Olá, leitor! Olá, leitora!

O Observatório da Escrita está de volta após um mês e meio de hiatus. E o destaque de hoje é a resenha de uma novela que vem dando o que falar no Mundo Virtual, com gostinho de fruta doce. Vamos lá!

 


 

Há algumas semanas, a OnTV colocou no ar o primeiro capítulo de uma adaptação das histórias da famosa Caridad Bravo Adams, responsável por clássicos internacionais exibidos no decorrer dos quarenta anos do SBT. Você se pergunta: Débora Costa mudou de emissora de novo e decidiu homenagear Caridad com mais um de seus sucessos escritos junto com Tai Andaluz? A resposta é não. Na verdade, o escritor é conhecido por reunir clássicos da teledramaturgia e também da literatura no canal que dirige. João Paulo Ritter, conhecido por dramas como Meu Mundo Caiu e por épícos como Sangue & Esplendor, aventura-se agora com um folhetim chamado Laranjal. Segundo ele, a atração reúne inspirações como Canavial de Paixões. Vamos aos destaques do primeiro capítulo:

 

O jovem Manuel está de retorno à terra natal, a cidade de Serrado do Louro, após receber um chamado. Moacir, pai do mocinho, está à beira da morte e deseja vê-lo. A empregada Annabela escreve uma carta sem que Helena, atual mulher do fazendeiro, saiba. Anos antes, expulsara Manuel de casa. O motivo seria a relação forte entre o menino e José Henrique, enteado de Manuel. Na verdade, um truque da inescrupulosa Helena para afastar o enteado dos bens e garantir o próprio futuro. Enquanto Moacir se arde em febre, a população — especialmente o médico Eduardo — se preocupa com o estado dele e com o que está por vir. Manuel desembarca do trem junto com sua amiga Luana. Eles seguem para o armazém de Fausto e Wilma, os padrinhos, e mata as saudades com eles. Wilma conta sobre o estado de Moacir, e Fausto oferece uma carona ao moço e à amiga.

Enquanto isso, José Henrique curte a vida em Londres ao lado da namorada, a portuguesa Inês. Preparam-se para voltar ao Brasil, sem se dar conta de que reencontrará Manuel, o que despertará o amor de forma ainda mais intensa. José Henrique relembra o passado com carinho. No fim do capítulo, Manuel reencontra o pai, para ódio de Helena. Esta começa a arquitetar um plano para se livrar do rapaz, com apoio da governanta Hermínia.

 

A novela vem escrita em formato roteiro, no padrão Celtx, e mantém boa estrutura visual. Os personagens e os ambientes são descritos dentro das possibilidades, sem exageros, o que dá margem aos leitores para criarem tais elementos na imaginação. Aliás, destaco esse trecho da capa: “Esse é um projeto sem fins lucrativos. Qualquer exposição de ator, atriz e músicas são feitas para florear a experiência de leitura.” (sic). Depois do escândalo envolvendo o fã-clube de um ator de Gato Preto, é sempre bom prevenir, não é mesmo? Abafa! Em 2021, tudo tem virado processo, então…

Novelas têm estruturas de cena bem mais simples que um filme ou uma série e, portanto, pedem textos mais enxutos. Ritter opta por descrições curtas, direto ao ponto, o que é ótimo. Porém, deve se atentar à pontuação. Por exemplo, no trecho a seguir, o autor une informações sobre o estado de saúde e a cor dos cabelos do Moacir, ou seja, coisas diferentes, com a vírgula. Um ponto ficaria melhor ali. Isso pode incomodar a um leitor mais exigente, embora, de fato, não comprometa a narrativa.


Atenção também à pontuação nos vocativos e às falhas ortográficas, estas decorrentes de digitação. Uma revisão simples já resolve.

Outro ponto que me incomodou foi a repetição do VEMOS no decorrer do capítulos, especialmente no começo. Tudo bem que se trata de um roteiro — um texto técnico — e não de uma redação do ENEM, mas acaba por deixar um ar menos eficiente e fluida para quem decupar. A forma “Mostra”, presente na primeira cena, ficou melhor. Fora esses tópicos, Ritter acerta bastante no roteiro que desenvolveu para o episódio inicial. Uma reorganização em uma descrição ou outra, e fica perfeito.

 

Laranjal acerta bastante nos diálogos, dominados por frases curtas e pelo tom natural. Há, sim, artificialidades e frases batidas de efeito, mas estas convencem na maioria das vezes.

Agora, sobre a história. Há o conflito: Manuel retorna à cidade natal e deve enfrentar o passado, representado pelo pai e pela madrasta. Há a expectativa que o leitor tem do reencontro. Como ele vai ser recebido pela família? Há a curiosidade pelo reencontro de Manuel e José Henrique. Há a apresentação e a contextualização dos personagens centrais: o que cada um faz ali? Assim, posso ver o carisma que os dois mocinhos trazem e espero torcer por eles daqui pra frente. Além disso, consigo ter raiva da Helena e já quero guardar a Annabela num potinho. Minha personagem preferida até agora. É ela a ponte entre Moacir e Manuel. Luana é cara de pau, mas é fofa também. Ri na cena da charrete. Mas a Inês não me convenceu muito, por usar o linguajar em terceira pessoa (você) em vez da segunda (tu e vós), como é corrente em Portugal, de onde veio — e tem cara de ser daquelas mulheres chatas e pegajosas capazes de loucuras nas novelas mexicanas.

Laranjal deveria passar no SBT no lugar de Coração Indomável. Já enjoei da Maricruz. Enquanto isso não acontece, acompanhe os capítulos na OnTV e se emocione com a novela protagonizada por Bruno Guedes e Apollo Costa. A propósito: adorei a Helena Fernandes de vilã — ela foi Raquel, a vilã de Canavial de Paixões, no SBT.

 


 

Já votou na resenha da semana que vem? Aproveite, vai até terça-feira, dia 03. O resultado será publicado na chamada de quarta.

 

 


O Observatório da Escrita fica por aqui, mas volta na próxima semana. Não deixe de ler o Cyber Backstage de hoje, já no ar.

 

PÉROLA DE DOMINGO


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