“Você de Novo?”
[CENA 01 – APARTAMENTO DA CAMILA/ Q. DE ADRIANA/ NOITE]
CAMILA – Também acabei sentido a mesma coisa que você. Afinal, ela também se foi brigada comigo.
ADRIANA – Só que a briga que tivemos foi bem maior que à sua com ela.
CAMILA – Eu sei, mas de qualquer forma, isso aconteceu e não podemos mais pedir desculpa.
ADRIANA – E como estar o Junior?
CAMILA – Imagina como é que ele deve estar, Adriana? Perdeu a esposa, tem que cuidar de uma criança sozinho, vai sair de onde mora ou será despejado. (Adriana fica pensativa) O que você está pensando?
ADRIANA – Nada. A gente some por alguns meses e um turbilhão de coisas acontece.
[CENA 02 – CASA DO JUNIOR/ SALA/ NOITE]
(Junior está lendo o jornal na sala, a procura de vaga de emprego)
HILDA – (entrando na sala) Tem certeza de que você não quer comer nenhum um pouco filho?
JUNIOR – Tenho mamãe. Estou sem fome. (Ana acorda)
HILDA – Ela acordou. Vou levar a mamadeira dela. (Hilda volta para cozinha, pega a mamadeira e sobe para o quarto. Junior continua no sofá olhando o jornal)
[CENA 03 – APARTAMENTO DA CAMILA/ SALA/ NOITE]
(Camila e Adriana vão para sala continuar a conversa)
ADRIANA – Você nunca foi de esbarrar em ninguém na rua. Sempre foi a certinha, estranho ter acontecido isso com você!
CAMILA – Talvez isso aconteceu para que eu e ele nos encontrássemos.
ADRIANA – Ele realmente te faz bem, né? Vejo um brilho em seus olhos, quando fala dele.
CAMILA – Gosto de estar com ele. Conversar com ele. Ele me fez surgir um sentimento, que até pouco tempo, acreditava que estava morto dentro de mim.
ADRIANA – Pelo visto, ele te fez esquecer do passado!
CAMILA – Falando em passado, tem mais uma coisa que aconteceu.
ADRIANA – O que? Conta Camila, não me deixa mais ansiosa!
CAMILA – Parece que finalmente consegui me livrar do passado. Nunca mais aquela mulher veio me procurar. Parece que finalmente ela saiu da minha vida.
ADRIANA – Olha, que bom.
CAMILA – Só que, ela estava certa o tempo todo.
ADRIANA – Sobre o que?
CAMILA – Bem, se prepara que vem mais uma longa história… (Camila conta para Adriana a história de seu pai e os acontecimentos que a envolve)
[CENA 04 – HOSPITAL /Q. DA LUANA – Q. DA CARLA/ NOITE]
CLÁUDIO – (entrando no quarto) Oi. Cadê a nova mamãe?
VERÔNICA – Shii, filho. A Luana está amamentando ela.
CLÁUDIO – Foi mal, não sabia. Então, deixa eu ver essa menininha. (se aproxima de Luana) É linda, Luana. Que nome você vai dar para ela?
LUANA – Eu pretendia escolher com à presença do Felipe, mas como ele não está aqui, achei que talvez, poderia chama-la de Alice.
CLÁUDIO – Gostei.
VERÔNICA – Alice, não era o nome da mãe de Viviane?
LUANA – É mamãe!
VERÔNICA – Você vai homenagear a mãe da Viviane do que a minha?
LUANA – Por favor mãe, não começa!
CLÁUDIO – Qual o problema da menina chamar Alice?
VERÔNICA – Nenhum. Você é a mãe dela, pode escolher o nome que quiser. Mas, já que você iria homenagear alguém, pensei que talvez seria eu essa pessoa, já que fiz um monte de coisas por você filha. Um monte de coisa pela gente.
LUANA – O Cláudio vai poder fazer isso para senhora, quando ele tiver os filhos dele, não é Cláudio?
CLÁUDIO – Calma, que eu não pretendo ser pai tão cedo.
VERÔNICA – Mas deveria pensar nisso. Quanto tempo que você e a Camila namoram?
CLÁUDIO – Mamãe, acho que esse não é o momento de falar da minha relação com à Camila.
LUANA – Terminou meu amor.
CLÁUDIO – Agora que ela terminou, deixa eu ver ela aqui direito. (Luana mostra Alice melhor para o irmão) Olhando bem, ela tem mais traços do Felipe, do que seus Luana.
VERÔNICA – Imagina, a menina é a cara da Luana.
[QUARTO DA CARLA]
(Carla também está amamentando seu filho)
PAULA – Ele é lindo, irmã!
CARLA – Eu sei. É igual ao pai!
PAULA – É bom você ter tocado nele. Você não acha que devemos procura-lo?
CARLA – Não, não precisamos dele.
PAULA – Você é a cmãe, você quem sabe.
[CENA 04 – CASA DO JUNIOR/ COZINHA/ NOITE]
(Hilda ainda não voltou do quarto de sua neta. Junior continua na sala, e cansado de ver o jornal, decide ligar a TV. Nesse momento a campainha toca)
JUNIOR – Quem será? (caminha até à porta) Adriana?!
ADRIANA – Oi. Sinto muito, eu soube o que aconteceu.
JUNIOR – Vai embora. (ele fecha à porta, mas ela a empurra com o corpo)
ADRIANA – Não faz isso, Junior. Vamos conversar?
JUNIOR – Não temos nada que conversar. (ele empurra com força à porta e consegue fecha-la. Adriana fica do lado de fora, chamando o nome dele)
ROSÁRIO – (descendo as escadas) Acontecendo alguma coisa filho?
JUNIOR – Ignora mamãe. (Adriana para de bater na porta, a observa um pouco e finalmente decide ir embora)
Dias depois… Amanhecendo…
[CENA 05 – HOSPITAL/ Q. DA CARLA/ DIA]
MÉDICO – Com licença. Pronta para ir para casa.
CARLA – Você nem imagina. Quero logo estar em casa, com meu filho.
MÉDICO – Está bem, então. Mas quero repouso em casa viu. Nada de se esforçar muito.
FREDERICO – Não se preocupa doutor, ela vai ser observada dia e noite.
CARLA – Então eu já posso ir?
MÉDICO – Pode. A enfermeira está trazendo o seu filho. E sinto muito o que aconteceu com sua filha. (enfermeira entra no quarto)
ENFERMEIRA – Olha só quem está querendo ver à mamãe?
CARLA – Oh meu filho. (recebe da enfermeira) Logo, logo você conhecerá sua casa. (beija a testa dele)
[CENA 06 – APARTAMENTO DA CAMILA/ SALA/ DIA]
CAMILA – A Carla está voltando hoje para casa. Você não quer ir ver o filho dela? Adriana? (Adriana está digitando a milésima mensagem para o Junior, mas como as outras, não há resposta) Está me ouvindo?
ADRIANA – Desculpa Camila, mas tenho que resolver um assunto. (levanta rapidamente e vai para a rua)
[CENA 07 – CASA DO JUNIOR/ SALA/ DIA]
JUNIOR – Abaixou mamãe?
ROSÁRIO – Não.
JUNIOR – Então vamos ter que levá-la para o hospital.
ROSÁRIO – Preparei essa bolsa, com medo de que à febre dela não baixasse.
JUNIOR – Então vamos mamãe. (pega as bolsas da mão dela) Não se preocupa filha, a gente vai fazer essa febre abaixar
[CENA 08 – APARTAMENTO DO SÉRGIO/ SALA/ DIA]
SÉRGIO – Ela não atende.
ADRIANO – A Luana?
SÉRGIO – Lógico, mané. Quem mais séria?
ADRIANO – Sei lá. Vai que você encontrou alguém, e esqueceu ela.
SÉRGIO – Isso nunca. Será que aconteceu alguma coisa?
ADRIANO – Ela teria te contado, já que esses últimos meses vocês ficaram tão juntinhos.
SÉRGIO – De novo caixa postal. Eu vou lá.
ADRIANO – Você disse que ela te proibiu de aparecer na casa dela.
SÉRGIO – Disse, mas não posso ficar sem notícias da minha filha.
ADRIANO – Relaxa cara. Talvez ela não esteja atendo porque, bem chegou a hora de criança nascer. (Sérgio ouve o que Adriano disse, coloca seu celular no bolso, e sai apressado pela porta)
[CENA 09 – HOSPITAL/ DIA]
MÉDICA – A defesa imunológica de sua filha estar muito baixa. A mãe dela tem amamentado ela corretamente?
JUNIOR – A mãe dela morreu.
MÉDICA – Vocês sabem que recém-nascidos, devem nós primeiros meses ser alimentados exclusivamente pelo leite materno da mãe. Só o leite materno tem as vitaminas necessárias para o desenvolvimento da criança, além de preveni-la de doenças no futuro. Mas caso, não há uma mãe para amamentar a criança, o recomendável que vocês substituam o leite materno por leite de vaca, por exemplo.
HILDA – Era o que a gente estava utilizando.
MÉDICA – O problema, que esse tipo de alimento, não contém as substâncias necessárias que o bebê necessita. Ainda mais, em crianças menores de 4 meses.
JUNIOR – Ela acabou de nascer. Não tem 1 mês direito.
MÉDICA – Até os 6 primeiros meses, é recomendável crianças serem amamentadas com o leite materno.
JUNIOR – (começa a se exaltar) Mas a mãe dela morreu, a senhora quer que façamos o que?
HILDA – Calma, filho.
MÉDICA – Vocês não conhecem ninguém que poderia amamentar a filha de vocês? Alguma amiga, parente…?
HILDA – Não.
MÉDICA – Então, por enquanto ela vai ter que ficar aqui, em observação, até a febre abaixar.
ENFERMEIRA – Licença. Os exames estão prontos.
MÉDICA – Ah sim. Eu estou cuidado de um outro paciente. Se vocês me dão licença.
HILDA – Podemos vê-la doutor?
MÉDICA – Podem. Só não podem entrar na sala. A enfermeira vai acompanhar vocês. (Hilda e Junior ficam de fora da UTI neonatal, enquanto duas enfermeiras ficam cuidado de Ana)
[CENA 10 – CASA DO FELIPE/ Q. DA LUANA/ DIA]
PAULO – Ela é linda, Luana.
LUANA – Obrigada. (Alice começa a chorar)
PAULO – Assustei ela?
LUANA – Não, ela só estar com fome.
PAULO – Ah.
VIVIANE – Com licença. Alguém aqui quer ver essa menina?
LUANA – Quem?
VIVIANE – Vou trazer essa pessoa.
LUANA – Quem será. (olha para Paulo, que responde dando de ombros. Viviane logo entra com seu visitante. Luana fica surpresa ao ver quem é) Felipe?!
[CENA 11 – CASA DO JUNIOR/ SALA/ DIA]
JUNIOR – E agora mamãe? E se eu perder minha filha? Já perdermos a casa, agora minha filha.
HILDA – Não diga isso, filho. Você não perderá sua filha, confia em mim.
JUNIOR – (começa chorar) Por que a Joana tinha que nos abandonar mãe. Por que ela tinha que me deixar sozinho, com essa menina.
HILDA – Calma querido, logo as coisas vão se ajeitar.
JUNIOR – Queria ter esse pensamento positivo da senhora. Mas com tudo isso acontecendo, não dar. Minha filha internada, eu desempregado, temos até amanhã para deixarmos a casa.
HILDA – Perseverança filho. Logo, a solução logo estará batendo aí na nossa porta. (campainha)
JUNIOR – Quem será?
HILDA – Porque você não vai lá ver quem é? (Junior vai até à porta, Hilda fica no sofá, com um sorriso no rosto, como se soubesse quem estivesse batendo)
JUNIOR – Você de novo?
ADRIANA – Por favor. Vamos conversar?
Continua no Capítulo 53…