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Olá, leitor! Olá, leitora!

O Observatório da Escrita de número 80 está no ar, hoje com uma resenha mais caliente que o mambo da Heleninha Roitman: os bastidores de um filme pornô na Xvideos Xcyber.

 


 

 

O tema de hoje é pra lá de polêmico. O Que Ninguém Vê (OnTV), de Ítalo Jesus, foi a mais votada na última enquete. A minissérie traz um triângulo amoroso formado em uma das locações mais impensadas: uma produtora de filmes pornográficos.

Vou analisar o primeiro episódio. Este começa na cena em que Carile, a protagonista, é expulsa de casa pelo pai quando este descobre a verdadeira fonte de renda dela — adivinha!? Pouco depois, após uma passagem de tempo, o foco vai para a sequência em que uma mulher e sua neta, ainda não identificadas, são rendidas, dentro de casa, por bandidos em um flash-forward. O tempo volta. O casal de amantes Dóris e Alberto transam em alto e bom som na cama da moça. Esses gemidos e orgasmos são só o aperitivo para o que vem no decorrer dos capítulos — é uma cena até “leve”, acredite. Sim, trata-se de uma série +18, embora não esteja especificado no site da OnTV (pelo menos que eu tenha visto).

Enfim surge o personagem central: Eike. Endividado por causa da cirurgia de sua filha pequena, Julinha, vive com as cobranças e as ameaças do agiota. Até que encontra um anúncio da Sex Play, a produtora, que busca por novos talentos e mostra interesse. Ao ver a foto do rapaz, Pablo se agrada com o que vê. Ele é o dono da empresa e marca logo uma entrevista; ali também trabalha Carile, que se considera enganada pelo patrão e nutre ódio por ele. Após mais uma discussão, ela se envolve em um acidente de trânsito, onde vê Eike pela primeira vez. O encontro não é dos melhores.

Em seguida, Eike está frente a frente com Pablo. A entrevista se transforma na relação sexual mais rápida da face da Terra: o teste de aptidão é exatamente esse. Sinônimo: teste do sofá. Só depois que o chefão fala da necessidade de Eike fazer exames de detecção das ISTs — Infecções Sexualmente Transmissíveis. Ou seja, se o jovem estivesse doente, Pablo já teria sido contaminado, já que a camisinha nem é citada. Pegou mal. Por sorte, deu tudo negativo. Ufa!

Em casa, Carile se lembra do passado no interior baiano, antes da carreira. Enquanto isso, Eike tem a primeira chance quando dois colegas passam mal em plena gravação de filme. Mais do que isso: cai nas graças de Pablo e de Carile, que passam a disputá-lo com direito a discussões pesadas e até um tapa. Cristiano e Zilde, casal de idosos, vive perambulando pelas ruas de Ventille, cidade onde se passa O Que Ninguém Vê. Eles lamentam a falta dos filhos, Pablo e Dóris. Mais tarde, já na última cena, os agiotas invadem a casa de Eike e fazem Julinha e Edna, filha e mãe do ator, de reféns. Enviam fotos da menina com uma arma apontada na cabeça, e Eike deve se decidir entre gravar mais um filme para Pablo — que ameaça fazer a vida dele e de Carile um pesadelo — ou salvar a vida de Julinha. O drama do protagonista e as reviravoltas da disputa de Pablo e Carile por ele mostram que bons momentos estão por vir na trama.

É curiosa a maneira com que o autor, Ítalo Jesus, anda e volta pelo tempo a fim de costurar melhor a narrativa e a interação entre os personagens. Há situações que, aparentemente, ficam mal explicadas, mas que ele resolve já duas ou três cenas depois, o que acaba por alinhar melhor as coisas. O roteiro, em boa parte, apresenta-se bem estruturado; as descrições mantêm a síntese, sem enrolar demais o conteúdo, cansar os leitores nem fazer malabarismos cinematográficos sem necessidade. Muito bom! Por outro lado, vejo uma ou outra construção frasal não muito adequada em diálogos; um exemplo:

Quando o quê? Por ser uma conjunção, deveria haver um complemento. Algo do tipo: quando comecei, quando estreei, quando filmei pela primeira vez… Isso é necessário mesmo numa representação da oralidade — no caso, a conversa informal da cena.

Outras poucas inadequações gramaticais também são vistas no roteiro, mas não prejudicam a compreensão da obra. Além disso, uma interrogação para a já citada primeira transa veloz de Pablo e Eike. O primeiro assedia o mais jovem, e este não apresenta nenhuma reação para com aquele que acaba de conhecer em um ambiente profissional. Se houvesse uma mulher no lugar de Eike, talvez uma chuva de reclamações de machismo e assédio sexual caísse sobre o dono da Sex Play.

Se ficou curioso(a) para saber como a história continua, entre na página da OnTV e leia os próximos episódios.

 


 

Vamos escolher a próxima resenha? Votações encerradas.

 


O Observatório fica por aqui. Até o próximo programa!

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