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Capítulo 39 (Penúltimo)

CENA 1. RESIDÊNCIA DE EUGÊNIA E ÍTALO. COZINHA. INTERIOR. DIA.

INSTRUMENTAL – Soturno.

Eugênia afasta-se de Ítalo, que se debate para tentar tirar a faca cravada nas costas. A vilã o fita enquanto ele começa a agonizar, ajoelhando-se no chão.

ÍTALO (cuspindo sangue) – O que você fez, sua doida?

EUGÊNIA – Não posso permitir que você estrague os nossos planos, a gente está perto demais pra jogar tudo pro alto.

ÍTALO – Se eu morrer, juro que volto do inferno pra puxar seu pé e te levar comigo.

EUGÊNIA – Eu serei rica, não vou pro inferno. Gente rica constrói um céu e mora lá.

ÍTALO – Maldita…

Ítalo cai para frente no chão, empapando o rosto na própria poça de sangue. Nervosa, Eugênia começa a chorar enquanto o observa desfalecido.

CORTA PARA:

CENA 2. EMPRESA DE RÔMULO. SALA DELE. INTERIOR.

Sereno, Rômulo levanta-se e encara Rebeca.

RÔMULO – Você está disposta a se casar comigo para que eu solte seu queridinho da cadeia?

REBECA – Só marcar a data.

RÔMULO – Então, pegue suas coisas e volte para o flat, volte para o seu lar, querida.

REBECA – Vai libertar Benício quando?

RÔMULO – Assim que for possível. Primeiro, você deve voltar pra casa, só aí eu poderei agir.

REBECA – Não confio em você.

RÔMULO – Pegar ou largar.

Closes alternados.

CORTA PARA:

CENA 3. COBERTURA SOLTEIRO DE PAULA. QUARTO DE GRAZI. INTERIOR.

INSTRUMENTAL – Tensão.

Deitada em sua cama, Grazi é examinada por um médico que a faz despertar ao cheirar um pedaço de algodão umedecido. Sueli, Nicole e Yasmin acompanham a situação.

NICOLE – E aí, primo? Ela tá bem? O que ela tem?

MÉDICO – Você fez algum procedimento em uma clínica clandestina, Grazi?

GRAZI (afônica) – Eu quase fui estuprada, não aguentei… (começa a chorar) eu mandei tirar meu filho.

Com o choque da notícia, Sueli leva as mãos à cabeça e começa a chorar junto.

MÉDICO – Vou precisar chamar uma ambulância, você não está nada bem.

O doutor se afasta. Nicole aproxima-se de Grazi enquanto Yasmin tenta consolar Sueli.

CORTA PARA:

CENA 4. DELEGACIA DE POLÍCIA. CELA DE BENÍCIO. INTERIOR.

Encostado nas grades, Benício acompanha a impaciência de Fidel na cela da frente, onde ele caminha de um lado para o outro.

BENÍCIO – Você realmente vai ficar aí preso pra defender seu chefe? Vai deixar aquele crápula continuar livre enquanto você tá preso igual um pássaro enjaulado?

FIDEL (agoniado) – Me deixa, cara. Não tenta entrar na minha mente, não…

BENÍCIO – É ele que já entrou na sua mente e você não percebeu. Você realmente vai continuar com essa situação e se privar de sua própria liberdade? Tu tá aí se sacrificando e ele nem aí, deve estar tomando um champanhe e rindo.

FIDEL (explode) – Tá bom, tá bom! (T) Sei que Rômulo não liga pra mim, então vou entregar a cabeça dele. Eu vou confessar tudo, só quero sair logo daqui.

Benício sorri, vitorioso.

CORTA PARA:

CENA 5. COLÉGIO PARTICULAR. FACHADA. EXTERIOR.

INSTRUMENTAL – Tenso leve.

Algumas crianças deixam a escola e saem com seus pais ou responsáveis. Próxima ao portão, Ariana apenas observa a movimentação das demais crianças. De repente, um carro para de forma bruta diante do prédio da escola e do veículo vem Eugênia, visivelmente transtornada. A vilã segue até Ariana e, sem dizer nada, começa a puxá-la pelo braço até o carro.

ARIANA – Aconteceu alguma coisa? Por que você tá assim?

EUGÊNIA – Nada, aconteceu nada. Só preciso que você entre no carro, logo, você tem que me obedecer.

Eugênia abre a porta de trás do veículo, põe Ariana na cadeirinha e rapidamente segue para seu banco. Com o carro arrancando, a menina puxa a porta e a fecha.

CORTA PARA:

CENA 6. LOJA DE DISCOS DE CÉLIO. FACHADA. EXTERIOR.

Célio aproxima-se de sua loja e, antes de entrar, recebe uma ligação e pega o celular no bolso.

CÉLIO – Alô. (P) Sim, sou eu mesmo. Quem gostaria? (P) Juiz?

Close nele sério.

CORTE IMEDIATO PARA:

CENA 7. PENSÃO DE TAMIRES. QUARTO DE PANDORA. INTERIOR.

SONOPLASTIA: Solange Almeida – Cozido da patroa.

Chocada, Pandora senta-se em sua cama ao lado de Dado.

PANDORA – Eu não pensei que seria tão rápido.

CÉLIO – Mas foi. O juiz avaliou que Eugênia e Ítalo são irresponsáveis e viu que eles não podem cuidar dela, agora a guarda é nossa. Nós dois somos os novos responsáveis por Ariana.

DADO – Quer dizer que agora eu tenho uma irmã?

Dado, satisfeito, abraça Pandora, que prossegue pasma.

CORTA PARA:

CENA 8. CLÍNICA PARTICULAR. SALA DE ESPERA. INTERIOR.

Vladimir vem apressado e aproxima-se de Sueli, Nicole e Yasmin, que estão sentadas em cadeiras de espera.

VLADIMIR (aponta pra Sueli) – A senhora é a mãe de Grazi, não é? Eu me lembro daquele dia em que fomos apresentados.

SUELI (levanta-se) – Sim. Acho que você veio saber como ela está depois do que aconteceu, estou certa?

VLADIMIR – Eu não imaginava que isso iria acontecer, ela estava tão segura de si…

NICOLE – Como assim? Quer dizer que você já sabia do aborto?

VLADIMIR – Sim, ela me pediu muito para levá-la até a clínica, ela implorou muito.

Num impulso, Sueli acerta um tapa no rosto de Vladimir. Nicole e Yasmin rapidamente a afastam dele. O clima pesa.

CORTA PARA:

CENA 9. DELEGACIA DE POLÍCIA. CELA DE BENÍCIO. INTERIOR.

CÉLIO – Espero que tenha ficado contente com a novidade, eu sinto que as coisas estão melhorando agora.

BENÍCIO – E realmente estão. Você reparou que Fidel não está no quartinho dele? Ele resolveu confessar toda a verdade.

CÉLIO – É sério? Eu não acredito. (sorri) Então as coisas realmente estão se acertando, você já vai poder sair daqui.

BENÍCIO – Eu acho que o final feliz está perto. E, aliás, parabéns ao novo papai.

Benício e Célio apertam as mãos, sorridentes.

CORTA PARA:

CENA 10. CLÍNICA PÚBLICA. SALA DE ESPERA. INTERIOR.

Ao lado de alguns pacientes, Tamires caminha de um lado para o outro, impaciente. Uma médica vai até ela.

MÉDICA – A senhora é a acompanhante do paciente Vando…

TAMIRES (interrompe) – Sim, sim, o bêbado, sou eu que estou com ele. Quero saber como ele tá agora.

MÉDICA – Pode ficar tranquila, ele não está em perigo, foi só o excesso de bebida. Por pouco ele não entrou em coma alcoólico, mas está bem. A senhora pode ir vê-lo.

Tamires respira aliviada.

CORTA PARA:

CENA 11. CLÍNICA PÚBLICA. LEITO DE VANDO. INTERIOR.

SONOPLASTIA: Ferrugem – Minha namorada.

Vando está deitado em uma maca e sorri ao ver Tamires vindo em sua direção.

VANDO – Tami, que bom te ver. Fico feliz que você se preocupou comigo.

TAMIRES – Você devia era ficar com medo por eu ter vindo até aqui.

Com sua bolsa, Tamires começa a agredir o ex-marido.

CORTA PARA:

CENA 12. POUSADA. QUARTO DE REBECA. INTERIOR. ANOITECER.

Rebeca está arrumando uma mala quando Célio adentra o quarto.

CÉLIO – Que isso? Rômulo descobriu sua localização?

REBECA – Não. (para tudo e vira-se pro irmão) Eu mesma fui falar com ele, vendi minha alma a ele para libertar Benício.

CÉLIO – O quê? Você não devia fazer isso, e nem vai precisar, pois Rômulo vai cair com o próprio peso dele.

REBECA (desentendida) – Cair? Como assim?

CÉLIO – Fidel resolveu confessar, é só uma questão de tempo até Benício sair da cadeia. Você não precisa se sacrificar.

A mocinha demora um pouco para compilar tudo, então sorri e abraça o irmão.

CORTA PARA:

CENA 13. CLÍNICA PARTICULAR. SALA DE ESPERA. INTERIOR. NOITE.

Nicole aproxima-se de Vladimir com um copo com água que ele aceita.

NICOLE – Eu sei que a culpa não foi sua. Dona Sueli ficou nervosa, ela nunca aceitou bem essa história de estupro e aborto.

VLADIMIR – Sei que não é minha culpa, mas é impreterível, eu que a levei lá, eu sinto um pouco de remorso por isso.

Vladimir bebe tudo em um único gole. Ele avista uma médica conversando com Sueli e se levanta, seguindo até as duas com Nicole.

VLADIMIR – Tem alguma notícia nova sobre o estado de Grazi? Eu quero muito saber como ela tá, se ela tá bem.

YASMIN – A médica veio informar o estado dela, Grazi ainda tá sedada depois de uns medicamentos.

MÉDICA – Nós precisamos fazer uma cirurgia, ela sofreu uma lesão no útero e perdeu muito sangue.

SUELI – Me diz como minha filha está, por favor. Grazi corre algum risco de vida, corre risco de morrer?

A médica franze a testa, fazendo suspense. Closes alternados.

CORTA PARA:

CENA 14. EMPRESA DE RÔMULO. SALA DELE. INTERIOR.

INSTRUMENTAL – Maldades.

Próximo à janela, Rômulo acende seu charuto e começa a fumar.

RÔMULO – Que demora de Rebeca, ela já devia ter vindo para irmos pra casa.

Após expelir mais fumaça, o vilão segue até seu celular e encontra uma mensagem. Ele imediatamente a visualiza, deparando com uma mensagem de voz de Rebeca.

REBECA (off) – Não precisa mais me esperar, querido, não preciso mais de você. A verdade sempre prevalece, pois a mentira tem perna curta. A única coisa que te desejo é que você pague com seu próprio carma, só isso.

RÔMULO – O que essa… (T) Fidel! Fidel… aquele maldito deve ter abrido a boca.

O vilão deixa seu charuto no cinzeiro e sai apressado da sala.

CORTA PARA:

CENA 15. RESIDÊNCIA DE EUGÊNIA E ÍTALO. FACHADA. EXTERIOR.

Célio e Pandora aguardam do lado de fora da residência. Impaciente, a enfermeira toca na campainha diversas vezes.

CÉLIO – Calma, meu bem. Eu tentei me comunicar com Eugênia, só que ela não entrou em contato comigo.

PANDORA – Eu não confio nessa mulher. Ah, quer saber? Cansei desse chá de cadeira, vou emburacar.

Pandora enfia a mão na maçaneta e invade a residência. Célio tenta impedir, mas ela entra logo.

CÉLIO – A gente não pode invadir a casa assim, e olha, não tem ninguém agora.

PANDORA – Cê tá sentindo esse cheirinho? Esse odor me é familiar.

A enfermeira segue pelo hall até a cozinha e tateia a parede até achar o interruptor. Ao acender a luz, Pandora toma um susto ao ver o corpo de Ícaro caído sobre uma poça de sangue. Célio surge e se surpreende com o flagrante.

CORTA PARA:

CENA 16. RUA MOVIMENTADA. CARRO DE RÔMULO. INTERIOR.

SONOPLASTIA: ZAYN – Entertainer.

Rômulo dirige seu carro por uma rua enquanto conversa numa ligação com Eugênia.

EUGÊNIA (off) – Vou te mandar o endereço de onde estou, você tem que vir até aqui.

RÔMULO – Não tenho nenhum assunto a tratar contigo, Cláudia. Não aperta o meu juízo agora.

EUGÊNIA (off) – Vou mandar a localização, você vê aí. Garanto que não vai se arrepender.

A vilã finaliza a ligação. Rômulo bufa. O malvado vira o carro e rapidamente encontra várias viaturas policiais na entrada de seu apartamento.

RÔMULO (resmunga) – Merda! Fidel deve ter batido tudo, a polícia já tá no meu rastro. (soca o volante) Merda!

De longe, vemos o porteiro apontar na direção do carro de Rômulo. Os policiais começam a agir. O vilão dispara em marcha ré e sai da rua de costas.

CORTA PARA:

CENA 17. RUA MOVIMENTADA. CARRO DE RÔMULO. EXTERIOR.

INSTRUMENTAL – Ação.

Rômulo dirige em alta velocidade com duas viaturas policiais atrás dele. O vilão costura entre os demais veículos na pista. Um policial imerge da janela do banco do carona da viatura e, com um revólver em punho, atira contra o carro de Rômulo, arrancando o retrovisor direito do automóvel. Outra bala acerta o vidro traseiro do carro, o fazendo eclodir. Rômulo acelera ainda mais com seu carro e ainda mais quando enxerga um semáforo amarelo adiante. O sinal desce, acendendo a luz vermelha, e um caminhão vem na direção oposta. O vilão costura outro carro para pegar a pista lateral, pisa firme no acelerador e invade o cruzamento passando em altíssima velocidade. O caminhão da direção oposta não freia. O carro de Rômulo passa à pouquíssima distância da cabine do caminhão, que traz consigo o fluxo dos demais automóveis de sua direção. Uma das viaturas é forçada a frear, fazendo com que a de trás a atinja na parte traseira. Os dois veículos acabam caindo no canteiro da pista após a batida. Rômulo sorri ao ver tudo pelo espelho retrovisor interno.

CORTA PARA:

CENA 18. CABANA ABANDONADA. CÔMODO PRINCIPAL. INTERIOR.

INSTRUMENTAL – Suspense.

Eugênia ilumina o ambiente ao acender uma vela que ela põe numa rústica mesa de madeira perto de Ariana, que está sentada no chão.

ARIANA – Por que a gente veio pra esse lugar? Eu quero voltar pra casa.

EUGÊNIA – A gente não vai voltar hoje. Já te falei pra ficar quieta, não falei? Obedeça!

ARIANA – É que eu não entendo porque a gente tá aqui. Eu tô com um pouco de medo. Cadê Ítalo?

EUGÊNIA – Ariana, eu não tô com paciência. Que inferno! Cala a boca antes que eu a tampe com uma fita durex.

Ariana abaixa a cabeça. Alguém bate na porta e Eugênia cautelosamente segue até a janela, de onde consegue enxergar Rômulo. A vilã sorri e vai até a porta, abrindo-a.

EUGÊNIA – Foi mais rápido do que eu esperava. Se convenceu que eu só te ligaria se fosse por algo muito importante?

RÔMULO – E o que pode ser tão importante pra você me ligar e me chamar até esse fim de mundo?

Eugênia abre caminho e mostra Ariana sentada no chão, acuada.

EUGÊNIA – Temos uma mina de diamantes na mão, literalmente. É só a gente pegar uma pá e catá-los.

Rômulo abre um pequeno sorriso. Close em Ariana ao chão.

SONOPLASTIA FINAL: Ariana Grande – God is a woman.

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