Destiinos Cruzados
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DESTINOS CRUZADOS.

NOVELA DE

UELITON ABREU. 

ESCRITA POR

UELITON ABREU.

CENA 1/ IGREJA/ FRENTE/ EXTERIOR/ DIA 

CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR. OS CONVIDADOS SE ASSUSTAM COM OS SONS DOS TIROS. ALGUNS CORREM ALI. DESESPERO GENERALIZADO. SAMUEL JÁ COM A CABEÇA DE PEDRO EM SEU COLO, AOS PRANTOS. NATHI TAMBÉM PRÓXIMA AO IRMÃO. 

SAMUEL — Pedro, por favor, não morre, fica comigo! (CHORO) eu te amo, vai ficar tudo bem. Alguém chama uma ambulância!  

NATHI   — Irmão… ei, fica com a gente… 

ALAN     — Eles já estão vindo aí.

JUNIOR— Cara, de onde vieram estes tiros? 

ALAN     — Infelizmente, não sabemos. Estávamos todos atentos a ele… que nem notamos a presença desse atirador 

SAMUEL — Só pode ter sido o tal assassino misterioso… foi ele que atentou contra Pedro…

OUVE-SE ENTÃO O SOAR DA SIRENE DA AMBULÂNCIA SE APROXIMANDO DO LOCAL, ENFERMEIROS E PARAMÉDICOS DESCEM DO VEÍCULO DE IMEDIATO. PEDRO É POSTO SOBRE UMA MACA E LEVADO AO HOSPITAL ÀS PRESSAS. NATHÁLIA E SAMUEL O ACOMPANHAM NA AMBULÂNCIA. ALAN E JUNIOR SEGUEM ATRÁS DE CARRO 

CORTE PARA: 

CENA 2/ HOSPITA/ SALA DE ESPERA/ INTERIOR/ DIA 

SAMUEL, ALAN E NATHI ALI APREENSIVOS NO AGUARDO DE INFORMAÇÕES SOBRE O ESTADO DE PEDRO

CORTE PARA:

CENA 3/ HOSPITAL/ SALA DE CIRURGIA/ INTERIOR/ DIA 

PEDRO EM CURURGIA. MÉDICOS FAZENDO A RETIRADA DAS BALAS ALOJADAS NO CORPO DE PEDRO. TUDO FEITO MINUCIOSAMENTE E COM CAUTELA, POIS AS BALAS ESTÃO A POUCOS CENTÍMETROS DE ORGÃIS VITAIS. INTANTES. PEDRO COMEÇA ENTÃO A TER UMA PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA, SEGUIDA POR MAIS DUAS, QUE FELIZMENTE SÃO CONTROLADAS PELOS MÉDICOS.FINALIZADA A OPERAÇÃO, PEDRO É ENVIADO PARA O CTI. SEU ESTADO É GRAVISSIMO E REQUER BASTANTE ATENÇÃO E MONITORAMENTO MÉDICO 

CORTE PARA:

CENA 4/ HOSPITAL/ SALA DE ESPERA/ INTERIOR/ DIA 

DR. RAUL CHEGA À SALA DE ESPERA. CHAMA PELOS FAMILIARES DE PEDRO. 

Dr. RAUL— Familiares de Pedro Lima? 

NATHI    — Aqui, sou irmã dele! Como está meu irmão, doutor? Ele morreu?

Dr. RAUL — Não. Sua cirurgia foi bastante delicada. As balas que o acertaram estavam muito próximas aos órgãos vitais, especificamente: uma estava bem próxima ao coração e a outra no fígado. Ele está agora no CTI, está em monitoramento e ligado a alguns aparelhos. Seu estado é bastante grave e requer acompanhamento médico.

SAMUEL — Posso ir vê-lo, doutor?

Dr. RAUL— Não é permitida a entrada de familiares no CTI. Sinto muito. Acho que agora, vocês precisam ir pra casa, descansar, tomar um banho e trocar essas roupas, que sugiro não ser apropriadas para o ambiente. Quaisquer avanços em seu estado, ligaremos e os informaremos. Podem ficar sossegados.

ALAN      — É. Ele tem razão, gente. Melhor irmos. Vamos, galera.

SAMUEL — Qualquer coisa, não hesite, doutor, ligue-nos. 

NATHI    — Obrigada, doutor. Vamos, amigo. 

Dr. RAUL — Que é isso. Fiz apenas meu trabalho. Com licença. 

JUNIOR — Eu vos levo pra casa! 

NATHI    — Obrigada, amor.

JUNIOR — Você vem com a gente, Alan?

ALAN      — Não, não, podem ir indo. Eu vou passar na delegacia agora, é que me enviaram uma mensagem dizendo que o novo delegado interino já chegou à delegacia. E exige a presença de todos por lá. Qualquer coisa, me avisem, por favor. Tchau.

JUNIOR — Certo. Falou então. Tchau.

ELES VÃO EMBORA DALI.

CORTA PARA: 

CENA 5/ BARRACO DE LOBÃO/ INTERIOR/ DIA 

LOBÃO BRINCANDO NO CHÃO, QUE ESTÁ CHEIO DE URSOS E CARRINHOS, COM GABRIEL.  CÉSAR ENTRA. OBSERVA-OS SEM SER VISTO POR ALGUNS INSTANTES. ATÉ QUE SE APROXIMA JÁ FALANDO COM LOBÃO. 

CÉSAR   — Linda cena, desculpa atrapalhar, mas temos algo importante pra resolver, Lobo. 

LOBÃO   — Que seria…?

CÉSAR    — A prisão da Lídia.

LOBÃO   — Como é? (surpreso) Psiu, neném, brinca aí, tá? Papai vai aqui falar com outro papai, já volto. (levanta-se do chão e vai até César) Como foi isso?

CÉSAR    — Aquele energúmeno do Pedro, humilhou-a no altar e a prendeu, descobriu tudo, todo o nosso esquema. Desgraçado!

LOBÃO   — calma, temos que pensar em algo agora…

CÉSAR    — Fica tranquilo já sei o que fazer. Eu vou tirar ela de lá, daquela cadeia fétida e nojenta, você só tem que cuidar do ratinho ali que, inclusive, dá-se muito bem contigo. 

LOBÃO   — Ah, ele é um amor. Gosto muito dele, é como se fosse meu filho… (observando Gabriel brincar com os ursos) 

CÉSAR   — Bacana! (sorri) Bom, tenho que ir resolver o processo de resgate a donzela em perigo. Vou te informando pelo celular. (brinca) Até logo, papai. 

LOBÃO   — Até safado… 

RI E LOGO DEPOIS SE JUNTA NOVAMENTE A GABRIEL.

CORTA PARA: 

CENA 6/ BARBEARIA/ INTERIOR/ DIA.  

HUGO DANDO UM TAPA NO VISUAL. INSTANTES. UM CORTE MAIS ECLÉTICO E UMA BARBA MAIS RALA E ALINHADA. HUGO DÁ UM CONFERE NO ESPELHO E APROVA SEU NOVO VISUAL. PAGA A CONTA E SAI. 

CORTA PARA: 

CENA 7/ QUARTO DE HOTEL/ INTERIOR/ DIA. 

PORTA ABRE. HUGO VEM ENTRANDO. JÁ SE DESPINDO. SEGUE INDO RUMO AO BANHEIRO. 

CORTA PARA: 

CENA 8/ HOTEL/ BANHEIRO/ INTERIOR/ DIA. 

HUGO JÁ DE BAIXO DO CHUVEIRO, TOMANDO UMA DUCHA. TEMPO NO BANHO DELE. JÁ DE BANHO TOMADO, ELE SAI DO BOX COM UMA TOALHA EM VOLTO DA CINTURA E VOLTA PARA O… 

QUARTO, ONDE SEGUE DIRETO PRO GUARDA ROUPAS. AQUI: MUITO RITMO! CATA PRA SI: UMA CUECA, CALÇA JEANS E UMA BLUSA. VESTE TUDO. VAI PARA FRENTE DE UM ESPELHO. PENTEA SEUS CABELOS. PASSA PERFUME. PEGA SUAS CHAVES, CARTEIRA E SAI PRA RUA. 

CORTA PARA:

CENA 9/ CASA DE SAMUEL/ COZINHA/ INTERIOR/ DIA.

SAMUEL À MESA, TOMANDO UM CAFÉ. SONOPLASTIA: TOCAR CAMPAINHA. SAMUEL LEVANTA E SAI PARA SALA. 

CORTA PARA: 

CENA 10/ CASA DE SAMUEL/ INTERIOR/ DIA.

SAMUEL VEM DA COZINHA. PASSA PELA SALA. VAI ATENDER A PORTA. SURPREENDE-SE AO SE DEPARAR COM HUGO A SUA FRENTE. 

SAMUEL — Hugo!

HUGO     — Oi, amigo. Posso entrar?

SAMUEL — Claro. Fica à vontade.

HUGO     — Com licença. 

SAMUEL — Confesso estar surpreso, afinal, todos achávamos que você estivesse morto. 

HUGO     — Eu imagino. Eu vim aqui justamente pra isso, pra te explicar tudo que ocorrera comigo. Claro, só se você quiser, pois sei que o momento é inoportuno, pois já soube do ocorrido com o Pedro. Sinto muito. 

SAMUEL — Quero, quero saber sim. Senta. Eu quero entender tudo isso. Por favor. (aponta para o sofá em sinal para sentarem) 

HUGO CONTA TUDO O QUE OCORRERA CONSIGO PARA SAMUEL QUE OUVE TUDO ATENTAMENTE E SURPRESO COM TUDO QUE OUVIRA DO AMIGO. NATHÁLIA VEM DE SEU QUARTO, ESTÁ A CAMINHO PARA COZINHA E PARA AOS VÊ-LO.

NATHI    — Olá. Não vi que vocês estavam aí. Espera aí. Esse, esse não é aquele seu amigo que morreu, Samu? Como que ele pode estar aqui, agora? 

SAMUEL — É uma longa história, amiga, depois te conto. Pra mim isso tudo é muito novo… Ainda estou a digerir tudo o que ele disse aqui.

NATHI    — Ok. Bom, eu vou ali à cozinha, preparar algo pra mim. Querem alguma coisa?

HUGO     — Não, obrigado. 

SAMUEL — Obrigado, amiga. Bom lanche.

NATHI    — Ok. Irei deixá-los a sós, com licença. (sai) 

SAMUEL — Cara, não consigo acreditar que o Lobo, meu irmão, tenha atentado contra você. Que loucura, meu Deus! 

HUGO     — Sinto muito em te dizer isso, mas teu irmão é um canalha. E o pior é que eu descobri que a Lídia, ela estava junto a ele nesse esquema todo. A vadia repassava drogas pra ele. E sabe aquela suspeita de que ela me traia? Pois é, era concreta. Eu a flagrei trepando com um desses garotos de programa no mato, no dia em que sofri o atentado.

SAMUEL — Que horror! Você deve ter ficado arrasado. Sinto muito. Essa mulher não presta, ela é ruim. Você sabe que ela ia casar com o Pedro, né? Só que ele assim como você descobriu quem ela era de verdade.

HUGO     — Eu estou a par de tudo, não se preocupe. Só que ela não vai parar. Algo me diz que só a prisão não basta pra ela. Essa peste tem de sofrer, Samuel, mais do que nos fez sofrer.

SAMUEL — Não, Hugo, não devemos pagar o mal com o mal. Eu sou contra a vingança com as próprias mãos. Devemos ser pacíficos e deixar a justiça resolver. Ela é lenta, eu sei que é, mas ela tarda, mas dificilmente falha. Por favor, livre-se desse sentimento de ódio. Isso é ruim. Estraga o ser humano, e você não é isso. O que eu quero aqui em minha frente, é aquele meu amigo, professor, que adorava lecionar suas aulas de história, não um ser do mal, que anseia por vingança a todo custo. 

HUGO     — Você tem razão. Eu… (se levanta, anda de um lado para o outro) eu meio que deixei levar-me pelo ódio que eu sinto dela. Perdão. Eu não devia ter pensado assim. Eu não sou assim. Desculpa.

SAMUEL — Não precisa se desculpar.

HUGO     — É… conta comigo, tá, pra o que cê precisar nesse momento difícil que está passando. Eu… desejo do fundo do meu coração, que o Pedro se recupere logo e que vocês possam viver esse amor de vocês, viu. Eu te adoro, amigo. Dar-me um abraço? (de braços abertos) podes me abraçar? 

SAMUEL SE LEVANTA E O ABRAÇA FORTE.

SAMUEL — Meu amigo, e que você possa se reerguer de novo, e que volte a fazer aquilo que gostava de fazer: ensinar seus alunos. 

HUGO     — é o que eu mais quero agora, minha vida de volta. (ri lembrando) Meus alunos, minha sala, meus diários, tudo.

SAMUEL — Eu imagino…

HUGO     — Tenho que ir.

SAMUEL — Te levo até porta…

SEGUEM JUNTOS ATÉ A PORTA. 

HUGO     — Tchau. Qualquer coisa me liga, aqui, meu novo número. (o entrega um papel) não hesite em me procurar. Até logo! 

HUGO VAI EMBORA. 

SAMUEL — Até… 

FECHA A PORTA. 

CORTA PARA: 

CENA 11/ DELEGACIA/ CELA/ INTERIOR/ DIA. 

LÍDIA COM UM CELULAR JÁ LIGANDO PRA CÉSAR. EDIÇÃO: ALTERNAR DIÁLOGOS COM CÉSAR DESCENDO O MORRO

CÉSAR    — (AO CEL) Alô? Quem?

LÍDIA      — (AO CEL) Sou eu traste, Lídia. Me ouve! 

CÉSAR    — (AO CEL) Fala vadia. (tira sarro) Como que está aí a hospedagem no hotel cinco estrelas? 

LÍDIA      — (AO CEL) Vai se ferrar, idiota. Olha aqui, eu não posso ficar nesse lugar imundo… eu não nasci pra viver presa numa gaiola. 

CÉSAR    — (AO CEL) Tá, tá, tá. Fica de boa. Eu vou te tirar daí.

LÍDIA      — (AO CEL) Gosto disso, muito me interessa. Quando? Como? Que horas?

CÉSAR    — (AO CEL) Ih, calma, vadia. Na hora certa você saberá. Relaxa. Agora me deixa que eu tenho de resolver algo aqui. Tchau.

LÍDIA      — (AO CEL) Tchau, veado. (desliga) Ah, que ótimo, eu vou sair desse cubículo. Logo, logo. 

PRESA    — Vai fazer o quê? Hum? Vai dá uma de mágica pra sair daqui? (questiona a pegar seu celular de volta) 

LÍDIA      — Ainda não sei, mas que eu vou sair. Ah, eu vou…

PRESA    — Se você diz… 

CORTA PARA: 

CENA 12/ MANSÃO/ QUARTO SAFIRA/ INTERIOR/ DIA. 

SAFIRA SENTADA EM UMA POLTRONA, ESTÁ LENDO UM LIVRO. CLEUDO, SEU MORDOMO, SE APROXIMA SORRATEIRAMENTE POR TRÁS, BEIJANDO SEU PESCOÇO, ELA SE CONTORCE. ELE APALPA SEUS SEIOS.

SAFIRA — Que ousadia é essa? 

FECHA O LIVRO E O COLOCA DE LADO NUM CÔMODO. 

CLEUDO — A gente está só aqui, daí imaginei que pudéssemos fazer umas safadezinhas. Hum? (beijando seu pescoço) Topa safada?

SAFIRA — Safado. Até quero, mas agora não. 

SAFIRA LEVANTA, O DEIXANDO CAIR DEBRUÇADO SOBRE A POLTRONA.

SAFIRA— Aliás, eu até posso fazer essas “safadezinhas.” Porém, com uma condição, claro.

CEUDO — (sentado na poltrona) Que seria…? 

SAFIRA — Quero que faça uma visitinha ao Caio na delegacia… amanhã.

CLEUDO — Eu, por que eu? Por que a senhora mesmo não vai? 

SAFIRA — Primeiro: senhora é tua mãe, segundo: levanta da minha poltrona e terceiro: nunca corte uma mulher quando ela tiver falando.

CLEUDO — Ok, madame. 

SAFIRA — Continuando… Quero que leve uma comidinha especial que mandarei pra ele, um almoço diferente, já que o de lá deve ser horrível, uma porcaria… eu quero demonstrar ser uma boa mãe, né, afinal, sempre o destratei. Quero mostrar a ele a minha mudança.

CLEUDO — Sei. Faço, faço sim. Só isso? 

SAFIRA — Por enquanto sim. Agora, saia, por favor. Quero voltar a minha leitura. (pega o livro no pequeno cômodo) E não se preocupe, após o seu serviço, eu o pagarei muito bem por isso. Saia. 

SAFIRA VOLTA A SENTAR NA POLTRONA. 

CLEUDO — Com licença. 

CLEUDO SAI. FECHA EM SAFIRA COM AR DE QUEM ESTÁ ARMANDO ALGO. 

SAFIRA — De amanhã aquele desviado não passa! (risada) Sua morte vai ser lenta e indolor. 

NA ARMAÇÃO, 

CORTA PARA: 

CENA 13/ DELEGACIA/ SALÃO/ INTERIOR/ DIA. 

ALAN CHEGANDO POR ALI JÁ UM POUCO ATRASADO. DELEGADO INTERINO JÁ SE APRESENTANDO PARA OS OUTROS PMS. AVISTA A CHEGADA DE ALAN E JÁ VAI CHAMA-LO ATENÇÃO. 

DAVID    — Isso são horas de chegar, agente? Isso é bom, assim conhecemos quem realmente são aqueles que trabalham conosco. 

ALAN      — Perdão, senhor. 

CLOSE EM SLOW DO ROSTO DE ALAN QUE TEM A IMPRESSÃO DE CONHECER O DELEGADO INTERINO DE ALGUM LUGAR. 

DAVID   — Continuando… (OFF) Eu…

MARIO NOTA ALAN DISPERSO. O CHAMA DE VOLTA PRA TERRA.

MARIO   — Ei, cara, que foi? Está tudo bem? 

ALAN      — Esse cara… eu conheço esse cara de algum lugar. (observando David falar) Esse rosto é muito familiar. 

DAVID    — É isso, espero que juntos possamos fazer um ótimo trabalho. (toca em seu abdômen com a mão) Com licença, vou pra minha sala. (sente um desconforto) Au! 

AGENTE — Está tudo bem, delegado?

DAVID    — Estou, estou sim. Não é nada! (rígido) voltem aos trabalhos. Agora! 

E VAI INDO PRA SUA SALA. 

MARIO   — Vixi, já vi que esse cara, é um carrasco. Eu, hein. E aí, lembrou de onde o conhece?

ALAN      — Ainda não, mas que ele é familiar, isso é… eu vou até a sala dele. Me deseja sorte. 

SEGUE RUMO À SALA DO DELEGADO. 

MARIO   — Boa sorte…

CORTA PARA: 

CENA 14/ DELEGACIA/ SALA DO DELEGADO/ INTERIOR/ DIA. 

DAVID ANALISA SEUS CURATIVOS COM SUA BLUSA LEVANTADA. ELE VÊ UMA MACHA DE SANGUE NO ESPARADRAPO, SE PREOCUPA. BATIDAS À PORTA. ELE DE IMEDIATO BAIXA SUA BLUSA, CORRE. SENTA EM SUA CADEIRA E PERMITE A ENTRADA DE QUEM ESTÁ A BATER. 

DAVID   — Entra! 

ALAN     — (entra) Com licença… 

DAVID   — Ora se não é o agente atrasado. O que quer? Fale logo, pois tenho muito trabalho. É sempre difícil ter que ocupar o lugar de outro delegado…

ALAN     — Vim apenas me desculpar pelo meu atraso/ 

DAVID   — (corta) Poupa-me de suas desculpas. Eu quero aqui sua competência como policial, nada mais. (aponta a saída) Era só isso, por favor, eu preciso trabalhar. 

SAMUEL VIRA-SE PRA SAIR E SUSSURA BAIXINHO: 

ALAN      — Grosso… 

DAVID    — Te garanto que meu pau é mais…

ALAN NADA DIZ APENAS SAI DA SALA. DAVID SORRI E LOGO DEPOIS FAZ CARETA AO LEMBRAR-SE DE SEU FERIMENTO.

CORTA PARA: 

CENA 15/ DELEGACIA/ SALAO/ INTERIOR/ DIA. 

MARIO AVISTA ALAN SAINDO DA SALA DO DELEGADO. VAI FALAR COM ELE. RITMO NOS DIÁLOGOS! O SEGUNDO JÁ VAI INDO RUMO AO ELEVADOR. ESTÁ APRESSADÍSSIMO. 

MARIO   — Como foi lá, com o delegado carrascão?

ALAN      — Péssimo. Esse cara é um idiota, sabe, um… Arrogante.

MARIO   — Falei que ele era um carrasco…

ALAN      — Tá, depois a gente se fala, beleza? Até mais! 

ENTRA NO ELEVADOR. QUE SE FECHA. 

MARIO   — Até. 

E VOLTA A TRABALHAR EM SUA MESA. 

CORTA PARA: 

CENA 16/ STOCK-SHOTS/ ANOITECER/ EXTERIOR/ NOITE. 

SUSPENSE

CENA 17/ HOSPITAL/ RECEPÇÃO/ INTERIOR/ NOITE. 

MOVIMENTAÇÃO. BIPE DO ELEVADOR. QUE SE ABRE. DESTE SAI HUGO. BASTANTE OBSERVADOR. VAI SE ENCAMINHANDO PARA O BALCÃO DA RECEPÇÃO. ONDE TRABALHA UMA BELA MOÇA. 

HUGO     — Boa noite. Você sabe me informar sobre um paciente que adentrou esse hospital mais cedo, seu nome é Pedro Lima?

RECEP    — claro. Só um instante. Irei consultar aqui… (vê as informações em seu computador) Ele está em coma induzido, no CTI. E, infelizmente, esse tipo de paciente não pode receber visitas. São normas do hospital. 

HUGO     — Não, está certo. Eu entendo. Obrigado mesmo assim.

RECEP    — disponha.

HUGO     — Só mais uma coisa, banheiro… Onde fica?

RECEP    — Siga aquele corredor, no fim à direita, senhor. 

HUGO     — obrigado. 

HUGO SEGUE ANDANDO PELO CORREDOR, SÉRIO, CENTRADO. SUSPENSE. VÊ QUANDO UM MÉDICO SAI DE UM QUARTINHO. TALVEZ, O QUARTO EM QUE ELES SE VESTEM COM ROUPAS DO HOSPITAL. HUGO ADENTRA O QUARTO, VERIFICA SE NÃO HÁ NINGUÉM E LOGO SE DISFARÇA, COM UMA TOCA, UM JALECO E UMA MÁSCARA. SAI DA SALA E EM PASSOS LENTOS SEGUE RUMO AO CTI. TENSÃO

CORTA PARA: 

CENA 18/ CASA DE SAMUEL/ INTERIOR/ NOITE. 

NATHI E SAMUEL SENTADOS NO SOFÁ, VENDO TV. A PRIMEIRA TEM UM MAU PRESSENTIMENTO. UM APERTO NO PEITO ESQUERDO. UMA ANGÚSTIA INESXPLICÁVEL. SAMUEL A NOTA DIFERENTE. E JÁ VAI QUESTIONAR: 

SAMUEL — Que foi amiga? Você ficou estranha de repente? 

NATHI    — (com a mão no peito, massageando) Sei lá, uma dor de repente aqui no peito, sabe, como um aperto… um nó… uma angústia… 

SAMUEL — Credo! Essas coisas são pressentimentos, amiga. Seu irmão…

NATHI    — Não, será?

SAMUEL — Acho melhor irmos pro hospital. Vamos! 

NATHI    — Vamos. Deixa-me só vestir uma roupa mais decente e nós vamos. 

NATHI CORRE PRO QUARTO. SAMUEL DESLIGA TUDO ALI NA SALA. 

CORTA PARA: 

CENA 19/ HOSPITAL/ CTI/ INTERIOR/ NOITE. 

NO SUSPENSE, PORTA É ABERTA. HUGO DISFARSADO ADENTRA O QUARTO EM PASSOS LENTOS. BIPES DO MONITOR CARDÍACO. AVISTA PEDRO ALI EM SUA FRENTE, INCONSCIENTE. SE APROXIMA DE SEU LEITO. O OBSERVA FRIAMENTE. TENSÃO. VÊ ALI PRÓXIMO O VENTILADOR MECÂNICO, QUE AJUDA NA RESPIRAÇÃO DE PEDRO. VAI ATÉ LÁ E DESLIGA O APARELHO. 

HUGO    — Eu vou acabar com teu sofrimento e assim, o Samuel será só meu, meu… Morra! 

E DESLIGA TODAS AS MÁQUINAS QUE MATÉM PEDRO VIVO.

PEDRO COM A RESPIRAÇÃO PESADA; INSPIRA E EXPIRA COM DIFICULDADE… TENSÃO

CORTA PARA: 

FINAL DO CAPÍTULO.

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NAVEGAR

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