Olá, querida leitora! Desejo a você um feliz Dia Internacional da Mulher! Comemore bastante não só hoje, mas em todos os dias da sua vida. Olá, querido leitor! Que a vida também seja muito proveitosa pra você.

O Observatório da Escrita está no ar com uma resenha pra lá de especial: o desejo de uma médica transexual de se tornar mãe. Charlotte Marx contou essa história no webfilme Águas de Março, atração da resenha de hoje.

 


 

É pau, é pedra, é o fim do caminho…”. Com os primeiros versos da famosa canção de Tom Jobim cantada por ele em dueto com Elis Regina, inicia-se a trajetória da pediatra Marina. O cotidiano da moça se mescla aos versos da música. Logo de cara, ela participa de uma conversa entre o paciente e sua mãe homofóbica sobre a possibilidade de o ratinho Mickey usar saia. Em seguida, ela e sua amiga Letícia debatem temas políticos, com direito a citações a figuras famosas — de Dilma Rousseff a Eduardo Bolsonaro. Por fim, a coadjuvante convence Marina a contar sobre sua sexualidade e a futura cirurgia de transplante de útero ao noivo Hector. O resultado é desastroso: transtornado e se sentindo enganado, Hector agride a médica e rompe a união.

Marina passa a ter mais certeza do que quer e viaja a Londres para fazer a tão sonhada operação. Ali conhece o charmoso Charles, que a convida para passar uns tempos em sua casa. A presença da doce Meline com o bebê Gregório aflora ainda mais, em Marina, o desejo de ser mãe. Enquanto a protagonista se encantava pelo britânico irresistível (lembrei-me do “lindo moreno” de Histórias do Povo rsrs), pipocavam notícias sobre a falecida vereadora Marielle Franco.

Adivinha quem foi atrás de Marina em plena Europa? Hector, arrependido da reação que teve e cheio de amor pra dar. Em nome do bem-estar da amiga (será mesmo?), Letícia dificulta as coisas pra ele. Marina continua muito magoada e decide investir em um romance com Charles, que acaba por realizar o que era tão esperado pela transexual — mas da pior forma! Ele a estupra, espanca e engravida! Marina foge e decide ter o filho sozinha. Então o europeu dominador conta com a ajuda da falsiane Letícia para evitar que Marina e Hector se reconciliem, mas é tudo em vão. Os vilões ainda armam o sequestro do bebê com requintes internacionais de crueldade, mas se dão mal com a esperteza dos mocinhos. No fim, os pombinhos se unem para sempre e formam uma linda família com o bebê.

Charlotte fecha o webfilme com uma mensagem sobre aceitação das diferentes orientações sexuais. Águas de Março foi inspirada nas novelas de Manoel Carlos, novelista conhecido por criar protagonistas femininas fortes e decididas, como as Helenas (destaque para as composições de Lilian Lemmertz, Regina Duarte e Vera Fischer), a Raquel (Irene Ravache) de Sol de Verão, a Marina (Marjorie Estiano) de Páginas da Vida e a Maysa (Larissa Maciel) da minissérie inspirada numa das cantoras mais empoderadas na história da MPB.

O tema do webfilme ou mesmo a condução de algumas cenas pode atrair ou assustar leitores por conta dos tópicos sociais e políticos. De todo modo, Charlotte soube conduzir com maestria os altos e baixos na vida de uma mulher em busca de um sonho maior, que é o de ser uma feliz mãe de comercial de margarina. Decepcionou o noivo com o grande segredo e se decepcionou com a reação dele. Conheceu um outro homem e acreditou que ele fosse o maior dos lordes, sem imaginar a face cruel. Descobriu as verdadeiras intenções de sua “amiga”. Lutou até o fim pelo útero e pelo direito de engravidar. Colocou a vida na balança e decidiu retomar os planos com o noivo. Após muito sofrimento, tornou-se plena e realizada. Gente como a gente.

Melhor história que li até agora da Charlotte Marx. Embora seja um pouco longo para o gosto de alguns leitores, o texto é bem escrito linguisticamente e tem condução fluida em boa parte. As citações aos personagens do cotidiano, como a do cãozinho Manchinha — assassinado num famoso supermercado —, lembram bastante o jeito de Manoel Carlos pôr comentários na boca dos personagens. Enfim, uma boa pedida de leitura. Muito bom!

Para ler Águas de Março, clique aqui.

 


O Observatório da Escrita chega ao fim, mas na semana que vem trago uma encomenda muito especial. Vou resenhar sobre um programa de resenhas. Está imperdível!

Daqui a pouco volto com o Cyber Backstage e as fofocas da semana. Até lá!

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  • Charlotte, que bom que curtiu a resenha. Fico feliz porque fiz com muito carinho. Adorei sua história do início ao fim e estou ansioso para Estação Medicina. <3

  • Charlotte, que bom que curtiu a resenha. Fico feliz porque fiz com muito carinho. Adorei sua história do início ao fim e estou ansioso para Estação Medicina. <3

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