PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

 ESCRITA POR:

RAMON SILVA

 PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA
ALFREDO
ANA
BRUNA
CARLITO
CRISTINA
FLÁVIA
GAEL
GLÓRIA
JANDIRA
JULIANA
KARINA
MARTA
MAZÉ
MIGUEL
MURILO
RENATA
RICARDO
ROSANGELA
SOL
VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

LUCAS, POLICIAIS.

 

CENA 01. APART DE FLÁVIA. QUARTO MURILO. INT. NOITE.

Atenção Sonoplastia: Entra aqui um instrumental triste.

Murilo ali deitado na cama, tristinho… Lágrimas escorrem por seu rosto. Instantes e Flávia entra.

FLÁVIA        —  Filho…? Como você tá?

Ele não responde se vira pra parede. Ela se aproxima dele e arremata.

FLÁVIA        —  Filho, não fica assim. Tira da cabeça essa ideia de que seu pai não te ama. Poxa, ele te adora.

MURILO       —  (Se vira) Adora, é? Se adorasse mesmo de verdade, ia me ver jogar! Todos os meus colegas perguntam pelo meu pai e eu sempre digo que ele é um homem muito ocupado no trabalho. E sabe o que eles me dizem?

FLÁVIA        —  Não. O que eles te dizem?

MURILO       —  Que meu pai não vai me ver jogar porque não gosta de mim e porque eu jogo muito mal e ele ia passar vergonha!

FLÁVIA        —  Não fale assim, meu filho. Você não vai deixar esses garotos colocarem essas ideias sem sentido na sua cabeça, vai?

MURILO       —  Se bem que por um lado eles tem razão! Se meu pai não foi me ver até hoje…. É porque tem alguma coisa de errado comigo.

FLÁVIA        —  Não! Não tem nada de errado com você, Murilo! E seu pai te ama sim. Pode ter certeza que a mamãe aqui vai fazer de tudo pro seu pai ir no próximo jogo. Quando é o próximo jogo?

MURILO       —  Semana que vem.

FLÁVIA        —  Então pode ter certeza que seu pai vai estar lá na plateia torcendo pra você fazer um gol lindo. Tá bom?

Fecha em Murilo desacreditado. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 02. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. NOITE.

CAM ali focada na porta. Ana entra com uma pasta e se assusta.

ANA              —  (Se assusta) Ai que susto!

CAM revela que Vicente está ali sentado.

VICENTE      —  Assustada por que, Ana? Afinal de contas, esta sala aqui me pertence.

ANA              —  Sim, eu sei. Mas eu pensei que a essa hora todos já tinham ido embora.

VICENTE      —  Quase todos foram. Eu estou aqui sentado refletindo sobre o que é a vida.

ANA              —  Ah sim. Eu entrei aqui pra deixar na sua mesa essa pasta que o Ricardo deixou comigo.

VICENTE      —  Ah sim. (Pega a pasta) E você já está de saída?

ANA              —  Sim. Eu já passei da hora.

VICENTE      —  Espere. Sente-se. Quero ter uma conversa com você.

ANA              —  Poxa, seu Vicente. Não pode ser amanhã não?

VICENTE      —  Não. Eu quero conversar com alguém hoje. Sente-se.

Ela se senta e ele também.

VICENTE      —  Sabe, Ana…? Eu andei pensando muito sobre o que eu tenho feito ultimamente. E aí eu cheguei a seguinte conclusão: “o que eu estou fazendo da minha vida?”. Sim, porque eu não tenho feito nada que preste ultimamente.

ANA              —  Que isso, seu Vicente? E essa construtora aqui que é a mais bem requisitada do Rio?

VICENTE      —  Isso aqui é só um bem material e fruto de muitos anos de trabalho e dedicação.

ANA              —  Nossa! E do jeito que o senhor fala até parece que é pouco!

VICENTE      —  É que mesmo sendo dono dessa construtora, eu sinto que ainda não cumpri a minha missão.

ANA              —  (Não entende) Como assim?

VICENTE      —  Pense bem…. Será mesmo que a minha missão aqui na terra era ser proprietário dessa construtora ou será que eu teria outra ocupação? E se eu tiver fazendo uma coisa da qual não foi designado a mim? Você já parou pra pensar nisso?

Ana meneia a cabeça que não e ele volta a falar fora de áudio. Ela olha pro relógio agoniada. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 03. HOTEL DE LUXO. RESTAURANTE. INT. NOITE.

Restaurante com movimento mediano. Clima sofisticado. Sol e Glória ali sentadas a mesa jantando.

GLÓRIA        —  Esse hotel aqui é o paraíso mesmo. Olha só que restaurante mais chique.

SOL               —  Verdade. Me sinto muito importante aqui.

GLÓRIA        —  Até agora eu não vi nada de errado com esse hotel. É nota 10 pra tudo.

SOL               —  Milagre. A senhora reclama de tudo. Quando acha alguma coisa que gosta e não reclama eu fico até surpresa.

GLÓRIA        —  Que horror, Sol! Do jeito que você fala até parece que eu sou ranzinza.

SOL               —  Mas agora deixando essa conversa de lado, a senhora precisa conhecer a Karina. Ela é uma jovem adorável.

GLÓRIA        —  Do jeito que você fala dessa menina até parece que nunca conheceu uma jovem.

SOL               —  Igual a ela não! Ela tem um jeito diferente, sabe? Tem um estilo humilde.

GLÓRIA        —  Então é pobre!

SOL               —  Aí é que a senhora se engana! Ela disse que o pai é diretor financeiro de uma construtora e que a mãe dela é jornalista. Quer uma família mais bem estruturada do que essa?

Fecha em Glória. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 04. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Cris chega do trabalho.

CRISTINA     —  Alguém nessa casa gente?

Adriana vem da cozinha.

ADRIANA     —  Oi, mãe.

CRISTINA     —  Ah você tá aí. Pensei que a casa tava vazia.

ADRIANA     —  Não, eu estou aqui. Como foi o dia na construtora hoje?

CRISTINA     —  Você não vai acreditar no que eu descobrir.

ADRIANA     —  (Curiosa) O quê?

CRISTINA     —  Acho que descobrir quem é o tal cliente. Quer dizer… A tal cliente.

ADRIANA     —  É mulher?

CRISTINA     —  É. E parece que o nome da mulher é Flávia.

ADRIANA     —  Como a senhora descobriu isso?

CRISTINA     —  Eu acabei descobrindo sem querer. Estava dando uma olhada no sistema da empresa e acabei vendo uma ligação que ele fez pra essa tal Flávia.

ADRIANA     —  (Duvidando) Sem querer… Sei!

CRISTINA     —  Foi sem querer mesmo. Mas isso foi bom. Eu falei pro Vicente que eu quero conhecer essa tal de Flávia e que enquanto eu não conhecer essa mulher, ele não entra nessa casa!

Closes alternados nas duas. Adriana surpresa com a mãe e Cristina determinada. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 05. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Ricardo ali sentado lendo um livro. Rosangela chega do trabalho.

ROSANGELA — Boa noite, Ricardo.

Ele nem olha e continua a ler o seu livro.

ROSANGELA — Nossa! Depois ainda diz que eu não te dou atenção.

RICARDO     —  Isso aqui é exatamente o que você tem feito comigo ultimamente.

ROSANGELA — Ainda isso, Ricardo? Eu nem vou me dar ao trabalho de te responder que você sabe muito bem o que está me deixando desse jeito.

RICARDO     —  Sei. Sei muito bem o que está te deixando desse jeito. E não é essa tal promoção, não é? Você sempre foi assim. Sempre ambiciosa por crescer naquela redação. Sempre querendo uma promoção, sempre querendo subir.

ROSANGELA — Meu amor… Quantas vezes eu vou ter que te dizer que eu estou trabalhando possessivamente só agora até ganhar a promoção? Eu prometo pra você que quando eu conseguir. Eu vou passar mais tempo com a nossa família!

RICARDO     —  Eu adoraria acreditar nisso! Mas infelizmente não tem como porque eu sei que não é verdade! Sabe o que eu tenho vontade de fazer?

ROSANGELA — Hum.

RICARDO     —  De chamar a sua mãe pra cá e ver se ela coloca alguma coisa na sua cabeça.

ROSANGELA — Pelo amor de Deus! Mamãe não! Aquela lá só iria atrapalhar a minha vida!

RICARDO     —  Então trate de mudar! Ou pelo menos finja! Caso contrário… A sua mãe vai morar conosco nesta casa!

Ele vai para o quarto e ela fica ali aflitíssima e bufa. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

 

CENA 06. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Carlito ali sentado assistindo TV. Mazé chega do serviço.

MAZÉ            —  Não sai desse sofá, hein!

CARLITO      —  Boa noite pra você também nega.

MAZÉ            —  Não. Não tem boa noite não. Pra uma mulher que rala igual uma condenada não tem boa noite. E o marido? Aí deitado no sofá!

CARLITO      —  Que isso, nega? Pra que essa agressividade toda? Chega calma. Olha que o estresse dá rugas!

MAZÉ            —  Olha, Carlito, eu não vou nem te responder porque eu tô cansada demais pra iniciar uma discussão!

CARLITO      —  Ué. Mas se tá cansada demais pra iniciar uma discussão então por que já chegou discutindo?

MAZÉ            —  Porque isso está nas minhas reservas de energia! É impossível chegar aqui e ficar calada ao dar de cara com você aí esparramado nesse sofá!

CARLITO      —  Poxa, nega. Eu já te disse que a lombar tá me deixando quase paraplégico!

Se aproxima dela e recua.

MAZÉ            —  (Agressiva) Quase paraplégico quem vai te deixar sou eu!

CARLITO      —  Nossa, nega! Hoje você chegou com a macaca, hein!

MAZÉ            —  Macaca? Além de tudo inda me chama de macaca.

CARLITO      —  Não, nega. Eu disse que você estava com a macaca e não que você era a macaca!

MAZÉ            —  (Joga o sapato nele) Não quero saber! Não adianta vir com desculpinha não que você me chamou de macaca!

Ele se esconde atrás do sofá. Ela vai para o quarto. Ele sobe o braço para se certificar de que ela não está mais ali e sobe devagar para olhar, quando arremata.

CARLITO      —  (P/si) O que deu nessa mulher gente? Eu nunca vi ela desse jeito.

Ele fica ali com os olhos arregalados de espanto. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 07. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Ana sai da sala de Vicente e respira mais aliviada. Ela vem até sua mesa e pega sua bolsa já arrematando.

ANA              —  (P/si) Graças a Deus eu conseguir sair. Oh homem pra falar, viu!? Tá carente? Compra um hamster! Logo que as coisas já estão assim, é melhor eu nem mostrar o que eu encontrei na sala dele!

Ela chama o elevador.

CORTA PARA:

 

CENA 08. APART DE ALFREDO E RENATA. SALA. INT. NOITE.

Bruna ali sentada mexendo no cel. Alfredo chega do trabalho.

ALFREDO     —  Oi, filha.

BRUNA         —  Ah, oi, pai.

ALFREDO     —  Cadê sua mãe?

BRUNA         —  Tá lá no quarto.

ALFREDO     —  Ah, tá. Mas e você?

BRUNA         —  O que tem eu?

ALFREDO     —  O que você faz aí mexendo nesse celular?

BRUNA         —  Tô aqui vendo a vida dos outros no face.

ALFREDO     —  Ah sim. (Olha no cel. dela) Quem é esse garoto?

BRUNA         —  Ih, pai. Para de ser enxerido!

ALFREDO     —  Enxerido? Eu quero saber quem é esse garoto aí.

BRUNA         —  Calma que é só um garoto lá da escola.

ALFREDO     —  Sim, mas o que esse garoto significa pra você?

BRUNA         —  (Se levanta) Eu não vou ter esse tipo de conversa com o senhor.

ALFREDO     —  E por que não? Eu não sou bom o suficiente pra conversar sobre essas coisas, é isso?

Ela vai para o quarto, volta e arremata.

BRUNA         —  Ah, já ia me esquecendo…. Vai lá no quarto que a dona Renata deve ter uma surpresa pro senhor.

ALFREDO     —  Uma surpresa? Do que é que você tá falando garota?

BRUNA         —  Não sei.

Ela vai para o quarto sorrindo e Alfredo fica ali sem entender nada.

ALFREDO     —  (P/si, intrigado) Do que será que ela tá falando? (Indo p/quarto) A Renata vai ter que me dizer que surpresa é essa.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE RICARDO. QUARTO KARINA. INT. NOITE.

Karina ali deitada pensativa. Há um diário ali na cama.

KARINA       —  (P/si) Uma pena que minha mãe não é assim como a Sol. Eu gostaria muito de ter uma conversa com a minha mãe, mas…. Nunca é possível pelo vício dela em trabalho! (Olha pro diário) Se eu não tenho ninguém pra me ouvir… Eu tenho que recorrer a você querido diário. Se bem que eu tô bem velhinha pra isso.

Ela joga o diário ali sobre a cama. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 10. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Jandira ali sentada. Flávia vem do quarto de Murilo.

JANDIRA      —  Como ele tá?

FLÁVIA        —  Na mesma.

JANDIRA      —  Tá vendo só o que a mentira pode fazer? Eu sempre soube que isso aconteceria um dia.

FLÁVIA        —  Pelo amor de Deus, mãe! Sermão agora não! Tô aqui de cabeça quente com isso e ainda vem a senhora falando.

JANDIRA      —  Tá, não tá mais aqui quem falou.

Flávia fica ali indecisa. E começa a andar de um lado para o outro, olha pra mãe.

JANDIRA      —  O que foi, Flávia?

FLÁVIA        —  O que a senhora acha que eu devo fazer?

JANDIRA      —  Engraçado que é só nesses momentos que você pede a minha opinião. Tá, tudo bem. Eu sei que vou me arrepender disso, mas… A única coisa que você pode fazer é chamar o Vicente. Só ele pode tentar reverter essa situação.

FLÁVIA        —  A senhora tem razão. (Pega o cel.) Vou ligar pra ele agora mesmo!

Ele fica ali ligando.

CORTA PARA:

 

CENA 11. APART DE RENATA. QUARTO CASAL. INT. NOITE.

Renata e Alfredo ali sentados conversando.

ALFREDO     —  A Bruna disse que você tinha uma surpresinha pra mim. O que é?

RENATA       —  Não é nada não, meu amor. Essa garota adora inventar as coisas.

ALFREDO     —  Tem certeza?

RENATA       —  Tenho.

ALFREDO     —  Ah, tá. Ai, meu amor eu tenho medo que a nossa relação se desgaste um dia, sabe?

RENATA       —  Sério? Eu pensei que era só eu que tinha medo disso acontecer.

ALFREDO     —  Não é não. Eu também tenho medo.

RENATA       —  Mas por que você tá falando isso?

ALFREDO     —  É que eu tenho visto a Rosangela e o Ricardo. Pelo jeito as coisas não estão nada boas entre os dois.

RENATA       —  Sério? Mas quem é essa Rosangela?

ALFREDO     —  É a jornalista que eu te disse que trabalha demais e não tem tempo pra família.

RENATA       —  Nossa! Deve ser horrível pro marido dela, né?

ALFREDO     —  Pois é. Mas o problema é que eles tem uma filha e a Rosangela não deve fazer bem o papel dela de mãe. Já eu sou oposto dela. Eu sempre faço questão de estar junto de vocês!

RENATA       —  (Sem graça) É verdade!

ALFREDO     —  Bom, agora eu vou tomar um banho.

Ele se levanta e vai para o banheiro fora do quarto.

RENATA       —  (P/si) Essa Rosangela é porque é viciada em trabalho e o Alfredo não percebe, mas a nossa relação não é mais aquela de antigamente.

CORTA PARA:

 

CENA 12. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Marta e Miguel ali sentados. Gael chaga da rua.

MARTA        —  Ah… Lembrou que tem casa, é?

Closes alternados em todos. Gael sério. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

 

INTERVALO COMERCIAL

 

CENA 13. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena anterior.

GAEL            —  Só vim buscar as minhas coisas.

MARTA        —  Como assim, meu filho? Você está indo pra onde?

GAEL            —  Não sei. Pra onde a vida me levar.

MARTA        —  Mas que loucura é essa, Gael? Aqui é a sua casa! É aqui que você deve ficar. Comigo e com o seu irmão.

GAEL            —  Não depois do que aconteceu.

MIGUEL        —  Não precisa sair, Gael. Eu saio.

MARTA        —  Mas o que é que é isso? Tudo mundo enlouqueceu? Ninguém vai sair dessa casa!

GAEL            —  Não precisa sair, Miguel. Eu tenho certeza que você fará mais falta do que eu. Fique, a dona Marta precisa de você.

Ele vai para o quarto. Marta olha Miguel e vai atrás de Gael arrematando.

MARTA        —  Espera aí, meu filho. Vamos conversar.

Miguel se senta no sofá, bufa, passa a mão na cabeça e arremata.

MIGUEL        —  (P/si) Até quando isso meu Deus do céu? Até quando?

Ele permanece ali aflito. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 14. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. NOITE.

Gael já ali colocando algumas coisas numa bolsa grande de viagem. (Não é mala), Marta ali arrematando.

MARTA        —  Meu filho, não faça uma coisa dessas. Pra onde você vai?

GAEL            —  (Colocando roupa na bolsa) Não sei. Vou pegar meu carro aí e vou pra onde o destino mandar eu ir.

MARTA        —  Mas aonde você vai ficar, comer, dormir? Isso é loucura, Gael!

GAEL            —  (Colocando roupa na bolsa) Loucura é continuar morando nessa casa com vocês!

MARTA        —  Não faça isso, meu filho! Você quer que eu implore?

Marta se ajoelha.

GAEL            —  Mãe…. Mãe, para com isso!

MARTA        —  (Agarra na perna do filho) Não vai, meu filho! Eu não vou aguentar ficar longe sem ter notícias suas!

GAEL            —  Para com isso, mãe!

Ele tanta andar e ela o prende e arremata.

MARTA        —  Não! Você não vai sair daqui! Eu não vou deixar!

Fecha em Gael puto da vida. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 15. HOTEL DE LUXO. FRENTE. EXT. NOITE.

Sol e Glória ali encostadas num carro conversando e Glória fumando.

GLÓRIA        —  Filha, eu sei que você não gosta de conversar sobre isso, mas você já parou pra pensar que talvez está na hora de arrumar alguém?

SOL               —  Como assim?

GLÓRIA        —  Um companheiro.

SOL               —  De novo essa história, mamãe?

GLÓRIA        —  Pois é. Se você tivesse arrumado alguém eu não estaria voltando a esse assunto de novo. Poxa, minha filha. Você é nova ainda, é bonita. Não sei o que você faz aí perdendo tempo.

SOL               —  Eu acho que ainda não estou pronta pra outro relacionamento.

GLÓRIA        —  Mas filha, isso aconteceu há mais de vinte anos.

SOL               —  E a senhora acha muito? Eu sei que foi em 1999, mas mesmo assim eu ainda sinto que não conseguir ultrapassar essa barreira.

GLÓRIA        —  Mas você ainda está assim por causa do Alfredo?

Ela não responde nada.

GLÓRIA        —  Tá explicado! Você ainda não esqueceu o Alfredo. Como eu não pensei nisso antes?!

Fecha em Sol ali séria. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 16. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Miguel ali. Gael vem do quarto com Marta agarrada em sua perna.

MARTA        —  Eu não vou deixar você sair dessa casa!

GAEL            —  Não adianta! Eu estou indo embora. Me ajuda com ela aqui, Miguel.

Miguel tira Marta da perna do irmão arrematando.

MIGUEL        —  Solta a perna dele, mãe. O Gael já é adulto e sabe muito bem o que ele está fazendo.

Ela solta e se levanta.

GAEL            —  Tá vendo? Ela precisa mais de você do que de mim.

Se aproxima do irmão e coloca a mão em seu ombro.

GAEL            — Cuide bem da dona Marta.

Ele sai com Marta arrematando.

MARTA        — (Chorando) Não, filho! Não vá! Fique! Aqui é a sua casa!

Ela continua a chorar e Miguel abraça a mãe. Instantes. Drama.

CORTA PARA:                    

                 

CENA 17. CASA DE CARLITO E MAZÉ. COZINHA. INT. NOITE.

Juliana ali cozinhando. Mazé vem da sala.

MAZÉ            —  Oi, filha.

JULIANA      —  Ah, oi, mãe.

MAZÉ            —  Nossa! O cheiro está divino.

JULIANA      —  Gostou? Estou fazendo bife à parmegiana.

MAZÉ            —  Parece delicioso.

JULIANA      —  Ouvi quando a senhora chegou. Mais uma vez já brigando com o seu Carlito, né?

MAZÉ            —  Claro. O seu pai parece que tem titica na cabeça, não é possível.

JULIANA      —  Que isso, mãe? Também não fala assim, né?

MAZÉ            —  Falo! Falo sim! E não adianta você querer ficar defendendo o seu pai não que ele é todo errado!

JULIANA      —  Tá, eu concordo que essa historinha dele da lombar tá mais do que ultrapassada, mas eu acho que o seu Carlito precisa de um susto.

MAZÉ            —  Como assim?

JULIANA      —  Ah sei lá. Talvez ele precise de um choque de realidade pra tomar uma atitude e sair daquele sofá.

Fecha em Mazé pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 18. LEBLON. AVENIDA. INT/ EXT. NOITE.

Gael ali ao volante, sério. Atenção Sonoplastia: o cel. dele notifica mensagem. Ele pega e lê em voz alta.

GAEL            —  (P/si) Mensagem do Lucas? (Lendo) Vem que eu arrumei um carro top pra gente. (P/si) Tô indo!

Corta para fora do carro: Ele pisa no acelerador e o carro se afasta mais rapidamente da CAM. Instantes.

CORTA PARA:

 

CENA 19. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

Takes descontínuos da cidade, ao passar de algumas horas.

CORTA PARA:

 

CENA 20. ESTRADA RIO PETRÓPOLIS. EXT/ INT. NOITE.

Estrada vazia. Um carro tipo Ferrari se aproximando da CAM em alta velocidade. Corta para dentro do carro: Gael ao volante e Lucas no carona

GAEL            —  Rapaz, mas esse carro é demais!

LUCAS          —  Bom, não é?

GAEL            —  Bom é apelido! É ótimo! Roda como uma luva!

Corta para fora do carro: CAM vai buscar uma blitz policial mais à frente. A CAM dali mesmo mostra o carro passando em alta velocidade. Dois policias entram na viatura que sai disparada. Corta para dentro do carro:

LUCAS          —  Você ficou louco, cara?

GAEL            —  Eu não vi a blitz da polícia!

LUCAS          —  Agora só nos resta despistar os caras!

Corta para fora do carro: ele passa disparado. Logo atrás, ainda em desvantagem vem o carro da polícia também em alta velocidade.

CAM vai buscar um cachorro que ia atravessando a estrada. O carro vem em alta velocidade. E Gael vira o volante e o carro roda na pista. O carro da polícia se aproxima.

GAEL            —  É agora que a gente roda!

Os policias saltam do carro e com as armas apontadas para o carro e um deles arremata.

POLICIAL1   —  Desçam do carro.

Eles seguem a ordem e um policial revista os dois.

POLICIAL2   —  Estão limpos.

POLICIAL1   —  Ótimo!

Os dois policias algemam eles. E os levam para a viatura.

GAEL            —  (Resistindo) Me solta. Eu não fiz nada. Eu sou inocente.

POLICIAL2   —  Sei. Dirigindo a quase 200 km/h e não fez nada? Diga isso ao delegado.

Eles são colocados dentro da viatura.

LUCAS          —  Valeu mesmo, hein, Gael!!!

Fecha em Gael ali sério dentro da viatura. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

 

FIM DO 16º CAPÍTULO

 

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

Leia mais Histórias

>
Rolar para o topo