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Episódio 04 – A Grande Decepção

 

“O amor é cego e a amizade fecha os olhos.”

Brandon Clark

*****

“Quem era Elena Cooper? Nas últimas horas durante toda noite essa pergunta ficou rodando na minha cabeça e eu não consegui dormir. Será que eu realmente a conhecia de verdade? A garota da porta vermelha que desde o início do colegial se tornara minha namorada, a quem eu tanto amava e confiava, seria uma completa estranha, uma traidora que nunca me amou de verdade, como eu a amei? Como eu pude ser tão burro e cego durante todos esses anos, meu Deus! Eu devo ter feito papel de bobo, de idiota várias vezes… E todos deviam rir de mim pelas costas. E a Peyton pra quem eu nunca dei importância ou levei a sério, sempre foi a única pessoa que esteve do meu lado o tempo todo, sendo uma amiga verdadeira para todas as horas. E só agora eu consigo enxergar isso. Seria tarde demais para tentar um novo recomeço? Talvez. Confesso que eu não sei. Tudo em minha cabeça esta tão confuso ainda… Eu só sei que estou disposto a me arriscar e pagar pra ver… E que Deus me ajude.”

Brandon Clark

*****

Brandon olhava para Peyton que estava deitada ao seu lado e ainda dormia como um anjo. Por um momento ele sorriu encantado ao vê-la dormindo tão linda. E não demorou muito para que ela se sentisse observada e despertasse sorrindo de volta para ele.

– Pode parar de me encarar, Brandon Clark. Eu acordo horrível pela manhã. – disse Peyton se espreguiçando e depois cobriu o rosto com o lençol.

– Pois pra mim você fica linda de qualquer jeito, Peyton Martinez. – disse sorrindo. – Bom, eu já vou indo pra casa, eu não avisei meus pais que dormiria fora e eles devem estar bastante preocupados comigo.

– Espera… Você não precisa ir embora tão rápido assim. Toma uma ducha antes, depois você liga para os seus pais e avisa eles. Ai nós descemos pra tomar um belo café da manhã, com uma mesa farta que eu vou pedir pra Zoila preparar pra gente. Eu estou faminta, você não? – indagou se levantando da cama enrolada no lençol.

– Confesso que estou sim, desde ontem que eu sai de casa sem jantar. Mas eu prefiro ir embora e tomar o café da manhã com os meus pais, eu não quero deixá-los mais preocupados ainda. – falou já se levantando e começando a vestir sua roupa.

– Tudo bem. Faça como preferir então. – disse Peyton um pouco desapontada. – E saiba que eu vou estar sempre te esperando aqui, caso você queira voltar. – falou esperançosa.

– Foi uma noite maravilhosa, Peyton. Uma das melhores que eu já tive na minha vida, eu juro. Mas eu ainda estou muito chateado, magoado e triste com tudo o que eu descobri sobre a Elena e essas coisas deixam marcas, feridas, cicatrizes… E tudo isso não cura de uma hora pra outra, leva um tempo. Depois eu só não quero te magoar também. Por isso vamos com calma ta bom? Nós temos todo o tempo do mundo, não precisamos ter pressa, nem sair atropelando nada.

– Claro, eu entendo você. Vamos com calma então, assim ninguém se machuca. E eu quero que você saiba que eu te amo Brandon. Sempre amei e passe o tempo que passar, eu prometo que vou esperar por você. Essa noite foi mágica e perfeita pra mim. – disse com os olhos marejados. – E ela só confirmou ainda mais tudo o que eu sinto por você.

– Obrigado. Mas agora eu tenho que ir. – disse meio sem jeito se aproximando dela que esperava um beijo e fechou os olhos. Mas tudo o que ele lhe deu foi um beijo terno e carinhoso no rosto.

Peyton abriu os olhos decepcionada e disfarçou sorrindo pra ele, que foi embora deixando ainda o seu perfume que ela tanto gostava pelo ar, e que ficara impregnado em seu travesseiro. Ela então se deitou na cama novamente e se agarrou a ele para poder sentir o cheiro de Brandon. De olhos fechados, ela sorria satisfeita.

– Um passo de cada vez, Brandon Clark. Eu prometo ser paciente e te conquistar todos os dias meu amor… E eu tenho certeza que logo você nem vai se lembrar que Elena Cooper existiu um dia… Pode apostar!

*****

Na delegacia de Village Falls, Adison e Charlie, os pais de Elena queriam abrir um inquérito a todo custo.

– É isso mesmo que o senhor delegado ouviu… Nós viemos fazer uma denúncia de coação contra a nossa filha Elena Cooper. – disse a prefeita nervosa.

– Me desculpa, mas eu não estou entendendo. – disse o delegado Ross surpreso.

– A nossa filha foi encurralada, ameaçada, coagida, horas antes de ser assassinada e quem fez isso com ela, pode muito bem tê-la matado também, ou até mesmo quem sabe ser um dos jovens presentes naquela festa na casa de Peyton Martinez. – explicou Charlie.

– E agora que tudo veio à tona, nós queremos que a justiça seja feita e que Peyton Martinez pague pelo que fez a nossa filha. Nós iremos processá-la por coação. – disse a prefeita decidida. E queremos incluir isso nas investigações do crime.

– Eu de verdade entendo vocês que são pais e não lhes tiro a razão. Mas acontece que para haver coação, não basta qualquer ameaça que inflija temor á vítima. A mera pressão psicológica não é considerada por si só uma coação criminosa.

– Mas como não? Se a Elena foi atraída pra casa dessa garota e ficou no meio de cinco ou seis jovens que a acusaram de fazer coisas que eu tenho certeza que ela não fez. Eles a intimidaram covardemente, e vão ter que pagar por isso sim! – exclamou a prefeita tremendo de tão nervosa que estava.

– Procure se acalmar senhora prefeita. – disse a oficial Hollie compassiva. – O que o detetive Ross esta querendo dizer é que para haver uma coação, é necessário um crime mais grave, tipo que o agente tivesse cometido algum tipo de violência física ou uma ameaça com um mal ocorrido a seguir, no caso assassinato. É fato que horas mais tarde a sua filha foi assassinada, mas não houve por parte de Peyton Martinez e nem de qualquer outro jovem presente na festa uma ameaça declarada de morte, entende?

– Mas tudo isso não quer dizer nada, vocês não concordam comigo? Pode não ter havido nenhuma ameaça formal digamos assim, mas todos os jovens presentes na festa estavam com raiva da minha filha, e na cabeça deles, eles tinham sim motivos suficientes para matá-la. O que por uma infeliz coincidência veio de fato acontecer mais tarde. Agora eu me pergunto se não foi nenhum deles, que teria sido então? Que eu saiba a Elena nunca teve inimigos, muito menos que a quisessem morta.

– A Adison tem toda razão e eu concordo com ela. Quem matou a nossa filha só pode ter sido um desses seis jovens que estavam presentes com ela naquela maldita festa. E nós viemos cobrar que a justiça seja feita. – disse Charlie categórico.

O delegado Ross e a oficial Malone se entreolharam sérios, depois ele disse:

– Eu entendo e respeito vocês e a dor que ambos estão sentindo. Mas todas as providências cabíveis já estão sendo tomadas. Uma investigação foi aberta, os principais suspeitos já estão sendo interrogados, inclusive a senhorita Martinez já esteve aqui hoje, ela foi a primeira a dar o seu depoimento.

– E o que foi que aquela mentirosa disse, será que eu posso saber? – indagou Adison agitada.

– Eu sinto muito senhora prefeita, mas trata-se de sigilo investigativo… Qualquer coisa que saia daqui de dentro pode prejudicar e comprometer seriamente as investigações. – disse Ross sério. – Mas tem uma coisa que ela nos revelou e que eu acharia importante vocês tomarem conhecimento, porque pode ser que talvez a Elena não tenha contado nada pra vocês…

– E o que é? Você esta nos deixando preocupados. – disse Charlie.

– Bom, não existe uma maneira mais fácil de dizer isso. Eu vou direto ao ponto… A Elena estava grávida.

– Grávida? Como assim? Não. Não pode ser… Isso deve ser outra mentira daquela garota ordinária pra querer difamar a minha filha. – disse a prefeita inconformada. – Mas será que até depois de morta a Elena não vai ter paz.

Charlie pasmo abraçou a ex-mulher a fim de confortá-la, enquanto o detetive Ross prosseguiu:

– Eu sei que a notícia é uma baque pra vocês, além de ser muito dolorosa, mas infelizmente é verdade. A Elena chegou a ir ao médico e fez os exames, a Peyton acompanhou ela e… Aqui estão os resultados desses exames que comprovam a gravidez. – disse o detetive Ross abrindo a gaveta e pegando o exame. Em seguida ele entregou para Adison.

Adison olhou tudo com muito cuidado e logo em seguida começou a chorar copiosamente ao constatar que era mesmo verdade.

– Bom, o caso agora mudou detetive Ross. Trata-se de um duplo homicídio. – disse Charlie revoltado. – Acho bom vocês pegarem logo esse assassino, antes que eu mesmo descubra quem ele é e faça justiça com as próprias mãos. – falou categórico.

*****

Na Presbyterian Church Redemption, Erin ensaiava com o coral da igreja, cantando Hallelujah, uma de suas canções favoritas. Sua voz doce, suave e melódica, era capaz de acalmar os corações mais inquietos e aflitos, e isso atraiu Tyler que passava perto da igreja. Era como se algo o puxasse para dentro. – Meio tímido ele entrou devagar e só depois viu que Erin era quem estava cantando. Tyler então se sentou no fundo da igreja e ficou admirando ela cantar.

Erin estava distraída e emocionada com a canção, quando de repente ela viu Tyler de longe que acenou para ela sorrindo. Ela continua cantando e Tyler assistindo a tudo. Quando terminou o ensaio, Erin foi até ele.

– Que surpresa você por aqui. Eu nunca pensei que Tyler Malone freqüentasse a casa de Deus. – disse sorrindo.

– E não costumo freqüentar mesmo. Acontece que eu vinha passando bem aqui em frente e uma linda voz me atraiu me fazendo entrar para ouvi-lá mais de perto. – disse encarando-a. – Eu não sabia que você cantava tão bem. Já pensou em seguir carreira profissional?

– Eu? Quem me dera. – disse rindo. – Teve uma época em que eu sonhei sim com isso, mas não é o que meus pais querem pra minha vida. Pro meu pai, eu continuo cantando música gospel só no coral da igreja. – concluiu desanimada.

– E o que você quer pra sua vida, não conta? – indagou curioso.

– Não. Ou pelo menos não enquanto eu for dependente deles. – disse realista.

– Pois não deveria ser assim. Cada um de nós deve ser livre para sonhar e principalmente pra voar e realizar os nossos sonhos. Afinal, os nossos pais já viveram os sonhos deles, não é mesmo? Eu não sei como em pleno século vinte e um ainda existam pais que querem viver seus sonhos através dos filhos. – concluiu meneando a cabeça inconformado.

– Mas a vida é assim, nós somos os filhos, eles são os pais e a gente tem que obedecer a eles. – disse cabisbaixa. – De certa forma eu já me conformei com isso. E já me dou por satisfeita em poder cantar no coral da igreja todos os domingos.

– Você tem talento Erin, um dom lindo que merece ganhar o mundo. E depois você também pode gravar músicas gospel, nada impede que você faça as duas coisas. – disse pegando na mão dela. – Eu tive uma ideia… E se nós formássemos um dueto?

– Você e eu? – indagou surpresa. – Do que você esta falando Tyler? Por acaso você também canta? 

– Não. Mas eu toco violão como ninguém. Nós podíamos ensaiar e gravar uma demo pra ver como fica… O que me diz? Você me daria essa honra, Erin Marie Griffin? – perguntou cheio de entusiasmo.

Erin sorriu feliz e em seguida respondeu decidida:

– Mas é claro que sim! Vai ser um prazer poder gravar uma música, eu sempre quis fazer isso. – disse animada.

– Que bom que você topou. Eu tenho um amigo em Chesters Ville que tem um estúdio profissional em casa e eu vou combinar com ele pra gravarmos lá. E enquanto isso, nós temos que escolher a música e começar a ensaiar. Aliás, a música você escolhe que é a pop star aqui. – disse sorrindo.

– Deixa comigo. Obrigada por me ajudar, Tyler. Eu estava mesmo precisando de uma injeção de ânimo. 

– Que isso Erin, eu só estou retribuindo tudo o que você já fez por mim… E escreve o que eu estou te dizendo, um dia os seus pais ainda vão sentir muito orgulho da cantora profissional que você irá se tornar, eu te garanto isso. Agora vem cá e me dá um abraço.

Erin e Tyler se abraçaram felizes e cúmplices. Os dois sentiam um carinho muito grande um pelo outro, e eles mal podiam imaginar que isso era só o começo de algo muito maior e bonito que ainda estava por vir.

*****

Na delegacia de Village Falls, mais um depoimento sobre o caso Elena Cooper era iniciado e com ele novas revelações.

– Senhor Clark, você esta afirmando que não sabia que a sua namorada, a vítima Elena Cooper estava grávida? – indagou o detetive Ross escolhendo bem as palavras. – Segundo consta no exame médico ela estava grávida de pouco mais de quatro semanas, porque ela não contaria esse detalhe tão importante para o namorado dela?

– A mim parece bem óbvia a resposta, detetive Ross… Porque não era eu, o pai do filho dela. – disse sério, sem desviar o olhar do delegado. – A Elena estava me traindo. E essa gravidez não só prova isso, como foi uma grande surpresa pra mim. Eu jamais podia imaginar uma coisa dessas…

– Me desculpa a indiscrição, meu jovem… Mas eu tenho que perguntar. Vocês namoravam há dois anos mais ou menos, e eu acredito que já mantinham relações sexuais, ou não? 

– Claro que sim. Nós nos amávamos e como o detetive mesmo disse já estávamos juntos há dois anos.

– Então o filho que Elena Cooper carregava na barriga e que morreu junto com ela na fatídica noite do crime, poderia sim ser seu, afinal nenhum exame foi feito e a única pessoa que podia comprovar a paternidade da criança esta morta… O que o rapaz tem a me dizer sobre isso? – indagou o detetive pressionando Brandon.

– Nada. Eu apenas continuo afirmando que o filho que ela esperava não era meu, ou caso contrário ela teria me dito. Não havia segredos entre nós, só amor puro e verdadeiro, pelo menos da minha parte era assim… Mas eu tenho certeza que ela não esconderia isso de mim, a não ser que o filho não fosse meu.

– Certo. E o jovem não desconfiou de nada quando a Elena começou a pressioná-lo querendo casar-se logo? Eu fiquei sabendo que nas últimas semanas ela andava insistindo muito para que vocês se casassem… Isso é verdade?

– É sim. Eu achei estranho, claro. Mas nem cheguei a cogitar uma gravidez. Pra mim, ela queria sair logo de casa, já que ela não se dava muito bem com o padrasto e já não suportava mais conviver com ele.

– Interessante essa informação… – disse tomando nota em sua caderneta. – E qual o motivo deles não se darem bem, você sabe me dizer?

– Sei lá… Além de serem padrasto e enteada? Eu não sei. Acho que era só por esse motivo mesmo, ela nunca aceitou muito bem que a mãe se casasse de novo.

– É pode ser… Senhor Clark, me diz como era o seu relacionamento com a vítima? – indagou o detetive, o encarando sério.

– Normal, de duas pessoas que se amam e confiam um no outro. Havia muito carinho, respeito e cumplicidade entre nós.

– Sim, eu posso imaginar. Mas o que eu quero saber mesmo é se vocês se davam bem? Se brigavam muito… Você alguma vez perdeu a cabeça e foi violento com ela?

– Mas que absurdo é esse? O que o detetive esta querendo insinuar? Acha mesmo que eu sou o tipo de cara covarde que bate em mulher? – perguntou revoltado.

– Eu não sei… Me diz você. O que eu fiquei sabendo é que você sempre teve um ciúmes exagerado de Elena Cooper, e que várias vezes brigou com ela por conta disso. Segundo consta por causa desse seu ciúmes, você chegou a arrastá-la algumas vezes pelo braço em locais públicos.

– E quem foi que disse isso, hein? Eu quero saber, aliás, eu exijo saber! – disse Brandon batendo na mesa descontrolado. – Isso de pegar pelo braço é normal na hora do nervoso, agora fora isso, eu nunca encostei um dedo na Elena. Eu jamais seria capaz de machucá-la.

– Hei, hei… Calminha garoto. Aqui quem faz as perguntas sou eu. E depois é melhor você se controlar, caso contrário eu terei que terminar esse interrogatório com você atrás das grades. Fui claro? E ai como vai ser?

Brandon então ficou mais calmo e depois de respirar fundo e tomar uma água, ele terminou o seu depoimento com mais tranqüilidade.

*****

*Mad World – Gary Jules

Alicia tomava o seu Milk Shake de morango com calda de chocolate no Dinner como de costume, quando Andrew chegou e foi direto até o balcão fazer o seu pedido. Ela ainda tentou disfarçar para que ele não a visse, mas de repente ele se virou e foi tarde demais, ele acabou vendo ela e então foi até sua mesa.

– Oi Alicia. Tudo bem? – perguntou inseguro quanto à reação dela.

– Além do fato de você não desistir em insistir falar comigo, eu to bem sim. Ou pelo menos estava até agora. – disse olhando séria para ele.

– Eu só quero te ajudar Alicia. – disse preocupado.

– Quantas vezes eu vou ter que te dizer que eu não preciso de ajuda, muito menos da sua, Andrew boy? – falou enquanto se levantava e saia da lanchonete.

Mas Andrew não se deu por satisfeito e foi atrás dela.

– Alicia, espera… Não é possível que você me odeie tanto a ponto de nem querer minha amizade. Eu me recuso a acreditar que você seja esse tipo de pessoa…

Alicia parou no meio do caminho e depois foi com tudo na direção dele.

– Que tipo de pessoa? Me diz Andrew! Já que começou agora vai até o fim… Você não me conhece e não sabe nada sobre a minha vida, ok? Portanto não tem o direito de me julgar. – disse com lágrimas nos olhos.

– Eu só ia dizer que me recuso acreditar que uma garota tão sensível e doce como você, embora você faça questão de deixar transparecer justo o contrário, tenha o coração tão cheio de ódio e rancor… Ás vezes parece que você odeia o mundo.

– E daí? Talvez eu odeie mesmo esse mundo tão cheio de pessoas egoístas, fúteis e que não pensam em ninguém, a não nelas mesmas. – disse respirando fundo e depois continuou. – Pessoas como a Elena, a Peyton por exemplo. Mas pelo menos a Peyton nunca me fez nada diretamente, já a sua irmãzinha Elena… Ela sim, eu sempre odiei, porque ela nunca se contentou em roubar toda a atenção do papai, ela também acabou com a minha vida. Agora quanto a você se faz tanta questão assim de saber, eu não te odeio. Sou apenas indiferente a você e a todo resto da sua família maldita. Satisfeito, Andrew boy? Agora me deixa ir embora e nunca mais apareça na minha frente.

Alicia deu as costas para ele, mas antes que pudesse seguir adiante, Andrew a puxou pelo braço e a abraçou bem forte, olhando bem nos olhos dela.

*Sorry – Halsey

– O que você pensa que esta fazendo? Me solta agora! – gritou sem encará-lo e tentando se soltar dos braços dele.

– Não. Você pode se debater, espernear, gritar por socorro a vontade, mas eu juro que só irei te soltar depois que você me disser por que sente tanta raiva assim do mundo. Você diz que odeia a Elena, mas o que eu vejo é que o seu ódio vai muito além dela… Ela não pode fazer mais nada contra você, se é que algum dia já fez. Ela esta morta. Eu vejo o quanto você esta com medo, assustada e sofrendo e eu só quero saber o porquê de tudo isso pra poder te ajudar.

Alicia então parou de resistir e começou a chorar.

– Chora, pode chorar… Desabafa. Vai te fazer muito bem, acredite. Confia em mim Alicia, por favor! Depois eu prometo que vou te respeitar se você nem quiser olhar mais pra minha cara, mas agora eu te peço, só confia em mim. – disse sem soltá-la.

Depois que Alicia se acalmou um pouco, ela respirou fundo, se recostou no ombro de Andrew e começou a falar.

– Minha vida toda até hoje tem sido uma grande tortura… Eu nunca me senti amada, nem valorizada por ninguém. Não tinha a atenção dos meus pais em casa, que só viviam me criticando e cobrando o tempo todo. Simplesmente nada do que eu fazia era bom o suficiente pra eles. No colégio eu era sempre deixada de lado, nunca me escolhiam pra nada, eu sempre fui à última opção deles pra tudo. Trabalhos em grupo, atividades extracurriculares, esportes… Sofria ataques de bullying constantes. – disse em meio a lágrimas e depois de uma pequena pausa, prosseguiu. – Desde pequena, eu tenho essa sensação de estar fora do meu corpo, olhando pra mim mesma, vendo a minha vida passar diante dos meus olhos, e eu odeio tudo o que eu vejo… A maneira como eu me sinto ou me comporto diante das pessoas, o jeito que eu falo nunca encarando os outros, cabisbaixa, me sentindo péssima por não me encaixar em lugar nenhum, e por mais que eu tente ou me esforce, eu não consigo mudar isso. E eu tenho tanto medo de que essa sensação nunca vá embora, e de que eu fique pra sempre presa no meu corpo sentindo essa dor horrível dentro do meu peito que chega a me sufocar, que então eu me corto… E por alguns instantes, toda dor vai embora.

Depois de desabafar, Alicia caiu em prantos e Andrew também não conteve a emoção, chorando junto com ela. Logo em seguida num rompante, ela se soltou dos braços dele e enxugou suas lágrimas, o encarando séria e dizendo categórica:

– Esquece tudo o que eu te falei aqui. Se você contar pra alguém, eu juro que nego até o fim. – disse séria.

– Eu não irei contar nada pra ninguém, Alicia. Eu te dou a minha palavra. Você pode contar comigo sempre.

– Tchau, Andrew boy.

Alicia saiu apressada e Andrew achou melhor deixá-la ir embora. 

– É… Pra hoje até que foi um bom começo. Mas eu não vou desistir de te ajudar, Alicia. – disse decidido enquanto olhava ela dobrando a esquina.

*****

Mais tarde no Colégio Village Falls, o professor Moore encontrara Peyton na biblioteca, e começou a redeá-la, misterioso. Peyton que era sagaz e logo percebeu o jeito do professor, se apressou entre as prateleiras e o enganou, fazendo com que ele a perdesse de vista. E não demorou muito, até que ela aparecesse bem na frente dele, pregando-lhe o maior susto.

– Boo! – disse ela séria e logo depois caiu na gargalhada ao ver o quanto o professor Moore se assustara com a brincadeira.

– Você é maluca, só pode. Quer me matar de susto, garota?

– Talvez, quem sabe… Agora eu quero saber, o porquê do senhor estar me perseguindo, professor Moore? – perguntou desafiadora, enquanto o encarava.

– Eu não estava te perseguindo. Só estava procurando um livro, só isso. Esta com mania de perseguição agora, senhorita Martinez? – perguntou em tom irônico.

– Não. Eu só não gosto de pessoas que não sabem o seu lugar e ficam querendo atravessar as linhas. Sabia que assédio sexual com uma menor de idade e ainda por cima sua aluna, é crime professor? Sem contar que o senhor pode perder o seu direito de dar aulas, além de ser preso, claro.

Nesse momento, o professor Moore começou a rir, enquanto meneava a cabeça.

– Ai, ai… Você anda vendo muita série adolescente, Peyton. Mas como eu disse, eu entendo a sua mania de perseguição, depois que a sua amiga foi assassinada misteriosamente, todo cuidado é pouco. Quem garante que o assassino não irá atacar de volta, não é mesmo? – disse sério e depois se aproximou dela devagar que ficou estática, e passou o braço por cima dela, alcançando um livro na prateleira de cima. – Pronto. Encontrei o livro que estava procurando. Agora se a senhorita me dá licença. Até a próxima aula Peyton. – disse sorrindo e saindo logo em seguida.

Peyton ficou cismada e depois sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. Ela então deixou os livros que havia pegando em cima da mesa e saiu apressada da biblioteca.

*****

Tyler estava na quadra perto do Rio, onde costumava ir para pensar e fumar os seus baseados, quando de repente ele percebeu que teria a companhia de Brandon que vinha caminhando na sua direção.

– Ora, ora, ora… Se eu contar ninguém acredita. Brandon Clark o Quarterback do time de futebol do Colégio de Village Falls, freqüentando o subúrbio e a quadra do rio. A que devo a honra de tão ilustre visita? – disse em tom sarcástico.

Brandon parou de frente para Tyler e o encarou sério. Depois se sentou ao lado dele e enquanto olhava para o rio, disse:

– Nós precisamos conversar. É sobre a Elena. – disse encarando-o sério.

Tyler o encarou de volta e depois se levantou do banco, passando esbarrando em Brandon e indo embora.

– Eu não tenho nada pra conversar com você, cara. Muito menos sobre a Elena.

– Ótimo. – disse Brandon em tom mais firme. – Continua negando as coisas para si mesmo, se levanta e vai embora. É muito adulta essa atitude da sua parte, mas quer saber? Eu não vou te deixar em paz enquanto a gente não ter essa conversa.

Nesse momento Tyler parou e em seguida se voltou para Brandon.

– Quem é você pra falar sobre atitudes adultas? O capitão do time de futebol que em campo era dono de si e fora dele era a insegurança e imaturidade em pessoa. Você morria de ciúmes da Elena, até a sufocava de tanto que marcava em cima. Eu me lembro que os braços dela viviam marcados e roxos. Eu a cercava, perguntava pra ela, mas ela disfarçava, e também nem precisava… Eu sabia que aquilo era coisa sua. Seu covarde. É isso que você é Brandon Clark, um covarde! Você batia na Elena.

Brandon ficou cego de raiva e na mesma hora partiu pra cima dele e bem de pertinho começou a dizer:

– Isso é mentira. Eu nunca bati na Elena. Eu a amava e jamais seria capaz de um ato tão vergonhoso como esse. Acontece que nós brigávamos por ciúmes sim, e a Elena tinha a mania de me deixar falando sozinho, depois de dar a última palavra. Ela sabia o quanto isso me irritava, e por isso eu acabava pegando ela pelo braço, só isso. Mas eu nunca encostei um dedo nela.

– E fora as agressões verbais que ela sofria, você não acha que segurar firme uma pessoa pelo braço a impedindo de sair de uma situação desconfortável, e a ponto de deixar o braço dela roxo também não é uma forma de agressão física? Ou pra você agressão física é só bater, espancar e quebrar uma pessoa ao meio? A Elena era uma mulher, mulheres são mais frágeis cara. Tenta me segurar pelo braço pra ver só o que te acontece. Quer pagar pra ver?

– Eu posso ter errado algumas vezes com a Elena, sim. Eu admito. Mas eu jamais seria capaz de fazer algum mal para ela. – disse emocionado e depois de uma breve pausa continuou. – A Peyton disse no depoimento dela que a Elena estava grávida de quatro semanas… Eu não sei o que pensar. Ela não me disse nada, ta na cara que esse filho não era meu, se fosse ela não teria motivos pra esconder de mim a gravidez.

– Será que não tinha mesmo? De repente ela ficou com medo da sua reação, ou que você pedisse a ela que interrompesse a gravidez. Afinal, o que ela podia esperar de você, caso ela te contasse? Me diz.

– Isso eu jamais faria. Você pode até não acreditar em mim, e a sua opinião não me importa nem um pouco, mas se a Elena tivesse falado comigo e se o filho fosse meu, eu iria criar o bebê junto com ela, sim. Mas tudo leva a crer que não era. E foi só por isso que eu vim até aqui conversar com você. – disse sério. – O filho que a Elena estava esperando, era seu Tyler?

– Infelizmente não. Eu sequer sabia dessa gravidez e estou surpreso tanto quanto você. Pra mim esse filho era seu… E depois, quantas vezes eu vou ter que te dizer, hein Brandon? Que eu nunca tive nada com a Elena. A única coisa que aconteceu entre nós foi apenas um beijo roubado, só isso. Apesar de tudo e embora você continue duvidando disso, a Elena te amava.

– Eu não sei de mais nada, nem o que pensar direito. A morte da Elena, e essa notícia agora de que ela estava grávida… Tudo esta um grande e complicado quebra cabeças na minha mente que eu não consigo montar. As peças não se encaixam… Mas eu vou descobrir tudo, custe o que custar, eu irei atrás de respostas, sejam elas para limpar o nome de Elena, ou para me fazer enterrar ela de vez. Nem que isso seja a última coisa que eu faça na minha vida.

– Boa sorte com isso. Eu também irei atrás de respostas, mas diferente de você, porque eu amava a Elena e não porque duvidava dela, que é o que você esta sentindo e ainda não teve coragem de admitir para si mesmo.

– Você esta enganado cara, você não me conhece e tão pouco sabe o que eu sinto. Eu só sei que a Elena não gostava de você, e que Tyler Malone, um fracassado e viciado, nunca seria uma opção pra ela. – disse o encarando sério e depois deu as costas, indo embora. – A gente se esbarra por ai.

Tyler ficou tão nervoso com a afirmação de Brandon que fechou o punho e socou contra o banco de madeira em que estava sentado. Sua vontade era de acabar com Brandon, mas ele se segurou e respirou fundo. Logo em seguida, ele ficou quieto e distante e seus pensamentos foram para bem longe dali, num passado não muito distante.

*FLASHBACK

*Paper Love – Allie X

Três meses atrás…

Elena estava sozinha em casa no fim de semana, seus pais e Andrew tinham ido viajar. Na cozinha ela preparava dois sanduíches e quando terminou, ela abriu a geladeira pegou a garrafa de suco e serviu dois copos em cima da mesa. Em seguida ela colocou os pratos com os sanduíches na bandeja e os sucos e subiu as escadas com todo cuidado até o seu quarto. Quando chegou no quarto ela abriu a porta que estava apenas encostada e um rapaz estava deitado em sua cama sem camisa, coberto por um lençol e parecia dormindo, até que ele se virou para ela todo sorridente.

– Bom dia. Eu não quis te acordar, eu fui preparar o nosso café. – disse colocando a bandeja em cima da cama.

– Hummm… Café na cama. Olha que assim eu fico mal acostumado. – disse dando um beijo no rosto dela que estava visivelmente sem graça com tudo aquilo. – O que foi Elena, algum problema?

– Ontem eu me deixei levar pela emoção, você foi bastante atencioso e carinhoso comigo depois da briga que eu tive com o Brandon. Enfim, eu adoro você, Tyler. Eu não quero que você pense mal de mim, mas apesar de tudo é o Brandon que eu amo e eu queria te pedir pra esquecer o que aconteceu aqui entre nós, eu estava com raiva e magoada, por isso…

– Chega. Para. Não precisa dizer mais nada, Elena. – disse se levantando e vestindo suas roupas. – Quer dizer então que ontem você só quis se vingar do Brandon quando fez amor comigo? – perguntou revoltado. – Pra mim foi muito mais do que isso e você sabe disso. Eu te amo, Elena. E você só me usou!

– Me desculpa, Tyler eu não tive a intenção de te magoar. – disse indo até ele e o tocando. – Eu queria te amar, acredite. Mas infelizmente a gente não manda no coração.

– Tire as suas mão de cima de mim! – gritou Tyler revoltado. – Sabe como eu estou me sentindo? Sujo, usado e agora jogado fora. Você me usou Elena, e não importa o que você diga ou qual palavra bonita use, o fato é que você me usou ontem à noite para se vingar do Brandon, porque vocês brigaram mais uma vez. E o idiota apaixonado aqui caiu feito um patinho no seu jogo. Eu vou embora daqui porque eu sentindo nojo de você. – disse enquanto saia. – E não me procure nunca mais.

– Tyler, espera… Eu não queria te magoar, me perdoa. Tyler! – gritou ela desesperada por fim e depois se jogou na cama chorando.

*FIM DO FLASHBACK

– É Elena… Você nunca queria me magoar, me ferir… Mas acabava sempre me ferindo. – disse Tyler com o olhar longe e perdido. – Pelo menos agora isso acabou. E você não vai me magoar nunca mais.

*****

A noite caiu na cidade e mais uma fase de lua cheia se fazia anunciar, deixando Village Falls mais bonita e iluminada. – Deitado em sua cama e ouvindo música, Jimmy olhava a lua pela janela escancarada de seu quarto. Ele estava triste e pensativo, quando sua mãe entrou no quarto.

*Bittersweet Symphony – London Grammar

– Toc toc… Mãe chegando na área. Jimmy, tudo bem meu filho? – perguntou preocupada com o filho ao notar que ele estava chorando, mas Jimmy se virou de costas para a mãe na mesma hora.

– Ta tudo bem sim, mãe. Eu só quero ficar sozinho. – disse com a voz embargada.

– Você acha que me engana, Jimmy? Esqueceu que eu sou sua mãe? Desde que você colocou os pés em casa e subiu sério aqui pro seu quarto que eu já percebi que havia algo de errado. O quê que há meu filho, pode confiar em mim, conta pra mim o que aconteceu…

– Tudo mãe. Aconteceu tudo, e é todo dia isso. Eu não agüento mais. – falou começando a chorar.

– Foi o pessoal do colégio mais uma vez? – perguntou fazendo um carinho no filho. – O que foi que eles fizeram dessa vez?

– Eu não quero falar sobre isso. Eu estou tão exausto de tudo que não gosto nem de me lembrar deles. – falou desanimado.

– Mais essa situação não pode continuar assim… O diretor do colégio tem que fazer alguma coisa. Amanhã mesmo eu vou até lá ter uma conversa séria com ele.

– Mas nem pensar, mãe! – disse se levantando com tudo da cama. – O que a senhora quer, me ridicularizar ainda mais? Indo no colégio defender o filho de dezessete anos que deveria resolver os seus problemas e se defender sozinho? Eu agradeço, mas obrigado. 

– Meu Deus! Então eu tenho que ver o meu filho sofrendo e cruzar os braços, é isso Jimmy? – perguntou enquanto cruzava os braços.

– Por favor, mãe. Só promete que não vai no colégio falar com o diretor. Esse é o último ano do colegial, logo tudo isso acaba e pra sempre. Eu só tenho que agüentar mais alguns meses.

– Sim, mas depois vem à faculdade e ai como vai ser? Jimmy eu já cansei de te dizer isso, mas eu vou repetir mais uma vez filho. Eu te amo e tenho muito orgulho de você. Orgulho esse que você também tinha que ter de si mesmo, afinal você não esta fazendo nada de errado, agora eles sim tem que ter vergonha da atitude deles, do preconceito deles, porque eles sim estão errados. Não deixe que ninguém ria de você ou te humilhe, filho. Reaja, não abaixe a cabeça, porque isso sim, faz com que esses covardes não parem de te perseguir, e se eles agredirem você fisicamente, eu quero que na mesma hora você vá até a delegacia e os denuncie, ouviu bem? Uma hora isso tem que parar, e muitas vezes dar um basta em determinadas situações, só depende de nós mesmos. Vem cá vem…

Melinda abraçou o filho bem forte que chorou nos seus braços.

– Você é muito especial e importante pra mim, Jimmy. E há de ser também para um garoto que ainda vai aparecer na sua vida, te amar e te fazer muito feliz. E esse dia será não só o seu, mas também o dia mais feliz da minha vida… E eu darei a minha benção pra vocês. Eu te amo, filho.

– Obrigado por tudo. Eu também te amo muito. Você é incrível, a melhor mãe do mundo!

– Agora levanta essa cabeça, lava esse rosto e vai ser feliz. E isso é uma ordem viu. – disse Melinda sorrindo para ele que sorriu de volta para a mãe.

*****

O professor Moore chegara exausto em casa e encontrou Sarah sua esposa, na cozinha preparando o jantar.

– Michael, é você? – perguntou indo até a porta da cozinha e o viu estirado no sofá. – Esta tudo bem?

– Sim, eu só estou muito cansado. Eu amo dar aulas, mas tem dias que aturar várias turmas com trinta adolescentes cada é demais pra minha sanidade mental. – comentou e depois respirou fundo. – Eu estou precisando mesmo é de férias.

– Eu imagino. Eu jamais teria a paciência que você tem em lidar com tantos jovens… E logo você terá que lidar com mais uma. – disse se sentado no sofá ao lado dele.

– Como assim? Do que você esta falando Sarah?

– Da Amber. A sua filha ligou hoje mais cedo, enfim… Ela disse que esta vindo para Village Falls passar uma temporada com o pai dela, que no caso é você.

– Mas assim do nada? O combinado foi que ela ficaria morando com a mãe, eu não posso assumir essa responsabilidade agora. Depois eu nunca fui pai dela por muito tempo, eu nem sei como lidar com uma filha.

– Se você não sabe, imagina eu que não sou nada dela e ainda vou ter que aturar essa garota aqui dentro de casa? Bem que o meu pai dizia pra não me casar com homem que já tivesse sido casado e com filhos… No fim sempre acaba sobrando pra gente.

– Ah mais não vai mesmo. Eu vou ligar agora pra Susan em Minessota. – falou se levantando na mesma hora e indo até o telefone.

– Vai lá, e boa sorte com isso. Eu vou terminar o jantar.

Michael pegou seu celular na mesma hora e ligou para Susan, sua ex-mulher que atendeu e lhe explicou tudo. Em seguida ele foi até a cozinha desanimado falar com Sarah.

– E então, o que ela disse? A garota vem mesmo pra Village Falls passar uma temporada com a gente? – perguntou Sarah curiosa.

– O que eu já esperava… Bom, primeiro ela disse que esta mudando de emprego e de apartamento e que a vida dela esta um caos. Depois perguntou se eu poderia ficar com a Amber uma temporada antes da universidade e que foi ideia da própria Amber querer vir passar um tempo comigo.

– E você disse não, claro.

– Claro que não. Eu não tive alternativa Sarah, a garota também é minha filha, e depois acho que ta na hora de nós estreitarmos esse laço e eu aprender a conviver com a Amber. Acho que vai ser bom pra mim e pra ela também.

– Menos pra mim que nem filhos tenho, e agora vou ter que lidar com a filha dos outros. – disse chateada. – Já não basta a pensão que você manda pra ela todos os meses?

– Mas ser pai, não é apenas isso meu amor. Eu sempre quis participar da vida da minha filha, embore não tenha o menor jeito de pai, mas ela era muito pequena quando a Susan e eu nos separamos. Agora a Amber já é uma moça, esta com dezessete anos e com toda certeza não deve ser uma garota difícil de lidar. Depois com ela morando aqui com a gente, vai sobrar uma grana extra da pensão e nós podemos investir no tratamento pra conseguirmos ter o nosso próprio filho. O que acha?

– É. Até que pode ser uma boa ideia pensando por esse lado. Mas não espere que eu seja uma mãe pra essa garota, porque isso definitivamente, não vai rolar. – disse dando as costas para o marido e voltando a cozinhar.

– Eu não te pediria isso, meu amor. E isso com certeza nem passa pela cabeça da Amber, afinal ela já tem a mãe dela. Eu só peço que você a trate bem, apenas isso. – disse chegando mais perto de Sarah e abraçando ela.

– Tudo bem, eu prometo tentar. 

– Eu te amo, meu amor… Agora eu preciso ligar para o Charlie e ver em qual turma a Amber poderá entrar no colégio. A Susan disse que ela é uma excelente aluna e que só tem notas boas. – disse indo para o quarto.

– Ta bom, mas não demore. O jantar será servido em quinze minutos.

– É o tempo de eu resolver esse assunto com o diretor e tomar uma ducha, eu não demoro.

*****

*Liability – Lorde

Alicia ouvia música em seu quarto, enquanto pensava na sua conversa com Andrew e por um momento ela se pegou rindo da situação. De repente seu pai bateu na porta, chamando por ela e Alicia voltou a si.

– Alicia… Posso entrar, filha?

– A porta esta aberta. Entra. – disse séria e se recompondo.

– Eu estava vendo as correspondências e no meio dela, tinha uma carta pra você. – disse entregando o envelope para ela.

– Pra mim? – perguntou surpresa ao pegar o envelope.

– Por que o espanto? Eu sei que ninguém costuma enviar cartas para você, mas pra tudo na vida há uma primeira vez, minha filha.

– Ninguém me envia cartas, porque hoje em dia isso já esta ultrapassado papai. Nós enviamos mensagens, usamos as redes sociais, o WhatsApp, enfim… 

– Sei… E eu percebi que ela esta sem remetente, seria essa carta de algum admirador secreto? – perguntou curioso.

– Pai, por favor! Seja o que for é apenas da minha conta. Agora será que o senhor pode me dar licença?

– Tudo bem. É que por um momento eu pensei que você finalmente pudesse ter arranjado um rapaz que a admirasse e a pedisse em namoro. Mas vejo que foi só uma ilusão da minha cabeça, você nunca se interessa por ninguém mesmo e aposto que vive afastando os garotos de você com as suas esquisitices. Sabe, eu só queria ter uma filha normal, como a Elena era e da qual eu também me orgulhasse. Eu só queria te entender Alicia, será que é pedir muito? – disse questionador e depois de encará-la por alguns segundos, ele saiu batendo a porta.

Alicia segurou as lágrimas e em seguida pensou alto:

– Se quer mesmo me entender papai, então porque vocês não abrem um espaço pra mim na vida de vocês? Porque não me perguntam as coisas, me questionam… Vocês nunca me deram chance pra nada. – comentou revoltada.

Alicia então se sentou na cama e examinou melhor a carta. Em seguida, ela abriu a mesma e tirou uma folha branca de dentro onde letras recortadas de uma revista, formavam as palavras. Depois franzindo o cenho e curiosa, ela começou a ler:

“Eu sei o que você fez na noite em que Elena Cooper foi assassinada. Tome muito cuidado ou então você pode ser a próxima. Prometo te cortar em pedacinhos, usando a sua velha e boa amiga Gilette pra isso.”

Ass.: A Morte.

Assustada, Alicia amassou a carta e a jogou longe. Afinal, quem poderia saber do seu segredo, além de Andrew agora, e claro, todos que estavam presentes na noite em que Elena foi morta na casa de Peyton. – pensou consigo mesma. – Depois ela se levantou da cama e pegou a carta amassada do chão, e passou a esticar ela pra depois dobrá-la e em seguida guardá-la dentro de sua bolsa.

*****

Na sala, Charlie descia as escadas sorrindo enquanto meneava a cabeça.

– E então, quem foi que mandou aquela carta pra Alicia? – perguntou curiosa.

– E eu sei? Nem ela sabe e duvido muito até que leia. A Alicia não tem jeito, vai acabar ficando pra titia mesmo. Ela só afasta as pessoas com esse jeito arredio e estranho dela.

– Ai eu desisto dessa Garota. Eu fico me perguntando pra quem será que ela puxou? Porque a mim e a você, eu tenho certeza que não foi. Nós somos totalmente o oposto dela. Às vezes eu penso que ela deve ter sido trocada na maternidade, isso com certeza explicaria muita coisa. – disse friamente enquanto ia até a cozinha.

*****

Peyton estava subindo as escadas para o seu quarto quando de repente a campainha tocou e ela parou onde estava, pensando que podia ser Brandon e sorrindo esperou ansiosa Zoila abrir a porta. 

– Boa noite senhor Malone, o que deseja? – perguntou simpática.

– Boa noite. Eu gostaria de falar com a Peyton.

– Claro, eu irei ver se ela pode atendê-lo agora. Ela acabou de subir para o quarto e já ia se recolher. Um momento senhor Malone. – disse se virando e deu de cara com Peyton. – Ah… Senhorita Martinez, eu ia…

– Pode ir Zoila, eu resolvo aqui. – falou interrompendo-a. – Tyler Malone… Então é você. Posso saber o que trouxe você até a minha casa a essa hora da noite?

– Me desculpe pela decepção estampada em seu rosto, aposto que pensou que era um certo Quarterback do time de futebol do colégio. – disse irônico. – Bom, será que eu posso entrar?

– Acredite Tyler, a minha cara de decepção é muito mais pelo fato de você estar aqui na minha casa, do que qualquer outra coisa. Agora sem enrolação, eu gostaria que você fosse direto ao ponto. Dependendo do assunto, ai sim eu te digo se você pode ou não entrar.

– Bem é sobre a Elena. – disse sério.

– Ai não! É sério isso? Não sei como eu ainda me surpreendo, você não sabe falar de outra coisa, Tyler? – perguntou enquanto deu as costas para ele se afastando da porta, e Tyler aproveitou e foi entrando.

– Por acaso você sabe falar ou pensar em outra coisa a não ser Brandon Clark? Então seja bem vinda ao clube Martinez e não atire pedras, porque elas podem ser atiradas em você também. Depois pelo que eu aprendi, existem regras que devem ser seguidas e nós dois sabemos do segredo da Elena. Ela pode ter morrido, mas os seus segredos não. Aliás, eles nunca morrem.

– Ah é mesmo? Engraçado porque eu não faço a menor ideia do que você esteja falando… E depois Tyler, você sabe melhor do que ninguém que Peyton Martinez não segue as regras. Eu as faço. E se for preciso, eu também as quebro. – disse o encarando séria. – Agora se você me der licença, eu tenho coisas mais interessantes pra fazer.

– Não brinca comigo, Peyton. – disse irritado pegando ela pelo braço. – A Elena não esta mais entre nós, mas existem justiças pra serem feitas, além do seu assassinato e a verdade esta em nossas mãos. Talvez elas estejam até sujas de sangue agora, porque nós concordamos com a Elena em guardar o segredo dela. E se você não vai falar nada, eu vou. E eu falo sério, Peyton.

– E quem esta te segurando? Vai. – disse se soltando dele com tudo. – Você já deveria ter feito isso há muito tempo, Tyler. Não fez por quê? No fundo você é um fracote que nunca soube lidar direito nem com os seus próprios problemas que dirá com os dos outros. 

– Muito bom ouvir tudo isso sabia? Você acabou me encorajando ainda mais. – disse saindo e depois voltou a encarando. – Sabe, eu não preciso de você pra contar o segredo da Elena, eu mesmo vou contar tudo pro Detetive Ross.

– E vai dizer o que depois que eles perguntarem a você se existe alguém que possa confirmar a sua história, hein? Você é o bad boy do colégio, o garoto problemático e além de tudo, ainda é um viciado em drogas… Quem é que vai acreditar no que você fala? Com a Elena morta e sem testemunhas, sim porque eu negarei tudo o que disser… Você pode acabar sendo preso ainda por calúnia e difamação, dizem que a pena pode chegar até três anos… Sua mãe e sua irmã policial morreriam de desgosto. – disse passando por ele e indo até a porta, depois abriu ela ainda mais o convidando para sair. – Pode ir agora, Tyler. Mas lembre-se, será sempre a sua palavra contra a minha. E eu sempre terei mais nome, poder e influência nessa cidade do que qualquer outra pessoa.

– Eu odeio você, Peyton Martinez! – disse com ódio ao passar por ela. – E pode guardar esse seu sorrisinho vitorioso, porque a sua máscara vai cair e a sua vez ainda vai chegar, eu prometo! – falou a encarando enquanto ia embora.

– A Elena morreu levando esse segredo para o túmulo. E nós também iremos Tyler Malone. – gritou ela. E ele de longe e sem olhar para trás, ergueu o braço e fez um gesto com o dedo médio o levantando para ela.

*****

Na casa de Brandon, ele saia do banho quando o seu celular tocou e no visor apareceu: Número desconhecido. – Curioso, ele resolveu atender na mesma hora.

– Alô…

– Como vai Brandon Clark? – perguntou uma voz meio robótica do outro lado. – Ainda sentindo falta da sua amada?

– Quem esta falando? – indagou curioso e ao mesmo tempo apreensivo.

– A morte. Eu sei o que vocês fizeram com Elena Cooper e eu serei o seu pior pesadelo. – disse em tom ameaçador e logo depois desligou o telefone.

– Escuta aqui… Mas que droga foi essa?

Brandon parou de falar assim que percebeu que a pessoa havia desligado. Ele vestiu seu pijama e intrigado, ele foi até a janela do seu quarto olhando tudo lá fora e ficou pensativo.

*****

Dois dias depois…

Erin e Jimmy saíram do Dinner rindo e juntos eles iam embora caminhando e conversando. 

– Eu ainda nem sei o que irei dizer no meu depoimento, eu ando tão preocupada e fico nervosa só de pensar. – comentou Erin.

– Nem me fala, eu estou na mesma situação que você, com a única diferença que se eu fico nervoso eu tenho dores de barrigas horrorosas. – disse Jimmy rindo.

Erin olhou para ele e também caiu na gargalhada.

– Eca Jimmy… Eu não precisava saber disso. – disse rindo e fazendo careta.

– Sabe o que eu acho? Que a gente deve agir o mais natural possível e falar tudo o que aconteceu na casa da Peyton naquela noite. Afinal, nós não temos nada pra esconder e depois não aconteceu nada demais mesmo. – disse Jimmy tranqüilo.

– É você tem razão. Pelo menos não até depois que cada um de nós deixou aquela festa. – comentou Erin com o olhar distante. – Bom, eu vou pegar esse atalho até a minha casa. Fica mais perto pra mim.

– Tem certeza? Já escureceu, não quer que eu te leve até em casa? – perguntou Jimmy.

– Não precisa. Ainda não são nove horas, tem bastante movimento na rua. Depois fazer você me levar até em casa e tirar você do seu caminho, não mesmo. A sua casa é mais longe que a minha. Pode ir sossegado que eu vou chegar bem, prometo. – disse sorrindo.

– Eu vou confiar hein? – comentou sorrindo e depois deu um beijo no rosto de Erin. – Vai com Deus amiga.

– Amém! Você também Jimmy. Se cuida.

Erin e Jimmy então se despediram e seguiram caminhos diferentes. Mais a frente uma moto foi encostando perto de Jimmy, que ficou apreensivo.

– Jimmy. Oi… Não esta me reconhecendo, cara? Sou eu, o Nathan do colégio. 

– Eu reconheci sim, mas não quero papo contigo. Pode ir embora. – disse sério e com desprezo, sem olhar na direção de Nathan direito.

– Que isso cara… Esta tarde e eu só queria te dar uma carona. Sobe aqui.

– Você só pode estar louco ou curtindo com a minha cara se acha que eu vou aceitar uma carona vinda de você? Qual é a piada agora? Hum, deixa eu adivinhar… Você vai me levar pro Rio Village onde os seus amigos devem estar esperando e lá vão me espancar, ou quem sabe de repente tirar minhas roupas e me pendurar em uma daquelas árvores bem altas no meio da floresta, me expondo assim ao ridículo como você e a sua turma fazem todos os dias no colégio, acertei?

– Não. Eu estou falando sério, Jimmy. Eu quero mesmo te dar uma carona. E depois já tem um tempo que eu estou querendo falar com você a sós. – disse o encarando sério e parando a moto.

Jimmy também parou de andar e depois olhou para Nathan com desconfiança. 

– Eu não estou entendendo. Diz logo o que você quer cara, ou então some da minha frente e me deixa em paz! – gritou por fim já impaciente.

– Eu só quero e preciso muito falar com você. – disse Nathan o encarando e em seguida pegou na mão dele. – Por favor! Me escuta. – pediu quase implorando.

Jimmy olhou sério para ele sem entender nada e depois tirou a mão dele da sua, saindo correndo em seguida para a sua casa.

– Jimmy espera. Volta aqui Jimmy…

*****

Na delegacia de Village Falls, Tyler chegava para dar o seu depoimento. Ele foi recebido pela oficial Malone, sua irmã que o encaminhou até a sala do Detetive Ross. – Tyler estava inseguro e suava frio.

– Tente se aclamar, você esta muito nervoso. – disse Hollie ao irmão.

Ele esfregava as mãos uma na outra sem parar, até que finalmente ficou frente a frente com o detetive.

– Com licença, Detetive Ross. O senhor Tyler Malone, chegou para o seu depoimento. – disse Hollie ao detetive.

– Muito bem, faço-o entrar. – disse se ajeitando na cadeira.

Hollie então foi até a porta e fez sinal para que o irmão entrasse. – Tyler entrou meio apreensivo e visivelmente nervoso.

– Como vai rapaz? Por favor, pode se sentar e ficar a vontade. A nossa conversa vai ser um pouco longa.

Tyler andou devagar até puxar a cadeira e se sentar de frente para o detetive. – Os dois se encararam por alguns instantes, até que o Detetive Ross ordenou:

– Hollie por favor, se retire da sala e feche a porta quando sair. – disse taxativo.

– Mas porque isso Detetive? Eu participei de todos os depoimentos até agora. – questionou Hollie.

– Sim, mas porque os outros depoentes não eram seus parentes. O Tyler é seu irmão e eu não quero que nada aqui interfira no depoimento dele. É apenas praxe, não se preocupe. Agora por favor, saia e feche a porta. – falou em tom mais sério, dando uma ordem.

– Claro. O senhor é quem manda. Com licença. – disse Hollie sarcástica e depois saiu batendo a porta.

– Mulheres… Sempre temperamentais. Não importa a hora, o lugar ou até mesmo a sua posição no trabalho. Estão sempre se deixando levar pelas emoções. – disse meneando a cabeça e depois encarou Tyler. – Bom rapaz, hoje eu irei iniciar o depoimento de uma forma diferente, antes de já começar com as tradicionais perguntas, eu quero falar sobre o que achamos no seu notebook que foi apreendido na sua casa um dia depois após o assassinato de Elena Cooper. Será que você pode me explicar do que se trata aquilo tudo? E não faça cara de desentendido, porque nós dois sabemos muito bem do que eu estou falando.

Tyler ficou sem saber o que dizer e passou a suar ainda mais frio, esfregando as palmas de suas mãos em cima da calça jeans sobre as pernas.

– E então… Eu estou esperando uma explicação. Pode começar a falar garoto. – disse sério, o intimidando.

*****

Na Presbyterian Church Redemption, a Pastora Victoria Griffin pregava uma palavra no culto especial de casais:

Se adoramos a Deus por tudo que ele é e representa, mas não queremos ser iguais a ele, então nossa adoração é falsa. Adoramos a Deus por tudo que nos dá mas não queremos dar essas coisas aos outros. Incoerente, não? Adoramos a Deus por seu amor incondicional, mas tratamos mal nossos maridos e filhos, nossos pais e irmãos quando eles não cumprem as nossas condições. Adoramos a Deus por nos dar seu perdão e misericórdia mas não queremos dar perdão nem misericórdia ao marido, aos filhos, aos pais e aos irmãos.

– Graça é favor imerecido. Ele não merece mas eu dou e assim me torno parecido com Jesus. O casamento é nosso maior ministério! Deus é quem estabeleceu isso e nos chamou para esse ministério. Sou chamada para servir aquele que precisa de meu serviço, para amar o que não é digno de amor, para perdoar e tratar bem o que não merece. Como foi Deus quem chamou, não tenho desculpas para não fazer isso. É meu ministério. Se eu esperar ser amado conforme eu gostaria para fazer minha parte, jamais serei como Jesus.

– Então casar é ruim? Obviamente que não, todos esses pontos que mostramos aqui não correspondem à plenitude do casamento, e sim  ao fundamento, ao início da sua construção. O princípio de tudo é um casal que se deixa tratar.

– O ministério do casamento revela nosso coração pecaminoso e expõe tudo o que precisamos mudar.

– Chegar a um relacionamento harmonioso é uma das maiores bênçãos da face da Terra, pois representa Jesus e sua noiva, a igreja.

– Lembre-se sempre que Jesus deve ser a nossa maior devoção e também o nosso maior exemplo de santidade. Eu sou Victoria Griffin, pastora e serva de Jesus e da sua palavra. E nunca se esqueçam meus queridos irmãos, que: Deus é bom… O tempo todo! Alelulia, Amém!

– Alelulia, Amém! – disseram todos em uníssono.

A pastora foi se afastando aos poucos do palco, enquanto o grupo do coral da igreja iniciava um cântico. – Ela começou a sentir-se mal, e suava muito. O pastor Griffin percebendo o estado da esposa, foi até ela imediatamente e a acompanhou para fora da igreja.

– O que foi meu amor, você esta gelada… – perguntou preocupado.

– Eu não sei, de repente eu comecei a suar frio e estou com um mal estar, um aperto no peito. Acho que deve ser uma queda de pressão. – disse passando as mãos pelos cabelos.

– Vem sente-se aqui um pouco. Eu vou lhe trazer um copo de água.

O Pastor foi até a secretaria da igreja e logo voltou trazendo água para a esposa que estava inquieta.

– Toma querida, bebe essa água e vamos pra casa.

Victoria bebeu quase toda a água e entregou o copo ao marido.

– E a Erin que mais uma vez não apareceu no culto? Eu estou preocupada com ela, David. – disse angustiada.

– Meu amor, eu não vejo motivo pra isso. Hoje foi um culto de casais e embora ele seja aberto a todos, nós combinamos com a Erin que ela só viria nesses cultos se quisesse. Vai ver ela foi dar uma volta com os amigos, tomar um Milk Shake no Dinner, não se preocupe. Eu tenho certeza de que esta tudo bem com a nossa filha. – disse tentando amenizar a preocupação de sua esposa.

– É pode ser. Mas agora eu quero ir pra casa e ver se ela já chegou ou ficar esperando por ela. Por favor, David… Eu irei me sentir melhor estando em casa. – disse com os olhos marejados.

– Claro, claro. Nós vamos agora mesmo. O Richard fecha a igreja pra mim. Vem… Se apóie em meu braço, eu vou te levar até o carro.

– Obrigada, meu amor. 

Os dois então foram até o carro, enquanto no culto todos permaneciam alegres e cantando, louvando ao senhor.

*****

*Every Breath You Take – Denmark & Winter

Erin ouvia música com um dos fones no ouvido, enquanto caminhava no acostamento e ia entrar pelo bosque, quando foi surpreendida pelo clarão de faróis de um carro preto antigo e sem placa que surgiu na sua frente.

Erin se assustou, ficando inerte e com as pernas bambas. O carro misterioso e com vidros escuros escondiam o motorista, e aquela situação toda já estava deixando ela angustiada. As luzes chegavam a cegá-la de tão fortes que eram e do nada, o motorista do carro deu a partida e acelerou indo na sua direção com tudo. 

– Ai meu Deus! – disse apavorada e começando a correr. – Não! Socorro, por favor… Alguém me ajude. Não! – implora já em prantos, enquanto o seu smartphone caiu no chão.

Erin correu o mais rápido que pode, mas parece que o motorista misterioso estava realmente disposto a acabar com a sua vida. – Ele então acelerou um pouco mais o veículo e sem piedade jogou o carro contra Erin, que voou sobre o pára-brisa e logo em seguida caiu desacordada pra fora da estrada, indo parar dentro do bosque.

*****

CONTINUA…

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