmo e sabe por quê? Porque só eu conheci a verdadeira Elena. A que diante de vocês colocava uma máscara, se fazendo de boazinha. A mesma máscara que eu fiz cair naquela noite pra todos vocês! Agora você esta sendo injusto comigo, porque apesar de tudo, eu não queria que ela morresse, isso não. Mas logo você irá saber de alguns segredinhos da Elena, e você ainda vai me dar razão e me pedir desculpas por tudo isso, Brandon Clark. – disse séria e depois seguiu para a sala de aula.

– Eu não acredito em você, ouviu? Eu não acredito mais em você! – gritou transtornado pelo corredor do colégio.

*****

Na sala de aula, Tyler não parava de olhar para Erin tentando falar com ela em meio à explicação do professor Moore. Por fim, ele começou a sussurrar o nome dela.

– Erin… Erin! – sussurrou mais alto.

Erin olhou para ele séria, o repreendendo e depois voltou o olhar para frente da classe, onde o professor explicava a matéria.

– Erin…

– Algum problema, senhor Malone? – perguntou o professor cruzando os braços. – Eu posso lhe dar dois minutos para conversar com a senhorita Erin aqui na frente de todos, já que o assunto parece ser de extrema urgência a ponto de vocês me fazerem interromper a aula com esses sussurros ensurdecedores. E então, o que vai ser? Senhorita Griffin, você tem algo a dizer para o senhor Malone?

– É… Não professor. – disse olhando sem graça para Tyler e em seguida voltou a olhar para frente.

– Tyler? – indagou o professor esperando uma resposta. – Bom, sendo assim voltemos à aula e agora sem mais interrupções, por favor!

Tyler estava exaltado pelo fato de Erin o estar ignorando desde que ela chegou ao colégio. Afinal, o que ele teria feito pra ela ter uma atitude daquelas? Ele então rasgou um pedaço de folha do seu caderno e escreveu algo rápido. Em seguida ele cutucou o colega da frente e entregou-lhe o bilhete dizendo baixinho pra ele passar para Erin, o que ele fez na mesma hora. Erin então disfarçadamente abriu o bilhete e leu o que estava escrito:

Qual é o seu problema, hein? Você mal falou comigo hoje. Eu pensei que nós fôssemos amigos agora, mas pelo visto me enganei. Erin Griffin é igual a todas as garotas metidas desse colégio.

Erin meneou a cabeça enquanto sorriu, amassou o papel depois de ler e continuou a prestar atenção na aula do professor Moore.

*****

Adison ainda estava sonada e sob o efeito de calmantes quando ouviu a campainha tocar insistentemente e depois de relutar muito, ela resolveu levantar e ver quem era. Ela foi se arrastando até a porta da sala.

– Christina? – indagou surpresa.

– Me desculpa vir sem avisar Adison, eu imaginei que talvez você não quisesse receber ninguém, mas eu queria muito te ver, por isso vim assim mesmo. – disse sincera.

– Tudo bem Christina, entra e fique a vontade. Acho que eu estou precisando mesmo me levantar, sair e conversar sabe… Me distrair um pouco. Eu só não tenho vontade de fazer nada disso.

– Eu entendo amiga e acho totalmente compreensível. Depois ainda é tudo muito recente, mas você tem que reagir. Por mais difícil que seja e por mais que você esteja quebrada por dentro, você tem que reagir. E eu quero que você saiba que pode contar comigo pro que precisar viu?

– Eu sei que posso Christina. Muito obrigada pelo apoio amiga. Você aceita uma xícara de café, enquanto conversamos? – sugeriu Adison.

– Claro e porque não? – disse sorrindo. – Vamos, eu te ajudo.

*****

No colégio, Jimmy fazia um trabalho na sala de informática quando recebeu um e-mail desconhecido e resolveu abri-lo.

“Olá Jimmy. Como anda a sua paz de espírito sabendo que contribuiu para a morte de uma pessoa inocente? Lembre-se que suas mãos também estão sujas com o sangue de Elena Cooper. Eu sei de tudo o que vocês fizeram contra ela e todos irão pagar por isso. Bom trabalho escolar pra você e se cuida. Otário!”

Ass.: A Morte.

Jimmy acabou de ler e ficou perturbado, olhando tudo a sua volta e vendo a possibilidade de estar sendo observado por algum maluco que acabara de lhe enviar aquela mensagem ameaçadora. De repente, ele fechou os livros e guardou tudo dentro da mochila rapidamente, desligou o computador e saiu apressado da sala.

*****

Na delegacia de Village Falls, dois policiais chegavam trazendo os computadores e notebooks que foram apreendidos na casa dos jovens que coagiram Elena na noite em que ela fora brutalmente assassinada. O material agora seria levado para perícia especializada em redes, a fim de investigar o conteúdo de cada um deles. 

– E então oficial Malone, todos os computadores já foram apreendidos? – perguntou Ross a Hollie.

– Foram sim detetive. Nós já estamos em posse de todos os computadores dos envolvidos naquela noite.

– Ótimo! Agora que comecem os interrogatórios… Se um desses jovens teve alguma coisa a ver com o assassinato de Elena Cooper, nós iremos descobrir a qualquer custo. Vamos espremer um por um até que eles abram a boca e digam toda verdade. Vamos pegar pesado com eles, Malone. – falou o detetive decidido. – Village Falls sempre foi uma cidade pacata e vai voltar a ser, eu prometo!

– E quem será o primeiro a ser interrogado, detetive Ross? – perguntou Hollie curiosa.

– A primeira oficial Malone… E é claro que vamos começar com a anfitriã daquela festa naquela noite e que segundo dizem armou tudo para a vítima. Liga pra casa da senhorita Peyton Martinez e diz que eu quero ela aqui até no final do dia. E avisa também que eu estou mandado um oficial pra casa dela para que seja entregue uma intimação.

– Pode deixar, senhor. Eu vou fazer isso agora mesmo. – disse Hollie saindo da sala do delegado.

– Vamos ver a mentira que essa patricinha mimada tem pra me contar… E se ela será tão convincente a ponto de eu acreditar nela.

*****

Alicia havia acabado de chegar do colégio e a primeira coisa que ela deu falta foi do seu notebook que estava em cima da sua escrivaninha no seu quarto.

– Mãe, pai… Cadê o meu notebook? – perguntou indo até a sala.

– A polícia levou ele hoje pela manhã. Disseram que é para as investigações sobre morte da Elena. – disse sua mãe prestando atenção na televisão que estava passando um filme qualquer.

– Como é que é? E você deixou? Eles podem fazer isso? – perguntou nervosa.

– Mas é claro que podem, Alicia. Eles tinham um mandato de busca e apreensão. Não havia o que ser feito, se eu me negasse a entregar o seu notebook eu iria presa no lugar dele. Mas porque você esta tão nervosa assim hein? Por acaso tinha alguma coisa nele que você escondia? – perguntou Norah curiosa para a filha.

– Esquece! Deixa pra lá. – disse Alicia subindo as escadas correndo, voltando para o quarto e batendo a porta.

– Alicia! O garota problemática essa… Deus me livre! – disse Norah e depois ficou pensativa.

No quarto, Alicia entrou e trancou a porta. Depois ela foi até o banheiro e abriu a gaveta do espelho, pegando uma pequena caixa de madeira e levando ela até o quarto e sentando-se na cama logo em seguida. Dentro da caixa haviam Gillette novas e usadas, além de uma caixinha de lenços umedecidos. Alicia pegou uma Gillette, um lenço de papel e deixou a caixa em cima da cama.

Depois de pensar um pouco, ela ligou o som bem alto, e em seguida ela tirou sua roupa, e ficando apenas de calcinha, ela começou a fazer vários cortes com a Gillette na parte inferior da perna e nos braços, próximo ao pulso. Alicia usava muita força, como se quisesse sentir toda aquela dor. Seus cortes eram fundos e precisos e logo depois de terminar, ela caiu aos prantos, e começou a limpar todo o sangue. Era sempre assim que acontecia, aquilo para ela já se tornara um ritual quase que sagrado. Ela não sabia lhe dar com a dor de outra forma senão fosse se automutilando.

*****

Tyler chegou em casa faminto e foi logo encontrar sua mãe na cozinha, que estava terminando de preparar o almoço. E o cheirinho de carne assada que era o seu prato predileto estava delicioso.

– Oi mãe. Nossa que cheirinho bom, me abriu até mais o apetite. – disse dando um beijo em Beth. – Por favor, me diz que é aquela famosa carne assada?

– É sim querido. Agora vai lavar as mãos que o almoço será servido em cinco minutos. Ah, Tyler… Eu esqueci de dizer. A polícia esteve aqui mais cedo com uma mandato de busca e apreensão… Eles levaram seu computador, filho.

– O que? Mas eles não podiam ter feito isso, há coisas minhas pessoais lá e íntimas também… Isso já é invasão de privacidade, eles não tem esse direito! Cadê a Hollie? – perguntou inquieto.

– Ela esta no trabalho, pegou hoje de manhã. Por que filho? – indagou curiosa.

– Eu vou lá falar com ela agora, ela já devia saber disso e não me avisou. – disse Tyler saindo apressado e nervoso.

– Tyler volta aqui filho… Tyler! O meu Deus… O que será que esse menino tem na cabeça. Não vai aprontar nada lá no trabalho da sua irmã, viu? – gritou por fim.

*****

Peyton estava no escritório de sua casa e novamente abria o cofre que ficava atrás do enorme quadro da pintura de seus pais, acima da mesa do seu pai. Ela então retirou um envelope de dentro do cofre e depois voltou a fechá-lo.

– Agora sim, eu posso ir para esse maldito interrogatório e levando essa carta na manga. – disse sorrindo misteriosa. – Zoila… Zoila…

– Sim senhorita Martinez. – Disse a empregada surgindo apressada na porta do escritório.

– Vá se vestir. Você vai até a delegacia comigo e nós não podemos nos atrasar. – disse saindo do escritório e passando pela empregada que continuou parada.

– Ta parada ai ainda porque Zoila? – perguntou com as mãos na cintura.

– É que eu não gosto de delegacias senhorita Martinez. Não seria melhor a senhorita ir junto com um advogado ou melhor ainda, esperar que os seus pais voltem de viagem para acompanhá-la? – sugeriu Zoila com receio.

– Nada disso. Eu não vou falar nada para os meus pais. Pelo menos por enquanto. Eu já sei que eles vão me encher a cabeça e por nada, afinal eu não tenho nada a ver com a morte da Elena. E depois o detetive Ross não vai sossegar enquanto não me interrogar, e eu quero acabar logo com tudo isso. Portanto vai se vestir, que eles só aceitarão o meu depoimento na presença de um responsável, e na ausência dos meus pais adivinha de quem é esse papel queridinha? – diz rindo da cara de Zoila. – Eu vou subir e me arrumar, depois te encontro aqui em dez minutos, okay? Ah, e esteja pronta…

– O minha nossa Senhora Virgem de Guadalupe! Eu só me meto em encrenca por causa dessa garota.

*****

Na porta da Delegacia de Village Falls, Hollie acabara de estacionar sua viatura depois de ter ir ido ver uma pequena ocorrência. – E assim que ela fechou a porta do carro, seu irmão Tyler chegou de repente, a assustando.

– Tyler! Que susto! O que você esta fazendo aqui garoto?

– Eu vim pegar o meu computador. Porque você não me disse nada, Hollie? Vocês não tinham o direito de ir lá em casa e recolher um objeto meu. Eu quero o meu computador de volta e eu vou pegá-lo. – disse decidido.

– Hei, calma lá garoto. Você não pode obstruir provas da polícia.

– E desde quando eu sou culpado pelo assassinato da Elena, hein? Eu não estou fazendo nada demais, irmãzinha… Só pegando o que é meu.

– Acontece que vocês estiveram envolvidos de alguma maneira no crime da Elena, sim. Horas antes naquela festa em que vocês a encurralaram, lembra? E ai misteriosamente depois ela aparece morta. Pra polícia vocês são os primeiros suspeitos e tudo que esta relacionado a cada um de vocês. E nesses casos, envolvendo jovens a primeira coisa que apreendemos para investigação são computadores e notebooks. Portanto Tyler, se você não tem nada a temer, meu irmão, volte agora pra casa e não atrapalhe mais o trabalho da polícia. Ou será que você tem algo a esconder naquele maldito computador e por isso esta tão nervoso, hein? – perguntou em tom desafiador.

– Não. Claro que não. – disse mais calmo e sem graça. – Eu só estou nervoso com tudo isso, porque não posso? Tenta entender o meu lado Hollie, a garota que eu amo foi assassinada. Ai num belo dia eu chego em casa e a polícia levou meu computador para investigar? Como se eu fosse o culpado pela morte dela? Eu fiquei puto! Eu estou revoltado com tudo isso.

– Eu entendo você e sei que não esta sendo nada fácil tudo isso. Mas como eu já disse isso é de praxe, e depois não foi só com você. O computador de todos os seus colegas envolvidos naquela noite também foram apreendidos. Agora por favor, volta pra casa e vê se esfria essa cabeça. Eu não quero ter problemas aqui no meu trabalho. Vai… – disse séria, enquanto acompanhou com o olhar o irmão indo embora.

*****

Enquanto isso, na sala do delegado, Peyton e Zoila chegavam para o depoimento.

– Boa tarde senhorita Martinez. Gostei de ver… Pontual. Chegou na hora marcada. – disse o detetive Ross sorrindo cínico.

– Como pode ver Detetive Ross, a pontualidade Britânica é apenas uma das minhas qualidades. – disse devolvendo o sorriso cínico. – Ah e antes que eu me esqueça, como o senhor deve saber, os meus pais vivem viajando a negócios e não vão poder estar presente pelo menos pelos próximos dois meses. Então eu trouxe comigo a minha secretária do lar… Zoila Sollis. E não se preocupe porque apesar de latina, ela esta devidamente regularizada em nosso país. Uma cortesia dos Martinez, não é mesmo Zoila?

Zoila olhou sem graça para o delegado e afirmou meneando a cabeça, em seguida ela ficou cabisbaixa.

– Bom já que não tem outro jeito, segundo a lei permite o que importa é você estar acompanhada de um responsável. Por mim tudo bem. E o seu advogado, onde esta? – perguntou curioso.

– Eu não trouxe. Como se trata apenas de uma conversa informal e eu não estou sendo acusada de nada, não pensei que fosse preciso. A não ser que o doutor detetive vai me acusar de alguma coisa? Porque se for o caso, eu ligo agora mesmo pro meu advogado e em dez minutos ele estará aqui. – disse Peyton segura de si.

– Não será preciso. Por enquanto não há nenhuma acusação sendo feita. Agora sente-se, por favor. Vamos começar… Qual era a sua verdadeira relação com a vítima Elena Cooper?

– Nós éramos amigas, e tínhamos uma relação de amizade normal como qualquer outra. Nós vivíamos na casa uma da outra, saíamos juntas, íamos para o colégio, enfim… Como todas boas amigas fazem.

– E boas amigas armam uma festa na intenção de coagir à outra? Segundo consta no meu relatório na noite do dia dezessete de Janeiro de dois mil e dezenove, a senhorita ofereceu uma festa na sua casa e homenagem a vítima. E a minha fonte que não será revelada, disse que em certo momento da festa que corria bem, você cercou a vítima na sala e juntos com os demais presentes começaram a coagi-la e a pressioná-la para que revelasse tudo o que ela havia feito de ruim, prejudicando assim a vida de cada um dos seus amigos, isso procede? 

Peyton começou a rir na cara do delegado.

– Bom, de certa forma é verdade sim. A sua fonte não mentiu, apenas esqueceu de dizer que sempre foi completamente apaixonado pela Elena. E que ele sabia de tudo o que ia se passar naquela noite na minha casa, eu mesma o convidei. O Tyler teve a opção de me impedir, de contar toda a verdade pra Elena, mas ele não quis. Agora eu me pergunto… Porque ele não o fez? E acho que a resposta é bem simples, vai ver que no fundo ele concordava com tudo aquilo e queria assim como eu e os demais envolvidos, ver a Elena desmascarada diante de todos. Ele até pode não admitir, mas eu sei que ele também sempre teve dúvidas sobre o caráter da Elena. – disse fazendo uma pequena pausa. – Ninguém nunca conheceu Elena Cooper como eu, delegado. E eu posso afirmar para o senhor que ela nunca foi à santinha que todos julgavam. Há muito mais sujeira debaixo desse tapete que nem sequer a própria mãe dela desconfia. Mas eu não estou aqui para julgar ninguém, eu quero apenas que a justiça seja feita. Porque a Elena não merecia morrer, e sim sofrer em vida, por causa de todos os males que ela já fez contra as pessoas, inclusive a mim.

– E que mal ela fez a você, pode nos dizer?

– Claro que sim. Ela simplesmente roubou o meu namorado. O garoto que eu amo e com quem eu queria me casar. – disse começando a chorar de raiva. – Brandon Clark era meu! E ela o roubou de mim.

Peyton nesse momento aceitou o lenço que o delegado lhe ofereceu, e secando as lágrimas, ela começou a reviver uma memória…

*Flashback – Dois anos atrás… Casa dos Martinez

– Oi meu amor… Você chegou mais cedo hoje, a sessão das dez no cinema só começa daqui a duas horas. – disse Peyton beijando Brandon, que estava sério e a afastou de si.

– Eu não vou mais ao cinema, Peyton. Pelo menos não com você.

– Do que você esta falando, Brandon? – perguntou sem entender nada. – Porque você esta tão sério, meu amor?

– Olha só Peyton, eu ensaiei mil coisas pra te dizer antes de vir pra cá, mas não tem como eu ser gentil falando isso. Então eu vou dizer logo de uma vez… Eu não amo mais você. Pra falar a verdade, acho que eu nunca a amei. Eu estou apaixonado por outra, e é com ela que eu quero ficar pro resto da minha vida. Ela é a minha garota, a que eu sempre sonhei…

– Mas nós estamos namorando Brandon, e você também dizia que me amava. – disse Peyton em meio ás lágrimas.

– Eu achava que sim, mas nós estamos juntos só tem um mês Peyton. É pouco tempo pra se amar alguém de verdade, você não acha?

– Não. Definitivamente, eu não acho. Porque eu te amei desde a primeira vez que eu te vi. Quem é ela? Me diz… Quem é essa tal garota, hein? Você me deve isso, e eu não irei sossegar ate descobrir quem ela é… Me fala, Brandon! – gritou sem paciência.

– Tudo bem. Você vai saber de qualquer jeito mesmo, até porque vocês são bem próximas… É a Elena, Peyton. Eu e a Elena estamos completamente apaixonados um pelo outro. – disse com pesar.

– O que? Mas você só pode estar de brincadeira comigo… A Elena e eu somos melhores amigas, ela não faria isso comigo. Não pode ser… Meu Deus! – dizia inconformada.

– Aconteceu Peyton… Ninguém manda no coração. E eu sinto muito. Eu só quero que você seja feliz. A gente se vê no colégio. – disse indo embora.

Peyton ficou estática, sem saber o que fazer ou dizer. E as lágrimas insistiam em escorrer dos seu olhos, até que ela resolveu botar toda sua raiva pra fora.

– Não! Eu odeio você Elena Cooper! – gritava desesperada. – Eu odeio você!

*****

*Fim do Flashback

– Tudo bem, senhorita Martinez? Você esta melhor agora? – perguntou o delegado preocupado. – Oficial Murphy, traga um copo de água pra senhorita Martinez, por favor.

– Eu estou bem, foi só um desabafo. – disse entregando o lenço para o detetive.

– Pode ficar, caso você precise. Se a senhorita preferir nós podemos continuar outro dia. 

– Não. Eu já quero encerrar isso hoje mesmo. E para que o senhor não perca mais o seu tempo comigo, já que eu sou inocente… Eu trouxe algo aqui comigo que vai com certeza senão mudar os rumos das investigações, ou pelo menos acrescentar novos fatos e ampliar as possibilidades. – disse Peyton segura de si entregando o envelope que trouxera consigo de casa para o delegado.

– O que é isso? 

– Abra e veja com os seus próprios olhos.

O delegado então abriu o envelope e tirou de dentro um papel que parecia ser um exame médico e leu todo o seu conteúdo. Logo depois, ele se voltou perplexo para Peyton.

– Mas então a vítima Elena Cooper, estava grávida de quatro semanas!

– Bem como o senhor pode atestar através desse exame. A Elena me procurou e confidenciou na época esse segredo que ela me fez jurar que não contaria pra ninguém, pelo menos até que ela decidisse o que fazer com ele. E fatalmente a coitadinha acabou levando esse segredo para o túmulo. Eu sinto pena da criança inocente que nem ao menos teve o direito de nascer.

– E esse filho naturalmente era do Brandon, o namorado dela? – perguntou o detetive enquanto guardava o exame dentro do envelope novamente.

– Eu não sei, mas eu desconfio que não era dele. Eu perguntei a ela e a Elena desconversou, não quis me contar nada, por fim eu resolvi respeitar a privacidade dela. Mas se fosse realmente do Brandon, que era o namorado dela, não tinha motivos pra ela guardar segredo, o senhor não concorda comigo?

– Pode ser, é uma hipótese. De qualquer forma, eu vou guardar esse exame comigo como prova do que foi dito aqui. E depois certamente os pais dela irão querer ver esse exame.

– Claro, sem problemas. Eu já guardei esse segredo por tempo demais… O detetive não imagina o peso que esta tirando das minhas costas. 

Os dois se encararam sérios durante um tempo e logo em seguida, Peyton declarou:

– Bom, acho que pelo menos por hoje eu não tenho mais nada o que fazer aqui não é mesmo? Sendo assim… Eu estou liberada detetive Ross? – perguntou desafiadora.

– Claro. Esta sim, pode ir. Mas por favor, não saia da cidade até que as investigações terminem.

– Pode deixar. Eu não pretendo mesmo sair daqui até que toda essa trama se desenrole, e que todas as verdades venham á tona. Muito obrigada, detetive Ross. Passar bem. Vamos Zoila?

Peyton saiu sem olhar para trás, deixando um rastro de dúvidas no ar, e principalmente perguntas sem respostas. A oficial Malone que assistia o depoimento de outra sala através de um espelho com fundo falso, esperou que ela saísse e entro na sala do delegado.

– E então delegado, o que o senhor achou desse depoimento? Ela te convenceu?

– Talvez só na parte em que declara seu amor pelo tal garoto, o Brandon. Quanto ao resto, eu não confiei nem um pouco na veracidade dos fatos. E não arrisco dizer quem é a santa ou o diabo nessa história toda.

– Eu confesso que também não. Essa garota é fria, calculista, cada palavra que sai da boca dela parece milimetricamente pensada… Temos que ter todo o cuidado com ela, porque ela é muito esperta. E a Elena infelizmente não sobreviveu para nos contar essa história. – concluiu Hollie.

– Eu sei… De modo que nós voltamos à estaca zero e agora com um novo fato. A gravidez da vítima. Eu quero só ver o que os pais da Elena vão achar dessa história toda.

*****

No Dinner, Tyler encontrou Erin saindo da lanchonete e ao passar por ela que não disse nada, ele resolveu ir atrás dela.

– Erin… Erin espera. Será que da pra parar e falar comigo pelo menos por cinco minutos? 

– O que foi Tyler? O que você quer comigo? – perguntou ríspida.

– Como assim o que eu quero com você? Eu pensei que depois de tudo que vivemos nós fôssemos amigos agora… E amigos conversam, saem juntos, se ajudam, ou será que eu estou enganado? Desde aquela noite depois do funeral da Elena que você esta estranha, nunca mais falou comigo, vive me ignorando… Eu só queria entender o motivo disso tudo. Eu te fiz alguma coisa, Erin? 

– Não. Você não me fez nada, Tyler. Eu só… Que droga! – exclamou nervosa. – É o meu pai Tyler. Ele nos viu aquele dia quando você me deixou em casa na sua moto. Ele é muito rígido, prega a religião e a moral como se as duas coisas fossem únicas e depois daquele episódio no ano passado em que a Elena me difamou perante todos, enfim… Ele só piorou. Ele não quer mais que eu ande por ai de amizade com um garoto. Ainda mais um garoto com uma motocicleta. Ele tem pegado muito no meu pé, me cercado de todos os lados e eu não duvido nada que esteja até me seguindo. – disse olhando tudo em volta. – Entendeu agora porque nós não podemos continuar com essa amizade?

– Mais isso é um absurdo! Em que século nós estamos, quinze? O que ele acha que eu vou fazer com você? Me aproveitar de alguma situação? Eu não sou esse tipo de cara, Erin. O seu pai esta muito enganado ao meu respeito. – disse com o semblante triste. – Eu vou falar com ele e desfazer toda essa má impressão que ele tem de mim.

– Não! Você ficou louco? O meu pai não é desses que muda de opinião fácil. Ainda mais depois de já tê-la formada. Ele é pastor de uma igreja, Tyler… Ele só acredita em ações, mais até do que em palavras. Pra ele palavras o vento leva, não tem o mínimo valor. Já as ações não. As ações provam o quanto um homem pode estar arrependido, redimido ou mudado. Me desculpa, mas infelizmente pra minha família, é assim que as coisas funcionam.

– E o que nós fazemos agora? Fingimos que não nos conhecemos e voltamos a não ser amigos? Eu esperava mais de você, Erin… O que você quer hein? Já parou pra pensar? Você não vai poder ficar a vida inteira se escondendo atrás dos seus pais. Pensa nisso, e lembra que você é a minha única esperança.

– Eu? Sua única esperança do que? – perguntou surpresa.

– De me tornar uma pessoa melhor. Eu sou um cara melhor quando estou do seu lado, Erin. Você me faz sentir bem e também me faz acreditar no amanhã, na promessa de que tudo não será em vão. – disse Tyler já com lágrimas nos olhos e cabisbaixo.

*Dare You To Move – Switchfoot

Erin emocionada se aproximou de Tyler devagar e levantou a cabeça dele. Em seguida ela limpou as lágrimas do seu rosto e o fez encará-la. O momento de cumplicidade entre eles logo quebrou as barreiras e Erin o abraçou bem forte. Erin por fim o encarou e depois deu um beijo no rosto de Tyler que sorriu para ela em meio ás lágrimas.

– Eu jamais vou te abandonar Tyler Malone. Eu não posso permitir que você perca a sua esperança. – disse sorrindo e depois voltou a abraçá-lo.

*****

A noite chegou fria em Village Falls. Ainda era Outono, mas ás vezes parecia Inverno de tanto frio que fazia no cair da noite.

Peyton estava em seu quarto, deitada na cama e pensativa, quando Zoila bateu na porta.

– Pode entrar. – disse voltando a si.

– Com licença, senhorita Martinez.

– Zoila eu já disse que não quero jantar, por favor, não insista!

– Me desculpa senhorita, eu não vim falar sobre o jantar. É que tem visita pra você lá embaixo. – disse sem graça.

– Diz que eu não estou, eu não quero ver ninguém. 

– Mas essa pessoa eu acho que a senhorita vai querer ver sim. – disse Zoila sorrindo.

Peyton então decidiu descer pra ver quem era e quando chegou na ampla sala de star, ela viu Brandon de costas, olhando para o jardim através do vidro lá fora. Ela então sorriu, tamanha a felicidade que sentiu ao ver o homem que amava bem ali na sua frente. 

– Brandon…

Brandon que até então estava distraído se virou para Peyton com os olhos marejados e tentando conter o choro, mas por fim ele não conseguiu e desabou, chorando desesperado e feito criança, na frente dela que foi correndo de encontro a ele e o abraçou bem forte.

– Brandon, mas o que foi que aconteceu? Porque você esta assim meu querido? Olha pra mim Brandon, fala comigo, por favor! Eu não gosto de te ver assim meu amor…

– Eu já sei de tudo. – disse encarando ela sem graça. – Por favor, me diz Peyton… A Elena estava mesmo grávida? E de quem?

– Você tem certeza mesmo que quer falar sobre esse assunto Brandon? Você pode acabar se magoando e se ferindo ainda mais com essa história…

– Que se dane! Eu já estou sofrendo o bastante só de saber que a Elena me traiu. Nada pode ser pior do que isso, Peyton. E agora que você abriu o jogo no seu depoimento, eu exijo saber de toda verdade. Você tem o dever de me contar toda verdade.

– Tudo bem, eu vou contar. – disse respirando fundo. – Vem, senta aqui…

Peyton pegou Brando pela mão e o levou até o sofá, onde os dois se sentaram e se encararam durante um tempo. Peyton então secou ás lágrimas de Brandon com suas próprias mãos e em seguida continuou:

– Antes de morrer, a Elena me procurou há mais ou menos um mês atrás… Ela estava angustiada, aflita e sem saber o que fazer. Depois que eu a pressionei muito, é que ela me disse que tinha feito um teste desses de farmácia e que tinha dado positivo, que ela estava grávida. Eu fiquei surpresa no início e depois dei os parabéns pra ela, mas a Elena não estava feliz. Ela ficava repetindo o tempo todo que a vida dela tinha acabado e que ela não sabia o que fazer…

– E o pai da criança, quem era o pai da bebê que ela estava esperando? – perguntou Brandon ansioso.

– Eu não sei… Eu me lembro de ter perguntado pra ela se você era o pai e ela me disse que não, por isso não sabia o que fazer. Então eu perguntei pra ela quem era o pai e ela não quis me dizer, falou que era segredo por enquanto e que ninguém podia saber. Eu achei tudo muito estranho, mas respeitei a vontade dela.

– Por que isso? Afinal porque a Elena não quis revelar a identidade do pai do filho dela? É o Tyler, só pode ser do Tyler, esse bebê. Aquele filho da puta!

– Sinceramente, Brandon? Eu também não acho que seja do Tyler. A Elena não amava o Tyler e jamais teve alguma coisa mais séria com ele, disso eu tenho absoluta certeza.

– Mas então de quem era… Eu não posso acreditar que a Elena tenha me traído com um cara qualquer. – disse emocionado. – Eu a amava tanto, sempre amei… Por isso ela queria se casar comigo de qualquer jeito. Com certeza ia dizer que o filho era meu, pro idiota aqui assumir. Como eu posso ter me enganado tanto em relação a ela, meu Deus! Bendita a hora que ela morreu! Se ela estivesse viva agora, eu seria capaz de matá-la de tanta raiva que eu estou dela. – disse bem exaltado e pensativo.

*Flashforward: (Cinco meses depois)

– Brandon Clarck, o senhor esta preso acusado de matar Elena Cooper. – disse a oficial Hollie Malone algemando o rapaz na frente de seus pais na sala de sua casa.

– Não. O meu filho é inocente! Ele não matou ninguém. Diz pra eles Brandon, fala que você é inocente filho, por favor! – implorou Christina aos prantos.

– Me desculpa mãe, pai… Mas eu não posso dizer isso. Eu sou culpado. Eu matei Elena Cooper. – Declarou com os olhos marejados diante dos pais que surpresos com a afirmação se abraçaram chorando, enquanto viam o próprio filho sendo levado algemado pelos policiais. Brandon permaneceu o tempo todo cabisbaixo.

*Fim do Flashforward 

*****

– Não fala assim, Brandon. Não deixe que a raiva e o ódio dominem você. Eu acho que ela agiu muito errado com você sim, mas atire a primeira pedra quem nunca errou não é mesmo? Quem somos nós pra julgar alguém, ainda mais a memória de uma pessoa que já não esta entre nós. – disse Peyton se levantando, indo até ele e pegando Brandon pelo braço, o fez se virar para ela.

– Tudo o que eu mais quero agora, de verdade… É esquecer a Elena. Esquecer que um dia eu já fui completamente louco, apaixonado por ela. Eu só quero esquecer que ela existe, Peyton. – disse a encarando sério e dois de supetão a beijou ferozmente.

*Elastic Heart – Sia

– Brandon… Tem certeza? – perguntou se afastando.

Brandon olhou bem nos olhos dela e a silenciou, colocando o dedo indicador sobre sua boca. Logo em seguida ele voltou a beijá-la, enquanto desabotoava a blusa dela. – Peyton então o puxou pela mão, o levando até seu quarto em meio a beijos e carícias.

Já no quarto, Peyton tirou a saia ficando apenas de lingerie e em seguida deitou-se na cama. Brandon então trancou a porta do quarto, passando a chave e depois tirou sua camisa, o tênis e a calça, ficando apenas de calção. Peyton admirava o belo físico dele e mordeu os lábios de tanto desejo, enquanto Brandon foi pra cima dela, voltando a beijá-la e correndo sua mão por todo o corpo de Peyton, que se arrepiou toda e fechou os olhos, não querendo mais acordar daquele sonho do qual ela sempre esperou se tornar realidade.

********

CONTINUA…

 

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