Destiinos Cruzados
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CENA 1. CASA DE SAMUEL. QUARTO. INTERIOR. NOITE

SAMUEL REAGINDO AO BEIJO DE PEDRO 

SAMUEL           (EMPURRA-O) Tá maluco, cara? 

PEDRO              Desculpa. Eu… eu acho melhor eu ir embora 

SAMUEL           Também acho. É bom mesmo você ir embora! 

PEDRO              Tá certo. Eu vou…

PEDRO VAI SAINDO. SAMUEL CHAMA SUA ATENÇÃO  

SAMUEL           aí, quer saber mesmo se a Petra é tua filha? Faz um teste de DNA. Só assim cê vai descobrir 

PEDRO              é o que eu vou fazer, tchau

PEDRO SAI. SAMUEL RESPIRA ALIVIADO, JOGA-SE EM SUA CAMA, FICA A PENSAR NO BEIJO

CORTE PARA 

CENA 2. STOCK-SHOTS. AMANHECER. EXTERIOR. DIA 

CENA 3. MANGUEZAL. EXTERIOR. DIA 

GERALZÃO DO MORRO

CORTE PARA

CENA 4. MANGUEZAL. LAJE. EXTERIOR. DIA 

LOBÃO ALI, DISTANTE. CÉSAR SE APROXIMA DELE 

CÉSAR               pensando na vida, chefe? 

LOBÃO              um pouco

CÉSAR               fala aí, o que te aflige?

LOBÃO              é aquela dúvida, da Petra ser minha filha, que fica martelando aqui na minha cachola 

CÉSAR               mano, esquece isso, talvez essa menina deva ser mesmo filha do polícia lá 

LOBÃO              não sei. Algo me diz que não. Ó, só aqui entre nós, eu quero conhecê-la 

CÉSAR               tá falando sério?

LOBÃO              claro, pô! Já viu alguma vez na vida eu não está falando sério? Não!

CÉSAR               ok. Eu respeito seu desejo, mas só acho que será um pouco complicado, não?

LOBÃO              pois é, também pensei nisso, não vai ser nada fácil se aproximar dessa garotinha. Tenho que pensar em algo o mais rápido possível.

SONOPLASTIA: TOCAR CELULAR DE CÉSAR. QUE LOGO ATENDE 

CÉSAR               (AO CEL) Oi. Sim, sim. Depois a gente se vê. Ok. Tchau (DESLIGA) 

LOBÃO              hum, é algum namorado? 

CÉSAR               que nada! Só um amigo. Só.

LOBÃO              amigo de cu é rola, rapá! 

CÉSAR               ha-ha-ha. Besta. Mais, eu vou pensar em algo, tá, pra você poder conhecer essa fedelha.

LOBÃO              valeu, irmão. Te agradeço! 

CÉSAR               que isso! 

LOBÃO              deixa eu fazer a contagem dos nossos lucros. Quando tiver com a ideia pronta, me avisa, beleza?

CÉSAR               beleza! 

LOBÃO SEGUE RUMO AO GALPÃO, CÉSAR O OBSERVA IR EMBORA

CORTE PARA 

CENA 5. RUA DO RIO DE JANEIRO. EXTERIOR. DIA

LÍDIA VEM CAMINHANDO DISTRAÍDA AO CELULAR POR UMA CALÇADA. LEONARDO VEM AVANÇANDO EM SUA FRENTE. ESBARRA-SE NELA DE PROPÓSITO. O CELULAR DELA CAI NO CHÃO   

LEO                    perdão, moça, perdão!

JUNTOS E NO MESMO INSTANTE, ELES SE AGACHAM PARA PEGAR O CELULAR, SUAS MÃOS TOCAM UMA NA OUTRA. SEUS OLHOS SE ENCONTRAM, LÍDIA SE ENCANTA POR ELE

LÍDIA                 tá… tá tudo bem. (SORRI) Não foi nada!

ELES SE PÕEM DE PÉS JUNTOS

LEO                    que bom. E o celular? Está funcionando? 

LÍDIA                 sim, apesar da queda, está funcionando bem

LEO                    é que ando muito distraído ultimamente

LÍDIA                 isso acontece com todos, relaxe. Me chamo Lídia, você é?

LEO                    Leonardo, mas cê pode me chamar de Leo

LÍDIA                 prazer, Leo. Bom. Tenho que ir. Bom dia

LEO                    bom dia

LÍDIA SEGUE ANDANDO… LEONARDO A OBSERVA, ATÉ PERDE-LA DE VISTA

CORTE PARA: 

CENA 6 APTO DE ALAN. SALA. INTERIOR. DIA 

ABRE EM ALAN SENTADO À MESA, DIANTE DE SEU NOTEBOOK ESTUDANDO O CASO DO DELEGADO PAREDE. ATENÇÃO SONOPLASTIA: CAMPAINHA TOCA. ALAN LEVANTA E VAI À PORTA. É LEONARDO E LUIZA. 

ALAN                 olá, Leonardo! 

LEO                    olá. Incomodo? 

ALAN                 imagina. Entrem.

OS DOIS ADENTRAM. ALAN FECHA A PORTA 

ALAN                 fiquem à vontade!

LEO                    obrigado. Essa é a Luiza, minha esposa!

LUIZA                oi. Prazer 

ALAN                 prazer, como ele já deve ter dito, sou o Alan. Sentem, por favor. 

LUIZA                com licença! 

LEO                    e aí, como que você está? Depois daquele dia

ALAN                 eu tô indo, né, tô seguindo em frente. Recebo muita ajuda do meu psicólogo, e isso tá sendo muito bom.

LEO                    que bom. Você tem que fazer isso mesmo, seguir em frente. Você é jovem ainda, tem muito que aproveitar.

ALAN                 verdade. 

LUIZA                (REPARA) Estava estudando? 

ALAN                 sim, um caso aí, em particular. Um delegado, o mesmo que me destitui do meu cargo, desconfio que ele seja corrupto

LUIZA                que horror! Se isso for verdade mesmo, esse cara tem que ser preso o mais rápido possível

ALAN                 se depender de mim, vai, e logo, logo.

LEO                    se precisar de ajuda pode contar comigo, Alan! 

ALAN                 obrigado, cara.

LEO                    que isso. Bom. A gente já vai indo. Passei aqui mesmo só pra te apresentar a Luiza.

ALAN                 ok. Que tal almoçarmos juntos um dia desses?

LEO                    seria uma boa! Quando?

ALAN                 qualquer dia. Só marcar! 

LUIZA                é, a gente vê o melhor lugar e depois te comunicamos

ALAN                 combinado

LEO                    nos acompanha até a porta?

ALAN                 claro. Afinal, quero que voltem mais vezes

ELE OS ACOMPANHA ATÉ A PORTA, ABRE-A E ELES VÃO EMBORA, ALAN VOLTA A SEUS ESTUDOS

CORTE PARA

CENA 7. HOTEL. INTERIOR. DIA 

LUIZA ENTRANDO NO QUARTO. SENTE-SE MEIO TONTA. ENJOADA. ELA CORRE PRO BANHEIRO 

CORTE RÁPIDO PARA 

CENA 8. HOTEL. BANHEIRO. INTERIOR. DIA 

ABRE EM LUIZA A VOMITAR NA PRIVADA. TEMPO 

CORTA PARA 

CENA 9. STOCK-SHOTS. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA/ NOITE 

LETREIRO: DIAS DEPOIS… CORTE PARA  

CENA 10. DELEGACIA. SALA DE PEDRO. INTERIOR. DIA 

PEDRO TRABALHANDO EM SUA MESA. ALGUÉM BATE À PORTA 

PEDRO              entra! 

UM AGENTE JÁ ENTRA COM UM ENVELOPE EM MÃOS FALANDO: 

AGENTE           Pedro, chegou esse envelope aqui pra ti! 

PEDRO              valeu, obrigado. (PEGA O ENVELOPE) Já pode ir 

AGENTE           com licença! (SAI) 

PEDRO ABRE O ENVELOPE, LÊ O CONTEÚDO, SE MOSTRA ESPANTADO COM O QUE DESCOBRE. NO SUSPENSE 

CORTE PARA 

CENA 11. APTO DE HUGO. SALA. INTERIOR. DIA 

LÍDIA VEM DO CORREDOR. BUSCA POR SUA BOLSA. AVISTA O OBJETO ALI NO SOFÁ. PEGA-A. E ASSIM QUE VAI SAIR, SENTE UM FORTE MAL ESTAR. SUA VISTA ESCURECE E ELA CAI DESMAIADA. CLIMA TENSO. FECHA EM LÍDIA DESACORDADA NO CHÃO 

CORTE PARA 

CENA 12. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INTERIOR. DIA 

MOVIMENTAÇÃO. BIPE DO ELEVADOR QUE SE ABRE. PEDRO SAI DESTE. VAI À RECEPÇÃO. FALA COM A RECEPCIONISTA

PEDRO              olá, gostaria de falar com o Felipe! Ele se encontra? 

RECEP               sim. É… o senhor tem hora marcada com ele?

PEDRO              não, por um acaso, assim, não tem nenhuma brechinha na agenda dele, não? 

RECEP               infelizmente, não. Sua agenda está lotadíssima 

PEDRO              ok. Eu marco uma hora depois com ele. Obrigado

RECEP               de nada. Que isso. tenha um excelente dia! 

PEDRO VIRA-SE PARA SAIR, FELIPE SAI DO ELEVADOR, O NOTA, VAI CHAMA-LO 

FELIPE              Pedro? 

PEDRO VOLTA-SE PRA ELE

PEDRO              Felipe! 

FELIPE              tá fazendo o quê aqui? 

PEDRO              na verdade, eu vim falar contigo, só que sua agenda segue lotada e não tive uma brecha sequer para poder falar

FELIPE              isso é verdade, mesmo. Minha agenda tá cheia, graças a Deus! Não tenho do que reclamar. Eu posso te ouvir agora, é o horário do meu rango, mas tá de boa. Vamos pro meu consultório

CORTA PARA 

CENA 13. HOSPITAL. CONSULTÓRIO. INTERIOR. DIA 

FELIPE ENTRA, SEGUIDO POR PEDRO. O SEGUNDO JÁ ENTRA FALANDO 

PEDRO              mano, não quero te incomodar, posso voltar aqui em outra hora. Vai pro seu almoço!

FELIPE              relaxa, cara. Me fala, o que está acontecendo? Senta aí, vai. Fica à vontade! 

PEDRO SENTA NO SOFÁ. FELIPE JÁ OCUPA SUA POLTRONA 

PEDRO              eu… não sei.

FELIPE              e quem que sabe? Eu? (TOM) Olhe, eu só vou poder te ajudar, caso você se abre, me conte tudo que se passa com você. O que te aflige? 

PEDRO              é que eu não sei como falar sobre isso, sabe? É muito difícil. Mas… eu vou ser direto. Eu beijei um cara! 

FELIPE              e que mal há nisso? 

PEDRO              tudo de mal. Acontece que eu sou hétero, sempre fui! 

FELIPE            então, você está querendo dizer que você “virou” gay só porque beijou outro cara?

PEDRO              não, claro que não! mas… isso é possível? até onde sei, homossexualidade não é nenhuma doença transmissível 

FELIPE              lógico que não, Pedro, ser gay não é doença, ninguém transmite um vírus para outra pessoa pegar ou adquirir homossexualidade. As pessoas nascem assim 

PEDRO              eu sei, meu melhor amigo é gay! Não tenho nada contra eles, só queria entender o porquê deu ter beijado outro homem 

FELIPE              essa resposta eu não posso te dá. Você mesmo que tem que se responder. Você que tem controle dos seus sentimentos, do que sente…

PEDRO              eu não sei

FELIPE            me diz uma coisa, esse rapaz que você beijou, o que você sente em relação a ele? Qual a relação de vocês?

PEDRO              que eu sinto? Raiva, muita raiva, daquele veado, vive me afrontando, me… e o pior, é que eu sinto vontade de bater nele, socar a cara dele, mas não consigo, algo mais forte aqui dentro de mim não permite

FELIPE              deve ser seu coração…

PEDRO              quê?

FELIPE              olhe, o que eu percebo, é que quando você, o jeito que você fala desse rapaz, os seus olhos brilham 

PEDRO              cara, eu não estou entendendo. O que você tá querendo dizer com isso? 

FELIPE              o óbvio, que você está apaixonado por esse cara! 

PEDRO              olha só, deu, tá. Obrigado por me ouvir, mas eu preciso ir agora. Tchau!  

PEDRO VAI EMBORA. CLOSE EM FELIPE QUE DIZ: 

FELIPE              ele ainda vai voltar…

CORTE PARA 

CENA 14. CEMITÉRIO. EXTERIOR. DIA. 

ABRE EM LOBÃO QUE VEM EM BUSCA DO TÚMULO DE ALICIA. CÉSAR VEM LOGO ATRÁS, À ESPREITA, O SEGUINDO. CÉSAR NÃO GOSTA NADA DE SABER QUE LOBÃO ESTÁ ALI PELA ALICIA. LOBÃO CHEGA AO TÚMULO DE ALICIA. SURPREENDE-SE AO DÁ DE CARA COM ROSA ALI, PRÓXIMO AO TÚMULO. 

LOBÃO              Rosa, o que faz aqui? 

ROSA                 (ASSUSTADA, SEM SABER O QUE DIZER) Lobo, eu, eu… vim… 

LOBÃO              você conhecia essa mulher? O que você é dela? Fala, Rosa! 

ROSA                 eu, eu sou sua mãe…! 

LOBÃO              como assim? Mãe? Não é possível. Não! 

ROSA                 (AFLITA) Calma. Eu vou te explicar tudo… 

LOBÃO              não pode ser, não. Eu e essa mulher, nós ficamos, transamos, sem sabermos que somos irmãos, Rosa. Que porra é essa? Fala! 

ROSA                 (SEGURA O BRAÇO DELE) Eu te peço calma, fique calmo, vamos sair daqui. eu lhe explico tudo, mas em um outro lugar 

LOBÃO              (ALTERADO, A SEGURA FORTE, A SACUDINDO) Eu não quero me acalmar, quero explicações, caralho! 

ROSA                 tá, tá, vocês são irmãos…

LOBÃO              (DESCONTROLADO) Cala a boca! 

LOBÃO A EMPURRA, COM FORÇA, ELA TROPEÇA, CAI BATENDO A CABEÇA NA QUINA DE UMA CATATUMBA, DESACORDADA. CLIMA TENSO 

LOBÃO              o que eu fiz? 

CÉSAR               (O. S) Você a matou! 

CÉSAR APARECE POR ALI 

CÉSAR               (CONT) você matou sua mãe, Lobo! 

REAÇÃO DE LOBÃO

CORTE PARA 

FINAL DO CAPÍTULO

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