PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ALFREDO 

ANA

CARLITO

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JOANA

JULIANA

KARINA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

2POLICIAIS, ARMANDO E DELEGADO.


CENA 01. LEBLON. ORLA. EXT. NOITE.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

MARTA        —  (Cínica) Marta? Acho que você está a me confundir com outra pessoa.

SOL               —  Não! Eu tenho certeza que é você! Então depois de roubar os meus filhos você veio para o Rio de Janeiro, né?

MARTA        —  (Cínica) Olha, você vai ter que me desculpar, mas eu não tenho ideia do que você está falando. Com licença!

SOL               —  (A segura pelo braço) Mas você não vai a lugar nenhum até dizer aonde estão os meus filhos!

MARTA        —  Me solta sua louca! Eu não sei do que você está falando!

SOL               —  Não seja cínica! Não seja cínica que você sabe muito bem!

MARTA        —  Eu já falei que não sei do que você está falando! Solta o meu braço sua louca!

SOL               —  Louca? Você não viu nada! (Grita) Não viu nada, meu amor!!! (Agarra o cabelo de Marta) Anda! Fala aonde estão os meus filhos!

MARTA        —  Me solta sua retardada! (Grita) Alguém me ajude! Essa mulher tá louca!

Um homem aproxima-se para apartar a briga.

SOL               —  (P/Homem, agressiva) Você nem se atreva a se meter! (P/Marta) São vinte anos esperando por uma resposta e agora você vai ter que me responder! Onde os meus filhos estão?

Marta consegue se soltar e joga Sol no chão.

MARTA        —  Sua louca! Não sei do que você está falando! (P/curiosos) Essa mulher é uma maluca que acha que eu estou com os filhos dela! Não passa de uma desequilibrada!

Sol se levanta e corre até Marta pegando a pelo cabelo.

SOL               —  Desequilibrada é você! Desequilibrada é quem rouba os filhos de outra pessoa! Talvez eu tenha sido desequilibrada por acreditar que você era minha amiga! (Dá tapas na cara de Marta) Sua desgraçada! Demônia!  Você tem noção do que fez comigo? (Chora) Você me tirou toda alegria de ver os meus filhos crescerem! (Dá tapas na cara de Marta) Maldita! (Dá tapas na cara de Marta) Por sua causa eu não vi eles dizem mamãe pela primeira vez, não os vi dar o primeiro passo! Você tem noção da monstruosidade que você me fez?!

Dois policias se aproximam e a apartam a briga.

POLICIAL1   —  Vamos acabar com isso aqui!

Sol e Marta sendo seguradas pelos policias a se encararem. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. JORNAL. REDAÇÃO. INT. NOITE.

Fim de expediente. Rô se prepara para ir embora. Joana se aproxima.

JOANA          —  Nossa! Já está de saída, é? Pra quem saiu e sumiu por horas depois do anúncio da minha promoção para o cargo de editora chefe, você não acha que está indo embora cedo demais, não?

ROSANGELA —Se você está esperando os meus cumprimentos pela promoção temporária. Meus parabéns!

JOANA          —  Temporária… Aí é que você se engana queridinha. Eu tenho certeza que quando o Alfredo voltar, eu continuarei no cargo. Seremos nós dois no comando desta redação.

ROSANGELA —(Sorrir) Vai sonhando.

JOANA          —  O que é que é, Rosangela? Não é porque você fracassou que eu tenho que fracassar também!

ROSANGELA —Veremos se você é mais qualificada do que eu para assumir esta redação!

JOANA          —  Então você vai ver queridinha! Só aviso pra você comprar um pote.

ROSANGELA —Pote? Pra quê?

JOANA          —  Pra guardar a sua inveja!

ROSANGELA —Ah, poupe-me, Joana! E com licença que eu tenho mais o que fazer!

JOANA          —  Não pode sair sem pedir permissão pra sua nova chefa!

Rosangela nem dá bola e sai.

JOANA          —  (P/si) Certeza que ela está morrendo de inveja!

CORTA PARA:

CENA 03. PRÉDIO DO JORNAL. FRENTE. EXT. NOITE.

Rosangela sai do jornal e caminha até seu carro, quando é abordada por Renata e leva um susto. 

RENATA       —  Rosangela!

ROSANGELA —Ai! Que susto você me deu menina!

RENATA       —  Desculpa. Essa não foi minha intenção.

ROSANGELA —Você é a ex-esposa do Alfredo, não é isso?

RENATA       —  Sim, sou eu.

ROSANGELA —Aconteceu alguma coisa com o Alfredo?

RENATA       —  Não. Na verdade, eu tô aqui porque eu queria pedir a sua ajuda.

Fecha em Rosangela sem entender. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 04. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Glória ali inquieta andando de um lado para o outro. Alfredo desce a escada. 

ALFREDO     —  Aconteceu alguma coisa, Glória? Você tá aí andando de um lado para o outro.

GLÓRIA        —  A Sol! Ela não apareceu ainda.

ALFREDO     —  Calma, Glória. Você sabe que a Sol quando quer espairecer, ela só volta pra casa quando tá melhor.

GLÓRIA        —  Eu sei. Mas esse espairecer dela também tá demorando muito, você não acha?

ALFREDO     —  É. Realmente ela nunca ficou esse tempo todo. Já até anoiteceu e nada dela voltar pra casa.

GLÓRIA        —  Eu liguei pro celular dela, mas deu desligado.

ALFREDO     —  Fique calma, Glória. Daqui a pouco ela tá aí. Ela só deve tá pensando um pouco mais na vida antes de voltar pra casa.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 05. LEBLON. ORLA. EXT. NOITE. 

Continuação da cena 01. Sol e Marta sendo algemadas. 

SOL               —  Espera aí! Eu não vou presa!

POLICIAL1   —  A senhora deve permanecer calada!

SOL               —  Mas eu não vou ser presa se a verdadeira bandida, ladra de bebês é essa daí!

MARTA        —  Larga de mim maluca! Eu já disse que não sei do que você tá falando!

Sol tenta avançar pra cima de Marta, mas é contida pelo Policial.

SOL               —  Não fica mentindo nesta cara deslavada não! Se eu chegar perto de você de novo e acabo com a sua raça!

MARTA        —  Vocês estão vendo, né? Ela é a meliante que precisa ser presa, não eu!

POLICIAL2   —  As duas vão para a Delegacia prestar esclarecimentos.

As duas são levadas para a viatura, que sai disparada com a sirene tocando. Os curiosos ficam ali a fazer comentários entre si.

CORTA PARA:

CENA 06. BARRACÃO VELHO. INT. NOITE.

Armando ali ainda amordaçado. Carlito tentando achar sinal pra TV velha com antena. 

CARLITO      —  Essa droga não funciona!

ARMANDO   —  Claro! Será que você ainda não percebeu que estamos no meio do nada?!

CARLITO      —  Eu sei espertalhão! Mas hoje tem jogo. Não posso ficar aqui desligado do mundo.

ARMANDO   —  (Desconfiado) O que você está fazendo por aqui até a essa hora? Muito mal aparece uma vez por dia e deixa a comida aí pelo chão. Achando que eu sou bicho!

CARLITO      —  Mas você é! E a da pior espécie possível! Os traíras! Tão traíra, falso, sorrateiro quanto um réptil!

ARMANDO   —  Diga logo o que tá rolando, Carlito! Você deu algum passo em falso e agora tá aqui escondido com o futico na mão, não é?

CARLITO      —  Antes de mais nada… (dá um soco na cara de Armando) Olha como você fala com a pessoa que até algum tempo atrás era seu chefe!

ARMANDO   —  Sim. Aliás, não são todos que sabem que você é o Ratão Máster!

Dá mais um soco na cara de Armando.

CARLITO      —  Por isso mesmo que você está aqui! Quem manda querer se meter no que não te interessa? Otário!

Fecha em Armando om ódio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali ainda a trabalhar. Vicente sai de sua sala pronto para ir embora.

VICENTE      —  O que você ainda está fazendo aqui, Ana?

ANA              —  Estou terminando de editar um documento que a dona Cristina me pediu antes de sair.

VICENTE      —  Mas como assim: antes de sair? Ela acha o quê? Que você não tem o direito de ir embora, não? Pode largar isso que você tá fazendo aí, Ana!

ANA              —  Mas ela disse que queria o documento amanhã bem cedo.

VICENTE      —  Então ela vai esperar! Você não tem que sair daqui oito, nove horas da noite por causa da Cristina, não! Vamos!

ANA              —  Deixa eu desligar o computador.

Ela desliga o computador, coloca alguns papéis que estavam sobre a mesa na gaveta, pega sua bolsa debaixo da mesa e eles seguem para o elevador.

VICENTE      —  O documento até pode ser importante, mas a segurança dos nossos funcionários também é. Deus livre e guarde acontece alguma coisa no seu deslocamento do trabalho pra casa e nós seremos os responsáveis! Parece que a Cristina não pensa! Esse Rio de Janeiro está um perigo a qualquer hora do dia!

O elevador chega e os dois entram.

CORTA PARA:

CENA 08. CAFETERIA DE LUXO. INT. NOITE.

Cafeteria cheia. Rosangela e Renata sentadas tomando um suco.

ROSANGELA —Fiquei surpresa por você ter me procurado.

RENATA       —  Pois é, Rosangela. Antes de dizer o que eu preciso de você eu queria me desculpar.

ROSANGELA —Desculpar pelo que, mulher?

RENATA       —  Por estar te procurando pra pedir ajuda.

ROSANGELA—Que isso? Se eu puder ajudar não tem problema nenhum!

RENATA       —  Na verdade, eu acho que você é a única pessoa que pode me ajudar.

ROSANGELA —Tô começando a ficar preocupada. O Alfredo está precisando de alguma coisa?

RENATA       —  Não. É que eu queria te pedir para convencer o Alfredo a voltar pra casa.

ROSANGELA —Olha, Renata. Eu não sei se quero me meter no relacionamento de vocês.

RENATA       —  Por favor, Rosangela. Você é a única pessoa que o Alfredo confia e escuta. Eu tenho certeza que se você aconselhasse ele a voltar pra casa ele voltaria.

ROSANGELA —O caso de vocês é muito complicado! Não sei se eu conseguiria convencer o Alfredo a voltar pra casa.

RENATA       —  Então tente, pelo menos! Você como amiga dele poderia muito bem fazer isso sem que ele ache que eu estou por de trás.

ROSANGELA —Tá bom, Renata. Eu não vou prometer nada! Mas eu posso sim conversar com ele a respeito.

RENATA       —  (Feliz) Ai, Rosangela, muito obrigada mesmo! Você não sabe o quanto eu fico feliz em pensar na possibilidade de ter o meu Alfredo de volta!

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE MARTA. QUARTO MARTA. INT. NOITE.

Miguel e Gael a procurar a caixinha preta.

MIGUEL        —  Onde essa bendita caixinha preta foi parar, hein?

GAEL            —  É. Pelo visto você se enganou.

MIGUEL        —  Como assim?

GAEL            —  Será mesmo que você viu essa caixinha?

MIGUEL        —  Tá querendo insinuar que eu sou maluco, é? Eu juro que vi essa caixinha por aqui! Vai ver a dona Marta escondeu ela.

GAEL            —  Tá, Miguel. Chega! Cansei de fazer parte disso!

Gael sai do quarto.

MIGUEL        —  (P/si) Eu tenho certeza que a caixinha tava aqui em cima da cama. Eu não sou louco pra ter imaginado isso.

Ele caminha até o guarda roupa e vasculha debaixo de algumas roupas e acha a caixinha.

MIGUEL        —  (P/si) Sabia! O Gael tem que ver isso!

Ele sai do quarto apressado.

CORTA PARA:

CENA 10. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Atenção Sonoplastia: Instrumental decepção.

Mazé ali sentada. Lágrimas escorrem pelo seu rosto.

MAZÉ            —  (P/si) O homem que eu amei, que eu casei… Como é que pode de uma hora pra outra você descobrir que dividia a cama com um bandido?

Juliana chega do trabalho e Mazé secas as lágrimas.

JULIANA      —  Mãe…?

MAZÉ            —  Já soube, filha?

JULIANA      —  Já. Eles estavam assistindo jornal na hora em que passou.

MAZÉ            —  Também soube assim.

JULIANA      —  E como a senhora está?

MAZÉ            —  Tentando digerir tudo isso ainda, mas vai passar.

JULIANA      —  O meu pai… O meu pai é um bandido. Como pode isso, mãe?

MAZÉ            —  Foram as escolhas dele, filha! Agora eu só espero que ele nos deixe em paz. Até desmaiei depois disso tudo. Minha pressão caiu.

JULIANA      —  Mas a senhora tá melhor, né?

MAZÉ            —  Agora tô.

JULIANA      —  Acabei de arrumar um emprego. Imagina se a Sol fica sabendo que meu pai é o bandido que assaltou ela.

MAZÉ            —  A vítima dele é sua patroa?

JULIANA      —  É.

MAZÉ            —  Aí piorou ainda mais!

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. NOITE.

Miguel ali com a caixa na mão.

MIGUEL        —  Acredita em mim agora ou ainda acha que eu tô inventando tudo isso?

GAEL            —  Então a tal caixinha existe mesmo…

MIGUEL        —  Claro que existe!

GAEL            —  Então vamos ver o que tem dentro dela.

Miguel entra abrir, mas está trancada.

MIGUEL        —  Ela tá com um cadeado. Mas quando eu a vi antes, ela estava aberta.

GAEL            —  Pois é, mas agora ela está trancada!.

MIGUEL        —  Podia jurar que veria as fotos de novo. Vou procurar a chave no quarto dela. Tem que estar em algum lugar.

Miguel sai com a caixinha com Gael arrematando.

GAEL             —Para de ficar mexendo nas coisas da dona Marta, cara! Ela não vai gostar nada disso!

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Karina ali sentada pensativa.

KARINA       —  (P/si) Aqueles recortes… Marta é a mãe do Miguel. Mas e essa Solange Moraes? Não! Seria coincidência demais! A Sol que eu conheço não tem nada a ver com isso.

Ricardo chega do trabalho feliz.

RICARDO     —  Oi, filha.

KARINA       —  Oi, pai. Nossa! Mas que felicidade é essa?

RICARDO     —  Hoje é o nosso aniversário de casamento!

KARINA       —  Ai, pai. Que lindo!

RICARDO     —  Vinte e dois anos de união.

KARINA       —  São dobas de quê?

RICARDO     —  Sei lá.

KARINA       —  Deixa eu pesquisar aqui. (Pesquisa no cel.) São dobas de louças.

RICARDO     —  Louças… Até que não é tão ruim. Vou me arrumar. Quando sua mãe chegar, mande-a para o quarto porque eu preciso contar do jantar surpresa para ela.

KARINA       —  Pode deixar, pai.

Ele vai para o quarto, todo feliz e Karina sorrir.

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia ali sentada na cadeira a olhar para o sofá com desdém. Enrico vem do quarto de Murilo.

ENRICO        —  Se tá olhando desse jeito pro sofá é porque não gosta dele.

FLÁVIA        —  Não, muito pelo contrário! Eu adorava esse sofá. Até algumas horas atrás.

ENRICO        —  Você não vai mesmo me falar o que aconteceu com esse sofá?

FLÁVIA        —  Ele tá velho. Vou falar pro Vicente para comprarmos um novo.

ENRICO        —  Ah sim.

Vicente chega do trabalho.

VICENTE      —  Enrico?

ENRICO        —  Oi, pai.

VICENTE      —  O que você tá fazendo por aqui, meu filho?

ENRICO        —  Eu vim entregar uma garrafinha que a Karina deixou na construtora e aproveitei para fazer uma visitinha.

VICENTE      —  Ah sim. Mas você sabe que o Ricardo, pai da Karina trabalha na construtora, né?

ENRICO        —  Claro que sei, né, pai?

VICENTE      —  Então por que você se incomodou tanto em trazer essa garrafinha pessoalmente pra ela? Já sei! Não precisa dizer nada! Tá gostando da Karina, né?

Enrico todo sem graça olha Flávia também sem graça. Instantes. Desconforto.

CORTA PARA:

CENA 14. DELEGACIA. FRENTE. EXT. NOITE.

Viatura se aproxima e para. Os dois policiais saltam da viatura e tiram Sol e Marta de dentro da mesma. Eles seguem para dentro da delegacia. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 15. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. NOITE.

Sol e Marta são colocas sentadas perante o delegado.

DELEGADO—  Muito bem, homens. Agora vocês podem sair.

Os dois policiais saem e um deles fecha a porta.

MARTA        —  O que eu estou fazendo aqui se foi essa louca que me atacou?

DELEGADO—  Dona Solange Moraes. Faz apenas algumas horas em que nos vemos e você já está de volta a delegacia?

SOL               —  Pois é, Delegado! Mas eu não respondo nada sem a presença do meu advogado.

DELEGADO—  Muito bem. Então ligue para o seu advogado.

Ele passa o tel. fixo para Sol que disca.

SOL               —  (Ao tel.) Alô, mamãe? É uma longa história. Agora eu preciso que a senhora ligue para o advogado e mande-o vir para a delegacia do Leblon. Mamãe, não há tempo para perguntas agora. Apenas ligue para o advogado! Tá bom, tchau.

Ela desliga.

DELEGACIA—  E a senhora, dona Marta? Vai ligar pra alguém?

MARTA        —  Sim.

Ele passa o tel. fixo para Marta que disca.

MARTA        —  (Ao tel.) Filho, sou eu! Liga pro nosso advogado. Porque eu estou precisando dele aqui na delegacia! Não interessa o que eu estou fazendo na delegacia, Gael. Apenas ligue para o advogado. E eu não quero vocês dois aqui na delegacia!

Ela desliga.

DELEGACIA—  Ótimo. Agora vamos esperar os advogados de ambas chegarem para iniciarmos.

Close em Sol pensativa.

SOL               —  Gael… Gael… Gael…

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 16. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Flashback: Insert da cena 05 do capítulo 23.

Sol, Juliana e Gael ali. Conversa a meio.

SOL               —   Gente, mas como a sua mãe pôde ser capaz de uma coisa dessas?

GAEL             —   Olha, dona Sol.

SOL               —   Pode me chamar só de Sol mesmo.

GAEL             —   Então, Sol… Sabe o que acontece? É que o meu outro irmão, Miguel é muito diferente de mim, sabe? Ele é mais família enquanto eu sou mais o que chamam por aí de vida louca. 

SOL               —   (Não entende) Mas como assim vida louca?

JULIANA       —   Quer dizer que ele faz coisas até ilegais!

SOL               —   (Supressa) Que isso? Que horror!

GAEL             —   Também não fala desse jeito, né, Juliana?! Se não o que a Sol vai pensar de mim…

SOL               —   (Brinca) Que você é vida louca!

Eles sorriem.

SOL               —   Olha, Gael. Eu vou ser bem sincera com você. Um exemplo: meu filho pode ser a pessoa mais errada do mundo, mas nunca faria uma coisa dessas! Acusar o próprio filho de roubo é demais!

GAEL             —   Tá vendo só, Juliana? Todos que eu falo sobre isso me apoiam.

JULIANA       —   Eu sei que sua mãe errou! Mas nós também temos que entender o lado dela!

GAEL             —   A dona Marta é incompreensível! Jamais alguém entenderá o que se passa na cabeça dela!

SOL               —   Marta? Esse é o nome da sua mãe?

GAEL             —   É, sim.

Fecha em Sol ali desconfiada. Instantes. Tensão.

Fim do insert.

CORTA PARA:

CENA 17. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. NOITE.

Continuação da cena 15.

SOL               —  (P/si) Mas e claro! Agora tudo faz sentido!

Closes alternados em Sol ali juntando os fatos, Marta desconfiada e o Delgado sem entender nada. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

FIM DO 50º CAPÍTULO

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

Leia mais Histórias

>
Rolar para o topo