Animais Racionaiss

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Capítulo 12

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Carlos estaciona o carro em frente à casa de Rodrigo. Ele toca a campainha, alguém atende.

Carlos: Sua parte. – Carlos entrega uma sacola de papelão a Rodrigo.

Rodrigo: Tudo certo? – ao ver os maços de dinheiro e colocar de volta na sacola.

Carlos: Fique a vontade pra conferir. Tá certinho os cinco mil.

Rodrigo: Vou contar com calma no meu quarto. Não confio em você.

Carlos: Após tudo o que passamos ainda tem coragem de falar uma coisa dessas?

Rodrigo: Por isso mesmo! Te conheço muito bem, desde que era um fedelho que usava fraldas e chupeta.

Carlos: Melhor não tocarmos nesse assunto. Aliás, não deveria te dar um real, afinal sou eu que me lasco pelas retiradas no laticínio, eu que assino os documentos falsos, enquanto você recebe o dinheiro na tranquilidade!

Rodrigo: Kkkkkkk! Me poupe, por favor! A ideia do golpe foi minha, sou eu que te apresentei ao Roberto pra trabalhar naquele lugar! O Roberto te deu a administração nas mãos, você tem acesso geral, poderia me oferecer um valor maior! Cinco mil é uma merreca!

Carlos: Acha que é fácil? É o que eu consigo pegar sem o Roberto desconfiar, cinco mil pra mim, cinco mil pra você, é o combinado por mês! Não posso dar bandeira. Além de receber um salário gordo pra não fazer quase nada no laticínio.

Rodrigo: E por que não me entregou o dinheiro lá mesmo?

Carlos: Pra quê? Pra correr risco do Roberto nos pegar? Já não chega o tanto que estou me arriscando?

Laura: O que está acontecendo? – ao descer as escadas do quarto.

Carlos: Oi minha princesa, vim te convidar pra sair, quero me desculpar pelo que fiz ontem na festa, me descontrolei, bebi pra caramba.

Rodrigo: Ei, tira a mão do meu uísque! – ele toma o copo com gelo que Carlos se servia.

Laura: Você não tem trabalho no laticínio?

Carlos: Tô de folga hoje, perfeito pra ficarmos juntos. – dá um selinho nela.

Laura: Tá, vamos. Você estragou a festa ontem, tô precisando me distrair. – pega a bolsa no sofá.

Laura: Que sacola é essa pai?

Rodrigo: Não te interessa! Vai vagabundar com esse lixo, é só o que sabe fazer!

Laura: Vou sim, tenho que aproveitar os meus últimos dias de solteira.

Carlos: Nem me fala Laura.

Laura: Calma gatão! São uns dias de lua de mel e estou de volta! – dá um beijo rápido nele.

Rodrigo: Saiam logo, por favor! Que eu não aguento ver vocês dois grudados.

Carlos: Tá certo, vamos Laura. Precisa arranjar outra mulher Rodrigo, anda estressadinho!

Rodrigo: Cai fora. – ao reparar os dois saindo ele fecha a porta.

Rodrigo: Vou arranjar uma nova esposa quando ficar viúvo. Graças a grana que consegui, posso concluir minha vingança. Se prepare Lúcia, o seu fim está próximo. – resolve falar sozinho dando uma olhada nos maços da sacola que Carlos lhe deu.


De volta à parte do riacho na fazenda Corais, Roberto coloca a camisa enquanto Carolina põe seu vestido sobre o corpo.

Roberto: Maravilhoso, nunca tinha transado ao ar livre, é claro que foi mais que uma transa, temos uma conexão entre nós Carolina, desde a primeira vez que eu te vi na época de infância…

Carolina: Nós não deveríamos, você está noivo, se casará em poucos dias…

Roberto: Eu sei, mas estou disposto a largar o casamento se você quiser ficar comigo!

Carolina: Não. Acabamos de nos conhecer. – ela afasta as mãos dele.

Roberto: Pensei que a gente…

Carolina: Vamos dar um tempo, tá? Melhor eu voltar para o casarão, deixei minha irmã sozinha no serviço. – se distancia, porém ele vem atrás e a segura pelo braço.

Roberto: Ei, espera! Fala que você está gostando de mim também? O que eu disse antes é verdade, não falei da boca pra fora, desisto do que quiser por você!

Carolina: Olha senhor Roberto…

Roberto: Senhor Roberto não, por favor! Você sentiu o nosso lance, não te quero como empregada da fazenda, eu quero namorar com você, me dá uma chance?

Carolina: É que não tô afim de romance, entendeu? Você sabe o que sofri com o Juca, quero focar nos estudos e trabalho.

Roberto: Não precisa ser desse jeito Carolina, pelo menos diz que vai pensar? O que vivemos aqui não pode acabar assim!

Carolina: Conversamos depois, tá?

Roberto: Primeiro me ajuda a pegar umas mangas, eu vi você olhando pra elas, confesso que fiquei na vontade. – diz subindo no pé de manga e ela observa debaixo da árvore. Carolina recolhe algumas mangas que ele derruba.

Roberto: Vou pegar a última. Ai desgraça! – nesse momento ele escorrega e cai do galho.

Carolina: Roberto! Ah meu Deus, você tá bem?

Roberto: Ah não, droga! Meu braço… Não consigo mexer… – tenta se levantar do chão segurando o braço esquerdo com expressão de dor.

Carolina: Calma, vem, levanta! – o ajuda a se levantar com cuidado.

Roberto: Nossa! Tá doendo pra caramba, eu acho que quebrei o braço! – ele se apoia em Carolina com o braço direito no ombro dela e os dois caminham em direção ao casarão.

Carolina: Nem quero imaginar a dor. Avisar seu pai imediatamente pra te levar ao hospital.

Roberto: Desculpa Carolina, não deveria ter subido na árvore, esqueci que não sou um moleque. Ai, que desgraça de dor!

Carolina: Calma, vem devagar. Estamos chegando. – se aproximam da varanda do casarão da fazenda Corais.

Eduardo: Senhor Roberto, tá tudo bem? – ele estava ali perto.

Roberto: Não Edu, meu braço tá doendo demais. – faz uma careta de dor.

Carolina: Ele caiu da árvore Edu.

Eduardo: Eita…

Carolina: Vou lá dentro chamar seu pai.

Roberto: Obrigado. – senta no chão da varanda enquanto Carolina entra e Eduardo observa.

Carolina sobe as escadas, encontra Jorge na janela do quarto fumando e observando os passarinhos da gaiola pendurada na parede. A porta do quarto estava aberta por Helena que penteia o cabelo em frente ao espelho do guarda-roupa.

Carolina: Dona Helena, com licença!

Helena: Carolina?

Carolina: O seu filho, ele caiu da árvore e está com o braço machucado.

Helena: O quê? Caiu? – ela parou de pentear o cabelo e presta atenção em Carolina que estava na entrada do quarto.

Jorge: Cadê ele? – deixa o cigarro no cinzeiro e vai em direção da saída do quarto.

Carolina: Está na varanda!

Jorge e Helena descem as escadas do quarto e chegam à varanda onde encontram o filho sentado no chão.

Helena: Roberto, o que houve?

Roberto: Acho que quebrei o braço, não consigo mexer o braço esquerdo mãe! Tá doendo horrores! – ele se levanta do chão e se aproxima dos pais.

Jorge: Que diabo deu em você pra subir na árvore?

Roberto: Eu fui pegar umas mangas, escorreguei e caí.

Jorge: Você hein… Vamos, vamos ao hospital!

Helena: Vou com vocês.

Jorge: Vão pra perto da camionete, estou indo pegar a chave.

Carolina: A chave senhor Jorge. – ela entrega em suas mãos.

Jorge: Ah, obrigado.

Os três entram na camionete e Carolina observa da varanda. Isadora aparece ao lado dela depois de ouvir a conversa.

Isadora: O que o senhor Roberto queria com você?

Carolina: Conversamos até que ele subiu no pé de manga e ocorreu a queda.

Isadora: Eu reparei como ele te olhava quando chamou na cozinha e tô percebendo o seu jeitinho.

Carolina: Do que você tá falando?

Isadora: Não se faça de boba pra cima de mim!

Carolina: Enlouqueceu Isa? Espero que não seja grave a situação do braço dele.

Isadora: Bom, eu vou na escola agora, levar as crianças pra casa.

Carolina: Crianças? Eles não são crianças, né Isa? Adolescentes, quase adultos!

Isadora: É, você disse, quase adultos! Analisando o que aconteceu ontem, resolvi vigiar meus filhos, a tarde tô de volta.

Carolina: Tá. – ela fica sozinha na varanda enquanto Isadora sai. Carolina põe as mãos sobre a cabeça, ajeitando suas tranças e senta no chão observando a irmã se distanciar.

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Música de encerramento: O tempo não para Tema: Bar da Maria

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