PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

CARLITO

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

ISABELITA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ARMANDO, HOMEM1, TRABALHADOR 1 e 2 e ZÓI. 

 

CENA 01. BARRACÃO VELHO. INT. NOITE.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

CARLITO      —  É isso mesmo que vocês estão vendo. O Armando está aqui e ele vai nos ajudar.

HOMEM1      —  Mas antes a gente deve saber o que aconteceu pra ele ter sumido lá das quebradas.

CARLITO      —  O negócio é o seguinte: Armando descobriu quem era o ratão máster e por isso, ele veio parar aqui nesse barracão.

ZÓI                —  Descobriu quem é o ratão, é? E você pode falar quem é?

CARLITO      —  Ainda não é o momento! Mas ratão irá se revelar após o nosso esquema!

ARMANDO   —  Muito bem. Acho que agora é hora de a gente ver o que fazer.

CARLITO      —  Concordo!

ARMANDO   —  (Anda até uma mesa) Por isso, eu lhes apresento (puxa o lençol que tapava a maquete da joalheria) O nosso alvo.

ZÓI                —  Tá, vocês sabe como a gente faz pra entrar lá?

CARLITO      —  Calma, Zói! Calma que ele vai chegar lá.

ARMANDO   —  Antes de invadir a joalheria nós temos que estar muito bem preparados!

HOMEM1      —  Isso é verdade. Não tem como encarar a polícia com pistolinhas.

ARMANDO   —  Não é somente a armamentos que estou me referindo. Todos aqui obviamente sabem que antes de invadirmos, temos que ter um plano de fuga zero de erros. Mas antes disso tudo, temos que focar nas armas que usaremos para invadir a joalheria.

ZÓI                —  Onde nós entra nisso?

ARMANDO   —  Exatamente o que eu vou falar agora. Vocês mandaram aquele playboy visitar a joalheria e observar como as saídas ar estavam posicionadas, correto?

ZÓI                —  Sim.

HOMEM1      —  Sim.

ARMANDO   —  Então, é neste ponto que se inicia o nosso golpe.

Armando continua a explicar o plano fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. CONSTRUTORA MACEDO. SALA RICARDO. INT. NOITE.

Ricardo ali trabalhando. Karina entra.

KARINA       —  Licença, paizinho.

RICARDO     —  Oi, filha. Entre.

KARINA       —  Estava indo embora quando a Ana disse que o senhor ainda estava por aqui.

RICARDO     —  Pois é, minha filha. Estão acontecendo tantas coisas estranhas nas finanças da construtora que eu tenho obrigação de tentar resolver.

KARINA       —  Sei. Mas é só isso mesmo, né, pai?

RICARDO     —  Como assim, filha?

KARINA       —  O senhor não está falando isso porque não tem lugar pra ficar, está?

RICARDO     —  Claro que não, filha! Estou hospedado num hotel aqui perto.

KARINA       —  Ah, sim. E não pensou em voltar pra casa, não?

RICARDO     —  Sinceramente não, filha. O dia em que eu sair de casa eu fiquei tão descompensado que dirigi bêbado e fui parar até na delegacia.

KARINA       —  Espera aí! Mas que história é essa que o senhor não me contou?

RICARDO     —  Eu não quis te preocupar com uma coisa boba como essa.

KARINA       —  Que coisa boba o que, pai? O senhor sabe que pode desabafar comigo! Eu entendo o tempo que vocês estão dando, mas até a dona Rô parece que está mexida com tudo isso.

RICARDO     —  Não está não, filha! Se a sua mãe realmente estivesse preocupada com o nosso casamento, não o deixaria chegar ao estado lastimável que chegou!

CORTA PARA:

CENA 03. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia, Vicente e Murilo chegam. Murilo com um curativo na cabeça.

FLÁVIA        —  Murilo nunca mais sai de dentro dessa casa sem eu estar junto!

MURILO       —  Eu tô bem, mãe!

FLÁVIA        —  Eu sei, meu filho. Mas você não ouviu o doutor dizer que poderia ser algo muito mais grave?

VICENTE      —  Poderia ser, mas não foi! Então bola pra frente!

FLÁVIA        —  Tá achando que só porque o Murilo tá bem isso vai apagar o fato do Enrico ser um irresponsável?!

VICENTE      —  Flávia, pra que esse drama todo? O menino tá bem!

FLÁVIA        —  Graças a Deus está bem, mas poderia não está!

VICENTE      —  Filho, vai lá jogar vídeo game que eu preciso conversar com a sua mãe.

MURILO       —  Tá bom.

Murilo vai para o quarto.

FLÁVIA        —  O que é que é, Vicente? Vai me dá bronca agora por estar preocupada com o nosso filho?

VICENTE      —  Não, Flávia! Claro que não! Muito pelo contrário, eu sei que você é mãe e está preocupada com o Murilo. A questão aqui agora é outra.

FLÁVIA        —  Então diga lá o que é.

VICENTE      —  Você e o Enrico se davam tão bem quando se conheceram. Por que de repente você mudou com ele?

FLÁVIA        —  Eu tenho os meus motivos!

VICENTE      —  Então me diga qual é porque eu não estou conseguindo entender!

Fecha em Flávia séria a olhar para Vicente. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 04. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Rosangela chega, joga a bolsa no sofá e tira os sapatos.

ROSANGELA —(P/si) Mas que dia de cão foi esse, senhor? O bom é que o Alfredo voltou e a outra vai parar com a gestão do terror dela.

Isabelita vem do quarto.

ISABELITA   —  Mas é impressionante como não muda mesmo!

ROSANGELA —(Surpresa) Mamãe, o que a senhora está fazendo aqui?

ISABELITA   —  Não se faça de desentendida, Rosangela. Você sabe muito bem o que eu estou fazendo! Só me impressionei com a sua falta de memória. Sim, porque o aviso que estava chegando ao Rio hoje foi dado. Ou você fingiu que esqueceu só pra não ter que me olhar no olho.

ROSANGELA —Mamãe, para com isso! Se eu estivesse fingindo a senhora acha mesmo que eu teria voltado pra casa?

ISABELITA   —  É. Até que faz sentido. Mas por essas e outras que o Ricardo desistiu de tudo!

ROSANGELA —Pelo amor de Deus. A senhora não veio pra cá pra se meter na minha vida, veio?

ISABELITA   —  Não vim se meter na sua vida não! Vim ver com os meus próprios olhos o caos que você sempre faz! O seu casamento só existiu durante vinte anos porque eu sempre estive aqui aconselhando nas horas em que você mais precisava! Mas parece que todo o progresso que eu achava ter conseguido foi inútil!

ROSANGELA —A verdade é que a minha vida tá um caos é em tudo quanto é lugar!

ISABELITA   —  Você sempre foi muito ambiciosa, quando falamos do trabalho. Mas realmente você não me parece bem. O que está acontecendo?

ROSANGELA —Ai, mamãe. É uma longa história. A verdade é que a minha vida virou um inferno desde que o Alfredo se afastou do jornal depois de sofrer um grave acidente de carro…

Rô continua a contar a história fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. NOITE.

Do outro lado da rua, Marta e Maria de F. ali a olhar a portaria.

MARIA DE F.—  Será que você pode me explicar o que estamos fazendo aqui, Marta? Até agora eu não entendi.

MARTA        —  Eu tenho que observar como estão as coisas por aqui. Preciso pegar minhas roupas.

MARIA DE F.—  Mas como você vai fazer pra entrar lá?

MARTA        —  Eu não! Você vai!

MARIA DE F.—  Mas nem por um milhão! Você quer que o Gael descubra que eu sou sua aliada? 

MARTA        —  Não! Por isso mesmo temos que escolher o melhor momento pra você entrar e trazer as minhas coisas.

MARIA DE F.—  Ai, senhor. Por que estou me prestando a isso, hein?

MARTA        —  Simples! Pelo dinheiro você faz qualquer coisa! Conseguiram tirar os meus filhos de mim, mas não o dinheiro que o Marcílio deixou pra mim! E pode ter certeza que você continuará sendo muito bem paga!

CORTA PARA:

CENA 06. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Adriana e Miguel a conversar.

ADRIANA     —  Nossa, mas que loucura, hein, Miguel!

MIGUEL        —  Nem me fale. Não é nada fácil mudar a sua vida que até ontem pra você era de verdade. E hoje, descobre que tudo aquilo era uma mentira.

ADRIANA     —  É, mas eu estou aqui para te ajudar a lidar com isso.

MIGUEL        —  Obrigado, Adriana. Mas a minha família já faz o suficiente.

ADRIANA     —  (Sem graça) Ah, sim. Eu pensei que você precisaria de um ombro amigo.

MIGUEL        —  Olha, é verdade que nós temos nos reaproximado bastante, mas mesmo assim eu quero terminar o nosso noivado.

ADRIANA     —  Tudo bem, Miguel. Eu já esperava por isso. Mas você sabe muito bem que a Karina tá namorando o nojento do meu meio irmão, Enrico.

MIGUEL        —  Eu sei e desejo felicidades a ela! A verdade é que eu não estou digamos… Disposto pra um relacionamento agora.

ADRIANA     —  Entendo. Embora eu ache que isso se deve ao fato de você está vivendo uma fase nova na sua vida… Você não deveria misturar as coisas.

MIGUEL        —  É justamente por isso que eu não quero mais ferir, machucar alguém. (Pega na mão dela) Você me entende, né?

ADRIANA     —  Claro! De boa.

MIGUEL        —  Obrigado, Adriana!

ADRIANA     —  Bom, agora eu preciso ir.

MIGUEL        —  Eu te levo até aporta.

Eles vão até a porta. Ela dá um beijinho no rosto de Miguel, que abre a porta e ela sai. Ele fecha a porta.

CORTA PARA:

CENA 07. PRÉDIO DE SOL. HALL. INT. NOITE.

Adriana se aproxima e chama o elevador.

ADRIANA     —  (P/si) É, já esperava por isso. Mas se ele tá pensando que vai voltar com a Karina ele está muito enganado! Ao que tudo indica, ela está super feliz com o insuportável do Enrico. Pelo menos pra isso a volta desse ser irrelevante que ele é serviu pra alguma coisa.

O elevador abre as portas e ela entra.

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE FLÁVIA. QUARTO CASAL. INT. NOITE.

Flávia entra. Vicente vem logo em seguida arrematando.

VICENTE      —  Você disse que tinha os seus motivos e eu quero saber que motivos são esses!

FLÁVIA        —  Será que dá pra você parar de forçar a barra?

VICENTE      —  Eu só quero entender!

FLÁVIA        —  Tá bom, Vicente! Você me esconde esse seu filho há uns dez anos e de repente ele me aparece e deixa o meu filho sofrer um acidente!

VICENTE      —  Meu amor, então essa sua implicância com o Enrico é pelo fato de eu não ter te contado nada antes?

FLÁVIA        —  Claro! Eu mal conheço esse garoto e ele me sai com meu filho e ele volta pra casa com um curativo na cabeça!

VICENTE      —  Meu amor… Eu tenho certeza que se você der uma chance ao Enrico você vai ver que ele é um bom garoto.

Vicente abraça Flávia, que aliviada está por ele ter acreditado. Instantes,

CORTA PARA:

CENA 09. PRÉDIO DA CONSTRUTORA. FRENTE. EXT. NOITE.

Karina e Ricardo saem do prédio.

KARINA       —  O senhor sabe, né, pai? Se precisar de alguma coisa pode me ligar.

RICARDO     —  Eu sei, filha. Obrigado por se preocupar tanto com o velhote aqui.

KARINA       —  Velhote… O senhor ainda está com tudo em cima, pai.

Ricardo sorrir, sem graça. Enrico, abatido se aproxima.

ENRICO        —  Karina, será que a gente pode conversar? Como vai seu Ricardo.

RICARDO     —  Bem.

KARINA       —  Que cara é essa, Enrico? O que aconteceu?

ENRICO        —  Uma série de coisas e eu preciso desabafar.

RICARDO     —  Vai lá, filha. Tô indo agora. Tchau!

KARINA       —  Tchau, pai. Até amanhã.

Ricardo entra em seu carro, dá a partida e o mesmo vai se afastando.

KARINA       —  Vamos pra algum lugar melhor.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 10. LEBLON. CAFETERIA DE LUXO. INT. NOITE.

Clima sofisticado. Local com poucos clientes. Karina e Enrico ali a conversar. Karina já arrematando.

KARINA       —  Mas como assim acidente?

ENRICO        —  Primeira vez que eu saio com meu irmão mais novo e acontece isso.

KARINA       —  Mas como ele tá?

ENRICO        —  Tá bem. Foi só um ferimento leve na cabeça, mas o doutor falou que poderia ser pior. Primeira reação da Flávia foi me chamar de irresponsável!

KARINA       —  (Pega na mão dele) Mas essas coisas acontecem, Enrico. Como você poderia imaginar que ele iria se desequilibrar do brinquedo?

ENRICO        —  Eu sei! Mas ao mesmo tempo é como se eu pudesse ter evitado, mas não evitei. Você me entende?

KARINA       —  Claro que entendo! Mas não adianta você ficar se culpando, já aconteceu.

Fecha em Enrico ainda abalado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Rô ali deitada no colo de Isabelita.

ISABELITA   —  Rosangela, eu sempre falo isso pra você, mas não custa nada reforçar! Todos têm problemas no ambiente corporativo ou na sua intimidade. Mas desde o exato momento em que você usa isso para tentar tapar digamos… Algum buraco que exista em alguma outra área da sua vida… Acaba se tornando uma bola de neve! E quando você se der conta pode ser tarde demais!

ROSANGELA —Eu sei, mamãe! Depois que o Ricardo saiu de casa, o caos que ficou a minha vida na redação, que eu percebi que eu preciso mudar!

ISABELITA   —  Primeiro passo foi dado. Reconheceu que tá errada. Mas o que você pretende fazer pra mudar isso?

ROSANGELA —Depois de sofrer o golpe de perder o cargo pra Joana, eu me lembro de ter visto um outdoor. 

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 12. LEBLON. RUA EXT. DI.A

Insert da cena 05 do capítulo 47.

Rosangela ali caminhando visivelmente abalada. Ela olha para um outdoor que diz o seguinte: “Trabalhe, trabalhe, mas não compulsivamente!”. Trata-se de uma campanha de uma ONG que ajudar os workaholic. Ela fica ali a olhar aquele outdoor. 

Fim do insert.

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 11.

ISABELITA   —  E você acha que isso pode te ajudar?

ROSANGELA —Creio que sim. E se eu não mostrar para o Ricardo que eu posso mudar, ele não vai voltar pra casa!

ISABELITA   —  Isso é, Rosangela… Se ele quiser voltar!

Fecha em Rô apreensiva. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. NOITE.

Marta e Maria de F. ali a observar. Sol, Gael e Mazé saem do prédio.

MARTA        —  Eu não acredito que aquela desgraçada já está se enfiando na minha casa!

Os três entram no carro de Sol, que se afasta.

MARIA DE F.—  É, Marta. Perdeu. Até a empregada tá andando no carro da Sol agora.

MARTA        —  É? Mas isso já, já acaba! Agora aproveita que todos saíram e vá pegar as minhas coisas.

MARIA DE F.—  Esse prédio não tem porteiro, não?

MARTA        —  Tem, mas o véio vive mais dormindo do que tudo!

Marta passa a chave a Maria de F., que atravessa a rua e entra no prédio.

CORTA PARA:

CENA 15. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Maria de F. entra e fecha a porta.

MARIA DE F.—  (P/si) E não é que a Marta tava certa? O véi mais dorme do que tudo! Esses filhos da Sol são burrinhos demais da conta! Se sabem que a mulher que se dizia mãe deles é uma criminosa. Por que não trocaram a fechadura? Melhor agir logo antes que alguém volte.

Ela vai para o quarto.

CORTA PARA:

CENA 16. APART DE MARTA. QUARTO MARTA. INT. NOITE.

Maria de F. entra. Abre o guarda roupa e começa a jogar o que ver pela frente sobre a cama.

MARIA DE F.—  (P/si) Onde colocar esse monte de roupa? Não tô vendo mala alguma por aqui.

Ela sobe na cama e ver uma mala em cima do guarda roupa.

MARIA DE F.—  (P/si) E ainda se acha madame. Com mala em cima do guarda roupa.

Corte descontínuo: Maria de F. entra no quarto com uma cadeira, sobe na mesma e pega a mala, coloca a mala sobre a cama e começa a jogar a roupa dentro de qualquer jeito, apressada.

MARIA DE F.—  (P/si) Tá bom. Isso aqui dá pra Marta sobreviver.

Ela volta para fechar o guarda roupa e ver dentro do mesmo, uma foto dela mesma com um X no rosto. Ela pega a foto e fica grilada. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 17. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. NOITE.

Marta ali aflita, inquieta.

MARTA        —  (P/si) Cadê ela? Não precisa dessa demora toda pra pegar roupa.

Maria de F. sai do prédio e atravessa a rua.

MARIA DE F.—  Foi mal pela demora.

MARTA        —  O importante é que ninguém te viu. Como estão as coisas lá dentro de casa?

MARIA DE F.—  Tudo a mesma coisa.

Maria de F. começa a encarar Marta friamente, a mesma nem percebe por estar olhando a mala.

MARTA        —  (P/si) Tudo ok. Espero que você não tenha deixado/… Tá me olhando desse jeito por quê?

MARIA DE F.—  Nada não.

MARTA        —  Então vamos.

Marta vai na frente e Maria de F. permanece ali séria, depois vai atrás de Marta.

CORTA PARA:

CENA 18. BARRACÃO VELHO. INT. NOITE.

Atenção Sonoplastia: Entra aqui Sangue Bom – Cacife Clandestino.

Armando diante de Carlito, Zói e Homem1 sentados.

ARMANDO   —  E assim terminaremos com o maior golpe de nossas vidas!

Os três aplaudem.

HOMEM1      —  Plano digno de filme.

ZÓI                —  É mermo! Mas e depois? Como nós vai repartir?

CARLITO      —  Dez por cento pra cada de tudo que conseguirmos lucrar com o golpe!

ZÓI                —  Show!

ARMANDO   —  Amanhã mesmo entramos em ação… Preparados?

HOMEM1      —  Com certeza!

ZÓI                —  É nós já tá preparado pro que der e vier!

Fecha em Armando sorrindo. Instantes. Tensão. 

CORTA PARA:

CENA 19. RIO DE JANEIRO. EXT. AMANHECER

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Takes descontínuos das lindas paisagens que o Rio nos oferece. Nascer lindo do sol. Imagens aéreas da Orla do Leblon. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. RIO DE JANEIRO. LINHA AMARELA. EXT. DIA.

Clima de tensão! CAM mostra a van de uma dedetizadora, dentro estão dois homens. CAM vai buscar o caro de Homem1 e Zói.

HOMEM1      —  É aquele carro ali mesmo!

ZÓI                —  Mas será que ele tem o que nós quer?

HOMEM1      —  Claro que tem! Não lembra do Armando falando que o carro estaria passando aqui por volta das 9h30, com o produto que nos interessa?

ZÓI                —  Ah é, verdade!

CAM mostra a van da dedetizadora se afastando.

ZÓI                —  Pisa nesse acelerador, cara! Se não nós vai perder eles!

HOMEM1      —  Calma afobado! Também não posso me aproximar tanto pra não descobrirem! 

CORTA PARA:

CENA 21. RIO DE JANEIRO. RUA DESERTA. EXT. DIA.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Van da dedetizadora entra na rua. Carlito escondido numa esquina mais adiante com um rádio comunicador nas mãos diz no aparelho.

CARLITO      —  Fica em alerta aí, Armando! Quando eu disser já! Vai, vai!

CAM mostra um caminhão, que entra na rua, ficando atravessado, a van para. Carlito coloca a máscara de rato e com um fuzil se aproxima do caminhão. O carro dos capangas chega e para. Eles saltam do carro já com as máscaras de rato e se aproximam com os fuzis em punho.

CARLITO      —  Desce, desce!

TRABALHADOR1       —      Calma, cara! Não faça nada! Nós estamos descendo.

Os dois trabalhadores saltam da van. 

CARLITO      —  Ajoelhem-se!

Eles fazem o que foi mandado.

CARLITO      —  (P/Homem1 e Zói) Vocês dois sumam com essa van daqui o mais rápido possível!

Armando também com máscara de rato dá marcha ré no caminhão, tirando-o do meio da rua e salta do mesmo.

ARMANDO   —  Esperem que antes preciso tirar o rastreador dele!

CARLITO      —  E mais essa agora! Se a polícia chega nós vai em cana, hein!

ARMANDO   —  É um procedimento rápido!

Armando deita-se debaixo do caminhão, tira um alicate do bolso. Corta para debaixo do caminhão: ele tira uma peça de tamanho pequeno e corta todos os fios ligados ao rastreador. E sai de debaixo do caminhão.

ARMANDO   —  Podem ir!

Homem1 e Zói entram na van. Dentro, eles tiram a roupa preta e ficam com o uniforme da empresa de dedetização. Eles pisam no acelerador e a van vai se afastando.

ARMANDO   —  E eles? O que a gente faz?

TRABALHADOR2       —      Pelo amor de Deus! Não faça nada comigo não! Eu tenho mulher filhos pra criar!

ARMANDO   —  (Dá uma coronhada nele) Cala a boca!

CARLITO      —  (Pensativo) O que a gente faz?

Corte descontínuo: Armando terminando de amarrar os dois trabalhadores ali num poste.

CARLITO      —  Ótimo! Agora vamos.

Os dois entram no carro deixado pelos capangas e saem disparados que o carro chega a cantar pneus.

Close nos dois trabalhadores ali aterrorizados amarrados. Instantes suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 56º CAPÍTULO

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