Acordo de madrugada ao som, é a angustia e o desespero em ação. Sinto, meu Deus, chegou minha hora então, já não há mais salvação, aqui não existe perdão?”- Refúgio, Fault Line SP.

 

Quando não há mais saída, um refúgio é tudo o que precisamos.

 

— Eu causei muito mal a todos vocês, e agora… Mereço a minha penitência. Mas não queria partir sem o perdão de vocês.

 

Quando não há mais refúgio, improvisamos.

 

Hilda começa a flutuar. De braços abertos parecia estar pronta para sair dali voando. Os outros ficam atônitos, Scott ainda no chão sendo acudido por seu pai tentando entender o fenômeno.

Abigail faz com que Hilda ficasse flutuando até uma altura de aproximadamente 5 metros do chão.

 

E quando não há improvisos, só resta aguardar o fim.

 

— Adeus, Scott! Adeus, Dan… Está na hora de me juntar com os meus pais… Nas chamas.

Hilda acende um isqueiro que estava em seu bolso, ela o joga para pegar na ponta de seus pés. Quando a chama do isqueiro encosta no tecido de sua roupa, rapidamente o fogo começa a se alastrar das pernas dela e vai subindo para o restante do corpo.

Scott grita em desespero:

— NÃO!! MAMÃE!!

Dan, Ellie e Cristhian, em total desespero:

— HILDA!!

— MEU DEUS!

— HILDA!

Abigail em lágrimas, segurando a sua mãe no ar enquanto ela está em chamas.

Scott tenta se aproximar, Dan o agarra no chão impedindo que ele se aproxime, Scott está chorando como nunca. A dor de testemunhar aquela cena deplorável ficará marcada para sempre na sua vida.

 

“Deus é o refúgio dos fracos,

 e eu sou só mais um” – Mano Tchelo.


 

OPENING:

 


 


EPISÓDIO 8:

“REFÚGIO”


 

 

Scott está no chão sendo abraçado pelo seu pai, está inconsolável, vendo a sua própria mãe pegando fogo ali no ar. Seu sofrimento é genuíno e dolorido, tal como o capitão Dan que sente um conglomerado de dor e remorso, enquanto Ellie e Cristhian ficam completamente atônitos com tal situação.

— NÃO! MÃE, MÃE! POR QUÊ? POR QUE, PAI? POR QUE ELA FEZ ISSO?

Dan não consegue consolar o filho, está tão triste quanto ele.

— PORRA, HILDA! Tinha necessidade disso? Precisava deixar o teu filho sofrer dessa forma? Eu não ligo para o que fizer comigo, mas o Scott não merecia isso!

Dan pronunciou essas palavras escorrendo lágrimas violentas em seu rosto e com a voz bem embargada.

No palanque, Abigail ainda chorando, começa a descer levemente o corpo carbonizado de sua mãe ao chão. Os outros testemunham aquilo. Ellie se aproxima de Scott e Dan, e diz:

— Vocês… Não podem se culpar pelo o que aconteceu. Ela conseguiu o que queria. Conseguiu o perdão de vocês dois, e morreu porque já não aguentava mais tanta dor.

— Ela não tinha que ter se matado, todo mundo merece uma segunda chance, ela fez tudo isso na frente do filho dela, do nosso filho.

Cristhian tenta acalmar o capitão.

— Capitão? A Hilda não teria feito isso se soubesse que iria ficar presa pelo resto da vida. Por mais que as ações dela não tenham sido boas… Ela mesma estava sendo escrava de sua própria liberdade. Ao se tornar cinzas, ela ficou livre. Não podemos tirar isso dela, eu ainda estou em choque com a coincidência dela ter feito o carro dos meus pais capotar, mas… Ela estava passando por tanta coisa que… Até entendo ela em partes.

Ellie pergunta:

— E o que será daquela moça?

Todos olham para Abigail. Ela está ajoelhada chorando perante o corpo carbonizado de Hilda.

— Mamãe… Minha mãezinha. Me perdoa… Me perdoa…

Abigail dá um grito de muita dor. Gritos misturados com berros, choro, angústia, prantos. Os 4 estão apenas testemunhando a cena. Scott enxuga as lágrimas e tenta entender o comportamento de sua meia-irmã.

Ela se levanta, tenta enxugar as lágrimas em seu rosto, Ellie tenta se aproximar.

— Abigail? Esse é o teu nome, não é? Por que não vem com a gente? A gente pode conversar.

— Mamãe… Minha mamãe… Ela nunca quis ter a mim como filha, ela me odiava por eu ter nascido de um abuso.

— Sim, querida. Mas você não tem culpa de nada, você foi apenas mais uma vítima assim como a tua mãe.

— Foi a primeira vez que ela me chamou de filha hoje. A primeira vez… E agora eu não tenho nada, eu não tenho nada, NÃO TENHO NADA!

Abigail se enfurece. Ellie e os demais se afastam um pouco dela. Cristhian tenta conversar com ela.

— Ei, calma. Não precisa fazer nada, todos nós sentimos muito pela tua mãe. Olha para o teu irmão… Olha como o Scott tá. Você acha que ele não tá sofrendo?

— Vocês até tentam… Mas nunca sentirão a dor que eu senti.

Abigail pisa firme no chão e um pulso supersônico quase em formato de ventania exala violentamente a partir dos teus pés e arremessa os 4 para longe.

Dan, Scott, Ellie e Cristhian ficam atordoados. O primeiro pergunta:

— Vocês estão bem?

Abigail de cima do palanque, declama:

— Eu ainda vou reivindicar o meu direito sob esta ilha! A morte da mamãe será vingada!

Abigail se move como um animal para a parte de trás e salta pela cratera na parede que Neon havia formado.

O capitão Dan se levanta, corre até lá.

— NÃO! ESPERA! EU PRECISO SABER DE MAIS COISAS! PRECISO DE RESPOSTAS! ONDE ESTÁ O DR. ADDAN?

Já era tarde, Abigail sumiu pela floresta. Os demais permanecem na sala atônitos e completamente baqueados. Dan retoma o caminho e vê de lado o corpo de Hilda. Ele não consegue disfarçar a dor que está sentindo.

Mas o que acontecerá com eles agora que Hilda está morta? Abigail se tornará uma aliada ou uma inimiga? E o Dr. Addan continuará com sua sede absoluta por ambição?

 

LONDRES, INGLATERRA.

 

Estamos em um flat luxuoso, com alguns lençóis jogados no chão, alguns copos e vasos virados na mesa. Em seguida nos dirigimos ao banheiro onde podemos ver a mão de um homem do lado de fora de uma banheira e em seguida vemos um pouco mais a imagem deste homem e se trata do misterioso Benjamim.

(Obs: Benjamim é um personagem original do conto “A Cobrança” e “Valete de Paus” de Cristina Ravela, o uso do personagem teve autorização pessoal da autora).

Benjamim está com uma revista nas mãos enquanto toma seu banho de luxo naquela banheira. Ele está com um pirulito na boca folheando as páginas até que o seu celular que está em cima de uma mesinha ali perto, toca.

— Faça mil favores.

Benjamim joga a revista para o lado, se levanta da banheira ainda todo ensaboado. Ao pisar no chão, vemos ele com seu físico definido e os seus cabelos longos esticados até os ombros.

É possível ver o início dos pelos pubianos de seu órgão genital enquanto caminha para a mesinha. De costas, ele se aproxima da mesa para pegar o seu celular e podemos ver as suas costas largas, pernas torneadas e nádegas malhadas.

Benjamim joga uma parte do cabelo para trás e atende o telefone.

— Pronto?

Não achas que já se divertiu o bastante? (Era a voz de uma mulher).

— Ah, qual é, chefa? Nunca saio da porcaria daquela cidade e quando eu saio, não posso nem passar uns dias a mais para me divertir?

Não fale comigo como se eu fosse a sua empregada. Sou a sua criadora e tenho o direito de exigir de você.

— Beleza “mestra”, acontece que já cumpri o meu combinado.

Ele se aproxima do sofá e há um homem oriental branco, gordo, com uma marca de tiro na testa e a boca aberta saindo sangue e os olhos arregalados.

— O tal do gestor de finanças de quem você tanto falou deve tá tomando um drink com o capeta uma hora dessas.

Sei que leva o seu trabalho a sério, Benjamim. Mas precisa entender que precisamos de você aqui.

— Eu sei, mas… As coisas aqui em Londres ficaram interessantes… Parece que aquelas coisas criadas pelo tal Addan conseguiram invadir a capital e agora estão tocando o terror na cidade.

— O que houve com o duque? Conseguiu eliminá-lo?

— Nem foi preciso, gata. O desgraçado se matou na prisão. Parece que não bastou ter conspirado contra a realeza britânica e ter tentado matar a rainha. Olha… Judas Iscariotes teria ficado orgulhoso.

— Ok, faça o que tiver que fazer e retorne ao país em uma semana. Nada mais que isso, tá entendendo?

— Você que manda, patroa!

A mulher desliga. Benjamim dá uma risada sarcástica.

— A senhorita Ravela não muda nada mesmo.

Ele pega a sua roupa, veste, coloca seu sobretudo, amarra o seu cabelo no seu estilo clássico de coque samurai. Em seguida pega uma carta de baralho, um valete de paus, e joga em cima do corpo do homem no sofá.

— Nada pessoal, velhote, mas negócios, né?

Benjamim pega uma bolsa, vê uma movimentação estranha pelas janelas na rua.

— Ora, ora, ora… Pelo visto as coisas vão começar a ficar cada vez mais divertidas.

Benjamim pega suas armas, desce do prédio, se aproxima de sua moto, coloca o capacete e em seguida monta no veículo dando partida e seguindo caminho para a cidade. Será possível ele ser um homem invencível ao ponto de conseguir deter todas as criaturas?

 

CENTRAL DA ILHA DA PHOENIX

 

Passou-se aproximadamente uma hora desde a morte de Hilda, e todos os demais estão tentando ainda processar esses últimos acontecimentos. Ashley se encontra sentada na calçada no laboratório principal segurando suas mãos uma na outra, até que ela rompe o silêncio.

— Eu… Eu não entendo. Eu passei todo esse tempo acreditando que a Hilda fosse a minha mãe… Resultou ser essa tal de Abigail. Mas se a Hilda não era a minha mãe, então quem poderia ser?

Fionna a responde:

— Estou tão perplexa com essa história quanto você, Ashley. Pobre Capitão Dan, veja só como tá o estado dele.

Elas avistam o capitão Dan em um canto sentado e Ellie está ali tentando consolá-lo. Scott está em outro canto acompanhado de Victor e Lisa.

— Irmão, tem certeza que está bem?

— Não, Victor. Eu… Eu não estou nada bem, minha mãe não precisava ter feito aquilo. Eu senti que ela realmente estava arrependida, mas ela não precisava morrer assim, entregar os pontos, era só ela ter vindo com a gente. Agora eu entendo a dor que você sentiu quando tua mãe morreu lá no palácio, agora eu entendo.

Lisa responde:

— A minha mãe me deixou muito cedo. Eu digo que vocês dois foram privilegiados por terem as mães de vocês até a sua fase adulta. Eu sei que a Hilda não esteve mais tão presente na tua vida, Scott, mas ela não deixa de ser tua mãe. E certamente ela também te amava.

Ellie se aproxima deles.

— Scott? Eu… Eu preciso ter uma pequena conversa em particular com você. É rápido, prometo.

Victor diz:

— Deixaremos vocês à vontade. Vamos, Lisa!

— Vamos!

 

Quando os dois se afastam, Ellie se assenta ao lado de Scott.

— Eu quero te dizer uma coisa e quero que você preste muito a atenção no que eu vou te dizer… Teu pai e eu… Nunca tivemos um caso. Se a tua mãe alguma vez duvidou, foi por culpa e insistência da minha parte. Eu não vou negar que já tentei flertar com o teu pai inúmeras vezes, mas ele sempre foi um homem fiel à sua mãe. Então eu assumo toda a responsabilidade de ter causado esse mal entendido, mas eu peço uma coisa, Scott: Não odeie o seu pai. Por mais que ele tenha tomado uma decisão errada no passado, ele também deve estar muito arrependido de tudo isso. Mas a gente não pode julgar ele pelo o que ele fez no passado, pois ele fez pra te proteger, então… Não deixe que isso afete a relação de pai e filho entre vocês dois. Por favor.

Scott com os olhos marejados, parece acatar o conselho de Ellie. Ele se levanta lentamente tentando enxugar um pouco as lágrimas, vai em direção ao seu pai que está ali em outro canto da parede, onde Julian se encontra ao seu lado.

Dan percebe que Scott está se aproximando dele e levanta bruscamente.

— Scott?

Scott para por instantes.

— Pai…

Ele tenta segurar, mas as lágrimas vieram à tona e ele corre pra abraçar seu pai.

— Eu sinto muito! Sinto muito!

Dan retribui o abraço dolorido do filho, dizendo:

— Não tem que se desculpar de nada, filho. Eu que menti pra você durante todo esse tempo. Me perdoa!

Scott para de abraçá-lo para olhar em seus olhos.

— Não, você fez isso porque é um ótimo pai. Me perdoa se alguma vez eu duvidei de ti.

Eles se abraçam novamente. Os outros dispersos, mas no mesmo recinto, ficam observando. Fionna se aproxima de Ellie.

— Ellie, você está bem?

— Mais ou menos, Fionna. Eu preciso descansar, foi muito pra mim hoje.

Em outro canto da sala, Cristhian está desabafando para Lisa e Demétrio.

— Ela quem bateu o carro nos meus pais… Como que? Como pode ser possível tamanha coincidência?

Lisa responde:

— No final das contas, Hilda era só mais uma vítima do jogo sujo do Dr. Addan. Meu Deus, pobre mulher! Agora justifica todo esse ódio que ela sentia.

Demétrio diz:

— Agora que essa tal de Hilda morreu… O que iremos fazer?

Lisa o responde:

— Encontrar o nosso pior inimigo. Precisamos deter o Dr. Addan!

 

BUNKER SECRETO

 

Addan está sentado na cadeira olhando o computador e Naraj se aproxima.

— Dr. Addan?

— Sim?

— Temo informar que a senhora Hilda está morta.

Ele vira a atenção pra ele novamente e pergunta:

— Como isso aconteceu?

— Não sei muita coisa, mas… Vi algumas imagens das câmeras, e a Abigail continua desaparecida.

— Droga! Essas idiotas não me servem pra nada.

— Acho que estamos nos esquecendo de um pequeno detalhe, Dr. Addan.

— O quê?

— O calabouço.

— Shhh, fale baixo! A Emily pode escutar.

— (Se aproximando dele e falando mais baixo)Doutor Addan, sabe perfeitamente bem que agora que o capitão e os outros estão aqui, nada os impede de descobrir o calabouço.

— Não podem, vão encontrar um calabouço normal quando entrarem.

— Se esqueceu do Edward? Ele sabe que o calabouço não é só aquela parte quando descemos as escadas. E ele tem acesso.

— Maldição! A Ashley também sabe. Ela só nunca entrou lá, mas sabe.

— Exatamente isso. O que vai acontecer se…

— … Por favor, não mencione o nome em voz alta.

— Ok. O que vai acontecer se a pessoa do calabouço abrir a boca para o capitão Dan e os outros? O senhor sabe bem que todos os seus segredos estão nas mãos de… Bom, do seu “cãozinho”, como você fala.

O Dr. Addan olha para Naraj um pouco temeroso, pela primeira vez ele parece sentir que as coisas vão começar a desmoronar pra ele.

 

LONDRES, INGLATERRA.

 

May e Peggy acabam de descer do carro. É de tarde e elas estão tentando achar locais no qual pode ser seguro ou que tenham sobreviventes.

— Eu espero que o capitão Dan e os outros voltem logo e coloquem um fim nisso tudo, Peggy. Viver fugindo dessa forma será pior ainda pra todos nós.

— Acredite, eu vivi fugindo, sei bem como é.

— Pelo visto, as pessoas desse bairro já evacuaram, foram bem espertos. A gente precisa encontrar um lugar para descansarmos e precisamos comer. Nosso corpo não vai aguentar muito tempo.

— É, às vezes eu esqueço que você ainda é uma patricinha mimada que…

Peggy se detém por instantes.

— O que foi?

— Olha ali.

Ela avista uma casa modesta com um pequeno cercado branco. Lá dentro no quintal, uma senhora gorda com uma roupa branca e pintinhas lilás e um lenço no cabelo está ali pegando um gato preto.

— Vamos pra dentro que tá perigoso, minha linda!

Mas Peggy ficou mais temerosa ao ver um infectado se aproximando da pobre senhora sorrateiramente.

— Meu Deus, de novo não.

Peggy sai correndo para a direção daquela casa.

— PEGGY, ESPERA!

— EI, VOCÊ!

A senhora está de costas alisando o gato, quando olha pra trás se depara com a criatura.

— Ai, meu Deus!

Peggy pula o cercadinho da casa.

— Ei, pau no cu! Fica longe dela!

O homem infectado se vira contra Peggy e ela saca a sua arma e atira na testa dele.

A senhora grita e cai sentada no chão, o gato escapa das mãos dela.

May chega em seguida e se depara com a cena.

— Peggy! Você tá bem?

— Agora sim estou.

A senhora ainda está no chão, chocada com o que viu.

— Ah, minha nossa senhora!

Peggy guarda a sua arma e se aproxima para ajudar a mulher.

— Senhora, está bem? Não se preocupe, nós não vamos machuca-la.

— O… O que era aquilo? Por que aquele homem estava agindo assim?

— Não viu as notícias? A cidade está em toque de recolher.

— Não, eu não vejo televisão, filha. Me ajude a me levantar.

— Sim, claro.

Peggy ajuda a mulher a se levantar, May se aproxima delas.

— Senhora, não pode ficar aqui. A cidade inteira está em toque de recolher e foi invadida por essas coisas. São seres infectados, se eles te mordem, você se transforma em um deles. Precisa sair daqui o quanto antes.

— Mas… Eu não posso. Não posso deixar os meus filhos.

— A senhora tem filhos?

 

Cortamos para a cena onde May e Peggy já se encontram dentro da casa da senhora e completamente perplexas com tudo o que estão vendo. Peggy questiona:

— Então… Esses são os seus filhos?

Ao termos uma visão panorâmica da casa, podemos ver vários gatos de todos os tipos e tamanhos espalhados por toda a casa.

— Sim, são 24 ao todo. Eles são tudo o que eu tenho, são a minha família, sabe?

May pergunta:

— Desculpa, mas… A senhora não tem nenhuma alergia ou coisa do tipo? Tem gatos demais aqui, e sua casa é bem modesta, apesar de ser bem arrumada.

— Oh, e por falar nisso, que mal educada eu sou, eu me chamo Trudy, moro aqui há 25 anos.

— Meu nome é Peggy e essa é a May.

— Por que vocês duas não se sentam enquanto eu preparo um chá com biscoitos?

— É que… (Hesita May).

Peggy segura em seu punho olhando pra ela e depois fala se dirigindo a Trudy.

— Nós vamos aceitar, senhora Trudy. Estamos cansadas e há dias perambulando pela cidade procurando por algum refúgio.

— Então estão no lugar certo. O lar dos gatos também será o lar de duas moças lindas como vocês duas.

As duas se entreolham, talvez seja de fato um ótimo lugar para elas descansarem.

 

CENTRAL DA ILHA DA PHOENIX- 2 HORAS DEPOIS…

 

Edward com o ombro enfaixado por conta da lesão que sofrera do chacal, já está bem melhor que antes. Fionna foi quem fez seus curativos.

— Tem certeza que tá bem, Edward? Eu sei que a faca não pegou tão fundo, mas…

— Eu estou bem, Fionna. Eu precisei encenar um pouco na frente do chacal de que eu estava morrendo, meu medo era ele acertar aquela faca na minha cara, mas eu sabia que os danos com colete seriam bem menores, então ficarei legal. Veja, acho que o capitão quer falar conosco.

O Capitão Dan pede para que todos os que estão ali presentes se reúnam formando uma roda entre eles.

— Senhores! Senhoras e… Senhoritas. É um prazer finalmente podermos estar todos reunidos. Bom… Nem todos que nós queríamos podem estar aqui hoje, mas… Vamos brindar por vocês que estão aqui e sobreviveram a todo esse horror. Primeiro quero agradecer a você, Fionna, que mesmo em condições adversas, conseguiu ter pulso firme pra conduzir toda essa situação. Não conhecia a Ashley, mas fico feliz que tenha dado esse apoio, ao igual que o senhor Ishihida, que finalmente reencontrou a sua filha mais velha depois de tantos anos. Também agradeço a você, Edward. Admito que se não fosse por sua ajuda, nunca teríamos feito essa operação, é louvável a tua atitude em querer fazer o que é certo.

— Não precisa agradecer, capitão.

— Bom, como todos sabem, nunca desmereci meus soldados em hipótese nenhuma, porque sei que trouxe a equipe mais competente pra cá. A morte da Hilda acabou desenterrando o passado que eu tanto lutei para esquecer, algo que me arrependo amargamente por ter feito. Não vou conseguir apagar esse crime que cometi, mas posso fazer valer a pena agora que estou aqui para quitar essa dívida com o Dr. Addan. Quero propor algo, mas precisamos primeiro saber qual o próximo passo a seguir? Edward, tem alguma sugestão?

— Precisamos ir até o calabouço. É lá que o Dr. Addan esconde um segredo que não quer revelar pra todos nós.

— O calabouço?

Ashley responde:

— Sim, inúmeras vezes eu ouvi conversas do Dr. Addan e do Naraj sobre o que tem naquele calabouço. Ou melhor… Quem tá lá.

Makoto prossegue:

— Eu… Eu vi uma pessoa lá dentro, quando eu estive preso. Estava muito escuro, mas tinha alguém lá. Acredito que há um lugar mais profundo naquele calabouço que o Dr. Addan não quer que a gente entre.

O capitão retoma a palavra:

— Bom, se é um lugar onde ele não quer que entremos, é aí que devemos entrar.

Lisa questiona:

— Mas… E se lá não tiver outro daqueles monstros como o Aragon ou o Neon, sei lá?

Edward a responde:

— Não, não, o calabouço não seria grande o suficiente para abrigar monstros da magnitude do Aragon ou do Neon, talvez seja um infectado de menor porte, não dá pra saber o que a gente vai encontrar lá dentro.

— Bom, seja lá o que for, precisamos agora nos organizar, muitos de vocês aqui fizeram um ótimo trabalho, mas tá na hora de estipularmos algumas tarefas pra vocês. Temos três civis conosco: Fionna, Ashley e o Dr. Makoto. Não posso confiar deixar eles sozinhos, então vocês três irão conosco até o calabouço. Peço por gentileza que venham até a minha esquerda.

Os três se dirigem para perto do Capitão Dan.

— Lisa, como eu sei que não vai querer se separar do seu pai e agora você tem um motivo ainda maior pra ficar, você pode vir com a gente para o calabouço.

— Obrigada, capitão.

— Bom… Cristhian? O que me diz? Quer continuar nisso?

— Eu cheguei até aqui, capitão. Não posso desistir agora. Principalmente agora que eu sei de toda a verdade, não posso ficar de braços cruzados.

— Perfeito! Pode vim à minha esquerda(T). Bom, infelizmente Mason e Jennifer nos deixaram, mas soube que ainda temos um piloto vivo, não é?

Ellie responde:

— Sim, capitão. Os pilotos que nos deixaram de helicóptero primeiro, estão aguardando ordens.

— Certo. Alguns de vocês precisam voltar.

Hillary pergunta:

— Espera. Voltar? Mas por quê?

— Olha, eu sei que parece estranho, mas estou poupando muitos de vocês. Agente Victor, pretende ficar ou ir com a gente? Você já passou por muita coisa, talvez seria bom descansar agora.

— Não, capitão. Eu disse que ficaria ao lado do senhor até o fim.

Scott responde:

— E eu também, pai. Vou contigo até o fim.

— Está bem, vocês dois virão conosco para o calabouço. Precisamos ajudar a May e a Peggy em Londres. Elas estão sozinhas e talvez precisem de ajuda. Cabo Judy?

— Sim, capitão?

— Vou pedir para que volte à Londres, seus serviços foram muito bem prestados aqui. Quero que retorne e tente ajudar a May no que for preciso, iremos te colocar em contato com ela.

— Ás ordens, capitão.

— Demétrio, você também vai voltar com ela.

— Mas… Capitão. Eu…

— Olha… Eu tive que perder um jovem mais novo que você aqui nessa ilha para aprender a minha lição. Você fez um ótimo trabalho, garoto! Mas não posso deixar alguém jovem como você ter sua carreira interrompida. Quero que vá e volte juntamente com a cabo Judy. Ao chegar em Londres, procure sua família e volte pra eles, a cabo Judy ainda fará mais alguns trabalhos, mas em seguida também estará dispensada da missão.

— Está bem, capitão. Eu aceito.

— Bom, vocês dois passem para o outro lado. Julian? O que acha de voltar com eles? Talvez você será um grande suporte para a cabo Judy ao chegar em Londres.

— Capitão, o senhor sabe que eu não desobedeço ordens, mas… Depois do que aquele filho da puta do chacal fez com a Jennifer… Eu quero ficar cara a cara com esse desgraçado, se o senhor puder me compreender.

— Eu entendo… Então… Ellie, como você é a única piloto aqui presente, virá conosco, mas ao invés de entrar no calabouço, pedirei para que você, a agente Hillary e o Julian fiquem de guarda na porta do calabouço e não deixem ninguém se aproximar. Tudo certo pra vocês três?

Os três respondem em uníssono:

— Sim, capitão!

— Edward, você que sabe o caminho do calabouço, irá nos conduzir.

— Certo, capitão!

— Bem, boa sorte a todos! Bom retorno aos nossos soldados e… Até uma próxima vez, pessoal! Agora sim vamos descobrir o que o Dr. Addan tanto esconde.

 

PRIMROSE HILL, CASA DE TRUDY, LONDRES.

 

Finalmente May e Peggy puderam se alimentar depois de horas. A bondosa Trudy oferece toda a sua hospitalidade às moças.

— Estava pensando… Por que vocês não tomam um banho? Eu lavo as roupas de vocês e coloco na secadora, vocês estão com marcas de sangue em toda a parte, seria melhor se cuidarem.

May, um pouco envergonhada, responde:

— Ah, obrigada senhora Trudy, nós realmente agradecemos muito por tudo.

— Por nada, querida.

 

WEST END, LONDRES.

Na viatura, estão os policias Sam, George e Arnold passando pela região de West End, famosa pelos teatros em Londres. Eles estacionam a viatura em um beco e saem do veículo para respirar um pouco.

Arnold diz:

— Cara, tudo isso que está acontecendo é uma verdadeira loucura. Como pode um homem renomado como o Dr. Addan tentar criar esse tipo de coisa?

Sam responde:

— É por aí onde caminha a humanidade, Arnold. A ganância está matando as pessoas e pelo o que eu vi, a tendência é piorar.

George ouve um barulho.

— Galera, vocês estão escutando isso?

— O quê?- Pergunta Arnold.

Eles ficam parados por alguns segundos. O silêncio ensurdecedor toma conta daquele beco.

 

Por outra viela, algo está se aproximando rapidamente como um animal.

Eles ainda ficam tentando descobrir de onde está vindo esse barulho e de repente, da viela, vem algo na direção de Arnold. É uma mulher infectada.

— AHHHHHH!!

SAM grita:

— ARNOLD, CUIDADO!

— ARNOLD!

A mulher pula em cima de Arnold, rasga o pescoço dele com os dentes.

— AAAAAAAAAAAAAHHH!!

— SAM, ATIRA NELA!

Sam consegue acertar o tiro na testa da infectada, matando-a instantaneamente.

Arnold está ali no chão agonizando.

— Por… Por favor.

— Sam, o Arnold vai virar um deles em poucas horas.

— Eu, eu não posso fazer isso. Não posso.

— Que seja.

George pega a sua arma e aponta para a testa de Arnold.

— Sinto muito, velho amigo.

Ele acerta o tiro que o mata, mas evita que ele se transforme.

— DROGA, DROGA, GEORGE! Ele não queria entrar nessa, não queria.

— Eu também não, mas não tivemos escolha.

— Sempre temos escolhas, nós…

Sam avista mais a frente naquele beco, um grupo de aproximadamente 20 infectados.

— George… Entra na viatura.

— O quê?

— ENTRA NA VIATURA! RÁPIDO!

George vira pra trás e vê os infectados se aproximando.

— DROGA!

Os dois entram rapidamente na viatura. Sam tenta dá partida, mas o carro não pega.

— MERDA! NÃO TÁ QUERENDO PEGAR!

— RÁPIDO, SAM! ELES VÃO PEGAR A GENTE!

Os infectados chegaram. Eles começam a se tumultuar na viatura batendo nela, forçando os policias a saírem.

— MERDA, O QUE A GENTE VAI FAZER, SAM?

— Vamos, pega, pega!

O carro finalmente dá partida, mas os infectados dificultam a passagem. Alguns conseguem subir em cima do para-brisa e tapam a visão de Sam para dirigir.

— SAIAM DA FRENTE, SEUS DESGRAÇADOS! SAIAM DA FRENTE!

Sam tenta conduzir o carro como pode, mas acaba não vendo uma calçada ali próxima que faz com que o carro se levante de vez. Ele tenta retomar o controle, vê um poste à sua frente, desvia. Mas ao desviar para entrar em outra rua, a viatura acaba tombando.

Os infectados não perderam tempo e foram imediatamente para a direção deles.

— George, você está bem?

— Eu acho que sim.

— A gente precisa sair daqui logo! Rápido!

Quando estão prestes a sair, um dos infectados puxa George pela janela.

— Aaaaaaaahhh me solta!

— GEORGE!

Já estando do lado de fora, George chuta o infectado que o puxou, em seguida se levanta e outros vêm em sua direção. Sam sai do carro e se levanta.

— GEORGE!

— SAM, SAI DAQUI! EU CUIDO DELES!

— MAS…

— RÁPIDO!

Sam corre e vai para um dos teatros. George continua ali tentando deter os infectados.

— SEUS FILHOS DA PUTA!

George começa a atirar neles um por um. Como já sabe que precisa atirar diretamente na cabeça, não perdeu muito tempo gastando bala à toa.

— MORRAM, MALDITOS! MORRAM!

Mas nessa distração, ele não percebe que um infectado está subindo em cima da viatura capotada atrás dele. O infectado pula em cima de George agarrando-se em seu pescoço e em seguida arranca a sua orelha.

— AAAAAAAAAAAHHHH! FILHO DA PUTA!

George se arrasta no chão completamente ferido, vai para o meio da pista. Atira no infectado que o feriu, ele continua a se arrastar para o meio. Restam pouquíssimos infectados para serem mortos. Porém mais uma vez, George acaba perdendo por mais uma distração.

Um ônibus para refugiados passa por ali, o motorista não consegue enxergar George na pista. George olha para o ônibus vindo em sua direção.

— NÃO!

O ônibus passa por cima de George, sua coluna dobra para trás, os pneus passam por cima de seus braços e pernas esmagando-as. O motorista consegue frear somente depois, porém o estrago já estava feito. De George restou apenas uma carcaça.

Sam continua correndo para o interior de um daqueles teatros. Ele vai direto para a cotia que fica atrás do palco para se esconder. Ele se agacha, fica completamente atônito.

— Droga! George, Arnold! ESSES DESGRAÇADOS!

Não resta mais saída, Sam é o único sobrevivente de sua equipe.

 

PRIMROSE HILL, CASA DE TRUDY, LONDRES.

 

May e Peggy já tomaram seu banho e estão no sofá, ambas de toalha esperando que suas roupas se sequem na secadora. A senhora Trudy está perambulando pela casa chamando um gato.

— Pss, pss, pss, Luna. Cadê você, minha linda? Pss pss pss.

May pergunta:

— Está tudo bem, senhora Trudy?

— Sim, mas não encontro a Luna. A Luna é a gata que estava no meu colo quando vocês chegaram no quintal.

Peggy responde:

— Se a senhora quiser, a gente pode ajudar a procurar.

— Não se incomodem, ela deve voltar logo.

Do lado de fora, vemos a gata chamada Luna se aproximando dos restos mortais daquele infectado ali no quintal e está cheirando o sangue esparramado no chão.

 

CENTRAL DA ILHA PHOENIX, COMPARTIMENTO EXTERNO.

 

Pelo mesmo local onde Ellie e os outros entraram, um helicóptero já se encontra ali presente para levar Judy e Demetrio de volta para Londres.

Julian e Ellie acompanhou os dois até lá. A última fala:

— Boa sorte, gente. Fizeram um excelente trabalho.

— É, pode apostar. O capitão está orgulhoso de vocês.

Judy responde:

— Obrigada! Eu queria muito poder colaborar com vocês por mais tempo, mas… Foi bom enquanto durou.

— É, quem imaginava que um militar tão novo como eu iria embarcar numa missão tão perigosa como essas? Valeu a pena.

Ellie responde:

— Fico muito contente por isso, bom… Julian e eu precisamos voltar. O Capitão precisa de nós. Fiquem bem, gente! Até a próxima!

Ellie e Julian retornam. O piloto de dentro do helicóptero, pergunta:

— Vocês já estão prontos?

Judy responde:

— Sim, sim, já vamos subir.

Judy se prepara para subir. Ela coloca o primeiro pé em cima e em seguida sobe e se afasta mais pra trás pra dar espaço para Demétrio.

Demétrio coloca o primeiro pé na porta, fica parado por alguns segundos, pensativo. Em seguida ele tira o pé de volta.

— Demétrio. O que houve?

— Eu vou ficar, Judy.

— Mas… O capitão disse que era pra você voltar, ele vai ficar bravo se você não vier comigo.

— Sim, eu sei, não quero desobedecer a ordem dele, mas… Eu não iria me sentir nada bem em voltar pra casa agora e deixar todo mundo aqui lutando e eu de braços cruzados.

— Demétrio, eu entendo a tua coragem, mas… Você ainda é muito jovem e tem família te esperando lá.

— Por isso mesmo, Judy. Ainda sou jovem… E quero ter uma história pra contar.

Judy suspira e diz:

— Tem certeza disso?

— Tenho. Pode ir.

— Tá bom, mas deixando claro que eu não tive nada a ver com isso, tá?

— Pode deixar, eu aviso ao capitão que foi por teimosia minha mesmo.

— Ok, até logo, Demétrio!

— Até!

Judy se ajeita no helicóptero, ela dá o sinal para o piloto de que ele pode ir.

Judy acena para Demétrio pela janela, igualmente ele fica ali parado acenando para ela sorrindo. Judy repete o gesto, mas o seu sorriso começa a se desfazer quando percebe algo incomum.

— Demétrio!

Demétrio ainda parado acenando, não percebe que quem menos imaginávamos aparece por trás. É ele… O chacal.

 

O chacal dá um “mata-leão” em Demétrio e em seguida crava a faca em seu peito inúmeras vezes.

Judy no helicóptero se desespera, ela abre a porta e grita:

— DEMÉTRIO! NÃAAO!

O chacal friamente levanta Demétrio para que ele olhe para cima na direção de Judy e em seguida passa a faca na garganta dele.

— NÃAAAAAAAAAO!! DEMÉTRIO! DEMÉTRIO! A GENTE TEM QUE VOLTAR! A GENTE TEM QUE VOLTAR!

O piloto responde:

— NÃO PODEMOS VOLTAR! É tarde demais, ele já está morto. Eu sinto muito, sinto muito mesmo.

Judy rompe a chorar.

— Não… Não pode ser. Demétrio.

O chacal não satisfeito, joga o corpo de Demétrio de cima do prédio.

Um jovem marinheiro que tinha um talento promissor, e foi interrompido pela maldade dos homens.

 

Na casa da senhora Trudy. May e Peggy já estão com suas roupas. Trudy fala com elas:

— Sabe… Acho que vocês duas poderiam passar a noite aqui.

 

No teatro em West End, Sam ainda está impactado com a morte dos colegas e tentando buscar forças pra seguir em frente.

Ainda ali perto, Benjamim está passando com a sua moto e vê o tumulto na rua por conta dos infectados mortos e o atropelamento de George.

— Puta merda! O que foi que aconteceu aqui?

Na ilha, o capitão Dan está prestes a dar mais uma comanda a todos os seus soldados até que recebe uma chamada.

— Pronto?

— Capitão…

— Judy? O que…

— … O Demétrio se foi.

— O quê?

— O Demétrio tá morto, ele tá morto, capitão(Rompe a chorar).

O capitão Dan fica intacto sem saber como reagir. Perdeu mais um de seus soldados, como lidar com tudo isso?

Como todos eles vão lidar com o que está por vir?

 

ILHA DA PHOENIX, 4 DA TARDE.

 

Está tudo estranhamente silencioso na floresta da ilha da Phoenix. Mas aos poucos vemos passos que começam a estremecer a terra.

Um pouco mais à frente, encostado em uma árvore grande, está Neon. Ele olha para o outro lado da floresta, e há cerca de uns 20 metros de distância, está Aragon ali.

Aragon para de caminhar, percebe que quem está ali é alguém ligeiramente “conhecido”, ou apenas uma criatura semelhante a ele como já sabemos.

Os dois estão se encarando a distância. Aragon cerra um dos punhos e aos poucos começa a ranger seus dentes.

Do outro lado, Neon se desencosta da árvore, dá um passo a frente. Fecha o seu punho ficando em posição de ataque.

Aragon o encara por mais alguns segundos, mas ele se cansa de só olhar e levanta a sua cabeça para o alto desatando um grito.

Neon retribui o grito do outro lado. Em seguida ambos começam a correr na direção um do outro.

A distância parecia grande se fossem dois humanos, mas as criaturas estão correndo em uma velocidade descomunal e prontos para o que der e vier.

Eles se aproximam, cada um com o braço pronto para o ataque. Seus punhos se chocam um no outro. Eles ficam encarando pra ver quem vai ceder primeiro. Aragon começa a gritar e bate em Neon com o outro braço.

Neon revida e dá uma cabeçada nos peitos de Aragon o derrubando no chão.

Aragon se levanta e empurra Neon para o interior da floresta e ele bate as costas em uma árvore. Aragon se afasta, pega um galho de uma árvore, arranca para usar como arma.

Neon faz a mesma coisa. Pega um tronco, quebra ao meio na perna e segura aquele tronco como se fosse a sua “espada”.

Os dois encarando um ao outro,

Olho no olho,

Rangendo os dentes,

Como se estivessem em uma batalha no velho oeste, eles se preparam para ver quem será o vencedor e quem vai conseguir disparar o primeiro tiro.

Os dois correm novamente na direção um do outro e se preparam para travar uma batalha épica.

 

PRÓXIMA TERÇA

 

NÃO PERCAM!

 

ARAGON X NEON

 

QUEM VAI VENCER ESSA BATALHA?

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