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O Diário de Lucca: Capítulo 28 – Segunda Chamada

Como não passou de primeira para a universidade federal da sua cidade, sua segunda chance era a segunda chamada que aconteceria naquele domingo. Tinha acordado cedo para participar, mas seu horário era somente depois do meio-dia, porém com medo de que ficasse preso no transito decidiu ir mais cedo para o campus da federal. Como esperado Samuel havia conseguindo entrar na primeira tentativa para o curso que escolheu cursar, internamente o nosso protagonista estava com inveja e ao mesmo tempo orgulhoso pelo seu namorado.

Ficou a tarde inteira esperando. Primeiramente na fila para entrar no auditório e depois esperando a hora da segunda chamada do seu curso e a cada nome seu coração batia forte. No momento que anunciaram que o curso de jornalismo seria o próximo a ser anunciado os alunos para a segunda chamada, o adolescente apertou com força a sua pasta que continha seus documentos, fechou os olhos e ficou somente escutando. Assim conseguiria escutar melhor os nomes no momento em que eram anunciados.

Quando ouviu o seu nome completo, o mundo parou. Abriu os olhos e não podia acreditar, entretanto precisava levantar para entrar na fila para entregar seus documentos aos responsáveis que se encontravam no palco do auditório esperando pelos futuros alunos da federal.

Todos iriam comemorar suas entradas na federal em uma famosa boate LGBT da cidade e Lucca iria para o lugar depois, acompanhado de Samuel, pois o seu namorado iria se apresentar com sua banda em um show com várias bandas de rock local. Gostava de assistir Samuel tocando ao lado dos amigos dele, não queria perder mais uma apresentação do namorado e também o seu lado inseguro ficava criando várias teorias de que se ele não estivesse por perto alguma garota, ou garoto, fosse dar em cima do seu namorado.

Pelo bem ou pelo mal precisava garantir para não criar paranoias. Querendo ou não querendo as coisas que aconteceram em seu passado, principalmente toda sua história com Dario, sempre voltava a sua mente antes das suas teorias paranoicas serem desenvolvidas. Era mais tranquilo estar presente do que longe e acabar surtando de ciúme.

A música que a banda tocava não era o seu gênero preferido nem de longe, a batida muito pesada e a letra, apesar de ser escrita em português era quase incompreendida por ser berrada. Não entendia como Samuel não deixava o palco com sua voz rouca. Um pouco mais tarde, alguns minutos após o show terminar, Lucca começou a perceber a demora do seu namorado para sair do local que seria o camarim da banda. Aquela inquietação e ciúmes retornaram a sua vontade mesmo antes de deixa-la.

Seu corpo não era mais movido pelas coordenações enviadas pelos neurônios do seu cérebro e sim por uma entidade que nasceu do seu ciúme. Adentrou a sala que no momento estava sendo usada como camarim e o que os seus olhos viram foi mais alimento para a entidade que controlava seu corpo. Algumas meninas estavam reunidas com o seu namorado, eles conversavam e soltavam risadas, uma das meninas tocava os braços do roqueiro. Se fosse uma cena visse por uma terceira pessoa não passaria nada mais do que uma coisa inocente, entretanto, a cabeça de Lucca transformou em como uma traição.

Deu as costas e deixou o local que o show havia acontecido.

Um pouco mais tarde, depois de dar atenção as suas admiradoras e não dar abertura a investida das mesmas que mesmo sabendo do seu relacionamento com Lucca sempre tentavam o levar para cama, Samuel retornou ao local em que o namorado estaria o esperando. Pelo menos ele achava que estaria ali. O salão estava vazio. Enviou uma mensagem para Lucca, não tiveram uma resposta e logo em seguida tentou ligar para o namorado que sempre caia na caixa postal. Naquela noite os dois não se encontraram mais, foi para a sua casa e esperou que o mais novo desse algum sinal de vida, o que não aconteceu.

Os dois somente voltaram a se encontrar no dia seguinte, mas depois de muita insistência de Samuel para que Lucca o respondesse e também porque os amigos fizeram com que ele compreendesse a situação toda, tecnicamente o forçaram a se encontrar com o namorado para que se entendessem.

Marcaram de se encontrar em uma lanchonete no centro da cidade. O primeiro a chegar foi o roqueiro, o mais jovem demorou alguns minutos porque não tinha muita animação para se encontrar com o namorado. Mais uma vez coube a um dos amigos do nosso protagonista fazerem com que ele comparecesse ao encontro.

— Aconteceu alguma coisa? Depois que eu saí do camarim, você não estava mais no salão.

— Nossa que legal você ter dado a minha falta depois de estar rindo e sendo tocado por aquelas suas fãs… Aquelas vadias roqueiras.

— Você ficou com ciúmes?

— Sim, eu fiquei. Elas estavam tocando o teu braço e você ria com elas. — disse Lucca com um tom crítico e ácido. — Eu sei que isso é flertar, já vi acontecer muito em seriados de televisão.

— Mas eu estou com você. Sou seu namorado. — Samuel falou como um contra-argumento.

— Não seria a primeira vez que alguém me trocaria por uma garota. — Lucca falou em um tom baixo o suficiente para ser escutado.

— Ah meu Deus, então, é sobre isso? Você ainda tá com essa história na sua cabeça ainda? Você gosta desse tal de Dario ainda, é isso? Por esse motivo que sempre tem esses ataques de ciúmes?

— Não, eu gosto de você. Porém… Bem, porém isso é uma coisa que eu ainda carrego comigo. Difícil de desvencilhar quando acerta seu emocional em cheio. — suspirou Lucca, passando as mãos em seus cabelos. — Eu posso ter exagerado um pouco, tudo bem. To percebendo isso agora.

— Mas?

— Mas eu tenho medo de ser abandonado de novo, foi uma coisa terrível que me aconteceu e me marcou.

— Você deveria buscar ajuda.

— Ajuda? Eu não sou louco, não preciso desse tipo de ajuda. — em seguida Lucca segurou a mão de Samuel, olhou dentro dos seus olhos. — Eu preciso de paciência… De paciência e entendimento, isso vai mudar a qualquer hora.

Samuel suspirou e levou sua mão até o rosto do seu namorado, sorriu e em seguida se inclinou para beijá-lo. Um beijo simples, nada muito como se fosse uma novela das onze horas.

— Eu te amo. Eu nunca beijaria ou dormiria com outra você enquanto a gente estivesse nesse relacionamento, Lucca. — disse o roqueiro.

— Eu sei, eu sei. Me desculpa, eu sou paranoico…

— Sim, você é. Mas eu te amo.

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