Olá, leitor(a)! Tudo bom? Vamos a mais um Observatório, e desta vez em clima de política na resenha da semana.

 


 

RESENHA

 

Vencedora na enquete da semana anterior, A Candidata é a homenageada da vez. A série escrita por Luna Araújo conta a história de Jurema, uma jovem que visa manter a tradição e o prestígio de sua família no poder da cidadezinha fictícia baiana de Timbaúba, em meio ao sertão, e expandi-los no cenário nacional. Não é preciso comentar que ela é capaz de qualquer coisa por seus interesses: até mesmo passar por cima da irmã e contraponto, Antônia. Vamos aos destaques do primeiro episódio:

Jurema e Antônia são netas do lendário coronel Juca Pinheiro e filhas do falecido Edmar. Estes se alternavam na liderança como forma de demarcar território e causar temor nos adversários. Agora, a personagem-título e então prefeita se prepara para as eleições, nas quais concorrerá a deputada federal. Conta com o apoio de pessoas como o assessor Silvero e a jornalista Camila, que está de chegada ao local. Por puro marketing, Jurema adota um discurso feminista e conta com Camila para que sua mensagem chegue ao povo através das redes sociais, tão importantes e utilizadas hoje em dia.

Após a cena inicial, a autora introduz os principais aspectos do município quase desértico e alguns fatos sobre o clã Pinheiro. Em seguida, Antônia retorna de viagem, embora a contragosto. Por ela, viveria independente dos mandos e desmandos do avô, mas sabe que isso não seria possível. Contrasta com o aspecto “morto” de sua mãe, Laurinda, eternamente em luto. Outra cena de Jurema com os assistentes se passa, novamente com planos para a campanha política. E a sequência se desvia novamente, agora para um novo personagem: um jovem sem nome também retorna a Timbaúba após muitos anos estudando fora e agora atua como professor de História. Ele se encaminha à câmara, onde interrompe uma sessão de vereadores e acusa o presidente deles de assassinato. Um escândalo! Acaba escorraçado à força por seguranças sob os olhares cruéis do arrogante vilão. Como será que continua? Aí só lendo os próximos episódios.

Jurema é apresentada sob medida, como deve ser feito com uma protagonista. Uma mulher jovem, forte, obstinada e defensora do que é seu e da tradição. Representa a velha política, embora se “vista” com roupas novas e modernas. Um retrato do Brasil, seja o do interior, seja o das capitais. Carisma é o elemento que qualifica a personagem. Ela sozinha já torna a série interessante e empolgante de acompanhar. Aliás, ela fica ainda melhor no decorrer da temporada e também — alerta de spoiler! — na season two, que vem em breve. Camila é outro destaque positivo. Por outro lado, senti falta de ação relevante do tão citado coronel Juca. Ele pouco aparece no episódio. Assim como a apresentação do jovem professor. As cenas dele são ótimas, mas a conexão entre os leitores e ele acaba truncada por falta de um nome. Ele é chamado apenas de “rapaz”.

Quanto ao desenvolvimento do capítulo, a autora adota dois padrões opostos. Nas sequências de Jurema e do professor, uma escrita ágil, fluida, com frases curtas e médias, bem direto ao ponto. De certa forma, lembra o estilo de escritores como Hugo Martins e Cristina Ravela nas narrativas. Muito bom! Por outro lado, especialmente na cena em que Álvaro contracena com Antônia, a autora faz descrições em excesso e com parágrafos enormes. Nisso, acaba por atropelar a sequência e deixar o trecho confuso e até “solto” no enredo. Faltou sutileza e deixou os personagens um tanto antipáticos. Já a opção de descrever a cidade após a primeira cena em vez de fazê-lo no início foi um ponto cheio. Priorizou a entrada de Jurema, e isso é muito bom. Além de tudo, o episódio é curto — equivale a cerca de dez páginas de um PDF, dependendo do tamanho da fonte.

A Candidata está disponível aqui na Widcyber e na WebTVPlay. Se você gostou dessa amostra, corre pra ler os outros sete capítulos, ok? A segunda temporada tem previsão de estreia para maio.

 


 

A votação da semana passada acabou, e tivemos duas obras campeãs:

Por isso, teremos No Te Pido Flores no próximo programa e Pandorum no dia 9 de maio. Gostou das escolhidas? Eu também.

 


O Observatório da Escrita de hoje termina por aqui. Tenha uma ótima semana! Um abraço!

 

e-book – poemas de SAMUEL BRITO
lançamento: 3 de maio

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