PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ANA

ALFREDO

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JULIANA

KARINA

MARTA

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

CENA 01. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Sol ali a olhar para seu FILHO.

SOL               —  Não. Não tem problema não. Tudo bem.

MIGUEL        —  É que eu estava vindo distraído e quase pisei em um cachorrinho.

SOL               —  Não tem problema não. Essas coisas acontecem.

MIGUEL        —  Pois é. Agora deixa eu preciso ir, tchau senhoras.

GLÓRIA        —  Tchau.

SOL               —  Tchau.

Ele volta a correr e se afasta das duas.

SOL               —  Nossa, mamãe. Viu como aquele garoto era educado?

GLÓRIA        —  Vi. E isso me agrada muito. Ainda existem mães que sabem educar bem seus filhos.

SOL               —  Pois é. E o que mais me deixou surpresa é que ele é jovem.

As duas vão caminhando e conversando fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. DIA.

Gael ali dormindo. Marta entra no quarto e o olha seriamente, log em seguida, sai fechando a porta.

CORTA PARA:

CENA 03. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Mazé ali colocando a mesa. Marta vem do quarto seriamente e se senta à mesa. Mazé estranha e arremata.

MAZÉ            —  Que cara é essa, dona Marta? Aconteceu alguma coisa?

MARTA        —  Aconteceu, Mazé. Aconteceu.

MAZÉ            —  E a senhora quer falar sobre?

MARTA        —  Não deveria porque você é muito fofoqueira, mas eu preciso desabafar com outra pessoa.

MAZÉ            —  Que isso, dona Marta? Eu sou um túmulo. Pode falar sem se preocupar que eu não vou contar pra ninguém.

MARTA        —  Sei. Vou fingir que acredito. Mas vamos ao meu problema… Você acredita que o Gael saiu ontem e só voltou pra casa porque o Miguel o achou na orla bêbado feito um porco?

MAZÉ            —  Acredito!

MARTA        —  Que isso? Eu achei que você ia ficar surpresa.

MAZÉ            —  Não, senhora. Me desculpe a franqueza, mas isso não é novidade pra ninguém. Agora, se fosse o Miguel, aí sim eu ficaria surpresa.

MARTA        —  O Miguel nunca faria uma coisa dessas!

MAZÉ            —  Por isso mesmo! Agora eu tenho que terminar de colocar a mesa.

Mazé vai para a cozinha e Marta permanece ali séria, pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. APART VICENTE E CRIS. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Vicente, Cris e Adriana ali tomando café. Vicente digitando ao cel.

CRISTINA     —  Vai pra faculdade hoje, minha filha?

ADRIANA     —  Claro. Esse semestre não dá pra perder um dia.

Vicente sorrir olhando pro cel.

CRISTINA     —  Posso saber do que tanto você rir, Vicente?

VICENTE      —  Eu?

CRISTINA     —  É. Você é a única pessoa que está rindo nesta mesa.

VICENTE      —  É que aquele cliente que eu fui jantar ontem é muito bobo. Ele vive me mandando mensagens engraçadas.

CRISTINA     —  Ah sim. Então nos mostre. Eu e a Adriana queremos rir também.

VICENTE      —  Não. Vocês não entenderiam. Licença, vou escovar os dentes.

Ele vai para o quarto apressado.

ADRIANA     —  Estranho…

CRISTINA     —  Também acho.

ADRIANA     —  E aí, vai mesmo investigar quem é esse cliente misterioso?

CRISTINA     —  Claro. Logo que ele é tão divertido assim, eu quero conhecê-lo. Agora faço questão de conhecer esse cliente misterioso.

Fecha em Adriana que meneia a cabeça concordando.

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia, Jandira e Murilo ali a mesa tomando café. Flávia olhando pro cel. CAM detalha a tela do cel. com a seguinte mensagem: “PRECISAMOS PARAR COM ISSO, MINHA ESPOSA QUASE DESCOBRIU!”

JANDIRA      —  Ué. Cadê aquela animação toda que você tava até alguns segundos atrás? Afinal de contas, com quem você estava conversando?

FLÁVIA        —  Com uma amiga aí. Estávamos marcando de ir pro shopping hoje.

JANDIRA      —  Ah sim. Vocês não se cansam de fazer compras não?

FLÁVIA        —  Não. E além do mais, fazer compras me acalma e muito. Principalmente quando a senhora me deixa super irritada.

JANDIRA      —  Sabia que ia sobrar pra mim.

MURILO       —  Vocês duas não vão começar, né?

FLÁVIA        —  Claro que não, filho. Agora vai lá escovar os dentes pra gente ir pra escola que já estamos nos atrasando.

Ele se levanta e vai para o banheiro.

JANDIRA      —  Fala a verdade, Flávia. Você estava falando era com o Vicente, não era?

FLÁVIA        —  Nossa. Agora a vida dos outros está ultrapassando todos os limites, né? Me diz: como você consegue?

JANDIRA      —  Simples. Porque você adora dar mole pra homem casado.

FLÁVIA        —  Vê como você fala comigo, hein, mamãe!

JANDIRA      —  Por que se eu estou falando a verdade?!

FLÁVIA        —  Eu já falei pra senhora que eu fui descobrir que o Vicente tinha outra família depois que engravidei!

JANDIRA      —  Por que será que eu não acredito nisso, Flávia? Ah,  já sei. Deve ser porque você ficou cinco anos com o Márcio, mesmo sabendo que ele era casado!

FLÁVIA        —  Quer saber de uma coisa? Eu é que não vou perder o meu tempo com a senhora! Vou levar meu filho pra escola!

Ela se levanta da mesa e vai para o banheiro com Jandira arrematando.

JANDIRA      —  Isso. Vai levar ele pra escola, vai. Mas ver se não dá mole pra nenhum homem na porta do colégio, hein! (Debocha) As mamães de lá são ferozes!

Ele fica ali seríssima. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. APART RICARDO E RÔ. QUARTO CASAL. INT. DIA.

Ricardo ali calçando o sapato. Rosangela sai da suíte pronta para o trabalho.

ROSANGELA —         Nada como tomar o banho da matina… Ah… Você tá aí, é, Ricardo?

RICARDO     —  Sim.

ROSANGELA —         Posso saber por que você dormiu no quarto de hóspedes?

RICARDO     —  Acho que o motivo você sabe muito bem.

ROSANGELA —         Pelo amor de Deus, Ricardo. Eu não te disse que eu tô assim só por causa da promoção que eu estou prestes a ganhar? Imagine eu ganhando um salário de editor chefe? Poxa, vai dar pra gente viajar pra Paris. Esse sempre não foi o seu sonho? Eu quero fazer parte do time de editores chefes com o Alfredo.

RICARDO     —  (Cresce) Chega, Rosangela. Nós já tivemos essa conversa um milhão de vezes. E você sempre diz a mesma coisa! Tô de saco cheio disso!

Ele pega sua maleta e sai.

ROSANGELA —         (P/si) Como é difícil agradar esse homem.

Ela vai para frente do espelho e fica ali penteando o cabelo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Uma empregada ali. Karina ali tomando café. Ricardo vem do quarto e ao ver a filha ali sentada à mesa, ele respira fundo para ela não desconfiar.

KARINA       —  Bom dia, pai.

RICARDO     —  Bom dia, filha.

KARINA       —  O senhor dormiu no quarto de hóspedes, né?

RICARDO     —  Como você sabe?

KARINA       —  Eu me levantei para ir ao banheiro e como a porta estava aberta eu vi o senhor lá dormindo.

RICARDO     —  Ah tá… Sabe, Filha…? Eu estou ficando cansado do rumo que as coisas estão tomando, sabe?

KARINA       —  Sei. Acredite, pai. Eu te entendo. A mamãe não dá atenção pra ninguém.

RICARDO     —  Pois é, filha. Mas me fala aí como vai a sua faculdade de arquitetura.

KARINA       —  Tô adorando, pai. E não se esqueça que o semestre de estágios vem aí.

RICARDO     —  Pode deixar que eu não esqueci. Você vai ser estagiária da Construtora Macedo.

Rosangela vem do quarto.

ROSANGELA —         Bom dia.

KARINA       —  Bom dia.

Ela pega um pedaço de bolo e já vai saindo, quando Karina arremata.

KARINA       —  Não vai tomar café com a gente não, mãe?

ROSANGELA —         Hoje não, filha. Eu já estou atrasada. Tchau. Beijinhos!

Ela sai.

RICARDO     —  Tá vendo só? Esse tipo de coisa cansa!

Fecha em Karina preocupada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. CASA DE CARLITO E MAZÉ. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali tomando café. Carlito vem da sala com cara de sono, senta-se a mesa e serve-se de uma xícara de café.

CARLITO      —  Ué, filha. Pensei que você ia atrás de emprego hoje.

JULIANA      —  E eu ia, mas desisti.

CARLITO      —  (Se senta) Que isso, minha filha? Não desista. Eu tenho certeza que já, já você vai está empregada.

JULIANA      —  Deus te ouça, pai… Deus te ouça.

CARLITO      —  E a nega? Tá aonde?

JULIANA      —  À uma hora dessas, no trabalho. Tá pensando que isso é que horas pai? Não é cedo mais não.

CARLITO      —  Gente… Então eu dormir demais.

JULIANA      —  E emprego, pai?

Ele que estava bebendo café se engasga e a filha o acode dando tapinhas em suas costas.

JULIANA      —  Só porque eu falei em emprego?

CARLITO      —  Claro que não, filha. Seu pai é sujeito trabalhador.

JULIANA      —  (Duvidando) Sei.

CARLITO      —  Só não estou trabalhando fixo mesmo porque você sabe que o papai tá com problema na lombar, né?

JULIANA      —  Mas que problema é esse que médico nenhum descobre?

CARLITO      —  Não sei, filha. Mas como os dias vão se passando eu fico ainda mais aflito com tudo disso. Será que meu problema é tão sério assim pra nenhum médico ter descoberto até hoje?

Fecha em Juliana desconfiada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE ALFREDO E RENATA. SALA. INT. DIA.

Alfredo, Renata e Bruna ali tomando café. Bruna dormindo em pé.

RENATA       —  Que cara de sono é essa, minha filha?

BRUNA         —  O pai que não me deixou dormir.

RENATA       —  Como assim?

ALFREDO     —  Fiz ela estudar até entender as equações de segundo grau.

RENATA       —  Mas você não pode fazer isso, Alfredo. Olha como a coitadinha está cansadíssima.

ALFREDO     —  Coitadinho do nosso bolso se ela ficar reprovada. Eu não pago uma mensalidade caríssima daquelas pra ela repetir de ano.

RENATA       —  Tudo bem, mas desse jeito não dá, né? Ela tem que estudar, mas não precisa forçar tanto assim.

Atenção Sonoplastia: Cel. de Renata notifica mensagem. Ela pega e lê a mensagem.

RENATA       —  É a Flávia me chamando pro shopping. (Digita) Daqui a pouco eu te encontro aí.

ALFREDO     —  Já estou até vendo o valor da fatura do cartão de crédito no fim do mês.

RENATA       —  Para de reclamar, Alfredo. Vai ser só umas comprinhas. (P/Bruna) Vamos filha? Eu te levo e depois vou pro shopping. (P/Alfredo) Tchau, meu amor.

ALFREDO     —  Tchau.

As duas saem.

ALFREDO     —  (P/si) Essa mulher só sabe gastar. Quero ver até quando esse espírito de consumismo vai atuar nela!

CORTA PARA:

CENA 10. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali terminando seu café. Miguel chega da corrida.

MARTA        —  Oi, filho. Como foi a corrida?

MIGUEL        —  Boa. É sempre bom fazer isso de manhã, sempre que for possível, né?

MARTA        —  Você não vai pra faculdade hoje não, né? Tá aqui até essa hora.

MIGUEL        —  Hoje eu só tenho duas aulas.

MARTA        —  Ah tá. Mas e o seu irmão? Você sabe como ele tem ido às aulas dele?

MIGUEL        —  Não sei não, mãe. É muito raro eu esbarrar com o Gael. Agora deixa eu tomar um banho que daqui a pouco eu preciso ir.

MARTA        —  Claro, filho. Vai lá.

Ele vai para o quarto. Fecha em Marta ali pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. LEBLON. PRAIA. EXT. DIA.

Praia cheia. Sol e Glória vêm caminhando com uma saída de praia (Nesse caso é uma entrada de praia).

GLÓRIA        —  Eu não entro nessa água de jeito nenhum!

SOL               —  Que isso, mãe!? A senhora está aqui no Rio e não vai molhar nem os pés?

Glória meneia a cabeça que não.

SOL               —  Isso é um pecado sabia? É tradição entrar no mar.

GLÓRIA        —  Então que vou quebrar a tradição, porque aí eu não entro!

SOL               —  Ah, mas vai entrar sim.

Sol praticamente arrasta a mãe para o mar, com ela arrematando e resistindo.

GLÓRIA        —  (Resistindo) Me solta, Solange! Eu não vou entrar nesse mar contaminado!

Alguns banhistas a olhar as duas devido ao: “mar contaminado”. Sol entra na água com Glória e uma onda se aproxima.

SOL               —  Tá gostando, mãe?

GLÓRIA        —  Até que não foi ruim.

SOL               —  Viu, só? Eu sabia que a senhora ia gostar. E que história foi essa de mar contaminado?

GLÓRIA        —  Olha a quantidade de gente que se banha nesse mar.

SOL               —  Mas, mãe… A onda vem e vai. Leva todas as impurezas!

GLÓRIA        —  É, mas mesmo assim eu não confio.

As duas ficam ali em SLOW brincando de jogar água na outra. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali organizando umas papeladas. Cristina e Vicente chegam.

VICENTE      —  Bom dia, Ana.

ANA              —  Bom dia, seu Vicente.

VICENTE      —  Qualquer ligação passe pra mim imediatamente.

ANA              —  Sim, senhor.

Ele vai para sua sala e Cristina permanece ali. Ana sem entender nada arremata.

ANA              —  A senhora deseja alguma coisa, dona Cristina?

CRISTINA     —  Sim. Eu tenho uma missão pra você, Ana.

ANA              —  Mas como assim a senhora tem uma missão pra mim?

CRISTINA     —  É o seguinte: eu preciso que você descubra quem é o cliente que o Vicente anda se encontrando constantemente para jantar.

ANA              —  Mas como a senhora quer que eu descubra isso?

CRISTINA     —  (Rude) Não sei! Dá o seu jeito! Aqui você é paga para obedecer ordens! Se eu estou lhe dando uma missão, eu quero que você cumpra!

ANA              —  Sim senhora.

Cristina vai pra sua sala.

ANA              —  (P/si) Mulher insuportável!

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. DIA.

Gael ali mexendo no cel. Marta entra com uma coisa, a qual ela esconde atrás de suas costas.

MARTA        —  Ah, vejo já está acordado. Que bom. Precisamos ter uma conversa seríssima!

GAEL            —  Já até sei o que a senhora vai falar. Eu sei que eu errei em ter bebido. Desculpe!

MARTA        —  Não é sobre isso que eu quero falar. (Mostra o dinheiro e as joias) Ontem eu achei isso aqui dentro de casa… Será que você pode me explicar que coisas são essas? Você por acaso está roubando Gael?

Fecha em Gael olhando ela seriamente. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 14. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. DIA.

Continuação imediata da cena anterior. Gael anda até a mãe e tira dela as coisas arrematando.

GAEL            —  Como é que a senhora achou isso? Você estava mexendo nas minhas coisas?

MARTA        —  Estava! Estava procurando alguma coisa que poderia indicar aonde você tinha metido ontem o dia inteiro!

GAEL            —  Um absurdo isso! A senhora não pode mexer nas minhas coisas desse jeito!

MATA           —  Posso. Posso sim. Desde o exato momento em que você entra na minha casa com essas coisas, eu tenho total direito de saber do que se trata! Onde é que você arrumou essas coisas?

GAEL            —  Calma! Se você está pensando que eu estou roubando por aí está muito enganada!

MARTA        —  Então de onde vem isso aí?

GAEL            —  O dinheiro é meu. E o colar e a aliança são de um amigo da faculdade. Ele estava querendo pedir a noiva em casamento e eu estou guardando pra ele. Não posso acreditar que você achou que eu roubei isso!

MARTA        —  Filho, desculpe. Mas é que do jeito que você tem andando ultimamente eu pensei que você tinha/

GAEL            —  (Corta) Parece que não conhece filho que tem! Eu posso até ser vida louca, mas eu nunca roubaria nada de ninguém!

MARTA        —  Filho, desculpa, filho!

Ele pega sua mochila e sai do quarto invocado. Ela fica ali aflita meneando a cabeça negativamente. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 15. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. DIA.

Juliana e Carlito ali sentados assistindo TV.

CARLITO      —  Filha, agora que eu estou pensando aqui. Por que você não pede a Ana pra arrumar emprego pra você na construtora em que ela trabalha?

JULIANA      —  Eu até já pedi isso a ela.

CARLITO      —  E o que ela disse?

JULIANA      —  Acredite se quiser. Que a patroa dela não gosta de negros na empresa.

CARLITO      —  Jesus Amado. Como é que pode ainda existir pessoas desse jeito? Nós estamos em 2019, gente. Não naquela época.

JULIANA      —  Pois é, pai. Mas parece que o racismo sempre vai existir. As pessoas nunca vão nos enxergar igual aos intitulados Brancos. O negros sempre tem que ser escravo, empregada, gari…

CARLITO      —  Infelizmente é essa imagem que as pessoas têm da gente.

JULIANA      —  Triste esse tipo de coisa em pleno século XXI. Mas tudo bem, se ela não quer essa negra aqui, é ela quem tá perdendo!

CARLITO      —  É isso aí, minha filha! Cabeça erguida sempre!

CORTA PARA:

CENA 16. LEBLON. QUIOSQUE. EXT. DIA.

Sol e Glória ali tomando água de coco.

SOL               —  Nossa. Como o Rio de Janeiro é lindo, né, mãe?

GLÓRIA        —  Verdade, minha filha. Isso aqui é o paraíso.

SOL               —  É. Agora eu quero ir ao Cristo Redentor.

GLÓRIA        —  Ai, eu também. Eu sempre sonhei em tirar uma foto lá de cima.

SOL               —  Deve ser lindo a vista lá de cima.

GLÓRIA        —  Tá bom, Sol. Você conseguiu mesmo me convencer a mudar pra cá.

SOL               —  (Feliz) Sério, mãe? A senhora vai vim mesmo morar aqui?

GLÓRIA        —  Claro. Um, o Rio é lindo e dois, aquela casa foi uma fortuna pra você sozinha desfrutar dela!

SOL               —  Que bom que a senhora mudou de ideia, mãe. Fico feliz. E agora? Pra onde a gente vai?

GLÓRIA        —  Agora? Vamos comprar uns móveis para aquela casa que eu quero me mudar o quanto antes.

As duas se levantam e vão caminhando e conversando fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta atordoada vem do quarto e se senta. Mazé vem da cozinha.

MAZÉ            —  O que aconteceu, dona Marta?

MARTA        —  Acho que eu cometi um erro, Mazé.

MAZÉ            —  Como assim?

MARTA        —  Eu achei algumas coisas no quarto dos meninos e acusei o Gael de ter roubado.

MAZÉ            —  (Espantada) Dona Marta… Eu não acredito que a senhora acusou ele de uma coisa dessas.

MARTA        —  Acusei. E agora estou aqui muito arrependida do que fiz.

MAZÉ            —  Jesus… E ele? Como reagiu a tudo isso?

MARTA        —  Ele ficou furioso, né? Ai se arrependimento matasse.

MAZÉ            —  Dona Marta eu sei que a senhora não pediu a minha opinião, mas mesmo assim eu faço questão de falar. Se acontecesse alguma coisa do tipo com a minha filha, eu primeiro conversaria com ela e depois tiraria as minhas próprias conclusões.

MARTA        —  Você tem razão, Mazé. Eu não deveria ter acusado ele assim. Eu deveria ter conversado com ele primeiro.

CORTA PARA:

CENA 18. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali pensativa quando arremata.

ANA              —  (P/si) Como é que eu vou descobrir quem é essa pessoa que o seu Vicente vive se encontrando? A dona Cristina também não alivia pra mim não! Custava me dar uma missão menos complicada?

Ricardo chega.

RICARDO     —  Bom dia, Ana. Falando sozinha, é?

ANA              —  Bom dia. Pois é, Ricardo. A dona Cristina me deu uma missão aí que eu não sei como cumpri-la.

RICARDO     —  Fala aí. Quem sabe eu possa te ajudar com alguma coisa.

ANA              —  Ela quer saber quem é o cliente que o seu Vicente tá jantando todos os dias.

RICARDO     —  Mas como você poderia saber quem é essa pessoa? A Cris só pode ter ficado maluca. Se ele não quer falar pra ela que é dona da construtora junto com ele e esposa dele, como você poderia descobrir isso?

ANA              —  É exatamente isso que eu pensei!

RICARDO     —  Mas eu acho melhor você arranjar alguma pista. Eu conheço a Cris, se ela te deu essa tarefa é melhor dar algum retorno a ela.

ANA              —  Tá, mas como eu poderia fazer isso?

RICARDO     —  Sei lá. Vasculha a sala do seu chefe.

Ele vai para sua sala e Ana fica ali meneando a cabeça que sim. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. UNIVERSIDADE NOVO RIO. FACHADA. EXT. DIA.

Clima de tensão! Vários jovens por ali conversando. Adriana séria ali na calçada. Ela avista Karina e arremata.

ADRIANA     —  (P/si) É com essa garota mesma que eu quero falar.

Ela aborda Karina e arremata.

ADRIANA     —  Será que a gente pode conversar!?

Fecha em Karina séria. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 20. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali sentada. Miguel vem do quarto arrumado para ir a faculdade.

MIGUEL        —  Falou com ele, né, mãe?

MARTA        —  Falei. Tava aonde que eu não te vi quando fui lá no quarto?

MIGUEL        —  Tava tomando banho. Mas do banheiro. Como foi?

MARTA        —  Péssimo como você ouviu! Ele disse que era de um amigo da faculdade que ia pedir a noiva em casamento. E o dinheiro era mesmo dele.

MIGUEL        —  E a senhora aí pensando que ele tinha roubado.

MARTA        —  Do jeito que se irmão é, essa foi à primeira coisa me que veio a minha mente!

MIGUEL        —  Me sinto mal por ter te dado a ideia de mexer nas coisas dele.

Gael vem chega da rua neste exato momento.

GAEL            —  Então foi você, né? Como eu não pensei nisso antes? O filhinho queridinho e perfeito! É claro que foi ele que colocou minhoca na cabeça da dona Marta pra ela pensar isso!

MIGUEL        —  Não, cara. Não foi bem assim! Deixa eu/

GAEL            —  (Corta) O que vocês fizeram não tem explicação! Quer saber de uma coisa? Esqueça que você tem um irmão! Pra mim, você morreu!

Gael sai para a rua novamente.

Closes alternados em Miguel e Marta. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

 

FIM DO 10º CAPÍTULO

 

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