NOVA CHANCE PARA AMAR
Novela de Ramon Silva
Escrita Por:
Ramon Silva
Direção Geral:
Wellington Viana
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
AMANDA
BEATRIZ
BELINHA
EDILEUSA
ELISA
GUSTAVINHO
JOSIAS
KLÉBER
LAURA
MARCELO
MARCOS
MOREIRA
RAMIRO
REGINA
RICK
RODRIGO
SÉRGIO
SEVERO
VIVIANE
CENA 01. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.
Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.
ELISA — Será que é tão difícil pra você entender que eu preciso de um tempo?! Tem mesmo que ficar enfiado no bar aí de frente pra tomar conta da minha vida?!
MARCOS — Elisa, me escuta, por favor!
ELISA — Não! Eu não tenho nada pra falar com você Marcos! Quando será que você vai entender isso?!
MARCOS — Eu sei que você me pediu pra ficar longe/
ELISA — (Corta) Sabe, mas não faz o que eu pedir!
MARCOS — Você não quer mais ver a minha cara e eu te dou total razão para tal… Mas você não pode me proibir de ver o meu filho!
CAM mostra Gustavinho a olhar.
ELISA — Como é que é?
MARCOS — É isso mesmo que você ouviu! Eu sou pai e tenho o direito de passar um tempo com meu filho!
Fecha em Elisa séria. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 02. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.
Rick chega à cozinha e Edileusa está a cozinhar.
EDILEUSA — Já chegaram?
RICK — Chegamos agora há pouco.
EDILEUSA — E como é a Viviane? Pelas fotos que tem dela pela casa, é uma mulher muito linda!
RICK — Linda ela é mesmo.
EDILEUSA — Aqui presa nessa cozinha não tive nem como ver ela chegar.
RICK — Se preocupa não que eu acho que ela vai ficar de vez.
EDILEUSA — Nossa! Imagine ter uma ex-modelo morando aqui, Rick…
RICK — Eu imagino… De biquíni na piscina.
EDILEUSA — Tira teu burro da chuva que ela tem marido. E pelo jeito é um homem muito rico.
RICK — Ah, sim. O seu Rodrigo. Até que é gente boa, ele.
EDILEUSA — (Ansiosa) Não vejo a hora de falar com ela.
RICK — Por que essa ansiedade, mulher?
EDILEUSA — Como ainda me pergunta isso? Ela é uma ex-modelo famosa no mundo todo!
RICK — Ah é? Tem certeza mesmo que ela é famosa no mundo todo? No aeroporto não vi nenhum fã se aproximar, nem nada.
EDILEUSA — Você não sabe de nada! Quando vê ela desfilando, não fique de queixo caído.
Edileusa começa a desfilar pela cozinha e Rick fica a sorrir de tal cena. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 03. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.
Continuação imediata da cena 01.
MARCOS — Veja bem Elisa… Mesmo que a gente se separe, o Gustavinho é o elo que ainda nos mantém um próximo ao outro.
ELISA — Fala a verdade, Marcos! Você tá fazendo isso pra me atingir, não é?
MARCOS — Claro que não! Apenas estou querendo o meu direito, que é ver e passar um tempo com meu filho! Casamento acaba, mas um filho nunca deixa de ser filho.
GUSTAVINHO — (Reclama) Mãe..
ELISA — Filho você vai ter que ir com seu pai.
GUSTAVINHO — Mas mãe/
ELISA — (Corta) Vai, filho. Ele tem o direito de passar um tempo com você. Do jeito que é, ainda pode dizer por aí que eu não deixo e querer tomar você de mim!
MARCOS — Não envenene o menino contra mim, Elisa! Você sabe muito bem que quem fica com a guarda é a mãe.
ELISA — (P/Gustavinho) A noite você volta pra mamãe, tá?
GUSTAVINHO — Tá bom.
MARCOS — Vem, filho. Vamos nos divertir muito.
Os dois saem. Elisa vai fechar a porta
ELISA — (P/si) Desgraçado! Querendo me atingir usando o meu filho!
CORTA PARA:
CENA 04. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Rodrigo sentado pensativo. Viviane desce a escada.
VIVIANE — O que foi aquilo Rodrigo?
RODRIGO — Oi, meu amor. O que você disse?
VIVIANE — Estava falando com você na maior quando saiu sério do quarto e não disse nada.
RODRIGO — Desculpa.
VIVIANE — (Senta no colo do amado) O que tá acontecendo, meu amor? Pode falar.
RODRIGO — É que… Voltar ao Brasil depois de quinze anos, tudo se passa como um filme na sua cabeça.
VIVIANE — (Beija o rosto dele) Ôh, meu amor… Eu sei que a sua saída do Brasil para a França não foi nada agradável, mas… Tenta enxergar que agora é uma nova vida. Quinze anos depois você tem novas possibilidades.
RODRIGO — Eu sei, Viviane. Mas só pelo simples fato de chegar ao Santos Dumont, foi como nostalgiar minha vida inteira. Não foi lá o último local que pisei antes de embarcar para a França, mas é um aeroporto. Enfim!
VIVIANE — Mas agora tudo vai ser diferente. Você vai ser só.
Ela dá um beijinho nele.
CORTA PARA:
CENA 05. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.
Marcos e Gustavinho sentados a uma mesa. Josias vem de a cozinha atendê-los.
JOSIAS — Hoje o Gustavinho tá passando o dia com o pai, é?
MARCOS — Pois é, Jô. Fui lá conversar com a Elisa e exigir passar um tempo com o meu filho. Afinal, eu sou pai e tenho esse direito.
JOSIAS — Concordo! Mas você sabe que agir dessa forma pode não ter sido bom pra você, né?
MARCOS — Como assim, Jô?
JOSIAS — Depois a gente fala disso.
MARCOS — Então, Jô. Traz aquela coxinha marota pro meu filhão aqui.
JOSIAS — A mais gordinha será dele.
GUSTAVINHO — E um refrigerante.
MARCOS — Ouviu, né, Jô?
JOSIAS — Pode deixar.
Josias vai buscar o pedido.
MARCOS — Filho…
Marcos coloca a mão sobre a do filho, mas ele assustado retira. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 06. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.
Moreira e mais um Segurança arrastando o corpo de Hilda. Regina acompanhando tudo de perto. Mulheres continuam a trabalhar e a tentar ignorar tal cena. Belinha desvia o olhar para Regina a todo instante.
REGINA — Leva a moribunda daqui.
MOREIRA — E o que fazemos depois, dona Regina?
REGINA — Deixa jogado lá parte de trás do pátio mesmo. Quando o Kléber chegar, ele ver o que faz com os restos mortais da velha!
MOREIRA — Sim, senhora.
Moreira e o segurança saem levando o corpo de Hilda.
REGINA — (P/Todos) Pessoas morrem, pessoas nascem… Assim é o ciclo da vida amados. Agora produção! E lembrem-se: produção é o que interessa! Nem que para isso, alguém como a dona Hilda, morra trabalhando!
Regina dirige-se até a escada e Kléber chega.
KLÉBER — Mais uma empacotou?
REGINA — Pois é. Depois trate de descartar esse corpo.
KLÉBER — Beleza. Vim te falar como foi lá no bairro.
REGINA — Ah, sim. Vamos subindo.
Os dois sobem a escada para o escritório. Corta para Belinha e Amanda:
BELINHA — (Chora) Dona Hilda não merecia isso. Ela era tão legal. Isso não tá certo!
AMANDA — Filha… Eu entendo a sua revolta com tudo isso, mas temos que trabalhar! Volte à produção.
Sérgio vem puxando um porta-paletes com vários produtos acabados e ao ver a filha chorando, preocupa-se. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 07. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.
Regina e Kléber sentados. Regina a olhar a foto de Camila no cel.
REGINA — Não entendo o entusiasmo nessa garota!
KLÉBER — Como não, Regina? Ela tem tudo para ser o que a gente precisa. Ela parece modelo.
REGINA — Hum… Fala a verdade, Kléber. Ficou de olho nela por sua beleza.
KLÉBER — Também. Mas ela se encaixa perfeitamente nos nossos padrões.
REGINA — Desde que dê produção, já que isso é o que nos interessa. Antes até de beleza, charme, essas coisas…
KLÉBER — Sim. Mas falando do corpo. Quem foi?
REGINA — Dona Hilda. Parece que a véia não aguentou e pacotô.
KLÉBER — (Sorrir) Dona Hilda também já tinha dado o que tinha que dá já.
REGINA — Realmente. Agora suma com esse corpo antes que sejamos obrigados a respirar podridão.
KLÉBER — Pode deixar.
CORTA RÁPIDO PARA:
CENA 08. MATAGAL ATRÁS DA FÁBRICA. EXT. DIA.
Kléber e Moreira ali cavando uma cova. Corpo enrolado em vários sacos grandes de lixo preto.
MOREIRA — Até que eu gostava da dona Hilda.
KLÉBER — Ela não causava problemas. Agora me ajude aqui.
Ambos colocam o corpo na cova e Kléber começa a jogar terra por cima.
MOREIRA — Kléber?
KLÉBER — O que é Moreira? Fala!
MOREIRA — Você não tem medo desse verdadeiro cemitério clandestino a céu aberto ser descoberto, não?
KLÉBER — Não! Até porque essa área aqui é deserta. Ninguém vem pra esses lados. Agora vê se para de falar e me ajuda a terminar isso aqui.
Moreira pega uma pá e ajuda a enterrar. CAM abe o plano no corpo sendo enterrado. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 09. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.
Takes da orla da praia da Barra da Tijuca, Cristo Redentor, Trânsito do início de noite. Fachada da Mansão Vieira. Carro de Ramiro se aproxima. Ele e Marcelo saltam e entram.
CORTA PARA:
CENA 10. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Beatriz ali a mexer no cel. com dificuldade. Ramiro e Marcelo entram.
BEATRIZ — Ah! Já estava aqui tentando ligar pra você. Mas esses celulares são uma porcaria para os mais velhos usarem. (Mostra o cel.) Olha essas letrinhas que miúdas.
RAMIRO — (Debocha) Se alguém necessitar de socorro e você tiver que ligar do celular, morre.
BEATRIZ — Debocha mesmo Ramiro.
RAMIRO — Rodrigo e Viviane já chegaram?
BEATRIZ — Já. Estão no quarto descansando.
Viviane desce a escada.
VIVIANE — Tio.
RAMIRO — Minha sobrinha querida!
Os dois se abraçam e se beijam no rosto.
RAMIRO — Como foi de viagem?
VIVIANE — Bem. E esse daqui deve ser o meu primo Marcelo?
Os dois se abraçam.
VIVIANE — Tá um homem já, e lindo também.
MARCELO — (Sem graça) Obrigado.
RAMIRO — Bom isso ele puxou de mim! Beleza é o que não falta ao pai dele!
BEATRIZ — Ai, Ramiro, como você se acha, hein!
Todos sorriem
RAMIRO — Ué. Por acaso estou falando alguma mentira? E o Rodrigo, Viviane?
VIVIANE — Está deitado descansando. Ter voltado ao Brasil aonde tudo de ruim aconteceu na vivida dele há quinze anos, mexeu um pouco com ele.
RAMIRO — Bom, então eu vou subir. Viviane, depois vá até o escritório que quero conversar com você.
VIVIANE — Tá bom, tio.
Ramiro sobe a escada.
MARCELO — E eu vou seguir esse cheirinho delicioso que vem da cozinha.
Marcelo vai para a cozinha.
VIVIANE — Até o jeito sereno do Marcelo falar é igual ao de Maristela.
BEATRIZ — Esse daí é um mosca morta igual à Maristela.
Fecha em Viviane que sorrir. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 11. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. NOITE.
Rodrigo sentado na cama pensativo. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 12. CASA LETÍCIA. SALA. INT. DIA.
INSERT da cena 12, do capítulo 02.
Rodrigo ali ao tel. Fixo.
RODRIGO — (Ao tel.) Tudo bem. Se você quer assim, mas saiba que vai ser uma luta grande.
Letícia chega da rua.
LETÍCIA — Precisamos conversar, filho.
RODRIGO — (Ao tel.) Depois eu te ligo.
Ele desliga.
LETÍCIA — Filho/
RODRIGO — (Corta) Mãe, se for pra conversar sobre o que eu já falei com meu tio… Vamos nos poupar desse desgaste, por favor.
LETÍCIA — Olha, eu sei que você se apaixonou por essa menina. E eu te entendo. Eu já tive a sua idade também. Mas será mesmo que vale a pena esse amor de vocês dois?
RODRIGO — Por mim vale sim.
LETÍCIA — Eu estou querendo dizer pra você, filho, que por mais que algum dia eu e o seu tio aceite isso, ainda tem a família da menina. O Severo é cabeça dura.
RODRIGO — Acho que não mais que o tio Jô.
LETÍCIA — Pensando por esse lado você tem razão, filho.
RODRIGO — Eu sinceramente estou meio confuso com isso tudo, mãe. Porque o que eu sinto pela Elisa, eu nunca senti por garota alguma.
LETÍCIA — É, meu filho… Você ama mesmo essa menina. (Abraça ele) Vamos dar um jeito.
RODRIGO — (Feliz) Sério, mãe?
LETÍCIA — Sim, mas eu não posso prometer nada! Dá pra ver que essa menina é muito importante pra você.
RODRIGO — E ela é, mãe.
LETÍCIA — Bom, agora eu preciso ir. Passei aqui só pra pegar a minha bolsa. Estou indo ao Ceasa. Não quer vir comigo, filho?
RODRIGO — Acho melhor não, mãe. Esse lance de terem descoberto tudo me deixou meio pra baixo.
LETÍCIA — (Aperta a bochecha dele) Mas não fica assim, meu menininho…
RODRIGO — (Sorrir) Ai, mãe, para! Eu tenho 17 anos.
LETÍCIA — Mas pra mim você continua sendo o meu filhinho de 2, 3 anos… Tchau, filho.
RODRIGO — Tchau, mãe.
Ela pega a bolsa sobre uma cadeira e sai. Rodrigo liga a TV.
CORTA PARA:
CENA 13. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. NOITE.
Continuação da cena 11.
RODRIGO — (P/si, sorrir) ‘Meu menininho’…
Rodrigo fica ali nostálgico. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 14. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.
Elisa a olhar pela janela.
ELISA — (P/si) Pelo menos não levou meu filho pra muito longe.
CAM mostra táxi de severo parando. Ele e Laura saltam e pegam as sacolas das compras e entram.
ELISA — (Indo para a porta) Finalmente estão chegando desse bendito mercado!
Elisa abre a porta. Laura entra seguida de Severo.
LAURA — Ai, filha, segura essa sacola que eu tô morrendo com esse peso!
ELISA — Mas que demora foi essa? E a senhor ainda disse que voltaria antes das duas da tarde.
LAURA — Pois é, minha filha. Mas seu pai demorou pra me buscar!
SEVERO — Nada de ficar jogando a culpa em mim, Laura! O marcado que tava um verdadeiro campo de guerra!
ELISA — Também, mãe. A senhora quer ir justo no mercado, que quando está em aniversário, as pessoas até se estapeiam!
LAURA — Mas é claro, minha filha! As coisas lá estavam muito em conta.
SEVERO — Nunca vi povo mais mal-educado! Parecia que tinha declarado à terceira guerra mundial e aquela era a última fonte de comida!
ELISA — (Sorrir) Só o senhor mesmo, pai.
Eles se encaminham para a cozinha.
CORTA PARA:
CENA 15. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. NOITE.
Laura guardando as compras no armário, Elisa passando a ela os mantimentos e Severo tirando tudo das sacolas.
ELISA — Uma promoçãozinha é sempre bom, mas daí agir como um bando de meliantes não dá, né?
SEVERO — Exatamente, minha filha. O que falta nesse povo é educação, saber respeitar o outro, agir com empatia e não pensar somente em si próprio.
LAURA — São épocas sombrias, meu amor!
SEVERO — E o Gustavinho, Elisa?
LAURA — Pois é. Cadê meu neto? Comprei aquele biscoito que ele adora.
ELISA — (Sem jeito) Então… O Marcos veio aqui e levou o Gustavinho.
LAURA — Como é que é?
SEVERO — Aquele energúmeno sequestrou o meu neto?
ELISA — Não, pai! Calma. Eu deixei o Gustavinho passar uma tarde com ele.
LAURA — Mas por que, minha filha? E se ele fizer algum mal ao meu neto?!
SEVERO — Eu acabo com a raça daquele desgraçado!
ELISA — Querendo ou não ele é pai e tem o direito de ficar com o Gustavinho. Se eu proibir ele pode entrar com uma ação e eu posso até perder a guarda do meu filho.
Closes alternados em Severo e Laura indignados. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 16. BAR DO TIO JÔ. INT. NOITE.
Bar vazio. Somente Marcos e Gustavinho sentados a uma mesa. Jô do balcão a observar.
MARCOS — Filho, eu quero que você saiba que eu não sou esse monstro, tá?
GUSTAVINHO — Mas e todas as vezes que eu ouvi a mamãe gritando e pedindo pra você parar…?
MARCOS — (Mente) Filho, isso daí é uma brincadeira nossa! Você acha mesmo que se eu agredisse a sua mãe, eu já não teria feito alguma coisa com você também?
GUSTAVINHO — Se bem que o senhor às vezes me assusta.
MARCOS — Desculpa filho. Eu só quero o seu melhor e o seu bem. Às vezes a forma como demonstro isso pode ser estranho ou parecer até agressiva. Se o papai te fez alguma vez sentir medo, você me desculpa?
Ele meneia a cabeça que sim. Marcos dá um abraço no filho. Josias sorrir a observar a cena. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 17. MANSÃO VIEIRA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.
Ramiro e Viviane sentados.
RAMIRO — Confiei na sua palavra, mas fiquei aqui preocupado.
VIVIANE — Se preocupa não, tio. Tudo foi queimado e não há mais evidência alguma que possa vir a comprometer o senhor.
RAMIRO — Melhor assim. Coitado do Rodrigo ainda foi suspeito de participar dos trambiques do Pierre, né?
VIVIANE — Pois é, tio. Foram dias tensos, mas o doutor Alexandre com sua defesa excelente provou que Rodrigo ela leigo nos trambiques de Pierre.
RAMIRO — Não falei que doutor Alexandre era competente?
Eles continuam a conversar fora de áudio. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 18. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Beatriz ao tel. Fixo.
BEATRIZ — (Ao tel.) Boa noite. É da agência Empreguim Certo? O que eu desejo? Antes de qualquer coisa, que vocês mudem esse nome terrível! E logo após isso, eu gostaria de solicitar algumas moças para uma entrevista amanhã. Sim, quero gente competente e com experiência. Sem tempo pra ensinar serviçal a ser serviçal!
CORTA PARA:
CENA 19. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.
Campainha toca. Elisa vem da cozinha e abre a porta. É Marcos e Gustavinho.
ELISA — Filho! Como foi?
GUSTAVINHO — Muito bom.
Gustavinho entra e se senta no sofá.
MARCOS — Viu? Como você pôde ver, eu não fiz nada com o nosso filho.
ELISA — Até porque você teria que ser um canalha maior ainda pra me atingir usando nosso filho!
Severo vem do quarto.
SEVERO — Meu neto voltou! (Vê Marcos) O que esse cara tá fazendo na porta da minha casa?
MARCOS — Já estou de saída, seu Severo!
SEVERO — Muito cara de pau de aparecer aqui depois de tudo que aconteceu!
MARCOS — Elisa, depois eu converso com você sobre os dias que eu quero passar com o Gustavinho.
Marcos sai, com Severo arrematando.
SEVERO — Isso mesmo! Saia da minha casa! Aqui não tem espaço pra canalhas como você! Essa aqui é uma casa de família digna, direita!
Atenção Sonoplastia: tel. fixo toca. Elisa vai atender. Laura vem da cozinha.
LAURA — Que escândalo do Severo é esse, gente?
SEVERO — Aquele canalha do Marcos aqui na minha porta! Não quero ele aqui!
ELISA — (Ao tel., feliz) Sério? Mas quando? Pode deixar que estarei lá. Muito obrigada mesmo. Tchau!
Ela desliga.
LAURA — Que felicidade é essa, minha filha?
SEVERO — É. Parece que recebe uma notícia boa.
ELISA — Boa não, pai, ótima! Era da agência Empreguim Certo. Eu tenho uma entrevista de emprego amanhã!
Todos ficam feliz por Elisa e comemoram fora de áudio. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 20. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER.
Takes do nascer do sol na Pedra do Arpoador, banhistas que lotam a praia de Ipanema. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 21. MANSÃO VIEIRA. PORTÃO PRINCIPAL. EXT. DIA.
Táxi de Severo se aproxima e para.
SEVERO — É aqui mesmo, filha?
ELISA — É sim, pai. Não viu o nome do condomínio na entrada?
SEVERO — (Impressionado) Uau! Vai trabalhar numa mansão.
ELISA — Se Deus quiser esse: ‘vai trabalhar’, vai se concretizar na minha vida, pai.
SEVERO — Vai sim, filha. Boa sorte!
ELISA — Brigada, seu Severinho.
Elisa dá um beijo no rosto do pai e sai do táxi. Ela toca o interfone. Severo buzina e afasta.
CORTA PARA:
CENA 22. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.
Elisa e mais duas mulheres ali. Uma estilo punk e a outra de chinelo, bermuda e camiseta. Fecha em Elisa aflita. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 23. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Beatriz sentada frente à mulher Punk. Edileusa a parte a observar.
BEATRIZ — Escuta aqui, minha filha… Você acha mesmo que será contratada vestida dessa forma?
MULHER PUNK — O que tem de errado com meu estilo, dona?
BEATRIZ — Tudo! Isso aqui é uma casa de família e não um show do Rock in Rio!
MULHER PUNK — Isso que a dona tá fazendo é descriminação, sabia?
BEATRIZ — Não interessa o que seja! Agora aponha-se fora daqui! Sem noção!
EDILEUSA — Vem, eu te levo até a saída.
CORTE DESCONTÍNUO: Beatriz frente à mulher vestida à vontade.
BEATRIZ — Uma me vem pra cá vestida toda de preto, roqueira e você me vem achando que está aonde? Na praia, no bar da esquina da tua casa? Fora daqui!
A mulher sai com Edileusa assustada com Beatriz.
BEATRIZ — (Olhando para o papel) Só falta essa Elisa agora. Espero que não seja mais uma que não sabe se vestir adequadamente para uma entrevista e emprego! Sabia que não devia acreditar numa agência com o nome: Empreguim Certo!
Rodrigo e Viviane descem a escada.
VIVIANE — Mamãe, estamos saindo.
BEATRIZ — Aonde estão indo?
VIVIANE — Dá uma passeada pela orla e ver o que mais o Rio tem a nos oferecer, né, meu bem?
RODRIGO — É.
Elisa vem da cozinha, junto de Edileusa.
EDILEUSA — Ela vai fazer a entrevista com você agora mesmo.
RODRIGO — Acho melhor irmos logo, né?
Elisa para e fica a olhar Rodrigo.
Atenção Sonoplastia: Quando um Grande Amor de faz.
Rodrigo, em, SLOW MOTION, olha para Elisa. Closes alternados no casal. Instantes. Suspense. Tensão. Reencontro.
CORTA PARA:
FIM DO DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO





