PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ALFREDO 

ANA

CRISTINA

ENRICO

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JULIANA

KARINA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

RICARDO

ROSANGELA

SOL

 

CENA 01. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

Takes descontínuos da orla de Copacabana toda iluminada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Sol, Glória, Alfredo, Miguel e Gael ali sentadas a conversar. Gael sério.

SOL               —  Meninos, antes de mais nada, eu gostaria de agradecer a boa vontade de vocês por terem aceitado vir até aqui.

GLÓRIA        —  E você, Miguel… Acho que é por isso que desde que nos esbarramos na orla que eu gostei de você.

MIGUEL        —  Obrigado, dona Glória. Ou vó.

GLÓRIA        —  Pode me chamar de vó.

SOL               —  E de pensar que a mamãe elogiou a educação que sua “mãe” lhe deu.

GLÓRIA        —  Não sabendo que a desgraçada era a Marta.

ALFREDO     —  É tudo tão novo pra mim. Eu sinceramente não sei nem como continuar essa conversa.

SOL               —  Como não sabe, Alfredo? Vamos contar como tudo aconteceu para os nossos filhos!

ALFREDO     —  Então tá. (P/Sol) Você começa, ou eu começo?

SOL               —  Pode deixar que eu falo. Bom, como vocês já devem saber, tudo ocorreu em 1999. Ano em que vocês nasceram. A Marta era nossa empregada.

MIGUEL        —  Espera aí. Ela era empregada de vocês?

SOL               —  Sim. E ela sempre foi invejosa. Ela sempre atuou contra o meu relacionamento com o Alfredo.

ALFREDO     —  Isso é verdade. Ela colocava intrigas entre nós para que nos separássemos.

SOL               —  A verdade é que ela sempre quis ter a vida que eu tinha na época. Ela queria tudo que era meu! A minha casa, o meu namorado, a minha vida!

ALFREDO     —  E quando vocês dois nasceram ela os sequestrou na maternidade com a ajuda de uma enfermeira.

MIGUEL        —  Mas tudo isso é muito confuso! Como que ela nunca foi descoberta?

SOL               —  Miguel, em 1999, a tecnologia não era isso que é hoje em dia. A internet era novidade, os celulares eram o que as pessoas chamam de “tijolão”. A televisão era o meio de comunicação mais utilizado naquela época. E mesmo com as notícias, ela não foi descoberta.

GAEL            —  É isso que eu também não entendo! Por que vocês não vieram para o Rio de Janeiro atrás da gente?

SOL               —  Gael, escuta não é tão simples como você pensa.

GAEL            —  (Firme) Vocês nos deixaram vinte anos nas mãos de uma ladra de bebês! Vocês são tão responsáveis quanto o hospital! Vocês nos negligenciaram!

Closes alternados em todos. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 03. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Rô deitada no colo da filha, que está a fazer cafuné na mãe.

ROSANGELA —Eu não entendo como o seu pai não pôde ser um pouco mais tolerante comigo.

KARINA       —  Olha, mãe. Eu não quero causar ainda mais discórdia entre vocês dois. Mas a senhora ter esquecido do aniversário de vinte e dois anos de casamento foi a maior mancada!

ROSANGELA —Eu sei que eu pisei na bola, filha! Mas o seu pai nem pra perguntar porque eu tinha esquecido. Pegou as coisas na maior ignorância e saiu de casa!

KARINA       —  Ele com certeza fez isso porque a senhora sempre esquece de tudo por causa do trabalho!

ROSANGELA —Eu sei que eu estou agindo assim nos últimos dias.

KARINA       —  Me desculpe, mãe. Mas a senhora tem agido assim a bastante tempo. O pai cansou e saiu de casa!

ROSANGELA —Você tá dando razão ao seu pai pelo que ele fez?

KARINA       —  Não é isso! Eu só acho que ele se encheu e quer um tempo pra pensar!

ROSANGELA —Você não me perguntou o que me fez esquecer do aniversário de casamento, mas eu vou falar assim mesmo! Eu fui retirada do cargo de editora chefe.

KARINA       —  Sério, mãe? Mas por quê? A senhora sempre foi tão dedicada àquela redação!

ROSANGELA —Pois é, filha. Mas quando se tem alguém doido pra puxar o seu tapete, não tem dedicação que evite a sua queda! A Joana operou o plano maligno dela até conseguir me tirar do cargo. Assumiu hoje o cargo.

KARINA       —  Sabe do que a senhora precisa, mãe?

ROSANGELA —Não. Do que filha?

KARINA       —  Férias! Só ficando longe daquela redação que a senhora vai conseguir colocar tudo no seu devido lugar.

Fecha em Rosangela pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 02.

ALFREDO     —  Gael, não é bem assim! A única evidência de que a Marta teria vindo para o Rio de Janeiro a polícia só descobriu depois de ter ido a rodoviária aonde ela embarcou!

GAEL            —  Mas e essa tal enfermeira não sabia de nada?

ALFREDO     —  Ela disse que a Marta não contou a ela pra onde viria aqui no Rio de Janeiro.

GAEL            —  Olha, nada disso faz sentido pra mim!

Gael sai com Miguel arrematando.

MIGUEL        —  Espera aí, Gael! Não sai assim! (P/Sol) Deixa eu ir atrás dele antes que ele faça alguma besteira.

SOL               —  Claro! Vai atrás do seu irmão!

Miguel sai apressado.

GLÓRIA        —  Vai com eles, Alfredo! Eu só vou ficar tranquila se outra pessoa for. Se você não for, eu mesma vou!

ALFREDO     —  Não, Glória! Pode deixar que eu vou!

Alfredo pega as chaves do carro de Sol e sai.

GLÓRIA        —  Ai meu Deus! Por que será que a gente nunca tem paz, hein, Sol?

SOL               —  O menino só tá confuso com tudo isso, mamãe! Eu entendo que ele não esteja conseguindo compreender. Imagine, a vida que ele levou esses vinte anos era uma farsa.

Closes alternados nas duas ali aflitas. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 05. TRÍPLEX DE SOL. FRENTE. EXT. NOITE.

Gael sai do prédio e entra no carro. Miguel vem logo atrás.

MIGUEL        —  (Bate no vidro do carro) Gael! Abaixe esse vidro. Vamos conversar.

Ele dá a partida e o carro chega a cantar pneus de tão disparado que sai. Alfredo sai do prédio correndo.

ALFREDO     —  Cadê o Gael?

MIGUEL        —  Ele saiu com o carro feito um louco!

ALFREDO     —  Mas pra onde ele foi?

MIGUEL        —  Não faço a mínima ideia!

ALFREDO     —  Vou pegar o carro da Sol e a gente vai procurar ele!

MIGUEL        —  Tá bom.

Alfredo volta correndo e entra na garagem subterrânea do prédio. Miguel pega o cel. e disca.

MIGUEL        —  (P/si, aflito) Droga! Só cai na caixa postal! Pra onde você tá indo, Gael?

Fecha em Miguel ali super aflito. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 06. CASA DE MAZÉ. QUARTO MAZÉ. INT. NOITE.

Mazé ali sentada na cama olhando para o travesseiro de Carlito, quando arremata.

MAZÉ            —  (P/si) Como é que pode uma coisa dessas? Eu crente que ele ficava esparramado naquele sofá o dia todo e ele era um bandido. Como ninguém nunca percebeu? Como ele conseguiu manter essa farsa por tanto tempo?

Juliana e Ana entram.

JULIANA      —  Licença, mãe.

MAZÉ            —  Oi, meninas. Entrem.

ANA              —  Viemos ver como a senhora está, tia.

MAZÉ            —  Ainda não acreditando. Acho que nem vou conseguir dormir neste quarto. Tudo aqui lembra aquele bandido!

JULIANA      —  É, mãe. Vai ser difícil, mas nós vamos conseguir nos reerguer.

ANA              —  O que mais me deixa intrigada é que como é que pode todo esse tempo e não ter deixado nenhuma pista?

Reação de Juliana pensativa.

MAZÉ            —  Pra você ver, Ana! O canalha ficou nos enganando todo esse tempo.

JULIANA      —  Espera aí! Teve algumas vezes que eu vi ele sair e chegar com uma máscara de rato.

MAZÉ            —  Máscara de rato?

JULIANA      —  É. Ele disse que era uma máscara que ia usar no carnaval.

ANA              —  Carnaval? Pelo que eu saiba o seu Carlito nunca foi dessas coisas.

JULIANA      —  Aí é que está, Ana! E teve uma outra vez que ele…

MAZÉ            —  (Firme) Que ele o quê, Juliana?

JULIANA      —  Calma, mãe! Tô tentando lembrar! Eu atendi uma ligação era um cara muito estranho que tava falando…

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 07. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. DIA.

Flashback: Insert da cena 07 do capítulo 29.

Atenção Sonoplastia: tel. fixo tocando. Juliana vem do quarto e atende.

JULIANA       —   (Ao tel.) Alô?

ZÓI                —   (OFF) Chefe? Comprei as roupas pra começar com o esquema?

JULIANA       —   (Ao tel.) Que esquema?

ZÓI                —   (OFF) É engano! Desculpa aí!

Ele desliga.

JULIANA       —   (Ao tel.) Alô? (P/si) Desligou! (Intrigada) Roupas para começar com o esquema… O que será que significa isso?

Carlito vem da cozinha.

CARLITO       —   Ouvi o telefone tocar. Quem era?

JULIANA       —   Não sei. Um cara com uma voz estranha. Ele disse que tinha comprado roupas pra começar com o esquema.

Reação de Carlito que arregala os olhos.

JULIANA       —   O senhor sabe do que se trata?

Fecha em Carlito nervosíssimo. Instantes. Suspense. Tensão.

Fim do insert.

CORTA PARA:

CENA 08. CASA DE MAZÉ. QUARTO MAZÉ. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 06.

JULIANA      —  Depois disso ele ficou super nervoso e disse que poderia ser trote.

MAZÉ            —  Eu não posso acreditar que aquele infeliz ainda fornecia o número do telefone que eu pago com o meu dinheiro para cometer os crimes dele!

ANA              —  Nossa! Tô chocada com isso, Ju.

JULIANA      —  E eu então? Jamais poderia imaginar que aquela ligação era pro meu pai. E o pior… Que ele seria o chefe!

MAZÉ            —  Cada hora é mais desgosto!

CORTA PARA:

CENA 09. RIO DE JANEIRO. AVENIDA. EXT/ INT. NOITE.

Gael possesso ao volante.

GAEL            —  (P/si) Todos esses anos… Vinte anos achando que a Marta era a minha mãe e agora isso! (Vira o volante bruscamente) Meu pai, Marcílio… Tão amoroso e eu não era filho dele! (Chora) Vinte anos… Vinte anos vivendo na mentira! Duas décadas enganado!

Corta para fora do carro: CAM em Plano Geral e o carro se afastando em direção ao bairro de Ipanema.

CORTA PARA:

CENA 10. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Sol ali ao cel. Glória ao lado aflita, curiosa.

SOL               —  (Ao cel.) Então tá bom, Miguel. Não se esqueça, qualquer coisa pode me ligar, hein! Tchau.

Ela desliga.

GLÓRIA        —  O que ele disse, Sol?

SOL               —  Nada do Gael ainda. Eles estão com o meu carro por aí atrás dele.

GLÓRIA        —  Ai meu Deus! Que não aconteça nada com meu neto!

SOL               —  Aquela desgraçada deve ter rogado uma praga pra mim, mamãe!

GLÓRIA        —  (Faz sinal da cruz) Que isso, Sol?! Que horror!

SOL               —  Pense bem comigo, mamãe. Nós acabamos com a vida dessa mulher. Tudo o que ela construiu em cima da minha desgraçada, foi por água abaixo!

GLÓRIA        —  Já não era sem tempo, né! Algum dia ela teria que pagar pelo que fez.

SOL               —  É, mas agora imagine. Acabei de encontrar meu filho e ele sai por aí. E se aconteceu alguma coisa com ele? Não gosto nem de pensar!

GLÓRIA        —  Calma, minha filha. Não vai acontecer nada com o Gael. Vamos acreditar que tudo vai ficar bem!

Fecha em Sol aflitíssima. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 11. RIO DE JANEIRO. AVENIDA. INT. NOITE.

Alfredo ao volante. Miguel ali com o cel. em mãos.

MIGUEL        —  Aonde você se meteu, Gael?

ALFREDO     —  Pelo jeito ele tem uma personalidade forte, né.

MIGUEL        —  É. Somos idênticos, mas tão diferentes ao mesmo tempo. O Gael é o chamam de vida louca. Ele sempre fez o que quis. Mesmo que isso lhe traga alguma consequência.

ALFREDO     —  É. Você não tem mesmo a mínima ideia de onde ele possa ter ido?

MIGUEL        —  Não sei. O Gael sempre foi muito fechado pra falar de si mesmo. Nos últimos tempos que nós melhoramos a nossa relação de irmãos.

ALFREDO     —  Não tem nenhum amigo que possa nos ajudar?

MIGUEL         —Pensando bem tem sim. O Pedro. Ele com certeza deve saber pra onde o Gael vai quando fica assim.

Miguel pega o cel. e disca.

ALFREDO     —  (P/si) Meu Deus, que esse Pedro saiba onde meu filho está.

MIGUEL        —  (Ao cel.) Alô, Pedro? Aqui é o Miguel. Desculpa ligar a essa hora. Mas é que o senhor encrenca, também conhecido como Gael sumiu e eu não tenho a mínima ideia de onde ele possa estar. Por caso ele já comentou com você algum lugar que ele vá pra espairecer, sei lá?! Ah sim. Pedra do Arpoador? Tá bom, Pedro. Muito obrigado mesmo! É uma longa história. Mas depois eu te conto tudo. Valeu, cara.

Ele desliga.

ALFREDO     —  Ele está na Pedra do Arpoador?

MIGUEL        —  Foi o que o Pedro disse. Segundo ele, o Gael adora ir pra lá quando tá a fim de espairecer.

ALFREDO     —  Mas a essa hora?

MIGUEL        —  Mas não custa nada a gente dá uma passada por lá, né, Alfredo? Quer dizer… Pai.

ALFREDO     —  Claro… Filho.

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Enrico chega e Cristina vem da cozinha.

CRISTINA     —  Ah… As vezes eu até esqueço que você mora nesta casa, moleque!

ENRICO        —  Boa noite pra você também.

CRISTINA     —  Você deve tá muito feliz, né?

ENRICO        —  Do que você está falando?

CRISTINA     —  Não se faça de desentendido, moleque cínico! Eu sei muito bem que você atuou por debaixo dos panos pra Adriana não conseguir estagiar na construtora!

ENRICO        —  Mesmo não me dando bem com a Adriana, ela é dona daquela empresa tanto quanto eu.

CRISTINA     —  Tanto quanto você vírgula! Você não passa de um bastardo!

ENRICO        —  Um bastardo com muito mais valores do que você  e a sua filhinha! Isso eu posso te garantir!

CRISTINA     —  Olha, e não é que o bastardinho tá muito saidinho pro meu gosto! Quem você acha que é?

ENRICO        —  Filho do Vicente Macedo! Fundador da construtora Macedo. Infelizmente ele cometeu o equívoco de construí-la com você, mas construiu.

CRISTINA     —  Seu pai não seria nada sem mim! Se aquela construtora ainda está operando é graças a mim!

ENRICO        —  Ah é?

CRISTINA     —  Claro! Eu dou minha vida pela construtora enquanto seu pai… Prefiro nem continuar!

ENRICO        —  Eu se fosse você diminuiria o seu nível de arrogância!

CRISTINA     —  Quem é que está sendo arrogante aqui?

ENRICO        —  Você! Mas o nível da arrogância é tão elevado que não consegue se dar conta! Veremos aonde você vai parar com esse ar de se sentir superior aos outros! Não me admira muito a Adriana está no mesmo caminho! Tal mãe, tal filha! Com licença!

Enrico vai para o quarto deixando Cristina ali séria. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 13. IPANEMA. ORLA. EXT. NOITE.

Alfredo para o carro e eles saltam apressadamente e caminham em direção a pedra do arpoador.

MIGUEL        —  Vamos, Alfredo.

ALFREDO     —  Tô indo.

MIGUEL        —  Tomara que o Gael esteja por aqui mesmo.

ALFREDO     —  Ele vai estar. Eu crio nisso!

CORTA PARA:

CENA 14. IPANEMA. PEDRA DO ARPOADOR. EXT. NOITE.

Gael ali de pé a olhar a imensidão do mar diante dele. Miguel e Alfredo se aproximam.

ALFREDO     —  Acho melhor você ir sozinho. Eu espero aqui.

MIGUEL        —  Tá bom.

Miguel aproxima-se do irmão.

MIGUEL        —  Gael?

GAEL            —  (De costas para o irmão) O que você quer, Miguel?

MIGUEL        —  Quero conversar, ué! Você me sai feito um louco e não disse pra onde estava vindo.

GAEL            —  (Vira-se e caminha até o irmão) Você não fica confuso com tudo isso, Miguel?

MIGUEL        —  Claro que eu fico, Gael! Mas não é por isso que eu vou sair por aí feito um louco! Nada vai se resolver desse jeito!

GAEL            —  Eu sei. Mas os nossos pais não são os nossos pais! Vivemos vinte anos de mentira, Miguel!

MIGUEL        —  Eu sei, Gael! Eu entendo que você esteja confuso com tudo isso. Eu também estou. Acho que o que devemos fazer agora é unir forças e passar por essa juntos! Nós como irmãos, temos um que um apoiar o outro, você não acha?

GAEL            —  Você tem razão, Miguel. Mas eu ainda vou querer falar com a ex-mãe sobre isso.

MIGUEL        —  Pra que, Gael? Não precisa fazer isso. Ela só vai mentir mais e mais como fez nesses vinte anos!

GAEL            —  É uma decisão minha, Miguel! Respeite!

MIGUEL        —  Tudo bem! Eu só quero que você saiba que vamos superar isso juntos, como irmãos!

Os dois se abraçam e Alfredo sorrir ao ver a cena dos filhos se abraçando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. RIO DE JANEIRO. AVENIDA. INT. NOITE.

Ricardo estaciona o carro e arremata.

RICARDO     —  (P/si, bêbado) Melhor parar por aqui antes que eu cause um acidente. A essa hora melhor não ir pra hotel nenhum, não.

Ele começa a “apagar” aos poucos e dorme ali mesmo no carro. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Sol ali ao cel. CAM mostra Glória ali a ouvir a conversa de Sol ao cel.

SOL               —  (Ao cel.) Graças a Deus, Alfredo!

ALFREDO     —  (OFF) Agora tá tudo bem. Eu deixei eles aqui na casa deles.

SOL               —  (Ao cel.) É natural que eles queiram dormir aí essa noite. Tudo ainda é muito confuso.

ALFREDO     —  (OFF) E nós também não podemos forçá-los a nada, né, Sol?! Tudo tem que ser naturalmente. A hora em que eles quiserem morar com a gente, eles serão muito bem-vindos.

SOL               —  (Ao cel.) Com certeza. Agora volta para casa Alfredo, que já está tarde. Tchau.

Ela desliga. Glória ali parada na escada, desce e arremata.

GLÓRIA        —  Nossa! Tô gostando de ver você e o Alfredo se dando super bem.

SOL               —  Pois é, mamãe. Agora nós temos os nossos filhos de volta! É tão bom falar isso. Houve momentos em que eu nunca pensei que veria meus filhos novamente.

GLÓRIA        —  Pois é, filha… Mas Deus quis que fôssemos comtemplados com mais essa vitória. Então é só aproveitar o tempo perdido agora.

Fecha em Sol feliz. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Miguel e Gael chegam da rua. 

GAEL            —  Nunca mais vou conseguir entrar neste apartamento e o olhar com os mesmos olhos.

MIGUEL        —  Também não. Aqui nós achamos que vivemos os melhores momentos das nossas vidas. Mas tudo não passou de um teatrinho para nos enganar!

GAEL            —  Pois é. Não é nada fácil de uma hora pra outra receber uma ligação da mulher que achávamos ser a nossa mãe pedindo socorro por estar na delegacia. Pra quando a gente ficasse sabendo do motivo ser isso.

MIGUEL        —  É, meu irmão. Acho que nós nunca precisamos um do outro como agora.

GAEL            —  Concordo.

MIGUEL        —  Mas se a gente não quiser continuar morando aqui nesta casa, não tem problema! Agora nós temos uma nova família.

GAEL            —  Eu vou tomar um banho.

Gael vai para o banheiro.

MIGUEL        —  (P/si, não entende) Ué! Eu falei alguma coisa de errado? 

CORTA PARA:

CENA 18. DELEGACIA. CELA. INT. NOITE.

Marta ali sentada e cabeça baixa. CAM vem aproximando-se dela…

MARTA        —  (P/si) Aos que pensam que essa história será feliz a partir de agora enganam-se. Não ficarei presa aqui por muito tempo. E quando eu sair, meus filhos serão meus novamente! Meus! Sol, Glória e Alfredo… Os três vão sair do meu caminho por bem ou por mal. Nem que para isso, eu tenha que passar como um trator por todos eles!

Ela fica ali séria. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 52º CAPÍTULO

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