PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ANA

ALFREDO

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOÃO

JULIANA

KARINA

MIGUEL

RENATA

ROSANGELA

SOL

VICENTE

CENA 01. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

JULIANA      —  Me responda, pai! O que essa máscara está fazendo neste saco?

CARLITO      —  Eu comprei essa máscara, tá!?

JULIANA      —  Mas por que o senhor compraria uma máscara de rato? Isso não faz o mínimo sentido.

CARLITO      —  É que eu passei por uma loja e vi ela bem baratinho e não resisti. Estou me preparando pro carnaval.

JULIANA      —  Tá, mas o senhor sabe que o carnaval está longe, né? Só ano que vem.

CARLITO      —  Eu sei. Mas nunca é demais se preparar.

JULIANA      —  Muito estranho o senhor comprar essa máscara.

CARLITO      —  Estranho por quê? Vocês mulheres vivem fazendo isso, quando é um homem que faz é estranho…! Por quê?

JULIANA      —  Nada não, pai. Deixa pra lá.

CARLITO      —  (Firme) Não! Agora eu quero que você me explique porque é estranho. Vocês não podem ver uma promoçãozinha que logo gasta e na maioria das vezes, com coisas inúteis. Agora, eu não posso comprar uma simples máscara que pra você se torna estranho? Ah, faça-me o favor, né, Juliana!

Ele pega a máscara e o saco e vai para o quarto. Juliana respira fundo. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE RENATA. QUARTO DE BRUNA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 23 do capítulo anterior.

RENATA       —  O que você está fazendo dentro desse quarto com um menino, Bruna?!

BRUNA         —  Mãe, calma que não é nada disso que a senhora está pensando!

RENATA       —  Ah não? Você me traz esse garoto pra dentro de casa sem pedir, me traz ele pra dentro do seu quarto com a porta fechada, e não é nada disso que eu estou pensando? É o que então?

BRUNA         —  Desculpa, mãe. Eu não pensei bem e chamei o João para vir fazer o trabalho aqui no meu quarto.

RENATA       —  Custava vocês fazerem esse trabalho na sala, minha filha?

BRUNA         —  Desculpa, mãe. Eu não pensei nisso.

RENATA       —  Se seu pai descobre uma coisa dessas é capaz dele surtar.

BRUNA         —  A senhora não vai contar nada para ele não, né?

RENATA       —  Não. Mas vão fazer esse trabalho na sala pelo amor de Deus! Agora!

Os dois juntam as coisas rapidamente e saem do quarto. Renata sai logo atrás.

CORTA PARA:

CENA 03. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Redação cheia, todos ali focados no trabalho. Alfredo e Rosangela chegam da rua.

ROSANGELA — Obrigada pelo almoço, Alfredo.

ALFREDO     —  De nada. Pensa naquilo que eu te falei com carinho.

ROSANGELA — Pode deixar que eu vou fazer isso.

ALFREDO     —  É pra fazer mesmo, hein! Tá com cara de quem está falando isso da boca pra fora!

ROSANGELA — Não. Pode ter certeza de que eu vou pensar com carinho.

ALFREDO     —  Pense mesmo. Família em primeiro lugar, depois vem o trabalho.

Ele vai pra sua mesa e ela permanece ali pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali a trabalhar. Cris sai de sua sala.

CRISTINA     —  Ana, eu tenho um plano. Vou chamar o Vicente pra almoçar comigo e aí você aproveita e dá uma olhada na sala dele pra ver se acha alguma coisa.

ANA              —  Ai, dona Cristina… Será que isso vai dar certo?

CRISTINA     —  Claro que vai! É só você não deixar ninguém te ver, pode ser?

ANA              —  Pode, né!

CRISTINA     —  Que isso? Não gostei nada do seu tom.

ANA              —  Desculpe, dona Cristina.

Cristina a encara seriamente por um instante, depois entra na sala de Vicente.

CORTA PARA:

CENA 05. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente ali trabalhando. Cris em pé diante dele já arrematando.

CRISTINA     —  Eu andei pensando e vi que nós nunca mais almoçamos juntos.

VICENTE      —  Que conversa é essa agora, Cristina? Você sempre corre pra almoçar o mais longe possível de mim!

CRISTINA     —  Que isso, Centezinho? Eu só não almocei mais com você porque esses dias eu tenho andando naqueles dias.

VICENTE      —  (Debocha) Você ainda tem isso?

CRISTINA     —  Claro que tenho! Do jeito que você fala até parece que eu sou tão velha assim. Meu amor, eu sou uma quarentona bem enxuta, tá?

VICENTE      —  Tá bom, Cristina. Você veio aqui pra falar do tal almoço ou pra ficar aí se achando?

CRISTINA     —  Não tô me achando! Estou apenas falando a verdade.

VICENTE      —  Nossa! A modéstia passou longe.

CRISTINA     —  Antes que nós comecemos a discutir, você aceita ou não ir almoçar comigo?

VICENTE      —  Tá bom, vamos.

Os dois saem da sala.

CORTA PARA:

CENA 06. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali trabalhando. Vicente e Cris saem de sua sala.

CRISTINA     —  Vai na frente e tira o carro da vaga que eu já tô descendo.

VICENTE      —  E por que não desce comigo?

CRISTINA     —  É que eu tenho que dar algumas ordens a Ana antes de sair pro almoço.

VICENTE      —  Ah, tá.

Ele chama o elevador e entra.

CRISTINA     —  Escute, Ana. Nós vamos ficar uma hora fora. Então faça o que tem que ser feito antes que nós cheguemos.

ANA              —  Pode deixar, dona Cristina.

Ela vai até o elevador e o chama.

CRISTINA     —  Pronto. Agora tenho que esperar ele chegar na garagem pra descer.

Fecha em Ana que volta ao trabalho.

CORTA PARA:

CENA 07. APART DE ALFREDO E RENATA. SALA. INT. DIA.

Bruna e João ali fazendo o trabalho. Renata vem do quarto.

RENATA       —  Desculpa, garoto. Com toda essa confusão eu nem falei com você.

JOÃO            —  Não, senhora. Tudo bem. Eu não queria ir pro quarto justamente pra não dar esse problema.

BRUNA         —  Que fique registrado aqui que eu não puxei ele pro quarto!

RENATA       —  Você pode vir quantas vezes quiser. Só de olhar pra você eu tô vendo que você é uma belíssima influência pra minha filha, que anda ultimamente meio isolada.

BRUNA         —  Mãe! Pelo amor de Deus! Não nos atrapalhe!

RENATA       —  Eu vou deixar vocês fazerem o trabalho. Eu só queria antes levar um papinho com o….

JOÃO            —  João.

RENATA       —  Com o João aqui. Vem cá, João.

Os dois vão para perto da janela.

RENATA       —  (Sussurra) Olha… Você tem que namorar a minha filha. Ela tem dezessete anos e eu nunca vi ela com ninguém.

JOÃO            —  (Sussurra) A senhora acha que eu tenho chance?

RENATA       —  (Sussurra) Claro que tem, João. Você me parece ser uma boa pessoa e é o tipo de gente que eu quero como genro.

BRUNA         —  Eu ouvir alguma coisa sobre genro? É isso mesmo?

RENATA       —  (Disfarça) Que genro o quê? Eu estou falando com ele sobre ferro. Ele tá muito magrinho, precisa ir pra academia puxar um ferro, né, João?

Ele meneia a cabeça que sim e Bruna fica desconfiadíssima. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. HOTEL DE LUXO. QUARTO. INT. DIA.

Sol ali dando um retoque no visual. Glória chega de fora.

GLÓRIA        —  Nossa! Esse hotel aqui é o paraíso. Da vontade de morar aqui pra sempre.

SOL               —  Depois quando ver a conta vai dizer o contrário.

GLÓRIA        —  Vai sair de novo, Sol?

SOL               —  Claro. A senhora acha mesmo que eu vou ficar presa dentro desse quarto de hotel quando eu posso estar por aí pra curtir as maravilhas do Rio de Janeiro!?

GLÓRIA        —  Minha filha, tome muito cuidado. As coisas que nós vemos nas reportagens do Rio são assustadoras.

SOL               —  Pode deixar, mãe. Eu sou bem grandinha e sei muito bem me cuidar.

GLÓRIA        —  Mas a final de contas, você está indo pra onde?

SOL               —  Para o Cristo. Eu sempre quis conhecer o cartão postal do Rio.

GLÓRIA        —  Ah… Se você vai pro cristo então eu também quero ir.

SOL               —  Então se arruma rápido que eu já estava de saída.

Glória começa a procurar alguma roupa para vestir. Sol fica ali se olhando no espelho. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. UNIVERSIDADE NOVO RIO. CANTINA. INT. DIA.

Vários estudantes ali. Miguel ali sentado. CAM mostra Adriana e Karina, que vem caminhando distraídas conversando.

ADRIANA     —  Eu não sei como você consegue. Essa parte da matéria nunca entra na minha cabeça.

KARINA       —  Se preocupa não que com o tempo e dedicação você vai conseguir.

Adriana ver Miguel ali sentado sozinho.

KARINA       —  Vamos tomar um sorvete?

ADRIANA     —  Depois. Olha lá o Miguel. Vamos lá falar com ele?

As duas se aproximam.

ADRIANA     —  Ainda amoadinho pelo que aconteceu?

MIGUEL        —  Sim e não.

ADRIANA     —  Como assim?

MIGUEL        —  É que eu tentei falar com o Gael e foi uma perca de tempo.

ADRIANA     —  Não fica assim não, meu amor. Eu tenho certeza que as coisas ainda vão se resolver.

KARINA       —  É, e nós estamos aqui pra isso. Pra te ajudar com o que der e vier!

MIGUEL        —  (Pega na mão dela) Obrigado mesmo, Karina. É sempre bom saber que eu posso contar com pessoas assim como você.

Fecha em Adriana não gostando nada dos dois ali trocando olhares. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. LEBLON. AVENIDA. EXT/ INT. DIA.

CAM mostra o carro de Gael vindo em alta velocidade. Ele se aproximando da CAM. Corta para dentro do carro:

GAEL            —  (P/si, invocado) Faz o que faz e depois vem bancar um bom samaritano. Comigo não! A mim ninguém engana! Eu sei muito bem quem é você, Miguel!

Ele olha para o Cristo. CAM mostra o Cristo Redentor de braços abertos.

GAEL            —  (P/si) Tô precisando de um lugar assim.

Corta para fora do carro: o carro vai se afastando dentre os outros. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia chega do shopping com algumas sacolas.

FLÁVIA        —  (P/si) Gente, mas que horror é esse transito? Aposto que a Renata já chegou em casa há muito tempo. Indo pros lados da casa dela não tem transito, agora aqui… Só Jesus!

Percebe o silêncio reinando.

FLÁVIA        —  (P/si) Ué. Pelo jeito não tem ninguém em casa. (Chama) Mãe? A senhora tá em casa?

Jandira chega da rua arrematando.

JANDIRA      —  Agora estou.

FLÁVIA        —  Onde a senhora estava?

JANDIRA      —  Mas o que é que é isso agora, hein? A mãe aqui sou eu! Você não dá satisfações da sua vida então eu também não sou obrigada a nada!

FLÁVIA        —  Acontece que quando se tem uma mãe louca feito você, os papéis se invertem!

JANDIRA      —  Que isso, filha? Nossa! Essa de “louca” magoou, sabia?

FLÁVIA        —  Não vem bancando a coitadinha pra disfarçar não! Aonde a senhora estava!?

JANDIRA      —  Estava no mato! Pronto falei! Está feliz agora?

FLÁVIA        —  No mato? Mas o que a senhora estava fazendo no mato, mamãe?

JANDIRA      —  Se você não sabe, eu é que não vou desenhar pra você.

Jandira vai para o quarto sorrindo e Flávia permanece ali meneando a cabeça negativamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. CASA DE CARLITO E MAZÉ. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali sentada a mesa almoçando de cara feia. Carlito vem da sala.

CARLITO      —  Nossa! Mas que cara é essa?

JULIANA      —  A cara de quem acha que o pai está enganando a esposa e a filha.

CARLITO      —  Que isso, minha filha? De onde é que você tirou essa ideia de que eu estou enganado vocês?

JULIANA      —  Simples. Porque o senhor fala as coisas, depois vai lá e age totalmente diferente.

CARLITO      —  Poxa, filha. Tudo isso só porque eu não te ajudei na faxina?

JULIANA      —  Não. Não é só por isso não. E aquela máscara de rato?

CARLITO      —  Eu já não disse que a máscara estava na promoção e eu comprei? O que mais você quer que eu fale?

JULIANA      —  A verdade!

CARLITO      —  (Firme) Chega! Aqui eu sou o pai e você a filha! Eu não admito ser desrespeitado dessa maneira dentro da minha própria casa e o pior… Por minha própria filha!

Fecha em Juliana com os olhos arregalados de surpresa com o pai. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 13. LEBLON. HOTEL DE LUXO. FACHADA. EXT/ INT. DIA.

CAM ali focada na entrada da garagem. O carro de Sol sai e vai se afastando da CAM. Corta para dentro do carro:

SOL               —  Não sei que demora foi essa pra se arrumar.

GLÓRIA        —  Ué. Eu quero está deslumbrante pra conhecer o Cristo.

SOL               —  Pois é. Todos esses anos morando em SP e eu nunca tinha vindo ao RJ.

GLÓRIA        —  Na verdade você já veio sim.

SOL               —  Quando que eu não me lembro?

GLÓRIA        —  Você veio aqui quando ainda não era um feto. Você foi feita aqui, meu amor. Na cidade maravilhosa.

SOL               —  (Nojo) Ai que horror, mãe! Poupe-me dos relatos da sua vida sexual com o papai.

GLÓRIA        —  Ué. Só estou te dizendo a verdade.

Glória sorrir e Sol meneando a cabeça negativamente.

CORTA PARA:

CENA 14. RESTAURANTE CHIQUE. SALÃO. INT. DIA.

Restaurante cheio. CAM vai passando pelas mesas e para na mesa de Vicente e Cristina.

VICENTE      —  Até que foi uma boa ideia ter vindo almoçar aqui.

CRISTINA     —  Eu sabia que você ia gostar. Lembra, foi aqui que nos conhecemos .

VICENTE      —  Lembro. Aliás, como o tempo passa rápido, não? Parece que tudo aquilo foi ontem.

CRISTINA     —  Verdade. O tempo tá passando rápido demais e a gente não está se dando conta.

VICENTE      —  Mas vamos ao te interessa. Qual é o propósito desse almoço?

CRISTINA     —  Como assim, Vicente? O propósito é almoçarmos como não fazíamos faz tempo.

VICENTE      —  Me engana que eu gosto, Cristina. Eu sei que você tem alguma carta na manga.

CRISTINA     —  Que isso? Por que essa desconfiança agora?

VICENTE      —  Simples. Você nunca me convidaria pra almoçar se não tivesse outro propósito. É pra saber quem é o cliente, não é?

Fecha em Cristina encarando Vicente seriamente. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 15. UNI NOVO RIO. ESTACIONAMENTO. EXT. DIA.

Miguel e Adriana ali caminhando até o carro.

ADRIANA     —  O que foi aquilo de você segurando na mão da Karina?

MIGUEL        —  Ah pelo amor de Deus, Adriana! Você não vai encrencar por causa de uma coisa boba como aquela, vai?

ADRIANA     —  Pra mim não pareceu bobeira. Você estava falando com certeza e segurando a mão dela.

MIGUEL        —  Ai, meu amor. Você sabe muito bem que eu só tenho olhos pra você. Pra que essa crise de ciúme besta agora?

ADRIANA     —  “Ciúme besta”? Você diz isso por que é com você. Eu queria ver como você reagiria se um homem lindo estivesse segurando a minha mão e dizendo aquelas coisas.

MIGUEL        —  Nossa. Pra que esse exagero todo? Eu só disse que é bom ter pessoas como ela pra contar.

ADRIANA     —  É, como se eu não tivesse ali te dando apoio!

MIGUEL        —  Vamos pra casa antes que essa conversa termine em briga.

ADRIANA     —  Concordo!

Eles entram no carro de Adriana, que dá a partida e se afasta. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. RESTAURANTE CHIQUE. SALÃO. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 14.

CRISTINA     —  Não era pra falar sobre isso, mas logo que você tocou no assunto eu quero saber sim.

VICENTE      —  Sabia. Tantos anos de convivência pelo menos pra isso serviu!.

CRISTINA     —  Que isso? Que modo de falar do nosso casamento é esse? Até parece que ele está tão ruim assim.

VICENTE      —  Eu não disse isso. Mas não é segredo pra ninguém que nós estamos vivendo de aparências.

CRISTINA     —  Vivendo de aparências então está você, né? Porque eu me recuso a viver desse jeito.

VICENTE      —  Se recusa nada. Você é a primeira a dar uma de atriz e atuar como esposa.

CRISTINA     —  É o cúmulo isso! Mas isso me serviu de lição. Se é assim que você ver o nosso casamento, então ele realmente está acabado.

Ela se levanta.

VICENTE      —  Tá indo aonde?

CRISTINA     —  (Firme) Ao toalete!

VICENTE      —  (P/si, sorrir) Com isso ela esqueceu do tal cliente. Só aceitei o convite pra ela não desconfiar ainda mais.

CORTA PARA:

CENA 17. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Ana entra e arremata.

ANA              —  (P/si) Pelo tempo eles já devem ter chegado ao restaurante. Agora é hora de entrar em ação.

Ela vai até a mesa e vasculha as gavetas.

ANA              —  (P/si) Vamos lá. Deve ter alguma coisa aqui que indique quem é esse tal cliente misterioso.

Ela continua a vasculhar, mas não acha nada. Vai pra estante e começa a abrir os livros e folheá-los rapidamente e nada. Ela olha pro notebook e arremata.

ANA              —  (P/si) Aqui deve ter alguma coisa, não é possível.

Ela se senta à mesa e começa a mexer no notebook. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. APART DE ALFREDO E RENATA. SALA. INT. DIA.

Bruna e João ali fazendo o trabalho sentados.

BRUNA         —  Não dá. Eu não consigo!.

JOÃO            —  O que, Bruna?

BRUNA         —  O que minha mãe falou contigo?

JOÃO            —  Como assim?

BRUNA         —  Naquela hora que vocês dois estavam ali cochichando feito duas velhas fofoqueiras.

JOÃO            —  Ela estava me dando alguns conselhos.

BRUNA         —  Mas que tipo de conselhos?

JOÃO            —  Ela tava me dizendo que eu preciso ir pra academia e ganhar mais massa muscular porque menina nenhuma gosta de namorar caras magros como eu.

BRUNA         —  Nossa. A dona Renata foi tão indelicada assim? Eu não acredito nisso.

JOÃO            —  Não, Bruna. Deixa isso pra lá. Confesso que isso me fez pensar mesmo em entrar pra academia. O que você acha?

BRUNA         —  Você? Na academia?

Dá uma crise de riso em Bruna e ela não para. João sério olhando pra ela. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. APART DE RENATA. QUARTO CASAL. INT. DIA.

Renata ali sentada na cama pensativa.

CORTA PARA:

CENA 20. BARRA SHOPPING. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO. INT. DIA.

Entra aqui um INSERT da cena 05 do capítulo anterior.

FLÁVIA         —   Mas agora chega de falar nos meus problemas e vamos focar mais em você.

RENATA        —   Eu?

FLÁVIA         —   É, você mesma. Como é que estão as coisas entre você e o Alfredo?

RENATA        —   Na mesma.

FLÁVIA         —   Ah, que isso amiga. Na última vez que nos encontramos você disse a mesma coisa.

RENATA        —   E pelo jeito vou continuar dizendo. Parece que o nosso casamento entrou numa rotina desgraçada que não muda nunca, sabe?

FLÁVIA         —   Sei. Sei bem como é isso.

RENATA        —   Às vezes eu paro pra pensar e fico indecisa se realmente o nosso casamento um dia vai sair dessa mesmice.

FLÁVIA         —   Mas amiga você tem que cobrar isso do Alfredo. Com homem a gente tem que ficar em cima porque se não a mudança nunca vem.

RENATA        —   E adianta alguma coisa? Eu já tentei falar com ele sobre isso.

FLÁVIA         —   E como foi a conversa?

RENATA        —   Como não foi, né? Ele me cortou falando algumas coisas da redação do jornal e disse que tava cansado.

FLÁVIA         —   Amiga, é triste te dizer isso, mas… Agora vai ser difícil reverter essa situação.

Fecha em Renata que meneia a cabeça concordando. Instantes.

Fim do insert.

CORTA PARA:

CENA 21. APART DE RENATA. QUARTO CASAL. INT. DIA.

Renata ali sentada na cama, quando se levanta e arremata.

RENATA       —  (P/si, determinada) A Flávia tem razão. Quanto mais tempo eu demorar, mais risco o meu casamento corre. É isso mesmo que eu vou fazer. O Alfredo não perde por esperar! Eu vou reverter essa situação.

Ela fica ali sorrindo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 22. RIO DE JANEIRO. CRISTO REDENTOR. EXT. DIA.

Ponto turístico cheio. Vários turistas ali admirando a paisagem e tirando fotos. CAM mostra Gael ali triste a olhar aquela linda vista.

GAEL            —  (P/si) Só essa vista mesmo pra me deixar mais calmo e esquecer, pelo menos por um instante todas as coisas que andam acontecendo.

CAM mostra Sol e Glória que chegam ao cristo.

SOL               —  Vem, mãe. Que moleza é essa?

GLÓRIA        —  “Que moleza é essa”…? Você age como se eu tivesse a sua idade ou sei lá, fosse mais jovem do que você. Subir isso aqui cansa, tá bom?

SOL               —  Quem mandou querer vir me seguindo? (Aponta) A escada rolante serve pra isso mesmo.

GLÓRIA        —  Ah, Sol. Deixa disso e agora vamos curtir essa linda vista. Olha.

As duas se aproximam do cercado.

SOL               —  (Impressionada) Nossa. Olha isso, mãe.

GLÓRIA        —  Eu sei, é lindo.

SOL               —  Dá pra ver a cidade toda daqui de cima.

GLÓRIA        —  Também não exagera, né, Sol?!

SOL               —  (Aponta) Se der mole aquele prédio lá é o hotel que a gente está.

GLÓRIA        —  Depois eu que sou a exagerada.

SOL               —  Tira uma foto minha aqui mamãe!

Sol passa o cel. a Glória que o posiciona e bate a foto de Sol com os braços abertos, ao fundo aquela linda paisagem.

Atenção Edição: A foto aparece na tela.

SOL               —  Agora com o Cristo ao fundo.

Elas se viram e Glória bate a foto.

Corta para um outro ponto: Gael ali triste pensativo. CAM mostra Sol e Glória vindo na direção dele.

SOL               —  Agora vamos tirar uma foto deste ângulo, mãe.

GLÓRIA        —  Pra quê?

SOL               —  Porque eu quero tirar foto de todos os ângulos possíveis.

Sol se posiciona e ver Gael ali e fica olhando-o.

GLÓRIA        —  Olha pra cá, Solange. Como você quer que eu tire a foto desse jeito?

Sol se aproxima de Gael e arremata.

SOL               —  Oi. Tudo bem?

GAEL            —  (Não entende) Tudo.

SOL               —  Não tá lembrado de mim não? Você esbarrou em mim na orla, quando estava correndo e quase pisou em um cachorro.

GAEL            —  Desculpe senhora, mas eu não te conheço não.

Ele se afasta e Sol fica ali sem entender nada e desconfiada. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 13º CAPÍTULO

 

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