Capítulo 46
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Capítulo 46

Escrito por: Ueliton Abreu24/04/2021 - 21:00

DESTINOS CRUZADOS

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NOVELA DE

UELITON ABREU

ESCRITA POR

Ueliton Abreu

DIREÇÃO DE NÚCLEO

Anderson Silva

CENA. 1. MORRO MANGUEZAL. LAJE. EXTERIOR. DIA 

Pedro e os agentes do Bope chegam até a laje e encontram Lobão e Cesar caídos no chão desacordados. Pedro se aproxima: já agachado, verifica a pulsação de ambos. Os outros agentes analisam todo o ambiente.

Pedro. – Eles ainda estão vivos, pulsação está um pouco fraca. Precisamos de uma ambulância aqui e agora! – ordena aos outros agentes.

Mario. – Ok. Já estou fazendo isso! – com o celular em mãos, já discando o número do Samu.

Pedro. – O que será que houve aqui, hein! – intrigado.

Leonardo. – Aqui, essa arma fora encontrada ali no chão. – Mostra a arma dentro de um saco. – Deduzo eu, que seja do Lobão, pois há nela seu nome. Foi um acerto de contas, sem dúvidas. Meu faro não me engana. Eles se confrontaram aqui. Daí o Lobo deve ter atirado contra ele. Mas isso os peritos dirão.

Pedro. – É. Bom. Nosso trabalho aqui já deu. Conseguimos! – feliz por ter tido sucesso em sua operação.

Ambulância chega ao local e os corpos de Cesar e Lobão são levados para o hospital. Peritos chegam ao local e buscam pistas do que possa ter ocorrido ali tempos atrás. Alguns bandidos que foram rendidos pelo (Bope) são levados presos em um rabecão. Hugo sem ser visto por ninguém consegue sair do morro. Já em outro ponto do morro, em um beco, Caio dá de cara com Alan que vem caminhando ao lado de Carlos. Caio surpreso e tenso ao vê-lo.

Alan. – Você aqui? – observando-o sério.

Caio engole seco, está nervoso.

Carlos. – Quem é ele, Alan? – questiona.

Alan. – Meu cunhado. Vem cá, você pode ir, Carlos. Eu preciso tirá-lo daqui. Encontramo-nos na delegacia, talvez. Consegues ir sozinho?

Carlos. – Tudo bem! – segue caminhando.

Alan. – Não precisas dizer-me nada. Vem. Vou tirar-te daqui. Vem!

Caio nada diz, permanece em silencio, apenas o acompanha. Alan o deixa na entrada do morro, onde ele pega um táxi e vai embora dali.

CENA 2. MORRO. ENTRADA. EXTERIOR. DIA 

Pedro, Leonardo e outros agentes voltam para a entrada do morro… Alan os avista segue até eles…

Alan. – Conseguimos? – questiona ansioso por uma resposta positiva.

Pedro. – Sim, meu amigo. Conseguimos tomar o manguezal. – O abraça forte.

Leonardo se incomoda com o abraço. Já os interrompe.

Leonardo. – Hum-hum. – Pigarreia. – É, conseguimos. Agora temos que voltar pra delegacia. Nada de abraços! – bem próximo aos dois.

Alan e Pedro se afastam um do outro.

Pedro. – To começando a achar que esse cara é a fim de ti, mano. Eu, hein. Ciumeira da porra! – murmurando para Alan. – Enfim. Voltemos pra delegacia.

Leonardo. – Que foi isso em sua mão, Carlos? – ao notar seu ferimento.

Carlos. – Eu fui atingido por uma flechada! Não sei de onde veio…

Alan. – Estávamos juntos, também não consegui ver de onde veio o disparo. Havia aqui um arqueiro profissional.

Leonardo. – O importante é que estão bem. Carlos, você está liberado. Pode ir cuidar de seu ferimento em um hospital. Vamos, todos, pra delegacia.

Eles adentram suas viaturas e vão embora. Samuel do barraco de Lobão liga para o irmão, e sua chamada vai para caixa-postal. Cansado de esperar, ele vai embora dali. Os peritos terminam seus trabalhos ali na laje e em seguida seguem para o laboratório.

CENA 3. HOSPITAL. INTERIOR. DIA 

Já no hospital, Lobão e Cesar, são submetidos a uma cirurgia às pressas. Lobão é operado e os médicos conseguem retirar todas as quatro balas alojadas em seu peito que, por sorte, não chegaram a atingir nenhum órgão, mas por pouco mesmo, poucos centímetros a mais, e sua morte seria fatal. Durante a operação ele teve várias paradas cardiorrespiratórias, que por muita sorte, os médicos conseguiram controlar. A cirurgia é um sucesso e ele é encaminhado para o CTI. (Centro de terapia Intensiva.) Onde permanece em coma e recebendo os cuidados médicos necessitados. Já Cesar, infelizmente não suportou a cirurgia, tendo diversas paradas cardíacas, que de imediato o levou a óbito. Médicos a todo o momento tentaram reanimá-lo, porém sem sucesso. Bipes do monitor cardíaco vai lentamente parando… Batimentos de Cesar zerado… Ele já está morto. Raul se afasta ver as horas no relógio que está posto numa parede.

Dr. Raul. – Hora do óbito: 16h20min. – anuncia.

CENA 4. HOSPITAL. CTI. INTERIOR. DIA 

Em outro lado do hospital, na mesma hora do óbito de Cesar, especificamente no CTI: Um jovem rapaz de aproximadamente 23 anos de idade, que está em coma há dois anos, desperta. Em um suspiro forte, abre seus olhos rapidamente. Aparentemente confuso. Olha para os lados, estranha o local. Uma enfermeira adentra o local.

Enfermeira. – Meu Deus! Você acordou. Isso, isso é um milagre! – surpresa. – Você… Consegues falar? Tu consegues falar?

Diego. – Murmurando. – Eu estou um pouco confuso… – tosse. – Eu… Estava sonhando, não sei, era muito real. Eu… Um cara atirou em mim… – se exaltando.

Enfermeira. – Calma. Tu não podes exaltar-se, e nem falar muito. Tu acabaste de despertar de um coma. Que pra nós foi um imenso milagre… – rir. – Meu Deus… Descanse. Logo mais eu venho aqui com o Dr. Raul. Ele precisa examinar-te e vê, porque seu contar-lhe, ele não irá acreditar. Com licença! – sai dali quase que correndo.

Diego continua ali, confuso, fecha seus olhos e em sua mente veem flashes de alguém que atira contra ele duas vezes. Ele não consegue ver de quem se trata, pois as imagens estão todas embaralhadas. Dr. Raul liga para a delegacia e informa sobre os estados de Lobão e a morte de Cesar.

CENA 5. DELEGACIA. INTERIOR. DIA 

Mario. – Ok, doutor. Obrigado. – Encerra a ligação.

O elevador abre-se e um policial-perito vem até a mesa de Mario, que o atende e o leva até a sala de reuniões.

PP. – Olá. Boa tarde. Gostaria de falar com o Sr. Delegado. David. Ele encontra-se? – parado a frente de Mario.

Mario. – Sim. Queres acompanhar-me, por favor!

PP. – Claro.

CENA 6. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INTERIOR. DIA 

Mario adentra a sala, onde se encontram: Pedro, Leonardo, Alan, Carlos e um agente do Bope. Estão sentados a uma mesa redonda, conversam entre si. Mario os interrompe e anuncia a chegada do perito.

Mario. – Com licença. Aqui está o perito! Queira entrar, por favor. – Abre espaço para que ele adentre a sala. – Com licença.

Pedro. – Não precisa sair. Fique, Mario. Boa tarde. Como se chama? – ao perito.

Rael. – Chamo-me Rael. Boa tarde a todos. Tragos os resultados da perícia feita lá no morro onde os corpos foram encontrados.

Leonardo. – Ótimo. Queira sentar-se, por gentileza.

Rael. – Claro. Com licença. – Puxando uma cadeira e sentando-se.

Mario. – É… desculpa interromper, mas ligaram do hospital. Cesar não resistiu à cirurgia e veio a óbito, já o Lobo, está em coma induzido no CTI. Foi o que me fora repassado. – Anuncia.

Alan. – Obrigado. Mario. Bom. E os resultados, Raul? – o olhando.

Pedro. – É Rael… – rir contidamente.

Alan. – Desculpa. Rael.

Leonardo. – Por favor?

Rael. – Bom. Analisamos tudo. As balas que estavam no corpo do Cesar, este que veio a óbito, foram deflagradas da arma do outro bandido, Lobo. Dois disparos foram efetuados. Deduzimos, mas chegamos a quase certeza, é de que ambos tiveram um confronto ali, um… Acerto de contas. Ou seja, esse Lobo deve ter descoberto algo desse comparsa e ceifou sua vida…

Pedro. – Suas suspeitas estavam certas, delegado. – Olhando para Leonardo.

Leonardo. – São anos e anos de polícia, agente. Já vi de tudo nessa vida…

Carlos. – Tudo aqui é muito… Hilário.

Alan. – A questão que nos surge agora é: quem então que atiraste no lobão? Vocês conseguiram achar algo sobre isso? IPLs. Sei lá, um cabelo, algum vestígio desse terceiro elemento?

Rael. – Infelizmente. Nada. Essa pessoa veio, matou e saiu dali muito rápido. Nada de IPL, nenhuma pista, só se sabe é que as balas são de um calibre 38. E que a arma pertence ao Cesar…

Carlos. – Então, essa pessoa usou a arma do Cesar, e não deixou nenhuma digital? – o olhando.

Rael. – Nenhuma! A arma fora encontrada em um beco, caído no chão, com certeza essa pessoa a soltou e fugiu… Devia estar de luvas. É uma boa hipótese pra não termos encontrado nenhuma digital na arma.

Pedro. – Quem será que atirou? Certeza, que não foi um de nós, policiais. Será que não foi nenhum dos comparsas deles? É possível, já que ele com certeza devia ser invejado ali.

Alan. – É o que precisamos descobrir. Irmão.

Leonardo. – Bom. Muito obrigado pelos seus serviços, Raul. – já de pé.

Alan. /Pedro. – (juntos.) Rael!

Leonardo. – Perdão. Rael. – Estende sua mão.

Rael o cumprimenta com um aperto de mãos.

Rael. – Nada. Já estou quase ame acostumar com isso, enfim. Boa tarde a todos. Tchau.

Mario. – Levo-te a porta! – caminha até a porta e a abre.

Rael sai da sala e a porta é fechada.

Leonardo. – Aproveitando o momento. Quero voz informar algo. Sobre minha pessoa! – em alto tom.

Pedro. – Sim, pode falar, delegado.

Mario. – É. Fica à vontade.

Leonardo. – Meu nome não é David, como devem pensar, eu sou Leonardo. Sim, aquele no qual foi “assassinado” a facadas pelo assassino misterioso. Pois é, não morri. Fingi-me de morto, claro, pra me salvar, se eu não tivesse feito isso, ele voltaria e terminaria o serviço! Foi bom todo esse tempo me fingindo de morto, pois descobri muitas coisas a respeito desse cara.

Todos ficam surpresos e chocados com a revelação.

Mario. – Uou!- surpreso. – Então foi por isso que quando o viste, sentir-se que já o conhecera de algum lado? – a Alan.

Alan. – Exatamente. Assim, como vocês, eu descobri há pouco tempo.

Pedro. – Mano. Eu confesso que to surpreso. Total. Mas, assim, tu disseste, melhor, afirmaste que esse assassino que é um homem? Por quê? Por que tem tanta certeza? – questiona intrigado e curioso.

Alan. – Porque ele sabe de quem se trata. Amigo.

Leonardo. – Sei, sim. E é um homem. Todos nós o conhecemos. Todos. Inclusive, você Alan.

Mario. – Então, deixa de suspense, boy. Quem é o cara? – ansioso por uma resposta.

Leonardo. – Por enquanto não posso falar. Ainda estou a investigar. E eu voz peço, a todos, sigilo. Sejam discretos e não comentem com ninguém. – serio.

Pedro. – Tudo bem! Seu segredo está guardado conosco. Fica tranqüilo, delegado. – toca em seu ombro.

Leonardo. – Obrigado. Podem ir. Estão dispensados.

Todos saem dali…

Alan se despede de Leonardo, com um beijo, e segue para seu apartamento. Já de noite. Ele adentra o local, tira toda sua farda, vai para o banheiro e toma uma ducha, demorada. Água cai sobre seu corpo. Esfrega-se com uma bucha… Ensaboa-se e em seguida sai do Box. Pega uma toalha, enxuga-se. Põe-na em volto de sua cintura. Já de volta ao quarto, pega um short qualquer e veste. Vê seu celular no criado mudo. O pega e liga para uma pizzaria.

CENA 7. MANSÃO. QUARTO. INTERIOR. DIA 

Já na mansão Caio se mostra inquieto e apreensivo. Ele caminha de um lado para outro dentro quarto. Seus cabelos estão molhados. Está apenas de shorts. É nítido em seu semblante seu nervosismo. E é perceptível seu olhar de medo. Bruno tenta acalmá-lo, porém sem hesito. O pede explicação e não obtém resposta alguma.

Bruno. – Meu lindo. Ei! O que há com você? Hum? Fala-me! – segura forte em seu roto.

Caio. – Me solta! Sai. Eu… Eu tenho que me entregar… – chora.

Bruno. – Como assim, se entregar pra quem? – sem entender o que ele está querendo dizer. – Fala! – preocupado.

Caio só chora…

Bruno. – Já sei quem pode ajudar-me. Alan. Atende, irmão. Atende! – já com seu celular ao pé do ouvido.

Alan de imediato o atende…

Alan. – Fala, irmão. – ao atendê-lo.

Bruno. – Cara, larga tudo o que você tiver fazendo e vem pra cá, por favor. O caio, ele não está bem. – nervoso e aflito.

Alan. – Tá. Tudo bem. Eu estou a ir pra ir. Acalma-se. Fica calmo. – desliga.

Ele rapidamente põe uma roupa, pega suas chaves e carteira, e corre rumo à mansão. Chega ao local, se desce de seu carro vai à porta e toca a campainha. Bruno o recebe.

Bruno. – Ele está ali, no quarto. Vem. Borá lá. – fecha a porta.

Alan. – Faz o seguinte: vai à cozinha pega um copo com água e açúcar, e leva lá, que eu vou ter com ele. Pode ser?

Bruno. – Tudo bem. Vai lá.

Alan vai até o quarto de Caio. Adentra e bate à porta com força. Caio se assusta ao vê-lo.

Alan. – Para de chilique! Chega! Estás a deixar o Bruno preocupado. Eu sei o que você fez… – o olhando.

Caio. – Sabe? – indaga limpando suas lágrimas e fungando.

Alan. – Você que atirou contra o Lobo! Teve seus motivos, claro. Porque senão, não teria cometido tal ato insano. Não é? Suspeitei quando te vi lá no morro! – sério e ao sentar-se numa poltrona.

Caio. – Fui eu sim, há muito tempo eu queria ter feito isso com aquele… Filho da puta! Ele mandou seus capangas me darem uma sova, e se não bastasse, ainda teve a pachorra de destruir todo meu apart. E me ameaçar. – lembrando-se dos episódios em que fora vítima dos ataques do traficante.

Alan. – Sinto dizer-lhe, mas ele não morreu! O Cesar morreu, ele não. Está em coma. Não devias ter feito isso, garoto. Esqueceu-se que está sob investigação a respeito da morte da Alicia? – questiona.

Caio. – Não. Eu não esqueci. O que eu devo fazer?

Alan. – Nada! Vai esquecer tudo isso. Enquanto ao bruno, inventa algo pra esse seu ataque de medo. Ninguém precisas de saber que cometeras tal loucura! É simples.

Bruno adentra o quarto com um copo em mãos…

Alan. – Beba essa água. Vai-te fazer bem, Caio. Água com açúcar.

Bruno. – Aqui! – o entrega.

Caio pega o copo e toma a água…

Alan. – Está tudo bem, irmão. – já de pé. – Não é Caio?

Caio. – Sim, só foi um ataque de medo, mas… Passou. Eu estou bem!

Bruno. – Que bom. Assustaste-me. Sabias? Mas que bom, que estejas bem agora. É. Obrigado por ter vindo. Alan. Mesmo.

Alan. – Que isso. Imagina. Bom. Fica bem tá, Caio? E não esquece o que te disse aqui. Boa noite. – vai embora.

Caio. – Bruno. Eu preciso-te contar algo. Senta aqui. Vem.

Bruno. – Ok. Pode falar. O que houve?

Caio. – Eu menti pra ti, quando disse que ias à faculdade. Eu não fui. Fui até o morro, manguezal. E lá, começou haver uma troca de tiros entre policiais e bandidos. Eu corri, corri muito e consegui me esconder em uma viela qualquer… Os tiros foram diminuindo, aos poucos, daí eu fui andando, andando e parei em uma laje, onde eu vi quando o Lobão atirou em seu comparsa. Eu peguei uma arma do chão, creio que poderia ser do cara que fora assassinado. E… Eu atirei… Quatro vezes contra o peito do Lobo. Eu atentei contra a vida daquele miserável. – confessa.

Bruno. – Que loucura! Por quê? Por que fizeste isso? Meu amor, você ainda está respondendo na justiça por participação no crime da Alicia! – já de pé nervoso.

Caio. – Eu sei! Acontece que eu queria me vingar daquele calhorda. Ele já me fez muito mal. Sorte é que ele não morreu. Uma pena. Está em coma. Já o outro, seu comparsa, esse morreu. Lembras das vezes que tu me salvaras de possíveis acidentes? Pois é, tudo encomendado por ele. A vez que eu quase fui atropelado na rua e tu me puxas-te, e o cara do shopping que tentou empurrar-me escada a baixo e por ultimo o atropelamento que me deixou paraplégico. Só queria vingar-me. Fazê-lo sentir o quão ruim é ser alvo de alguém. – serio e frio.

Bruno. – Justiça com as próprias mãos. Isso é errado! Agora eu entendo porque estavas querendo se entregar há minutos atrás. E você não vai fazer isso. Já está enrolado com a justiça, não pode se enrolar mais ainda. Ele não morreu, foi um ato impensado de sua parte. Ele, com certeza, vai sair dessa. Fica tranqüilo. E ó, por favor, nunca mais cometa tal loucura! Ok? Nunca mais! – o abraça forte.

Caio. – Nunca mais! Amo-te!

CENA 8. APART PEDRO. COZINHA. INTERIOR. NOITE 

Pedro informa a Samuel sobre o estado de Lobão… Ambos conversam à mesa enquanto jantam…

Samuel. – Coitado. Tomara que ele saia dessa, né? E que bom que vocês conseguiram tomar o morro. Parabéns!

Pedro. – Obrigado! Agora, é só instalar lá, na favela, uma unidade de polícia pacificadora. (UPP). A ideia desse projeto é começar a construir a credibilidade da polícia junto à comunidade e vice-versa. Isso é importante porque sem o apoio da população local, os traficantes vão eventualmente voltar a atuar naquela favela.

Samuel. – Isso é bom. Vai dá tudo certo. Eu tenho certeza.

Pedro. – Vai, se deus quiser. Vai.

Samuel. – Ele há de querer, meu bem. Enfim. Chega de tráfico, chega de mortes, chega de maldades… Tudo que eu quero e almejo pra esse Brasil é paz.

Pedro. – Isso é o que todos queremos. E deixa eu te contar outra coisa: sabe o David, delegado?

Samuel. – sim. O que tem ele?

Pedro. – Ele não é de fato o David, mas, sim, o Leonardo, aquele que supostamente fora assassinado pelo matador misterioso. Ele conseguiu sobreviver e fingiu-se de morto esse tempo todo! O bom é que ele investigou, ainda está investigando, e meio que sabe a identidade dessa coisa ruim!

Samuel. – Que maravilha! – animado. – Mas quem é ele? Quem é o assassino?

Pedro. – Ainda não sabemos, pois ele está juntando todas as provas de que necessita pra por esse canalha atrás das grades. Eu te peço para não comentar isso com ninguém, pois é sigilosa essa investigação. Que esse assunto morra aqui entre nós, ta?

Samuel. – Claro. Fica sossegado.

Pedro. – Bom. Acabei aqui. Vou escovar os dentes e deitar, ta? Espero-te lá no quarto! Amo-te! – vai até ele e o dá um selinho.

Samuel. – Vai. Vou só arrumar aqui e sigo, também. Amo-te. Lindo!

Pedro vai rumo ao quarto e Samuel tira toda a mesa e põe pratos e talheres na pia.

CENA 9. HOSPITAL. CTI. INTERIOR. NOITE 

Raul vai ao CTI examinar Diego, e assim como a enfermeira se surpreende ao vê-lo acordado. Faz algumas averiguações e constata que está tudo ótimo com o mesmo.

Raul. – É. De fato, isso aqui foi um milagre! – surpreso.

Enfermeira. – Dos grandes, doutor. Eu fiquei em choque quando entrei aqui e o vi. Acordado… – o olhando.

Raul. – Aparentemente está tudo bem com ele. Pressão normal. – após averiguação com o medidor de pressão. – inspire e expire, rapaz. – ordena. – Respiração também normal… – ouve com o estetoscópio. – Está tudo ok. Só que eu quero um hemograma completo. Enfermeira.

Enfermeira. – Sim, doutor, pra já. Vou só buscar os materiais para a coleta de sangue. Com licença. – sai dali.

Raul. – Então, rapaz. É… Lembras de tudo que aconteceu com você? Sabes teu nome?

Diego. – Diego. Esse é meu nome. Eu não sei o que houve comigo. O que sei é que quando fecho meus olhos eu vejo imagens, flashes…

Raul. – Que flashes seriam esses?

Diego. – Um cara… Atira em mim duas vezes, no peito. E eu sinto ardência aqui no peito toda vez que vem os sons dos disparos em minha mente. Eu não sei quem ele é, seu rosto está embaçado, o que dificulta sua identificação. E também vejo um bebê, um menininho, lindo. – sorri. – e também vejo duas pessoas transando… Ao sol próximos a um carro… É tudo confuso, minha cabeça dói. – sente dor por tentar forçar de mais sua mente.

Raul. – Tudo bem. Não force. Eu vou aplicar-te um analgésico. Certo? Vai aliviar as dores e também irei pedir uma tomografia…

Enfermeira. – Olá. Aqui estão os materiais para a coleta de sangue.

Raul. – Faça isso em outro momento. Ele precisa ser medicado agora está com dor de cabeça. Aplica uma dosagem de 50 MG de Ibuprofeno.

Enfermeira. – Sim.

Ela faz o que Raul pediu. aplica uma dosagem de ibuprofeno em Diego.

CENA 10. HOSPITAL. SALA DR RAUL. INT. NOITE 

Raul em sua sala. Está intrigado com o caso do Diego… A enfermeira adentra sua sala… Senta-se de perna cruzado em uma cadeira de frente a sua mesa.

Raul. – Eu estou preocupado com esse rapaz, Diego. Ele parou aqui após um acidente de carro há dois anos. Você ainda não residia aqui nesse hospital, quando ele deu entrada, mas eu sim. E agora, ele diz que tem flashes de alguém atirando contra ele. O que explica tudo isso? – intrigado.

Enfermeira. – É. Eu soube, porque li em seu prontuário… Também achei estranho ele falar desses flashes. Não tem coerência nisso tudo. Acho que isso é, sei lá, sobrenatural.

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